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Indicadores acadêmicos e educacionais: como transformar dados em aprendizagem real | Fabricio Vieira

27 de abril de 202637min
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Qual é o papel dos dados na transformação da aprendizagem? Em um cenário educacional cada vez mais orientado por evidências, como escolas e educadores podem ir além da coleta de informações e transformar indicadores em ações concretas que impactem, de fato, o desenvolvimento dos estudantes?

Neste episódio, Fabricio Vieira, diretor-adjunto educacional da FTD Educação, discute como o uso estratégico de indicadores acadêmicos e educacionais pode apoiar decisões mais assertivas e promover uma aprendizagem mais significativa.

Participantes neste episódio2
M

Murilo

HostJogador
F

Fabrício Vieira

ConvidadoDiretor-adjunto educacional
Assuntos2
  • Indicadores educacionaisImportância dos dados na educação · Diferença entre indicadores educacionais e acadêmicos · Uso do IDEB na gestão escolar · Desafios na interpretação de dados · Integração da IA na educação
  • Ações a partir de indicadoresComitê gestor na educação · Planos de ação baseados em dados · Desenvolvimento de competências socioemocionais
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Olá, sejam todos bem-vindos, eu sou o Murilo e está começando mais um Conexão Bet. Esse é mais um espaço de diálogo da Bet Brasil para conectar você com a comunidade educacional e trazer os assuntos mais relevantes do setor. Se você é novo por aqui, já se inscreve no canal e ative todas as notificações para não perder nenhum conteúdo.

Bom, no episódio de hoje nós vamos falar sobre como utilizar indicadores educacionais de uma forma estratégica para garantir bons resultados e uma aprendizagem mais significativa. Para falar sobre esse assunto, recebo aqui o Fabrício Vieira, doutor em Educação para Ciência pela Unesp, mestre em Ciências na USP e diretor adjunto educacional da FTD Educação. Fabrício, prazer recebê-lo aqui, viu?

Murilo, o prazer é meu. É uma honra poder estar aqui no Conexão Bete e esse bate-papo vai ser muito importante para que a gente possa levar uma excelente mensagem a todos os professores e escolas do nosso país. Maravilha, temos bastante assunto para tratar aqui hoje, viu Fabrício? Fabrício, para a gente começar, você tem indicadores. Quando a gente cita indicadores educacionais, do que a gente está falando realmente? Qual a importância dessas métricas para guiar a gestão de uma escola, a realidade de escola, compreender a realidade de uma escola?

Perfeito, perfeito. Murilo, primeiro que indicadores educacionais não é um tema novo na educação. Nós temos, desde a criação do Instituto do Inep, que nós estamos falando aí de 1930 e pouco, nós temos muitos anos pautados sobre indicadores.

Porém, trabalhar com indicadores depende de várias ações, né, para que você possa, a partir dos dados, você conseguir, de fato, promover ações.

Aqui é algo novo, né? Aqui é algo novo porque, de fato, nós estamos tratando sobre uma mudança de comportamento, que é olhar para os dados para que a gente possa, de fato, promover uma ação pautada em evidências. Mas eu vou te permitir aqui, só para que eu possa fazer, trazer uma metáfora, para que a gente possa compreender melhor como, de fato, os indicadores, eles são pensados, como eles são construídos. Se nós estivéssemos num navio, Murilo, nós dois, estamos num navio...

E chega o momento, a gente tem que tomar algumas decisões sobre o nosso rumo, sobre o nosso trajeto. E nós podemos olhar e falar o seguinte, Murilo, qual que é o sentido do vento? Ou qual que é a profundidade que nós estamos, né, para a gente poder saber se essa embarcação está no lugar correto?

Só que nós não temos nada para nos apoiar. Qual que seria a nossa decisão, Murilo? Sem dados fica mais difícil, né? Sem informação... Fica muito mais difícil. A gente se pauta no AX. Por quê? Porque a gente passa a entender. Olha, eu acho que o vento está para o lado oeste. E você fala, não, mas olha, acho que ele já mudou. Ou a profundidade que nós estamos aqui é essa.

