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Após a Artemis II, o que esperar das próximas missões?

11 de abril de 20268min
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Os astronautas da Artemis II pousaram no mar às 21h07 da noite dessa sexta-feira (9) na costa de San Diego, nos Estados Unidos. A NASA confirmou que os quatro astronautas estão em bom estado de saúde e devem retornar a Houston neste sábado (11). A missão foi a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. Em entrevista ao Jornal da CBN, o presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, Helio Jaques Rocha-Pinto, fez uma análise do que esperar para as próximas missões. Ele acredita que a primeira missão da Artemis III será basicamente um pouso para verificar as condições de onde construir uma base na Lua. Ouça.

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Participantes neste episódio2
M

Marcela

HostNarradora
H

Hélio Jacques Rocha Pinto

ConvidadoPresidente da Sociedade Astronômica Brasileira
Assuntos2
  • Missão Artemispouso dos astronautas · saúde dos astronautas · radiação solar
  • impacto da missão na ciênciainteresse pela ciência · negacionismo
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E quem vai falar, nos explicar um pouco mais sobre isso, agora claro, com o olhar de especialista, é o Hélio Jacques Rocha Pinto, presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, já está conosco por aqui. Muito bom dia para você, obrigada pela participação. Bom dia, Marcela, bom dia a todos os ouvintes.

Bom, eu quero começar. Nosso repórter falou sobre momentos em que ficou apreensivo. E eu fiquei pensando que talvez essa apreensão tenha sido porque nós, por aqui, não temos o conhecimento que vocês especialistas têm disso. Então, depois eu fiquei até pensando, nossa, será que termos ficado apreensivos significa esse desconhecimento?

porque tudo deu tão certo e foi tão realmente cronometrado, tinha ali a expectativa para um pouso às 9h07, e foi exatamente o horário em que tudo isso ocorreu. Então, é um pouco de desconhecimento, quero começar por aí, ou vocês que têm conhecimento do assunto também em algum momento ficaram apreensivos? Não, todo mundo fica apreensivo, porque, embora, na verdade, sejam feitos vários cálculos para garantir o sucesso da missão e o pouso suave e seguro para a tripulação,

Qualquer pequena variação nas condições iniciais da entrada, ou eventualmente uma falha mecânica que poderia ocorrer no próprio processo de estabilização da nave, isso faria, obviamente, levaria a uma tragédia, na verdade. Então é, de fato, um momento muito apreensivo para todos os que estão envolvidos, inclusive a equipe que controla tudo isso dentro da nave.

Teve um ouvinte que mandou mensagem aqui para o chat da nossa transmissão e era uma pergunta que eu ia fazer, então aproveito para fazer aqui em nome do ouvinte que está identificado como SAID, tracinhos, esse está no chat da nossa transmissão, tem um nickname aqui. As outras espaçonaves, ele pergunta, anteriores, tiveram a entrada na Terra diferente em relação ao que ocorreu com a missão Artemis II? A entrada delas não foi tão veloz devido à órbita que foi escolhida para essa missão em particular.

Mas mesmo assim, elas também foram. Entradas tensas. Inclusive, houve entradas no passado em que deu tudo errado. A tripulação, inclusive, faleceu. No caso de uma entrada da Rússia. Mas a ideia geral é sempre esta. A nave se aproxima e ela precisa se reentrar. E ela está com grande velocidade. Ela é freada através da atmosfera. Mas esse freio, obviamente, acarreta uma quantidade enorme de calor.

Então, a tripulação precisa ser protegida contra esse calor através do escudo térmico. E mesmo no processo da descida, a nave precisa ser amortecida. A velocidade precisa, de fato, diminuir consideravelmente. Do contrário, a nave iria afundar na medida que ela pousa no oceano.

