Episódios de As Notícias Mais Recentes da CBN

‘Nós não fazemos ciência no Brasil, fazemos milagre’, diz pesquisadora que está na lista da Time

16 de abril de 202614min
0:00 / 14:40
Mariangela Hungria, da Embrapa, está na lista da revista Time de 100 pessoas mais influentes do mundo. Ao lado dela, Luciano Moreira, da Fiocruz, também foi incluído. Ao Jornal da CBN, os pesquisadores falam sobre o reconhecimento. Confira!

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
M

Milton

HostJornalista
L

Luciano Moreira

ConvidadoPesquisador
M

Mariângela Hungria

ConvidadoPesquisadora
Assuntos4
  • Reconhecimento de pesquisadores brasileirosMariangela Hungria · Luciano Moreira
  • Desafios da Ciência no Brasilfinanciamento da ciência · pesquisa sustentável
  • Impacto da pesquisa na sociedaderedução de doenças · sustentabilidade na agricultura
  • Perseverança na pesquisa científicalonga duração de estudos · frustrações na pesquisa
Transcrição43 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Se você está na liderança de uma grande empresa, sabe. Quando a operação cresce, os desafios também crescem. Mais volume, mais canais, mais decisões em tempo real. É aí que entra o Mercado Pago. A mesma tecnologia de soluções de pagamentos do Mercado Livre, pronta para ajudar grandes empresas a vender com mais segurança. Altas taxas de aprovação, integrando pagamentos online e offline. Mercado Pago, um parceiro à altura do seu negócio.

Clique no banner e conheça nossas soluções. Clique no banner e conheça nossas soluções.

para saber que dois pesquisadores brasileiros entraram para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. E não é por acaso. O trabalho deles ajuda a resolver problemas que estão no dia a dia de milhões de pessoas. Produção de alimentos e combate a doenças.

Luciano Moreira, da Fiocruz, aparece entre os inovadores por liderar uma técnica com mosquitos que reduz a transmissão de doenças como dengue. E a Mariângela Hungria, que é da Embrapa, está na lista dos pioneiros pelo desenvolvimento de soluções com micro-organismos do solo que diminuem a dependência de fertilizantes químicos.

E nós, aqui no Jornal da CBN, temos o privilégio de conversar agora com os dois pesquisadores. E desde já, eu agradeço a gentileza de vocês terem aceitado esse convite. Mariângela, bom dia. Bom dia, eu que agradeço a oportunidade de estar podendo falar de ciência aqui, né? Bom dia para você, Luciano. Bom dia, CBN, bom dia a todos os ouvintes. Bom dia. Bom dia, Mariângela.

Mariângela, o que esse reconhecimento diz sobre a ciência feita no Brasil? Nossa, Milton, Marcela, eu falo que a gente não faz ciência no Brasil, a gente faz milagre, porque fazer o que a gente faz com o dinheiro e a inconstância de financiamento que a gente tem na ciência...

É realmente milagre, é graças à criatividade dos pesquisadores brasileiros, a vontade que a gente tem de resolver problemas que a gente consegue ir tão longe.

Então, não sou eu que fui nomeada, é a minha instituição, são todas as pessoas que trabalharam comigo, é o agricultor que acreditou naquilo que a gente está colocando, é todo um conjunto de pessoas resilientes e com muita boa vontade de seguir em frente. E aí deixa eu ouvir você agora, Luciano, sobre essa questão, o que esse reconhecimento fala da ciência feita aqui no Brasil.

Acho que é bem o que a Mariângela falou, Milton e Marcela, que realmente é muita perseverança. Acho que é um trabalho de uma equipe de vários anos, mais de décadas que a gente vem tentando. E essas parcerias, não só de financiadores, do Ministério do Brasil.

da Saúde, Fiocruz, mas também toda a parte dos gestores locais, dos parceiros que a gente tem, a comunidade, as pessoas que aceitam o programa, para que a gente possa reduzir o sofrimento causado pelas arboviroses, dengue, zika e chikungunya.

Muito bacana toda essa pesquisa dos dois que vocês realizam. Maria Ângela, queria te perguntar justamente a respeito desses seus estudos, que é uma pesquisa para formas de substituir fertilizantes químicos por alternativas sustentáveis. Sempre que a gente tenta entrar nesse quesito, tentar mudar o que já está pré-programado, enfrentamos certa resistência, até mais uma mulher nesse meio. Eu queria que você contasse um pouco dessa sua experiência ao longo dessa pesquisa.

Então, Marcela, olha, são quatro décadas que eu já estou nessa aí. Eu comecei, eu acho que até o pioneirismo é justamente por isso que comecei numa época que era só químico, ninguém acreditava nos biológicos, mas eu acreditava que os biológicos teriam uma saída viável para a agricultura sustentável no Brasil.

