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Pesquisadora brasileira cria caneta que detecta câncer em 10 segundos

03 de abril de 20269min
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Em entrevista ao Jornal da CBN, a pesquisadora e professora brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, do Departamento de Cirurgia do Baylor College of Medicine, fala sobre o desenvolvimento da caneta, que é capaz de detectar a presença de câncer em cerca de 10 segundos.

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Cássia

Co-hostJornalista
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Lívia Schiavinato Eberlin

ConvidadoPesquisadora
Assuntos1
  • Caneta detectora câncerDesenvolvimento da caneta · Impacto na cirurgia · Validação clínica · Análise molecular · Câncer sólido
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Uma tecnologia que parece saída de ficção científica já está sendo testada em cirurgias reais. É uma caneta capaz de identificar se um tecido é saudável ou cancerígeno. Desenvolvida por uma cientista brasileira chamada Max Peckpen, promete transformar a forma como tumores são removidos. Para entender como isso funciona, quais são os impactos para a medicina de um equipamento como esse, nós vamos conversar agora com a professora...

e pesquisadora Lívia Schiavinato Eberlin, que é responsável por esse equipamento. Professora, muito bom dia, muito obrigada por estar conosco ao vivo hoje aqui no Jornal da CBN. Bom dia, Cássia, obrigada a vocês pela oportunidade. Professora, explica para a gente o que é exatamente esse equipamento, como que ele funciona.

A caneta que eu desenvolvi é um dispositivo, né, que eu até trouxe aqui para vocês verem, que um cirurgião, uma cirurgiã podem utilizar durante a cirurgia para identificar qual é a natureza do tecido. Uma das grandes dificuldades durante uma cirurgia de câncer é para um cirurgião saber onde que termina o tecido, né, que é de câncer e onde começa o tecido normal.

E isso tem um impacto muito grande na qualidade de vida do paciente ou na possibilidade do câncer voltar depois dessa cirurgia, ou ter que fazer uma outra cirurgia para daí tirar todo o câncer que não é retirado nesse primeiro procedimento.

E o problema é que só olhando a anatomia do paciente, olhando o tecido, é difícil para o cirurgião saber onde que esse tecido que está afetado termina ou qual que é o tecido normal que deve ser deixado para trás. E não existe tecnologia caça que ajuda os cirurgiões a fazerem essa determinação durante a cirurgia.

E eu sou formada em química, tenho experiência com tecnologias que permitam que a gente faça análise molecular de uma amostra. Daí eu resolvi desenvolver a caneta, que é um dispositivo bem fácil de ser utilizado. E a cirurgião, os cirurgiões simplesmente tocam o tecido durante a cirurgia.

E fazem uma análise química imediata da composição molecular do tecido. Daí eles conseguem saber de forma imediata qual é a natureza do tecido, se ainda é câncer ou normal. E dessa forma a gente guia o processo cirúrgico para dar certeza para o cirurgião que eles realmente retiraram todo esse tecido que foi afetado. Professora, há quanto tempo até se desenvolver um equipamento como esse?

Eu comecei a fazer pesquisa nessa área já faz um tempão. Eu estou estudando espectrometria de massas, análise química, já faz mais de 20 anos. A ideia da caneta eu comecei a desenvolver em 2016. Então faz mais ou menos 10 anos que eu comecei a trabalhar. A gente finalizou o primeiro protótipo em 2017.

e começamos a fazer as primeiras cirurgias bem piloto mesmo, foi em 2019. Então, agora já faz mais ou menos uns sete anos que a gente está testando. A gente teve que parar um tempão por causa do Covid, mas são mais de 460 cirurgias agora que a gente já fez com a caneta. E a gente está em cinco hospitais aqui nos Estados Unidos, e no Brasil a gente está no Albert Einstein e também testando na Unicamp, em Campinas.

E a gente está em que fase destes testes? É uma pesquisa que já vem acontecendo há bastante tempo, que vem sendo feita aí, cumprindo todos os protocolos de maneira bastante séria. Em que estágio nós estaríamos e quando que a gente poderia pensar na utilização em larga escala desse equipamento?

A gente está agora na fase de validação da pesquisa. Então, já fizemos o desenvolvimento da tecnologia no laboratório, testamos com tecidos no laboratório mais de 2 mil tecidos humanos. Agora a gente está fazendo uma validação clínica, que é multi-institucional em vários hospitais.

