Episódios de Podcast Para Tudo

#279- Ter um hobbie, filme obsessão, bailarina Marietta Baderna

10 de julho de 202631min
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Um episódio com mil assuntos vindos da cabeça de uma aquariana: comento sobre Marietta Baderna, filme Obsessão, ter hobbies nas férias, romper com psicólogo por posicionamento político e mais!
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👵🏼 Lorelay Fox é Drag Queen há quase 20 anos e, nesse loreverso, falamos sobre ETs, conselhos (ruins), dicas de maquiagem e assuntos cotidianos.
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Participantes neste episódio1
L

Lorelay Fox

HostDrag Queen
Assuntos5
  • Marietta BadernaBailarina absoluta · Imigração para o Brasil · Transgressão social · Cultura afro-brasileira · Reação popular
  • Relação com psicólogosQuebra de vínculo profissional · Posicionamento político de terapeutas · Separação entre vida pessoal e profissional · Nicolas Ferreira
  • Hobbies e tempo livreCrítica à inatividade nas férias · Importância de ter hobbies · Naturalização de hobbies em família · Aquisição de novos hobbies
  • O filme ObsessãoDesejos e suas consequências · Medo de pedidos extremos · Experiência de cinema
  • Carater PessoalDefinição de identidade · Crítica social e psicológica · Função no capitalismo
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LFLorelay Fox

Olá, este é o podcast Para Tudo. Aqui é um lugar pra todo mundo, pra falar sobre tudo. Um lugar pra gente comentar aquilo que aconteceu na semana, pensamentos aleatórios, dicas interessantes ou não. E eu sou o Lorelay Fox, então vem comigo. Olá pessoal, eu sou o Lorelay Fox e você? Quem é você? Você sabe quem você é? A gente é o que o nosso nome define quem a gente é? Não sei. É, sem contar que Lorelay Fox também não é meu nome.

É meu nome, como é que fala, meu nome artístico, meu nome artístico, porque eu sou artista, né? Sou artista, artista é minha profissão. Eu sou a minha profissão? Não posso ser, né? As pessoas falam assim, ai, se apresenta, não sei o que lá. Mas se você se apresentar falando a sua profissão, não é certo. Ai, gente, mas também acho chato, porque, por exemplo, as pessoas fazem uma crítica psicológica e social se você se apresenta e fala assim, ai, eu sou, meu nome é Danilo, eu trabalho como drag quem, trabalho como publicitário, sou formado nisso, naquilo.

Na verdade, a gente tá falando sobre a nossa função dentro do capitalismo. A crítica é meio essa, o que é verdade. Mas também a gente vai se definir como o quê? Se você pergunta assim, ai, quem é você? E a pessoa fala assim, nossa, eu sou uma pessoa cheia de sonhos e ambições, eu vou revirar meu olho e pensar assim, ai, que chata, tonta. Ninguém quer saber, sabe? Se a pessoa nem te conhece, ela não quer saber do lado, do seu lado emocional, psicológico e nada assim.

A pessoa quer saber uma coisa a prática que ela possa emendar o assunto rápido e se livrar de você logo em seguida. Basicamente é isso. Então aprendam a se apresentar sem ser chata. Uma coisa que eu aprendi também num livro, acho que foi num livro que eu li isso, mas hoje em dia é uma coisa que todo mundo comenta na internet, é que quando você apresenta alguém para outra pessoa, tipo, ah, esse daqui é o fulano, você tem que dar uma deixa para as pessoas começarem a conversar.

Daí você vai apresentar seu amigo. Ah, esse daqui é meu amigo, é, sei lá, quem que é meu amigo, gente, que não seja influenciador? Esse daqui é meu amigo Alan, ele é psicólogo. Você joga uma assim. Eu vou falar assim: ah, esse daqui é meu amigo Alan, ela é completamente louca e ela chora à noite. Não, você tem que apresentar as pessoas a partir do que elas fazem. Por isso que eu falo, gente, não sejam desempregados. Como é que eu vou apresentar vocês?

Olha, essa daqui é minha amiga fulana, ela tá desempregada. Não, né, Deise? Não tenho o que falar das pessoas. Na verdade, eu acho que esse é o único motivo real pelo qual a gente deve trabalhar. Não é pelo dinheiro, não é para se sustentar, não é porque a gente vai passar fome, morar na rua. É porque a gente precisa ser apresentado de alguma forma. E sim, sou a favor de ser apresentado a partir do nosso trabalho, tá? Eu acho que traz perguntas.