Então fizemos muita pesquisa para substituição total ou parcial dos fertilizantes químicos, porque aqui a gente tem um paradoxo. Nós temos a agricultura quase um quarto do nosso PIB, mas a gente importa 85% dos fertilizantes químicos que usa.

Então, lá na guerra da Rússia com a Ucrânia, agora no conflito do Irã, o que acontece? Fica todo mundo apavorado porque os fertilizantes estão lá presos no estreito de Ormuz, não conseguem chegar aqui. Então, nós trabalhamos com essas substituições por biológicos, uma alternativa que também faz bem para a saúde do solo.

alimentos com menos resíduos e da economia para o país. Só na última safra, as bactérias que a gente selecionou para a cultura da soja, que substituem totalmente o fertilizante nitrogenado...

deu uma economia de 25 bilhões de dólares para o país. Está vendo? Olha o retorno. Eu recebi poucos milhões em 40 anos de pesquisa, um, dois, três milhões, e dou por ano uma economia de 26 bilhões.

bilhões de dólares para o país, vale a pena investir em ciência, né? Sem dúvida. O Luciano também faz esse trabalho que pode impactar muito na questão das arboviroses aqui no país. Já tem mosquitos criados que estão em 16 cidades diferentes. Queria que você também detalhasse um pouco da pesquisa e, puxando esse gancho da Mariângela, falasse também sobre investimento para continuar fazendo ciência aqui no país.

É, realmente, a gente é bastante parecido, né, Marjane? A gente trabalha com bactérias que são benéficas. A gente tem aquela ideia de que bactéria faz mal à saúde, prejudicia o meio ambiente, mas não, nesse caso também a Bobáquia. Então o método Bobáquia é natural, é autossustentável e é seguro, né? É uma bactéria muito comum na natureza.

que está em 60% dos insetos e quando presente no Aedes aegypti, ela bloqueia então a capacidade dele transmitir arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Então é uma trivalente esse processo. Então a gente faz liberações já mais de uma década no Brasil, já está presente em 15 países e a gente faz liberações em campo com consentimento da população.

Os mosquitos, eles substituem a população de mosquitos que não tinham a volbáquia e agora passam a ser mosquitos, podemos dizer, vacinados ali. Eles vão então bloquear a transmissão da dengue, zika e chikungunya.

e a gente espera reduzir em muito toda essa questão de problemas relacionados às arboviroses. Com relação a... a gente teve desde o início do programa no Brasil, financiamento do Ministério da Saúde.

Mas a gente precisa de mais, a gente precisa que a gente consiga expandir mais e mais o método no Brasil e também fora do Brasil para conseguir reduzir toda essa carga de problemas que tem aí relacionados aos alvovirosos. Luciana, a Mariângela falou em 40 anos, pelo menos, de pesquisa. Essa sua pesquisa tem há quanto tempo?

Então, a descoberta aconteceu lá na Austrália, quando eu fiz um segundo pós-doutorado, já pesquisador da Fiocruz, 17 anos atrás.

Então, isso é também quase 20 anos a gente trabalhando, mas já trabalho com mosquitos há mais de 25, 30 anos que eu trabalho com mosquitos. E eu fiz essa pergunta para o Luciano, Mariângela, até porque para mostrar aqui para quem está nos acompanhando, quer dizer, todo esse trabalho é um trabalho de longo prazo. Vocês falaram em dinheiro, claro que é fundamental o financiamento. Eu queria entender, Mariângela, o que sustenta um cientista em projetos tão longos.

Então, até eu não sei como que essa nova geração Z, né, tão imediatista, vai performar como cientista.

porque a gente já sabe disso, que as respostas demoram tempo para vir. E veja, no meu caso da agricultura, eu tenho que esperar a safra, tenho que esperar a planta uma vez por ano, eu tenho que validar, quando eu solto uma tecnologia, eu tenho que estar segura de que ela funciona em todo o Brasil, porque as recomendações no Brasil são em nível nacional.

que ela vai funcionar, que o agricultor... Porque se eu fizer alguma coisa errada, o agricultor vai deixar de acreditar na gente e vai deixar de acreditar na ciência. Então, a robustez de dado é outra coisa que é única no nosso. Nós realmente, quando a gente lança uma coisa...

a gente está seguro porque a gente sabe como é difícil conquistar a confiança do agricultor. Então, pesquisa segura, não de holofotes. Então, os holofotes podem vir por pioneirismo, ou por carreira, ou por inovação, mas eles têm que ser seguros.

Luciano, queria ouvir você sobre essa questão da longevidade de um estudo e o que sustenta vocês como cientistas num processo tão longo como esse, imaginando assim com uma série de frustrações no início dessa pesquisa até realmente chegar o momento de uma descoberta.

