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Pr. Ivan | OS FILHOS PERDIDOS| Lucas 15:1-32

08 de maio de 202656min
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Tema: OS FILHOS PERDIDOSPreletor: Pr. IvanTexto Bíblico: Lucas 15:1-32 ______________📍 Igreja Cristã Evangélica de Brasília EQN 309/310 • Brasília, DFSomos uma igreja que adota, como única regra de fé e prática, as Escrituras Sagradas. Nossas diretrizes são: prestar culto a Deus em espírito e em verdade, por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo; estudar a Palavra de Deus, a Bíblia; levar os membros e congregados a viverem de acordo com os preceitos bíblicos, visando o crescimento e o amadurecimento espiritual, por meio dos diversos ministérios existentes na igreja.

Venha nos conhecer!

Participantes neste episódio1
P

Pr. Ivan

HostPastor
Assuntos1
  • Parábola do Filho PródigoSignificado da refeição no Antigo Oriente Próximo · A comunhão e a recepção simbolizadas pela mesa · A visão dos fariseus e escribas sobre os pecadores · O pedido da herança em vida como afronta · O silêncio do filho mais velho como indício de problema familiar · A venda da terra como desapego da identidade · O desespero do filho mais novo ao cuidar de porcos · O plano do filho mais novo para ser aceito como trabalhador · A corrida do pai ao encontro do filho como sinal de amor · A restauração do filho através de roupas, anel e sandálias · A festa como demonstração pública de restauração · A revolta do filho mais velho e sua recusa em participar da festa · A acusação do filho mais velho ao pai de injustiça e parcialidade · A necessidade de arrependimento e reconhecimento do amor do anfitrião · A busca por aceitação e redenção pelo próprio esforço · O amor humilhante de Deus como forma de restauração
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Boa noite, irmãos. A graça e a paz do Senhor Jesus. Convido os irmãos a abrirem suas Bíblias no Evangelho de Lucas, no capítulo 15.

Então, Evangelho de Lucas, no capítulo 15, nós leremos o capítulo inteiro, a partir do verso 1º até o verso 32. Então, vou ler, peço que os irmãos acompanhem a leitura. Diz assim a palavra do Senhor.

aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir, e murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo, Este recebe pecadores e come com eles. Então lhes propôs Jesus esta parábola, Qual dentre vós é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto às noventa e nove e vai em busca da que se perdeu até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.

e indo para casa reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes, alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la. E tendo achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo, alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.

Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Continuou. Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai. Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.

Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra e este o mandou para os seus campos a guardar os porcos.

Ali desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse, quantos trabalhadores de meu pai tem pão com fartura e eu aqui morro de fome? Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi, pai, peguei contra o céu e diante de ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus trabalhadores. E levantando-se, foi para seu pai.

Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou. E o filho lhe disse, pai, pequei contra o céu e diante de ti, já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos, trazei depressa a melhor roupa, vestiu, põe-lhe um anel no dedo.

e sandálias nos pés. Trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemos, porque este meu filho estava morto e reviveu. Estava perdido e foi achado, e começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo, e quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.

chamou um dos criados e perguntou-lhe o que era aquilo. E ele informou, veio teu irmão e teu pai mandou matar um novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar. Saindo, porém, o pai procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai, há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua e nunca me deixe sequer um...

um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, esse teu filho que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então lhe respondeu o pai, meu filho, tu sempre estás comigo, tudo que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. Até aqui a palavra do Senhor.

Essa talvez seja uma das histórias da Bíblia mais conhecidas no mundo. Não só no meio cristão, mas fora do meio cristão. É comum a expressão filho pródigo por aí, o retorno do filho pródigo, para se falar de alguém que se desgarrou da sua família, se afastou, e agora está próxima novamente, retornando para casa. E essa parábola, apesar de muito conhecida, ela possui uma riqueza.

que muitas vezes nós não percebemos por causa do contexto dela. Existem tantas nuances do contexto dessa parábola que nós vamos tentar mergulhar aqui um pouco para que a gente possa perceber como ela é rica, foi rica naquele tempo e como ela é rica para nós ainda hoje.

Nós não vamos, por conta do tempo, nos deter muito na questão da ovelha perdida e da moeda perdida, que é a parábola que antecede a parábola dos filhos perdidos. Mas nós vamos dedicar um tempo maior na parábola do filho perdido e só ver a título de introdução à questão da ovelha e da moeda perdida. E como todas as parábolas que nós temos visto aqui, nós precisamos ver o contexto no qual ela está inserida. O que está acontecendo para que Jesus profira essa parábola?

Nós percebemos até então em todas as parábolas existe algo acontecendo e a partir desse contexto é que Jesus profere a parábola para que os seus ouvintes possam aprender alguma coisa sobre si mesmo, sobre Deus, sobre o reino de Deus.

E aqui, nós vemos bem no comecinho, é bem introdutório o que está acontecendo, diz que aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas dizendo, este recebe pecadores e come com eles. Já é bem conhecido de nós que as pessoas gostavam de estar perto de Jesus. Publicanos, pecadores, todo tipo de pessoa gostava de estar perto de Jesus. Inclusive os seus opositores.

Seja para ouvir, seja para questionar, mas eles queriam estar sempre perto de Jesus.

E o que acontece aqui é que Jesus se coloca numa posição, se coloca num contexto em que ele não apenas conversava com os publicanos e pecadores, ele recebia e comia com eles. E esse era o grande motivo de escândalo para os escribas e fariseus. Porque os escribas e fariseus, eles também lidavam com os pecadores na visão deles. Eles tinham que lidar com os publicanos, eles conversavam com as pessoas ao seu redor na cidade.

E é comum para todos nós, nós lidamos com pessoas crentes e descrentes o tempo todo. Mas o que destaca aqui é o fato que Jesus recebia essas pessoas e comia com elas. E aí é o grande ponto do contexto da época. No Antigo Oriente Próximo, receber alguém para uma refeição era algo extremamente significativo.

