Episódios de Podcast Para Tudo

#271 - Entrar em coma, realidade alternativa, sonhos

15 de maio de 202632min
0:00 / 32:30
Uma mulher entrou em coma e, ao acordar, descobriu que o filho que teve, a vida que viveu e o amor que sentiu… nunca existiram. A vovó pega esse caso real e reflete sobre os limites entre realidade e sonho, o que a mente inventa pra nos proteger; e termina dando um Conselho Ruim pra quem precisava ouvir.
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👵🏼 Lorelay Fox é Drag Queen há quase 20 anos e, nesse loreverso, falamos sobre ETs, conselhos (ruins), dicas de maquiagem e assuntos cotidianos.
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Participantes neste episódio2
D

Danilo

Host
L

Lorelay Fox

HostDrag Queen
Assuntos5
  • Desconexão da realidadeComa induzido e realidade alternativa · Clélia Verdier · Impacto psicológico de comas · Inception (filme) · Percepção da realidade
  • Maternidade e filhos saindo de casaIndependência financeira · Relação com os pais · Morar de aluguel · Reconstrução de casa · Liberdade pessoal
  • Mudanças nas Habilidades NecessáriasCostura · Sapateiro · Tricô · Bordado · Macramê · Fast fashion
  • Envelhecimento e LongevidadeEnvelhecer LGBT · Importância dos vídeos antigos · Canal das Bipo · Roda e Na · Formação de geração · Futuro da internet
  • Lidar com o sofrimento e as adversidadesSofrimentos necessários · Términos de relacionamento · Pandemia · Empatia
Transcrição86 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, este é o podcast para tudo. Aqui é um lugar para todo mundo para falar sobre tudo. Um lugar para a gente comentar aquilo que aconteceu na semana, pensamentos aleatórios, dicas interessantes ou não. E eu sou Lorelai Fox, então vem comigo.

Olá, meus amores, estamos aqui em mais uma sexta-feira. Obrigado pela sua audiência, obrigado por ouvir o que eu tenho a dizer. Não que eu tenha muito a falar, gente. Não tenho muito a dizer, não tenho nada a acrescentar. Esses dias eu tava vendo aí uns cortes nas redes, viralizando. A louca é aquela pessoa que fala com jargões de internet. Cortes nas redes, viralizando. E de pessoas reagindo a cortes de podcasts.

E daí eu fiquei assim, nossa, realmente as pessoas fazem podcasts que levam a reflexões e tipo com frases interessantes e coisas assim. Eu acho que eu já fui assim um dia, tá? Eu acho que eu já tive o que acrescentar, o que falar. Hoje em dia, gente, eu não tenho nada a dizer. Inclusive, eu queria era ficar quieta.

Ai, ai, me reserve o meu direito de ficar caladuxa, gente. Essa semana eu fui fazer uma gravação com o Dante. Acho que vocês conhecem o Dante, ele é um menino trans. Menino, a bicha vai fazer 30 anos.

É que ele tem muito cara de novinho, gente, o Dante. Enfim, gravei ali pra um programa que ele vai lançar no mês do Orgulho e tal. Daí a gente tava conversando sobre envelhecer LGBT. A Mama Darling também tava lá. Um psicólogo, o Max, também muito fofo, muito querido, também tava lá. A gente ficou comentando sobre o que é envelhecer, o que é ser adulto e não sei o que lá. Mas como que isso me remeteu ao que eu tava falando no começo?

Que todo mundo que tava lá comentou sobre a importância dos meus vídeos no começo do canal, no começo da fase LGBT do YouTube brasileiro, né? Não fui o precursor, porque tivemos lá canal das Bipo e na Roda, que vieram antes de mim, que estavam bem bombando na época. E que saudade dessa época, né? Gente, a gente só sabe que é bom quando a gente perde.

Ai, ai, a gente achava que tava ali assim, tínhamos muito que lutar, não sei o que lá, e realmente tínhamos, né? Realmente tínhamos. Eu não sei se a gente tem que tá com o sentimento de que nós conquistamos o que a gente tava buscando, ou se toda luta foi em vão. Eu não quero acreditar que toda luta foi em vão, mas o mundo tá...

tão polarizado e não tava, né, gente? Em 2015 tava começando esse fenômeno depois lá do movimento não é só pelos 20 centavos e tal, a gente acreditou em alguma coisa. Na verdade, eu não sei nem se a gente acreditou, viu, menina? Eu acho que a gente mais foi manipulado a acreditar. Não, a gente acreditou, sim, eu acreditei. Enfim, eu acho que a gente...

