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Preços de refeições variam na capital e quilo do self-service pode passar de R$ 80, aponta Procon-SP

07 de abril de 20269min
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Levantamento do Procon-SP aponta que os preços de refeições em São Paulo variam significativamente entre as regiões da cidade, influenciados por fatores como custo de aluguel, perfil de renda e exigência do público. Em entrevista ao CBN São Paulo, o supervisor do Núcleo de Pesquisas do Procon-SP, Edilson de Vasconcelos, contou que áreas como as zonas Sul e Oeste concentram valores mais elevados, enquanto Norte e Leste registram preços mais baixos.

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Participantes neste episódio3
L

Luiz Alberto Guerra

HostDelegado
P

Pedro Fagundes

HostJornalista
E

Edilson Vasconcelos

ConvidadoSupervisor do Núcleo de Pesquisas do PROCON-SP
Assuntos1
  • Preços de AlimentosZona Sul e Zona Norte · Custo de aluguel · Poder aquisitivo · Fiscalização do Procon · Vale Refeição
Transcrição25 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Estamos na linha com Edilson Vasconcelos, ele que é supervisor do Núcleo de Pesquisas do PROCON de São Paulo, responsável pela realização dessa pesquisa, vai falar um pouco mais sobre esses preços aqui pra gente. Tudo bem, Edilson? Bem-vindo, obrigada pela sua participação. Tudo bem, é um prazer participar num programa de vocês. Bom, esse tipo de pesquisa é feita justamente quando a...

denúncias ou até mesmo uma percepção do consumidor de que os preços estão um pouco fora da realidade em alguns locais, né? É, porque varia muito da região. Se você pegar, por exemplo, a região da Zona Sul...

tem que o poder aquisitivo é maior, então você vai ter um preço um pouquinho maior devido ao aluguel ser um pouco mais caro, você tem uma variedade maior, porque o público ali é um pouco mais exigente. Já se você pegar na Zona Norte, que tem um preço menor, o público, a renda é um pouco mais baixa, o público é menos exigente.

O que dialoga muito com o que essa ouvinte mencionou, que a Marcela estava falando, conforme o preço do aluguel aumenta, é um indicativo desse poder de renda, dessas questões todas que acabam influenciando no preço. Agora, Edilson, existe algum limite, quando o Procon monitora esse tipo de preço?

Tem alguma variação que é considerada ok e outra que é considerada abusiva? A gente, quando fala de aumento de preço de combustível, por exemplo, a gente tem falado muito dos aumentos abusivos. Nesse caso do preço do quilo, tem algum tipo de regra, de limite, de patamar que se descumprido pode ser algum tipo de irregularidade? Ou isso faz parte do jogo? É o preço de mercado e o consumidor que tem que encontrar o que cabe no bolso?

Exatamente, porque não existe o tabelamento de preço. Então, o consumidor hoje o que ele tem que fazer? Pesquisar, avaliando lá não apenas o preço, mas também a qualidade dos alimentos e do serviço oferecido. Talvez em lugares ele vai encontrar uma variedade maior de opções, aí se torna um pouco mais caro, e ele tem que procurar talvez um lugar um pouco mais barato, que faz que tenha qualidade também.

Agora, já que não existe esse tabelamento, cabe ao consumidor identificar, uma diferença, uma variação de quase 100% entre as regiões de São Paulo é normal? É normal devido ao custo que o restaurante tem naquele local. A zona sul e a zona oeste, ele tem um custo maior. Na zona leste, zona norte e o centro, o custo é menor. Então, ele consegue ter um preço um pouco menor.

Tem algum bairro, algum caso, alguma região que tenha chamado mais a atenção de vocês nessa fiscalização? O senhor já mencionou as regiões, né? Zona Sul e Zona Oeste. Zona Norte. Zona Norte. É que a Zona Norte é o valor menor, se não me engano, e a Zona Sul o maior valor.

Isso, a Zona Sul porque você tem na região da Berrini, da Faria Lima, onde concentra-se as instituições financeiras, então o poder aquisitivo é mais alto lá. Então, reflete no preço, além do preço dos aluguéis, daquela área tendo de altíssimo valor.

E a questão da concorrência também pode ter influência nos preços? Porque regiões com maior concentração de escritórios, por exemplo, tendem a ter mais restaurantes ali, justamente pensando nessa coisa da hora do almoço, enfim. Então, onde tem mais concorrência, geralmente o preço é menor ou isso não interfere tanto? Não interfere, eles ficam basicamente próximos um do outro, porque a qualidade deles, eles têm que manter.

