Entenda os principais entraves nas negociações para o fim da guerra no Oriente Médio
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Marcela Marcos
Gunther Rudzit
- Negociacao de ConflitosCessar-fogo no Líbano · Controle do Estreito de Ormuz · Declarações de Donald Trump
- Oriente Médio e Estreito de Ormuz
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E nós já estamos com o professor Gunther Hutzit, professor de Relações Internacionais da ESPM. A gente vai falar sobre os conflitos todos no Oriente Médio. Hoje, como o nosso repórter Pedro Fagundes nos trouxe há pouco, pode ser o dia que encerra esses conflitos, todos esses conflitos. O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, chegou ao Paquistão para as negociações diretas com o Irã.
Segundo a Casa Branca, ele já conversa com o primeiro-ministro paquistanês. Estão no país também os principais líderes iranianos, uma delegação que é comandada pelo presidente do parlamento, Mohamed Baquer Galibaf, e pelo chanceler Abbas Araki. Então, há uma expectativa de que haja um acordo para encerrar, portanto,
a guerra no Oriente Médio. Aí o governo iraniano disse que o resultado depende totalmente da postura americana, e aí do outro lado também tem algumas exigências, então quero dar as boas-vindas aqui para o professor. Muito bom dia, professor. Obrigada por estar aqui conosco. Bom dia, Marcela. Bom dia a todos os nossos ouvintes. Esse prazer é meu estar aqui com vocês. Professor, eu quero começar te perguntando quais são...
os principais entraves para que essas negociações avancem, para que haja um cessar-fogo definitivo, porque me pareceu que as exigências, nosso repórter trouxe para a gente há pouco, são grandes, né? É uma série de exigências para que, de fato...
se tenha esse martelo batido, e daquele modo que a gente observa e pensa, puxa, parece que o outro lado não vai ceder não, muito embora hoje tenha aí essa reunião, enfim, com toda a delegação ali presente. Então, quero começar te perguntando isso, quais são os principais entraves para que esse acordo de fato aconteça? Bom, eu diria fundamentalmente dois. O primeiro é o cessar-fogo também no livro.
entre Israel e Hezbollah, que o primeiro-ministro Netanyahu está prometendo negociar com o governo libanês. Aqui está, vamos dizer assim, a pegadinha. Ele não está negociando com Hezbollah, ele não vai negociar com Hezbollah, ele vai negociar com o governo libanês e, portanto, tenta desarmar o argumento iraniano.
de que é preciso ter esse cessar fogo lá. Então, possivelmente, entre governo libanês e Israel, haja alguma forma de entendimento, mas o governo israelense não pode parar o ataque agora, porque senão já vai sair.
muito prejudicado para as eleições gerais em outubro, principalmente que o governo colocou todas as suas fichas na mudança de regime no Irã, o que não ocorreu. Então, ali eu até vejo essa possibilidade de uma acomodação. O outro ponto que é o mais importante para o presidente Donald Trump e é o mais importante...
para o regime iraniano é o controle do Estrito de Hormuz. Se o Irã vai ter efetivamente controle de quem passa ou não nesse ponto tão importante, que aqui nas últimas semanas isso vem sendo tão discutido no mundo inteiro, vai ser um acordado ou não.
E, portanto, para mim, esse é o ponto central de toda essa negociação no Paquistão. Professor, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele tem dado declarações...
Ao longo de todos esses dias de conflito, foram declarações muito dísparas, porque em alguns momentos havia uma sinalização de que haveria um acordo, de que tudo estava transcorrendo bem. De repente, ele se surpreendia com outra declaração, endurecendo o discurso. Então, pareciam até sinais trocados em muitos momentos. E ontem ele intensificou os discursos com relação a essas reuniões, essas conversas de hoje.
dando a entender que se tivesse um blefe, se realmente o Irã não estivesse pronto ali, eles estavam prontos também para atacar, endurecer o discurso nesse sentido. Pode ser que estejam blefando, professor? Você acredita que isso possa ocorrer hoje? Olha, Marçal, se o presidente Donald Trump está usando a estratégia que ele sempre usou,
de um discurso muito duro para ameaçar com guerra, que a estrutura militar americana é incomparável no mundo, como ficou patente agora nessa guerra, para arrancar concessões do oponente, nesse caso do inimigo, é uma coisa. Se ele está sendo mal assessorado,
Talvez há pessoas que comecem a duvidar da sua capacidade intelectual devido à idade, começando a lembrar as situações da ex-presidente Joe Biden também já tem se levantado. É muito difícil saber. De qualquer forma, ao longo desse...
Já no primeiro mandato, mas ao longo desse último ano e dois meses, três meses agora, de segundo mandato, o presidente Trump já se caracterizou por praticamente se desdizer no mesmo discurso. Então fica muito difícil saber exatamente quais são as intenções dele.
