Hantavirose, no Brasil, não é transmitida entre pessoas, afirma infectologista
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- Hantavirose no BrasilHantavirose · Cepa Andes · Transmissão entre pessoas · Transmissão por roedores · Inalação de aerossóis
- Sintomas e Complicacoes ClinicasSintomas virais inespecíficos · Febre · Mal-estar · Dor no corpo · Fadiga · Sintomas gastrointestinais · Lesões respiratórias · Insuficiência respiratória · Letalidade alta · Ausência de tratamento específico · Suporte de vida · Detecção precoce
- Condições sanitáriasMonitoramento de passageiros · Período de incubação · Vigilância sanitária epidemiológica · Testagem · Acompanhamento de pessoas · Prevenção de contaminação
- Vacinação contra GripeCampanha nacional de vacinação · Importância da vacinação · Público-alvo prioritário · Prevenção de formas graves · Efeito coletivo · Vacina trivalente · Influenza A (H1N1 e H3N2) · Influenza B · Desmistificação de mitos · Movimento antivacina · Segurança da vacina · Unidade básica de saúde · Efeito da vacina
Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar sobre um tema importante na área da saúde. Não há dúvida nenhuma que você, ouvinte CBN, tem acompanhado. Imagino com uma certa preocupação, todos nós, o que está acontecendo.
em relação ao navio MV Rondius, que partiu da Argentina em direção a Cabo Verde, agora nesse final de semana começou a fazer a repatriação, houve pelo menos três mortes lá, e a gente vai falar sobre o rantavírus. Nosso convidado é o médico André Peluso Nogueira, que é médico infectologista. Doutor André, muito bom dia, é um prazer tê-lo conosco aqui na CBN.
Um bom dia a todos, aos ouvintes, e o importante é a gente passar a informação de claro e com qualidade para a sua audiência. Claro. Bom, acho que vamos, como a Tatiana Vasconcelos fala, vamos começar pelo começo, né? O que é a rantavirose? Como é que ela é transmitida, doutor André? A rantavirose, ela já é uma doença sabidamente conhecida, né? Ela é um vírus que ela atinge uma família de vírus que...
transmite através de roedores, de ratos silvestres, e ela é uma doença que é encontrada nas Américas, na Europa, na Ásia, e a gente teve agora esse surto no navio. Sabidamente, é uma doença que é transmitida do rato para as pessoas, através da inalação de esporos do vírus, quando a gente vai, por exemplo...
ter contato com pó, varrer uma casa, varrer uma tulha, varrer um forro de uma casa. Então, a pessoa inala essas partículas e ela acaba podendo se adoecer. E o que a gente tem aí, que foi confirmado, uma cepa nesse cruzeiro, é uma cepa que, diferente das demais, ela se transmite de pessoa a pessoa. Acho que essa é a preocupação, né, doutor? Exatamente.
Então, essa cepa andina, que é uma cepa que não é endêmica no Brasil, então o primeiro ponto é que as pessoas tenham tranquilidade que essa é uma cepa que não é transmitida aqui no Brasil. Essa cepa, então, é uma pessoa que provavelmente teve contato com um roedor lá na Argentina, que esse cruzeiro partiu de Ushuaia, então teve contato com esse roedor.
desenvolveu aí a doença e de essa cepa ela se transmite de pessoa a pessoa por um contato íntimo e prolongado. Então vamos pensar que a gente teve um ambiente perfeito. Pessoas que estavam dentro de um navio e que ficaram então tendo esse contato íntimo e acabou tendo a transmissão para várias pessoas. Então essa transmissão desta cepa, ela se dá através do contato próximo, pessoa a pessoa.
por provavelmente gotículas, né? Então, a pessoa doente, ela apresenta sintomas respiratórios, ela acabou aí transmitindo para as demais. Gotículas, há necessidade de que seja, vamos dizer, uma saliva ali, a pessoa está falando e está muito próxima, ou pelas vias aéreas? A gente fala vias respiratórias, né? Pode ser tanto gotícula como aerosol, que é uma partícula ainda menor.
