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Cine Ponto - Cinemães

04 de maio de 202633min
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Nesse episódio o Cine Ponto entrou no clima do Dia das Mães e mergulhou nas diferentes formasde representar a maternidade no cinema.

Falamos sobre mães que acolhem, que falham, que recomeçam e que fazem o possível e o impossível pelos seus filhos.E claro que a gente também conversou com as mães cineponters para saber quais filmes elas amam e recomendam

Esse programa foi produzido por estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, noprimeiro semestre de 2026.Apresentação e roteiro por Lully Salvador e Maju Barbosa.

Reportagens por Ester Rodrigues, Carol Gabilan, Felipe Paze, Olivia Scheel, Vitória, Luiza Cardoso e Lillian Carlotto. Mesa redonda com Nick Alves, Lara e Ester Rodrigues. Trilha sonora por Sarah Pretto. Arte e redes por Isadora.

Técnica por Peter Lobo. Orientação da professora Valci Zuculoto e edição geral de Felipe Paze, Olivia Scheel e Lully Salvador.

Assuntos6
  • Paternidade e MaternidadeRepresentações diversas da maternidade · Mães que acolhem e que falham · Maternidade adolescente e em condições de vulnerabilidade · Maternidade como instituição de controle patriarcal · A complexidade e a diversidade da experiência materna
  • Filmes recomendadosMamma Mia · Bridgerton · Outlander · This Is Us · Coringa · Malévola · Documentário sobre Raul Seixas · Uma Linda Mulher · Flashdance · Minha Mãe é uma Peça · Que Horas Ela Volta · Querido John · Feitiço de Áquila
  • Presença maternaEnrolados · Rita (série da Netflix) · Coraline · Eu Matei Minha Mãe · Lady Bird · Se Eu Tivesse Pernas de Chuchutaria · Die My Love (depressão pós-parto) · A dualidade da experiência materna · Mães como pessoas humanas com falhas · Aprender junto com as mães
  • Análise de Minha Mãe é uma PeçaInspiração em Paulo Gustavo e Dona Déa Lúcia · Sucesso de bilheteria e sequências · Legado de Paulo Gustavo e carreira de Dona Déa · Homenagem às mães brasileiras
  • Oscar 2026 - Bolão de PrevisõesMudanças no regulamento para filmes estrangeiros · Indicações por festivais de cinema · Estatueta para o filme vencedor, não para o país · Restrições para indicações de atuação e roteiro (humanos) · Possibilidade de múltiplas indicações na mesma categoria
  • IA avança em HollywoodDiscussão sobre limites do uso da tecnologia · Trailer de filme com atuação gerada por IA · Determinação de que indicados em atuação e roteiro sejam humanos
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Ô mãe, cadê minha toalha? Mãe, o que tem pra jantar hoje? Mãe, meu shampoo acabou. Mãe, tô com dor de cabeça. Tem remédio? Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Chega! Cine Ponto

Mãe, aquela que dá luz ou cria um filho. Figura que exerce papel fundamental de cuidado, proteção e amor incondicional. Essa é uma definição genérica da figura materna. Mas quando vamos além, encontramos uma pessoa, humana, que tem suas contradições.

No nosso especial de Dia das Mães, vamos explorar essa figura central na vida e no cinema. Chama sua mãe e vem com a gente que hoje vamos discutir a maternidade no cinema. Eu sou Lully Salvador. E eu sou Maju Barbosa. E está começando mais um episódio do seu programa favorito de cinema.

Ah, mãe, essa figura que aquece o coração, sempre pronta para defender os filhos com unhas e dentes, sempre disponível. Mas será que elas são tão perfeitas assim? Não se sentem cansadas, falhas ou até tristes? No cinema, algumas são intocáveis, figuras fortes, como a mulher elástica de Os Incríveis. Outras são retratadas de forma nua e crua, com seus defeitos à mostra, como a protagonista de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, a Linda.

Seja intocável ou humana, as mães são importantes para muitas narrativas. Nossas repórteres Olivia Schell e Vitória Vasconcelos trazem diferentes cenários e retratos de mães no mundo do cinema.

