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Propina de R$ 146 milhões expõe engrenagem do caso Master

16 de abril de 202610min
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Investigação detalha compra de imóveis de luxo, troca de favores e revela como interesses privados influenciaram decisões no BRB. Thiago Bronzatto, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília, comenta o assunto.

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Participantes neste episódio2
V

Vera

Host
T

Tiago Bronzatto

ConvidadoDiretor do O Globo
Assuntos1
  • Caso MasterPaulo Henrique Costa · Daniel Vocaro · Banco de Brasília · Polícia Federal · Daniel Monteiro
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Já tá com a gente o Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. Boa noite, aos ouvintes. Oi, Bronsato. Olá, Tiago.

Brunzato, a gente teve hoje um avanço importante nas investigações do caso Master com a revelação do primeiro grande caso de propina, corrupção do Vorcário e do Master em cima do ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB,

tentar viabilizar a compra do Master pela instituição. Aí um pagamento milionário em termos de propina. O que mais que essa investigação revelou e como que isso muda o jogo?

Vera, foram 146 milhões de reais. Foi essa a bolada que o Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do BRB, que é o Banco de Brasília, iria receber do banqueiro Daniel Vocaro o dano do Master. Esse dinheiro, segundo a investigação da Polícia Federal revelou hoje, era fruto de um pagamento de propina.

por meio da compra de seis imóveis luxuosos escolhidas a dedo por Paulo Henrique Costa. E por isso, o ex-presidente do BRB foi preso hoje pela Polícia Federal. Esse é aquele velho enredo de uma mão que molha a outra. De um lado você tem o Vôcaro, que queria vender o Master ao BRB para salvar o seu negócio, e o Master tinha pouco dinheiro em caixa, então estava topando tudo.

E do outro lado tinha o Paulo Henrique Costa, que decidiu ajudar o Vocaro comprando 12 bilhões de reais em carteiras de crédito do Master e depois ajudou a estruturar uma operação para comprar de vez por todas o banco para evitar que ele quebrasse. As mensagens encontradas pela Polícia Federal nos celulares do Vocaro e Paulo Henrique São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São São

mostram como esses interesses exclusos se misturam. Num dado momento da conversa, o Vocário e o Paulo Henrique estão batendo um papo sobre a compra de uma cobertura que Costa queria, quando de repente o Vocário, do nada, diz que estava precisando de 300 milhões de reais para fechar as contas do banco.

E bastante solícito, o Paulo Henrique falou que, claro, com certeza, vamos ajudar e vamos resolver isso. Até porque ele estava de olho numa cobertura luxuosa que o cara estava oferecendo para ele.

Em outro momento, o Volcaro diz ali para a corretora de imóveis dele que precisava manter o ex-presidente do BRB feliz, porque ele estava bastante decepcionado depois de visitar apartamentos de 30 milhões de reais e não gostar de nenhum. Os apartamentos só foram transferidos para o ex-presidente do BRB porque o Volcaro ficou sabendo.

que estava sendo investigado por um suposto esquema de pagamento de propina. Aí ele ficou preocupado e falou, manda cancelar transferências desses apartamentos luxuosos para o Paulo Henrique. Então, todo esse enredo, hoje revelado pela investigação da Polícia Federal, mostra que a gente ainda...

está vivendo de casos do passado. Esse valor dá quase três prêmios da Mega Sena, que foi sorteado hoje, eu não ganhei. Não ganhei nem um terço disso. Nem na Mega Sena, nem ganhei o apartamento de ninguém. Nossa, e muito menos um apartamento de luxo. Queria alguém preocupado em me deixar feliz com o apartamento de luxo, mas sem propina, né? Pelo menos você vai ter restrição do imposto de renda, Débora, daqui a pouco. Estou precisando de um amigo generoso, como for o cara, né? E se você também...

receber esse dinheiro, só pra ter uma noção da importância dele, é que você, assim se você gastar 10 mil reais por dia, por 40 anos, você não torra toda essa grana, só pra ter uma noção do quanto que é específico esse valor eu na piscina tomando uns dois drinks, uns bons drinks o Bronsato e antes de ser preso, o Paulo Henrique tava carregando uma pasta, ele costumava carregar uma pasta de couro

que tinha um monte de documentos que ele queria mostrar para a Polícia Federal. O que tinha, no final das contas, nessa pasta? Pois é, Débora, o Paulo Henrique costumava andar para cima e para baixo em Brasília com essa pasta de couro que estava recheada de documentos, né? E ele guardava com muito zelo.

um celular que tinha ali como proteção de tela uma imagem religiosa. Ele rezava muito para não ser preso, estava muito preocupado com a possibilidade de parar na prisão e por isso ele vinha insistindo bastante com a Polícia Federal para ser ouvido de novo, num novo depoimento.