Ai, que legal, você faz isso? Mas também é aquilo, todo trabalho que a pessoa vai ter gera uma pergunta que a gente possa fazer. A gente tem que fingir interesse, né? Uma coisa que eu descobri, uma coisa que eu acho que eu tenho esse talento, é fingir interesse nas coisas. Talvez por isso eu faça boas entrevistas, a louca, na Lore Live. É porque você tem que fingir interesse. A pessoa pode ser super boring, super chata, sem graça, e você finge interesse e finge que, divertido, nossa.

Se bem que não é fingir interesse, né? Eu acho que eu tenho interesse genuíno pelas coisas mais banais da vida. Acho que eu tenho esse maravilhamento pelo outro. Mas daí eu queria trazer aqui para vocês um tweet que me marcaram. Quem me marcou? Cadê a pessoa que me marcou? Não vou estar achando a pessoa que me marcou aqui. Lá no Twitter, do @pensar_historia. Vou ler para vocês mais ou menos sobre o que eu comecei aqui o assunto, né?

Imagina você ser uma pessoa capaz de escandalizar tanto a sociedade a ponto do seu nome parar num dicionário. Foi exatamente isso que fez a bailarina Marietta Baderna, nascida há exatos 198 anos, em 8 de julho de 1828. A primeira bailarina absoluta do Teatro alla Scala de Milão, Marietta Baderna imigrou para o Brasil em 1849, fugindo dos conflitos da unificação na Itália. Ela logo se consagrou como uma das artistas mais célebres do período imperial, encantando as plateias do Rio de Janeiro com sua elegância e virtuosismo.

Linda ela, gente! Tem aqui uma foto dela, tá? Enfim, queen, né? Bailarina, né, gente? Bailarinas, elas são superiores. O que as bailarinas aguentam, o Neymar jamais aguentaria. Pior que é verdade, né? A maioria desses outros— tudo bem que balé não é um esporte. Balé é considerado um esporte, gente? Por que que dança? Dança não é considerado esporte, é só arte, gente. Não, dança também é considerado esporte aqui nesse canal, a louca.

Mas enfim, elas sofrem, né? O pé delas tá tudo assim arregaçado, gente. Como que pode? E são tão fofinhas, tão delicadas. Às vezes acho que elas são até bailarina para compensar, porque um lado delas é todo delicado e fofo, outro lado é completamente ogro. Enfim, a lua de mel, entretanto, durou pouco tempo. Os hábitos transgressores da bailarina escandalizaram a sociedade conservadora e escravocrata do Império. Marieta gostava de festas, comparecia aos bailes populares e fazia amizade com os escravizados.

Mais do que isso, a bailarina costumava frequentar redutos negros para participar dos rituais das rodas de yundu e da umbigada, dançando junto com os cativos. Ai, gente, ela era do fervo, ela era gente como a gente, ela gostava de ir para Baixa Augusta, ela queria ferver com o povo, ela não era Faria Limmer. Encantada com a cultura afro-brasileira, Marieta passou a incorporar o gingado e os passos dos yundus em suas apresentações.

E os indivíduos das camadas populares com quem fazia amizade passaram a frequentar as sessões abertas do Teatro São Pedro para prestigiar a bailarina. Quando Marieta Baderna entrava em cena, seus admiradores, ditos baderneiros, faziam uma algazarra, aplaudiam efusivamente, batiam com os pés no chão, assobiavam, gritavam seu nome, chocando a aristocracia na plateia acostumada à reverência silenciosa dos espetáculos artísticos. A incorporação de elementos afro-brasileiros na dança e a presença do povo nos teatros logo incomodaram a sociedade racista, pudica e elitista do Império.

O nome de Maria Tabaderna passou a ser associado à bagunça, à desordem, à indecência e à depravação. Ai, gente, imagina ter seu nome assim Ah, eu amei, eu amei, eu quero ser ela! Os empresários passaram a negar patrocínio aos seus projetos e, aos poucos, os convites para sua companhia de dança escassearam. Décadas depois, o sobrenome Baderna seria dicionarizado como sinônimo de bagunça e confusão. A história de Marieta Baderna é o tema do artigo de hoje para o Opera Mundi, A Louca.

