#103 Entrelinhas Vermelhas | Quais são as lutas atuais dos estudantes?
A nova presidenta da UBES, Roberta Pontes, fala sobre os desafios da juventude brasileira: defesa da educação pública, combate à evasão escolar, valorização dos grêmios, passe livre, permanência estudantil e o papel dos estudantes na luta por democracia e soberania.
Uma conversa sobre organização, direitos e o protagonismo da juventude no Brasil de hoje.
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#EntrelinhasVermelhas #UBES #Estudantes #Educação #Juventude #RobertaPontes
- 46º Congresso da UBESResoluções e nova presidenta · Maior congresso estudantil da América Latina · Lema: Democracia e Soberania · Debates sobre gremios livres · Combate à evasão escolar · Passe livre · Investimentos na educação · Alimentação escolar de qualidade · Eleições
- Eleição de Roberta PontesVitória expressiva com 87% dos votos · Trajetória no movimento estudantil · Origem comunitária e vivência escolar · Representatividade como resposta ao ódio nas escolas
- Desafios da juventude e educaçãoMisoginia e movimento Red Pill nas escolas · Violência e assédio escolar · Campanha contra o assédio nas escolas · Guerra digital e manipulação · Educação midiática e pensamento crítico · Fake news · Big Techs e controle de algoritmos
- Conjuntura internacional e soberaniaCrise mundial, extrema-direita e imperialismo · Garantia do espanhol como língua obrigatória · Fortalecimento da América Latina · Defesa da soberania nacional · Combate à influência de Trump e EUA
- Programa Pé de MeiaCombate à evasão escolar · Política nacional de assistência estudantil · Ampliação para todos os estudantes do ensino médio · Permanência estudantil
Entre Linhas Vermelhas, uma análise dos destaques da semana do Portal Vermelho. Olá, amigos e amigas do Entre Linhas Vermelhas. Bem-vindos a mais uma edição do nosso programa semanal. Eu sou o André Sintra, sou um homem de meia idade, um negro, de pele clara, uso óculos, tenho uma barba mais branca, um cabelo curto.
Estou vestindo hoje uma camiseta preta. O tema da nossa edição é o 46º Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, a UBS, suas resoluções e a sua nova presidenta, a Roberta Pontes, que estará aqui com a gente. Foram mais de 7 mil estudantes reunidos no Sobernardo do Campo durante quatro dias do mês de abril para o maior congresso estudantil da América Latina. O lema foi Democracia e Soberania.
um Brasil do tamanho das nossas ideias. Teve confraternização cultural, teve muito debate sobre gremios livres, combate à invasão, passe livre, mais investimentos na educação, alimentação escolar de qualidade, política, eleições, enfim, um congresso que percorreu vários temas de interesse do movimento estudantil. No último dia, a Roberta foi eleita presidente com 87% dos votos.
É uma jovem pernambucana do Recife, estudante de desenvolvimento de sistemas na Escola Técnica Estadual Cícero Dias. Ela já foi presidenta da UMS Pernambuco, na gestão anterior da UMS, que ela era tesoureira geral, e agora assume a presidência com essa vitória da sua chapa. Secundarista, seu nome é povo na rua. Antes da entrevista, eu convido a todos a curtir e compartilhar nosso vídeo na TV.
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Líder estudantil Roberta Pontes. Bem-vindo, Roberta. Obrigada, tudo jóia. Eu sou Roberta Pontes, uma mulher negra, de cabelo backpower loiro. Hoje estou com o meu óculos e a minha tiara com estampa de onça. Maravilha. Roberta, você teve 87% dos votos na plenária final do Congresso da UBS. Então foi eleita de uma maneira muito expressiva.