É realmente isso. Eu já participei de algumas palestras que me pediram conselhos aos jovens cientistas. Eu acho que é perseverança você acreditar no objetivo e seguir fundo nesse objetivo para conseguir chegar lá. Com todos os obstáculos que tem com relação a investimento, com relação a problemas no dia a dia de um pesquisador que muitas vezes não dá certo, mas não...

a gente tem que continuar aí testando e no nosso caso, acho que tanto o meu como o da Mariângela, a gente está trazendo um benefício à sociedade, né? Isso que é o mais gratificante. Quando a gente vê que está funcionando, é a melhor coisa. Então, a gente esquece dos 20, 30 anos, 40 anos aí dedicados à ciência. Então, é isso que nos move.

Milton, posso completar uma coisinha disso? Só esse gancho? O que é importante, tanto do Luciano comigo, a sociedade entender a importância do investimento em pesquisa pública com instituições públicas? Por quê?

Porque eu trabalho também com o setor privado, a gente atende o setor privado. O setor privado quer o lucro, o lucro imediato, está certo, eles pagam impostos, dão emprego, tudo isso. Mas o bem da sociedade, como é o nosso, produzir alimentos de um modo mais sustentável...

do Luciano terminar com as doenças, isso é empresa pública, entendeu? Nenhuma empresa privada investiria em mim como investiu 40 anos desde uma época em que ninguém acreditava nos biológicos. E a gente dá esse retorno para a sociedade. Não é lucro, às vezes pergunto, ah, Embrapa não dá lucro. Claro, a gente não vende nada, mas nós temos até uma metodologia que chama balanço social.

em que comprovamos no último ano que cada R$ 1 investido retornou R$ 25 para a sociedade. Então, investir em ciência pública é investir no bem da sociedade.

E acho que é importante também destacar, nós falamos aqui dessa geração imediatista, de estudantes, também nesses tempos de redes sociais. Infelizmente, temos muitos influenciadores que mais desinfluenciam do que influenciam, de fato, para o retorno da sociedade. Como é que é para vocês estar nesta lista de pessoas mais influentes, no sentido de tentar influenciar essa nova geração, essas novas pessoas que estão chegando, esses novos profissionais que pretendem seguir essa carreira, hein, Mariângela?

Olha, eu acho que, eu falo assim, que se eu fosse uma ministra de ciência e tecnologia, para quem eu mais daria dinheiro, seria para a área de comunicação, ciência da comunicação. Porque vocês precisam ensinar para a gente, tem que ter alguma coisa disruptiva, para eu conseguir entender por que a gente dá uma mensagem correta e tem 5 mil likes e vem um influenciador que fala tudo diferente e tem 500 mil likes, entendeu?

Eu acho que a gente precisa entender isso até para atingir mais a sociedade.

mas eu fico muito contente também porque eu só tenho tido feedback positivo, sabe? Então, às vezes eu fico assim, temerosa, mas não, que eu vejo então que o país como um todo, todos os setores, principalmente da agricultura, que tem tanto dilema na agricultura, a gente tem entre grandes propriedades, pequenas propriedades, não, todos querem a sustentabilidade e tem dado um retorno imensamente positivo e gratificante.

E você, Luciano, acha que ainda tem salvação? É possível influenciar dessa forma positiva? Eu espero que sim, com certeza. A gente teve muito problema de desinformação, de fake news, inclusive no método Mobark, mas é importante procurar fontes seguras. A CBN é um grande exemplo para dar a notícia certa, na hora exata, com subsídios, com robustez para que a gente possa...

levar à sociedade o que é realmente a realidade e não coisas falsas aí que possam deturpar, inclusive derrubar grandes pesquisas que têm aí sendo desenvolvidas. Perfeito, olha aqui, Malena diz assim, por favor, mande meus agradecimentos a eles pelos trabalhos que fazem por nossa sociedade.

A Elizabeth escreve para cá também aqui falando do seu projeto. Outra mensagem que nos chega e tem várias mensagens chegando aqui nesse momento, dando os parabéns aos colegas cientistas. Então são pesquisadores também que estão nos escrevendo. E aí a Zesa escreve para cá e diz assim, nós ouvintes da CBN é que temos o privilégio de ter esta entrevista.

e nós agradecemos muito pela participação de vocês, mais uma vez parabenizando pelo trabalho que vocês vêm realizando. Muito obrigado, Mariângela Hungria, muito obrigado, Luciano Moreira, até mais. Muito obrigado. Valeu, obrigada, parabéns. Tchau, gente. 9h20 agora.

Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br.

Anunciantes2

Mercado Livre

Soluções de pagamentos
external

TikTok

Segurança para adolescentes
external
‘Nós não fazemos ciência no Brasil, fazemos milagre’, diz pesquisadora que está na lista da Time | Castnews Index — Castnews Index