#278 - O gene gay existe? Produzi um zine
No fim do episódio, leio também o poema “Canção” do livro Viagem da Cecília Meireles.
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👵🏼 Lorelay Fox é Drag Queen há quase 20 anos e, nesse loreverso, falamos sobre ETs, conselhos (ruins), dicas de maquiagem e assuntos cotidianos.
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- Gírias LGBT e LinguagemGene gay · Sexualidade · Gêmeos idênticos · Estudos científicos sobre sexualidade · Terapias de conversão · Espectro da orientação sexual
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- A construção do sertão e sua representaçãoZine · Desenho · Impressora · Scanner
- Poesia de Ana Luísa AmaralPoema Canção · Livro Viagem · Análise de poesia
- Poesia e LiteraturaCrítica à inteligência artificial · Poesia gerada por IA · Comparação com poesia humana
- Novidade na camisa da Copa 2026Camisa 24 · Camilla Frender · Tive Depressão
- Liberação de documentosAssinatura online de documentos · Uso de impressora pré-pandemia · Gov.br
- Diversidade Cultural e SocialLuan · Cultura hétero · Hétero viado performático
Olá, este é o podcast Para Tudo. Aqui é um lugar pra todo mundo, pra falar sobre tudo. Um lugar pra gente comentar aquilo que aconteceu na semana, pensamentos aleatórios, dicas interessantes ou não. E eu sou Lorelay Fox, então vem comigo. Olá, pessoal, eu sou Lorelay Fox. Que delícia! Ai, finalmente, já estou melhor de saúde, yoohoo! Fiquei mauzinho a semana passada, mas agora estou bem já. E vencemos mais um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, uau!
Tô bem feliz porque teremos mais um episódio de Camisa 24, o melhor programa da internet brasileira atualmente. E eu não tô falando isso só porque elas são minhas amigas, mas porque eu tô completamente obcecado pelo grande absurdo, pelo caos que é o Camisa 24. Gente, eu não esperava que fosse algo tão incrível assim, e realmente é um Bálsamo, e tem viralizado muito no Twitter. Se vocês não estão assistindo, assistam. Próximo jogo do Brasil, se não me engano, vai ser às 4 da tarde no domingo.
Isso quer dizer que a partir das 3 já terá transmissão da do Camisa 24 com a Camilla Frender e o Tive Depressão, e tudo é maravilhoso ali, tá bom? Tudo é maravilhoso ali. Acho que por ser um programa sobre algo que é completamente fora da nossa bolha existencial Eles se permitiram tanto o absurdo que não tem nenhum compromisso com a realidade ou com a coerência das falas. É um grande surto psicótico, gente. É maravilhoso, é maravilhoso, é maravilhoso.
Eles são completamente loucos, por isso que eu amo essas pessoas. Mas estou aqui não para falar sobre Dia TV e fazer propaganda sobre o meu próprio conteúdo, Mas vou comentar aqui um só, só um pequeno comentário, tá? @adakotamonteiro. A louca, Dakota, ela fez um tweet falando assim: gente, como assim irmãos gêmeos idênticos, um hétero e o outro é gay? Eles não, eles não dividem exatamente o mesmo DNA, like a mesma genética duas vezes?
Um deles tá mentindo, ou homossexualidade não nasce com você? Uau, uau, uau, uau! Eu não sei quais as intenções da Dakota sobre esse tweet, porque existe toda essa polêmica sobre a sexualidade das pessoas, e não falando só da homossexualidade, né, da heterossexualidade também. Porque se a gente olha com esse viés de vamos analisar por que de ser homossexual, a gente tem que também analisar o porquê de ser heterossexual, o porquê de ser bissexual, porque, né, vamos colocar todo mundo ali para análise também.
A louca! Mas eu fiquei, parei para pensar e descobri que Todas as pessoas que eu conheço, que nem não são todas não, acabei de lembrar mais uma, e minha tese já foi por água abaixo, não foi por água abaixo não, porque eu só ia dar um exemplo, mas todas não. É muito comum um irmão ser gay, ou enfim, LGBTQIA+, e o outro não, quando tem gêmeos. Eu conheço alguns casos assim, pessoas que são próximas a mim, inclusive ex-namorados meus, É, um é gay, o outro é o hétero, e daí você fica assim, nossa, mas eles não têm o mesmo DNA, mas eles não foram criados da mesma forma, e blá blá blá.