Além dessa descrição visual que você fez, quem é a Roberta Pontes? Quais as experiências que te formaram como liderança? O que você já enfrentou até aqui? Eu sou uma menina negra, eu venho lá da comunidade do Ibura, no Recife, ali na zona sul do Recife. Eu comecei a minha trajetória no movimento estudantil através de um convite da União Brasileira dos Estudantes das Secundaristas para um congresso.
foi o primeiro momento onde eu consegui me atentar. Desde o ensino médio, eu já era um pouco revoltadinha com algumas questões estruturais da escola, porque a gente tinha um problema com a questão dos ventiladores nas salas de aula, e muito engajada com isso, que eu vivenciava na escola, fui para o congresso da UBS. Foi no momento que eu entendi que aquela menina lá que morava no Ibura de Baixo, que tinha aquela vivência dentro da escola...
que aquela questão do ventilador, as questões estruturais que eu tinha dentro da sala de aula não eram só minhas, era do Brasil inteiro, que eu tinha estudantes organizados no Brasil inteiro. Então, é quando eu volto desse congresso, é quando eu começo a me engajar nessas questões estudantis. Logo após isso, a gente começou a construir o congresso da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas lá em Pernambuco.
No meio desse processo, eu me tornei presidenta dessa entidade secundarista e fui o megafone dos estudantes pernambucanos, que foi me trazendo mais bagagem ainda para essa menina que se torna hoje presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, com a mesma rebeldia de quem lutava por mais ventilação dentro da sala de aula, agora para conseguir lutar por todos os estudantes secundaristas do Brasil.
Muito bem. E o Congresso da UBS foi no mês passado, meados de abril, eu participei e fui lá em São Bernardo. E uma coisa que eu notei ali, Roberta, é assim, tem um alerta maior sobre misoginia, entrou na pauta o movimento Red Pill, acho que ampliou a questão da violência nas escolas. Em alguma medida, você acha que a sua eleição como presidente é também uma resposta simbólica a esse ambiente de ódio nas escolas? Obrigado.
E uma outra pergunta, num cenário assim, sem regulação das redes, como que o movimento estudantil pode disputar o ambiente digital, que hoje forma grande parte da juventude?
Então, primeiro aqui me atentando a essa primeira pergunta, é simbólico sim pensar que há 10 anos atrás nós estávamos organizando as ocupações nas escolas de todo o Brasil. Naquela época, inclusive, um dos movimentos que se crescia era o que a gente chamava de primavera feminista, primavera secundarista, que era de forma majoritária.
tocada por meninas e estudantes de todo o Brasil. Dez anos depois, eu estou agora assumindo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, nesse momento que as nossas escolas se transformam nesse polo de disputa ideológica, sobretudo com as violências.
e com os discursos de odds que começam sendo replicados com esses tipos de movimento, o movimento Red Pill, essa questão da ascensão da misoginia dentro das nossas escolas, mas também os casos e números de assédio que nós temos enfrentado. Inclusive, a gente sai da cena do Congresso com um calendário já estabelecido e aprovado ali pela centena e milhares de estudantes que estavam dentro da...
da cena do congresso de fazer uma campanha inclusive anunciar aqui para vocês a partir do dia 11 a urs vai estar organizando a campanha contra o assédio dentro das escolas a ideia que a gente consiga rodar todo o Brasil e no dia 19 de maio fazer um dia um grande dia nacional de mobilização contra o assédio nas escolas porque a construção dessa escola mais segura para as nossas meninas livre da misoginia livre da violência do ódio
e de combater esses movimentos como o movimento Red Pill, é a construção de um Brasil mais seguro para todas nós. Então, a gente enxerga que começa dentro da sala de aula, e é sim muito simbólico hoje a gente ter, não somente eu à frente da UBS, mas ter outras meninas que, dentro dos nossos estados, constroem a luta dos estudantes secundaristas. Então, falar um pouco sobre essa questão do papel da nossa juventude com as estudantes secundaristas.
desse sentido digital, enquanto a gente ainda não tem uma regulação. Eu acredito que hoje a gente vive, sim, uma guerra digital que acontece, sobretudo que invade a nossa sala de aula. Quem detém hoje e controla os algoritmos, controla a consciência da nossa juventude, de uma certa forma, e nós acreditamos que a nossa escola precisa ser um espaço que esteja preparado para esses tipos de construção do algoritmo sobre estudo.
