Letramento em Saúde em evento sobre Autismo
Hoje vamos conversar sobre uma importante ação de letramento em saúde desenvolvida durante o I Simpósio Intersetorial sobre Autismo da Unidade Especializada da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (UEPA) do município de Eusébio, no Ceará, que movimentou a Fundação Oswaldo Cruz-Fiocruz Eusébio-Ceará.Para falar sobre a participação do Grupo Nutrindo daUniversidade Estadual do Ceará (UECE), neste evento, recebemos um de seus representantes, a Sara Alencar Xavier Feitosa. A Sara é nutricionista, mestre em Saúde Coletiva e doutoranda em Nutrição e Saúde pela UECE, além de membro da Rebrals.
Helena Sampaio
Sara Alencar Xavier Feitosa
- Personalidades Autistas no ProgramaI Simpósio Intersetorial sobre Autismo · Unidade Especializada da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (UEPA) · Eusébio · Fundação Oswaldo Cruz-Fiocruz Eusébio-Ceará · Grupo Nutrindo · Universidade Estadual do Ceará (UECE) · Sara Alencar Xavier Feitosa · Helena Sampaio
- Letramento em SaúdeCapacidade de acessar, compreender, avaliar criticamente e utilizar informações de saúde · Responsabilidade de quem passa a informação · Ferramenta para autonomia e tomada de decisões conscientes · Promoção da saúde
- O papel da universidade na solução de problemas complexosProdução de ciência que extrapola os muros da universidade · Experiência enriquecedora para alunos e pesquisadores · Integração entre ensino, pesquisa e extensão · Levar pesquisa para a sociedade e para onde ela precisa estar · Grupo Nutrindo
- Pesquisa científica em alimentosMetodologia de aprendizado interativo · Uso de banners com letras legíveis e tonalidades agradáveis · Diferenciação entre alimentos in natura e ultraprocessados · Réplicas em tamanho real de alimentos · Autonomia na escolha de alimentos saudáveis
- Letramento e Educação PolíticaNova legislação no Ceará para eliminar ultraprocessados das escolas · Lei de segurança do paciente · Resolução da enfermagem sobre letramento em saúde · Publicações do Ministério da Saúde sobre letramento em saúde · Rede Brasileira de Letramento em Saúde (Rebraus)
Olá, amigos e amigas ouvintes! Eu sou Helena Sampaio e falo em nome da Rebraus, a Rede Brasileira de Letramento em Saúde. Hoje vamos conversar sobre uma importante ação desenvolvida durante o primeiro simpósio intersetorial sobre autismo da Unidade Especializada da Pessoa com Transtorno de Espectro Autista, da UEPA, do município de Eusébio, no Ceará, que movimentou a Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz do Eusébio, no Ceará. O evento reuniu profissionais de saúde, da educação, da assistência social, estudantes, pesquisadores, gestores públicos, familiares e cuidadores para discutir temas relacionados ao autismo, Inclusão e Autonomia.
E para falar sobre a participação do grupo Nutrindo da Universidade Estadual do Ceará neste evento, nós estamos recebendo aqui um dos seus representantes, que é a Sarah Alencar Xavier Feitosa. A Sarah é nutricionista, ela é mestre em saúde coletiva e é doutoranda em nutrição e saúde pela Universidade Estadual do Ceará, além de ser membro da nossa Rebraus. Bem-vinda, Sarah!
Obrigada, é uma satisfação muito grande participar desse momento e compartilhar um pouco da nossa experiência no evento de tão grande importância.
Com certeza, com certeza, eu fico muito feliz, até porque nós não focamos nenhuma vez ainda, nós estamos na 6ª temporada do podcast da Rebraus, a gente nunca enfocou o autismo Então eu acho que é muito relevante para os nossos ouvintes começarem a ver mais uma conotação importante do letramento em saúde nesse campo. E aí, para começar, conta para a gente como é que foi, o que foi esse simpósio intersetorial.
Bem, foi um, como falado no início do nosso podcast, foi um evento, o primeiro evento no município relacionado com esse tema. E o que mais importante foi, foi a participação de diversos setores da sociedade, como principalmente os gestores. E trabalhar com o espectro autista é um tema muito importante, né, principalmente da deficiência, com pacientes com deficiência, inclusão e autonomia, e principalmente a participação social.
Então é tão grandioso que a gente teve um público de mais de 220 pessoas. Então isso foi algo muito enriquecedor e levar para esse público a importância do letramento de saúde.
Bacana, bastante gente, hein, Sara? Nossa, não sabia que tinha sido tão ampliado assim em termos de participação. Muito legal, muito legal.
Inclusive, nós tivemos, apesar do encontro ter sido sediado no Eusébio e grande parte do público também foi do Eusébio, tivemos também muitos participantes de outros municípios das regiões metropolitanas de Fortaleza, como a própria Fortaleza, Aquiraz, Cascavel, Itaitinga, então municípios próximos também estavam lá presentes nesse encontro. Então foi muito bom mesmo.
Muito rico e muita possibilidade de replicação, né? Muito legal. E Sara, qual foi a contribuição específica do grupo Nutrindo nesse evento?