No dicionário, a maternidade significa estado, qualidade ou condição de ser mãe, abrangendo as relações biológicas, afetivas e sociais que ligam a mãe ao filho. Mas na prática, será que a definição cabe em uma simples frase? A maternidade é complexa e ignorar diferentes contextos é pensar incompleto. Imagine uma adolescente de 15 anos.

moradora da periferia, sem apoio do pai da criança. A idade, a pobreza e a falta de suporte tornam essa experiência especialmente desafiadora. Essa é a realidade de Joely, personagem da novela Três Graças. Mas a realidade de Joely não é exclusividade de histórias inventadas. Mais de 260 mil adolescentes se tornam mães no Brasil, de acordo com a Fundação Abrinq.

E no outro extremo, há relações que parecem traduzir o lado mais afetuoso da maternidade, como a de Dona e Sophie em Mamma Mia, marcada pela cumplicidade, pela parceria e pelo amor genuíno que atravessa gerações. Mas será mesmo que existe essa maternidade plena? É verdade que as condições em que uma mulher se torna mãe influenciam profundamente essa experiência. Porém, ambas são mulheres, criadas pela sociedade e estruturada pelo machismo para cumprir o papel de mãe.

Por isso, a ideia de uma maternidade perfeita ainda é difícil de alcançar. Enquanto o machismo e a misoginia persistirem, ser mãe também significa lidar com expectativas e imposições sociais. A ativista Adrienne Rich fala a seguinte frase A maternidade como instituição é o principal instrumento de controle patriarcal sobre as mulheres.

Isso significa, literalmente, transformar a relação da mãe com seu filho em uma arma contra a existência dessa mãe enquanto mulher. No cinema e na vida, a maternidade nunca se apresenta de uma só forma. No fim, falar sobre maternidade é reconhecer que não existe uma única forma de ser mãe. Entre desafios, afetos, cobranças e descobertas, cada experiência é atravessada por sua própria realidade.

E talvez seja justamente nessa diversidade que esteja a verdadeira essência de maternidade. Eu sou Vitória Vasconcelos. E eu, Olivia Schell, para o CinePonto.

Obrigada, Olivia e Vitória. Sem nossas mães, nós não existiríamos. Elas nos deram a vida. Nos ensinaram o que é certo, errado, o que é alegria, a tristeza, a raiva. Algumas ensinaram nossos hobbies e valores mais preciosos. No CinePonto, somos movidos por cinema e nossas mães alimentam essa paixão.

Dos nossos filmes favoritos falamos semanalmente, mas hoje preparamos um top especial. Os filmes favoritos das nossas cineponters favoritas, nossas mães. Já abre sua watchlist do Letterboxd. Felipe Pazzi, Carol Gabilã e Esther Rodrigues trazem esse especial.

A maternidade e o cinema andam lado a lado, seja como tema central das produções ou por meio da experiência de assistir um filme com as nossas mães em um fim de semana. Por isso, o CinePonto resolveu perguntar para as nossas mães qual o filme favorito delas e o porquê. Selecionamos algumas entrevistas onde as mães nos contam qual o filme, série ou documentário que marcaram elas.

Eu sou a Eleane, mãe da Isadora Giglioli, filme favorito, que é Mamma Mia, que faz me lembrar da minha juventude, o quanto essas músicas foram impactantes na minha vida, e gostei muito de poder olhar ele junto da minha filha e contar um pouquinho de como era no passado. E as minhas séries favoritas são Bridgerton e Outlander, pois elas retratam a vida europeia, a história da Europa.

Meu nome é Denise, eu sou a mãe da Verônica. Tem uma série que é muito especial, This Is Us. Eu gosto muito porque várias questões familiares são abordadas nessa série. É a minha série preferida por isso, porque o tema principal é a família, sempre a família.

Eu sou a Roberta, sou a mãe do Felipe. Bom, eu adoro filme de anti-herói. Coringa, o Los, mas o meu predileto mesmo é a Malévola. Oi, meu nome é Solange, mãe da Esther Rodrigues. Um documentário que eu fiquei bastante emocionada foi sobre Raul Seixas, né? Início, meio e fim. Por ser muito fã dele, é de 14 anos.

e pela trajetória de vida dele também, por ser baiano, brasileiro, enfim. Amo Raul. Oi, eu sou a Márcia Queiroz, mãe da Lara, e um dos meus filmes favoritos é Uma Linda Mulher. Eu acredito que essa história, ela nos traz uma mulher dando a volta por cima, sem desistir do amor, sem se amargurar, entendendo que ela tem valor e que ela pode sim ser valorizada.

