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EUA e Irã disputam narrativa de vitória em meio a cessar-fogo instável

11 de abril de 202610min
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Em meio a um cessar-fogo instável, Estados Unidos e Irã disputam a narrativa de vitória em um conflito ainda sem desfecho. No Revista CBN, o analista de política internacional, Uriã Fancelli, explicou que nenhum dos lados alcançou seus objetivos e que a continuidade da guerra não interessa a nenhuma das partes, embora um acordo de paz no curto prazo seja pouco provável.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
U

Uriã Fancelli

ConvidadoAnalista de política internacional
Assuntos1
  • EUA e Irã - Cessar-fogo rejeitadoconflito EUA e Irã · acordo de paz · guerra informacional · programa nuclear iraniano · estreito de Hormuz · apoio do Irã a células terroristas · impacto econômico do conflito · papel da China e Rússia
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Mesmo com cessar fogo cambaleante, negociações de paz ainda no início, Estados Unidos e Irã já vêm reivindicando, na mesma medida, a vitória sobre um conflito que nem sequer terminou, sinal dos nossos tempos, sinal dessa guerra, não só a guerra física, mas também uma guerra informacional.

Eu estou agora aqui com o analista de política internacional, Uriam Fanchelli, para nos ajudar a analisar esse final de semana de conflito, tentativa de acordo de paz e quem sai vencedor de uma guerra em que ninguém é vencedor. Uriam, boa tarde. Boa tarde, Petra. Boa tarde a todos. É um prazer estar aqui com vocês. De onde você está agora?

Ribeirão Preto, tá vendo aqui o fundo da cidade, interior de São Paulo. Maravilhoso. Urian, como é que a gente pode olhar para essas tentativas de acordo de paz? Será que sai? O que a gente pode esperar desse conflito?

Bom, eu acho que o primeiro ponto é a gente entender que, de fato, de maneira estratégica, a continuidade dessa guerra não é interessante para ninguém. Tanto para o governo norte-americano, porque eles têm entendido o custo disso. Inclusive, o Donald Trump parece ter entendido que não é que ele deveria ter saído dessa guerra agora, que ele nunca deveria ter entrado.

porque ele não conseguiu basicamente nenhum daqueles objetivos que ele estava buscando em primeiro lugar, objetivos que mudavam o tempo inteiro. Tanto a questão de destruir por completo o programa nuclear iraniano, acabar com o programa de mísseis balísticos, derrubado do regime, por mais que ele diga que o regime foi derrubado, não é o que a avaliação correta não é essa, até mesmo porque...

O que a gente observa na prática é uma continuidade por meio do filho do líder supremo, Mostaba Khamenei. Inclusive hoje sai a notícia também de que ele estaria extremamente desfigurado, machucado, mas ainda com o poder de participar das reuniões também e falar ativamente. E por outro lado, para o regime iraniano também, a continuidade da guerra não é interessante, porque apesar de haver já uma organização do Estado de tal forma,

que as instituições continuem a funcionar, que o poder decisório continue, de certa maneira, descentralizado, o regime estava esperando que, eventualmente, algo parecido fosse acontecer, essas perdas são relevantes. E é muito difícil para um regime governar um Estado com uma infraestrutura já bastante destruída. Por outro lado, e aí eu acho que aqui entra o fator mais que complica tudo,

é muito difícil sair, tanto para um lado quanto para o outro, porque o conflito ganhou uma dinâmica própria já e nenhum dos lados nesse momento pode mostrar fraqueza. Então, com demandas maximalistas dos dois lados, acho bastante difícil a gente enxergar uma luz no fim do túnel e algum acordo acontecer no curto prazo.

Uma das questões que foi falada em relação a esse conflito, com a entrada dos Estados Unidos e Israel, a gente falou muito sobre isso, inclusive aqui no Revista CBN, a questão do apoio do Irã em relação a diversas células terroristas pelo mundo, o Hezbollah, o próprio Hamas na Palestina. O que a gente pode entender depois desse conflito, Uriah, da troca de regime também no Irã?

Mesmo que a gente consiga um acordo de paz, muda a configuração de como o regime iraniano atuava na região? Eu acredito que não. Na verdade, hoje, o que existe é um regime muito mais consolidado. Se antes, o grande desafio para o Donald Trump era tentar, de certa forma, remediar aquela...

Talvez não existe aquele erro que ele cometeu em 2018 ao tirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Se o grande desafio era chegar a um novo acordo melhor do que aquele que ele criticava, que foi assinado pelo Barack Obama, hoje já não. Além da questão nuclear, tem a questão do estreito de Hormuz. E vale a gente abrir um parênteses aqui.