Daí a gente para para pensar que realmente a construção da sexualidade das pessoas vai muito além da questão genética e tal. Claro que cada vez descobrem mais sobre isso, mas é muito pautado também por uma questão social, psicológica, enfim. Daí eu vou ler aqui uma matéria da Superinteressante de 2024 que fala sobre esse tema. Vou ler aqui um trecho da matéria só, que é mais sobre isso que a gente tá falando, né? Cadê o gene gay?
Se pesquisar as causas da homossexualidade em animais já era tabu, em humanos nem se fala. Há quem acredite que estudos científicos sobre o tema possam levar à patologização do tema ou a conclusões deterministas. A população LGBTQIA+ tem razão em temer pesquisas desse tipo. Por décadas, a ciência viu o comportamento como uma doença a ser corrigida, levando a iniciativas no mundo todo para tentar curar gays com torturas físicas e psicológicas, castração química, choques elétricos, etc.
Então, né, é difícil a gente entrar nessa seara de falar que existe um gene, porque quer dizer que tem algo dentro do seu corpo que possa mudar aquilo, sabe? Mas eu acho que, enfim, vamos continuar a matéria. Hoje sabemos que tais atos abjetos são, além de claras violações aos direitos humanos, são anticientíficos. A sexualidade de alguém não é uma doença, é impossível mudá-la à força. As supostas terapias de conversão, mesmo que não envolvam violência física explícita, só causam mais sofrimento psíquico.
A prática é inclusive banida em boa parte do mundo e repudiada por toda organização de saúde a respeito. É inclusive No Brasil tem relatos recentes de instituições fazendo esse tipo de terapia, tá? Muito ligada à internação involuntária, a questões religiosas e tal. Enfim, um fato é que a homossexualidade humana, assim como observada em animais, sempre existiu e sempre existirá. Tá ouvindo, Bolsonaro? A louca! Estimativas distintas feitas em populações separadas no tempo e no espaço, em culturas e sociedades diferentes, sempre chegam a algo em torno de 4 a 10% de não heterossexuais, sinal de que há um componente biológico universal em jogo, afinal, é uma porcentagem média ao longo da história que prevalece.
Então, existe essa questão biológica. Apesar disso, é um tema difícil de estudar na ciência, justamente porque o próprio conceito de sexualidade não é óbvio. Costumamos pensar em caixinhas: hétero, homo, bi, Mas hoje sabemos que um espectro descreve melhor a orientação humana. Há quem, por exemplo, seja predominantemente hétero, mas que pode sentir atração pelo mesmo sexo em contextos específicos, por pessoas específicas. Não tinha um monte de macho batendo punhada pro Neymar, gente?
Não teve isso aí nessa Copa? É eles se descobrindo. Vamos deixar eles se descobrirem também. Na maior parte do tempo são hétero, mas às vezes tem esses, né, tipo desejos que podem acontecer. Como traduzir essa nuance nas pesquisas? É complicado, não é nem só complicado, mas impossível, né? Sobre— sabemos que a homossexualidade tem alguma influência genética já há algum tempo, graças a estudos feitos com gêmeos. Aqui nós chegamos no tweet da Dakota: os gêmeos idênticos têm a mesma orientação sexual com mais frequências do que os dizigóticos.
O que evidencia que há uma mãozinha dos genes nas nossas atrações. E aqui que eu me peguei me corrigindo no começo do episódio, porque eu falei assim: não, eu conheço um monte de gêmeos que um é hétero, outro é gay, mas gêmeos idênticos. E não, não, ai meu Deus, é que eu conheço um casal de gêmeo idêntico que os dois são gays, e um casal que um é hétero e um é gay. É, mas não são as nossas experiências pessoais que vão pautar o resultado da ciência, né?
É só interessante de observar a nossa volta o que tá acontecendo, porque não dá para pautar. Tipo, não vou contradizer o que a ciência está dizendo só porque na minha experiência pessoal, né? Que genes exatamente, né? Vamos achar esses genes aí, já que entramos nessa seara. Vários candidatos foram estudados nas últimas décadas. Nenhum com muita evidência. O maior avanço recente nessa linha de investigação veio no artigo em 2019, que analisou o genoma de 500 mil pessoas em busca de semelhanças entre pessoas que relataram em questionários já ter tido relações sexuais com alguém do mesmo sexo.
