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Guerra afeta brasileiros no Líbano e expõe rotina de medo: 'cada um está aguardando a morte como destino'

11 de abril de 20266min
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Nacionais que estão no Líbano relatam o drama humanitário e o rastro de destruição causados pelos intensos bombardeios israelenses, que já forçaram um sexto da população local a abandonar as casas.

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Participantes neste episódio3
H

Hussein Esdem

ConvidadoMorador
T

Tatiane Francisco

ConvidadoPsicóloga
Y

Yussef Shehimi

ConvidadoMorador
Assuntos1
  • Escalada de violência no LíbanoAtaques israelenses · Impacto na população · Saúde mental em guerra · História do conflito
Transcrição13 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Eu estava no Beirute, quando aconteceu esse ataque, caiu uma bomba perto de mim, perto da gente, uns 200 metros. Foi barulho muito forte, foi sensação forte.

Hussein Esdem mora no Brasil há 15 anos. Após dois anos sem ver a família, foi visitá-los no Líbano, na capital Beirute, e quase foi alvo dos ataques israelenses. Ele espera para conseguir voltar para casa. Enquanto isso, vive o drama de uma guerra.

Mais de 100 ataques, menos de 10 minutos. Foi morto mais de 300 pessoas, com mais de 1.200 feridos. E ainda tem gente desparecida. Vi muita pessoa ferida, vi muita gente na rua, muito morto. Muitas crianças, muitas mulheres. A gente começou a ajudar eles, né? Enquanto começaram a cair as bombas, eles destroem tudo. Os vidros começam a cair em cima da gente, começam a cair tudo. Começaram a chegar as bombas. Esse dia, na verdade, a gente nunca vai esquecer ele.

É muito triste a situação que o povo libanês está vivendo aqui. Já a brasileira Carla Mussalã, que vive no Líbano há 29 anos e atua como guia turística, construiu a vida a cerca de 14 quilômetros de Beirute, mais ao sul, onde acompanha com crescente apreensão as últimas ofensivas sobre o país, que com o tempo tornou-se a casa dela.

Eu vi muitos ataques próximo da minha região. Sim, eu escuto, sim, escuto bombardeios, às vezes eu vejo fumaça, e eu temo, sim, da minha região, onde tem muito muçulmano, né? E o Líbano é um país vulnerável, é um país muito complicado a situação do Líbano.

Nas últimas semanas, Israel tem promovido intensos ataques aéreos ao Hezbollah, avançando por terra sobre parte do território do país vizinho, especialmente no sul. A ofensiva, que ocorre em paralelo à guerra no Irã, foi deflagrada após o grupo terrorista chiíta disparar mísseis contra Israel em apoio ao Irã, no início de março.

O Líbano tem quase 6 milhões de habitantes. Segundo dados recentes da ONU, cerca de um sexto da população precisou deixar as suas casas por causa da guerra no Oriente Médio. O cenário descrito pela organização inclui destruição de infraestrutura e falta de acesso a serviços básicos. Na capital, Beirute, bombardeios israelenses atingiram áreas residenciais e deixaram centenas de mortos.

Tatiane Francisco trabalha como psicóloga pelo Médicos Sem Fronteiras e tem acompanhado de perto o drama da população libanesa em meio aos ataques israelenses. Não sabem quando vão poder retomar suas vidas, se ainda terão suas casas. Podemos perceber nas pessoas um sentimento de insegurança, de incerteza, e tudo isso vai se somando e aumentando a carga de estresse e de cansaço. Produz enorme sofrimento e tem grande impacto sobre a saúde mental da população.

Beirute está lotada de pessoas que buscam se refugiar aqui na capital. Os abrigos, em geral, eles se encontram super lotados, faltam colchões, cobertores, tênis de higiene. Muitas pessoas ainda se encontram nas ruas, dormindo em barracas. É possível, sim, ouvir os bombardeios diários, drones, jatos sobrevoando a capital.

Entre avanços e pausas, o conflito entre Israel e o grupo chiita Hezbollah se arrasta há décadas, como um ciclo que insiste em se repetir. Enquanto isso, é a população quem carrega o peso dessa história, como relata Yussef Shehimi, morador de Beirute, ao expressar a tristeza de viver preso em uma guerra que parece não ter fim.

Está um pavor total. Todo mundo está desesperado e perdido, principalmente porque não há expectativa mais. Algumas pessoas que conseguem estão saindo e quem fica está esperando um novo ataque, sem saber que horas, qual local. Está totalmente imprevisível, diferente de quando tinha ataque mais no sul do Líbano.

A pior parte é que cada um está aguardando a morte como destino. Não há uma expectativa de acordo. Dizem que há negociações, há um Estado que está intervindo para resolver o assunto. Até agora nada, não há nada, ninguém está ajudando.

O filho de Youssef acompanha a guerra de São Paulo, junto com mais de 6 milhões de libaneses que vivem no Brasil. A comunidade libanesa aqui é a maior diáspora do mundo, número que supera a própria população do Líbano. Já segundo dados do Itamaraty, estima-se que 22 mil brasileiros vivam no território libanês. De São Paulo, Ana Luísa Bessa.

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