Ele dizia que não tinha o que delatar porque ele era apenas uma peça de uma engrenagem maior nesse esquema, mas que estava disposto sim a colaborar com os investigadores. E ele achava que a melhor forma de colaborar era organizando toda essa papelada e também todas as mensagens do celular dele. E depois que ele foi demitido do BRB, ele passou a ter muito tempo livre.

E aí ele passou a desenvolver ali uma ferramenta com inteligência artificial para localizar todas as mensagens que ele considerava relevantes como prova, né? Porque ele pensava o seguinte, se ele cair, ele vai cair atirando, né? E nessas conversas de WhatsApp, né, variavam os diversos contatos, desde contatos que ele teve ali com diretores do Banco Central até conversas com o ex-governador Ibanez Rocha.

E durante as negociações do Master, o Paulo Henrique chegou a ser cobrado ali pelo Ibanez, que estava muito preocupado com o andamento do negócio. Tem até um diálogo ali entre os dois, que o Ibanez fala que o caso, o Master, estava gerando muito desgaste do que ele deveria e que ele não iria suportar. Essa é uma das mensagens que o Paulo Henrique carrega com ele ali para explicar melhor.

E as outras mensagens, ele trocava mensagem, por exemplo, com o presidente do Partido União Brasil, durante as negociações, mas ele diz que eram só mensagens de amizade, que ele costumava tomar café da manhã com o Roeda, que ele conheceu em Pernambuco e que esses encontros que ele tinha com o presidente da União Brasil eram apenas para discutir o cenário político, será mesmo? Acho que a Polícia Federal desconfia que Paulo Henrique mantinha uma ampla rede de contatos políticos e que a prisão dele poderá explicar muita coisa.

O Bronzato, e qual foi a mensagem encontrada pela Polícia Federal que deixou Brasília sob tensão, hein? Olha Carol, embora o Paulo Henrique tenha criado o maior destaque hoje nessa operação realizada pela Polícia Federal, o nome que mais causou terror e pânico em Brasília é o do advogado Daniel Monteiro.

O Daniel Monteiro era o homem de confiança do Vocar e cuidava de toda a arquitetura jurídica das empresas e dos fundos ligados ao Master. Só para ter uma noção, o escritório do Daniel Monteiro foi o segundo mais bem pago pelo Master, conforme dados da Receita Federal enviados à CPI do crime organizado. Ele recebeu...

R$ 39 milhões entre 2022 e 2025. Só ficou atrás da advogada Viviane Abarce de Moraes, a mulher do ministro Alexandre de Moraes, que tinha um contrato de R$ 129 milhões. O Daniel Monteiro, a gente sabe o que ele fazia. Numa mensagem encontrada pela Polícia Federal, ilustra bem que tipo de serviço ele prestava. Ele estava ali, num dado momento, batendo papo com o vocário, e eles estavam discutindo como escolher um laranja.

para comprar os apartamentos luxuosos para o Paulo Henrique, que estava insatisfeito com um apartamento de 30 milhões de reais, e o que eles deveriam fazer para resolver a situação, para não deixar rastros nessa operação. E aí o Daniel Monteiro diz para o Forcaro que seria bom não misturar com o restante das outras estruturas que ele tinha.

Isso acendeu o sinal de alerta na Polícia Federal, que desconfia que, além do Paulo Henrique, eles têm outras frentes de operações para investigar. E é isso que os investigadores agora querem puxar, para descobrir se alguém mais recebeu 146 milhões de reais ou até mais dinheiro do Vorcaro. Obronzato, rapidinho, essas mensagens estavam no celular do Vorcaro?

Essas mensagens foram extraídas pela Polícia Federal, tanto do celular do Vocaro, quanto do celular do Paulo Henrique. Porque eles foram alvo de uma operação da Polícia Federal no final do ano passado. Então a Polícia Federal prendeu sete ou oito celulares do Vocaro. Deve ter muito assunto ali no meio, né?

E tudo isso é pré-delação, porque os ouvintes podem ficar confusos achando que isso já é um resultado da delação, não tem delação ainda homologada, as negociações estão correndo ainda, essa é uma etapa anterior a qualquer delação.

Exatamente, esses são os achados da Polícia Federal, o que eleva ainda mais a régua da delação, né Vera? Porque agora o Volcar ou mesmo o Paulo Henrique se decidir fazer delação, eles vão ter que entregar fatos novos. Isso aí a Polícia Federal já descobriu, não está contando, não está valendo. Agora eles vão ter que revelar fatos novos, entregar mais nomes. É isso aí, o Banco Imobiliário está só começando. Obrigada, Tiago.

Obrigado, pessoal. Boa noite. Valeu, Bronsato. E não saiu ainda o sorteio da Mega Sena, tem chance de levar 50 milhões. Aviso vocês. Opa!

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