As pessoas eram bem divididas nas classes sociais e tudo mais. E receber alguém significava colocar aquela pessoa no mesmo patamar que você. Significava dizer que você tinha comunhão com aquela pessoa. Significava dizer que você aceitava aquela pessoa. Significava dizer que aquela pessoa era bem-vinda no seu meio.

E, consequentemente, no meio de todos os seus convidados. Aqui no contexto, quando fala que Jesus recebia os pecadores, Jesus ou era o anfitrião da festa, ou era um convidado de honra, e por conta disso ele estava recebendo esses pecadores republicanos.

E no mesmo contexto, os fariseus e os escribas também foram recebidos. Então os fariseus e os escribas ficavam escandalizados porque eles olhavam como que essas pessoas estão no mesmo patamar que nós. Como que essas pessoas podem ser recebidas na mesma mesa que nós. A mesa, nas Escrituras, ela tem um contexto muito forte de comunhão. Um contexto muito forte de recepção. Um contexto muito forte de irmandade.

E por isso os fariseus e os escribas ficavam escandalizados com Jesus. Porque apesar de todos eles serem judeus, todos eles fazerem parte do povo de Israel, todos eles fazerem parte da aliança de Deus, para os fariseus e os escribas, os publicanos e os ditos pecadores, eram como apóstatas. Então eles não podiam ter comunhão. Por isso eles rejeitavam esse grupo.

Eles consideravam que eles eram de classe inferior, consideravam que eram traidores do povo, especialmente os publicanos, e por conta disso, eles rejeitavam essas pessoas. E para eles era tido que uma vez que eles pecaram da forma como pecaram, não havia mais salvação para eles, não havia mais redenção para eles, não havia mais perdão para eles. Então eles não podiam ser recebidos da forma como estavam sendo recebidos por Jesus. E aí é nesse contexto que Jesus profere essas parábolas.

A parábola da ovelha e a parábola da moeda podem ser tidas como uma só parábola, dividida em duas partes. E as duas expressam a mesma ideia. Algo estava perdido, foi encontrado e a alegria diante de todos, porque faz parte da comunidade.

A ovelha não era ovelha simplesmente daquele pastor. Era ovelha de toda uma comunidade. Uma aldeia pequena que tinha o seu rebanho em conjunto. Então quando uma ovelha se perdia, todos perdiam. Mas quando ela era encontrada, todos se alegravam. Porque ela voltou para todos.

Da mesma forma, a moeda. A moeda se perdeu e isso era uma tristeza para aquela mulher. Mas aquela mulher estava inserida em uma comunidade. Se ela sofria, todas as suas amigas sofriam. Se ela estava feliz, todas as amigas estavam felizes. E esse é o contexto em que Jesus vai introduzindo. Todo esse contexto. Mas então ele chega na grande parábola conhecida como a parábola do filho pródigo, mas que pode ser melhor entendida como a parábola dos filhos perdidos.

E essa parábola é tão significativa que ao longo do tempo, muitos estudiosos chamaram essa parábola de o Evangelho dentro do Evangelho. Porque parece que nessa parábola, a essência do Evangelho, a grandeza do Evangelho, a beleza do Evangelho, a magnitude do Evangelho, ela está contida nessa parábola. E é por isso que nós precisamos prestar atenção nela. Em seu contexto, no seu cenário, na história que Jesus pinta diante dos seus ouvintes.

E agora, diante de nós, que somos leitores dessa parábola dois mil anos depois. Então, para a gente contextualizar essa parábola, vamos ver detalhe por detalhe dela e tentando caminhar de uma forma mais narrativa. Para que a gente possa ir narrando tudo o que está acontecendo e, ao mesmo tempo, de alguma forma, tentar sentir o impacto dessa parábola para os ouvintes da época. Para que nós possamos perceber.

como essa parábola também expressa o brilhantismo de Jesus. Jesus era um grande contador de histórias. E por conta disso, essa história que envolve família, envolve personagens verossímeis, envolve personagens que nós podemos nos colocar no lugar deles, ela continua a gerar um impacto tão grande, mesmo nos dias atuais.

E quando nós vamos, enfim, para a parábola, a partir do verso 11, Jesus primeiro pinta o cenário. Continuou, certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai, pai, dá-me a parte dos bens que me cabem, e ele lhes repartiu os haveres. Apenas com essas breves palavras, essas breves sentenças, Jesus introduz a nós três personagens, que vão ser os três personagens principais dessa parábola. Ele introduz um pai e seus dois filhos, o filho mais velho e o filho mais novo.

E tudo o que acontece nesse primeiro versículo, aqui nesses dois primeiros versículos, já vai desenrolar o comportamento desses três homens ao longo de toda a história e como cada coisa que acontece aqui é impactante para os ouvintes de Jesus. Porque nós vemos aqui um filho mais novo que pede parte da sua herança. Nós vemos um pai que concede... Pede...

ao filho mais novo o seu pedido, e vemos um filho mais velho que está em completo silêncio em toda a cena. Em uma leitura inicial, a gente não percebe quão grave foi o que aconteceu aqui nesse momento. Nós vemos que o filho mais novo pede a herança para o seu pai. Isso era algo inimaginável no mundo antigo.

A gente não pode imaginar um filho se virando para o pai e falando, pai, reparte a herança, reparte todos os seus bens e me dá aquilo que me cabe. Isso seria uma ofensa tão grande naquele mundo que era possível que um pai punisse o seu filho severamente por tal afronta. Porque quando o filho pedia para o pai dar a herança, é como se o filho estivesse dizendo, pai, eu queria que você estivesse morto, morra logo e me dê aquilo que eu quero.