sobre esse sistema capitalista que está aí colocando dentro da mente da nossa juventude ideias a partir, desde as redes sociais, com esse instrumento que a gente tem hoje nas mãos, que é o celular. Então, o que a gente tem formulado muito, o que a gente pensa, é a construção de uma educação midiática dentro das nossas escolas. Primeiro, para conseguir desenvolver o pensamento crítico contra as fake news, que é algo muito importante para o cenário que nós estamos vivendo agora.
e também contra a manipulação digital, que de uma certa forma acaba acontecendo. Então, as nossas escolas precisam servir como esse espaço de formação e de criação do senso crítico, a lei dos estudantes, para estarem preparados para essa guerra digital que a gente vive, e que hoje, infelizmente, não somos os nós, os detentores, os controladores dessas redes digitais, dessas redes sociais, que estão sendo aí controladas pelos grandes bilionários do mundo, que é o que a gente chama das Big Techs.
Muito bem. A resolução de conjuntura do Congresso da UBS fala também de um mundo em crise, né? Avanço da extrema-direita, avanço do imperialismo, guerras, conflitos internacionais.
Como que essa pauta chega, concretamente, na vida dos estudantes brasileiros, e como transformar esse debate, essa pauta internacional, em algo que o estudante consiga defender, abordar, sem parecer um debate distante ou ideológico demais?
Por muito tempo, o nosso país, inclusive, quando o Brasil foi construído, muito nessa ideia positivista de conseguir servir aos interesses, aos conceitos da Europa. Isso acaba, quando a gente olha hoje para a relação do Brasil com a América Latina, a gente consegue entender, por exemplo...
Por que os estudantes não aprendem o espanhol dentro das escolas? Um pouco dessa conjuntura internacional e um pouco do que a gente tem defendido aqui, desse diálogo com os estudantes, é fazer esse fortalecimento da América Latina a partir da garantia do espanhol como 13ª língua obrigatória dentro das nossas escolas. Muito por entender que esse é um dos passos fundamentais para a gente conseguir fazer essa interlegação.
do Brasil com a sua América Latina, que por tanto tempo, desde a ideia da sua construção, passou como se fosse um país distante, mas tudo que acontece da forma e da conjuntura internacional acaba recaindo sobre nós. Muito dessa discussão tem sido feita hoje dentro das escolas.
na defesa da garantia do espanhol, mas a gente também conseguir falar sobre soberania. E soberania tem sido algo muito legal para ser dialogado com os estudantes. Acaba, e é muito assim, algumas pessoas têm um pensamento como que os estudantes não tivessem essa ideia de debater sobre ideologia, mas eles têm completamente consciência.
do que está acontecendo no mundo e qual é o nosso papel enquanto estudantes secundaristas diante disso. Todo mundo aqui é um grande exército de saber que nós não vamos e jamais seremos a galera que vai bater continência para Trump, para o país norte-americano e se torna nesse momento essa nossa grande discussão sobre a defesa da nossa soberania, de carregar no peito que nós somos os brasileiros e os defensores do nosso país e do nosso Brasil.
Quando alguém entra no site da UBS, solta ali um pop-up sobre o Pé de Meia. O Pé de Meia é um programa que já mostra resultados, né, com prevasão, mas vocês defendem ampliar para o Pé de Meia para geral. Em primeiro lugar, explica um pouco o que é o Pé de Meia para geral e se você interpreta que esse programa é uma política mais emergencial ou um novo modelo de permanência estudantil.
Por muitos anos, a gente debateu sobre essa questão da permanência estudantil para os estudantes secundaristas dentro da escola, porque a gente vê alguns modelos surgindo nas universidades, nos institutos federais, e nunca voltado para a nossa educação básica. Quando a ideia do Pé-de-meia surgiu...
surgiu muito com o intuito de conseguir travar aquela grande onda de evasão escolar que começou a surgir ali no governo Bolsonaro, por conta de tantos cortes e sucateamentos da nossa educação e também com a chegada.
do novo ensino médio dentro da escola. Então, a ideia do PEDMEI era da gente conseguir fazer com que o estudante conseguisse permanecer dentro da escola. Por entender que hoje existe a realidade dos estudantes brasileiros, isso consiste em conseguir estudar ou conseguir trabalhar. E muitos dos motivos dos estudantes evadirem a sala de aula era essa questão econômica de ter que evadir a sala para garantir o pão de cada dia dentro de casa.