A gente foi feliz e não sabia. O canal das Bia até hoje em dia viraliza com alguns. Transformaram em memes, né? Mas é porque elas faziam umas músicas falando sobre militância. É muito datado. Mas teve a sua importância em formar toda uma geração. Mas hoje em dia, quem que tá formando a próxima geração, gente? Eu não sou. Quem são os novinhos, as pessoas que estão surgindo na internet, que estão falando de pautas relevantes?

Eu não sei. Existe. Me digam se existe, se não existe. Pelo amor de Deus, eu preciso ter esperança no futuro da internet. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Me mandaram. Vocês me sugerem várias coisas pra eu comentar aqui no podcast. Me mandaram um post. Ai, gente, será que é verdade? Eu não fui...

Não fui conferir se essa história é verdadeira. Deixa eu só dar um Ctrl C, Ctrl V aqui. Google. Pra ver se é verdade. Se saiu em algum portal. Além de páginas do Instagram. É, parece que saiu aqui. Gente, tô achando que é mentira a história, tá? Mas... Eu acho que...

que eu vou ler mesmo assim, tá bom? Vou ler esse post aqui, porque de toda forma me fez refletir. Clélia Verdier, uma jovem adolescente de Lyon, na França, viveu uma vívida vida, viveu uma vívida vida, é que tá traduzido automaticamente, tá?

alternativa de 7 anos, enquanto estava em coma induzido por 3 semanas em 2025. Clélia tinha 19 anos quando foi hospitalizada e colocada em coma após uma emergência médica.

Durante seus 21 dias de inconsciência, os médicos afirmam que seu cérebro criou uma realidade detalhada, onde ela conheceu um parceiro e formou uma família. Ela deu à luz a trigêmeos. Ah, querida, já que é pra sonhar, né?

Vamos longe disso aí, gente. Ela deu luz a trigêmeos e os criou por vários anos, o que pareceu ser o tempo de um sonho. Uma das crianças faleceu nessa realidade reconstruída, causando-lhe um trauma emocional genuíno.

Meu Deus, gente, a menina tá em coma. Daí você pensa assim, putz, o cérebro dela vai barbarizar, ela inventar realidades onde ela é, sei lá, presidente dos Estados Unidos. Não que isso também não seja um pesadelo, né? Mas não, o cérebro vai falar assim, olha, vamos criar filhos. E se a gente tirar esse filho daqui de você pra ver como é que você vai sofrer? O que é isso, cérebro?

O que você está fazendo aí na sua cabeça? Quando a equipe médica atirou do coma, seu primeiro instinto foi perguntar onde estavam seus filhos. Gente, pesado, né? Os médicos tiveram que explicar que ela nunca havia engravidado e que suas memórias eram resultados de uma complexa atividade neurológica durante a sedação. Complexa? É pouco, né? A menina sonhou. Essa noite, gente, eu também sonhei com tanta coisa assim, tão vívida na minha cabeça.

Eu sou muito sonhadeira, né? Diz que é bom ser sonhadeira. Eu sou sonhadeira.

Acho que essa noite eu acho que eu mais sonhei do que dormir. Porque diz que o bom é você sonhar, mas tem fase do sono que você não sonha, que é o sono mais profundo que você não tá sonhando, não é isso? Mas, ai, eu sonhei muito essa noite, então tô meio cansaducha. Ai, gente, não quero sonhar, não. Verdeir compartilhou sua história pra destacar o intenso impacto psicológico de comas induzidos por medicamentos de longa duração. Ai, gente, mas foi por causa do medicamento?

O sonho não é culpa do medicamento. Quanta gente não acaba entrando em coma induzido. Ela continua fazendo terapia para lidar com o luto pela perda de uma família que muitos acreditam nunca ter existido. O que você acredita? O cérebro inventou tudo? Ou ela realmente viveu uma vida diferente? O que eu te pergunto é, qual é a diferença de uma coisa para outra? Nenhuma.

Eu acho que é nenhuma. Você lembra naquele filme Inception, gente? Que a pessoa, ela tá ali. O que ela viveu é exatamente Inception, tá? Spoiler alert. Mentira, não é spoiler. É só a sinopse do filme, tá? No Inception, eles têm um jeito. Pior que eu já nem lembro mais como é que eles fazem isso. Mas eles têm um jeito de sonhar e entrar no sonho. E saber que tá sonhando. Mas ali, viver uma vida dentro do sonho.