Esse filho queria os bens do pai, mas não queria o próprio pai. E por isso isso era uma afronta tão grande. Seria uma afronta ainda hoje, né? Um filho falar pro pai, pai, por que você não morre logo e deixa eu ficar com os seus bens? Mas naquele contexto, que era um contexto comunitário, um contexto em que as pessoas viviam em sociedades pequenas, vilas pequenas, todo mundo saberia que aquilo aconteceu, isso seria uma vergonha pra aquela família, seria uma vergonha pra aquele pai, uma vergonha pra aquele filho.

Mas mesmo assim, esse filho faz esse pedido. Faz esse pedido para o pai. E o que é interessante é que não seria completamente descabido um pai dividir os seus bens entre seus filhos. Isso podia acontecer naquela época. Podia acontecer de um pai, mas normalmente isso acontecia quando o pai já estava bem idoso, já estava bem debilitado. E para evitar que tivesse problemas entre os herdeiros, ele fazia a divisão dos seus bens para que, quando ele morresse,

já tivesse tudo certo, tudo dividido. A gente lê isso acontecendo na Bíblia, por exemplo, lá com Abraão, quando ele está perto de morrer, ele divide os seus bens, entrega para os seus filhos, os filhos de quietura, e depois separa a maior parte para Isaac, que era o filho da promessa, e manda os outros filhos embora, para as suas terras, para que não houvesse briga entre eles. Então, não era algo impensável um pai fazer alguma coisa desse tipo.

Mas era comum também que isso acontecesse por meio de uma reserva de usufruto. O pai dividia os bens, mas ele continuava na administração dos bens, recebendo os frutos dos bens, e os filhos simplesmente dividiriam tudo depois que ele morresse. Os filhos não poderiam mexer nos bens. Eles só simplesmente saberiam qual era a parte de cada um, e quando morresse já está tudo resolvido. Mas o pai continuava a gozar daquilo que lhe era devido, porque os bens ainda pertenciam a ele.

Mas era inimaginável que alguém pressionasse um homem para que ele fizesse esse tipo de divisão em vida. E mais inimaginável ainda é que essa pressão viesse de um de seus filhos, sobretudo o filho mais novo. Então é isso que Jesus coloca diante dos seus ouvintes, coloca diante de nós. Ele coloca diante de nós uma ofensa gravíssima, uma ofensa terrível a um homem que aparentemente não fez nada para isso.

E o mais surpreendente na continuação da história é que esse pai faz isso. Ele atende ao pedido do seu filho e começa então a dividir os seus bens. Nós não sabemos porque esse pai faz isso, mas é um pai que é totalmente fora da expectativa de qualquer um daquela plateia de ouvintes.

Como que um pai recebe um insulto como esse, não diz nada e ainda por cima concede aquilo que o filho está pedindo? Mas é o que acontece. E o pai então começa a dividir os bens entre os filhos. E outra coisa que também chama atenção nisso é justamente o silêncio perturbador do filho mais velho.

Porque a gente para para pensar aqui, no nosso contexto, por que o filho mais velho deveria se pronunciar nesse momento? Porque era justamente o seu papel no mundo antigo.

Os filhos mais velhos tinham um papel dentro da casa que era o papel de conciliador e mediador. Se houvesse um conflito do pai com outro filho, se houvesse um conflito entre servos, se houvesse um conflito entre irmãos, o filho mais velho era aquele que deveria se prontificar e falar, vamos resolver essa situação. E um insulto do seu irmão ao seu pai era algo para que esse filho mais velho se pronunciasse e falasse, isso daqui não está certo, meu irmão.

O que está acontecendo? Por que você está ofendendo o nosso pai desse jeito? E conversar com o pai e com o filho, com o irmão, para que as coisas se resolvessem. Mas ele permanece em silêncio o tempo todo.

E não só nessa conversa inicial que nós vemos aqui. Porque diz o texto que o pai faz a divisão dos bens. E não seria uma divisão simples, porque eram dois filhos e o filho mais velho tinha que receber porção dobrada. Então a propriedade teria que ser dividida em três, um terço para o filho mais novo, dois terços para o filho mais velho. O pai teria que fazer um inventário de tudo, teria que organizar tudo. Isso não aconteceria da noite para o dia. Não seria uma simples transação cartorária.

O pai precisaria medir suas terras, ver seus bens, ver seus animais, ver tudo. E ao longo, talvez, de semanas ou até meses, ele faria toda essa divisão. Em nenhum momento o filho mais velho se pronuncia. Isso já nos mostra que não havia um problema simplesmente do filho mais novo com o pai. Havia também um problema do filho mais velho com o pai.

Havia algo de errado nessa família. Mas o filho mais velho não vai receber tanto destaque. Mas já é introduzido dessa forma que os ouvintes atentos de Jesus perceberiam. Por que o outro filho não falou nada? E pior ainda, ele recebe a divisão dos bens. Diz que o pai repartiu entre os dois.

Ele podia ter falado, eu não quero nada, eu não tenho nada a ver com essa história. Mas a gente só vê silêncio, do começo ao fim, da parte dele. Então, esse é o cenário que Jesus monta para que nós observemos aquilo que está acontecendo nessa família. Um pai sendo insultado por um filho e, mesmo assim, sendo gracioso com esse filho.

E nós vemos na sequência, então, aquilo que acontece depois que o pai reparte os bens. Nós vemos no verso 13 que passaram os não muitos dias, o filho mais moço, juntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. O que é curioso aqui é que nós vemos que o pai não somente repartiu a propriedade, como ele permitiu que o filho mais novo...

dispusesse da propriedade. Que, como eu falei, o pai podia até ter dividido, mas dificilmente, talvez, nunca tivesse acontecido de um pai fazer isso em vida, estando com saúde, e ainda por cima permitir que o filho pudesse dispor dos bens. Mas é o que acontece. E diz o texto que o filho dispôs e em poucos dias ele resolveu tudo, vendeu tudo e foi embora. Isso é surpreendente por muitos motivos. Como eu falei, as transações naquela época não eram uma coisa rápida.

