A hora e a vez da IA na campanha: como os jingles impulsionam candidatos
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Jane Cambay
Juliano Madeirada
Lula
Nathalia Mendonça
Paulo Vasconcelos Rosário
Ramon Quadros
Ronaldo Caiado
Samantha Klein
- Plataformas comerciais e IAInteligência artificial na campanha · Facilidade e redução de custos · Proibição de paródias · Alternativa para candidatos com menos recursos · Comparativo de custos
- Propaganda PoliticaObrigatoriedade de informar uso de conteúdo sintético · Proibição de publicação em períodos próximos ao pleito · Tribunal Superior Eleitoral
- Marqueteiros de campanha e estratégiaProdução de vídeos, locuções e músicas · Jingles em eventos · Cuidado com propaganda antecipada · Conteúdos espontâneos de simpatizantes
- Impacto e percepção da IA em músicas de campanhaVozes sem alma · Perda de autenticidade · Moderação no uso · Autoral vs. IA
O meu candidato é o João, gente boa ele é, ele é muito bom, trabalha pela comunidade, é sinal de lealdade. O resultado é tão convincente que nem parece ter sido produzido artificialmente, não é? Pois este jingle foi criado a partir de uma simples letra inserida numa plataforma digital e esse foi um dos resultados.
Se neste caso não há ninguém disputando votos de verdade, pré-candidatos já começam a se beneficiar dessa facilidade. As paródias que durante anos facilitaram e reduziram os custos de produção de jingles estão proibidas pela justiça eleitoral desde 2024.
E nesse cenário, a inteligência artificial surge como uma alternativa, especialmente para candidatos às eleições proporcionais, que costumam ter menos recursos para investir na produção musical. Enquanto uma canção de campanha com composição, vocais e arranjos inéditos, gravada em estúdio, pode custar mais de 10 mil reais, e campanhas presidenciais ultrapassam e muito este valor,
Jingles simples podem ser comprados pelas redes sociais por menos de R$ 50. A publicitária Nathalia Mendonça diz que já criou jingles com ferramentas sintéticas ainda nas eleições de 2024. E para ela, neste pleito, a IA será usada de forma mais frequente e estratégica. Não eram as músicas oficiais que iam para as minhas campanhas, mas eram as músicas que iam para o...
num bandeiraço. Então, assim, tem muitas possibilidades e traz, às vezes, até um nível de produção e uma quantidade de produção que as campanhas nem fariam se tivessem que contratar isso como música. A música autoral, no entanto, não perde espaço. Conforme o músico e produtor Jane Cambay, com experiência de produção de jingles para candidatos, adeptados, vereadores e senadores de vários estados,
a popularização das ferramentas diminui o valor que pode cobrar por trabalho, porém também lhe dá mais tempo para produzir mais. O IA me parece um arranjo completo.
Por exemplo, só a bateria. Quando a gente está com prazo para entregar o trabalho, cada hora ajuda. Para Ramon Quadros, fundador da gravadora Jingle Online, apesar da rapidez e praticidade, as ferramentas ainda não conseguem transmitir a mesma emoção de uma música de campanha criada por humanos.
Ah, vamos criar um jingle do zero, né? O cliente aprovou a guia, a gente vai começar a fazer todo o instrumental. Nada com o IA. A gente não usa mesmo, porque acredito que IA, principalmente as vozes, né? De IA, é uma voz sem alma, sem coração. Já o publicitário Paulo Vasconcelos Rosário, que está coordenando a comunicação da pré-campanha de Ronaldo Caiado, ressalta que os jingles já não têm mais o mesmo impacto nas campanhas à presidência.
Para o consultor, esse recurso deve ser usado como moderação para evitar a perda de autenticidade e diferenciação no debate político. O jingle é uma peça que caiu um pouco em desuso nas campanhas majoritárias. Eles foram peças muito importantes na história. De lá para cá, a música passou uma sensação para o eleitor, em alguns casos. Ele está sendo ali meio que manipulado. Aí ele falou, peraí, pela musiquinha só, não vou não. Então isso tem sido usado como moderação e no tempo certo.
As equipes de pré-campanha estão definindo o tom e os formatos de comunicação dos candidatos e um dos pontos centrais é justamente o uso da inteligência artificial como uma ferramenta estratégica. Os marqueteiros evitam revelar suas táticas, mas já recorrem à tecnologia para produzir vídeos, locuções e músicas. Na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, por exemplo, jingles produzidos por apoiadores já vêm sendo usados em eventos.
No caso de Lula, o cuidado é maior para evitar propaganda antecipada e por isso as equipes não estão usando músicas e jingles de apoiadores. Ainda assim, simpatizantes seguem criando conteúdos espontaneamente. Caso do músico e produtor de jingles, Juliano Madeirada, que afirma não utilizar inteligência artificial nas suas composições.
O uso de tecnologia para gerar imagens, vídeos e áudios artificiais tem regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral. O responsável pela propaganda deve informar a utilização de conteúdo sintético multimídia de modo explícito, destacado e acessível. A novidade deste ano é a proibição de publicar ou repostar, com ou sem impulsionamento, conteúdos gerados por IA nas 72 horas que antecedem o pleito.
e nas 24 horas depois da votação. De Brasília, Samantha Klein.