Então, com base nisso, nós não temos evidências para tomada de decisões. Então, nós vamos ao Léo, esse navio ele está à deriva.

diferente de quando a gente olha para um painel. Então, quando a gente olha para um painel, e aí a gente passa a ter dentro desse painel todas orientações e informações com relação ao GPS, que é o sentido, com relação à profundidade, você passa a ter ali informações sobre a profundidade que nós estamos. Então, com base nesses dados, as nossas decisões são mais assertivas.

Então, tratar sobre indicadores é a gente, de fato, poder olhar com base nas informações que nós temos educacionais, né, focados aqui na educação, para que a gente possa tomar decisões e, a partir do diagnóstico, ter encaminhamentos coerentes aqui para o campo educacional.

Não tem como gerir uma instituição de ensino sem ter esses dados, sem ter essas informações para tomar as melhores decisões ali. Exato. Por muitos anos nós gerimos a educação no nosso país com poucas informações. O que acontece é que hoje nós estamos num momento em que a própria tecnologia nos apoia, nos dá suporte.

E a gente passa a ter indicadores, que são os indicadores educacionais e também indicadores acadêmicos. São dois indicadores que nós temos que olhar com bastante atenção, Brilho. São os educacionais e os acadêmicos. Porque assim nós conseguimos ter, de fato, orientações que são assertivas. E quais as diferenças entre os acadêmicos e os acadêmicos? Ah, eu tinha certeza que você já ia me perguntar isso, né? Eu deixei aqui, provoquei você nesse sentido.

Murilo, os indicadores educacionais, eles estão pautados naquilo que é o macro da educação. É como se nós olhássemos para um painel amplo. O que um painel amplo trata? Ele vem nos trazer um cenário geral da instituição. Eu vou te dar um exemplo. Taxa de alfabetização de uma instituição ou de uma rede de ensino. Eu estou olhando para a rede de ensino.

A taxa de alfabetização, ela traz informações, são indicadores, com base no comportamento de um grupo de alunos, de uma escola e de um sistema, de como nós estamos olhando para aquele sistema de maneira geral.

Quando você olha para o indicador, que é o acadêmico, aí nós vamos olhar para a sala de aula. Eu saio daquilo que é macro, que é da instituição, e eu vou para a sala de aula. E aí, nesse contexto, eu vou entender cada aluno, o processo de aprendizagem e como que nós estamos com o desenvolvimento.

daquele grupo de alunos ou individualmente de cada um. Então, nesse caso, eu saio da taxa de alfabetização e eu vou identificar como cada aluno, ele está na sua proficiência leitora, na sua proficiência escritora. Então, nós nos pautamos sobre a taxa, sobre o desenvolvimento da alfabetização daquele indivíduo.

Então, nós temos vários exemplos de indicadores que são educacionais. O próprio IDEB que nós temos, ele é um indicador educacional da educação básica do nosso país. E ele traz ali referências importantes para que a gente possa pensar e avaliar toda uma rede de ensino com base no desenvolvimento da aprendizagem, mas também nas taxas de aprovação.

E temos indicadores acadêmicos, que é quando você quer entender a proficiência sobre o ensino da matemática, a proficiência sobre a leitura e assim por diante. Você citou agora o IDEB, né? Toda vez que sai o IDEB, gera uma grande repercussão dentro das instituições de ensino. Eu queria entender como essas avaliações podem guiar planos de ação concretos nas escolas, enfim, para melhorar resultados, melhorar gestão, enfim. Perfeito.

Murilo, o IDEB foi instituído, se eu não estou enganado, em 2007, que foi o ano que foi instituído o IDEB, então nós estamos falando ainda de menos de 20 anos. Então, temos ainda muitas oportunidades para a gente poder olhar para esses indicadores e poder tomar as decisões corretas. Mas tivemos grandes avanços com relação a ter as informações do IDEB no nosso país.