do que a de gotícula. Pode, então, a pessoa estar do seu lado, ali num local fechado, respirando ao seu lado, de repente pode acontecer essa contaminação, então? Transmite isso. Nas investigações que estão sendo feitas, poderia ter a situação de ter uma família de roedor dentro do navio, né? Então não se sabe exatamente ainda isso, mas o que a gente sabe é que uma pessoa doente com essa cepa...
ela acaba transmitindo para as pessoas por contato próximo, pessoa a pessoa aí. Certo. Agora, doutor André Peluso Nogueira, que tipo de cuidado as autoridades sanitárias, por exemplo, devem ter em relação a esse caso? Porque essas pessoas agora estão retornando, né? Depois de 40 dias, o navio lá, estão retornando para as suas casas. Nesse final de semana, o navio parou lá nas Ilhas Canárias, em Tenerife.
100 pessoas foram evacuadas, muitas delas já indo para suas casas lá na Europa. O navio está navegando para a Holanda agora. E há três britânicos, pelo menos, já contaminados nesse navio ainda. Esses países aí, imagino também, obviamente, o Brasil, em alguma medida. Que cuidado tem que ter para essa doença não chegar por aqui, hein? É, agora o que precisa realmente...
em torno de 150 passageiros, somando quem estava viajando mais, os tripulantes, eles são originários de 28 países, fazendo a leitura das notícias. Então, essas pessoas que tiveram contato com as pessoas doentes, elas acabam tendo que acabar sendo monitoradas para ver se tem algum sintoma, porque o que é a grande questão da ranta virose.
Uma vez que eu tive contato com essa cepa, eu posso ficar num período de incubação de seis a oito semanas. Então essas pessoas, até agora as próximas seis semanas, elas têm que ser monitoradas, né? Para que se tenham algum tipo de sintoma, sejam feitas as medidas. Então acredito que como medida sanitária, as vigilâncias sanitárias epidemiológicas desses países...
estão fazendo a testagem e acompanhando essas pessoas, porque como essa cepa envolvida nesse surto é transmissível de pessoa a pessoa, então vamos pensar que uma pessoa que desembarcou lá na Suíça, ela pode agora transmitir, uma vez infectada, para outras pessoas que não estiveram no navio. Então é necessário agora fazer a vigilância desses tripulantes e viajantes que participaram desse cruzeiro.
A gente está conversando aqui no CB de madrugada com o médico infectologista André Peluso Nogueira. Doutor André, quais são os sintomas da ranta virose e qual é a letalidade dessa doença? Por que ela pode, ou em que situações ela pode evoluir para o óbito? A ranta virose, então, como um vírus, ela se apresenta inicialmente como um quadro viral inespecífico. Então, a pessoa vai ter febre.
mal-estar, dor no corpo, uma fadiga, pode ter sintomas gastrointestinais, como náusea, vômitos, né? E podendo evoluir aí para os casos mais graves da rantavirose, que culmina com lesões respiratórias. Então, o indivíduo pode evoluir rapidamente com um quadro de doce, falta de ar e indo para insuficiência respiratória. É uma doença que tem uma letalidade alta, né?
No Brasil, nós não temos essa cepa, mas as cepas que temos no Brasil, a mortalidade é entrando de 40%. Então, se a gente pensar aí, é uma mortalidade alta, porque é uma doença que não tem um tratamento específico. A gente vai dar o suporte de vida, então parte dessas pessoas vão evoluir só com o quadro febril agudo de mal-estar, mas a gente tem aí o histórico de três óbitos, três viajantes que evoluíram.
com essa forma respiratória grave, que daí o tratamento é internação e UTI, muitas vezes evoluindo para a necessidade de ventilação mecânica, mas que não tem um antídoto, um remédio antiviral específico. Então, o ideal é detecção precoce e o suporte desses pacientes.
Doutor André Peluso, aproveitar a sua participação conosco aqui no CB de madrugada, falar um pouco sobre a vacinação contra a influência. A campanha nacional começou no final de março, vai agora até o final de maio, até o dia 30 de maio. Queria que você falasse um pouco da importância dessa vacinação, que tem aí um público-alvo também específico, não é? Exatamente. Então, a vacinação para a influência...