Então, o PEDMEA se torna essa nossa política nacional de assistente estudantil, que hoje traz essas respostas, esses resultados de conseguir fortalecer. Já tem pesquisa que aponta que com o PEDMEA, 44% da evasão escolar foi combatida, mas para nós não é o suficiente, porque nem todos os estudantes recebem ainda o PEDMEA.
E a gente faz essa defesa para que todos os estudantes do ensino médio consigam ser aportados dessa política pública que hoje permanece e ajuda ajudando os estudantes a estarem dentro da sala de aula, concentrados na escola.
não pensando no pão que eles têm que levar para casa. E é claro que a gente fortalece aqui essa nossa luta do pé de meia para geral, mas entendendo que, assim como a merenda, assim como o passe livre, por exemplo, também são políticas de assistente estudantil, que é o que faz com que o estudante não consiga só chegar dentro da escola, mas permanecer.
Vamos falar de uma briga agora mais complicada, que é a briga por mais recursos para a educação. Até o PNE fala de forma explícita disso. Mas vocês, da UBES, defendem. Escolhe o tempo integral, investimento, estrutura, o passe livre que você citou, o bandejão. E tudo isso depende de mais recursos. E vocês admitem que nós temos um quadro econômico com muitos agravantes. Você tem juros altos, acabou se fiscal, outros limites.
Tem uma proposta no Congresso hoje que propõe o quê? Que a educação saia, seja uma rubrica de fora da cabouça fiscal. Você acha que esse é o caminho? Além disso, o que mais dá para fazer para que a educação tenha, digamos assim, uma verba maior e consistentemente maior ao longo do tempo? Como chegar lá?
Primeiro que a gente precisa entender que educação não é gasto, ela é investimento. Então não tem como a gente colocar a educação dentro de um bolo que está ali contingenciando quais são os gastos que o Brasil vai ter ou deveria ter, enfim. A gente precisa sempre, essa é a nossa defesa, que a gente consiga fazer...
com que os deputados, com que os políticos, com que o governo entenda que a educação ela é e deve ser vista como prioridade, porque é o que faz com que o nosso Brasil seja desenvolvido. Então a gente defende sim mais orçamento para a nossa educação, acho que você falou aí sobre essa questão das escolas de tempo integral.
Inclusive, agora no PNE, a gente colocou, foi uma luta, inclusive, de conseguir ter uma rúbrica específica para as estruturas das escolas, que hoje tem sido um dos nossos principais problemas quando a gente fala da escola pública e a gente está debatendo que a escola não tem ar-condicionado, que a escola não tem...
que a escola não tem banca para o estudante conseguir, que a escola não tem livro, enfim. Então, a ideia é que a gente consiga apontar esses diálogos e fazer essa defesa para que a nossa educação não seja vista como um gasto, mas como um investimento e que o Brasil possa cada vez mais investir na sua educação, porque isso é sobre o futuro do nosso Brasil. E não tem como a gente seguir vendo e enxergando esse debate como gasto. É uma luta, inclusive, da UBS, foi garantir o Fundeb.
Ali, inclusive, na cena do governo Bolsonaro, a gente ainda garantiu o novo e permanente Fundeb. Recentemente, a gente tirou o Fundeb do arcabouço fiscal, que é o que garantia uma rubrica específica para itens básicos das escolas, para as escolas continuarem funcionando. Então, é ainda, inclusive, inadmissível que a gente tenha que ficar fazendo uma briga sobre o investimento das escolas e que isso não seja algo claro e de comum acordo.
entre os governantes, entre os políticos, mas que a gente continua aqui na nossa linha de frente, a nossa vitória agora em aprovar o Plano Nacional de Educação é também sobre isso, e nós seguiramos, inclusive, vigilantes, porque a gente aprovou o Plano Nacional de Educação e agora a nossa missão é fazer com que ele seja cumprido. E tudo o que a gente propôs para a nossa educação está dentro desse Plano Nacional de Educação, sobretudo essas questões de investimento.
