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China não busca hegemonia, mas existência pacífica, afirma professor

15 de maio de 202613min
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A China não quer ser o xerife do mundo, mas não aceita interferência externa em seus assuntos internos, afirma Marcus Vinicius de Freitas. Segundo o professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China, para os chineses, o conceito de hegemonia tem relação com a tirania, o que vai contra o princípio de existência pacífica de Pequim.

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Participantes neste episódio1
M

Marcos Vinícius de Freitas

ConvidadoProfessor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China
Assuntos4
  • Taiwan e EswatiniHistórico da Guerra Civil Chinesa · República da China · Chiang Kai-shek · Restauração da China · Taiwan
  • Geopolítica China-EUAConceito de hegemonia na China · Cinco princípios de existência pacífica · Não intervenção externa · Marcus Vinicius de Freitas
  • Relações comerciais e diplomáticas Brasil-IrãParceria comercial com a China · Relação com os Estados Unidos · BRICS · Pragmatismo econômico · Lula
  • Encontro Xi Jinping e TrumpEstabilidade econômica global · Relações EUA-China · Donald Trump e a NASA · Xi Jinping
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Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

Muito bem, aqui no CBN Madrugada espaço para a gente falar um pouco mais sobre esse encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China e o nosso convidado é o professor Marcos Vinícius de Freitas que é professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China Marcos Vinícius, muito bom dia é um prazer tê-lo conosco aqui na CBN Não, o prazer maior é meu

Bom, tivemos esse encontro aí do Trump com o Xi Jinping e as declarações ali, pelo menos as declarações nos parecem bastante positivas. O Xi Jinping disse que Estados Unidos e China têm mais interesses em comum.

do que diferenças, devemos ser parceiros, não rivais. E o Donald Trump também adotou um tom positivo, classificou o encontro como uma honra e disse acreditar que os dois países têm um futuro fantástico. O que tem de verdade nessas falas dos dois líderes, professor Marcos Vinícius? Eu acredito que a tônica principal dessa visita...

pelo menos do lado chinês, era a questão da estabilidade. O presidente Trump conseguiu, nesse tempo que ele tem estado à frente da Casa Branca, gerar uma enorme instabilidade, tanto do ponto de vista econômico global, como do ponto de vista político. E se há uma coisa que os chineses enfatizam sempre, é a necessidade de estabilidade para poderem crescer.

Afinal, foi num cenário mais estável da economia global que eles conseguiram dar o enorme salto que eles deram nos últimos anos. Então, esse é um aspecto fundamental e a mensagem foi clara justamente desde o princípio. Ao citar ali a armadilha de Tuchid e vários aspectos foram levantados pelo presidente do discurso.

ele deixou claro que precisam de estabilidade e que não estão necessariamente destinados ou fadados a uma guerra. E claro que o governo chinês entende que uma coisa é a retórica política voltada para o mercado doméstico, para o consumidor doméstico, para o eleitor norte-americano, e outra coisa é aquilo que acontece efetivamente nas relações dos países. E o presidente Trump veio, chegou em Pequim.

um tanto enfraquecido, porque muitos dos instrumentos que ele possuía, particularmente na questão telefária, a própria Suprema Corte dos Estados Unidos removeu isso dele. E os processos agora para incrementar as tarifas que ele está utilizando com muita ênfase já não são tão efetivos. E além disso, vem de uma situação complexa ali no Irã.

uma vez que os Estados Unidos deram para o Irã um instrumento de impacto global muito maior até do que a bomba atômica, que foi o Irã descobrir que poderia utilizar o esteito de ovos como um instrumento para aumentar a sua vantagem nesta guerra simétrica com os Estados Unidos. Então, a conversa entre os dois fluiu nesse sentido. Existem algumas coisas que são inegociáveis para os chineses, como a questão de Taiwan.

E buscou-se aí, claro que o Trump precisa, também alguns resultados econômicos positivos. Conseguiu aí anunciar que a Boeing vai vender 200 aviões e outros tipos de acordos que ele necessita justamente para dizer para o consumidor eleitor norte-americano.

de que a viagem foi sucesso. Certo. A gente fala muito de questões relativas a relações internacionais aqui no CBN Madrugada, para o professor Marcos Vinícius, e eu queria, vamos falar, é claro, da questão de Taiwan, mas eu queria falar desse aspecto da armadilha de Tucídides, aquela ideia de que quando...

quando uma potência hegemônica começa a ser ameaçada por uma outra potência, isso normalmente acaba mal, o conflito seria muito provável. Então a pergunta que eu faço é, por que o Xi Jinping fez essa menção? Ele está querendo dizer para os Estados Unidos, para o Donald Trump, que a China não tem pretensões hegemônicas, que a China não quer...

acabar com a hegemonia dos Estados Unidos, ela quer a tranquilidade, como você destacou aí? A China, o termo que eles utilizam para a palavra hegemonia, em chinês, tem muito a ver com o conceito de tirania. E você sabe que para uma potência ser hegemônica, ela tem que adotar muitas posturas, que muitas vezes vão virar até na questão da tirania. Só nós observarmos aí...

a quantidade de ações que os Estados Unidos fizeram ao longo da história. Quantos golpes de Estado foram financiados pela CIA ou foram arquitetados pelos Estados Unidos. Então a China não quer ter essa posição e também não quer ser xerife do mundo. Então essas duas características já são retiradas logo de cara da perspectiva chinesa.

porque vai contra, inclusive, aquilo que eles chamam de cinco princípios de existência pacífica, que trata justamente da não intervenção, da liberdade dos povos, dos seus próprios sistemas, tudo isso. Porque justamente o que a China não quer é interferência externa nos seus atuntos domésticos, os quais Taiwan é um deles principalmente. Então, quando ele recorda isso, quando ele enfatiza isso...

