Episódios de Podcast Para Tudo

#277 - Caso Thelminha, sequela pós-Covid

26 de junho de 202633min
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A principal "doença dos cheiros" associada à COVID-19 é a parosmia, uma condição que distorce a percepção dos odores, fazendo com que cheiros agradáveis sejam percebidos como insuportáveis. Hoje comento sobre essa condição bizarra e também falo sobre o caso de racismo que Thelminha sofreu.
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👵🏼 Lorelay Fox é Drag Queen há quase 20 anos e, nesse loreverso, falamos sobre ETs, conselhos (ruins), dicas de maquiagem e assuntos cotidianos.
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Participantes neste episódio2
L

Lorelay Fox

HostDrag Queen
S

Speaker B

ConvidadoJornalista
Assuntos6
  • Caso Rodrigo Branco e ThelminhaRodrigo Branco · Thelminha · Racismo · Condenação judicial · Apoio de famosos a Rodrigo Branco · Críticas ao apoio de famosos · BBB
  • Pandemia de COVID-19Parosmia · Sequela pós-Covid · Distorção de odores · Perda de olfato e paladar · Estudo da USP
  • O mistério de Rodrigo BrancoRodrigo Branco · Acesso a eventos exclusivos nos EUA · Amizade com famosos · Investigação
  • Morte e LutoExumação · Cremação · Jardim para cinzas · Ritual de homenagem · Margarida
  • Mudança de mentalidadeMudança de pensamento · Reconhecimento de erros · Consequências das ações · Esperança na mudança
  • Algoritmos e caixas pretasAlgoritmo · Maktub · Busca por conteúdo
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LFLorelay Fox

Olá, este é o podcast Para Tudo. Aqui é um lugar para todo mundo, para falar sobre tudo. Um lugar pra gente comentar aquilo que aconteceu na semana, pensamentos aleatórios, dicas interessantes ou não. E eu sou Lorelay Fox, então vem comigo. Olá pessoal, eu sou Lorelay Fox e estamos aqui mais uma vez no podcast Pra Quem? Pra mim, pra você, pra tudo. E para todos, sim, o podcast para tudo. Ai, gente, que trocadilho bom já para começar mais essa sexta-feira gostosa.

Eu não sei você aí onde você tá, mas aqui em São Paulo tá um frio aterrador, tá bom? Estou desesperada, estou inclusive um pouco constipada, tô aqui com narizinho mais trancaduxo. Daí a gente fala assim, ai, vou pingar um daquele negocinho no nariz. Como é que é? Qual o nome do negócio que pinga no nariz? Nery Dream, sei lá. Daí, aí o povo já chega assim: ah, isso daí vai derreter seu nariz, daí vai derreter seu nariz. Sim, gente, se eu usar isso por 5 dias seguidos, tá?

Mas usar um pouquinho não faz mal não, suas desgraçadas que só enche o saco na internet. Como tem gente que enche o saco na internet, menina, vou te contar um negócio, viu, desocupadas? Mas também continuem seu trabalho de encher o saco na internet, tá? Porque se fosse tudo às mil maravilhas também ia tá muito fácil para todo mundo. Acho que a gente também merece um balança caixão na internet. Falando em balança caixão, mas agora um tema sério de verdade que inclusive eu vou abordar no áudio do mês, é, saiu a condenação do Rodrigo Branco por ele ter falado sobre, por ele ter falas bastante racistas e problemáticas sobre a Thelminha lá no BBB de 2020.

Foi Foram 6 anos de um processo que ela tava indo à justiça para condenar ele. A condenação dele saiu e a gente sabe que ele acabou postando um vídeo. A gente sabe, ótimo, né? Talvez você não saiba, mas ele postou um vídeo se retratando sobre as falas dele e tal. E um monte de gente lá famosa comentando. Eu não vi os comentários ainda, eu vou ver quando eu tiver fazendo um roteirinho para o áudio do mês. Mas é um monte de famoso apoiando ele, falando assim: ai, que bom que você pipipi, e tá se retratando, não sei o que lá, ai, blá blá blá, tá.

Isso é uma grande filha da putice, todo mundo sabe que ele é um desgraçado que nunca se arrependeu do que falou, pelo simples fato de que ele só tá falando agora porque ele foi condenado, né. É como se ele tivesse nem dado uma daquela, tipo, ai, tava doidão, falei merda. Não, nem isso, nem para fingir ele se prestou, né. Mas onde eu quero chegar aqui é É porque vocês sabem quem que é esse cara, Rodrigo Branco, gente? Que ele é um cara que mora, um brasileiro que mora na gringa, e todos os famosos, todos os famosos são amigos dele.