Tema chato agora, escolas cívico-militares. A UBS é talvez a mais aguerrida, lutadora contra esse modelo. Quem costuma defender cita alguma coisa como disciplina, segurança. Mas, assim, por que exatamente a UBS é contrária e por que essa pauta tem mobilizado cada vez mais o movimento estudantil?
Eu tenho conversado sobre isso em alguns espaços de diálogo e a primeira coisa que eu tenho aqui para falar sobre isso é que nós seremos os inimigos número um daqueles que acham que a escola é esse espaço, deveria ser esse espaço de opressão e autoritarismo. Para nós, a escola é um espaço de fortalecimento e democracia.
de emancipação do nosso povo e de construção de nação. Essa é a primeira coisa que eu tenho para falar sobre as escolas cívico-militares. Segundo, que nós, estudantes, defendemos, inclusive, a construção de uma nova escola. E esse modelo de escola cívico-militar é a disputa do Brasil do que está acontecendo. De um lado, a extrema-direita colocando as escolas militarizadas com o modelo de opressão e autoritarismo.
que não forma o senso crítico dos estudantes, muito pelo contrário, ensina a educação sem questionamento, que é a educação da obediência, e a gente não compactua com esse tipo de educação, e nós, do outro lado, temos que contrapropor, contratracar, qual que é o nosso projeto e modelo de escola. Inclusive, isso foi...
muito debatido dentro da cena do Congresso da UBS, da construção de uma nova escola brasileira. Para nós não basta o modelo que a gente tem hoje, é um modelo que não forma criticamente os estudantes, que joga os estudantes para se tornarem massa de manobra de um mercado com a mão de obra barata, com escala 6x1. A gente quer uma escola mais científica, mais tecnológica, uma escola que tenha mais cultura, mais esportes. E o modelo das escolas cívico-militares são completamente o oposto do que a gente defende para a educação pública brasileira.
E o nosso objetivo, um dos objetivos centrais da nossa gestão é conseguir desmilitarizar todas as escolas, inclusive anunciar aqui nessa entrevista que recentemente nós conseguimos no Distrito Federal um comitê de diálogo com a Secretaria de Educação, tivemos a nossa primeira reunião.
esse mês e dentro do espaço dessa reunião ficou estabelecido a re-consulta em cinco escolas militarizadas, porque muito do que aconteceu dentro desse processo de consulta é que os estudantes não estavam votando, não teve participação efetiva da comunidade escolar e agora nós temos aí essa oportunidade de conseguir fazer a consulta em cinco escolas lá no Distrito Federal e fazer essa disputa com a comunidade escolar e com os estudantes para escolher se eles querem ou não manter a escola deles.
militarizada. E muito de apresentar, inclusive, aqui, para os pais que forem assistir essa entrevista, que a ideia que é vendida para nós hoje é que a escola militarizada vai ter mais investimento, ela vai ter mais estrutura. Mas isso não é uma realidade, porque se a gente for olhar na prática quanto de dinheiro está sendo destinado para as escolas cívico-militares e quanto de dinheiro é destinado às escolas militares, que é completamente diferente, é um completamente mundo de oposto. Acaba que a escola que hoje está sendo implementada...