A conclusão foi complexa. Ai, gente, o que que eles concluíram? Os cientistas analisaram genomas coletados de bancos de dados distintos, sendo o principal do Reino Unido. Eles compararam essas informações com respostas de questionários fornecidos pelos donos do DNA, que incluíam algumas perguntas sobre a sexualidade deles. A mais crucial para o estudo foi: você já teve relação com alguém do mesmo sexo? E saíram em busca de coincidências genéticas em quem respondeu sim.
Nossa, mas isso ao mesmo tempo parece tão vago, né? Tão vago. Vamos para a conclusão, né? A principal conclusão do artigo é que não existe nenhum gene ou CNP único. CNP é um negocinho que eles explicaram, tá? Que é umas letrinhas do genoma da coisa. Ou o CNP único que seja determinante nessa questão. Não há um trecho do DNA em que trocar um A por um C torna uma pessoa hétero ou homo. É fato, porém, que o DNA pode explicar algo entre 8% e 25% da sexualidade humana.
Nossa, nada então, né? Acontece que essa influência é poligênica, ou seja, depende de várias regiões do material genético trabalhando em conjunto de uma maneira complexa. Para ser mais preciso, o artigo identificou 5 CNPs diferentes, cada um num cromossomo distinto, que parecem ter algum impacto. Um deles, por exemplo, está ligado a uma maior chance de homossexualidade masculina, ainda que pequena, e fica localizado na região do DNA relacionada ao reconhecimento de odores.
Algo interessante é que o olfato já havia sido ligado à atração sexual em outros estudos, Aqui nós chegamos nas pigzonas, né? Elas gostam do cheiro ruim. Gays pigzonas. Mas não quer dizer que todo mundo que vai ter esse negócio vai se tornar uma gay pigzona, né? Acho que muita coisa pode acontecer. A verdade é que existem esses estudos, apontam umas correlações, mas nada comprova que existe algo assim. E também, se um dia a gente descobrir que existe um gene gay e que se você alterar ele você vira hétero.
Eu acho que o contrário é o que vai acontecer, porque ninguém em sã consciência gostaria de ser hétero. Gente, eu sei, vocês sofrem muito. E digo sofrem muito nem pela questão sexual, é pela questão cultural mesmo. Culturalmente, ser hétero é muito chato, gente. Como que vocês aguentam? É muito chato. Embora que eu sei que a maior parte do meu público hétero seja de meninas, e daí vocês têm outra relação, mas ser homem hétero é muito chato.
Eu tava pensando aqui em gêmeos, né, daí lembrei que o Luan, que apresenta o Pra Variar lá e apresenta o Hora do VT e tal, meu amigo que eu amo de paixão, é toda vez que eu lembro, eu esqueço que o Luan é hétero, que ele tá ali, ele convive com a gente de uma forma tão orgânica, tão Então assim, sabe, é como se ele fosse a gente. Tipo, eu tenho até amigos que são, sabe. Eu esqueço que o Lua é hétero. Daí às vezes eu penso, tipo, eu tava lendo esse tweet da Dakota, daí eu lembrei do Lua, daí eu falei: "Ah, o Lua também tem um irmão gay." "Ah não, o irmão do Lua também é hétero." Daí me bateu uma tristeza assim.
Mas é que eles são das artes, né, tem isso também. Embora tenha um monte de macho escroto nas artes. Mas às vezes eu fico assim: "Ai, o Luan é hétero, né?" Ai, tá tudo bem, eu respeito, eu aceito. Mas, mais uma vez, eu reitero, não sobre a questão sexual, mas sobre a questão cultural. É que eu acho que culturalmente ele é muito próximo das gays, sabe? Eu acho que, igual a gente fala de mulher viado, tem um hétero viado também.
E não o viado performático, hétero viado performático, que eu sou completamente contra, gente. O Lua não é um hétero viado performático, é tipo, ele é só um hétero que convive com as gays de igual para igual no mesmo mundinho de divas pop, coisas malucas. Claro que ele tem um outro lado dele, que ele gosta de futebol, por exemplo, que ele entende. Gostar é uma coisa, entender é outra, né? E que a gente não acessa muito. Sim, mas enfim, vocês entenderam onde eu quero chegar?
