#313 - A magia da fotografia
Como a humanidade aprendeu a escrever com a luz e a enganar o próprio cérebro para transformar fotos paradas na magia do cinema e em máquinas do tempo portáteis? Vem comigo nesse episódio que vamos entender melhor essa história.
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Realização:
Espaço do Conhecimento UFMG
Pró-reitoria de Cultura UFMG (Procult)
Universidade Federal de Minas Gerais
Texto original: Sarah Costa e Rachel Borges
Adaptação e trabalhos de áudio: Samuel Lacerda
Supervisão e revisão geral: Fernando Silva
Coordenação: Camila Mantovani
Samuel Lacerda
- A magia da fotografiaEscrita com a luz · Câmera escura · Fixação da imagem · Congelamento do tempo · Máquina do tempo portátil
- O cinema e a persistência retinianaSucessão de fotografias · Persistência retiniana · Flipbook · Edward Muybridge · Irmãos Lumière · Cinematógrafo
- A fotografia digital e a linguagem universalSensores digitais · Smartphones · Diretores e fotógrafos · Linguagem universal · Filtros e edições
- Ciência e arte no Espaço do Conhecimento UFMGJornada pela ciência e arte · Exposições sobre tempo, luz e percepção · Olhar de criança · Física por trás de um clique
Pílulas do conhecimento.
Você já parou para pensar que uma foto nada mais é do que um pedaço de luz capturado? A palavra fotografia significa literalmente escrever com a luz. É como se a câmera fosse uma caneta mágica que, em vez de tinta, usa a luz para desenhar um momento que nunca mais vai se repetir. Mas essa mágica não surgiu do nada.
Para criar a câmera, o ser humano se inspirou na própria natureza. Isso porque a forma como uma máquina fotográfica trabalha é muito parecida com o jeito que o nosso olho funciona para enxergar o mundo, pois ambos precisam, na prática, de uma abertura para a luz entrar e de uma superfície sensível para registrar a imagem.
Antes mesmo da existência das câmeras modernas e dos celulares hiper tecnológicos, um dispositivo simples já havia transformado a forma como enxergamos as imagens. A câmera escura. O princípio é simples. Imagine uma caixa totalmente fechada e escura, com apenas um buraquinho bem pequeno em um de seus lados. Quando a luz do lado de fora passa por esse furo,
ela projeta a imagem do mundo na parede de dentro da caixa oposta ao furo, colorida, detalhada, só que de cabeça para baixo. Durante séculos, artistas utilizaram esse recurso como um guia visual para traçar paisagens com perfeição. O grande desafio para cientistas e inventores foi descobrir como fixar permanentemente essa imagem projetada em uma superfície.
A grande magia da fotografia, porém, vai além da física e da química. Ela é a única forma que inventamos de congelar o tempo. Quando apertamos o botão, aquele milésimo de segundo é congelado. Um sorriso que durou um instante, a luz de uma tarde específica ou o brilho no olhar de alguém querido ficam guardados ali, protegidos do esquecimento.
Rever uma fotografia antiga é como usar uma pequena máquina do tempo. Ao olhar para uma imagem de anos atrás, nossa memória é despertada. Sentimos o cheiro daquela época, lembramos do som da voz de quem estava na foto e somos transportados de volta. É por isso que as fotos são nossos tesouros mais preciosos, porque elas provam que aquele momento existiu e permitem que a gente o reviva quantas vezes quiser.
Se uma fotografia consegue parar o tempo, a imagem em movimento tenta devolvê-la para nós. Mas aqui vai um segredo que pode parecer estranho. O cinema, na verdade, não existe. O que chamamos de filme ou vídeo é uma sucessão de fotografias paradas Váあります
que passam tão rápido diante dos nossos olhos, que o nosso cérebro é enganado e acredita que tudo está se mexendo. Essa mágica acontece por causa de um fenômeno chamado persistência retiniana. O nosso olho é um pouco lento para apagar uma imagem, e quando vemos uma foto e ela some...
o rastro dela fica na nossa retina por uma fração de segundo. Se colocarmos outra foto logo em seguida, com uma pequena diferença na posição dos objetos, o cérebro emenda as duas. É por isso que, quando você folheia rapidamente as páginas de um caderno com desenho no canto, o famoso flipbook, o desenho parece ganhar vida.