Como o cívico militar recebe muito menos estrutura do que uma escola militar tradicional que já existia no nosso país. Então, não podemos cair nessa ideia de que a escola vai receber mais estrutura, porque ela não vai. Muito pelo contrário, ela vai continuar sendo sucateada do jeito que ela é.
porque faz parte de uma grande disputa ideológica e projeto da extrema-direita no Brasil, não à toa é a extrema-direita no Brasil e é os governos organizados pela extrema-direita que compactuam e constroem esse tipo de política para a nossa educação básica no Brasil. A lei do Grêmio Livre completou 40 anos.
num momento em que direções de escolas, governos municipais, estaduais, tentam esvaziar entidades, ou pior, controlar, tutelar, assumir a gestão, às vezes, dos fundos da entidade. Fala para a gente, Roberta, qual é o estado atual?
dos Grêmios, o que a gente pode assim, qual que é o mapa dos Grêmios no Brasil e qual que é a sua opinião? Esse modelo clássico de Grêmio ainda funciona ou precisa ser reinventado em alguma medida para a nova geração?
Acho que iniciar aqui, André, primeiro saudando Aldo Arante, que foi a pessoa ali no momento de redemocratização do Brasil, que criou a lei do Grêmio Livre, que teve esse intuito de devolver o que foi perdido na época da ditadura militar às entidades estudantis, que é a autonomia de conseguir organizar a luta dos estudantes. Primeiro que lutar não é crime. E muitas das opressões que a gente tem vivido hoje dentro do Brasil nas organizações estudantis...
sobretudo dos grêmios estudantis, vem muito com essa ideia das gestões escolares, dos policiais, de que a gente não deveria estar organizando o que a gente quer organizar. O grêmio nada mais é do que a voz dos estudantes dentro da escola. A UBS hoje só existe por causa dos grêmios estudantis, então sim.
Os Grêmios Estudantis continuam sendo o nosso principal equipamento, a nossa principal ferramenta de conseguir construir a luta dos estudantes secundaristas no Brasil. A gente tem feito uma luta massiva na defesa de Grêmios verdadeiramente livres, Grêmios que não sejam instrumentalizados pelas secretarias de educação.
que isso é algo, inclusive, que tem acontecido muito no Brasil, as próprias secretarias organizaram os Grêmios Estudantis, o que nós não compactuamos, porque Grêmio Estudantil tem que ser organizado por estudante, e também conseguir garantir que os estudantes tenham voz altiva dentro das escolas, porque às vezes a gente elege um Grêmio e a direção não deixa o Grêmio tocar as nossas lutas, inclusive a gente tem feito um grande diálogo.
recentemente a última gestão da UBS fez o maior encontro de grêmios da história da UBS. A gente foi no Rio de Janeiro, a gente levou uma galera para lá para debater e fortalecer os nossos grêmios estudantis, e tudo do que a gente debate hoje é sobre o fortalecimento dessa lei, recentemente inclusive em parceria com o Ministério da Educação.
nós conseguimos organizar um programa que é o Participa Jovem, que é o que vai garantir recurso para os grêmios estudantis do Brasil inteiro, alguns grêmios estudantis do Brasil, para conseguir financiar esses grêmios e eles conseguirem ter voz ativa dentro das escolas e organizar a nossa luta. E segue sendo a nossa luta garantir que os nossos grêmios sejam verdadeiramente livres, o fortalecimento da lei do nosso grêmio livre.
E temos, inclusive, pensado sobre uma nova formulação, uma regulação dessa lei que está aí desde a época da redemocratização do Brasil, precisa se enquadrar nos dias atuais, sobretudo garantindo com que a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas seja reconhecida como a entidade responsável por organizar esses processos de gremios em todo o Brasil e não as secretarias de educação.
Para terminar, Roberto, vamos falar de eleições 2026. A UBS, o Congresso, deixou uma mensagem clara da importância de derrotar a extrema-direita, da UBS de firme, para essa batalha. Como mobilizar estudantes para a política sem cair no risco de talvez afastar parte desses jovens?
E quais são, além da derrota da extrema-direita, as principais pautas de interesse dos secundaristas nessa disputa?