E quais são os cuidados agora? Os astronautas passam por uma série de exames, tem ali todos os cuidados, claro, depois de todo esse tempo que passaram, passaram 10 dias ali ao longo da missão. E quais são os cuidados agora do ponto de vista da saúde mesmo? O que é que precisa ser observado para ver se está tudo certo com eles? Será preciso notar se, por acaso, o organismo deles tem uma quantidade muito grande de radiação solar, não radiação que, obviamente, ficaria com o...

como o que aconteceu em Goiânia, que as pessoas se tornam radiativas. É, do caso do Sérgio. Mas o fato de que os ossos acumulam muito de íons e partículas do vento solar. Então eles precisam ser monitorados porque isso pode afetar a saúde deles.

No passado, logo nas primeiras missões, eles passavam por uma quarentena, logo depois que chegavam. Eles eram monitorados durante uma quantidade de dias muito grande, antes que eles pudessem ir a público. Hoje a gente sabe que o espaço não oferece risco do ponto de vista de doenças infecciosas.

Mas ainda assim, o organismo deles, por ter ficado exposto à radiação solar direta, sem uma proteção maior do escudo da Terra, que seria o escudo da magnetosfera da Terra, obviamente pode ter acumulado uma quantidade grande de radiação que poderia afetá-los.

E agora, quais são os próximos passos com relação a outras missões? O que é que se tem previsto para a Artemis III, por exemplo, e para outras possíveis missões daqui para frente? Tem aquela expectativa para 2028 também, né? O que a gente pode esperar com o fato de que essa missão tenha sido bem sucedida? Bom, o fato dessa missão ter tido sucesso vai garantir, então, que passos mais ousados vão passar a ser dados.

Então, já podemos dizer que dominamos novamente essa tecnologia para um voo espacial um pouco mais longo, que era algo que, há cerca de 20 anos atrás, a NASA tinha perdido. Agora, eles vão investir na possibilidade de enviar materiais para a superfície da Lua que vão ser utilizados para a construção de uma pequena base. Inicialmente...

a água que seria necessária, ou algo que possa utilizar água que há em algumas crateras no sul da Lua, e também todo o material necessário para o suporte de vida dos próximos astronautas. Agora imagino que na primeira missão, a Artemis 3, será basicamente um pouso para verificar as condições de onde construir essa base. A base não será, obviamente, o alvo da missão Artemis 3.

E do ponto de vista de ter feito com que as pessoas se abrissem mais para a ciência? Claro que houve descrença de parte de negacionistas, isso infelizmente sempre haverá. Mas você acha que teve um passo importante, que o fato dessa missão ter sido bem sucedida foi também, representa também um passo importante para que as pessoas, inclusive, tenham interesse por seguir esse caminho, enfim, ou que pelo menos tenham ali o orgulho da ciência nesse sentido mais amplo?

Bom, a gente espera que sim, né? Dá para notar, vendo nas redes sociais, que o tópico Lua e voo espacial se tornou algo muito atrativo. Muita gente que normalmente não pensa nesses assuntos começou a comentar. Inclusive falando sobre o pouso ou sobre as descobertas, como se fosse algo completamente novo. Muita gente dizendo como é que o lado escuro da Lua não...

Pode ser visto se ele não recebe a luz do Sol. Mas, por exemplo, não é verdade. O lado escuro da Lua recebe a luz do Sol durante uma fase. Quando a gente está na Lua Nova, o lado oculto da Lua está recebendo diretamente a luz do Sol. Então, a gente acha que para essa geração que não participou da conquista espacial nos anos 60, ou que não viu diretamente os ecos do que ocorreu naquela época,

Então, haja um maior interesse pelo tema da exploração do espaço e também da ciência, que permitiu que o homem chegue tão distante assim. Muito bem, esperamos que sim, então, que seja, que tenha sido dado esse passo. Quero agradecer ao professor Helio Rocha Pinto, presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, pelas análises aqui com relação à missão Artemis III. Muito obrigada, bom dia. Obrigado.

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