Segue o link. Gente, eu amei essa história! Eu invejei a Marieta Baderna. Acho inclusive que ela devia se tornar uma santa dos baderneiros, de nós pessoas transgressoras, artistas. Isso daqui também me faz pensar, né? Os escravizados queriam causar, eles estavam lá festando e tal no meio do show, fazendo e acontecendo. Imagina só se a gente não tivesse essa mistura cultural. Tudo bem que ela veio por causa de uma, enfim, dos escravizados, né, que é uma história bem triste, mas ao mesmo tempo a cultura e o nosso jeito de ser vem mais disso do que da nossa parte europeia da história, né.

Tem que— eu fico assim, é muito bizarro quando a gente vê show, vê apresentação e tal, e as pessoas ficam completamente caladas e inertes ao que os artistas estão fazendo. Não dava, gente. Você via a Marieta Baderna, e o melhor é o nome Marieta também, né. Marieta com dois T's, gente, não é drag? Marieta Baderna. Gente, se você quer virar drag, tá aí um nome bom para você, viu? É um nome que já vem com história, é um nome que já vem ali com o peso de ser completamente louca.

Ela era completamente louca, né? Ela viu que os outros não queriam enxergar, ela via assim uma pulsão de arte e de vida acontecendo ali. Muito legal, muito queen. Pensar que ela veio da Itália também, né? Interessante. Gostaram dessa historinha? Para mais histórias, vale um livro. Enfim, deixa eu contar para vocês que um amigo meu entrou de férias. Aí eu tô muito falando das minhas amigas hoje, né? Vou apresentar esse meu amigo.

Ele aí, não vou falar o que que ele faz porque senão as pessoas podem saber que eu tô falando dele. Mas enfim, é um amigo de longa data e tal, mas eu converso mais pela internet do que ao vivo, não é um amigo próximo assim. Enfim, gente, colega de redes sociais. Mas daí postou uma história falando assim: ai, gente, entrei de férias hoje e como eu tô sem o que fazer, eu resolvi mostrar isso daqui para vocês. Daí tava mostrando tipo: ai, vou arrumar uma gaveta, sabe?

Uma coisa assim bem cotidiana, não sei o que lá. Eu olhei, parei e falei assim: caralho, gente, vocês não têm o que fazer na férias de vocês? Eu fiquei meio indignado porque eu penso assim: como assim não tenho o que fazer nas férias? Para que você quer férias? Então volta a trabalhar, bicha. Ai, mas eu quero ficar sem fazer nada. Daí eu penso assim: gente, eu não, eu não gosto de ficar sem fazer nada. Quer dizer, eu fico sem fazer nada, só que o sem fazer nada é fazer alguma coisa.

Você vai estar jogando um videogame, você vai estar desenhando, você vai estar escrevendo no seu diário, você vai estar— tem um milhão de coisas para fazer. Você vai estar já arrumando suas coisas para os enfeites de Natal desse ano, porque eu já estou fazendo isso. O tempo que eu tenho livre eu quero enfiar coisas para eu fazer. Mas daí eu também fui para outra reflexão assim: será que eu que tô errada e quero ser hiper produtiva?

Não. Começa— eu me fiz essa pergunta, tá? Cheguei à resposta de que não, porque primeiro as coisas que eu faço não são coisas produtivas, não produzem algo. Quer dizer, produzem, mas não é algo que eu penso assim: ai, tenho metas a bater, preciso entregar algo, entendeu? Tipo assim, ah, escrever num diário não é uma meta a se bater, é uma coisa que eu faço no meu tempo livre. Desenhar, que eu voltei a desenhar, e arrumar meus adesivos e ficar mexendo nas minhas revistas e não sei o que lá.

São coisas. Jogar videogame também é jogar o tempo fora, mas é uma coisa que eu adoro fazer. Enfim, entendeu? Ou tipo mexer no meu armário, tirar tudo, organizar todas as minhas coisas de maquiagem e tal, não sei o que lá, não sei o que lá. Isso são coisas para fazer que eu gosto de fazer e que eu penso, ai, se eu tivesse um tempinho livre, eu ia estar fazendo essas coisas, tá? E daí eu penso assim, ele não tinha o que fazer, ele teve que inventar o que fazer e precisou se filmar mostrando que tava fazendo para aquilo ter algum sentido.

