“Pressão dos EUA aumenta e situação pode sair do controle”, alerta especialista sobre o Estreito de Ormuz
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Ana Paula Jaume
Salvador Raza
- Bloqueio Estreito OrmuzEscalada de tensão com o Irã · Negociações internacionais · Estratégia americana
- Impacto econômico global do bloqueioPreços do petróleo · Ações caindo
- Negociacao de ConflitosPadrões de negociação do Irã · Efeito cascata nas negociações
Voltamos para o noticiário internacional, à medida que os preços do petróleo dispararam, as ações caíram na manhã desta segunda-feira.
Horas antes de os militares dos Estados Unidos iniciarem um bloqueio às áreas iranianas no estreito de Hormuz. Trump anunciou esse bloqueio ontem, uma tentativa de cortar as receitas do Irã com as exportações de petróleo, aumentando ainda mais a incerteza em torno de um cessar-fogo que já era frágil desde o seu início.
Para nos ajudar a pensar sobre este momento de agora, nós convidamos Salvador Raza, especialista em segurança internacional, a quem eu agradeço pela gentileza de estar conosco no Jornal da CBN. Um bom dia. Bom dia, um prazer estar com vocês. Salvador Raza, após as frustrações com a tentativa de negociação no sábado, corre-se o risco de um acirramento neste conflito a partir de agora? Sim.
tudo indica um acirramento, dada essa decisão dos Estados Unidos de bloquear o estreito. Por outro lado, nós temos que considerar que em negociações internacionais, você nunca diz que está tudo encerrado. São muitas vezes jogos, um jogo de...
uma dinâmica, vamos dizer assim, de cheques. Não é um cheque mate ainda, nós ainda temos algum tempo. Agora, essa pausa no conflito sempre foi frágil. Então, a qualquer momento, ela poderia ser rompida. A ideia de que os Estados Unidos bloqueie e, ao mesmo tempo, faça...
uma limpeza, ou seja, buscando tirar as possíveis minas que o Irã tivesse colocado ali, minado, estreito, jogado minas antinavio. Então, esse esforço, junto com a possibilidade de uma volta às negociações.
E também a pressão americana, que não é mais sobre as instalações do Irã, instalações de petróleo, mas sim sobre a capacidade do Irã de extrair esse petróleo, negociar esse petróleo. Então, as ações são bem calculadas no sentido de pressionar, pressionar e continuar pressionando, mas sem chegar a um ponto de...
completa e absoluta impossibilidade. Então, você sempre vê nessas negociações alguma brecha, e são negociações muito delicadas, esse tipo de negociações, eu tive a oportunidade de acompanhar algumas vezes isso.
elas são um jogo de xadrez em três dimensões, uma dimensão à outra, e as regras mudam de vez em quando. Então, é muito complicado. Você tem não só a relação Irã-Estados Unidos, mas você tem o entorno dos países do Golfo mudando, às vezes, de posição, às vezes, um apoia.
com declarações que às vezes ajudam. Então, não é uma situação nem simples, nem de solução imediata. O que nós vemos é uma contínua pressão, e nessa pressão, se alguém jogar errado, movimento errado, sim, se pode escalar.
Com base na sua experiência, Salvador, as negociações, o resultado dessa conversa em Islamabad já era esperado? E ainda pergunta a respeito das convenções internacionais. As ações que Donald Trump tem tomado com relação a toda essa situação no Oriente Médio fogem das convenções internacionais? Com relação às negociações, sim, já era esperado alguma coisa nesse sentido.
Desde o início, quando as delegações, tanto a americana e a iraniana, chegaram, e como chegaram no Paquistão, Islamabad especificamente, já mostra um desequilíbrio. Então, você veja, a delegação iraniana foi recebida quase que efusivamente. A delegação americana já foi recebida com um pouco mais de cautela.
mas formalmente. Outra coisa importante é que a forma do árabe, de uma forma geral, não negativa, e particularmente o Irã, a forma de negociação deles é uma negociação lenta, não é uma negociação rápida. Já se sabe os padrões, principalmente os negociadores. Quando você entra numa negociação desse tipo,
A primeira coisa que você pergunta é quem são os negociadores, depois faz uma pesquisa do perfil desses negociadores, quais são e como as questões devem ser colocadas em função desses negociadores. Então, existe todo um planejamento para negociação. Não é uma conversa.
de entre comadre, como a gente diz, vamos chegar, vamos bater um papo para ver se resolve esse negócio. Não é bem assim. As negociações internacionais, principalmente nesse nível, são tensas, são cercadas de sigilo.