Então, eles não conseguem colocar um preço muito abaixo da concorrência, porque tem lá os seus custos na composição do preço da refeição. Então, fica difícil para eles ter um preço menor devido aos custos que eles têm.

Nesse levantamento? Já, por exemplo, na Zona Leste, você consegue diluir esse valor porque o custo dos insumos são mais em conta, além dos aluguéis sendo um pouco mais baixos.

Certo. Foram 350 estabelecimentos analisados neste levantamento, né? Pelas cinco regiões de São Paulo, são dados de fevereiro. Com base, então, neste levantamento, a gente consegue saber o preço médio, por exemplo, do self-service, do quilo e do PF, o famoso PF? Por exemplo, o self-service, a média é R$ 86,86.

Você vai ter o lugar na Zona Norte mais barato, a R$ 79,49, e o mais caro na Zona Sul, R$ 81,45. Isso estamos falando em preço médio, tá? Tá. O Self Service, a preço fixo, o lugar mais barato que nós encontramos na região foi a Zona Norte, com R$ 36,74, e a Zona Sul com R$ 71,39. Eita! Já o prato feito, ou o prato do dia...

Já na zona leste você encontra R$ 30,68 e na zona sul R$ 40,75. Aí é uma variação um pouco menor, né? É um pouco menor, fica meio próximo ali. Já o executivo de frango...

Você encontra R$ 35,11 na Zona Norte e R$ 51,00 na Zona Sul. Nossa, uma diferença significativa nesse caso. Agora, Edilson, vocês monitoram isso, já não é a primeira vez, né? Vocês costumam fazer com frequência. A gente consegue entender se nos últimos anos o preço tem aumentado, essa é uma tendência ou não necessariamente? O que vocês conseguem fazer nesse olhar para trás? Então, nós monitoramos esse preço desde janeiro de 2020.

Por exemplo, eu vou te dar o exemplo do self-service por quilo. Em janeiro de 2020, ele custava R$ 54,97. Em fevereiro de 26, R$ 91,21. Ou seja, 65,93% de aumento nesse período. Contra uma inflação de 48% no período.

Olha, a Andréia, nosso ouvinte, pergunta o seguinte, existe a lista desses restaurantes avaliados? Diz ela que quer procurar os baratinhos. Não, essa pesquisa era feita em parceria com o Diese. Perfeito. Então, eles que fazem o levantamento, toda a parte de levantamento e metodologia.

Um ponto levantado aqui pelo nosso ouvinte André com relação ao Vale Alimentação, né? Porque ele diz que independentemente da zona de São Paulo, o que rege o valor do Vale Refeição é uma questão de uma base fixa que muitas vezes é...

feita pelo sindicato. E que falta essa pesquisa do bairro, porque às vezes você está trabalhando em uma região como a Zona Sul, fica difícil chegar ao final do mês com o valor do cartão refeição que as empresas oferecem, que deveria ser levada em consideração essa questão das regiões onde as empresas estão colocadas. Diante dessa pesquisa, de fato, o que o André diz é verdade, né? A região tem que ser levada em consideração na hora de se fazer essa conta, esse cálculo, justamente por causa dos preços dos pratos, né?

Exatamente. Ela não só orienta o consumidor o quanto é o custo para ele, como também para o empregador. Haja vista que tem regiões que o valor é maior do que outras.

Edilson, rapidamente... É uma orientação muito boa para o empregador na hora de reajustar o valor do VR dele. Sim. Edilson, rapidamente para a gente fechar, quais são as regras? O que os estabelecimentos que oferecem, por exemplo, o buffet por quilo precisam seguir? Quais orientações que a gente pode trazer para o consumidor ficar de olho? Se o preço está elevado, pelo menos quais são as regras que têm que ser cumpridas para a gente ter ali uma relação de consumo adequada?

Então, a elevação vai ter que verificar a qualidade dos produtos, do local e a região. Agora, o que o restaurante não pode cobrar gojeta é opcional, ele não pode cobrar taxa de desperdício, ele tem que ser claro no preço, que ele cobra por peso, o vale-refeição não é obrigatório aceitar.

Mas se ele aceita o suje lá ou adesivo que ele aceita, ele não pode restringir em determinado valor de horário.

Muito bem. Agradeço muito sua participação, Edilson Vasconcelos, Supervisor de Núcleo de Pesquisas do PROCON de São Paulo, realizando, portanto, esse levantamento importantíssimo pra gente entender os valores da refeição, da alimentação aqui em São Paulo, seja no quilo, do self-service, seja no preço fixo ali do prato ou no nosso bom e querido PF Prato Feito. Muito obrigada, Edilson, pela sua participação. De nada.