Não tô culpando ele, só tô falando que eu realmente, a gente não entende como a vida dos outros funcionam. Eu não entendo. Pra mim, todo tempo que eu tenho livre, eu quero estar fazendo alguma coisa. Daí eu parei e pensei assim: tá, mas são coisas que não me sobrecarregam, então não me fazem mal, não me sinto mal por ter essas coisas pra fazer. Claro que coisas que eu realmente devia fazer, eu não quero fazer nesse tempo livre, porque também tem isso, né?

Eu podia estar adiantando alguma coisa, eu podia estar fazendo algo produtivo do meu trabalho, mas aí também já é demais. Mas o que eu quero dizer? Entendo que as pessoas às vezes não têm nada para fazer no tempo livre e às vezes elas falam, dão aquele discurso assim: ai, gente, 15 dias de férias eu já não sei mais o que fazer. Bicha, como não? Me dê um ano de férias para ver se eu não vou ter todo dia uma coisa para eu tá fazendo.

Todo dia, todo dia. Eu parei e percebi que isso é uma coisa da minha família. Meu pai quer estar fazendo alguma coisa, minha mãe quer estar fazendo alguma coisa, meu irmão não sei se ele é assim hoje em dia. Tá? Mas meu pai, quando ele não tava assim tão velhinho, ele tava sempre fazendo alguma coisa, mexendo em alguma coisa, arrumando alguma coisa para fazer, cortando madeira, fazendo um banquinho. Aí vou fazer uma colher com esse pedaço de madeira e ficava lá 3 dias fazendo uma colher, sabe?

Minha mãe fica lá bordando, é crochê. Aí vou aprender um ponto novo, aí vou aprender a fazer macramê. E alguém tá sempre fazendo alguma coisa. Eu acho que isso é uma das coisas mais legais que a minha família deixou de legado para mim. Além dos meus belos olhos azuis ou verdes, não sei. E porque meu pai e minha mãe têm olhos claros e meu irmão tem olho castanho escuro. Só quis deixar isso aqui. Mas além desse legado de beleza e nariz grande que eu recebi, a questão de ser natural você querer fazer um hobby, pra mim é muito importante.

Daí isso foi tão naturalizado dentro da minha vida. Não que eu ache que isso é incrível e blá blá blá, mas eu acho, tá, que isso é incrível. Desculpa, não que a gente faça hobbies incríveis também, não é nada disso, a gente não é a Marieta Baderna. Mas eu acho que eu vi, eu via as pessoas falando assim: ai, eu não sei o que eu gosto de fazer. Eu nunca entendi isso, porque para mim eu sempre tive um hobby, eu sempre tive uma coisa que eu gostava de fazer no meu tempo livre.

E isso é ensinado, isso é uma coisa que vem de família. Então vocês que estão tendo filho agora, que tem criança aí na sua casa, vocês vão ter que ensinar um hobby para essas crianças. E não se ensina um hobby para ela, você tenha o seu e ela vai querer ter o dela. Essa é a conclusão que eu cheguei depois de refletir sobre isso nos últimos dias, desde que eu vi um vídeo, um amigo meu falando que não tinha o que fazer, não sabia o que fazer, e era o primeiro fucking dia de férias da bicha.

Bicha, Sua vida é desinteressante assim? Vai aprender uma língua nova, não sei. É porque também não acho que— eu acho que a gente possa adquirir um hobby novo, acredito nisso. Mas igual jogar videogame é um hobby que eu não tinha, né? Eu fui ter agora, acho que desde 2019 eu jogo videogame. Antes eu nunca joguei, só quando era muito criança. Acho que a gente pode adquirir hobbies novos, mas também é uma coisa difícil saber onde está nosso hobby, né?

Se eu não tivesse crescido trabalhando isso em mim e deixando ter essa vazão, eu não saberia achar um hobby agora. A verdade é que eu fui lá fazer meu fanzine, contei já do fanzine para vocês, né? Deu um monte de gente tá pedindo para eu mostrar o fanzine. Eu vou mostrar, mostrei lá no grupinho do Telegram dos apoiadores, mas eu vou, acho que eu vou fazer um post no Instagram. Então eu fazendo o desenho ali do fanzine, eu falei, nossa, esses desenhos vai chegar uma hora que vai me irritar.