Por quê? Porque o IDEB traz sobre o desenvolvimento daquela comunidade, daquelas escolas que pertencem àquela comunidade. O que ele traz? Ele traz tanto o desenvolvimento da aprendizagem, por quê? Porque por meio da avaliação do Saeb, nós acompanhamos o desenvolvimento da língua portuguesa e da matemática. Então, a gente acaba entendendo o desenvolvimento daqueles alunos sobre o ensino da língua portuguesa e matemática.

Mas, além disso, é sobre a taxa de aprovação, é o não abandono, é de fato os alunos poderem progredir, né, e não ter distorção séria, ano séria, né, que é quando o aluno, ele tem o seu progresso. Então, essas informações, elas são importantes para quê? Para que aquele grupo de gestão...

possa olhar para o comportamento do desenvolvimento da aprendizagem e poder tomar decisões a partir disso. A questão é que o IDEB, como ele é público, ele traz uma evidência para as famílias poderem olhar para o IDEB daquela instituição, para as próprias redes tomarem decisões e, claro, promover ações em busca de melhorias.

Acho que é aqui que está, Murilo, acho que a beleza de ter o indicador é quando, de fato, as comunidades ou a gestão daquele município, ela se mobiliza para promover ações a favor da melhoria desse indicador.

Você pega aqui só para eu concluir, meu caro, o Ceará tem municípios muito expressivos com relação a esse indicador. Então, eles passam a ter ali resultados muito expressivos.

e que a cada ano eles buscam se desafiar para promover, para conseguir ter um desempenho melhor com relação à IDEB. Então, isso nós temos a cada dois anos a métrica, mas isso promove muito e estimula muito um olhar de gestão pautada nesses indicadores.

Sim, a gente está falando muito dos indicadores aqui, você citou o IDEB, tem também o ENEM, que é outro indicador também. Queria entender, Fabrício, como você avalia isso na educação, o acompanhamento desses indicadores, de fato, tomar uma decisão, fazer um plano de ação, como isso está posto na educação atualmente, Fabrício? Perfeito.

Se a gente olha para indicador apenas como ranking, eu acho que nós erramos. Porque o indicador, ele não é para ranqueamento, porque nós temos muitas variáveis com relação a fatores externos que impactam o desenvolvimento, ou melhor, um dado. Então, você tem ali o indicador e eu posso ter contextos tão distintos que... Dá para olhar um dado frio ali, né? Não, não pode ser frio. Você pegar um IDEB e só fazer um ranqueamento, você...

promove um erro. Pegar um ENEM e só fazer um ranqueamento também promove um erro. Mas quando você passa a ter esses indicadores para que aquele grupo de gestão, né, ele forme um comitê gestor para poder avaliar esses dados e a partir disso construir um plano de ação a partir dele,

eles são fundamentais. Tanto que você trouxe aqui o Enem, o Enem passa a ser um indicador acadêmico, ele é um indicador sobre o desenvolvimento daqueles estudantes. E quando você traz para uma escala de proficiência, você consegue entender sobre cada área do conhecimento e também sobre a proficiência escritora,

qual é o comportamento do seu grupo de alunos e também do contexto individual de cada estudante. O que permite? Permite que os professores possam avaliar esses dados e poder promover ações para que realmente esses alunos possam...

melhorar o seu desempenho, a sua aprendizagem. Então, é nesse contexto, né? Agora, o que é o desafio, meu caro? O desafio é, de fato, parar para olhar os dados. Sim. Eu acho que aqui, né, quando eu trago a questão dos indicadores, acho que nós temos várias oportunidades de ter dados para nos retroalimentar.

Mas poder construir um ciclo PDCA, o que é um ciclo PDCA? Que é de você checo, então eu capturo o dado, aí eu paro para analisar esse dado, aí eu vou construir um planejamento a partir dele e vou promover ações para de fato a gente movimentar a nossa instituição, tanto a escola ou uma rede de ensino. Esse é um grande desafio. Por quê? Porque ter o dado...

É um ponto. Mas a gente poder ter ações a partir desse dado é que faz com que nós ainda, como educadores no nosso país, e também a educação de maneira geral, pautada em evidências, nós temos aqui um progresso ainda bem efetivo nessa frente.