Só que hoje acreditar que ele vai retomar uma guerra contra o Irã, que vai levar a um fechamento praticamente total do Estreito de Hormuz, que o Irã fechou por algum tempo e depois começou a deixar passar navios de países aliados ou amigos. Então, o Estreito não está completamente fechado. Ele está...
seletivamente fechado. E isso tem prejudicado a economia americana e global. E esse é o ponto. Não interessa o maior aliado e parceiro iraniano, que é a China. Não interessa ao governo chinês uma recessão global, que vai levar à queda das vendas do comércio exterior da China, que vai levar a uma desaceleração econômica. É isso.
poder prejudicar o presidente Xi Jinping. Há muitos relatos de que o Irã só aceitou o cessar fogo por uma ligação de Pequim. Por outro lado, significa um novo ataque aumentar a inflação nos Estados Unidos, que os resultados saíram ontem, em 12 meses a inflação em 13,3%. Isso já está...
pegando no bolso do eleitor americano. E não é à toa que a aprovação do presidente Trump está tão baixa. Então, eu fico acreditando que é muito difícil para ele, para o presidente Trump, voltar a uma guerra em larga escala contra o Irã.
E é o que tudo indica o mercado como um todo também. Não é à toa que o preço do petróleo vem caindo, o dólar se desvalorizou aqui no Brasil, as bolsas estão subindo no mundo. Então, esses discursos tão duros dele já não estão surtindo efeito. Se para o mercado não está surtindo efeito, para o regime iraniano, menos ainda.
Sem dúvida. Agora, em relação ainda a esses discursos, houve uma dúvida recente se as ameaças de Trump contra o Irã de fato poderiam caracterizar crimes de guerra, até quando ele deu ali um ultimato e depois ele voltou atrás, próximo do prazo que ele tinha dado, ele acabou retrocedendo. Mas quando que a gente atravessa esse limiar dos tais crimes de guerra, professor, assim chamados?
Bom, dependendo do que já foi feito, já pode ter sido cometido crime de guerra. Bombardear estruturas civis para prejudicar a economia iraniana, levando à morte de civis, isso possivelmente pode ser caracterizado como crime de guerra. E essa seria possivelmente uma das razões...
que levaram à remoção do chefe de Estado-Maior do Exército Americano há pouco mais de uma semana atrás pelo secretário de Defesa, Pete Hexen.
que é sabido, já agora é reconhecido pelos seus discursos veementes, usando toda uma narrativa extremamente belicosa de aniquilação. Então, é possível que isso possa ser caracterizado, sim, como crime de guerra, mas o presidente Trump, como já disse, inclusive, não está nem aí para isso. Porque...
Todas essas ações que ele vem fazendo, desde a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, até essas guerras, até a imposição de tarifas e tudo, é um completo desrespeito ao multilateralismo.
Já como ele bem diz, os Estados Unidos são a única superpotência, a maior potência da história da humanidade, o que não deixa de ser verdade e que, portanto, pode agir como bem entender. É por isso que a Ian Brimmer, para mim, um dos maiores analistas de política internacional no mundo, hoje diz que nós estamos vivendo a lei da selva, o mais forte se impõe ao mais fraco, como a Rússia vem fazendo também com a Ucrânia.
Então, infelizmente, é nesse quadro. E mesmo que se caixa em crimes de guerra, o governo americano, em português bem claro, não está nem aí.
Tem essa questão do mais forte se opor ao mais fraco e fico com a impressão de que, ao mesmo tempo, de certa maneira, o mais fraco está ali aguerrido, do tipo, não vamos ceder, não vamos parar, e talvez até intensifique de um outro lado, mesmo sabendo que, eventualmente, não tem um poderio tão grande quanto o outro, né, professor? Sem dúvida alguma, isso mostra que as decisões e as estratégias adotadas pelo mais forte mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mudanças mud
podem muitas vezes dar completamente errado. Tanto o governo russo quanto o governo Trump subestimaram o adversário mais fraco. E, por outro lado, tem que se dar o devido reconhecimento de que tanto o governo ucraniano quanto o regime iraniano souberam se preparar estrategicamente para essa situação.
Foram estratégias assimétricas em que os dois sabiam que se tentassem enfrentar de igual para igual um oponente muito mais forte, perderiam.
É isso que levou a essa guerra que já está no quinto ano na Ucrânia e o regime iraniano soube sair da guerra convencional para uma guerra econômica, fechamento do Estreito de Hormuz, bombardeio de infraestrutura energética dos países vizinhos para afetar o ponto mais fraco americano que é a economia, porque a economia afeta o bolso do eleitor americano.
E isso afeta o presidente Donald Trump. Então, ser efetivamente o mais forte, mas sem saber fazer direito uma guerra, leva a essas derrotas como está ocorrendo com a Rússia e com os Estados Unidos hoje.
Certo. Bom, vamos então acompanhar. Hoje é um dia importante, claro, e a gente vai aqui acompanhar. Quero agradecer o professor Gunther Hutz, professor de Relações Internacionais da ESPM, por essa análise a respeito dos conflitos no Oriente Médio. Hoje, portanto, que pode haver esse cessar-fogo definitivo. Professor, muito obrigada. Bom dia para o senhor. Eu que agradeço. Bom dia a todos e bom fim de semana.
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