Se ele recebeu um terço da propriedade e queria vender um terço da propriedade, o que aconteceria é que ele levaria tempo para poder vender, porque ele teria que apresentar alguns compradores. Os compradores teriam que ver, olhar, observar tudo aquilo que tinha lá, para então fechar a transação.

Então nós temos algumas possibilidades. Ou enquanto o pai estava dividindo tudo, o filho já estava negociando a terra, o que já era um absurdo, porque o pai nem tinha terminado de dividir. Ou então, em poucos dias mesmo, ele vende tudo a toque de caixa, porque ele queria sair dali o mais rapidamente possível. Isso porque ele já estava rompendo com o pai, mas também porque ele estava rompendo com a comunidade na qual ele estava inserido.

Porque ele vender a terra do pai dele com o pai dele em vida geraria um atrito tão grande na comunidade que ele estava inserido que logo as pessoas iriam começar a se voltar contra ele. Aquilo que ele fez já era motivo suficiente para que as pessoas já olhassem para ele torto. Mas agora ele ainda queria vender.

com pai e vida, então ele faz isso em poucos dias. Talvez, como eu falei, porque ele já estava negociando nas costas do pai, ou porque ele conseguiu simplesmente vender até mais barato do que precisava. Falar, isso aqui é minha terra, quer comprar rapidinho, está aqui, é uma terra boa, você conhece meu pai, conhece tudo, então compra aqui a terra. E é o que acontece. Em poucos dias, ele ajunta tudo o que tem e parte para uma terra distante.

Aquilo que ele estava fazendo com o pai dele era algo tão doído, porque era um insulto. A pessoa do pai era rasgar um pedaço do próprio pai, porque se nós formos lembrar, desde o Antigo Testamento, existe um vínculo muito forte da pessoa com a terra no povo de Israel. Uma pessoa se desfazer da sua terra era se desfazer da sua própria identidade.

Era se desfazer de parte de quem ela era. Tanto que havia na lei a questão do jubileu, que era para que todos pudessem voltar para a sua própria terra. Isso era algo muito marcante. Então, o que acontece aqui, é que o filho rasga um pedaço de quem era o pai. E vai para uma terra distante. Ele sai pelo caminho. E o seu pai só pode olhar, na partida do filho, um terço dos seus bens indo embora.

parte da sua identidade, ido embora. E um filho inteiro, indo embora. E o filho vai. E agora, focamos totalmente nele, e diz o texto, o texto não elabora muito, mas fala que ele viveu dissolutamente e perdeu tudo o que ele tinha. E aparentemente, não era pouca coisa. Até pela sequência do que nós vamos ver. E diz o texto que ele viveu dissolutamente. O que é interessante é que essa não é uma palavra que tem um juízo moral sobre o filho.

Não diz como ele desperdiçou o dinheiro dele. Só diz que ele viveu de forma irresponsável, desordenada, gastando tudo o que tinha. Talvez tenha feito maus negócios, talvez tenha dado festas demais. Não diz que ele gastou de forma imoral, mas gastou de forma irresponsável. Então ele perdeu tudo. Ele foi em busca de liberdade. Rompeu com os laços do seu passado. Rompeu com seu pai, rompeu com seu irmão, rompeu com a sua comunidade. Foi para uma terra distante para tentar ganhar a vida. E perdeu tudo.

Perdeu tudo. E diz o texto que depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidade. Se ele não tivesse perdido tudo que ele tinha, ele já teria passado dificuldade. Porque numa fome, a fome atinge a todos.

Todos perderiam, todos iriam perder dinheiro em uma crise financeira. Nós vemos por aí a história do mundo, no nosso país. Uma crise financeira atinge todo mundo, alguns em maior e menor grau. Quem tem mais, sente menos. Quem tem menos, sente muito. E agora que ele não tinha mais nada, ele iria sentir muito. Diz o texto que ele começou a passar necessidade. Ele começou a passar fome. E, pelo visto, ele estava sozinho. Porque ninguém ampara ele.

Ele não formou novos laços. Ele não formou amigos. Ele não formou uma comunidade. E ele estava sozinho. Ele estava sozinho. E diz o texto que então ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra. E Eixo mandou para os campos aguardar porcos. Ele chega no fundo do poço.

Porque cuidar de porcos era algo inimaginável para um judeu. Se tinha um animal que era símbolo da impureza, era o porco. E aqui nós já podemos perceber que ele não está mais nos arredores de Israel. Porque um judeu não criaria porcos, ele provavelmente está numa terra gentílica. E talvez esse homem que ofereceu para ele cuidar dos porcos tenha feito isso. Sabe aquela proposta que a pessoa faz na proposta para o outro recusar?

Esse cara é judeu, está aqui me perturbando. Quer cuidar dos meus porcos? Achando que ia negar, mas não negou. Tamanho era o desespero dele. E ele vai cuidar dos porcos. Agora ele está pobre. Ele está sozinho. Ele está impuro. E ele continua com fome.

Porque diz o texto que ele queria se fartar. De alguma forma, ele queria se encher das alfarrobas que os porcos comiam. E as alfarrobas eram pequenos grãos que eram tirados dos arbustos. Era um grão amargo, um grão que não dava nem para os animais. Era só em caso de fome. Já que não tinha nada para dar para os animais, vamos dar as alfarrobas. Ele queria comer algo que não era nutritivo, que era amargo, que não ia matar a fome dele, porque ele estava desesperado.

E, de alguma forma, a fome vai passando e o que acontece é que o trabalho dele também acaba. Porque se aquele homem tinha porcos, em algum momento ele ia comer os porcos, ia vender os porcos, ia fazer dinheiro e não ia sobrar nada. O trabalho dele também ia acabar. O período que passa aqui, talvez cuidando desses porcos, na fome tenha sido um período de semanas, talvez meses, dele nessa situação. E ele fica ali, tentando, de alguma forma, se fartar, mas ele não consegue.