Acho que é importante a gente equilibrar, né? A gente ter o dado, olhar para ele, enfim, estruturar uma ação e ao mesmo tempo garantir que isso de fato está gerando algum tipo de... garantindo que os estudantes, enfim, possam aprender de fato as competências necessárias. Então, acho que o grande desafio também é equilibrar isso, né? Não olhar o dado somente frio e aplicar ele. Entender o dado junto com o cotidiano, como isso está sendo aplicado de forma efetiva, né Fabrício?

Exatamente, exatamente. E Murilo, tem uma questão que eu sempre, quando me pergunto a respeito de indicadores e que eu comento, é sobre, nós estamos falando de aprendizagem acadêmica, é como se parece que o foco único fosse em ele aprender a biologia, aprender a química e assim por diante, né? Mas o ponto não é esse, o ponto é que é, para o desenvolvimento integral de uma pessoa, ter...

base daquilo que é aprendizagem da nossa cultura, dos conhecimentos científicos históricos acumulados, isso forma o indivíduo. Então, tem uma frase do professor José Libânio, que é um pesquisador da Federal de Goiás, e ele fala o seguinte, não há justiça social sem conhecimento.

Não há. Então, se a gente fala sobre formação do indivíduo, sobre aquilo que é justiça social dentro de todas as diferenças que nós temos, e a gente separar aquilo que é conhecimento, nós vamos ter aqui algo dicotônico, não faz sentido. As pessoas precisam aprender, independente do seu contexto social, independente de onde ela vive, aprender sobre...

cultura, aprender seus conhecimentos científicos e históricos. Então, para exercer a cidadania, ele completa. Então, não há conhecimento, não há justiça social sem conhecimento, mas não há cidadania se os alunos não aprenderem.

Então, de fato, quando a gente pensa em formação integral, olhar para a aprendizagem é essencial. Por quê? Porque nós contribuímos para uma sociedade melhor. Então, olhar para como ele aprende e, naturalmente, para indicadores educacionais para que a gente possa entender, além dos acadêmicos, fatores que interferem em uma instituição.

Eu exemplifiquei sobre taxa de alfabetização, mas pense em uma escola ou uma rede de ensino que a sua taxa de alfabetização é baixa. Então, pensa, pensa numa... se a rede de São Paulo, só um exemplo, não é um dado aqui, né, mas se ela tem uma taxa de alfabetização baixa dentro da rede estadual, é necessário olhar para isso e promover ações para que esses alunos tenham alfabetização na idade certa.

Porque se isso não passa a ser um compromisso dessa rede de educadores, a gente passa a ter uma geração que não é alfabetizada, que compromete o seu ciclo de aprendizado. E já é um impacto social imenso. E um impacto imenso, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Fabrício, e quais são as pessoas que estão sendo estudadas?

Quais práticas, né, gestores, lideranças que estão ainda querendo interpretar esses dados, estão com medo, algum tipo de receio, enfim, quais práticas os gestores podem tomar para, por onde começar? A gente está falando tanto de dados, mas por onde começar? Como interpretá-los para que de fato ele tenha um efeito positivo lá na frente, na ponta para os alunos?

Perfeito, perfeito. Acho que o primeiro passo é, nós não podemos negar essas avaliações, tanto as avaliações externas, quanto qualquer coleta de indicadores que permitam a gente poder ter dados para análise. Então, é de fato se debruçar sobre essas frentes de forma muito, permitindo que essa coleta de dados, ela possa contribuir para a nossa gestão.

Um segundo, Murilo, que eu particularmente gosto muito, é a estrutura de um comitê gestor. É um comitê gestor sobre os dados, inclusive dentro do conceito, quando você pensa na área pública de gestão democrática, é poder convidar essa comunidade para que você possa, de fato, se debruçar sobre essa frente.