Oi, meu nome é Theane, eu sou a mãe da Lully e o meu filme favorito é Flashdance, que é um filme que marcou muito a minha adolescência porque eu gosto muito de dança. O meu nome é Carla Simone Vasconcelos, eu sou mãe da Vitória Vasconcelos Hansel. O meu filme favorito é Minha Mãe é uma peça. É um filme que aborda as questões da maternidade de uma maneira espontânea, engraçada e divertida.

Eu sou a Melissa, mãe da Luísa Cardoso de Oliveira. Gosto muito do filme brasileiro Que Horas Ela Volta. É um filme que, no primeiro momento, você fica impactada. E depois você começa a reconhecer as pessoas, os seus familiares. Acho muito interessante essa cultura velada que existe no Brasil e como a gente tem dificuldade de se reconhecer.

Oi, eu sou a Dayana, mãe da Maria Júlia, e o meu filme favorito é Querido John.

Me chamo Flávia, sou mãe da Olivia. O meu filme do coração é o Feitiço de Áquila, que é um filme que marcou a nossa geração na época da sessão da tarde. E é um filme que fala de amor, lealdade, fantasia, feitiços, uma época medieval. Era um momento encantador e marcou muito a nossa geração. Um beijo a todos.

Cada filme escolhido nos ajuda a entender um pouco sobre essas mães, seus gostos e o momento em que essas histórias as encontraram. Afinal, o cinema tem esse poder. Ele fala com todos e para todos. Ele cria um espelho entre as nossas histórias e as histórias dos personagens. E acredito que ao final todos se sentiram mais conectados com as suas mães, ouvindo elas compartilhando sobre suas obras favoritas. E você, sabe a obra favorita da sua mãe, Cineponter?

Desejamos um feliz Dia das Mães e ficamos por aqui. Eu sou Esther Rodrigues. E eu, Carol Gabilã, para o CinePonto.

Obrigada, pessoal. Mães no cinema existem muitas. Umas são centrais para a trama, outras mais coadjuvantes. Mas tem algumas que marcam a história. O nosso chaveirinho de hoje é de um filme especial, que tem uma mãe impaciente, durona, engraçada, preocupada e amorosa. As repórteres Lilian Carlotto e Luísa Cardoso falam sobre Minha Mãe é uma Peça.

É. Aproveitando que você tá aqui, Tiago, você conheceu o Juliano aonde? Ué, da vida. Que vida? Numa boate. Aonde? Foi numa fila. Que fila? Do bar. Que bar é esse? Da boate. Que boate é essa, Juliano? Uma boate que eu vou, ué. Quem te levou? Tiago. Ué, vocês não se conheceram lá? Não, foi em outra. Senta aqui os dois.

Tem como falar de mãe no cinema sem citar Minha Mãe é uma Peça? O filme conta com a história de uma família que mora no Rio de Janeiro e a mãe, dona Hermínia, divorciada e na meia-idade, não consegue largar o pé de seus filhos, apesar de crescidos. Ao descobrir que eles consideram ela uma chata, em sua forma excêntrica e cheia de personalidade, resolve sair de casa sem avisar pra ninguém.

Ela vai até a tia Zélia desabafar suas tristezas e recordar os bons tempos do passado. Depois desse sumiço, os filhos perceberam como toda a família depende da mãe, e sem sua presença, a casa vira um campo de batalha. No fim, a família percebe que mesmo com toda a confusão e desentendimentos, lá no fundo se amam. Todo o roteiro foi desenvolvido pelo ator e humorista brasileiro Paulo Gustavo.

que se inspirou nas suas vivências e baseou Dona Hermínia nos comportamentos singulares de sua mãe, Dona Déa Lúcia. E ela, para sustentar, para dar continuidade àquela renda que ela já tinha antes de perder esse emprego, ela foi ser porteira do prédio. E eu morri de vergonha, falei, mãe, não acredito que você vai ser porteira.

Ela falou, meu filho, eu não trabalho como qualquer outro e tal, mas eu morria de vergonha. Falava, eu não acredito, meus amigos, a gente vai descer, meu elevador vai dar de cara com você na portaria. Ela falava, mas isso não tem nada a ver, isso não existe. Eu tô fazendo isso pra sustentar vocês. Só que a gente criança não entendia, né? Hoje eu tenho orgulho dela ter trabalhado nesse lugar pra poder sustentar a gente.