Petra, que isso que o Irã está tentando fazer agora, de tentar pegar para si o Estreito de Hermos, é algo que vai contra as leis internacionais, tá? Isso é bastante importante, porque a gente não está falando de um canal, como é o caso do canal do Panamá, onde os países de fato podem cobrar um pedágio para que...

para que os navios passem por ali. O que o Irã está tentando fazer é tomar conta de um estreito sobre o qual ele não teria, teoricamente, autoridade. E eu vejo com muita preocupação essa possibilidade do Donald Trump em diferentes momentos.

sugerir que os Estados Unidos poderiam explorar esse estreito de maneira conjunta. Porque todo esse dinheiro que está sendo arrecadado ali agora, tanto o dinheiro que o Irã está ganhando vendendo petróleo, e ele dobrou a quantidade de petróleo que estava vendendo antes dessa guerra começar.

Tudo isso é dinheiro que vai ser redirecionado para financiar a guarda revolucionária islâmica, ou seja, é financiar um regime que estava encontrando dificuldades de financiamento até então. E o que vai ser feito com esse dinheiro a partir de agora? Será que não vai ser o caso, por exemplo, do regime investir?

mais nos rutis ou investir também nesses outros grupos da região. Então, acho que um vespeiro foi cutucado, não tem nenhuma saída, nenhuma solução de curto prazo, então não consigo pensar.

em um acordo agora, que o J.D. Ventes está lá comandando essa delegação norte-americana agora no Paquistão. E uma última questão, Oriã, que eu não posso deixar de te perguntar, nesse contexto até da nossa própria última conversa, quando a gente repercutiu também a capa da Economist, com a liderança chinesa olhando para os erros das lideranças norte-americanas.

Como fica o tabuleiro geopolítico depois desse conflito em que todos saíram perdendo, inclusive do ponto de vista econômico, todos, quando eu digo os atores envolvidos, Estados Unidos, Irã e Israel? Como a gente pode olhar para o tabuleiro geopolítico para as próximas semanas, para os próximos meses, envolvendo também China e Rússia?

Eu acho que aquela capa do The Economist que a gente discutiu algumas semanas atrás, ela faz sentido. É a China não atrapalhando o seu grande rival geopolítico de cometer erros. E, no caso, esses erros continuam a acontecer agora, pelo fato dos Estados Unidos estarem entre opções ruins, opções ainda piores.

porque eu não vejo que nenhum acordo que possa sair a partir de agora vai ser melhor do que aquele que já existia lá atrás.

os Estados Unidos nesse momento como um ator imprevisível, como um ator que não está disposto a seguir aquelas regras internacionais, que tenta bagunçar uma ordem que, inclusive, era uma ordem que beneficiava os Estados Unidos no mundo, até essa questão, esse princípio de você manter as rotas marítimas livres.

Por que isso existia até então? Porque era algo que beneficiava os Estados Unidos comercialmente. Os Estados Unidos se tornaram essa grande ou a maior superpotência do mundo por conta disso. Inclusive, defenderam sempre isso. E agora não. Agora o Ira usa como arma justamente isso, essa configuração que beneficiava os norte-americanos.

A China, não dá para dizer que ela saiu prejudicada disso tudo, muito pelo contrário. A China, que tem uma grande capacidade de reservas estratégicas de petróleo. Os países do Golfo foram prejudicados também, países aliados dos Estados Unidos, que hoje...

Vão ter um grande desafio pela frente, a gente está falando de talvez 3 a 5 anos apenas para a reconstrução das infraestruturas de gás natural da região e a Rússia também como grande beneficiada. Vi uma análise essa semana que eu discordo bastante, alguns seguidores nas redes sociais acabaram me mandando dizendo...

que a China era talvez ali o grande mestre por trás do Paquistão, usando o Paquistão como fantoche para poder, de fato, mandar sua mensagem. Discordo de tudo isso, me passa muito mais uma impressão de teoria conspiratória. O Paquistão é um ator que tem seus próprios interesses, que não quer ser arrastado para esse conflito.

Tem um acordo de defesa com a Arábia Saudita, portanto entende que a qualquer momento poderia ser acionado a Arábia Saudita, que tem sido atacada pelo Irã. Então eu acho que esse tipo de análise simplifica demais as complexidades de cada um desses atores da região.

Urian Vantelli com a gente, analista de política internacional, trazendo para a gente o que é destaque no noticiário nesse sábado, análise no noticiário desse sábado, o conflito no Oriente Médio. Querido, beijo para você, muito obrigada pela análise aqui, mais uma análise no Revista CBN. Obrigado, um beijo, até a próxima.

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