Em um intervalo de dois meses, RJ teve deputados presos, ex-governador alvo da PF e duas mil exonerações
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Bianca
Ana Luíza Barreto
- Política no Rio de JaneiroRenúncia de Cláudio Castro · Cláudio Castro · Tribunal Superior Eleitoral · Ineligibilidade de Cláudio Castro · Esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj · Fundação Ceperj · Eleição para presidente da Alerj · Douglas Ruas · Alerj · PDT · Tribunal de Justiça do Rio · Rodrigo Bacelar · Comando Vermelho · Supremo Tribunal Federal · Eleições para mandato tampão · Flávio Dino · TRE · Tiago Rangel · Polícia Federal · Secretaria Estadual de Educação · Exonerações de servidores
Bianca, nós estamos aí no intervalo de dois meses em que o Rio de Janeiro mergulhou numa crise política sem precedentes. Uma crise que é inaugurada a partir ali do dia 23 de março, no momento em que Cláudio Castro renuncia ao governo do Estado. Numa manobra que todos nós sabemos que foi feita para ele não ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em menos de dois meses, o Rio de Janeiro já viveu muita coisa. E para organizar tudo isso, a Ana Luíza Barreto preparou uma linha do tempo aqui para a gente, para que a gente consiga explicar para você, ouvintes do CBN Rio, o que aconteceu em menos de 60 dias que coloca esse Estado...
de pernas para o ar. E hoje, num capítulo emblemático, com a presença da Polícia Federal na casa do sujeito que governou o estado do Rio de Janeiro, o terceiro a ficar mais tempo no cargo. Sérgio Cabral e Leonel Brizola ficaram mais tempo à frente do governo do Rio, desde a redemocratização, que o Cláudio Castro. Para a gente entender esse intervalo de quase dois meses, Ana Luíza Barreto traz essa linha do tempo agora para a gente. Bom dia, Ana Luíza.
Bom dia, Leandro, Bianca, também para os nossos ouvintes. Muita coisa pode acontecer em dois meses neste estado do Rio de Janeiro, né, Leandro Rizende? Tudo começou com a renúncia de Cláudio Castro no dia 23 de março, um dia antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral à ineligibilidade.
Desde então, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, comanda o Estado interinamente, o ex-governador, que nesse caso era investigado no processo que aponta um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj, com cerca de 27 mil cargos temporários que teriam sido usados para empregar cabos eleitorais e fortalecer a campanha de reeleição de Castro em 2022.
No dia 24 de março, portanto, o Tribunal Superior Eleitoral declarou a ineligibilidade do ex-governador por cinco votos a dois. Os ministros entenderam que Castro praticou abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições.
Nesse mesmo dia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume o governo interino, já que não tínhamos presidente da Alerj. No dia 26 de março, numa eleição extraordinária, boicotada e questionada judicialmente pela oposição, Douglas Ruas, que é pré-candidato ao governo do Estado pelo partido de Castro, foi eleito presidente da Alerj, deveria assumir também ali o cargo de governador em exercício do Estado.
47 deputados, num total de 70, estavam presentes nessa votação, que foi convocada às pressas no fim da manhã pelo então presidente em exercício da LERJ, Guilherme Della Rolly. Douglas recebeu 45 votos e horas depois, essa votação foi anulada num recurso ali do PDT pelo Tribunal de Justiça do Rio, porque a...
Atual presidente do TJ, a desembargadora Sueli Lopes, entendeu que esse processo eleitoral só podia começar depois da retotalização dos votos pelo TRE, conforme determinação do TSE na decisão que caçou o mandato de Rodrigo Bacelar, isso no ano passado. Isso, e estamos em março ainda, hein? Ainda estamos em março. O Claudio Castro renunciou, o TSE declarou ele inelegível, tivemos uma eleição para a Alerta que foi anulada, e vamos seguindo.
E aí, falando em Rodrigo Bacelar, justamente no dia seguinte a essa eleição cassada do Douglas Ruas, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio foi preso pela segunda vez em Teresópolis, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que usou como justificativa a garantia da ordem pública e apontou indícios de participação do deputado com o Comando Vermelho e uma atuação ali para atrapalhar as investigações.
Agora chegamos a abril e vamos para Brasília. No dia 8 de abril, o Supremo Tribunal Federal começou o julgamento para definir como devem ser as eleições para o mandato tampão. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino pediu vista para esperar a publicação do acordo do TSE, que condenou o ex-governador Cláudio Castro à inelegibilidade até 2030, para saber ali se a justiça eleitoral...
reconhecia ou não a cassação de Castro, o que impactar na convocação da eleição direta. Esse acórdão, vale a gente lembrar, ele já foi publicado. Foi publicado no dia 23 de abril, só que o julgamento continua paralisado com o placar em 4 a 1 para a escolha indireta do governador. No dia 14 de abril...
O TRE homologou o resultado da retotalização dos votos para deputado estadual e, três dias depois, no dia 17, Douglas Ruas voltou ao cargo da presidência da LERJ numa votação com 44 votos a favor e uma abstenção.
Podemos ir para maio? Vamos para maio para a gente fechar, porque tivemos ainda uma prisão de outro deputado estadual. Isso, agenda cheia. Deputado estadual Tiago Rangel do Avante foi preso pela PF contra fraudes ali na Secretaria Estadual de Educação. Leandro. Enquanto isso, Ana Luíza, obrigado por essa longa linha do tempo. Olha quanta coisa aconteceu em menos de dois meses. Enquanto isso, mais de duas mil pessoas foram exoneradas pelo governador interino. Muita história nesse Rio de Janeiro nos últimos meses. Obrigado, Ana Luíza.