E diz o texto que mais ninguém lhe dava nada. Isso pode indicar tanto que o Senhor dos porcos não permitia que ele comesse a comida dos porcos, porque ele queria que os porcos se alimentassem, como também pode indicar que ele chegou no estado de mendicância. E mesmo assim ele não recebia nada. Pobre, sozinho, impuro, mendigando.

Esse é o estado do filho mais novo, que achava que talvez fosse ganhar o mundo por conta própria. E diz o texto que, então, Caim de Si disse, quantos trabalhadores de meu pai tem pão com fartura e eu aqui morro de fome? O texto traz uma ideia de que, realmente, de repente,

Ele se lembra da casa de seu pai. Ele se lembra de onde ele veio. E ele se lembra qual era a situação na comunidade onde ele vivia. A gente pode até tentar imaginar aquele homem sujo, sem ninguém, passando fome, sentado em algum canto, pensando, não foi essa vida que eu planejei para mim quando saí da casa do meu pai.

E então vem o estalo. A casa de meu pai. Na casa de meu pai, até o menor dos servos tem comida com abundância. E então, ele começa a bolar um plano. Um plano para que ele possa voltar para a casa de seu pai. E o que é interessante é que esse homem aqui, esse filho mais novo, ele ainda não abriu mão de ter o controle das coisas.

ele ainda não abriu mão do seu orgulho. Porque aqui, ele ainda está bolando um plano para que ele possa ser aceito pelo seu pai. Ele ainda não está confiando em graça, ele não está confiando em arrependimento, ele está bolando um plano. Nós vemos o plano assim, ele diz, levantar-me-ei e irei ter com meu pai. Primeira parte do plano, vou sair daqui, vou voltar para a casa de meu pai.

E ele diz, e lhe direi, pai, pequei contra o céu e diante de ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus trabalhadores. Aqui ele prepara um discurso ensaiado para poder voltar para a casa do seu pai. Ele vai confessar para o pai que ele pecou. Mas a perspectiva aqui é que ele quer reparar o dano que ele fez ao seu pai, sendo agora um trabalhador do seu pai.

Então, o contexto é, o filho, ele voltaria para casa, talvez, muito rico, ou talvez fracassado. As duas opções. Se ele voltasse muito rico, estava tudo certo, porque ele poderia cumprir a sua obrigação com o seu pai de sustentá-lo na velhice. Mas agora que ele perdeu o dinheiro, ele fracassou com o pai, ele pecou contra o pai. Então, ele bola um plano de voltar.

E ele precisaria encarar não só o pai, mas ele precisaria encarar também o irmão dele e precisaria encarar a comunidade que ele abandonou. E isso seria um problema, porque se ele voltasse para a casa do pai dele, agora, aquilo que tinha na casa do pai dele era do irmão dele. Ele voltaria para a casa do pai e iria começar a consumir os bens do irmão dele. Isso seria um problema muito grande com o irmão dele, que, pelo visto, as relações não eram muito boas.

Então, o plano que ele bola é de voltar, pedir perdão para o pai porque fracassou em administrar o dinheiro e pedir para agora trabalhar como um servo assalariado. Não era nem um servo dentro da casa. A palavra que ele usa não é o dolos, a palavra famosa que nós sabemos para servo dentro da casa. Porque se ele se tornasse um servo dentro da casa, era como se ele fizesse parte da família. Da mesma forma, ele estaria consumindo os bens do irmão dele.

E de alguma forma ele teria que se submeter ao pai e ao irmão. Então a proposta dele é ser um trabalhador assalariado. Que é aquele que morava fora da casa. Morava na comunidade. E dessa forma ele ia receber um salário do pai. Trabalhar para o pai. Pagar a dívida que ele tinha com o pai. Não ia mexer com o irmão dele. E continuaria sendo independente. Esse era o plano dele.

era um plano de tentar se redimir pelas suas próprias forças. Ele precisaria ainda assim encarar a comunidade. A comunidade não tinha jeito. Iam zombar dele, iam talvez até hostis a ele, por causa daquilo que ele fez e porque ele voltou fracassadamente para casa. Mas era melhor do que ele estava vivendo. Ele pelo menos ia poder ter um trabalho, ia ter dignidade, ia talvez pagar a dívida dele.

E continuaria independente. Não causaria problemas com ninguém. E então, ele volta para casa. Lemos o texto que ele volta. Ele volta, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou. E, compadecido dele, correndo, o abraçou e o beijou.

Jesus vai trazendo várias reviravoltas nessa história. Não sei se vocês já viram algum filme ou leram alguma história e que cada hora acontece uma coisa diferente e você não consegue acompanhar. Toda hora tem uma reviravolta. Essa história de Jesus é assim. Esse filho então volta. Volta provavelmente sujo. Volta maltrapilho. Volta talvez mais magro. Cansado. Com certeza não era uma figura bonita voltando pelo caminho.

Mas diz o texto que o seu pai o vê de longe. E isso é interessante também, porque esse pai era um senhor de terras. Nenhum senhor de terras ficava à toa durante o dia olhando pelo caminho. Ele normalmente estava cuidando dos servos, estava trabalhando, estava fazendo muitas coisas. Mas pelo visto esse pai, talvez desde o dia que seu filho foi embora, todos os dias ele parava um pouco para olhar pelo caminho.

Todos os dias ele olhava na expectativa de seu filho pudesse voltar. Seu filho podia ter morrido, seu filho talvez pudesse nunca voltar, mas ele estava lá olhando, aguardando um filho que só fez mal a ele. E diz o texto que de longe ele vê o seu filho. E a gente vê que esse pai realmente conhecia o filho. Porque com certeza o filho não voltou do jeito que foi.

mas ele reconhece o filho, talvez pelo andar, pela postura. De longe ele vê o filho chegando. E diz o texto que ele sai correndo. Talvez para nós isso não seja tão impactante. Mas para aquele contexto é muito. Um patriarca de família jamais corria. Correr era para crianças e jovens.