Não sei se entenderam também. É que eu tava assistindo Pra Variar, gente, daí fiquei pensando no Lua também, que me dá uma saudade de gravar Hora vê TV da gente falando mal do BBB, gente, com Luan, com a Bielo, com a Nath ali, só assim para ver nossos amigos mesmo, só no trabalho, né, gente. Ai, que difícil. Bora para o próximo tópico, produção. Agora eu preciso falar que eu voltei a usar minha impressora, gente. Eu sei que vocês estavam super se perguntando: Lorelay, você não usa mais sua impressora?
Você não usa mais impressora? Calma, gente, são muitas perguntas sobre minha impressora. Eu sei que ninguém— é que foi um salto meio abrupto de um assunto para o outro, né? Mas, gente, deixa eu falar o que que eu fiz essa semana. Eu tive talvez uma das melhores experiências dos últimos tempos, que é eu voltei a desenhar com muita força essa semana. Voltei a desenhar com muita força. Como eu fiquei doente, eu acabei não indo treinar, que daí você só faz merda.
Mal consegui. No primeiro dia que eu tava bem doente, eu não consegui fazer nada, mas nos outros 3 dias, enquanto tava me recuperando, eu fiquei desenhando. Daí eu resolvi fazer o quê? Desenhar um zine. Que que é um zine? Uma mini revistinha com uma coisinha doidinha que passa pela minha cabeça, qualquer coisa, tá? É, daí fiz esse zine. Daí eu, nossa, gente, eu juro, eu passei tipo 8 horas do meu dia em cima disso, desenhando e escrevendo e ajustando.
Daí que que eu fiz? Comprei um scanner, comprei um scanner, gente. Aí falei, oh my God, so crazy! Comprei um scanner, um scanner barato que eu achei ali da Canon. Comecei a escanear os desenhos, porque embora eu tenho o tablet, o iPad, eu não tenho prática em desenhar online. Daí voltei a desenhar os desenhos bem do jeito que eu fazia quando eu era adolescente, jovem adulto, que eu tinha mais tempo para desenhar os personagens assim estranhinhos e tal, que eu gostava.
Beleza. Daí eu montei o layout desse zine. Ai, vocês não devem estar entendendo nada do que eu tô falando, né? Montei o layout desse negócio pra imprimir. Um zine é basicamente, essencialmente, é uma revistinha de 8 páginas que você consegue imprimir em uma única folha A4. Daí você dobra ela de um jeito que ela vira um livrinho. Você dobra sem precisar recortar várias páginas e colar ou grampear nada. Você só faz um único corte no meio dobra ela ali e daí vira uma revestidinha.
Quem conhece sabe do que eu tô falando, quem não conhece vai jogar no Google e vai falar assim: "Ai, como funciona um zine?" É isso. Daí eu queria imprimir pra ver como ficou e eu peguei minha impressora que tava guardada, faz tempo que eu não imprimo, né? Comprei minha impressora pré-pandemia, porque na época, gente, precisava assinar documentos e eu mandava esses documentos via motoboy pros lugares. Hoje em dia isso não existe.
Eu sou meio assim ateu, dessa coisa de assinar documentos online. Como assim a gente pode assinar um documento online? Qualquer pessoa não consegue assinar por mim, então? Por que eu preciso perder meu tempo assinando? Se é só você colocar num site ali qualquer lixo e autenticar o negócio. Assinar pelo gov.br eu até acredito mais, porque ali tem uma autenticação, aparece um número, parece uma coisa que você assinou virtualmente mesmo.
Mas esses sites de assinatura, gente, é só burocracia. Pra mim é uma grande mentira. Não que eu ache que a gente deva voltar a assinar as coisas manualmente. Eu fico assim, passado mesmo, lembrando que eu não só comprei a impressora pra isso, porque eu assinava vários documentos por mês, mas também comprei envelope pra mandar as coisas pelo motoboy, sabe aqueles de papel pardo assim? Era uma coisa que fazia parte da minha rotina e simplesmente acabou.