É muito estranho, gente, porque eles são amigos dele com a desculpa de que ele consegue acesso a coisas exclusivas nos Estados Unidos. O que chega para gente é quando ele consegue levar alguém pra Disney e a pessoa entra com, enfim, de forma mais exclusiva, consegue furar as filas, também tem acesso aos melhores restaurantes, ele consegue casas de aluguel lá, eu acredito que gratuitas, pras pessoas e tal. Tá bom, isso é o que chega na gente.

Mas, gente, o que esse homem realmente faz, puta que me pariu? Porque, gente, é impossível que a Xuxa precise que alguém passe deu ingresso para ela entrar, furar uma fila na Disney, sabe? É impossível que a Bruna Marquezine precisa que alguém arranje um desconto, uma casa para ela ficar lá em Malibu. Gente, que que ele faz? Porque tem pessoas que têm empregos meio secretos, mas que todo mundo sabe, igual o David Brasil, que anda com todos os jogadores de futebol, e a gente sabe bem o serviço que ele presta.

Se você não sabe o serviço que ele presta, entra lá nos comentários do post que vai sair aqui do podcast Para Tudo, porque provavelmente as pessoas vão comentar lá. Eu não vou comentar porque eu não quero ser presa, tá? Eu acho que alguma coisa assim que ele faz não tem a ver com droga necessariamente, mas tem a ver com pessoas encontrando dates, talvez, talvez relacionamentos, alguma coisa assim. Porque é impossível um monte de famoso, e é famoso A-list, gente, não é sub, ele não anda com sub.

Famoso é lixo. Daí uns famosos close errado, tipo assim, ah, é uns famosos que sempre dá uma bola fora e tal. Tudo bem, isso tem também, mas tem esses daí que a gente não espera, tipo a Débora Seco, sabe? Como eu falei, a Bruna Marquezine, Anitta. Eu fico assim, gente, que que esse homem faz de verdade? Por que que a gente não tem ainda uma investigação sobre isso? Eu quero um exposed Chico Felipe. Cabe a você fazer um podcast sobre isso, meu Deus do céu.

Eu quero muito descobrir. Ou se você tá me ouvindo, alguma pessoa aí que tem alguma informação mais privilegiada, dê um jeito de me contar, porque eu preciso saber. É impossível que a Bruna Marquezine precise de um desconto pra ela, sei lá, entrar num restaurante e comer de graça lá no Outback. No Outback, como é que é? No Hard Rock, tá bom? Porra, Bruna, você precisa aí de um desconto pra você assistir Wicked na Broadway. É isso, gente, a gente faz uma vaquinha pra ajudar.

Por que que as pessoas ainda tão grudadas nesse cara? É muito estranho. Daí saiu inclusive um dos comentários ali no post dele, foi... Vou até achar aqui. Ó, matéria aqui do Globo. "Por que apoio de famosos a Rodrigo Branco após condenação por racismo virou alvo de críticas?" Meu Deus, gente, o título é autoexplicativo, né, puta que me pariu. Não é, gente? Eu até entendo as pessoas irem lá comentar se é alguém que elas gostam e tal.

Beleza, mas é que o tom dos comentários foram os comentários assim, é assustador, tá? Eu fico me perguntando, todas essas pessoas famosas comentaram ali, elas conhecem a Thelma. A Thelma é a vítima, ninguém foi comentar, ninguém foi lá prestar apoio à vítima. Que porra é essa, gente? Que que tá acontecendo nessa caralho? A gente voltou para 2015, gente, na internet. Na hora que a gente precisava ensinar o beabá da militância, agora falar: tudo é muito woke hoje em dia, tá tudo assim muito lacração, lacração.

Não adiantou nada esses anos tudo de lacração, ninguém entendeu nada, tudo um bando de jumento. Ó, daí vamos ler um pouco da matéria. Condenação do empresário Rodrigo Branco por falas racistas contra a médica e ex-BBB Thelma Assis ganhou um novo capítulo nesta semana. Após mensagens de apoio deixadas por famosos nas redes sociais provocarem críticas de internautas. A repercussão começou depois que o Rodrigo publicou um vídeo comentando a decisão judicial relacionada ao processo.