A pauta é extremamente importante, inclusive como é que a pauta é colocada, a sequência das perguntas, que tipo de... Porque você tem uma coisa chamada efeito cascata, você coloca na pauta, inicialmente, coisas mais simples e de fácil acordo, para que isso conduza, como se fosse induza.
possa induzir determinadas posturas mais favoráveis. Então, tem técnicas para isso, tem mecanismos de busca de informação. Então, agora, eu estou dizendo isso tudo porque não é simplesmente deu errado, deu certo. É um processo que ainda está se desenvolvendo. E o jogo em torno do...
vamos dizer assim, dessa mesa de negociação, você tem o mundo em torno dele e o que está acontecendo. A pressão dos Estados Unidos em cima da OTAN, dos aliados com a ameaça de retirar forças de isolamento da Europa, a pressão interna nos Estados Unidos, principalmente da oposição, dos democratas, é muito intensa. Então, esses fatores todos pesam ao mesmo tempo nas negociações.
a eleição na Bulgária.
Então, todos esses fatores estão na mesa. Quando vai para uma discussão desse tipo, com tanta importância, porque, na realidade, todos nós sabemos que não é só uma questão local, isso afeta o mundo todo. Não se chama de um conflito mundial, uma guerra, porque realmente não tem todos os países envolvidos no conflito diretamente.
mas os efeitos, principalmente efeitos econômicos, se espalharão e estão se espalhando de uma forma muito intensa. Salvador Raza, do ponto de vista da estratégia de guerra, a colocação de navios americanos para bloquear o Estreito de Hormuz, não há uma exposição maior desses equipamentos e também desses militares que lá estão para os Estados Unidos? Sim, claro que sim, existe essa exposição, mas veja.
algumas coisas nisso aí. Primeiro, a maior exposição seria dos navios que estariam envolvidos na limpeza do canal, os caça-minas. Não é varredura, mais uma busca de caça, usando veículos autônomos, tipo submarinos, pilotados, remotamente pilotados, e também equipes de demolução. Esse pessoal é fora de série. Realmente são os melhores do mundo.
e vem treinando para isso há muito tempo. Então, esses, sim, são muito vulneráveis. Agora, os navios que estão fazendo bloqueio, o americano está fazendo, ou irá, deve desenvolver o bloqueio, dos dois lados do estreito, do lado interno e externo. Do lado interno, você tem navios, tipo fragatas, destroyers, que são...
com grande capacidade de defesa, e eles estão num local, estão protegidos, vamos dizer assim, por uma autoproteção muito intensa, e ao mesmo tempo se confundindo, vamos dizer assim, com a grande quantidade de navios petroleiros que estão ali. Então, técnicas para poder...
diminuir a capacidade de detecção iraniana. Nunca é. 100% mais se busca. Agora, do outro lado, que é a questão, os americanos devem concentrar dois grupos de batalha, dois porta-aviões desses enormes que ele tem, e estão se posicionando na região.
do lado de fora, mais afastados um pouco e com forte cobertura antiaérea, grande cobertura antiaérea, e ao mesmo tempo de proteção cerca de 20 outros navios de superfície. Então é uma força de combate naval impressionante, mas só que ela está mais afastada.
Quem deve fazer, vamos dizer assim, as ações táticas no momento são helicópteros. O americano tem um tipo de helicóptero que é muito competente, muito capaz para um tipo de operação que será necessária, que é grande capacidade de detecção de alvos pequenos, lanchas rápidas que o Irã ainda tem, e também algumas embarcações pequenas capazes de lançar minas.
Então, esses helicópteros têm a capacidade, cada um deles é capaz de detetar cerca de 200 desses alvos simultaneamente. Ele consegue engajar com mísseis, com canhões, tem um canhão de 30 milímetros. Então, o americano está com uma capacidade de armamentos bélica muito grande, bem posicionada.
E como é que ele está usando isso? Ele está usando no sentido de negar ao Irã a capacidade de usar o mar. Usar o ar já não consegue. Negar a capacidade dele usar o mar, bloqueando o Irã em terra.
ao mesmo tempo que limpa os canais. Então, se ele consegue, durante essa pausa de negociações, o americano não parou, ao contrário, está explorando a pausa para fazer a limpeza. Isso é uma questão, como foi perguntado, se isso fere, vamos dizer assim...
o direito internacional. O direito internacional, não, mas um pouco as regras que foram estabelecidas para a paz, sim, fica um negócio complicado, né? Porque o americano vai dizer, não, eu não estou em autodefesa. Então, a estratégia é uma estratégia de contenção e controle de áreas. Então, o americano conseguindo controlar essas áreas...
a expectativa é que ele sufoque o Irã e gere uma distensão interna, como já se vem notando. Então, uma situação, em termos bem direto, seria assim. Está certo. Salvador Raza, quero agradecer pela sua gentileza de nos fazer enxergar melhor essa região no momento que nós estamos vivendo ali. Muito obrigado, um bom dia e até uma nova oportunidade.
Até mais. Obrigado a vocês. Obrigada. Salvador Raz é especialista em segurança internacional, conversou com você.