Interpretada pelo próprio comediante, o personagem conquistou o público com seu jeito exagerado e engraçado. Com uma bilheteria de 45 milhões de reais, o filme ganhou duas sequências, que lucraram mais que o dobro da primeira. Paulo também esteve à frente da direção de uma série, que com quatro temporadas, daria uma continuação à história. Porém, em 2021, o humorista faleceu aos 42 anos, vítima do Covid-19, e o projeto foi cancelado.

Mesmo fragilizada com a perda do filho, Dona Déa se dedicou em manter o legado de Paulo Gustavo vivo, deu início a uma carreira musical e passou a integrar o programa de TV da Globo, Domingão com Hulk, se tornando uma figura icônica da mídia. Celebrado por retratar o cotidiano familiar brasileiro de forma divertida e emotiva, o filme se consolidou como uma homenagem a todas as mães do Brasil.

Sonoras retiradas do canal Paulo Gustavo no YouTube e do perfil oficial do Multishow no TikTok. Essa mãe realmente é uma peça e um marco no cinema brasileiro. Eu sou Lilian Carlotto. E eu, Luísa Cardoso, para o Cine.

Obrigada, meninas! Para continuar nossa discussão sobre o tema, estão no nosso estúdio Nick Alves. Oi, gente! Lara Queiroz. Oi! E Esther Rodrigues. Salve, Cindy Ponters! Sejam bem-vindas, meninas! Para começar, a gente quer saber, vocês costumam assistir filmes com as suas mães? Ou então, na verdade, eu não tenho esse costume, porque a gente não tem muito tempo.

Então, eu, basicamente, o meu amor por filmes veio da minha mãe, porque ela que assistia filmes comigo quando eu era criança, e ela que me apresentou esses filmes de comédia romântica, de dança, que ela também sempre gostou. Então, eu me apaixonei pelo cinema por conta dela, então eu dedico isso a ela.

Olha, assistir filme com a minha mãe é uma experiência, porque ela é aquela pessoa que nunca consegue assistir um filme inteiro. Ela sempre dorme no meio do filme e fica acordando. O que está acontecendo? Quem é essa moça? De onde ela veio? E aquele momento que você vai desligar a televisão, ela fala, não, mas eu estou escutando ainda. Eu até achei engraçado que ela falou que é esse documentário, porque realmente só uma coisa que chamasse muito a atenção dela para ela assistir.

Então, filme é uma coisa que a gente vai assistir num parcelado, ela nunca termina nada.

A minha mãe é assim também, ela sempre acaba dormindo no meio. E se desligar, a TV fala que ela tá ouvindo. E ela sempre acha que eu sei tudo que vai acontecer no filme dela. Fica me perguntando, eu fico, não, tô assistindo filme contigo. A minha mãe é igual, igual. Eu tô vendo o mesmo filme que tu, não sei o que o personagem vai fazer. Eu não sei o que vai acontecer.

E agora, uma curiosidade. Vocês têm alguma mãe favorita na ficção? Ah, eu gosto muito da Dona Hermínia. Tipo, foi uma coisa que realmente me marcou. Eu já vi várias vezes todos os filmes. E foi, eu acho, um dos únicos filmes que eu realmente vi com a minha mãe. E, gente, a mesma coisa. Ela ficava interrompendo toda hora, perguntando, quem é esse? Nunca vi ela. Isso eu também nunca tinha visto, então... Mas é sempre muito engraçado.

A minha resposta é a mesma. Eu acho a Dona Hermina uma mãe que marcou muito a geração e que também mostra muita visibilidade de como são as mães brasileiras. Então, acho muito interessante ver essa visibilidade em um mundo que a gente vê bastante, né? Coisas só norte-americanas. Então, a Dona Hermina está ali para a gente para representar as mães brasileiras.

Olha, uma das minhas mais favoritas é a mãe Raimunda. Ela é do filme Borber, do Pedro Aldo Mobar. Ele tem essa característica sempre de trazer mães, né? Nos filmes dele, retratar de forma bem diferente. E esse filme fala sobre três gerações de mulheres e até onde uma mãe é capaz de chegar pra proteger uma filha. Então, e é a Capenel Picruz maravilhosa. Ela é diva. Ela é diva maravilhosa. Então, essa é uma das minhas mais favoritas.