Quando a gente terminar essa validação e chegar na finalização do produto, daí que a gente vai para o FDA aqui nos Estados Unidos, para a Anvisa no Brasil, para terminar os estudos clínicos para aprovação da tecnologia. Então, acho que mais uns 3, 5 anos para a gente ter essa aprovação e daí expandir em uma escala bem maior. Como que você fez essa descoberta? Como se iniciou todo esse processo?

Olha, eu sou uma pessoa muito curiosa e durante o meu doutorado eu estava trabalhando já com pesquisa em câncer e comecei a ir nos hospitais para coletar amostra, para aprender um pouco do processo médico. E eu observei a forma como os cirurgiões faziam essa determinação na sala cirúrgica. E eu aprendi que ainda há muito erro nessa análise. Muito paciente acaba indo para casa com câncer ainda depois de cirurgia ou os cirurgiões acabam retirando tecido normal que não precisava ser retirado.

do paciente. E foi aí que clicou, né? A gente tem esses equipamentos maravilhosos dos laboratórios que fazem análise, que conseguem determinar rapidamente se um tecido é câncer ou normal, mas eles são muito complexos, né? A gente precisa de PHD para trabalhar com esse tipo de instrumentação química. Foi aí que meio que clicou para mim. O que eu queria desenvolver é algo extremamente simples.

e que os cirurgiões nem pensassem que eles estavam fazendo uma análise química tão complexa. E eu comecei a observar os dispositivos que eles utilizam durante já a cirurgia, e daí pensei nesse design de uma coisa que seria uma caneta, um dispositivo fácil que qualquer pessoa pode utilizar, e comecei na parte da engenharia, design, protótipo, até que deu certo.

Professora, neste momento, a gente tem esses estudos sendo realizados em cirurgias, em que órgãos, em que tipo de tecido? Os estudos clínicos atuais são tecidos de pulmão, ovário, cérebro, sarcomas e mama.

Ah, também em câncer de boca, câncer oral. Mas no laboratório a gente já fez praticamente quase a maioria dos cânceres sólidos. Já fizemos liver, fígado, rim, colom, muitos tipos, tireoide. Então qualquer câncer que é sólido. Ah, e câncer de pele também, é um que a gente está fazendo bastante agora para o diagnóstico.

Então, qualquer câncer sólido a gente pode analisar. Eu estava lendo aqui que existem pesquisas também para que a caneta identifique não só o câncer, mas também o perfil imunológico do tumor. O que isso significa? No Albert Einstein, eles estão utilizando a caneta para identificar quantas...

células imunes que o tumor tem. Isso tem a ver a resposta que o paciente pode dar a um tratamento que eles estão recebendo. Muitos dos tumores acabam não respondendo a um tratamento específico que o paciente está passando por questão das células imunes, por questão dessa composição molecular e celular do tecido.

Então, a gente não somente identifica se o tecido tem câncer, mas a gente pode dar indicação de qual é o subtipo, qual é a infiltração imune de células que o tumor tem e ajudar mais a guiar o tratamento para o paciente. Também estou vendo aqui que existe a possibilidade de essa tecnologia indicar se o tumor é quente ou frio. O que isso significa? Por que isso é importante?

Isso também tem relação à resposta que o paciente vai ter, né, a tratamentos diferentes. A gente usa essa terminologia para descrever se o tumor tem mais a possibilidade de estar respondendo a imunoterapia, a quimioterapia. E essa resposta do tumor, né, mesmo para tumores que têm o mesmo subtipo...

Quando uma paciente com câncer de mama pode ter uma resposta muito boa à imunoterapia e uma outra paciente com o mesmo tumor não ter a mesma resposta. E isso faz parte da composição molecular do tecido. Então, com a caneta a gente consegue ter uma caracterização bem completa desse perfil molecular e uma indicação de qual é a resposta que o tumor vai ter.

Eu quero agradecer demais a participação ao vivo conosco, hoje aqui no Jornal da CBN, da Lívia Esquiavinato Eberlin, que é professora e pesquisadora do Departamento de Cirurgia da Baylor College of Medicine. Professora, muito obrigada por estar conosco. Parabéns pelo seu trabalho. E a gente vai continuar acompanhando essa pesquisa tão promissora bem de pertinho. Obrigada e boa Páscoa.

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