E você realmente, tipo, vive uma vida dentro do sonho. Não é meio isso que é nosso sonho sempre, gente? Não tem a ver com ela tá... Ai, desculpa, minha filha, você também não é tão especial assim. Ai, os traumas que você... Como induzido pode trazer... Como assim, se você é a única que passou por uma coisa maluca dessa? Só que o que eu tava querendo dizer é... E eu não vejo muita diferença de você viver um sonho muito longo.

E o seu cérebro sente, vê, analisa tudo como se fosse real. Qual a diferença disso para a realidade, gente? Nenhuma.

Não tem diferença nenhuma, sabe? Ou eu tô sendo mais louca ainda. Eu não vejo diferença alguma. Porque eu acho que tudo na nossa vida passa pelo filtro da nossa consciência. E tudo que a gente enxerga como real também é uma coisa filtrada pela nossa experiência muito pessoal. Eu posso ter alguém que vive comigo, faz as mesmas coisas que eu, sei lá, um irmão gêmeo. Vai pra deixar tudo mais próximo ainda.

que é criado no mesmo lugar, frequenta a mesma escola, conhece a mesma família, vê tudo ali da mesma forma que o outro irmão, e mesmo assim eles vão ter perspectivas diferentes da vida, muito parecidas, muito parecidas, mas o que eu quero dizer é que tudo é muito único, baseado na nossa percepção do universo, e tudo está sendo filtrado pela nossa cabeça, se a nossa cabeça diz que uma coisa é real, ela se torna, para mim é isso que faz com que as pessoas acreditem em alienígenas ou não, ou em fantasmas ou não.

Ou, sei lá, no amor ou não. No Bolsonaro ou não. Nessa realidade paralela que as pessoas estão vivendo de...

se mudar pro Paraguai, é pro Paraguai que os bolsominion tão vivendo. Eu vi uma entrevista aí que o cara falando assim, ai, mas mesmo com os índices bons no Brasil, de desemprego, de não sei o que lá, melhores, né, não ótimos, mas tipo, vocês ainda querem se mudar? O cara virou e falou assim, em vez dele falar, ai, eu quero mudar assim, mesmo com tudo bem. Ele falou, não, eu quero me mudar, mas não tem como saber se esses índices que você tão falando é verdade.

Daí é aquilo, você cria a sua própria realidade e você vive aquilo, gente. Qual que é a diferença disso pra um sonho? Nenhuma. Ah, é porque aqui a gente pode tocar, pode não ser aquela gente. A percepção do toque, do sabor, de tudo, é uma coisa que acontece dentro do nosso cérebro.

Se no nosso cérebro tá acontecendo aquilo daquela forma, então gag dela gag. Aquela que não sabe terminar uma reflexão. Então gag dela gag, gente. Eu acho que, assim como essa mulher, ela teve a experiência de dentro do sonho dela criar toda uma família e tal, ela vivenciou aquilo de uma maneira que o cérebro tava comandando como se ela estivesse na vida acordada. Ou na vida fora do coma, né? Porque o que é estar acordado também?

Às vezes vocês não têm essa percepção estranha de que você tá, tipo, parado. Assim, eu tinha muito isso quando eu era criança e hoje em dia ainda tenho, às vezes. Tipo, você tá parado e você olha pras coisas e você, tipo, tem um senso de realidade estranho. Tipo, nossa, as coisas são reais mesmo. Tipo, eu sou real? Eu estou aqui? O momento é agora? A vida está acontecendo agora? A vida em qual o tamanho da vida?

Tipo, a vida aqui perto de mim e toda a vida do universo tá acontecendo ao mesmo tempo. Tipo, daí você encosta nas coisas e... Gente, eu juro que eu não uso drogas, tá? Quer dizer, eu bebo, mas outras drogas eu não uso. Mas daí eu... Tipo assim, nossa, que estranho. Que estranho ter essa sensação de realidade. E eu tenho que me anestesiar disso um pouco, porque eu vivo uma realidade meio estranha. É meio estranho as pessoas me olharem e verem uma coisa em mim que...

que pra mim a realidade não é o que elas criaram de mim, entendeu? É estranho. Daí eu tenho que... Não sei se é me dissociar. O que eu tô falando já, né, gente? Não sei se vocês estão acompanhando o raciocínio, mas tenho certeza que tem pessoas aí que têm esse momento que pensam putz, a vida real é real mesmo? Nossa, parece que a gente tá andando numa corda bamba, assim, estranha. E que se a gente cai um pouco pro lado, a gente percebe que, putz, a realidade existe.