Eu não sei se eu tenho, assim, uma favorita. Eu gosto muito da Mulher Elástica, dos Incríveis. Porque eu gosto muito dos Incríveis. Ela era meu filme favorito quando era criança. Mas eu acho que... Na questão de profundidade, assim... Eu gosto muito da Val, de que horas ela volta. Eu acho que ela é, tipo... Eu ia falar a mesma.

Eu acho que é de composição de personagem, assim. Eu acho que é o melhor que a gente consegue ver todas as fragilidades dela. Sim, bem nesse sentido de até onde a mamãe chega, né? Pelos filhos e tal. E a filha dela é uma mãe, né? Que é esse final que traz, né? Do que horas ela volta também. Gente, Lorelay Gilmore.

Pra mim, nossa, o máximo. Vamos pra próxima pergunta, então. Teve algum filme que mudou a visão de vocês sobre a maternidade? Nossa, eu acho que tem vários, na verdade, até questão não só de filme, mas série, que me tocam nesse lugar de questionar a maternidade, como me foi vendida por muito tempo, né? Mas eu acho que o primeiro que me fez questionar sobre isso foi Enrolados. Porque, gente, minha princesa favorita é da Disney, com certeza. Mas eu acho que atualmente tem uma série da Netflix, Rita.

Tem cinco temporadas e é maravilhosa. Ela, além de mãe, também é professora. Então, tem toda essa questão dela não ter tanto tempo pros filhos, né? E ela faz de tudo. Ela tá sempre indo atrás. E também teve quase a mesma questão da dona Hermínia de... Ai, por que meus filhos não tão mais querendo ficar comigo? Tem toda essa questão e é muito legal, gente.

A minha é o filme Coraline, né? Que mostra aí essas duas visões de uma mãe. Uma mãe que tá sempre fazendo tudo pela filha, e a filha acha isso maravilhoso. Até o momento que ela entende que não é isso que faz a mãe dela ser uma boa mãe. E sim dar pra ela as coisas que ela precisa ali naquele momento que a mãe...

dela considera ser o melhor ali pra filha dela, pra criação dela, pro desenvolvimento dela como pessoa. Então, acho que mostrou pra mim isso, que tipo as mães muitas vezes fazem coisas pra gente que a gente pensa que elas tão atrapalhando a gente, mas ela tá ajudando, porque ela tá fazendo isso pro nosso melhor mesmo.

Um dos filmes que mudou bastante a minha visão é assistir na adolescência, chama Eu Matei Minha Mãe, que é do Xavier Dolan, ele é um diretor franco-canadense, ele dirige o filme, ele atua no filme, faz o principal e ele escreveu esse filme com 16 anos, mas ele gravou com 21.

E o filme traz isso, traz um adolescente revoltado, com uma visão super arrogante em relação à mãe dele. Ele começa o filme falando que, nossa, eu detesto o jeito que ela fala, o jeito que ela olha, o jeito que ela come e tudo mais. Eu acho que é uma parte que todos nós vivemos, né, na adolescência. Só que o filme, ele traz exatamente essa quebra, quando ele entende, assim, que não é fácil pra ele ser filho dela, mas também não é fácil pra ela ser mãe dele.

Sim. Então, eu acho que, assim, quando eu assisti esse filme, acho que eu tinha uns 16 a 17 anos, ele...

Me ajudou muito nessa época pra conseguir ver também a visão das nossas mães também, sabe? Porque também não é fácil pra elas, sabe? Esse processo. A gente tá sendo um filho pela primeira vez e elas também, muitas das vezes. Tá sendo mãe pela primeira vez. Esse retrato da adolescência é bem interessante. E eu lembro de um dos filmes que eu mais gosto, assim, que é Lady Bird. E eu adoro a relação dela com a mãe dela. Pra mim, aquela cena inicial que ela tá brigando com a mãe dela. Ela abre a porta do carro e se joga.

E eu olhei e ela é exatamente... Eu adolescente era exatamente assim. E aí eu vi depois... Se eu tivesse visto Lady Bird com, sei lá, 15 anos, 13 anos, eu ia ter ficado tipo, nossa, a Manila é um monstro. Mas eu vi, vendo assim, depois de mais velha, eu fiquei tipo, nossa, como é difícil lidar com...

com a Lady Bird. E adolescente, realmente, é muito difícil de lidar. Nossa, insuportável. E tem outros dois filmes, assim, que eu acho que mudaram muito a minha concepção da maternidade, que é Se Eu Tivesse Pernas de Chuchutaria, que é a... ela... a personagem da Rose Barn, né? A Linda, ela passa...