Um homem respeitável jamais corria. Tudo ele faria andando. Ele não se dirigia às pessoas. As pessoas se dirigiam a ele. Mas naquele momento a gente vê aquele homem vendo uma pessoa que o humilhou profundamente, que o desprezou. E ele sai correndo no meio da cidade. Ele sai correndo pelo caminho.

E ele se lança até aquele filho e o abraça e o beija. Ele ter saído correndo, com certeza agitou a cidade. Porque, como eu falei, um homem como aquele não saia correndo. Mas ele saiu correndo. Com certeza, você pode imaginar aquele senhor correndo, as roupas esvoaçando e cabeça se levantando. O que está acontecendo? Por que ele está correndo? Podem ter achado que aconteceu alguma coisa, perigo. Estamos sendo atacados. E todo mundo se dirige a olhar para aquele homem correndo.

E todo mundo vê que aquele homem está correndo em direção a um mendigo. E de repente as pessoas veem aquele homem abraçando o mendigo. Beijando o mendigo. E as pessoas começam a se juntar para ver o que está acontecendo. Os servos daquele homem começam a se juntar para ver o que está acontecendo. O que está acontecendo aqui? E nesse momento a gente vê o pai se humilhando. Mais uma vez. A gente vê o pai abraçando aquele homem, aquele filho e beijando.

E a palavra usada para beijar é um beijar comum do Oriente Médio, que é um beijar repetidamente, beijar no rosto assim repetidamente, que era um sinal de comunhão, era um sinal de paz, era um sinal de amizade. O filho não teve oportunidade de dizer nada. Ele tinha todo um plano bem elaborado para poder, de alguma forma, reaver a relação com o pai, trabalhar para o pai. Mas naquele momento...

antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o pai se lança sobre ele com amor inimaginável. Se derrama sobre ele com amor incompreensível. E diz o texto que então o filho diz, pai, pequei contra o céu e diante de ti, já não sou digno de ser chamado teu filho. Ele não vai até o final do plano dele.

Ele não se oferece para trabalhar para o pai dele. Nós podemos ver que aqui nesse momento, o arrependimento chegou até ele. O arrependimento pelo que ele fez. E esse arrependimento só é possível porque o pai o amou de forma incondicional. Porque o pai o perdoou de forma incondicional. Porque o pai se lançou sobre ele apesar de tudo que ele fez. E o abraço e o beijo.

E aí ele só pode dizer, pai, eu pequei contra ti. Eu não sou mais digno de ser chamado teu filho. Porque eu pequei. E diante da declaração do filho, o pai não diz nada para o filho. O pai vai dizer por meio das atitudes que ele vai tomar.

E ele chama os seus servos, que provavelmente já estavam ali. Devia ter um grupo já de pessoas observando aquela cena. E agora, o que aconteceria? Qual deveria ser a atitude dos servos do pai com relação a esse filho? Porque esse filho é aquele tipo de deserdado, aquele que não merece respeito de ninguém. E o pai fala, tragam a melhor roupa e coloquem nele. Traguem o meu anel e coloquem nele.

Tragam sandálias e coloquem nos seus pés. O pai começa a restaurar o filho perante a sua casa e perante a comunidade. Porque se o filho tivesse chegado na comunidade antes do pai ter ido até ele, ele já seria recebido coxilidade por causa daquilo que ele fez. Mas o pai se antecipa e sai da própria cidade para que quando o filho volte, o filho já está restaurado. E a comunidade não vai ter nada para dizer.

E tudo aquilo que o pai faz em favor do filho tem um símbolo muito grande. O pai fala, traga a melhor roupa e coloque sobre ele. E de quem era a melhor roupa? Era do próprio pai. O pai era a pessoa mais importante na casa. E a melhor roupa ele usava para qualquer ocasião? Não. Ele usava para grandes festas. Ele usava para momentos importantes. Era uma roupa que toda a comunidade conheceria, porque só era usada em ocasiões especiais.

E o pai fala, tragam essa roupa e coloquem sobre ele. Agora o filho era mais uma vez o filho.

Ele estava identificado com o pai. Ele seria honrado por todos. O anel devolve a autoridade do filho. Era o anel que o pai usava para governar. Era o anel que usava para fechar negócios, para selar. O filho não voltaria sem autoridade. Ele voltaria com a mesma autoridade que ele tinha antes. E ele recebe sandálias. Só quem andava descalço eram os servos. Ele não era um servo. Ele era um filho.

E é dessa forma que ele é recebido de volta. E ao voltar para casa, o pai ainda manda, matem o novilho cevado, matem o novilho cevado e vamos dar uma grande festa, porque esse meu filho estava morto, mas ele reviveu. O novilho cevado também é algo significativo. Era o melhor animal da casa, era um animal grande, que era para poder fazer uma festa para muitas pessoas.

Dizem os estudiosos que na antiguidade um novilho cebado só era morto em ocasiões muito especiais. Se o governador viesse visitar aquela comunidade, se o filho mais velho fosse casar, era algo grandioso. O pai mata o novilho cebado por quê? Porque a festa não era só para casa, a festa era para a comunidade inteira. A comunidade inteira precisava ver que aquele menino estava vivo, que aquele menino estava restaurado, que ele havia sido redimido pelo seu pai.

E o pai manda matar o novilho cevado. E a festa, então, vai começar. E as pessoas vão se congregar. As pessoas vão se reunir. Todos vão se envolver ao redor do filho. A comunidade não teria nada para dizer contra o filho. Porque o próprio pai havia colocado o filho em posição de honra. Restaurado. Digno. Com autoridade.