Sabemos que na educação pública nós temos vários desafios e faz parte da gente lidar com contextos bem diversos, mas se a gente estabelece um comitê gestor incluindo desde contribuições da família que vem trazer um olhar externo.

mas contribuições dos próprios estudantes, né? Quando você pensa no próprio gremio estudantil e convidar alguns estudantes e o envolvimento dos professores naqueles momentos das suas próprias reuniões, nos HTPCs ou ATPCs, dependendo da região, mas permitindo que esse comitê olhe para os dados da sua instituição e juntos...

pensem e promovam ações em prol do desenvolvimento daquele grupo, daquela comunidade. São ações importantes porque de forma isolada, se cada professor atuar de forma isolada, nós vamos ter a contribuição individual em apenas um campo e uma frente.

Então, pensem que talvez lá, quando você olha para os dados de um indicador sobre taxa de alfabetização, ou melhor até, sobre proficiência leitora,

um único professor atuando para o desenvolvimento da leitura desses estudantes, ele será uma voz isolada. E um canto isolado não faz o coral, meu caro. Então, nós precisamos desse professor, da gestão, nós precisamos da comunidade de pais, nós precisamos de um conjunto de ações para contribuir para o desenvolvimento. E nem sempre é simples, tá? Vou te trazer aqui um caso.

E eu falo, me interrompe aqui, bate papo, meu amigo, eu estou super à vontade nesse podcast aqui, tá bem, Murilo? Mas é que eu lembrei de um caso, de uma criança, e que eu estava, eu acompanhei a captura dos dados sobre proficiência leitora desse menino.

E realmente ele não estava apto à leitura na idade correta, então ele estava com uma defasagem bem expressiva, mas ele trouxe um contexto que é um contexto que na casa dele ele não tinha livros.

que ele não tinha, que a família não lia, mas também porque ele não tinha família. Então, quando você vê o contexto dessa criança e quando você compreende todo o contexto, nós temos que olhar para aquilo que é a responsabilidade da escola, do professor, mas como também a gente ter uma análise ampla para, de fato, conseguir...

contribuir dentro desse contexto complexo dessa criança para superar a questão da leitura. Então, olha como é sensível, é muito sensível, porque você olha para o indicador e ele te dá uma informação. E aí você amplia com base nesse grupo de profissionais da educação, para a gente ter mais elementos para olhar para o desenvolvimento de cada criança.

Mas isso olhando para esse menino, por outro lado você olha para grupos. Então, como que nós estamos para o grupo e você consegue ter as variáveis isoladas. Um exemplo só é capaz de gerar todo um movimento para entender o grupo. Exatamente, exatamente. E aí, nesse caso, nós vamos falar sobre leitura, não é sobre a ação só da sala de aula. Ela se torna institucional.

Então, ela passa a ter também uma ação que é como que a própria escola, a instituição, ela vai se mobilizar para poder ter ações em prol da leitura. E além dos indicadores tradicionais de desempenho, Fabrício, hoje é super importante avaliar outros elementos da formação desse estudante. Então, a gente está falando de competências socioemocionais, a gente está falando de pensamento crítico.

falando de outros resultados. Como mensurar isso, né? Como a gente entra nessas soft skills, que é super importante hoje também que o aluno aprenda, se envolva como cidadão, como ser humano. Como a gente mensura isso, Fabrício? Exato, exato. Olha, essa questão é muito importante, Murilo, pelo seguinte, tá? Quando a gente pensa em escalas...

Grande parte dos indicadores nós avaliamos por escalas numéricas, inclusive. Você cria escalas que vão poder, dentro de uma régua, você entender o desenvolvimento e a escala de proficiência. Então, só para exemplificar, você traz aqui o ensino da matemática. Você consegue entender, por meio das habilidades, qual é a proficiência desse aluno numa escala. Você consegue trazer por uma régua uma escala.

Mas como que você faz isso, né? Considerando empatia, meu caro. Então. Colaboração, resiliência, né? Que fazem parte das competências socioemocionais, né? Então, você vai... Ou colaboração, pensa só. Então, você não consegue trazer isso para uma régua. Sim. Para uma escala. Você não vai falar assim, ah...