A retratação e a divulgação do caso por parte dele ocorreram por ordem da Justiça. Nos comentários da publicação, artistas e personalidades como Xuxa Meneghel, Débora Seco, Adriane Galisteu e Astrid Fontenelle deixaram mensagens de incentivo ao empresário. Incentivar o quê, meu Deus? Gente, você tá incentivando o quê? Meu Deus do céu. Ai, gente, não dá para entender. De toda forma, ele privou os comentários. Gente, como pode ser dissimulado, né, as bicha, né?

Ele privou os comentários e é isso. Não tem mais comentário no post dele. E o Instagram dele inteiro, olha, Gisele Bündchen. Quem que é essa daqui? A J.Lo. Sabe esses Instagram de carteirada, gente? Alguma coisa acontece aí. Ou ele vende a substância para essa gente, eu não consigo entender. Ele no meio de todos os jogadores de futebol, Carlinhos Maia. Mas Carlinhos também faz parte, né? Aí a gente tem que entender que é do métier mesmo, sabe?

Nossa, que merda. Mas vamos ver o que a Thelminha falou sobre o caso. Ah, então tá falando da Astrid, né, gente? A Astrid tem um filho negro. Daí o filho dela, pelo que ela contou nas redes, conversou com ela e pediu para ela se retratar a respeito dos comentários. Ela veio a público, se retratou, falou que tá aprendendo, não sei o que lá. Mas daí muita gente também colocou assim para refletir: nossa, você que trabalha há tantos anos em programas que falam sobre pautas sociais sobre questões, enfim, que a gente sabe que atravessam pautas LGBTs, pautas raciais, pautas de gênero, não sei o que lá.

Tá aprendendo uma coisa básica nessa, né? Enfim, mas também se retratar publicamente é o mínimo que dá para esperar nessa hora, né? De pedir desculpa é o que ela fez. Que a Thelma falou foi o seguinte, vou abrir aqui no Instagram, que acho que a gente tem que dar voz até ao moinha, que a gente, só quem viveu sabe, né? O BBB da Thelma, nunca vou esquecer, experiência que foi Eu precisava que a justiça reconhecesse o fato e ela foi feita.

Foram 6 anos lutando praticamente sozinha, somente com o apoio da minha família e dos meus advogados, contra uma injúria racial covarde, já que eu estava confinada na época do ocorrido e não pude me defender. Foram diversas tentativas frustradas de citação no processo, acesso ao qual aparentemente só eu não tinha. O caso sempre foi público e pautado na mídia. Sem resolução até então. Mesmo assim, o racista continuou tendo seu trabalho amplamente divulgado e impulsionado por pessoas da mídia.

Meu Deus, e no post da Thelma ela ainda provoca essas pessoas, gente. Não provoca, aponta, né? A responsabilidade e o comprometimento em combater o racismo fazem parte das nossas atitudes diárias. Não se trata de uma ofensa individual, mas de uma repercussão coletiva de pessoas que, assim como eu, Pelo simples fato de serem quem são, pessoas negras sofrem injúrias e deméritos que impactam a nossa saúde mental de uma forma tão perversa que chegam a causar dor física.

Esse impacto não pode ser desfeito com um simples pedido de desculpa na frente das câmeras. Ele precisa de punição, uma punição educativa para que ações como essa não se repitam. Uma punição que transcendesse fronteiras, independentemente do país em que o racista resida. O Brasil é um país que teve sua origem pautada nas agressões cometidas por meio do racismo aos povos originários e aos negros escravizados. Não é aceitável que essa ideologia se reproduza até os dias atuais e menos ainda que isso fique impune.

Agradeço imensamente aos meus advogados, principalmente a Doutora Luana Pereira, uma mulher negra que com a maior calma e empatia que só ela poderia ter me acompanhou por todos esses anos. Dela agradece a família, agradece a Maju Coutinho também, que a Maju, gente, a jornalista, ela também foi citada pelo Rodrigo Branco na mesma live onde ele proferiu as ofensas. Daí você entra no post da Thelma e não tem comenta, pelo menos eu não tô achando, tá, comentário dessas pessoas famosas aqui.

E é muito estranho, sabe? É muito estranho. É muito estranho porque a gente é tonta, né, de achar que alguma coisa mudou. Nada mudou, gente, nada mudou. Como será o amanhã? Igual é hoje, gente, como nossos pais. É aquilo, coisa deles, Regina. E é isso, enfim. A Thelminha é uma mulher incrível que eu tenho prazer de conhecer, de ter estado com ela várias vezes. Ela já foi no Corrida das Blogueiras, enfim. Torci muito por ela, votei por ela inclusive na final do BBB dela.