É para retirar também do Ocidente a ideia de que as coisas são eminentes de determinada forma. Porque se a armadilha de Tuscíde se aplica em algum caso, ela é aplicável àquilo que aconteceu na sociedade ocidental. Até porque o mundo oriental funciona de uma determinada maneira que é bem diferente daquilo que a gente observa na Europa.

Na Europa, nós temos ali uma série de países pequenos, minúsculos comparativamente a esses grandes países, que utilizavam da guerra e das alianças para buscar algum tipo de ampliação no seu território, para garantir recursos naturais, tanto em Europa, como também nas colônias. E os chineses e os asiáticos já tiveram uma outra perspectiva. Não é assim, né? Inclusive...

Mandou grandes navegadores pelo mundo e não quis ampliar essas conquistas de território. Então, ele destaca que essa é uma perspectiva muito ocidentalizada, que, embora o Ocidente possa querer implementar, não é interesse da China que isso aconteça.

Em relação à questão de Taiwan, importantíssimo, os dois lados falaram sobre essa questão. O líder chinês afirmou que Taiwan é o tema mais importante. Agora, o Marco Rubio, secretário de Estado americano, disse que a China cometeria um erro terrível.

se tentasse tomar Taiwan à força. A gente lembra que a questão vem de longe, a guerra civil lá na China, com a vitória dos comunistas e os nacionalistas fugindo lá com o Chiang Kai-shek, fugindo para Taiwan, isso lá em 1949.

Professor Marcos Vinícius, você vê essa possibilidade de a China realmente querer retomar Taiwan e o que aconteceria aí? É lógico que a gente não tem bola de cristal, mas seria realmente um ponto que poderia gerar tensão entre os dois estados? A questão de Taiwan tem muito a ver, como você mesmo mencionou, ao aspecto histórico político da China.

tanto é que o nome oficial de Taiwan é República da China, a ideia não era uma separação dos dois, mas era a colocação de um governo temporário em Taiwan, uma vez que acreditava que poderia resistir e eventualmente retomar a China continental. Nunca foi o interesse ali de Chiang Kai-shek e do próprio partido dele que houvesse uma separação.

E o que a gente nota, inclusive com a visita da líder do partido, o Kuomintang, aqui na China, foi justamente essa questão de querer reaproximar. Então, os chineses entendem que existe uma só China, e isso é relevante justamente porque faz parte de um processo de consolidação do território e, de alguma forma, não apagar, mas concluir aquilo que eles chamam de 100 anos de humilhação.

Inclusive, Taiwan é importante por causa disso, porque os japoneses estiveram ali e criaram todo um processo muito complexo para a China se livrar dos japoneses, dos franceses, dos alemães, todo mundo que estava aqui naquela ocasião. Então, a China encara Taiwan como um ponto fundamental da sua retórica de restauração da China.

uma nesse processo. Agora, é difícil achar que os chineses quererão fazer uma guerra porque o princípio de uma guerra é um distúrbio na ordem global. Eles não estão dispostos, claro, a fazer isso se acharem que, em última circunstância, é o que é necessário fazer. Mas já declararam muito claro que o objetivo é que esse processo seja pacífico, assim como foi pacífica.

a inclusão, a reinclusão de Hong Kong e os novos territórios da China, inclusive com aquele mecanismo de transição que eles estabeleceram ao longo do tempo. Então, os chineses entendem que, para atingir o seu objetivo de chegar em 2049 com uma economia pujante e uma renda per capita elevada, vão querer criar uma guerra que simplesmente trará para a região toda essa questão.

de corrida armamentista, de vendas de armas, que só interessa para algumas empresas do Ocidente.

Estamos conversando aqui no CBN Madrugada com o professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcos Vinícius de Freitas. Professor Marcos Vinícius, como é que deve ser a posição do Brasil? Como é que o Brasil fica nessa história toda? Porque o Brasil é parte do BRICS, então tem essa relação com a China, é o nosso principal parceiro comercial, mas ao mesmo tempo é o Ocidente, tem uma relação histórica também com os Estados Unidos, nosso segundo principal parceiro, Lula.

esteve com o Trump agora na semana passada. Como deve ser a atuação do Brasil em relação a esse mundo tão conturbado que a gente está acompanhando, hein, professor? Então, eu acho o seguinte, o Brasil tem que adotar uma postura muito pragmática nesse sentido, de olhar para onde vêm aí os benefícios da sua balança, para onde vêm aí os benefícios...

da sua economia, no longo prazo. E por essa razão, tem que entender que o Brasil é concorrente direto dos Estados Unidos com relação ao mercado chinês. Então, eu acho que aquela ideia cristã de que acender ela para dois anos não funciona, é uma verdade. Até porque, quando nós começamos a olhar...

Para a situação, a gente tem que entender claramente que a China oferece hoje em dia para o Brasil possibilidades de ganhos substanciais. O que não acontece, por exemplo, no próprio acordo que nós discutimos durante muito tempo, o Mercosul com a União Europeia. E mesmo os Estados Unidos não têm aí uma grande vantagem econômica a oferecer ao Brasil no curto-médio, no caso.

Então, acho que a gente tem que ter a sabedoria, perder um pouco dessa esquisofrenia que existe no Brasil com relação à China e entender que a parceria pode ser efetivamente muito mais positiva. Muito bem, a gente agradece demais a presença aqui no CBN Madrugada, professor Marcos Vinícius de Freitas, professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China. Professor, muito obrigado, um bom dia e até uma próxima oportunidade.

Eu que agradeço pela oportunidade.

Anunciantes1

Magalu

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