O Murilo, ele tem aqui uma... a colaboração dele é nota 9, né? Assim, sabe? Não é possível seguir dessa forma. É por isso que os instrumentos são diferentes. Então, quando você traz, né? E você busca compreender o desenvolvimento socioemocional, o instrumento utilizado, ele é outro. Eu vou te dar um exemplo de um, que é a autoavaliação.

A autoavaliação, e existem institutos que têm já instrumentos estruturados dentro dessa frente, ela permite com que esse aluno consiga se autoavaliar dentro do próprio instrumento. E com questões bem simples. Então, por exemplo, eu colaboro com um colega?

Então, eu atuo de forma colaborativa ou eu colaboro com um colega, eu o ajudo em alguns momentos? E dentro dessa pergunta vem a frase, mas isso acontece com que frequência? É às vezes, você faz isso muitas vezes, então você começa a buscar isso dentro de uma escala. Então, considerando essa frente, Danilo, hoje nós não temos indicadores estruturados.

De forma, permitindo com que a gente tenha escala e também uma visão para instrumentalizar o nosso país com base em evidências e dados. Não temos. Hoje, então, esses recursos que são...

disponibilizados, como se tem autoavaliação ou uma avaliação por rubricas, eles, existem instrumentos, mas que eles ficam disponíveis para gestão mais local, individual, para quem de fato entender que ele é importante. Mas como ainda, né, nós temos ainda muitas oportunidades de desenvolvimento...

dentro dessa frente, acho que ainda nós temos oportunidades para avançar um pouco mais dentro dessa, de fato, de ter indicadores estruturados nessa frente. E o que falta para a gente avançar nisso? Eu penso que acho que nós estamos num bom momento, considerando todo o avanço de tecnologia, para que a gente tenha recursos e instrumentos para avançar nessa frente. Então, acho que assim, é um bom momento. Acho que o que falta é...

Primeiro, entender que de fato nós queremos avaliar isso. Acho que tem um entendimento aqui, considerando que as próprias competências socioemocionais, ainda nós estamos numa discussão muito nova dentro da educação e como trabalhar de forma efetiva na educação de grupos. Então, tem um avanço bem expressivo aqui nessa frente.

naturalmente como você ter esses indicadores para você criar uma avaliação que permita você ter uma análise um pouco mais ampla. Mas do contrário, ela é sobre o indivíduo.

Então, acho que, e aqui é só uma reflexão que eu trago, que é, ainda não temos algo padronizado porque não é sobre padrão, tá? Não é sobre escala, não é sobre, né, você estar no momento correto, naquela proficiência correta. Então, tem aqui ainda um desenvolvimento muito amplo sobre estudos que precisam ser feitos dentro dessa frente.

O Fabrício, hoje a gente vive uma avalanche de ferramentas com IA, né? IA vem sendo muito aplicado na educação. Queria entender de que forma essa inteligência artificial está posta na educação, de que forma ela está contribuindo, porque a gente fala muito de dados, né? Então, acho que o IA facilita um pouco a gente mensurar, equilibrar, estruturar esses dados. Eu entendi como você vê esse impacto da IA dentro do setor educacional. Perfeito.

Primeiro que nós temos que desconstruir a ideia de resistência à IA. Acho que eu estou acompanhando muitas discussões que estão acontecendo na própria área acadêmica, como que hoje os pesquisadores do mundo inteiro estão se posicionando frente à IA.

E dentro dessas discussões, Murilo, já a gente vê os próprios países da Europa, os próprios Estados Unidos, já se manifestaram a favor do uso da IA na pesquisa científica.

Então, quando a gente olha que o mundo está se mobilizando e usando esses recursos em prol de algo, que é para você poder acelerar análises, para você poder ter informações ali, ou seja, bem estruturadas. Já te trazer insights, já te dar ali, a partir do dado, qual o efeito dele. Exato.

Então, no campo de educação, nós não podemos ter resistência. Então, acho que esse é o primeiro ponto, né? Que é, de fato, integrar a IA dentro do ecossistema educacional. E quais são as frentes que nós temos oportunidades, né? Acho que uma das frentes que eu trago é uma própria iniciativa que nós tivemos aqui na FTD, que foi uma iniciativa relacionada à competência leitora.