Gente, mas eu me empolguei tanto, eu comecei a enfiar tanto detalhe no desenho. Quanto mais detalhe eu colocava, mais satisfeita eu ficava. Eu me surpreendi. Então, eu achava que meu hobby de desenhar tava mais adormecido do que isso. Então, às vezes você pode, agora adulta, você ressuscitar um hobby que você tinha. Você pode se surpreender que você gosta desse hobby mais do que você imaginava. E você quer se dedicar mais do que você imaginava.

E a coisa vai dar certo. Eu acho que ler livros também é um hobby, gente. Eu gosto de ler revista. Né, óbvio que ler livro é um hobby, só que aquilo, hobby não pode ter meta, não dá para você meter, gente. Nem tudo dá para meter, nem tudo é fácil assim. Que agora tem essas metas de leitura, né, metas de leitura, metas disso, metas daquilo. Ai, Deus do céu, não dá para ser tão metelão assim, ninguém é. Ai, mas também que pessoa chata sou eu de querer impor o que eu acho que na minha vida funciona para vida dos outros, né?

Parece hétero querendo converter gay. Ai, gente, desculpa. Se vocês querem ser inúteis no seu tempo livre, fiquem à vontade. Retiro tudo que eu falei. Não tenham hobbies, tá? Não saibam o que fazer com o tempo livre. Não saibam quem são vocês sem estar produzindo para o capitalismo. Não saibam. Eu tô até envergonhado de tudo que eu falei. Ai, gente, mas basicamente a gente deseja para os outros aquilo que a gente acha que é bom para a gente.

É normal, né? É normal. E vocês são minhas filhas, além de leitoras, vocês são minhas filhas. Então eu realmente desejo que vocês sigam meus passos de sucesso, brilho e autoestima. Ai, socorro, chega, gente! Li uma frase essa semana, só que eu li em inglês, tá? E daí eu traduzi assim, é, querida, eu fiz a tradução: não querer algo é tão bom quanto ter esse algo. Eu parei e pensei, refleti, perguntei: isso faz sentido? Isso não faz sentido?

Isso faz sentido? Isso não faz sentido? A reflexão é a seguinte, tipo, é saber dirigir ou ter um carro, que é coisas que a gente quer, né? Tipo assim, ai, ter uma casa na praia. Se eu não quero ter essa casa, é tão bom quanto se eu tivesse, porque se eu não quero ter, nada daquilo vai me fazer falta. E quando eu tenho Nada daquilo também me faz falta. Isso fez com que eu me sentisse muito mais confortável com as coisas que eu não quero.

Tipo assim, a mesma coisa, a gente se entendeu como isso explode a cabeça, ou só explodiu a minha? Porque na minha cabeça fez tipo, nossa, isso realmente faz muito sentido. Quando a gente tem as coisas, a gente está ali no conforto da existência delas. E claro que daí você pensa, mas você não tá podendo usar uma casa na praia porque você não tem, então ter é muito melhor do que não ter. Não. E se eu não quero usar uma casa na praia?

Eu não, gente, eu descobri que eu realmente tenho muito medo de casa na praia porque eu tenho medo de um tsunami, tá? Esse é um assunto recorrente. Toda vez que eu vejo casas de frente ao mar, eu penso, esse povo é louco! Não precisa nem ser um tsunami, gente, um mar de ressaca, alguma coisa assim. Pelo amor de Deus, como vocês têm coragem de viver ali? Tem gente que é pé na areia, você sai no quintal, já tá na areia ali, o mar ali na frente.

Vocês são loucos, vocês não sabem como funciona o planeta Terra, gente? Pelo amor de Deus! A louca já escalonou para uma coisa meio— estou meio louca mesmo, gente, desculpa. Mas ao mesmo tempo, assisti aquele filme Obsessão. Filme Obsessão, não vou dar muito spoiler, tá? Mas basicamente ele fala sobre alguém que encontra um brinquedinho, uma lembrancinha que é um palitinho, palitinho. Se você quebra esse palitinho, você tem um desejo que pode se realizar e pode ser qualquer desejo.