Será que é porque a gente fica o tempo inteiro sendo anestesiado por tudo que a gente consome? E cada vez mais anestesiado. Parece que o senso de realidade mudou. Mas enfim, voltando à história da moça. Sinto muito, porque ela sofreu. Ela perdeu um bebê durante essa vida pseudo-imaginária.

Mas ao mesmo tempo, não parece uma daquelas histórias que a pessoa volta no tempo? Tipo, ela criou essa vida, mas ela voltou no tempo e tudo que aconteceu de ruim ali não existiu? Ai, gente, quem que nunca teve um pesadelo e não acordou pensando, putz? Ai, foi só um pesadelo, foi só um sonho. E o contrário eu também tenho, tá? Você acorda e pensa, putz, era um sonho, queria tanto voltar lá, gente. Às vezes eu sonho que eu tô milionária.

Eu falei assim, ai não, não acredito que não é meu dinheiro. Quando eu acordei. Mas enfim, geralmente com pesadelo a gente se arrepende mais de acordar, né? E o que é estranho é que tava conversando com um amigo meu que terminou um relacionamento recente. E foi a primeira vez que ele terminou um relacionamento que ele realmente tava bem, tava feliz e tal, enfim. Mas tava sozinho, sendo feliz sozinho, pelo visto, né? Que eu fiquei puta também de terem terminado com meu amigo.

Mas enfim, coisas que você aprende, né? Daí ele falando sobre, tipo, nossa, eu não consigo dormir, eu não tenho ânimo quando eu acordo, não sei o que lá, não sei o que lá. Daí eu achei interessante porque eu pude conversar com ele sobre uma sensação que eu tenho quando passa por um término ou por outras coisas ainda piores do que, sei lá, um falecimento de alguém, a própria pandemia e tal. Eu sei que quando eu tô passando por uma fase assim...

Eu acordo e penso assim, nossa, a vida está sendo pior do que um pesadelo. E daí meu amigo teve essa sensação. E daí quando eu falei, ele meio que clicou isso nele também. Tipo, eu descrevi um sentimento que ele estava tendo, mas não sabia descrever. Daí eu fiquei gag, dei lá gag. Falei, é realmente, todo mundo precisa passar por isso, pra saber como é que é. Conversei com o Marcos sobre isso. O Marcos falou que não, ninguém precisa passar por isso, não sei o que lá. Gente, eu acho que tem sofrimentos da vida que a gente precisa passar. Em cara diferente, sim.

Eu acho que a gente tem... Eu confio mais em quem já sofreu por amor, já terminou, já foi chifrada, já não sei o que lá. Eu acho que... É que eu confio mais, mas eu acho que a realidade dessa pessoa é mais próxima da minha. Tem como a gente se entender melhor, sabe? Enfim, não sei nem como eu vim parar nesse assunto, mas é isso.

Quero aqui trazer um pensamento que eu deixei anotado aqui. Gente, 3h40 da manhã eu anotei isso daqui. Ai, eu preciso colocar o meu sono num horário normal, gente. Pelo amor de Deus, me ajuda. Eu anotei assim. Às vezes eu tenho medo que as pessoas parem de costurar.

Eu sei que isso soa um pensamento bem enxapado, mas deixa eu chegar onde eu quero chegar com essa reflexão. Às vezes eu paro e penso em coisas que as pessoas faziam muito comumente, tipo costurar. É uma coisa que todo mundo faz, todo mundo não, né? Mas era muito comum você encontrar costureiras, pessoas que faziam suas roupas, ou que arrumavam pelo menos as roupas dos outros e tal. Eu sei porque minha avó era costureira e minha mãe crescendo.

cresceu sabendo costurar pelo menos o básico e tal, e isso não passou para mim, quer dizer, eu sei o conceito, entendo como funciona, já fiz uma costurinha ou outra e tal, sei passar uma linha na agulha, mas também passar uma linha na máquina de costura é uma coisa que eu já não me lembro, mas já soube um dia. Enfim, então a coisa vai morrendo. E o que eu penso é, primeiro...

são habilidades que as pessoas não deviam perder, né? Eu sei que não é uma habilidade pra mim, mas pra muita gente poderia ser. Gente, voltem a costurar. Por que vocês pararam? Ai, mas só porque você precisa de arrumar uma calça, não sei o que lá, não sei o que lá. Também, também por isso. As roupas que eu uso na Lorelaive...