E até hoje essa história de que a Thelminha não merecia persegue ela, né? E a gente sabe bem o motivo disso. Persegue mais ela do que persegue outras pessoas que fizeram muito menos para ganhar o BBB e que ganharam BBBs completamente esquecíveis, né? É complicado. E não é sobre BBB, né? A gente sabe que não é sobre isso. Também saiu aí um vídeo da Adriane Galisteu comentando... Não, Adriana Galisteu, ai que louca. Da Luana Piovani, comentando que acharam falas racistas que ela teve em 2018, se não me engano.

E ela teve um posicionamento que eu acho que é o mínimo que deve ter, que é falar: "É, eu falei muita merda mesmo, eu acho que tem todo direito de eu sofrer as consequências do que eu falei." E eu acho que é bem sobre isso, sabe? Quando as pessoas falam merda, quando a gente fala merda, porque tá todo mundo aberto a isso, Eu acho que não tem como a gente fingir que, tipo assim, ai, tá, não dá para você fingir que tava doidão, né?

Fingir, qualquer um finge. Mas o que a gente espera das pessoas é que elas reconheçam que elas falaram, entender que a gente fala, o que a gente faz tem consequências. Mas eu acredito realmente, de verdade, tá, que as pessoas conseguem mudar é o pensamento dela, linha de raciocínio dela, porque Eu mudei muito nos últimos anos, desde o começo da minha criação de conteúdo. Acho que minha mente se abriu muito mais. E se a gente não acreditar na mudança das pessoas, que as pessoas realmente conseguem colocar a mão na consciência, fala: nossa, realmente entendi, sabe, tudo que leva a uma fala ser racista, uma fala ser transfóbica e tal, peço desculpa e blá blá blá.

É isso, porque se a gente não acreditar nisso, gente, Não adianta nada a gente fazer textão na internet se ninguém, se a gente acha que ninguém muda, sabe? Eu acredito que as pessoas mudam de verdade, assim, é meio inocente da minha parte, talvez seja inocente da minha parte, mas é que se não restar essa esperança, não perde completamente sentido do meu trabalho, sabe? Perde completamente sentido. As pessoas precisam mudar e elas mudam, e eu sei que é difícil é para gente que é alvo das coisas ensinar as pessoas o caminho que elas devem seguir, mas também é um serviço que quando a gente tem alguma voz a gente precisa fazer, né.

Enfim, só queria comentar, na verdade, o ponto aqui não é falar o óbvio, que isso tudo que eu disse agora é meio óbvio para vocês que me acompanham, pelo menos, mas sim querer descobrir genuinamente como esse cara chegou onde ele tá. É impossível, gente. É impossível. Tem alguma coisa muito podre por trás disso. Ai, meu Deus, ou se tem. Gente, eu caí sem querer num vídeo. Sem querer não, né? O algoritmo entendeu que existia algum motivo pra isso ser apresentado pra mim.

É interessante também como o mundo do algoritmo agora parece que realmente nada é por acaso, tudo estava escrito, né? É uma coisa meio Maktub, assim. É tipo, é o seu destino ver esse conteúdo baseado em tudo que você viu até hoje. Então não existe mais um acaso de cair em alguma coisa. É, às vezes eu tento ir atrás desse acaso, tá? Às vezes eu tento, às vezes eu tento fazer uma busca de algo que eu jamais buscaria só para dar uma, um chacoalhão no algoritmo.

Vocês fazem isso? Não, né? Você é muito desocupada. Mas e às vezes eu tento também entrar em perfil de pessoas que eu jamais entraria. Eu entro bastante no perfil das pessoas que me seguem, tá?

?Voz B

E nas pessoas que comentam as minhas coisas e tal.

LFLorelay Fox

Às vezes eu nem dou like, às vezes eu dou, né? Eu gosto de dar like, mas eu ficar pensando assim, aí se for uma menina, ok, vai ficar super feliz. Se for um menino, corre risco de achar que eu tô mandando foguinho, mas não é sobre isso. Caiu na minha timeline um vídeo da @cadamuroana, tá? Pelo que entendi, ela é dubladora e tal. E não é nem sobre isso o conteúdo dela, mas ela fez um vídeo explicando que ela tem uma doença que se chama parosmia.

Parosmia, gente, é basicamente a doença em que você, depois de ter COVID, tá, você fica com uma sequela. Lembra que quando as pessoas tinham COVID, mas COVID ainda existe, né, gente, Elas paravam de sentir gosto, paravam de sentir cheiro e não sei o que lá. Mexia com tudo isso. O que eu acho muito estranho, gente. É muito estranho. Porque não é do tipo: "Ai, seu nariz tá tapado, você não tá sentindo gosto, não sei o que lá." Não, era algo dentro de você mesmo, assim, que mudava.