Eu fico me perguntando: as pessoas não sabiam que dava pra não precisar disso antes da pandemia? Tipo, já existia esse método de assinatura virtual antes da pandemia? Sim, só que ninguém usava. Por quê? Porque o que que aconteceu? Eu não acredito nesse método, não acredito, mas ele é muito mais prático. Eu acho que ele é uma enganação e que para mim aquela assinatura não vale nada, eu acho, mas ao mesmo tempo é muito mais prático.
Pensa que eu usei comprar esse trambolho de impressora para assinar coisas, imprimir, assinar e grampear e colocar envelope, e vem motoboy e leva motoboy e paga motoboy. Motoboy e dedo no cu do motoboy. Gente, que que é isso? Que que tá acontecendo? Mas voltando aqui para a realidade, anos depois, daí eu comecei a usar cada vez menos a impressora. Tanto é que eu nunca reabasteci a tinta dela, acho que reabasteci uma vez só, desde a pandemia, nunca mais.
E ela ainda tá funcionando. Mas o ponto que eu quero chegar é: todo mundo reclama que impressora não funciona. Gente, toda vez que eu tentei imprimir na minha impressora, eu não tive problema nenhum. O que está acontecendo? Eu sei, eu sei, eu sei, vocês estão com inveja de mim. É isso que eu quero causar. Tem blogueiras que compram bolsas caras, tem blogueiras que vão viajar para Disney, tem blogueiras que ostentam casas em construção que nunca terminam.
Eu vou ostentar uma impressora que nunca deu problema. Daí eu vejo as pessoas falando assim: ai, uma coisa que ninguém sabe resolver na história da humanidade é impressora. Gente, sorry, I don't know her. Eu nunca tive um problema com a minha impressora. Eu não sei se é porque eu imprimo pouco, mas quando eu imprimia mais, mesmo quando eu imprimia mais, não quer dizer que eu imprimia dezenas e dezenas de arquivos todo dia, né?
Mas eu nunca tive problema. O que que tá acontecendo? Eu sou tão abençoada assim. Eu sei que eu sou uma pessoa abençoada, que onde eu piso eu abro portas, eu ilumino, eu sou alguém de luz, tá bom? Eu sou essa pessoa. Mas será que eu mereço tanto assim ao ponto de ter uma impressora que funciona? Me desculpa se você sofre com a sua, tá? Eu não sofro com a minha, gente. Mas agora, voltando para a história de eu ter voltado a desenhar, enfim, é uma coisa que eu nunca parei, mas é mais um dos resultados do fato de eu estar escrevendo meu diário, tá?
Eu já tô sentado ali, eu já tô cheio de caneta, cheio de papel à minha volta, uma coisa vai levando a outra. Uma coisa vai levando a outra. E tanto eu fiquei desenhando, gente, que eu passei quase 3 dias sem precisar recarregar meu telefone, que eu não usava mais o telefone, não passava mais tempo na timeline. Sei que talvez tenha sido um período de mania meu, sei, pode ter sido ali um grande surto que eu vivi, pode. Mas ao mesmo tempo, será que eu consigo repetir isso mais vezes?
Vou tentar, prometo. Jamais vou prometer alguma coisa, que meu vício em telas continua grande. Mas eu pensei, eu tava tão focado em uma coisa assim que eu realmente entro em estágio de flow, sabe, muito grande. Quando eu tô escrevendo, desenhando assim, eu realmente me isolo. Tanto é que eu reparo assim, nossa, não coloquei nem música. Eu acho até estranho, tipo assim, coisas que eu faço assim, que realmente a cabeça entra, não coloca nem música.
Eu acho estranho, caralho, esqueci de colocar música. Então não preciso ouvir mais nada, minha cabeça tá 100% nisso daqui. É meio mágico. Fazia muito tempo que eu não ficava tão focado numa coisa assim. O fato de eu estar doente, de eu estar carente e de eu querer comunicar alguma coisa também pode ter ajudado. Daí, que que foi o meu projeto de zine? Que eu não vou mostrar para vocês. Mentira, eu vou acabar mostrando porque eu acabei ganhando meu cu inteiro aqui na internet, né?
Não vaza meus nude, mas vaza todas as coisas tontas que eu invento de fazer como se fosse uma grande coisa Legal. Eu fiz um zine, gente, sobre inteligência artificial. Ai, meu Deus, ela é tão disruptiva. O assunto mais comum, mais qualquer coisa da atualidade, ela resolveu fazer um zine. Mas é porque eu queria trazer essa imagem que eu acho, gente, eu já deitei para IA, tá bom? Vamos usar, faz o que você quiser, não tô nem aí.