Ela faz parte do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. Nós temos por objetivo atingir 90% dessa população que tem o maior risco de desenvolver formas graves e lembrar que a vacina é reconhecida como uma das mais eficazes estratégias para preservar a saúde da pessoa e também da população com esse efeito de proteção.
da sociedade, dos demais do efeito coletivo. Então, a vacina da influenza, anualmente, é feita a atualização da cepa. Então, nós temos agora essa vacina trivalente, que ela cobre três vírus dos mais frequentes que estão recorrentes nessa época. Então, a gente tem cobertura para influenza A, o H1N1 e o H3N2.
e a influência B. E o que é importante? Por que a gente deve se vacinar? Porque muita gente fala assim, ah, eu não vou vacinar porque às vezes eu vacinei e tive gripe, passei mal. A gente tem que lembrar que a vacina não previne que a gente tenha gripe, mas ela previne as formas graves e previne internações em leitos de hospital, em leitos de UTI. Então quem são?
os grupos prioritários que devem se vacinar. São os idosos acima de 60 anos, são as crianças acima de 6 meses e até 6 anos de idade, as gestantes, as mulheres que acabaram de ter o bebê chamado por héteras, os trabalhadores da saúde, professores, temos também as pessoas portadoras de doenças crônicas, imunosuprimidos.
Então, a gente precisa desmistificar e lutar contra o movimento antivacina que estamos vivendo e reforçar com a população que é uma vacina alta, nem segura, e que previne mortes e previne internações por complicações com a influência. Bom, doutor, a campanha vai até o dia 30 de maio. Agora, se alguém perder essa data e quiser se vacinar depois, pode ir ao posto? O que vai acontecer, hein?
Pode, pode ir ao posto, mas a gente pede a ida até o dia 30 de maio, porque existe um período para a vacina fazer efeito. A campanha de vacinação vai agora até o dia 30, porque é o início do outono. Então, quanto antes a pessoa se vacinar, mais rápido ela está protegida. Lembrando que após a vacinação, em torno de 10 a 15 dias, para a gente estar atingindo o efeito de proteção. Então...
procure a unidade básica de saúde, o serviço de saúde, né? Para nós e para quem está ouvindo, quem é trabalhador da área da saúde, os próprios hospitais se organizam. Então, a gente precisa lembrar que a gente vai estar se protegendo das formas graves, das complicações, né? E fazendo o nosso papel na sociedade de proteger as pessoas ao nosso redor.
Para a gente fechar, doutor André Peluso, felizmente a gente não tem falado mais muito de Covid, né? Eu lembro que, imagino que você deve ter dado muita entrevista também, e naquele período mais crítico era praticamente todo dia a gente conversava com infectologista, foi um momento muito crítico, não só no Brasil, mas no mundo todo, né?
Mas a questão da COVID, a gente sabe que tem a vacina também. Quem deve tomar essa vacina? O que você pode falar sobre a COVID nesse momento agora? Nós ainda temos casos, né? Entrou numa sazonalidade também, um vírus que faz parte dos vírus respiratórios. Então, é a mesma cobertura, principalmente por esses grupos prioritários também, que devem ser vacinados.
Lembrar que a vacina também vai proteger das formas graves e entrou no nosso calendário habitual mesmo da vacinação. Como você mesmo disse, saímos daquela situação da emergência da Covid-19, grande parte da população foi vacinada e houve uma redução na circulação do vírus, mas quando os pacientes chegam nos hospitais com quadros respiratórios agudos...
faz parte da nossa triagem a testagem para a Covid. E existe ainda uma porcentagem da população, pequena, mas que existe, que acaba sendo positiva. Então, a gente segue as mesmas medidas. Recentemente, o governo federal, através do Ministério da Saúde, a Anvisa, atualizou as medidas de precaução, isolamento, tempo de isolamento. Nós entramos aí num vírus respiratório que faz parte dos agressores.
anuais aí que a gente tem que lembrar e ter as lições aprendidas da pandemia. Aqui a principal lição aprendida é a questão do compromisso da vacinação. Muito bem, doutor André Peluso Nogueira, obrigado pela gentileza com a CBN, um bom dia e até uma próxima oportunidade. Um bom dia a todos e eu agradeço a oportunidade.
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