A maioria delas são feitas por uma costureira babadeiríssima que o Miguel conhece. Nossa, ela realmente entrega muito. Ela tem muita experiência em fazer casaco, que é uma coisa que eu sei que é muito difícil de fazer. Tipo, casaco, jaqueta, coisas assim que tem uns acabamentos muito específicos, uns cortes muito específicos, assim.

Eu penso, mano, as pessoas não vão mais fazer isso. Por quê? Porque hoje em dia, se você precisa disso, você vai comprar. E tá cada vez mais barato comprar, principalmente por causa das importações chinesas. E daí, ah, estragou. Você vai fazer um remendo, ou você simplesmente se livrar daquilo e vai comprar outro fast fashion. Mas, gente, não é legal. Não é legal. E não é só isso. Minha reflexão não era nem só sobre costurar isso. Daí é a ponta do iceberg.

Muito disso vem das necessidades que eu tenho por causa do meu figurino de Lorelay, tá? Sapateiro, gente. Daí você pensa, quem se importa com sapateiro hoje em dia? Quem manda arrumar sapato? Eu. Eu.

Eu mando arrumar sapato, tá? Não só mando arrumar, como o que a gente mais faz agora é mandar encapar sapatos. Gente, o Miguel também tem um contato de um sapateiro, que a gente manda ali um escarpanzinho, ele encapa com o que você quiser e parece que saiu de fábrica, daquele jeito eu fico gag.

É caro? É caro? É caro? Mas, gente, então aí tem outra questão. É caro? É um serviço super valorizado, porque é um serviço bastante exclusivo até. Você não encontra alguém que faça com uma qualidade tão boa, uma coisa tão específica. E por que as pessoas não querem fazer esse serviço sendo que ele é caro?

Porque façam, gente. Virem sapateiro. É muito legal, sabe? Uma coisa assim. São coisas específicas que eu tenho medo que acabem. Claro que eu tô falando de necessidades minhas. Mas eu também tenho medo que acabem, por exemplo, as pessoas que fazem tricô. Não uso. Não é nada pra mim. Mas tipo, essa arte vai se perder, gente? O bordado vai se perder? Não deixem o bordado se perder. Sabe?

macramê, macramê também às vezes tá em alta, isso e aquilo, não deixem isso se perder, sabe? Eu acho que a gente precisa olhar pra essas, não são necessidades, né? Pra essas skills. Como é que traduz skills? Habilidades que a gente não pode perder. Todo mundo agora quer saber fazer dancinha no TikTok e ninguém quer saber consertar um sapato de salto alto.

Mas eu acho também que é isso, né? Cada vez menos as pessoas têm poder aquisitivo pra pagar por um serviço que realmente é uma costureira, é um serviço exclusivo. Claro que a maioria das costureiras hoje em dia mais fazem reparos em roupas, mas é aquilo. Ah, é um reparo? Uma barra que eu mando fazer aqui do lado de casa, que eu mando fazer barra em calça porque eu tenho 1,65m.

você não acha a calça que o comprimento funcione pra mim é 40 reais daí você pensa, putz, 40 reais na chenha eu compro uma calça nova mas a calça nova também tá num comprimento que não funciona pra mim eu vou ter que mandar mas você entende que é uma eu entendo todas as problemáticas disso inclusive o fast fashion além de acabar com todas as

cadeias de produção mais artesanais como as costureiras que faziam roupas pra vender, também acaba com tudo isso, né? Sei lá, o sapateiro que consertava sapato, hoje em dia ninguém se importa em consertar porque é muito mais fácil ir na 25 de março ou ir em qualquer lojinha e comprar um sapato novo do que arrumar um seu. É complicado, entendo isso, entendo, tá? Sei todas as problemáticas.

Mas vamos agora pro momento de conselhos da vovó. Peguei aqui um conselho ruim que eu recebi há muitos meses atrás, gente. Desculpa, tá? Mas é o que vai ter que ser. E o nome desse quadro é Vou Ler Um Conselho Todo Final de Programa. A pessoa que mandou falou prezada Lorelai Fox, é um imenso prazer de escrever. Eu sei, gente, que é um imenso prazer mesmo.