Quer fazer novelinha, quer fazer quer fazer videoclipe, quer fazer eu em IA, quer botar na novela da Rede Globo, quer botar em tudo que é filme. Façam, gente, faça, já não tô mais nem aí. Só que eu acho que um dia, daqui décadas talvez, a gente vai parar para pensar que esse começo da transição da inteligência artificial, algo muito absurdo aconteceu e ninguém se importou. E eu acho assustador ninguém se importar. Ninguém no sentido assim grande, né?
Não pessoas tipo eu me importei, você talvez tenha se importado, que é o fato de terem vasculhado, não vasculhado, varrido a internet inteira, pegaram tudo que eu postei, que você postou, que sua mãe postou, seus pais postaram, tudo que as pessoas que já morreram postaram, vídeos, fotos, textos, artigos acadêmicos, ilustrações, qualquer coisa, vídeos, áudio. Tudo. E essas empresas pegaram para elas fazer o produto delas. E partes disso que a gente é na internet tá nesse aglomerado de coisas, de resultados e respostas que não servem para nada.
Porque toda essa coisa de geração de imagem, de música, de mini vídeos e não sei o que lá, não serve para nada senão para as pessoas se acostumarem com a ideia da IA e um dia ela se tornar lucrativa, porque ela nem é lucrativa ainda, o que é um Absurdo, gente, empresas tão trilionárias, né, como Elon Musk, Elon Musk tá agora, não serem lucrativas. Como é que você pode ser um trilionário sendo que todas as suas empresas estão dando prejuízo?
E sim, maior parte dessas empresas de AI, principalmente do Elon Musk, estão dando prejuízo e não lucro. Mas daí eu queria escrever algo em cima disso, mais sobre essa coisa de roubarem partes da gente, e tipo, sua cara pode estar saindo numa resposta de IA. Eu acho isso muito bizarro. Já nem acho mais errado, porque pelo visto tá errado, tô eu. Mas tipo, se alguém lá no Japão escreve assim— Japão não, porque eles perderam, a gente tá com raiva deles porque ficaram chamando a gente de macaco no Twitter.
Se alguém lá na Coreia do Norte— e Coreia do Norte acho que não vai estar tendo. Se alguém lá na França— tá bom, França— escreve assim: ai, ChatGPT, gera imagem de uma drag velha. Pode ser que minha cara esteja saindo lá, eu não sei. E eles usam isso para colocar no flyer de uma balada, sabe? O tipo, daí eu quis escrever um negócio sobre isso e eu vou ler aqui para vocês com muita vergonha, porque, gente, eu resolvi escrever uma poesiazinha, tá bom?
É porque o zine, gente, é para você fazer qualquer coisinha, tanto é que em 3 dias o meu tava pronto, não é para ser um projeto. Mas daí eu vou ler a poesia que eu escrevi, segura aí, vocês não falam que queria que eu lesse poesia de novo. De novo. Nossa, eu acho que a última vez que escrevi poesia, gente, eu tava no colegial. Eu nunca mais escrevi. Tanto é que eu olhei para essa poesia assim, eu revisei ela 3 dias seguidos, e a última versão foi a que eu fiquei.
Mas que rimas pobres, sabe? Que rimas pobres, que ideias batidas. Mas é o que eu consegui agora. Quem sabe se eu continuar escrevendo poesias eu posso ir melhorando. No que eu tô fazendo. Mas eu, sabe que eu tentei me pegar lembrando como que escreve um soneto? Eu esqueci que o soneto é assim, é ABAB. Ai, como é que é, gente? Aí, ó, eu esqueço. Eu sei que é 4-4-3-3, que é, tem assim a regra da rima no soneto, né? E eu sabia, eu escrevia muito soneto quando eu tava no colegial, adorava, achava Bonito, ficava uma forma bonita.
Mas hoje em dia não sei. Hoje em dia o máximo que eu consegui regurgitar foi isso daqui. Vou ler para vocês, não vai rir, gente. A rua está repleta da mesma cara, duplicada e replicada, ninguém repara. Em cada tela, imagens do mesmo rosto tentam recriar a vida, mas é o oposto. Agora fazer arte ficou fácil. Quero a foto de uma velha meiga e frágil. Assim, a cara da sua avó é replicada em algum comando numa foto saturada. No corredor da loja de brinquedos, a música ao fundo ressoa e dá medo.