E é interessante que a gente vê, ao longo de toda a história, esse filho mais novo é cheio de atitude. Ele chega, afronta o pai, ele chega e vai trabalhar dos porcos, ele pensa, eu vou voltar para casa, eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo. Mas agora, ele não faz mais nada. Ele agora simplesmente é carregado pelo amor do pai. Não diz mais nada.

Ele simplesmente agora começa a receber tudo aquilo que ele um dia rejeitou. Sem dizer uma só palavra. Ele agora não está mais no controle. Ele agora só está recebendo o amor do seu pai. E o texto avança e a gente vê toda essa festa começando e agora o foco vai mudar. Nós vamos ver a partir do verso 25. Ora.

o filho mais velho estivera no campo e quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Até então, o filho mais velho, que apareceu lá no começo, esse cara caladão, que não quer se meter com nada, isolado, a gente vai ver agora como realmente ele já estava isolado, dentro de casa. O filho mais novo estava perdido no mundo. O filho mais velho estava perdido dentro de casa.

Pelo visto, o filho mais novo chegou ainda em um momento que estava claro o dia, porque ainda tinha gente no campo trabalhando, inclusive o filho mais velho. E quando o filho mais velho chega, ele percebe que tem uma agitação acontecendo na comunidade. A aldeia está em festa. E ele percebe pelas músicas, pela dança, que a festa está vindo da casa dele. E mais uma vez, Jesus apresenta um personagem bem duvidoso. Porque que filho?

ouve barulho de festa na casa, e em vez de entrar, começa a ficar desconfiado e a assuntar o que está acontecendo. Isso também não era comum. E diz o texto, então, que ele observa o que está acontecendo e ele chama um dos garotos que está na porta para conversar. O texto fala criado, traduz criado, muitas versões traduzem como servo, só que a melhor tradução seria, de fato, um garoto.

Por quê? Porque as casas na antiguidade, elas não davam direto para a porta. Tinha um grande pátio na entrada. E se tinha um grande pátio na entrada, era muito improvável que algum servo estivesse naquele pátio, em vez de estar dentro da casa trabalhando freneticamente numa festa feita de última hora.

Ao mesmo tempo, ele também se refere ao pai do filho mais velho, não como meu senhor, mas como teu pai. Então, talvez fosse um garoto da comunidade, porque apenas os adultos participavam da festa. Mas era comum que os garotos ficassem do lado de fora, tentando ver o que estava acontecendo, entender o que estava acontecendo. E diz o texto que o filho mais velho começa a fazer uma série de perguntas para aquele garoto perguntando o que está acontecendo.

Por que está tendo essa festa? Em vez dele entrar, conversar com o pai dele, assumir o seu papel,

Ele está lá fora, desconfiado. E ele começa a assuntar o que está acontecendo. E ele descobre, então, que o que está acontecendo é que o irmão dele voltou. E o pai dele matou o novilho cevado e está dando uma festa para a cidade inteira. E aí, então, o filho mais velho fica revoltado e se recusa a entrar. E agora a gente entra num outro processo de insultos e ofensas ao pai.

Porque o filho não querer entrar para a festa, não é que nem hoje em dia que alguém vai dar uma festa, não quero participar, vou para o meu quarto, fica quieto. Havia uma expectativa social, familiar e comunitária daquilo que os familiares deveriam fazer em uma festa.

Quando um patriarca dava uma festa, toda a família deveria comparecer. Quando um patriarca dava uma festa, todos deveriam participar da festa. E o mais importante nessa festa era justamente o filho mais velho. O filho mais velho seria o mestre de cerimônias. Ele que deveria vestar o tom no comendo, ele que deveria receber os convidados, ele que deveria guiar os servos. Em alguns contextos, de forma simbólica, o filho mais velho ficava até descalço numa ideia de que ele era servo de todos naquela festa.

mas ele não entra na festa. E isso era uma ofensa ao pai, mais uma vez, na medida daquela comunidade que todos veriam. Porque todos viram que o filho mais velho não entrou, ficou do lado de fora. Isso era mais uma ofensa terrível àquele homem. E o que nós poderíamos esperar daquele contexto é que diante de uma ofensa como essa,

o patriarca enviasse um servo para obrigar o filho dele a entrar e depois punisse o filho dele na frente de todos pela ofensa. Mas nós vemos mais uma vez esse homem se humilhando em favor de um filho. Porque o homem, o pai, ele sai de dentro da própria festa dele. Ele deixa todos os seus convidados lá dentro. E ele vai atrás do filho. Mais uma vez.

O pai indo atrás do seu filho. De forma graciosa, de forma amorosa. E mais uma vez ele derramando o amor sobre um filho que não merece. E quando ele vai perguntar para o filho o que está acontecendo, o filho começa a ofendê-lo, nem chama ele de pai. Começa a falar que esse teu filho nem chama o irmão de irmão, nem chama o pai de pai. Mostra um rompimento total com a família e diz o texto.

Mas ele respondeu ao seu pai, há tantos anos que te sivo sem jamais transgredir uma ordem tua. E nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, esse teu filho que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cebado. Ele começa a acusar o pai de todo tipo de coisa. Você é injusto, você é parcial, você nunca me deu nada. E você agora recebe esse pecador.

que gastou o dinheiro com meretrizes, de volta na sua casa, e dá uma festa para ele. E aqui ele está totalmente equivocado em tudo que ele fala. Primeiro, ele mostra que a alegria dele não é a alegria do pai. Ele queria um cabrito para se alegrar com os amigos dele. Ele não tem comunhão com o pai dele. Ele tem uma justiça própria muito forte. Eu nunca fiz nada de errado.

Não tem relação com o pai. Não servia ao pai por amor. Ele acusa o irmão de gastar o dinheiro com meretrizes. Por quê? Porque era uma das piores ofensas que pudesse ser feita naquela época. Não existe nada no texto que diga que o irmão dele gastou o dinheiro de forma imoral. Mas ele acusa o irmão disso. Ele está totalmente rompido com o seu irmão, com o seu pai, mesmo estando dentro de casa.