Ah, inclusive falando em imenso prazer, eu amo que eu sempre começo a ler uma história, eu paro no comecinho porque me lembra outra coisa e eu quero comentar essa outra coisa antes. Se você quer participar da Lore Live lá no teatro, gente, no dia da Lore Live, sempre acaba tendo alguns ingressos pra vender. Tem um ingresso de gente que volta, que devolve, sei lá o quê, mesmo já estando esgotado e tem alguns ingressos também de acessibilidade.

que às vezes acabam sobrando porque não tem ninguém pra preencher aquelas cadeiras especiais, e a gente acaba vendendo pro público normal mesmo, entendeu? E também indo lá no dia, sempre tem alguma poltrona que tá sobrando, geralmente mais no fundo, geralmente mais no fundo, mas também daí você se conforme, o teatro é pequenininho, 150 pessoas, então...

De toda forma, mesmo quem tá no fundo enxerga super bem, não é uma coisa assim grande. Então, vale muito a pena. Eu sei porque muitas vezes as pessoas não pensam assim, ai, não tem mais chance de eu viver. Ainda tem chance, não só pro meu, como pro do Diva Depressão também, o Diva ao vivo.

Ainda sobre ingressos, sim, tá bom? São poucos, mas entra lá no site durante o dia que deve ter alguns ingressos disponíveis, sim, tá bom? Vamos lá. Peço que leia esse conselho no podcast, pois com muita pouca frequência eu acesso o YouTube. Gente, eu acho meio mágico as pessoas que ouvem mais o podcast do que veem o YouTube, sabe? Eu acho que eu conquistei...

recortes diferentes do público e isso é muito legal, sabe? Tipo, pensar que alguém gosta mais do podcast do que do YouTube. Na minha cabeça, todo mundo que tava aqui devia vir do YouTube e não é assim. Eu conquistei um público aqui. Público que é do podcast e um público que vai se tornar assinante do Conselhos Ruins, que é o melhor podcast de conselhos que existe no Brasil, tá bom? Ele é.

É muito diverso, eu sou engraçado, eu xingo o público. O público manda, o público paga 10 reais pra poder mandar pedido de conselho. E mesmo assim eu destruo a pessoa, mesmo ela pagando pra mim. Eu não passo pano pra ninguém. Eu amei que fizeram esse comentário esses dias lá no grupo do Telegram. Porque tem também grupo do Telegram. Eu falei assim, que bom que as pessoas percebem isso. Que tipo, independente de ser um apoiador...

Eu posso discordar muito e acabar com as pessoas mesmo assim. Ah, mas é porque também a bicha tava lá se fazendo de sonsa, pegou o ex do amigo e achava ainda que, poxa, ela tá certa? Ai, como assim, bicha? Enfim, aquele caso me deixou muito gag. Voltando ao caso que estou lendo aqui.

Moro em uma casa de madeira no terreno dos meus pais que literalmente está caindo aos pedaços e preciso urgentemente ser reconstruída. Nesse caso, estou guardando parte do que recebo mensalmente para reconstruí-la. Mas meu dilema é o seguinte. Ai, que diferente essa questão, achando que ia vir coisa sobre macho, mas vamos lá. Mesmo eu já sendo independente, sinto que preciso morar em uma distância um pouco mais saudável dos meus pais.

Com certeza. Você não falou a idade nem nada, mas, gente, saiam de perto de seus pais o quanto antes, tá bom? E não do tipo abandonem seus pais, a não ser que eles mereçam, porque às vezes eles merecem abandono sim. Mas, tipo, gente, vamos...

Vamos ser independentucha, independentucha chiquinha, né? É uma distância um pouco mais saudável dos meus pais, pois perco um pouco da minha liberdade morando ali, como se eles quisessem vigiar meus passos, querendo algum tipo de satisfação de ir pra onde eu vou, que horas eu volto. Às vezes saio e demoro, ficar mandando mensagem pra saber onde estou. Gente, mas é uma preocupação genuína.

Isso daí é o menor dos problemas que você pode ter com seus pais. Aí eles quererem saber onde você tá. Se eles não te impedem de estar, tudo bem. Porque hoje em dia, se eu tô lá em Sorocaba e minha mãe sai, ela adora ir pro centro, espírita, essas coisas. Se ela vai precisar... Eu também começo a ficar nervosa. Onde é que ela tá que não voltou essa hora? Será que tá tudo bem? Não sei o que lá. Sabe, a gente também fica assim, né?