Animada e divertida, mas é falsa. É apenas a resposta sem ritmo ou valsa. Dizem que é impossível evitar usarem as nossas fotos e vídeos para criar Trituram tudo que compartilhamos numa massa de respostas e enganos. Nossa vida e lembrança conectadas, nutrindo respostas mal pensadas. Só resta rir e ficar encantado, tendo nosso cérebro anestesiado. O caminho ficou obscuro ao roubarem nosso passado e futuro. Ficamos mais paralisados a cada dia.
Nessa nova era que ninguém queria. Gente, ela é gênia! Ela é muito gênia! Tem uma parte que eu gosto, tá? A parte que eu gosto é quando eu compartilho, quando eu rimo, ó: trituraram, não, trituram tudo que compartilhamos numa massa de respostas e enganos. Eu acho que compartilhamos enganos é uma rima não óbvia. Daí eu vi um valor, sabe? Acho que, acho que é interessante. É feio, tipo assim, falsa e valsa, essa é uma rima pobre, essa é uma rima tipo assim, ai, qualquer um vai fazer.
Eu acho que o rosto e o posto também é uma rima óbvia, mas é o que eu consegui tirar de mim. Gente, preciso voltar a ler poesia para não ser uma coisa pobre, mas eu tenho a plena consciência disso, mas fiquei feliz com o resultado. Fiquei feliz com o resultado porque foi algo que transmite a mensagem, tem uma rima, tem uma cadência, tá? Que o bonito da poesia é ter um ritmo, né? Para mim, né? Porque existe todo tipo de poesia, nem toda poesia rima.
Por exemplo, tem gente que acha que poesia com rima é uma coisa pobre. Eu acho que é uma coisa rica. Mas agora vamos ler uma poesia que importa. Vou ler aqui uma poesia que eu já li nesse podcast anos atrás. Tá bom, mas que é minha poesia favorita do livro Viagem, da Cecília Meirelles. Esse livro daqui formou minha pessoa, tá? Eu tenho aqui um compilado de dois livros dela, Viagem e Vagamusca, é uma edição única, os dois juntos, tá?
Eu roubei esse livro da biblioteca da minha escola porque eu era completamente obcecado por ele. Tá? Roubei livro, roubei livro. A menina que roubava livros, tá? A dragzinha que roubava livros. Me orgulho disso? Não. Mas era a única forma de eu ter acesso, gente. Eu não achava isso daqui na internet na época. A gente tá falando uma época da TV preto e branco. Vamos ler o poema Canção. Ai, gente, é muito bonito, tá? Ai, é muito bonito.
Se você não gostar, muito chata você. Primeiro que vocês se lembrem, eles Mas eu acho ela maioral, tá? Tudo que ela faz é bonito assim. Ai, enfim, canção, vamos lá. Uso meu sonho num navio e o navio em cima do mar. Depois abri o mar com as mãos para o meu sonho naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio.
Debaixo da água vai morrendo meu sonho dentro de um navio. Chorarei quanto for preciso para fazer com que o mar cresça e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. Depois tudo estará Dia perfeito, praia lisa, águas ordenadas, meus olhos secos como pedras e as minhas duas mãos quebradas. Gente, uma salva de palmas! Eu quero 12 minutos de palmas para Cecília Meirelles, tá bom? Porque ela realmente entrega demais. É esse trecho daqui, é muito bonito.
Ó, o vento vem vindo de longe, percebe que tem o do vento. Vento vem vindo de longe, vento vem vindo. Muito bonito, né? É uma coisa que tipo, não sei, talvez eu seja tonta para achar bonito. Claro que não, né? E olha o que é bonito também, ela rima coisas entre as estrofes. Ó, o morrendo daqui vai rimar lá no fundo com fundo, bem depois. Tem essa uma coisa que se repete, mas não se repete logo em seguida. Ai, é muito bonito. E também, ó, em cima do mar com naufragar.
