Episódios de Pílulas do Conhecimento

#324 - Anatomia do som: como nós escutamos?

23 de julho de 20264min
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Vento, mecânica, hidráulica e eletricidade: o caminho que o som percorre dentro de nós é uma verdadeira obra-prima da evolução. Descubra como as células ciliadas e o córtex auditivo traduzem o agudo de um violino e o grave de um trovão.

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Realização:

Espaço do Conhecimento UFMG

Pró-reitoria de Cultura UFMG (Procult)

Universidade Federal de Minas Gerais

Texto original: Samuel Lacerda

Adaptação e trabalhos de áudio: Samuel Lacerda

Supervisão e revisão geral: Fernando Silva

Coordenação: Vanessa Brandão

Participantes neste episódio2
F

Fernando Silva

Host
S

Samuel Lacerda

Host
Assuntos2
  • Audiometria e Saúde AuditivaPavilhão auricular · Canal auditivo · Tímpano · Ouvido médio · Ossículos (martelo, bigorna, estribo) · Ouvido interno · Cóclea · Células ciliadas
  • Processamento do som no cérebroNervo auditivo · Córtex auditivo · Decodificação de frequências
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
FSFernando Silva

Pílulas do Conhecimento. O mundo ao nosso redor está repleto de vibrações invisíveis. Cada música, voz ou sussurro viaja pelo ar na forma de ondas sonoras. E a nossa jornada para entender como percebemos esses estímulos começa na parte mais visível do nosso corpo. A orelha ou o pavilhão auricular. Como sua anatomia é única e cheia de curvas, o pavilhão auricular funciona como uma concha acústica natural projetada especificamente para captar e direcionar o som.

E se você acha que a orelha serve apenas para segurar óculos, vale a pena ouvir com atenção. Ela é o primeiro filtro que garante que as informações importantes não entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Conforme o som avança pelo canal auditivo, ele encontra o tímpano, a primeira grande fronteira. Ao ser atingido pelas ondas de pressão do ar, o tímpano começa a vibrar intensamente. Logo atrás da membrana timpânica, entramos no ouvido médio, uma cavidade preenchida por ar que abriga a cadeia de ossículos, uma das estruturas mais fascinantes da nossa anatomia.

Ela é formada por 3 minúsculos ossos: o martelo, a bigorna e o estribo, sendo a menor engrenagem óssea do corpo humano. O funcionamento aqui é puramente mecânico. O martelo está conectado ao tímpano. Quando ele se move, transfere o impulso para a bigorna, que por sua vez aciona o estribo. É um verdadeiro trabalho de ferreiro em tamanho miniatura. E não pense que esses ossinhos estão ali fazendo corpo mole. Eles atuam como amplificadores de pressão.

Como o som precisa passar do ambiente com ar para um meio líquido adiante, os ossículos aumentam a força da vibração para garantir que a mensagem não se perca no caminho. A base do estribo conecta-se à janela oval que serve de entrada para o ouvido interno. É aqui que encontramos a cóclea, uma estrutura impressionante que se assemelha à concha de um caracol. O interior da cóclea é totalmente preenchido por um fluido. Quando o estribo pressiona a janela oval, gera ondas nesse líquido, criando um balanço hidráulico.

Essas ondas fazem oscilar a membrana basilar, onde repousa o órgão de corte e suas milhares de células ciliadas microscópicas. Quando o líquido se move, esses pequenos cílios se curvam. Esse movimento mecânico abre canais iônicos e gera impulsos elétricos instantâneos. É a magia da conversão! O som que começou como vento e passou por ossos agora se transformou em eletricidade biológica pura. Uma vez gerados, esses sinais elétricos viajam rapidamente através do nervo auditivo em direção ao cérebro, mais especificamente ao córtex auditivo, localizado no lobo temporal.

O cérebro decodifica as frequências elétricas, permitindo-nos diferenciar um agudo de um violino do grave de um trovão. É um sistema tão perfeito que nos faz perceber que o processo evolutivo humano nos projetou um excelente ouvido. E esse foi mais um episódio do Pílulas. Se você gostou e nos ouve pelo Spotify, avalie o programa clicando naquela estrela que fica no topo do nosso perfil. Acompanhe o Museu em todas as nossas redes sociais, @espacoufmg, e também em nosso blog, com textos inéditos todas as terças-feiras.

E todas as quintas, entre fevereiro e novembro, temos episódios novos do Pílulas do Conhecimento, O texto original e os trabalhos de áudio foram feitos por mim, Samuel Lacerda, graduando em música pelo FMG e bolsista de som do Espaço do Conhecimento. A revisão e supervisão geral são de Fernando Silva. Obrigado e nos vemos no próximo episódio.

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