A parosmia são pessoas que pararam de sentir cheiro das coisas e quando elas voltaram, pelo que eu entendi é isso, o cheiro foi todo trocado dentro da cabeça delas. Gente, como é possível isso? Como Nossa Senhora explica isso, gente? Isso não é coisa de Deus, não. Mas pensa assim, ah, cheiros trocados, ai, beleza, gente. Só que é trocado para pior. É como, gente, acho que esse daqui é um dos piores castigos que alguém pode ter.

Eu não sei como que essa mulher não morreu de fome. Como que ela vai conseguir comer um prato de arroz e feijão se aquilo tem cheiro de lixo apodrecido? Como que ela vai conseguir passar um perfume se aquilo tem cheiro de bosta? Todos os cheiros foram trocados por cheiros horríveis. Eu acho que é uma questão de que dentro do cérebro o cheiro fica trocado, ou será que existe cheiro ruim dentro de todo cheiro bom? Eu sei que quando eu assisti o vídeo dela, eu tive muitas perguntas.

?Voz B

Em 2020 eu tive COVID. Até hoje eu não sei como é que eu peguei COVID em junho de 2020, sendo que eu tava trancafiada em casa e não tava lambendo corrimão de metrô, mas eu peguei. Depois de longos 3 meses sem olfato e paladar, eu desenvolvi uma condição que se chama parosmia. A parosmia nada mais é que meus divertidamente em pânico, correndo de um lado para outro, plugando cabo onde não tem que plugar, e todos os cheiros e gostos estão trocados na minha cabeça.

Se fosse só isso, tava até bom. Porém, eu sinto cheiros e gostos terríveis em tudo. Então eu sinto cheiro de podre, eu sinto cheiro de estragado, eu sinto cheiro de carniça, e tudo isso vem acompanhado do gosto também. Desesperador.

LFLorelay Fox

Ela fala aqui sobre os divertidamente dela estarem maluco. Então eu acho que é realmente uma coisa mais do cérebro, na identificação dos, dos cheiros do que um problema no nariz, porque cheiro é uma coisa assim, tem as partículas... Olha, eu vou falar uma coisa que eu não faço a mínima ideia se é assim que funciona, tá? Mas eu vou tentar explicar e depois eu procuro no Google. As coisas têm partículas, essas partículas chegam até o nosso nariz e lá dentro tem coisas que identificam essas partículas, né?

Daí, Ela tava identificando errado. É como se o cérebro dela esquecesse o idioma do cheiro e tivesse aprendido tudo errado de novo, gente. Só que o que me deixa assustada é que tava tudo errado para pior.

?Voz B

Eu sinto cheiros e gostos terríveis em tudo. Então eu sinto cheiro de podre, eu sinto cheiro de estragado, eu sinto cheiro de carniça. E tudo isso vem acompanhado do gosto também. Desesperador. Pra facilitar a vida, eu sempre explico pras pessoas que eu tô daltônica do nariz. Eu acho que é um jeito criativo de explicar isso, porque as pessoas normalmente entendem. Se eu vou comer alguma coisa que pra você tem gosto de frango, pra mim provavelmente tem gosto de churume, que é aquele liquidinho que sai do lixo.

Porém tem algumas coisas bem inusitadas também. O meu amaciante de roupas tem cheiro de pamonha. O sabonete que eu uso pra lavar o rosto tem cheiro de pastel fritando. O perfume do meu marido tem cheiro de caldo quinoa. Basicamente, eu durmo com um canjão de galinha do meu lado. Alguns produtos de limpeza têm cheiro de manteiga de pipoca de cinema. Alguns outros têm cheiro de queimado. Então eu posso escolher entre manteiga de pipoca de cinema e um incêndio na minha casa. Nutella tem gosto de uva. Eu odeio uva. Eu perdi Nutella pra uva.

LFLorelay Fox

Tem alguns que ela vai comentar ainda que não são trocados pra pior, tá? Mas são poucos. É muito assustador, gente. Isso daí é uma coisa que eu fiquei em pânico por ela. Eu fiquei com medo de isso acontecer comigo. Se isso acontece comigo, gente, se acontece com você, é o tipo de coisa que a gente nunca pensa, né? A gente sempre pensa em desgraça, tipo assim, ah, eu vou quebrar uma perna. Ai, se eu tiver que, sei lá, fazer um transplante, uma coisa assim, são coisas extremamente pesadas e tal.