Ela tá tudo dando errado na vida dela. Tipo assim, a casa dela tá caindo aos pedaços, ela tem que morar num hotel. O marido dela não fala com ela, a filha dela tem uma doença. E aí ela tem que trabalhar. E aí ela tá cansada, ela tá o momento inteiro exausta. Então, esse outro lado, né? E o outro filme que me marcou muito... Os dois foram filmes que foram da última temporada de premiação. Foi Die My Love, que é com a Jennifer Lawrence.

que é uma depressão pós-parto. E aí, é muito louco, assim. O filme é uma loucura. E ele é meio experimental, assim, também. Então, ele tem umas cenas bem doidas. Mas é o jeito... A Jennifer Lawrence tá maravilhosa nesse filme. A atuação dela tá muito boa. Mas o jeito que ela expressa aquilo, tipo... Ela não consegue olhar pro filho dela. Tipo, às vezes, ela tem vontade de matar ele. E aí, eu fiquei pensando assim, putz...

Nem toda mãe é, tipo, feliz, nem toda mãe é, tipo, ai, nossa, eu amo ser mãe, nossa, meu filho é maravilhoso. E mesmo as que são assim, em algum momento elas passam por alguma dificuldade, assim, de, tipo, de uma frustração, assim. Sim, porque temos dois lados, né? Muitas pessoas acham que ou você é sempre feliz, ou você, tipo, odeia seu filho. Mas tem essas duas nuances, né?

É, querendo ou não, tu tá meio que convivendo, né, com as pessoas ali. Então é que nem... E são personalidades diferentes, né? É, tu acaba tendo problema, assim, de convivência. Nossa, quando eu penso nas coisas que eu fazia com a minha adolescência, eu falo, meu Deus, eu aprontei tanto com a minha mãe. Por isso que as mães falam, você só vai me entender quando você tiver um filho igual você.

Nossa, gente, a minha mãe fala muito isso. E às vezes eu penso até no Enem. Ah, eu não preciso ter um filho igual a mim. Mas teve muita coisa que, meu Deus, quando eu tinha 14 anos, eu pensava assim. Ai, nossa, como ela é cruel, ela não me deixa eu fazer nada. E aí hoje eu penso, meu Deus, que bom que ela não deixa eu fazer nada.

Tipo, que bom, naquela época ela me proibiu de fazer certas coisas. Mas era aquilo que vocês estavam falando de ter essa dualidade, porque às vezes a gente esquece que, além de ser mãe, ela também é uma pessoa humana, né? E que realmente não é fácil ser uma pessoa humana com relações, assim. Então...

Não é tão simples, né? É, e uma pessoa que passa por contradições também, né? Eu acho que a gente é criado, assim. Eu acho que isso é um pouco alimentado também. De que a nossa mãe meio que sabe tudo, né? E que ela tem todas as respostas. Sendo que a maioria das respostas ela não tem.

Ela tá tendo... Isso eu até vi no Twitter esses dias, me marcou. Que é tipo assim... A tua mãe também tá vivendo pela primeira vez. Tipo, a primeira vida dela. Tipo, tá vendo as coisas pela primeira vez. Então ela não tem todas as respostas. A gente tá aprendendo junto com elas, né? Exato.

Aproveitando para a última pergunta, vocês acham que a maternidade ainda é retratada de forma muito romantizada nas telas? Ai, gente, eu acho que a gente já superou isso, pelo menos nos conteúdos que eu consumo. Eu acho que a gente já consegue trazer essa realidade, não só de não romantizar, mas de trazer as dificuldades que é ser mãe hoje no mundo, né? Tem uma série maravilhosa da Netflix, eu acho que são sete episódios, que é a Maddie e a mamãe que...

Ela acabou de ter um divórcio, só que ela estava sofrendo abuso psicológico, ela não conseguiu provar isso para o Estado, então ela estava tendo muitas questões com a justiça e ela não tinha para onde ir. E a mãe dela também não conseguia dar apoio naquele momento.

e toda essa dificuldade dela conseguir dinheiro, fazer tudo pela filha, e ainda de tentar não deixar a filha ver o que está acontecendo, sabe? De tentar burlar a mente da criança para ela não perceber que está tudo um desastre. Eu acho de tentar lutar contra tudo isso, sabe? Eu acho que a gente está conseguindo.