Assim, primeiro dizer, e eu acho que é sempre bom a gente fazer esses recortes, de que essa luta histórica da tiragem de títulos e mobilizar os nossos estudantes de juventude para as eleições é uma luta histórica da UBS, né? Não há muito tempo atrás, em 2022, nós fomos responsáveis por fazer essa grande campanha do Se Liga 16.
que acumulou ali na tiragem de mais de 2 milhões de títulos de eleitores. E isso foi fundamental para derrotar o Bolsonaro nas urnas. E a gente começa a nossa campanha esse ano, primeiro, defendendo e mostrando para os estudantes secundaristas de todo o Brasil que a defesa do nosso Brasil começa dentro da sala de aula, quando a gente garante grêmios livres, mas que com o título na mão a gente vai conseguir organizar as nossas ideias.
para o Brasil a partir da nossa educação, com essa grande mobilização para tirar o título de eleitor e garantir a derrota da extrema-direita no Brasil inteiro. A gente, inclusive, tem debatido muito sobre isso, sobre como é importante que, para além de a gente eleger um governo popular, a gente também consiga reeleger e eleger uma Câmara Federal que esteja, de fato, compactuada.
com as lutas do povo brasileiro e dos estudantes secundaristas brasileiros, sobretudo, da nossa escola. Então, essa nossa campanha do Se Liga 16, ela está carregando essa rebeldia de muitos anos da UBS e a gente tem muito esse intuito de conseguir defender o nosso Brasil com o título na mão, a nossa brincadeira, inclusive, é...
Se Liga 16, esse título é nosso, para fazer referência à Copa que a gente vai ter logo em seguida, porque a gente precisa trazer para o peito da juventude as cores verde e amarela do Brasil, porque somos nós, os verdadeiros patriotas e defensores desse Brasil, e isso começa dentro do cenário da eleição. E a nossa principal reivindicação, nesse momento, tem sido a construção dessa nossa nova escola brasileira, inclusive a nossa plataforma eleitoral.
para os candidatos e candidatas, será o que é que os estudantes secundaristas defendem para essa nova escola Brasil. Será o que os estudantes secundaristas defendem para mais formas de permanência estudantil, para o passe livre, para mais formas de investimento de ciência e tecnologia dentro das nossas escolas. Estamos construindo uma grande campanha.
Mais uma vez, para garantir que o Brasil seja salvo pela mão dos estudantes secundaristas brasileiros. A gente até conversou muito sobre isso no Congresso, que nunca na história do Brasil houve transformação sem que os estudantes secundaristas brasileiros estivessem organizados e unificados na defesa do Brasil. E mais uma vez, nós estamos nos organizando e nos unificando para defender o Brasil a partir das eleições de 2026.
Roberta, parabéns pela sua conquista fenomenal de liderar essa entidade que logo, logo vai fazer 80 anos e tem uma relevância fundamental para o Brasil. Muito obrigado por ter participado do Andrelinhas. E deixo a sua mensagem final, tá, gente?
Com certeza. Primeiro aqui dizer que os estudantes secundaristas brasileiros, eles estão hoje dentro das escolas públicas do Brasil, muito entusiasmados e também revoltados para mudar a nossa realidade. E tudo o que a gente tem conversado hoje, tudo o que a gente tem debatido dentro dos nossos fóruns, com os nossos filhos estudantis, é de conseguir defender a escola como esse pontapé inicial para o desenvolvimento nacional. Então, um recado aqui para todos vocês.
que estão assistindo a essa entrevista, a revolução no Brasil, ela começa dentro da sala de aula e contem com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e com os estudantes secundaristas de todo o Brasil para transformar a realidade do nosso Brasil.
Valeu, Roberta, muito obrigado também a todos e todas que acompanharam essa edição do Entre Linhas Vermelhas. A edição foi apresentada por mim, eu sou o André Sintra, fui responsável também pelo roteiro. A produção foi da Circus Filmes, a direção geral, Patrícia Santos e o Vandré Fernandes. Edição e artes, São Marcelão, apoio executivo da Elis Brandão e também apoio da Fundação Maurício Grabois. Até a próxima quinta-feira com mais um Entre Linhas Vermelhas.
Entre Linhas Vermelhas, uma análise dos destaques da semana do Portal Vermelho.
UBES