Mas, gente, Isso daqui é uma coisa até surreal. Pelo que ela conta, é algo que já existia, só que o grau que ela teve foi tão grave que levaram ela para ser estudada na USP. Coitada! Vamos continuar vendo.

?Voz B

Sabonete, shampoo e condicionador Dove e desodorante Dove e Rexona tem cheiro de suor, então não adianta nada eu passar porque parece que eu tô fedendo na sociedade. Mas para sorte do meu marido, eu não sinto cheiro de Pum! Cocô? Xixi? Nada que se faça dentro de um banheiro. Logo, ele pode peidar à vontade do meu lado e eu nunca vou saber. Nosso casamento nunca vai acabar. Mas se eu vou num restaurante é terrível. Porque uma das piores coisas pra mim é alho e cebola.

E o que é mais famoso pra temperar as coisas aqui no Brasil? Alho e cebola! É sério, é desesperador. Parece que eu vou morrer. Tem gosto de carniça, de morte, de... Bleh! Normalmente essa doença vai embora com 6 meses, porque ela não tem cura, ela não tem tratamento e ela não tem remédio. E com 6 meses o seu corpo deve se regenerar sozinho. Porém meu corpo tá um pouco preguiçoso aí, cara. Eu tenho parosmia há 5 anos. O meu caso foi tão maluco que a USP me estudou.

Eles fizeram vários testes comigo e tentaram fazer algumas terapias olfativas pra ver se voltava alguma coisa. Spoiler: não deu certo. Mas a vida é assim, acontece, a vida continua. E aí, você ou alguém que você conhece tem ou teve parosmia? A pessoa deu uma pirada, porque deu uma pirada aí nos tempos, hein? Mas hoje eu tô bem, meio que aceitei minha sina, tá tudo bem.

LFLorelay Fox

Gente, se todas as comidas tivessem cheiro de pamonha para mim, eu ia engordar 20 kg, porque eu sou obcecado por coisas de milho. Inclusive fui numa kermesse esse final de semana com Marcos. Gente, que kermesse boa! Se você é daqui de São Paulo, vai lá na Praça Romero Quero lá no Tatuapé. Ai, aquela gente vai todo ano, já faz uns 4, 5 anos que a gente vai naquela kermesse, né? Acho que desde que a gente se conheceu. É muito boa, jogamos até bingo, gente.

Ai, quase que eu ganhei por um número. Mas, gente, me esbaldei nas coisas de milho, viu? É curau, é pamonha danada, tá? Sabonete ter cheiro de pastel já começa a ter meio estranho. Como que isso mudou dentro da cabeça, né? Gente, ela falar que as coisas de antitranspirante, sabonete, tem cheiro de suor me leva— é que eu sou uma grande pesquisadora, né— me leva a crer que existe uma coisa que se conecta com a outra, mas que os cheiros se misturaram.

Será que se ela sentir cheiro de suor ela vai estar sentindo cheiro de Rexona? Não sei. Ela não sente mais cheiro de cocô, xixi e pum. Como que você, gente, por quê? Porque é óbvio esse cheiro, você tá gastando com tudo o resto, todo o resto tá sentindo cheiro ruim, né? Que ela ainda vai explicar mais sobre o quanto ela, as comidas tem um cheiro horrível. Mas como que pode não sentir um cheiro e sentir outros, gente? Como pode não sentir?

Aí eu sou muito burra para entender. Acho que ninguém entende isso, só quem estuda mesmo, né? Todo meu, meu, meus pensamentos mesmo. Tá, isso daqui é muito estranho, isso daqui é muito estranho. Daí nos comentários tem outras pessoas que falam que tiveram também, que durou bastante tempo e tal. Um aqui comentou: só pegar COVID de novo e trocar os cheiros novamente. Faz algum sentido? Imagina se é assim, tem que embaralhar de novo.

Aí o medo de pegar COVID de novo e morrer, né, gente. Enfim, é muito estranho. Eu só queria dividir com vocês esse choque que eu tenho da diversidade de doença. Isso daqui não é uma doença, né? A doença foi a COVID. Isso daqui é as sequelas que pode deixar. Ai, COVID era de mentira! Ai, ninguém pegou COVID de verdade! Pipipi, borobobô, inferno! Ah, então vamos agora para o momento Conselhos Ruins? Vamos! Esse daqui é um momento onde eu leio um pedido de conselho.

