'Afrociberdelia', de Chico Science & Nação Zumbi, completa 30 anos
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Eduardo Bidi
Jorge do Peixe
José Teres
- Segunda década dos afrodescendentesChico Science & Nação Zumbi · Manguebeat · Jorge do Peixe · Eduardo Bidi · Gilberto Gil · Marcelo D2 · Fred 04 · José Teres · Maracatu Atômico
- Legado de Chico ScienceChico Science · Nação Zumbi
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Eu vim com a nação zumbi!
Há 30 anos, o mundo conhecia um dos álbuns mais importantes da história da música brasileira, Afrociberdelia, a segunda produção em estúdio da banda Chico Science e Nação Zumbi, que ousava em misturar ritmos tradicionais do Nordeste a hip-hop e eletrônica.
Com produção de Eduardo Bidi e lançamento pela Sony Music, Afrociberdelia foi gravado entre 1995 e 1996, reunindo 20 faixas e 3 remixes. Depois do sucesso de D'Alam ao Caos, primeiro álbum da banda, o disco trazia novos elementos para o Mangue Beat, como conta o vocalista da nação zumbi, Jorge do Peixe.
acordar pra ir pro estúdio, pra mergulhar nesse processo. É um disco diferente do primeiro, que é muito mais cru. Esse tem muito mais samples, tem muito mais tecnologia ali atrelada, né? Traz um África futurismo e uma certa cibernética emergindo ali, né? Sempre fomos admiradores de ficção científica, da diáspora africana, a gente sempre foi calçado em batidas. Eu e o Chico, a gente dançava break, já garimpando vinil. Tudo isso se imprime no disco, né?
O som de Afrociberdelia, do tambor à guitarra, fez a antena da nação zumbi se conectar com o futuro. Escolhido por Chico Sainz para produzir Afrociberdelia, o produtor Eduardo Bidi conta que a afinidade musical e pessoal entre ele e a banda foi determinante, ainda mais por ter sido sua primeira experiência na função.
Na pré-produção ali, que foi a demo que eu fui para Recife trabalhar com eles, ali já se definiu muita coisa. Algumas músicas não tinham letra ainda. Chico participava de tudo, né? Durante a gravação, nomes como Gilberto Gil, Marcelo D2 e Fred 04 participaram de faixas como Macô e Samba do Lado.
Disseminando ainda mais o trabalho da banda, o jornalista José Teres, que cobria a cena cultural da época, lembra que a afrociberdelia se somou a da lama ao caos para fazer os olhos do mundo se voltarem a Pernambuco.
E aí, de repente, surgiu uma coisa nova no Recife, né? Então, o Recife virou o centro de desatenções durante a década de 90, a partir de 94, e foi até o começo dos anos 2000, né? Então, o Recife era o centro da música do Brasil, e no mundo todo. O New York Times mandava um repórter, o Gabriel foi pro rock, várias vezes mandou.
tinha um pouco de cada Brasil nas músicas de afrociberdelia. E foi a partir dessa percepção que Bid apresentou um maracatu atômico, composta por Jorge Maltner e imortalizada na voz de Gilberto Gil, para a nação. A faixa é a mais lembrada do álbum, e por muito pouco, quase não esteve nele.
Afro-Ciberdelia vendeu mais de 100 mil cópias, chegando a receber o certificado de disco de ouro. Nos 60 anos do nascimento de Chico Sainse, o álbum segue único e reverente. Com edição de Daniele Monteiro, do Recife, Lucas Arruda.
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