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Mães relatam tripla jornada, mas inspiram filhos enquanto equilibram trabalho e família

09 de maio de 20266min
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Brasileiras dividem experiências sobre carreira, filhos e tarefas da casa em meio à discussão sobre divisão do trabalho doméstico.

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Participantes neste episódio5
A

Angela Bertoli

ConvidadoDiretora de escola
C

Camila Monteiro

ConvidadoPsicóloga
D

Dona Edna

Convidado
J

Júnior Azuz

ConvidadoMúsico e educador
L

Lívia Paliano

ConvidadoAdvogada familiarista e professora universitária
Assuntos4
  • Maternidade de MúltiplosEquilíbrio entre carreira e filhos · Divisão de tarefas domésticas · Capital invisível na maternidade · Camila Monteiro · Angela Bertoli · Dona Edna
  • Busca de emprego e trabalho domésticoDesproporcionalidade nas costas das mulheres · Dados do IBGE 2022 · Estados com maior dedicação feminina · Alagoas · Sergipe · Ceará · Rio Grande do Norte · Pernambuco
  • Trabalho de cuidado não remuneradoLimitação da inserção no mercado formal · Ascensão profissional e retorno financeiro · Lívia Paliano
  • Presença maternaConquistas dos filhos · Dona Edna · Júnior Azuz
Transcrição19 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Eu tenho dois filhos pequenos, um menino de 4 anos e uma menina de 2 anos. E a minha rotina é bem puxada, porque ela é dividida entre os cuidados com as crianças, o cuidado da casa e também o trabalho externo. E os finais de semana acabam sobrecarregando nas demandas de limpeza geral da casa, de fazer o almoço para a semana. E para lidar com essa demanda de sobrecarga, na verdade, materna, eu tenho o apoio do meu marido.

De Maceió, a psicóloga Camila Monteiro é uma das muitas mulheres brasileiras que vivem na tentativa de equilibrar o cuidado com os filhos entre os afazeres domésticos e o trabalho remunerado. Enquanto as crianças estão na escola, Camila aproveita para atender os pacientes no consultório.

Mais tarde, com os filhos já em casa, é preciso dar conta de fazer a comida, lavar a roupa, limpar a casa e ainda administrar a empresa que ela tem com o marido. O casal conseguiu alinhar a divisão de tarefas dentro de casa, assim como a diretora de escola, Angela Bertoli.

De São Paulo, além de tocar a instituição, ela também é dona de uma loja de brinquedos adaptados para crianças com deficiência visual. Em meio à correria dos trabalhos e com dois filhos, ela adequa a própria rotina para se dedicar também à própria mãe, que hoje em dia mora com ela e depende dos seus cuidados.

De Maceió, a psicóloga Camila Monteiro é uma das muitas mulheres brasileiras que vivem na tentativa de equilibrar o cuidado com os filhos entre os afazeres domésticos e o trabalho remunerado. Enquanto as crianças estão na escola, Camila aproveita para atender os pacientes no consultório.

Mais tarde, com os filhos já em casa, é preciso dar conta de fazer a comida, lavar a roupa, limpar a casa e ainda administrar a empresa que ela tem com o marido. O casal conseguiu alinhar a divisão de tarefas dentro de casa, assim como a diretora de escola, Angela Bertoli.

De São Paulo, além de tocar a instituição, ela também é dona de uma loja de brinquedos adaptados para crianças com deficiência visual. Em meio à correria dos trabalhos e com dois filhos, ela adequa a rotina para se dedicar também à própria mãe, que hoje em dia mora com ela e depende dos seus cuidados. A gente também vai sendo um pouco de filha, vai comprando remédio, vai levando no médico, vai tentando ser um pouco de mãe, esposa, enfim. A escola funciona de final de semana também.

As atividades, as festas, as reuniões. Então, por exemplo, até o final de junho, eu não tenho nenhum sábado livre. Todos os meus sábados estão comprometidos. Ângela conta que desde sempre procurou ensinar para os filhos a importância de ter a ajuda deles nas tarefas de casa, responsabilidade que o marido também assume. Camila e Ângela, felizmente, escapam das estatísticas.

A realidade é que o trabalho de cuidado dentro de casa costuma pesar de forma desproporcional nas costas das mulheres. De acordo com dados do IBGE divulgados em 2022, elas dedicam em média 21 horas semanais, um total de 10 horas a mais que os homens, para cuidar da casa e da família.

Essa divisão das tarefas, de acordo com o gênero, resulta numa dupla ou tripla jornada de trabalho. Em meio à discussão sobre o fim da escala 6x1 no Brasil, muitas mulheres vivem na pegada 7x0. Quando finalmente chegam em casa, o trabalho ainda não acabou.

Entre os estados do país em que elas mais dedicam o próprio tempo para os afazeres domésticos e cuidado com os filhos, a Lagoas ocupa a primeira posição. As mulheres gastam uma média de 25 horas semanais, já os homens, 13 horas. Em seguida, vem Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Do cariri cearense à advogada familiarista e professora universitária Lívia Paliano, explica que o trabalho de cuidado limita a inserção das mulheres no mercado formal.

Inclusive uma tese que a gente sempre sustenta é o capital invisível investido na maternidade, que é justamente esse valor, que é o tempo, que não deixa de impactar na vida financeira dessa mulher, porque o tempo que ela dispende no trabalho de cuidado com esses filhos, ela poderia estar despendendo na ascensão da carreira dela e melhorar o retorno financeiro do trabalho.

Então, a gente fala de tripla jornada de trabalho, porque a maioria das mulheres, quando chegam em casa, que deveria ser o tempo de descanso, vão enfrentar a terceira jornada de trabalho, que é cuidando dos filhos, fazendo atividade. Então, é um trabalho ininterrupto.

E todo o esforço durante anos para cuidar da família, mais para frente pode ser refletido nas conquistas desses filhos que agora reconhecem a dedicação da mãe. Aos 30 anos, Júnior Azuz conta que, numa infância de relacionamento mais conturbado com o pai, a mãe dele foi fundamental para que ele conseguisse ir à escola, ter acesso à leitura e fizesse cursos extras que tivesse vontade.

Hoje músico e educador, Júnior reconhece a importância do papel de Dona Edna para que ele seja bem-sucedido atualmente.

Minha mãe trabalhava escala 6x1, aquela coisa muito louca de shopping. Ela tinha uma, acho que essa dificuldade mesmo de estar presente, mas ao mesmo tempo tendo que dar conta de todo o resto. Apesar disso tudo, minha mãe sempre foi muito, muito incentivadora, assim, com tudo. E ela incentivou super a estudar também, desde sempre. Aí eu queria começar a estudar música, ela foi, me ajudou também. E eu acho que isso tudo fez muita diferença para que eu desenvolvesse acadêmica e profissionalmente.

Esse cuidado das mulheres, que foram cuidadas por outras mulheres, vem com muita sobrecarga, muito esgotamento, e deve ser reconhecido como um trabalho que constrói os filhos e filhas que movem a nossa sociedade, graças à dedicação de anos, dentro e fora de casa das próprias mães. De São Paulo, Maria Cecília Dallau.

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