Que você, ouvinte do Podcast Para Tudo, mandou para o email podcastparatudo@gmail.com. Esse é um momento onde eu leio os podcasts que foram enviados e escreveram no título: "pedido de conselho pro podcast", "leia no podcast", porque se você mandar pra esse email eu posso ler lá no canal também, mas se você pede eu leio só aqui. E eu preciso que mandem conselhos pra eu alimentar esse quadro aqui no canal. Hehe. Ah, então legal explicar coisas, Lembrando que eu tenho um podcast exclusivo para apoiadores onde eu só leio caso de apoiadores.

Então se você mandar para esse email daqui, eu não vou ler lá, eu vou ler aqui, tá bom? Então mande aí para me ajudar a construir esse quadro. Pode ser pedido de conselho curto, tá? Preferencialmente. E o nome desse quadro é Vou Ler Um Conselho todo final de programa. Oi, Lorelinda, tudo bom? Espero que você e o Vitinho estejam bem. Pode me chamar de Margarida, pois quero o anonimato. Venho pedir um conselho para uma treta de família.

A história é a seguinte: meu pai faleceu há uns anos e a última vez que o vi foi 3 meses antes disso acontecer. Eu tava de mudança de país, me despedi de todos, e meses depois de chegar na casa nova ele se foi. Tem sido difícil viver o luto assim. É algo complexo, sempre faço terapia há muitos anos e sei que tô mais madura, me conheço mais. A treta atual é a seguinte: minha tia, irmã dele, foi contactada pelo cemitério para fazerem o processo de exumação, quando tiram os restos e levam para uma gaveta.

Esse é um processo normal, pois precisam liberar espaço no cemitério. Ela, entretanto, disse que vai já agendar a cremação, pois quer fazer um jardim na casa dela para colocar as cinzas. É, gente, não dá para julgar o luto de ninguém não, né? Eu confesso que não sou muito a favor da cremação, a não ser que a pessoa tenha pedido em vida. Sinto que os familiares precisam, podem precisar de um lugar para ir e prestar suas homenagens.

Ela disse que quer isso porque não consegue mais ir ao cemitério com a minha avó, mãe deles. O que facilitaria. Nossa, gente, que caso é esse? Que que eu vou falar para isso daqui? Por morar fora, eu sinto falta disso. Quando vou para minha cidade, vou até o cemitério e passo umas horas ali no silêncio e sinto que fico mais perto do meu pai. Não quero que esse meu ritual se perca e sinto que eu tenho direito de ter isso. Eu acho também.

Lore, eu passo mal sempre que ela vem com essa história impondo uma vontade dela. Mas tenho medo de estar sendo egoísta. Beijos e adoro podcast, me faz companhia nos dias de trabalho. Obrigado, meu amor. Gente, então vamos lá. A irmã dele quer cremar, a filha não quer, a avó quer. Pelo visto, a avó, que é a mãe dele, né, quer cremar. A gente vai ter que fazer uma votação em família. Pior que é isso. Só que eu acho que é uma coisa assim, ó, Mas também as cinzas...

Ai, gente, eu tenho medo de começar a falar coisas absurdas e ofensivas. Mas tem gente que deixa a cinza dentro da urninha, não é? Aí eu tentando amenizar, urninha. E também a cinza dá pra ficar um pouco na urna e um pouco em outro lugar, não dá? Por que ela não deixa pelo menos na urna? Daí, tipo... Ai, gente, eu não sei o que fazer. Só que daí também dividir a pessoa assim, tipo, um pouco do... Das cinzas aqui, um pouco ali, gente, daí já não é mais conta.

Conta como ainda? Tipo, se você tem um pouco da cinza lá na casa da sua avó e um pouco vai ficar, sei lá, na casa da sua mãe ou até mesmo na sua casa, não sei, é daí meio que a pessoa tá dividida, ou não é assim que funciona? Como que vai ser o sentimento a partir disso? Ai, achei estranhíssimo e Eu não consigo entender mesmo o que vai ter que ser feito. Eu acho que a votação sobre o que deve ser feito. Mas daí você trouxe um ponto bom: seu pai nunca falou sobre cremação quando tava vivo, né?

Então fazer isso depois pode ser complicado. Mas ao mesmo tempo, eu acho que entendo essa coisa da mãe dele não poder mais ir para o cemitério, né? De ter ficado complicado para ela. E no final, a mãe não é a que importa, gente. Os filhos importa também, né? É que os filhos vão viver muito mais do que a avó, por exemplo, então eles vão querer visitar muito mais. Não, gente, acho que filho tem prioridade, né? Não a mãe. Gente, eu não sei, depende também da relação que se tem, né?

