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‘Um dos principais mistérios é quem deve ser delatado por Vorcaro’, diz Bronzatto sobre expectativa da delação

09 de abril de 20269min
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Thiago Bronzatto, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília, comenta as expectativas sobre o que mais pode ser revelado sobre o Caso Master. A cada dia novas conexões com nomes relevantes são traçadas, e uma delação de Vorcaro é capaz de desestabilizar o cenário político e econômico do país. Ouça.

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Participantes neste episódio1
T

Thiago Bronzatto

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Expectativas e RealidadesDelação e implicações políticas · Relações de Vorcaro com políticos · Investigação da Polícia Federal
  • Banco MasterContratações de advogados · Relação com o ex-presidente Michel Temer · Honorários de Viviane Bates
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Sprinter Empreendendo Sobre Rodas apresenta e se a acessibilidade virá-se uma oportunidade de negócio. No sétimo episódio do podcast, Ricardo Chimozacá e Amanda Graciano conversam sobre mobilidade inclusiva e como vans adaptadas para o transporte de pessoas com deficiência podem gerar impacto social e também novos caminhos de rentabilidade. São histórias reais em sites valiosos e um mercado em expansão. Com apresentação de Bia Bauer. Sprinter Empreendendo Sobre Rodas no Spotify. Ouça agora!

Viva a voz de volta e já tá com a gente na linha o Tiago Bronsato, diretor da sucursal de Brasília do Jornal Globo. Boa noite, Bronsato. Boa noite, Vera. Boa noite, Debra. Boa noite, Carol. Boa noite aos ouvintes. Oi, Bronsato. Boa noite. Boa noite.

Brunzato, a gente estava falando agora há pouco da extensão da lista de escritórios, empresas, políticos que receberam recursos do Banco Master ou de Daniel Vorcaro. Essa lista é de declarações feitas à própria Receita Federal. O que é uma amostra sobre o grau de relacionamento que ele tinha?

com diversos grupos aí do poder em Brasília. Pois é, Vera, antes de ser preso pela Polícia Federal, o Daniel Volcar, o dono do Master, costumava reconhecer a importância da rede de contatos políticos que ele nutria aqui em Brasília. Ele dizia para as pessoas próximas que ele havia feito fortes amigos na capital federal e que no Brasil não tem como andar se não tiver uma rede de proteção.

Esse pensamento do Volcaro se refletia nesses pagamentos que eram realizados ao longo dos últimos anos. O Master, segundo os dados da Receita Federal, pagou R$ 65 milhões para diversas...

O Bronzato, não dá para ouvir. Acho que o problema é com a conexão da internet. A gente vai fazer uma ligação, como faziam os maias, por telefone. Tiago, diga lá. Agora sim, entrei aqui na internet de escada, né? É, agora estamos na internet de escada. Diga lá. O que eu estava dizendo é que a estratégia do Volcar envolvia montar uma espécie de frente ampla remunerada, né? Porque na folha de pagamentos do Master...

Aparecem desde o ex-presidente Michel Temer, que recebeu 10 milhões de reais declarados pelo Banco em 2025, até o ex-secretário do governo Bolsonaro, Fábio Vangar, que recebeu quase 4 milhões de reais. E também o ex-ministro do governo Lula, Ricardo Lewandowski, que levou quase 6 milhões de reais. Todos eles afirmam que os serviços foram legais e compatíveis com as atividades jurídicas e de consultoria.

Mas o mais curioso é que a folha de pagamentos do Master cresceu 27 vezes enquanto a crise do branco se agravava em Brasília. Esse avanço expressivo desses pagamentos acabou coincidindo com a estratégia do Volcário de se aproximar de figuras centrais do poder político. Era como se ele, por meio dessas consultorias, estivesse também contratando um colete à prova de balas em Brasília.

O Temer, por exemplo, que é um advogado constitucionalista, foi contratado para mediar a tentativa da venda do mártir para investidores estrangeiros, um serviço que, em geral, é prestado por bancos de investimentos ou advogados especialistas em fusões e aquisições. O Van Garten, que é advogado, mas não costuma exercer a profissão, disse em nota que integrava a defesa jurídica advocária. Mas ele também reconhece que não tinha procuração no processo. Isso chama atenção.