São palavras, em cima do mar rima com naufragar inteiro, entendeu? São 3 palavras aqui que rimam com uma só grande no final. É muito interessante. Tipo, o mar cresça, desapareça, entende? É diferente, tem qualidade. Óbvio que tem qualidade, né? Quem que fez? Não foi o ChatGPT. Ai, vou pedir pro ChatGPT escrever uma poesia no estilo Cecília Meirelles para ver o que essa putinha vai responder para mim. Pior é que a chance da resposta ser boa é grande, tá?
Porque eu consigo reconhecer de longe uma poesia da Cecília Meirelles. Quer dizer, eu consigo. É que uma vez eu vi uma poesia, não sabia se era dela, mas falei assim: nossa, daqui parece tanto Cecília Meirelles. E de fato era. Aí eu fiquei assim: nossa, eu realmente sei conhecer uma poesia da Cecília Meirelles. Talvez eu não saiba, gente, Talvez eu saiba baseado nesses livros meus que são os favoritos, que é de uma era específica dela, que é uma coisa que percorre muito toda a poesia dela, que é essa coisa orgânica, natural.
Ela fala muito sobre mar, sobre onda, sobre flor, sobre musgo. Tem essa coisa. Vamos ver o que que o ChatGPT respondeu. No quintal do vento aprendi com as folhas, ninguém guarda o outono sem perder algumas cores. era para rimar, amiga, que não veio aí. No quintal do vento aprendi com ninguém guardou outono sem perder algumas cores. A água esquece o rio. Ai, é muito Cecília Meirelles, fala assim, tá? Água esquece o rio, o rio esquece o mar, mas a luz de um instante não deixa de brilhar.
Gente, ela jamais ia falar isso daqui. Eu entendo que lembra ela, tá? Mas aí tá ruim, mas pode melhorar. Não, não tá tão ruim quanto eu imaginei que poderia ser. Ou será que eu só tô achando ruim porque eu sou uma chata? Enfim. E assim vou silencioso entre a Deus e o florir, como quem leva o tempo sem nunca possuir. É, esse verso tá melhor, mas o do meio, gente— água esquece o rio, rio esquece o mar, mas a luz de um instante não deixa de brilhar.
Isso daqui não quer dizer nada. Mas tá bom, não ficou tão ruim não, vai. Vou dar meu braço a torcer. É um poema que dá para a gente parar e trabalhar ele em cima. É isso. Nunca gosto das respostas, mas acho que é porque eu sou magoada com ele, magoada com toda coisa da IA. Mas, gente, já falei, não vou mais criticar ninguém que usa, tá bom? Pode usar para tudo, usar para tudo, usar para escrever poesia para o seu namorado, usar para escrever os textos que você não tem coragem de escrever.
Pede para ela escrever seu diário também, gente. Vamos fazer isso. E aí, escreva o dia de hoje no meu diário. Daí você não dá informação nenhuma. Que será que ele vai criar, né? Vou criar uma conversa nova. Escreva meu dia de hoje como se fosse num diário. 30 de junho de 2026. Hoje foi um daqueles dias estranhamente comuns, mas cheio de pequenas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Passei boa parte do tempo mergulhado em ideias, pesquisando, escrevendo e tentando organizar pensamentos que, como sempre, Insistem em aparecer todos de uma vez.
Às vezes tem impressão de que minha cabeça nunca desliga, ela só troca de assunto. Aí vamos continuar. No fim do dia fiquei com aquela sensação familiar de que ainda há muito por fazer, mas também de que dei mais um passo. Talvez seja assim que as grandes coisas aconteçam. Ai, gente, boring, boring. Enfim, eu acho tudo chato. Aí, desculpa, gente, me alonguei demais. Me alonguei demais, me perdi, me perdi aqui. Mas li uma poesia.
Vocês não queriam que eu lesse poesia, gente? Isso daí faz audiência, ó, e para o saco. Por isso que eu parei de ler. E eu recebi, a gente, eu recebia muita mensagem das pessoas falando que paravam de ouvir assim que eu ia começar a declamar uma poesia. E aquilo me ofendia, tá bom? Me ofendia. Eu também não sou esse poço de não me importo. Eu me importo muito sim, porque as poesias são coisas caras para mim, sabe? São coisas que eu gosto.
Então vocês não têm direito de falar assim do meu anjo. E me retirei. É isso, espero que vocês tenham gostado desse episódio maluco. Um beijo e é nessa que eu vou, gente.