Eu acho que você tem que deixar clara essa sua explicação, essa sua vontade, e pedir por uma votação. E não sei o fazer? Por que não mente para mãe dele também? Gente, a gente pode mentir, a gente esquece que a mentira resolve coisas, tá? Ah não, cremei sim, vó, tá aqui a cinza, ó, joga lá no quintal, daí ela vai achar. Toda vez que ela tiver no quintal, ela tá em contato com o pai, mas não vai estar. Ai, gente, é pecado isso que eu tô falando, né?

Mentir que jogou uma cinza. Ah, mas também, né, gente, se não for, né, eu não sei. Ai, gente, é umas questões que a gente não tá preparado para viver mesmo. Nunca parei para pensar nisso. Que que tem que fazer? Que que tem que fazer? Você que trabalha em cemitério, que que as pessoas costumam fazer? Eu também acho muito estranho coisa de ter a cinza. Eu acho tudo estranho a respeito de cinza, embora eu acho que é legal você ser cremado.

Eu acho que é uma opção válida assim. Inclusive, acho que eu queria ser cremada, tá? Jogar minha cinza na boate, a louca! Joga minha cinza no ABC Bailão. Não, eu E eu fico pensando assim, tá, você ter a Cinzi e levar ela pros lugares é meio assustador. Eu acho meio assustador, tipo, você tá levando um pedaço da pessoa. Mas também você jogar ela em um lugar é mais assustador ainda. Tipo, se você jogar o pó, o pó vai e você perdeu mesmo.

Não sei, não sei. Mas é que eu também não tenho essa coisa de querer ir num cemitério ver as pessoas. Eu guardo coisas delas na minha casa, tipo assim, eu tenho aqui do lado de onde eu gravo, inclusive tem um quadro que era da minha avó com a Santa Joana d'Arc, tem uma bonequinha de pano que minha outra avó que fez. Então para mim isso daí é uma forma de conectar. Se tivesse uma urna aqui com as cinzas, qual seria minha relação com isso?

Mas ao mesmo tempo, quando me cremarem e forem colocar numa urninha, dá para a gente escolher uma urna bem cante, né? Dá para escolher uma urna num formato engraçado, um bong. Tô falando bong porque eu ganhei um bong esses dias. Gente, as pessoas acham que eu fumo maconha, eu não fumo maconha, gente. Não tenho o que fazer com bong agora, mas enfim, parece um vaso, né? Mas tudo bem. Ou colocar dentro de um ursinho. Ai, gente, se colocar dentro de ursinho, tem coisas que automaticamente parece que tudo vira mal-assombrado, né?

Se colocar cinzas dentro de um ursinho, automaticamente ele vai começar a manifestar alguma coisa. Mas dentro de um pote, de uma tupperware, não vai manifestar nada. Uma garrafa de uísque, nossa, é óbvio que é isso que eu vou pôr. Ai, mas também parece oferenda, né? Dentro de uma garrafa de uísque, nossa, você não se preserva também, né, Danilo? Pelo amor de Deus, amiga. Então eu acho que, acho que não, acho que você tem o seu direito sim.

Eu vou ficar mais do seu lado porque você é a filha, você que tá longe. Você que quando vem pra cá precisa se conectar, tá bom? É isso que vai ter que ser. Vai ter que ser assim. Se bem que é mais fácil pra você se acostumar a essa ausência de ter onde contemplar do que a sua vó, será? Ai, não sei, gente. Não sei. Me desculpa de eu não ter ajudado. Igual lá no Conselhos Ruins, às vezes eu não consigo ajudar, eu só trago mais dúvidas, tá?

Espero que essas dúvidas confortem seu coração, porque eu não sei o que fazer. Mas também, com tudo, a gente se acostuma, né? Tudo a gente se acostuma. É que já tem o problema de você não estar aqui quando ele faleceu, né? Isso daí que te pega mais. Mas é isso, não tem o que fazer. Às vezes o sofrimento é a única opção que a gente tem: aprender a lidar com ele. E é isso também, a vida também é sofrer, gente. Não dá para passar pela vida sem sofrer.

E mas sinto muito pelo seu sofrimento, inclusive. Desculpa de eu ter te ajudado. É isso, gente, acabou o episódio.

?Voz B

Epa!

LFLorelay Fox

É nessa que eu vou, gente. Mandem seus casos, continuem ouvindo, avaliem bem esse podcast, tá bom? É nessa que eu vou tá indo e a gente se vê por aí.