E o filme fez com que eu ficasse pensando desde então que desejo que eu faria. Só que o filme também faz você ter medo do desejo que você fizer. Por exemplo, quero uma casa na praia, tá? Ele pode te colocar na pior praia do mundo, ele pode te colocar numa praia deserto, ele pode te colocar numa casa que não faça sentido para você, ele pode te colocar numa casa na praia e você nunca conseguir sair daquela casa na praia, entendeu?

A coisa pode ir para um lado muito absurdo das coisas. Ou você pode pedir aí R$1 bilhão e cai R$1 bilhão na sua cabeça e fica tudo bem, tá bom? Mas a chance do pedido ser extremo e dar muito errado, eu acho que são grandes. Inclusive, acho que é por isso que esse filme poderia ter continuações, né? Embora eu seja contra continuações hoje em dia, principalmente de filmes da Disney. Não que esse filme seja da Disney, mas eu fiquei muito pensando, vocês assistiram Obsessão?

Primeiro que é um filme que me deu medo real, me deu medo real. Tem algumas cenas ali que eu me arrepiei dos pés à cabeça, literalmente. Eu senti o arrepio vindo por todo meu corpo assim, ai, que cena estranha, que coisa ruim. E também era muito engraçado, você queria rir no meio do filme e rir mesmo, sabe? Não é tipo assim Dei um sorrisinho, eu dei risada no meio do filme. É meio absurdo assim. E foi uma experiência muito boa de cinema mesmo, assim, muito boa.

Fazia tempo que eu não tinha uma experiência assim de tantas sensações no filme de terror. E fiquei com medo também do nível de às vezes eu tá aqui em casa sozinho, lembrar do filme me dá um pouco de medo. Ai, que louca, porque nem é um filme de medo assim. Mas eu fiquei pensando o que que eu pediria, gente, o que que eu pediria. Será que a gente pode pedir ter mais pedidos e comprar outros palitinhos? Eu acho que não, né? É uma coisa meio assim.

Mas também não vou dar spoiler aqui sobre o pedido do menino no filme, né? Mas vocês já devem saber também, porque esse é meio que a sinopse do filme. Mas pedido meio tonto, né? Só que ele também não achou que ia funcionar o pedido. Tem isso também, a gente tem que acreditar no que a gente tá pedindo. Ai, gente, que medo! Eu não sei, eu vou comprar um palitinho desse e vou tentar. Que que eu pediria de verdade? Porque eu fiquei pensando assim, tá, Eu não respondi um vídeo lá no meu canal esses dias falando assim, ai, se você tivesse uma pergunta que pudesse ser respondida, o que você perguntaria?

E eu queria perguntar como é que faz a humanidade seguir para um futuro onde ela não destrua nem o planeta nem a si mesma, um futuro sustentável e positivo. Era esse o pedido que eu ia fazer, ou ia pedir para Pokémons existirem na vida real? São coisas assim difíceis, né? São coisas difíceis. Ou eu ia pedir para eu ter o mesmo corpo do protagonista de Rivalry. Gente, são escolhas difíceis. Para que que eu vou querer ter o mesmo?

Só que também, se eu pedisse para ter o mesmo corpo do Connor Story, gente, é tudo ia poder acontecer de estranho. Ai, tudo ia dar errado, gente. Eu ia virar o Connor Story e daí as pessoas iam começar a me perseguir. E daí eu ia tentar cortar meu cabelo, meu ele ia voltar para o mesmo momento, ou toda doença que o Conner tiver eu vou ter também, e tudo que ele tiver sentindo eu ia sentir também. E a coisa ia começar a tomar proporções assustadoras, ia ser muito divertido para um filme.

Por isso que eu acho que podia ter continuações, porque baseado no pedido de qualquer pessoa tudo pode acontecer, né? Tudo de pior pode acontecer. Ai, não sei, eu acho que— mas também se eu fosse pedir assim, ai, um futuro sustentável para a humanidade, para o planeta, tudo de ruim também podia acontecer segundo esse filme. É muito difícil acertar um pedido, né? E pelo visto todo mundo que compra reclama, todo mundo que compra o palitinho para quebrar reclama.