Então, eu acho que hoje em dia nem tanto mais tem essa romantização. Ainda tem, mas eu acho que os conteúdos tentam ir bem mais para esses assuntos de não romantizar a maternidade, de ver os dois lados da mãe. E eu acho que uma série que mostra muito isso, não só da maternidade, mas também da paternidade, de como tem essa diferença gigante.

entre uma coisa e outra, é a série All Hair Fall, da Prime Video, que mostra exatamente isso, como que as mães são muito cobradas em relação aos pais. Tipo, os pais têm ali uma cobrança muito menor, as pessoas não consideram eles o tanto que consideram as mães. E aí, nessa série, a gente vê que o filho dessa mulher, ele é sequestrado.

E aí só colocam ali a responsabilidade disso na mãe, tipo, mas por que você não viu onde ele estava? Mas por que você não fez sei lá o quê? Por que você não fez sei lá o que lá? E o pai, tipo, as pessoas não colocam tanto essa cobrança porque realmente não consideram que ele precisa ter isso. Que ele realmente tem tudo isso e que tudo tem que cair só para o colo da mãe. Então eu acho que hoje em dia é mostrado muito mais isso, que as pessoas entendem mais esses dois lados.

E que também o audiovisual tenta mostrar mais isso pra gente. Essa série Horror Fault é muito boa, né? Porque além dessa relação do arco principal, tem a mãe do amiguinho dele, né? Que acaba sempre sobrando pra ela. Tipo, o marido dela não faz nada. Sim. E aí eu fico...

Tu fica muito irritado durante a série. Tipo, pô, esse cara é um inútil, ele não faz nada. Ele não consegue ficar cinco segundos com o filho dele. Que ele já, tipo, fica, não, mas eu tenho outras coisas pra fazer. E ela não tem. Exato! Ela sempre precisa estar com o menino ou trabalhando. E aí, tem uma cena que o pai, tipo, ele pega o carro dele e ele vai escondido, tipo, ficar vendo TikTok no carro. Porque ele fica, meu, estou muito sobrecarregado em ter ficado dez minutos cuidando do meu filho, sendo que a mãe dele...

A mulher ali dele faz isso o tempo todo e, tipo, ela não pode estar sobrecarregada. Porque, tipo, se ela está sobrecarregada, quem que vai cuidar do filho dela? Não tem outra opção. Exato.

Eu acho que na cultura mainstream, assim, talvez ainda tenha um pouco de romantização, quando você pensa em novela, série, alguma coisa assim. Mas a gente também, às vezes, tem o oposto, que é a demonização da mãe, né? Tudo é culpa da mãe. Nossa, mãe é a megera, é horrível, não sei o quê, é o que impede as pessoas. Então, eu acho que tem esses dois lados. Mas atualmente, sim, tem mais produções que trabalham mais a questão humana mesmo da mãe, sabe? Como uma pessoa que não é perfeita, tem seus acertos, tem seus erros.

vai estar aprendendo junto também. Eu acho que está trazendo muito isso, também tem muitas questões da maternidade, depressão pós-parto, isso precisa ser falado, sabe? Sobre como você vai... Não é esse amor nato que vem junto, acho que isso vai sendo criado também com o tempo. E é bem legal a gente conseguir assistir, consumir esse tipo de produção desde nova. E nossas mães também conseguiram assistir isso e ver que faz parte, né?

Eu acho que é isso. É, eu acho importante, acho que a gente caminha, assim, cada vez mais, né? E tocar nesses temas sensíveis, tipo o Die My Love, que toca em depressão pós-parto, que é uma coisa muito delicada, que não é muito falada sobre, assim, né?

Tipo, tem mulheres que realmente ficam ruins, assim. Não conseguem olhar pra cara do filho. É uma coisa muito séria. Acho que até a pessoa se sente mal com isso, né? Como que eu não consigo olhar pra cara do meu filho? Isso não é muito falado. Então, acho importante que as obras cada vez mais caminhem pra isso. E acho que tem melhorado. Ainda não é o ideal, mas tem melhorado. Sim. Meninas, muito obrigada pela participação. O nosso bate-papo hoje vai ficando por aqui.

Muito obrigada. Vamos agora para o nosso giro de notícias, com as novidades dessa semana no mundo da sétima arte. Quem aí está ansioso para o Oscar 2027? A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou mudanças no regulamento do Oscar.