A revolução da imagem em movimento começou com uma aposta curiosa no século XIX. E Edward Muybert queria saber se, quando um cavalo galopa, ele chega a tirar as quatro patas do chão ao mesmo tempo. Como o olho humano não conseguia captar isso por ser rápido demais, ele montou 24 câmeras fotográficas em linha. Quando o cavalo passava, ele rompia os fios que disparavam as câmeras uma por uma.
O resultado foi uma sequência de fotos que, ao serem projetadas rapidamente, mostrava um cavalo correndo de verdade. Ali, a humanidade percebeu a fotografia não servia apenas para guardar retratos parados, mas para estudar a vida em ação.
Pouco tempo depois surgiram os irmãos Lumiere que inventaram o cinematógrafo. Pela primeira vez uma máquina conseguia tanto filmar quanto projetar essas imagens para muita gente ver ao mesmo tempo. A primeira sessão de cinema foi um choque e diz a lenda que quando as pessoas viram a imagem de um trem vindo em direção à tela, algumas chegaram a correr da sala com medo de serem atropeladas.
elas ainda não sabiam que aquilo era apenas luz e sombras passando bem rápido. Hoje, quando você assiste a um vídeo ou a um filme no cinema, está vendo cerca de 24 a 60 fotos por segundo. É essa velocidade que cria a revolução do movimento e permite que a gente não apenas veja uma memória, mas mergulhe dentro dela.
Chegamos a uma era que os inventores do passado mal poderiam imaginar. Se antigamente era necessário carregar quilos de equipamentos e passar horas em laboratórios escuros com produtos químicos, hoje a magia cabe na palma da nossa mão. Os sensores digitais dos nossos smartphones são tão sensíveis que conseguem capturar detalhes que nem o olho humano percebe direito. Outros capturam com maestria até mesmo a lua.
A grande revolução da imagem moderna é que agora todos somos diretores e fotógrafos, documentamos o que comemos, as paisagens que visitamos e o crescimento de quem amamos. A tecnologia digital transformou a fotografia e o cinema em uma linguagem universal.
não precisamos mais de palavras para contar uma história, basta um vídeo curto ou uma sequência de fotos bem tiradas. No entanto, essa velocidade nos traz um desafio, pois em um mundo cheio de filtros e edições, precisamos nos perguntar o que é real. A ciência da fotografia nos ensina que por trás de cada tela existe física pura. Entender como a luz se comporta nos ajuda a ser menos reféns da tecnologia e mais autores das nossas próprias imagens.
No espaço do conhecimento do FMG, essa jornada pela ciência e pela arte se encontram. Ao explorarmos exposições que falam sobre o tempo, a luz e a percepção, voltamos a ter aquele olhar de criança que se encanta com o funcionamento de uma lente ou com a projeção de uma estrela no planetário. Compreender a física por trás de um clique nos faz valorizar ainda mais a memória que ele carrega.
E esse foi mais um episódio do Pílulas. Se você gostou e nos ouve pelo Spotify, avalie o programa clicando naquela estrela que fica no topo do nosso perfil. Vocês podem também acompanhar o museu em todas as nossas redes sociais e também pelo nosso blog, em que temos textos inéditos todas as terças-feiras. E todas as quintas, entre fevereiro e novembro, temos episódios novos do Pílulas do Conhecimento.
O texto original foi escrito por Guilherme Maciel, estudante de artes visuais na UENG. A supervisão e revisão geral são de Fernando Silva. A adaptação e os trabalhos de áudio foram feitos por mim, Samuel Lacerda. Obrigado e nos encontramos no próximo episódio.