Daí é complicado. Por que que vocês continuam vendendo então? E por que que vende tão barato? Tem tantas perguntas sobre esse filme, a louca, que não precisam ser respondidas. Eu sei, não é sobre isso o filme. Falando nisso, gente, que não tem nada a ver com isso, na verdade eu tava lendo lá o grupinho do Telegram dos apoiadores. Lembrando que eu tenho um outro podcast além desse, que é o podcast Conselhos Ruins podcast tem um grupinho do Telegram onde as pessoas conversam sobre os episódios e conversam sobre temas aleatórios da vida delas também.

Tem posts, né, tem tipo o post que é o post conversinha, que é onde pode conversar sobre qualquer assunto. Daí cada episódio novo do Conselhos Ruins tem um post novo, daí você comenta ali suas opiniões sobre o episódio específico. Mas enfim, o menino aqui comentou uma coisa que eu fiquei pensando muito: oi leitoras, tudo bem com vocês? Quero saber a opinião de vocês. O que vocês fariam se descobrissem que sua psicóloga de 11 anos, que te tirou de várias crises de depressão, passou toda a sua vida adulta te acompanhando, e você descobre que ela segue o Nicolas Ferreira?

Gente, estou sem chão, não sei o que pensar, nunca ia imaginar. Devo saber separar quem ela é no pessoal do que ela faz como profissional? Daí perguntaram, nosso amigo que barra, você já conversou com ela sobre política? Já, minha família é Bolsonaro, rompi com todos, ela me apoiou, stalkeei, e ela não segue o presidiário. Então ela não segue o Bolsonaro, mas segue o Nicolas. Eu acho que é menos pior, gente, eu acho que é menos pior.

Acho inclusive que o Nicolas, ele tem ali uma, ele consegue acessar mais essas tias, sabe? Porque ele é um menino inteligente e bonitinho e não sei o que lá. É o próprio filho do capeta, né? Mas enfim, daí responderam: ai, não sei o que eu faria, porque quando eu falo de política com a minha, pelo menos parece que ela é mais de esquerda, mas porque minha família também é bolsonara. Daí as pessoas ficaram comentando aqui, eu fiquei assim: putz.

Outra que comentou: hoje aconteceu comigo, a minha foi na passeata a favor do Bolsonaro e intervenção militar. E colocou um emojizinho de coraçãozinho. Eu saí e encontrei outro profissional. Não adianta você se manter lá se o vínculo estiver quebrado. Hoje eu sou psicólogo e sei o quanto vínculo é essencial para o trabalho. Eu saí justamente porque não conseguia mais confiar. Claro que se você continuar gostando e confiando, se mantenha, mas a reflexão maior deve ser o que ela representa pra você hoje.

Profissionais bons tem de monte, não existe um psicólogo perfeito apenas. E olha que eu sou do ramo, preciso saber que como eu também tem diversos. Outra que comentou: procure não saber da vida pessoal da próxima profissional, você não precisa saber. Ai, gente, mas é meio— tudo bem que eu não sei da minha psicóloga o que que ela apoiava politicamente, mas é meio que, nossa, eu também não sei. Eu fiquei muito assim sentindo uma dor por essa pessoa porque é quebrar a imagem que ela tinha, né?

E o que o outro falou, né, o vínculo. Gente, precisa ter vínculo, não dá, não dá para você dissociar uma coisa da outra. Mas também eu fico pensando, ela era uma boa profissional, sendo que ela apoiava ele, ela, né, ela fez com que ele tivesse grandes revoluções na vida dele. E também quero saber como que se despede um psicólogo. Ai, amiga, não tá mais rolando, eu vou para o próximo, desculpa, não é você, é comigo. Uma coisa assim, ou a gente tem que contar para o psicólogo também, tem que gerar o incômodo também, porque já que a gente sempre falou tudo para o psicólogo, né, fala assim: olha, eu vi que você apoia isso e para mim você se tornou outra pessoa, para mim isso é, quebrou o vínculo.