A partir do próximo ano, filmes estrangeiros de língua não inglesa podem concorrer de duas formas. A primeira pela seleção oficial do filme como representante de um país, como já era antes. A novidade é que agora uma produção pode ser indicada se ela ganhar prêmios selecionados nos principais festivais de cinema do mundo. Além disso, a estatueta vai para o filme vencedor e não mais para o país.

E a inteligência artificial continua dando o que falar. Em abril, o trailer de um filme com atuação totalmente gerada a partir de A intensificou a discussão em Hollywood sobre os limites do uso da tecnologia. A academia não teve outra saída. Determinou que nas categorias de atuação e roteiro, os indicados têm que ser humanos. E não acabou, hein? Em 2027, os atores podem receber mais de uma indicação na mesma categoria por filmes diferentes.

Essa novidade contraria normas anteriores que determinavam que a indicação escolhida fosse a atuação mais votada. Procurando um filme para ver com a sua mãe, O Diabo Veste Prada 2 estreou nos cinemas na última quinta-feira e já é um sucesso. A estreia superou 600 mil espectadores no Brasil, de acordo com informações do guia Disney+. Isso coloca a sequência na posição de maior estreia do ano no país, acima da cinebiografia Michael.

E tem mais. O filme alcançou 87% de aprovação do público no Rotten Tomatoes, plataforma que coleta resenhas de críticos profissionais. Essa porcentagem supera a do primeiro filme, que foi apenas 76%. Se o sucesso continuar, o Diabo Veste Prada 2 deve ficar por bastante tempo nos cinemas.

Bora pra América Latina? Tem produção brasileira ganhando prêmio no México. O longa A Fabulosa Máquina do Tempo ganhou o melhor feito técnico-artístico da competição ibero-americana de documentários no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara. O evento ocorreu dia 24 de abril.

O filme, dirigido por Elisa Capay, retrata um grupo de meninas no interior do Brasil passando da infância para a adolescência. Elas brincam e conversam sobre temas que vão desde desigualdade de gênero até sonhos fantásticos para o futuro. Em entrevista ao G1, Capay dedicou o prêmio às meninas de Guaribas, a todas as crianças do mundo e a todos nós que mantemos nossas crianças aqui e seguimos sonhando.

Já deu saudade do nosso baiano favorito aí? Wagner Moura vai estrelar Arte, o novo longa-metragem do diretor brasileiro Fernando Meirelles. Além do ator brasileiro, os indicados ao Oscar, Ralph Fiennes, britânico, e Colin Farrell, irlandês, também estão no elenco. As informações são do portal americano Deadline.

A obra é uma adaptação da peça teatral da dramaturga francesa Yasmina Reza. O enredo se desenrola quando um de três grandes amigos adquire uma arte diferente, uma tela toda branca. Um conflito é gerado entre dois dos amigos e o terceiro acaba numa posição de mediador, o que traz tensão cômica à trama. A arte ainda não tem data de estreia.

A primeira imagem que temos das mães é de uma figura forte. Às vezes, até esquecemos que, além de mães, elas são humanas, com defeitos, falhas e outras ocupações sem ser a maternidade. Neste programa, desmistificamos a figura materna. Vimos que as mães são multifacetadas e o cinema explora essas nuances. Esperamos que agora você veja sua mãe de forma um pouco mais humana, passível de falhas.

E se você, ouvinte, é mãe, desejamos um feliz Dia das Mães e que esse episódio tenha sido como um abraço. Na semana que vem, o CinePonto traz um assunto querido por aqui, a nossa profissão. Vamos explorar narrativas que têm o jornalismo como fio condutor ou jornalistas como protagonistas. Nos vemos na próxima semana!

Esse programa foi produzido por estudantes do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina no primeiro semestre de 2026. Apresentação e roteiro por Lully Salvador e Maju Barbosa. Boletins por Esther Rodrigues, Carol Gabilã, Felipe Pazzi, Olivia Schell, Vitória Vasconcelos, Luísa Cardoso e Lilian Carlotto. Mesa Redonda com Niki Alves, Lara Queiroz e Esther Rodrigues.

Trilha sonora por Sara Preto, Artes e Redes, por Isadora Giglioli. Técnica por Peter Lobo, orientação da professora Valciso Culotto e edição de Felipe Pazzi, Oliva Schell e Lully Salvador. Rádio.ufsk. É rádio. É jornalismo. É cinema. É maternidade. E ponto.

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