Eu também fico. Da gente meio que entendo o Chiquinha, né? Já aconteceu, inclusive, às vezes, de minha mãe me chamar na porta da minha casa pra eu não perder o horário de ir trabalhar. Sendo que eu ainda nem tava atrasado.

Ai, amiga, que inferno. Eu entendo o que você quer dizer, mas percebe que é mais um cuidado de mãe do que alguém querendo infernizar? Aí tu pensa assim, coloca limites nessa relação. Já tentei, mas parece ser algo intrínseco dela. Esse comportamento é mais da minha mãe mesmo. Amigo, mas isso é uma mãe sendo uma mãe. Sabe?

Entendo ser um cuidado. E que não são coisas ruins. Ai, que bom que você entende. Mas já sou 30 a mais. E acho que preciso de mais espaço. E sinto que isso tira um pouco da minha independência. Sim. Total. O difícil é ter essa conversa, né? Mãe, eu vou sair daqui porque eu quero me atrasar. Tá bom? Eu quero me atrasar. E se eu me atrasar, eu tenho que lidar com o meu próprio atraso. Porque é meio isso que você quer peitar, né? Peitar de que a gente pode fazer escolhas erradas. Independente de qualquer coisa.

Outro fator é que meus pais já têm uma certa idade. E é fato que, quando chegar o momento dos meus pais partirem, meu irmão e cunhada irão querer morar ali no mesmo terreno. Mas eu não me dou bem com meu irmão, muitíssimo menos com a minha cunhada de direita, LGBTfóbica e intolerante religiosa. Mas por que seu irmão vai querer morar ali? Onde é que seu irmão tá morando agora?

Ai, gente, não dá não. A casa tem que ficar com a gaysinha, tá? Sei que paz é o que não vou ter quando esse momento chegar. Mas se esse momento chegar e você não estiver mais ali, você já tiver sua vida resolvida em outro lugar. Tipo, não vou falar que você vai estar bem, eu sei qual é a realidade das pessoas, gente. Mas às vezes você tá conseguindo se virar sem estar ali. Então...

Não vai ser um problema como você pensa, sabe? É claro que ele tá falando se ele continuasse morando ali. Mas você não vai estar morando ali. Você vai mandar uma devolutiva. E essa altura, essa bicha já deve ter mudado ali. Aconteceu de tudo, né? Acho que foi em novembro do ano passado que ela mandou isso daqui. Mas enfim.

Não sei se investir na reconstrução da casa ali seria uma boa opção. Talvez morar de aluguel seja. Eu até tenho condições pra isso e sinto que seria bom. Mas assim eu teria que viver apenas com o básico do básico, que é ter um teto e comida. Raramente sobraria dinheiro pra comprar roupas, móveis, utensílios. Quem dirá viajar pra qualquer lugar. O que você me aconselha? Ai, amigo, eu entendo. Eu não sei o quão apertado você vai estar.

Mas, às vezes, dividir um aluguel com outro amigo é uma opção, sim. Ai, mas a gente acaba não se dando bem. A gente acaba brigando por isso e aquilo. Sabe a única coisa que vocês têm que se juntar pra fazer pra não brigar? Ter uma lava-louça. Você vai ter uma lava-louça, você não vai brigar com a pessoa que você tá dividindo apartamento. Eu prometo pra vocês. Vocês acham que eu tô zoando, que eu tô mentindo, mas, gente, louça na pia é briga na certa.

Tirou a louça da pia, gag dela gag. Tá bom? Vai ser isso, pode ser isso. É uma opção, tá? Só que eu acho, de verdade, que o preço que se paga pela sua liberdade nunca é alto. Pra você ser livre, o aperto que você vai passar, você vai se sentir muito mais livre do que apertado.

Eu acho. É um incômodo. Um incômodo estar vivendo assim. Nessa angústia de querer sair. De não sei o que lá. E você mesmo já analisou a situação. Você sabe que não vai ser fácil. Mas sempre vai dar um jeitinho. Porque a gente é guerreira. A gente é guerreiro. A gente é guerreiro.

A gente é guerreiruxa e vai dar tudo certo. Inclusive, até seus pais podem te ajudar com roupas, móveis, coisas que você vai precisando, não sei o que lá. As coisas vão dando certo. Se você se movimenta pra isso, eu acredito nisso. Porque também, gente, se a gente não acreditar nisso, a gente vai acreditar no quê? Se a gente se movimentando vai dar tudo errado? Empodera! Empodera!