Quebrou o vínculo é uma coisa bonita de se falar, né, para mim joguei um anel no vulcão, é isso, gente, acabou, quebrou, acabou a palhaçada, era tudo encenação. Né, mas não deixa de ser uma boa profissional. Nossa, mas o outro também, que a psicóloga foi para passear a favor da intervenção militar, aí você também quer acabar comigo, né? Aí você tem que ligar para polícia para levar a pessoa presa. Eu te falo aqui, ó, eu tô com a minha 12 anos e felizmente eu sei que partilhamos ideias políticas parecidas pelo que conversamos nas sessões, mas não acompanho rede social nenhuma dela.

Também acho que acompanhar rede social não faz sentido. Não faz sentido acompanhar rede social de ninguém, gente. A louca, tipo, porque a rede social, você acompanhar, seguir as pessoas, se tornou um ato de tipo cordial, né? Tipo assim, aí te conheci, vou te adicionar. Não, gente, adicionem pessoas das quais vocês querem ver o que ela está postando. Por que eu vou querer ver o que ela está postando? Você não quer um profissional que eu contratei, né?

Tipo, nem de influenciadores. Ai, gente, eu tenho pânico de seguir as pessoas, eu sou meio tonta a respeito disso. O psicólogo, né, comentou, mas tem gente que gosta, tá tudo bem. Psicólogos são pessoas mesmo, e os pacientes querem ter alguma conexão que nos humanize. Mas impor limites, entender que cada um tem sua própria história, também faz parte. Então ela tava mesmo querendo uma limpa. Ah não, deixa eu ver como é que a bicha descobriu.

Ex-psicólogo que viu a psicóloga dele, então psicóloga dele indo na passeata, que é um caso pior do que o primeiro que eu li, né? Ele disse que ela postou nos stories do perfil profissional. Gente, então foi para te atingir, né? Foi realmente, porque o que a outra comentou aqui, ó, ela tava querendo uma limpa nos contatos e realmente tava, gente. Talvez nenhuma limpa, sabe? Tem gente que nem pensa sobre ela, mulher cis branca de meia-idade às vezes só achou que tava abalando mesmo.

Gente, não dá. Aí eu entendo a psicóloga ser de direita, mas achar que uma coisa que ela posta, que ela faz, não vai afetar, não vai refletir, e principalmente não refletir em como isso vai afetar os próprios pacientes dela, não dá, né? Aí não importa se é direita, de esquerda, não importa o que que tá acontecendo ali, gente, a pessoa já tá completamente doidinha e ela quer, ela sabe muito bem o que ela tá fazendo. Vem com essa não, passar esse pano, tudo bem, né?

Passar esse pano não está tudo bem, na verdade. Aí daí outro pergunta aqui, uma pergunta que não tem nada a ver, já vou deixar isso aqui. Alguém já foi na Lorelive assim no dia e mesmo com os ingressos esgotados conseguiu entrar? Quero tentar ir hoje, será que dá bom? Gente, posso dizer que geralmente dá bom, tá? Porque tem alguns ingressos que ficam reservados para eu dar para os meus convidados, nem sempre eu esgoto esses ingressos, então tem como colocar mais pessoas ali.

E tem pessoas que desistem também, e tem como entrar. Quando eu olho para plateia, gente, eu sempre vejo que tem assim lugares vazios, tipo, ai, eu olho assim para o fundo e tal, dá para ver que tem gente que compra e não vai, eles liberam esses ingressos também. Então eu acho que dá para ir sim, dá para tentar. Claro que se você é de outra cidade, acho arriscado, mas se você é daqui de São Paulo mesmo, da capital, Eu arriscaria.

Ah, querida, não sou boba nem nada, tá bom? Obrigada a todo mundo que acompanhou. Desculpa se esse foi um episódio meio estranho, tô com uma sensação estranha sobre esse episódio. Obrigado de coração por você existir e bora lá, bora agitar esses hobby aí. Que que você quer fazer? Que que você vai aprender? Que que você vai passar seu tempo? Vai recortar uma revista boba, compra uma revista bem tonta ali, lê umas matérias, recorta umas fotos.

Cola num caderno igual uma tonta mesmo. Vai ser tudo tonta, você vai se sentir tonta, mas depois de 2 meses fazendo isso você vai se tornar mestre no seu hobby e você vai falar: eu tenho hobbies. É isso, é muito chique ter hobby, gente. É livramento da pressão social sobre produzir para a sociedade. É isso, um beijo no coração de vocês. Se comportem, viu, leitoras? É nessa que eu vou.