E o ex-ministro da Fazenda, o Guido Mantega, não só ajudou o Master a entender o cenário de Brasília, como também facilitou o acesso de Volcaro ao gabinete do presidente Lula. Essas contratações têm sido analisadas com o luto pela Polícia Federal, que também está se investigando se Volcaro fez pagamentos não declarados à receita e se movimentou recursos no exterior.

especialmente em Dubai. Ao que tudo indica, há um longo caminho pela frente que os investigadores vão ter que percorrer para encontrar o caminho do dinheiro. Agora, Brousato, por que os dados da Receita lançam ainda mais dúvidas sobre os serviços que foram prestados pelo escritório da Mulher de Moraes?

Pois é, Lebra. Os dados da Receita revelam que o Master contratou 61 escritórios de advocacia no ano passado ao custo total de R$ 265 milhões. No topo da lista de maiores pagamentos feitos pelo banco, estava o escritório da advogada Viviane Bates, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

A Viviane recebeu dez vezes mais que outros advogados contratados para defender o Master no ano passado. Só para ter uma noção do que isso significa na prática, a média dos honorários recebidos pelos escritórios contratados pelo Master é de quase 4 milhões de reais, enquanto a mulher de Moraes recebeu 40 milhões de reais somente em 2025.

Vale lembrar que o contrato dela previa um pagamento de R$ 129 milhões em três anos, conforme revelou a colunista Malu Gaspar. A mulher de Moraes diz que prestou serviços regulares para o banco, que produziu pareceres e fez uma série de reuniões.

Mas a dúvida que fica é que tipo de serviço jurídico justificaria um pagamento dessa magnitude, ainda mais num banco em crise, cercado de articulações políticas e tentando desesperadamente sobreviver. Qual foi o critério utilizado para o Volcar para pagar 10 milhões de reais para o Temer e 129 milhões de reais para a mulher de Moraes? A expectativa é que essas questões sejam esclarecidas na tão aguardada delação de Volcar.

Por falar nessa delação, Bronzato, quando é que ele deve finalizar essa proposta? O que a gente pode esperar dela? Olha, Carol, a expectativa dos investigadores é que até o final de abril o Vocar apresente a primeira versão nos capítulos da sua delação. Esse em prazo, na verdade, interessa os dois lados. O Vocar porque ele quer acelerar a negociação para tentar sair da prisão logo. E a Polícia Federal porque é um inquérito prorrogado pelo ministro André Mendonça.

vai até 18 de maio. Então, os dois lados querem correr para cumprir esses prazos. Mas não é uma delação simples. A gente sabe que tem uma série de implicações ali, de histórias complexas que terão que ser.

analisadas. E logo depois, do votar e entregar os anexos, tem todo um procedimento. A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República que participam nas negociações da Cordo vão analisar as provas para saber se elas corroboram os fatos.

E também se há algum tipo de omissão que a investigação revelou e o votado está tentando esconder. Se estiver tudo ok, então o banqueiro começa a prestar o depoimento em vídeo. E aí depois, esse material é submetido à avaliação do ministro André Mendonça, que já avisou a pessoas próximas que não pretende validar automaticamente o acordo, especialmente se o vocais estiver mentindo.

Esse processo todo deve extrapolar o todo mês de maio, o que levará a Polícia Federal a pedir a prorrogação da investigação. E algumas pessoas ali que acompanham as negociações estão fazendo algumas estimativas de que essa delação, ao final, deve chegar pronta até agosto, mais ou menos. Ou seja, às vésperas das eleições, o que deve aumentar ainda mais.

Aí os negros a flor da pele, né? No mundo político. E um dos principais mistérios é quem deve ser delatado por votar, né? O banqueiro ainda não finalizou os capítulos da sua delação, porque os advogados estão examinando o material apreendido pela Polícia Federal.

Mas pessoas próximas do banqueiro têm garantido que ele não tem nenhum pecado a confessar sobre a sua relação com o ministro do Supremo e com o senador Ciro Nogueira. E que tudo que consta ao longo das investigações sobre esse personagem é apenas pura relação de amizade. Por outro lado, o votário tem demonstrado maior interesse em contar...

sobre os seus contatos no Banco Central, no BRD, que é o Banco de Brasília, no governo do Distrito Federal e também sobre os fundos de Estado que investiram no MASC. Só resta saber se o Votara vai convencer os investigadores de que estão contando tudo o que sabem.

Pois é, essa proximidade com as eleições e essa seletividade que ele vai demonstrando que pretende adotar devem ser ali assuntos para tensionar ainda mais essa delação. Obrigada, Tiago. Obrigado, uma boa noite. Valeu, Tiago, boa noite.