Então, nós desenvolvemos aqui um produto, um produto pautado na captura, na captura de como que esse aluno lê. Então, ele faz a leitura e a gente captura os dados usando a inteligência artificial para que a gente consiga ter dentro de uma escala a compreensão do nível de proficiência.

Qual que é o ganho disso, né? Que nós temos, então, com relação a ter essa tecnologia integrada, né? É que nós... é possível, a partir, então, dessa análise, você ter, primeiro, agilidade nos dados, você conseguir ter a visão do comportamento do grupo, então, você consegue ter uma visão de como que está o seu grupo.

mas também de você poder ter essas informações estruturadas dentro de um grupo de alunos da sala, mas dentro da escola, considerando mais alunos, considerando entre outras escolas de um mesmo contexto e até você pode chegar em uma análise país. Então, no final, em fração de segundos, você consegue ter ali informações estruturadas com base nessa proficiência.

que o aluno está, como que ele lê. E aí a gente consegue compreender dentro dessa escala o comportamento dessa criança. E o melhor, você gasta energia não na análise, você gasta energia na intervenção, na proposta, na solução. Por quê? Porque sem o dado, quando a gente não tem...

instrumentos para você poder capturar essas informações, você acaba...

fazendo isso de forma muito subjetiva e muito manual. Então, como que era realizado antes a análise de proficiência leitora? Escutando cada criança individualmente, porém com a avaliação do docente, do professor.

E hoje, com base na tecnologia, a gente consegue trazer algo estruturado, algo que deixa de ser subjetivo, a gente traz, você tem métricas concretas e no final o professor, com base nessas informações, ele vai colocar toda a sua dedicação de tempo na solução e como que eu vou contribuir para o desenvolvimento deste aluno.

E temos várias oportunidades com a IA na educação. Eu estou citando, eu citei várias vezes aqui a questão da proficiência leitora, porque é um indicador aqui que nós estamos estudando, mas tem a proficiência escritora, né? Raciocínio, você pode trabalhar com relação a complexidade de desenvolvimento do raciocínio do aluno. E assim por diante, né? Você tem várias possibilidades e instrumentos que hoje elas vão permitir.

e outros que ainda, conforme a própria IA está se desenvolvendo, nós vamos entender que associado à educação contribuirá para o desenvolvimento. A IA como um apoio do educador nesse caso, né Fabrício? Você citou o projeto da FTD ligado à IA para leitura, enfim.

Queria entender quais outros projetos a FD vem desenvolvendo para apoiar esse ensino e aprendizagem dos estudantes. Perfeito. Primeiro você citou a questão do apoio, Murile, e está correto, tá? Nós estamos a pensar sempre as tecnologias dando suporte e sendo assistivas aos professores. Assim, é a tecnologia a favor da educação.

Jamais nós estamos falando sobre a tecnologia substituindo o professor ou algo nesse sentido. Pelo contrário, o professor é fundamental dentro aqui dos nossos processos.

E é claro, na sala de aula. Jamais a tecnologia vai substituir o professor no contexto escolar. Mas ela vem contribuir para que ele possa ter... Otimizar o tempo dele. Otimizar o tempo dele, ter mais aulas. Hoje nós temos já tecnologias para plano de aula, para construção de várias frentes.

Murilo, você perguntou sobre o que mais nós estamos desenvolvendo, né? Acho que primeiro que sobre essa frente de associar a tecnologia, de olhar para a IA, para a educação, é uma frente que nós estamos debruçados.

considerando várias áreas aqui da companhia. E temos aqui alguns exemplos, a própria tecnologia associada para que a gente possa compreender os padrões de aprendizagem e desenvolvimento de uma criança, para a gente propor um plano de ação, um plano de aula dedicado para este aluno.

ele é importante. Então, hoje as neurodivergências, que são temas extremamente importantes dentro da escola e que nós estamos aprendendo a trabalhar com essas crianças, então quando você passa a ter a tecnologia integrada, mas associado à construção de planos de aula, planos de atendimento dentro dessa frente, você orienta e instrumentaliza o professor.