E o pai ouve todas aquelas ofensas e mais uma vez derrama amor sobre o seu filho. Então lhe respondeu o pai, meu filho, tu sempre estás comigo. Tudo que é meu é teu. E era de fato. O pai já tinha separado os bens. Tudo que o pai tinha era do filho mais velho. Nada seria comprometido. E fala, você está sempre comigo. Tudo que eu tenho é teu. Literalmente era do filho mais velho mesmo.

o pai se oferece em graça àquele filho. E ele chama aquele filho à consciência de que ele deveria se alegrar, porque o irmão dele voltou. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.

E é por isso que essa parábola termina de uma forma tão brilhante. Porque a gente não vê a conclusão da história. Da mesma forma que a gente espera que aconteceu com a ovelha perdida, todos se alegraram. Aconteceu com a moeda perdida, todos se alegraram. Aconteceu com o filho mais novo, todos se alegraram. Será que todos se alegrariam porque o filho mais velho voltou? A gente não sabe. Mas é justamente porque é o contexto que Jesus está contando a parábola.

Havia pessoas que não estavam se alegrando pelo retorno daqueles que estavam perdidos. Mas permaneciam do lado de fora, sem querer participar do banquete. O texto começa com Jesus recebendo pecadores para comer. E agora, mais uma vez, um banquete está oferecido para todos aqueles que quiserem vir. Mas é preciso que haja arrependimento. É preciso que haja reconhecimento do amor do anfitrião.

que haja reconhecimento da graça do anfitrião. E é dessa forma que o texto termina para nós. Será que o filho mais velho iria entrar? Será que os fariseus e escribas iriam entrar? Será que nós vamos entrar para o banquete? Porque cada um de nós já pôde, de alguma forma,

se ver em algum desses dois filhos. Talvez perdido no mundo. Vivendo pelos prazeres. Talvez perdido em casa. Tentando fazer tudo do jeito certo. Mas em todo caso, os dois buscando aceitação e redenção pelo próprio esforço. E não confiando no amor gratuito do pai. Esse pode ser o caso...

de alguém aqui hoje. Talvez você esteja já há muito tempo vivendo pelos seus prazeres, mas o Pai derrama o amor sobre você, para que você venha e se arrependa. Talvez você já esteja há muito tempo sendo, aparentemente, o melhor crente possível, mas você está distante do Pai da mesma forma. E o Pai vai até você.

com amor, para que você entre e participe desse banquete. A única forma desses filhos perdidos serem restaurados era pelo amor humilhante do Pai. A única forma de nós termos sido restaurados foi pelo amor humilhante de Deus. Em Cristo Jesus, Deus se humilhou. Em Cristo Jesus, Deus se fez homem. Em Cristo Jesus, Deus morreu na cruz. Em Cristo Jesus, Ele ressuscitou.

E Ele continua a derramar um amor infinito sobre nós, porque Ele está vivo. Cristo está vivo e derrama esse amor para que nós nos arrependamos e voltemos para Ele. E da mesma forma, diferentemente do irmão mais velho da parábola, que era um irmão tão falho, Jesus é nosso irmão mais velho. E Ele cumpre o papel que aquele irmão não cumpriu. Ele veio nos conciliar com o Pai.

às custas da sua própria herança, às custas da sua própria vida, para que nós pudéssemos mais uma vez nos colocarmos diante de Deus, perdoados e restaurados, porque Ele nos amou primeiro. Essa parábola, ela realmente nos mostra a grandeza, a profundidade e a beleza do Evangelho de Deus.

de como nós, perdidos, ingratos, ainda assim, recebemos um amor gratuito. E somos convidados a adentrarmos a grande festa. A Bíblia nos fala de um grande banquete celestial no fim dos tempos. E por causa do grande amor de Deus em Cristo Jesus, todo aquele que se arrepende e recebe esse amor.

pode participar desse banquete. A palavra de Deus nos convida hoje. O Senhor Jesus nos convida hoje a não tentarmos mais conquistar qualquer coisa pelas nossas forças, mas simplesmente recebermos o amor do Pai que se humilha em nosso favor.

Pare de tentar fazer as coisas do seu jeito. Pare de tentar ser um trabalhador perfeito. Pare de tentar conquistar a herança celestial pelas suas forças. Receba tão somente o amor de Deus e seja carregado por esse amor. Seja transformado, seja quebrantado.

E como o filho mais novo, se assente na posição de honra. Não por causa do que você fez, mas porque a justiça de Cristo está sobre você. Então todos juntos celebremos. Celebremos a vitória de Cristo. Celebremos a vitória do amor de Deus. E nos alegremos por tantas pessoas que Deus ainda vai trazer para esse banquete.

Que Deus nos abençoe. Vamos orar? Pode se colocar de pé, por favor. Santíssimo Deus, obrigado pela tua bendita palavra. Obrigado, Deus, porque nas parábolas de Jesus nós podemos ver quem nós somos e ver quem o Senhor é.

Nós somos como esses filhos perdidos. Mas o teu amor nos alcançou. E nós te bendizemos por isso, ó Deus. Pedimos que o Senhor nos traga esse verdadeiro arrependimento. E que nós possamos tão somente confiar no teu amor que nos resgatou. Perdoa os nossos pecados. Transforma nossas vidas. E que possamos nos alegrar.

por tão grande salvação que nos alcançou e que continua a alcançar pessoas no mundo. Que nós possamos, ó Deus, trabalhar para trazer essas pessoas para Ti, para participarem do grande banquete na Tua presença. Nós oramos em nome do Senhor Jesus. Amém.

Pr. Ivan | OS FILHOS PERDIDOS| Lucas 15:1-32 | Castnews Index — Castnews Index