O que você me aconselha? Encaro um aluguel e vou levando a vida como dá? Ou invisto em reconstruir uma casa ali mesmo? Considerando todos os fatores. Não construa uma casa ali, tá? Porque não vai funcionar isso daí. Não tô nem falando sobre, ah, esse irmão vai acabar morando lá e não sei o que lá, não sei o que lá. Não, gente. Pegue esse dinheiro e coloque nas suas coisas, tá?

Porque depois, todo o dinheiro que você colocou ali, seus pais vão morrer, tá? Daí vocês vão ter que dividir a grana do terreno. Ele vai ficar com metade de tudo que você gastou ali e ele não colocou um centavo. Financiar pra mim não é uma opção, pois já tentei no passado, mas um imóvel acabou indo a leilão. E hoje estou negativadíssimo. Ai, bicha. Grato pelo seu tempo de um fã. E obrigado pelo seu...

Ah, não, não é apoiador, não. Não tá dando 10 reais. Não, tadinho, né? Porque às vezes tem uns apoiador também que tá com uma vida difícil e mesmo assim apoia, gente. Mas tá tudo bem, eu entendo. Não consegui apoiar agora, tá? Obrigado pelo seu caso que mandou aqui pro podcast aberto. E... Confia em mim. Confia em mim. Eu acredito nisso que eu tô falando. E também tem a outra coisa, tá? É... Saiu, não deu conta, seus pais vão aceitar você de volta.

Às vezes o momento pra você fazer esse movimento na sua vida é agora.

Seus pais ainda estão ali. Ai, mas se entrar outra pessoa ali na casa. Ai, meu filho, mas vocês vão dar um jeito. Enquanto seus pais ainda tem alguma coisa, eles vão dar um jeito. Então, gente, a gente esquece que na vida a gente pode voltar atrás das nossas decisões. Ai, mas nisso eu perdi muito dinheiro, não sei o que, não sei o que lá, não sei o que lá. Gente, pelo menos você fez um movimento. Pelo menos você sabe. Eu acredito nisso. A gente tem que dar a cara a bater. É que dá muito medo.

e é caótico, e a gente acha que as coisas não vão dar certo, porque quando você mudar, quando você ainda não tiver se acostumado com a casa nova, com seus gastos novos, a vida vai estar caótica e você vai estar arrependido, mas espera a poeira baixar que a coisa vai se encaminhar e vai assentar. Ah, inclusive eu tava falando de cortes inteligentes, que eu vi de pessoas reagindo a podcasts, era um corte...

E a podcast de áudio, tá? Porque não tinha nem vídeo pra pessoa reagir, pelo menos é o que eu acho. A pessoa falando assim, ai, que meio que mudança na vida é como se você fosse reformar uma cozinha ou um cômodo da sua casa. E enquanto a reforma está acontecendo, você só vê aquele caos da reforma, você pensa, putz.

Que arrependimento. Eu devia ter deixado a cozinha como ela tá. Mas é porque ela ainda tá no momento da reforma. Quando a reforma passar. E a cozinha nova estiver pronta. Você vai pensar. Que bom que eu passei pelo caos da reforma. Agora tá tudo do jeito que eu queria. E realmente melhorou muito.

Eu acho que é uma boa, acho que deu pra entender, né? Claro, a reflexão não foi minha. Pior que eu nem lembro que podcast que falo isso, qual foi o corte, nem sei nada pra trazer pra vocês. Mas acho que é uma coisa interessante pra gente refletir, tá bom? Espero que eu tenha ajudado, te empoderado. E empoderado a todo mundo que tá querendo sair da casa dos pais. Não só das casas dos pais. Se você tá morando com, dividindo aluguel. Se você mora com amigos. Se você mora com maris. Se você mora com a puta que te pariu. Com os encostos que tá aí na sua casa.

Chega uma hora que a gente não aguenta mais a assombração que tá ali na nossa casa, né? E a gente tem que sair. Ai, mas não é justo eu sair, não sei o que. Gente, ai, só pensa em você, só vai, sabe? Só vai. Se é isso daqui que você precisava pra sair da casa dos seus pais, você nunca vai se arrepender. Gente, de verdade. Sempre estar mais independente vai ser mais positivo. Se você não vai se fuder muito, tá? Eu entendo todos os recortes, mas simplesmente vai.

Tá bom? Meu nome é Lorelay Fox. Obrigado a quem chegou até aqui. É nessa que eu vou.