Vou trazer aqui um caso, assim, só para a gente poder pensar, né? Você pega uma criança com baixa visão, ou com audição limitada. Você pega uma criança com audição limitada, e quando você cria um plano de aula para ela, e específico, considerando um questionário adaptado para você compreender sobre a criança, a visão da família sobre o próprio filho...

a visão de professores. Então, você coleta esses dados, traz para dentro da tecnologia e você traz a síntese da recomendação, no final, o professor passa a ter algumas orientações de como tratar com essa criança específica.

Então, o que você tem? Você tem recursos que vão permitir você adequar a linguagem, você poder se comunicar com essa criança utilizando outros recursos que é próprio para ela. Então, no final, você constrói um plano adaptado, personalizado e individual. Agora, sozinho é muito difícil fazer isso. Então, quando você integra a tecnologia...

fica muito mais rico, né? Fica muito mais, otimiza muito o seu trabalho na sala de aula. E todas as áreas estão nessa frente, né? Você pega a própria medicina, a medicina já integrou e tem muitas ações sendo feitas com IA integrada.

para que o médico tome as decisões corretas. Então, o médico continua, o papel dele continua, mas ele usa a favor do desenvolvimento do seu trabalho. E é o que nós esperamos na educação. Maravilha, Fabrício. E assunto de ar é assunto para mais duas horas de podcast aqui, para a gente ficar conversando. Eu acho que a gente deveria marcar um momento só para isso. Só para falar de ar.

Eu acho que aí nós vamos bater um papo E trazer outros cases Até porque é muito interessante falar de A Trazendo cases de outras áreas Vamos marcar então esse papo Para a gente finalizar, Fabrício, sei que a FD estará na Bete Brasil Agora em maio, 5 ou 8 de maio Eu queria saber as expectativas para o evento O que você espera, tem muitas pessoas circulando Gestores, diretores Queria ter um pouquinho de você a participação da FD na Bete Brasil Perfeito

Bom, primeiro é uma honra a gente poder participar da BET, a BET é a nossa maior feira de educação no país, mas especialmente para a gente poder encontrar gestores de escolas parceiras, gestores públicos, também os profissionais da área de educação, ouvir, ter bons debates, então a feira ela promove, ela permite esse momento de uma integração.

especialmente focada em inovação no próprio campo educacional, né? A gente poder olhar para as tendências, o que está sendo feito, e por todas, tanto por outras companhias, mas especialmente pelo debate público e educacional que nós temos no país. Então, isso é muito importante. E gosto muito de poder acompanhar a Beth nesse aspecto inovador.

Acho que a Bete, ela permite com que a gente lance, tem algumas novidades apresentadas na própria Bete, e que muitas vezes elas não estão 100% prontas, mas elas permitem a gente poder se debruçar sobre algumas frentes e aprimorando a cada momento, a cada contexto. Então, a Bete é uma excelente oportunidade para esse debate educacional.

Maravilha, então já fica o convite para a nossa audiência visitar o estande de FTD na BED Brasil, de 5 a 8 de maio, lá no Expo Center Norte.

Isso mesmo, convite e espero todos lá. Eu estarei, como todo grupo aqui da FTD, e vai ser uma honra poder bater papo aqui com todos e a gente poder trocar experiências de educação no nosso país. Maravilha, Fabrício. Foi uma honra receber o que a gente vai ficando por aqui. Vamos marcar um segundo papo agora, vai falar só sobre A, tá? Mais duas horas de podcast. Foi um prazer recebê-lo, obrigado por ter tomado participar do Conexão Bet, Fabrício.

Eu que agradeço, meu caro. Foi uma honra. Obrigado. É isso, nós vamos ficando por aqui. Conexão Batch está disponível no YouTube e nas principais plataformas de áudio. Você pode acompanhar todas as nossas novidades, nosso site, redes sociais, Batch Brasil. É isso, muito obrigado pela audiência e até a próxima.

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