Bem, a gente participou em dois momentos do evento. Um primeiro momento foi uma palestra sobre o letramento e o autismo, que foi proferido por mim, né, e também uma exposição dialogada com o uso de banners sobre o letramento em saúde e réplicas em tamanho real de alimentos in natura e alimentos ultraprocessados. O nosso objetivo com essas ações foi aproximar o conhecimento científico construído dentro da universidade para mostrar a população os conhecimentos sobre esse assunto, favorecendo a compreensão das informações em saúde e alimentação, podendo contribuir para melhores decisões relacionadas ao cuidado e a maior qualidade de vida.
Maravilha! Duas coisas juntas, né? Exposição e apresentação, né? Sarah, ultimamente eu ando repetindo Vindo aqui porque eu acho que a gente, eu tenho visto na estatística do podcast da Rebraus que tem aparecido muita gente nova no campo que não faz parte do nosso elenco de ouvintes habituais, sabe? Então conte aí para, eu tô pedindo ultimamente para os nossos convidados contarem, né, o que que é, o que que significa de uma forma simples o letramento em saúde. Então Por favor, faz isso para orientar nossos novos ouvintes.
Letramento, quando se fala em letramento, lembra logo em quem? Em saber ler, em letras. Mas na verdade, o letramento em saúde é muito mais do que isso. Na verdade, às vezes a gente tem uma pessoa que não sabe ler, mas que é letrada em saúde. Então, por que isso é possível? Porque na verdade o letramento em saúde é a capacidade que o indivíduo ele tem de acessar, compreender, avaliar criticamente e utilizar essas informações que ele recebe em relação à saúde.
E o que é importante, eu queria até falar aqui a importância que o letramento, às vezes a gente centra a responsabilidade ou então a capacidade do letramento apenas na pessoa, que recebe as informações, mas é importante também o letramento de quem está passando essas informações, de que forma essa informação ela está sendo passada, ela tá sendo passada de uma forma clara que o indivíduo ele tem a capacidade dele compreender, entender e aí avaliar essas informações e pôr em prática, né?
Então o letramento é isso, É justamente essa capacidade que o indivíduo tem, que ele possa desenvolver através do acesso a essas informações. Então assim, quando as pessoas elas conseguem desenvolver essas habilidades diante dessas informações, elas tornam-se mais preparadas para tomar decisões conscientes sobre a prevenção das doenças, sobre o seu próprio tratamento. E assim a promoção da saúde. Então isso traz à luz de que é importante entender e compreender essas informações para que essas pessoas possam aplicar isso no seu dia a dia.
Pronto, era isso que eu ia lhe perguntar. Então, na verdade, ele contribui para a autonomia das pessoas?
Sim, com certeza. É uma ferramenta que Desata as mãos das pessoas.
É isso aí, muito legal a analogia, gostei, gostei. E você falou uma coisa importante, né, Sara, que o conceito de letramento hoje é exatamente esse, não é só empoderar as pessoas, mas como que a gente empodera, como é que a pessoa se empodera sozinha, ela não vai se empoderar. Então é a responsabilidade mesmo de quem tá passando a informação, é a responsabilidade das organizações de saúde, né, isso é uma coisa importante. Pro nosso ouvinte, principalmente aquele que tá começando agora no campo, eu acho que é uma captação de conceito importante pra reflexão e colocar logicamente na prática, né?
E no caso específico do espectro do transtorno, do transtorno do espectro, toda vida eu confundo isso aí, meu Deus, do transtorno do espectro autista, por que que é importante o letramento nesse contexto específico?
Ah, isso é muito importante, porque o transtorno ele traz grandes desafios, né? Desafios para o profissional, desafio para o familiar, desafio para escola. Então é bastante desafiador para todos que estão envolvidos nisso. E especificamente para o autismo, por quê? Porque as pessoas estão frequentemente, as pessoas, os familiares, né, eles estão frequentemente recebendo e necessitando de informações sobre o diálogo, sobre, desculpa, sobre o diálogo não, sobre o diagnóstico, sobre o tratamento, sobre as terapias, alimentação e os direitos que essas pessoas elas têm em relação a essa condição de saúde.
Então assim, então quanto maior e maior for o letramento em saúde dessas pessoas envolvidas nesse processo, maior será a capacidade de compreender essas informações e participar ativamente das decisões relacionadas ao cuidado.
Muito legal! E você disse uma coisa importante, né, que no evento você teve Todo um leque de participações, inclusive da comunidade leiga representada pelos cuidadores. Então é uma coisa que dá uma, ressalta a importância de que eles entendam as coisas para poderem atuar. E você falou que além da palestra vocês fizeram uma exposição dialogada com o uso de banners e réplicas de alimentos. Como é que funcionou essa dinâmica aí na prática, Sara?
Ah, essa dinâmica foi bem legal, né? Porque essa exposição dialogada é bem diferente de uma aula de exposição, onde tem lá uma pessoa só falando. Então lá a gente usou uma metodologia diferente, né? Usamos os banners, esses banners que foram construídos buscando a clareza, organização, simplicidade. Tivemos o cuidado de usar na elaboração desses banners: letras legíveis, tonalidades agradáveis, características que são importantes para o entendimento e engajamento das pessoas.
Então, a partir disso, a partir do uso desses materiais, foi o nosso ponto de partida para a conversa com o público. E isso aproximou demais as pessoas. Nessa atividade, eles estavam sempre olhando os rótulos, as figuras dos rótulos, a figura das bulas dos alimentos, as informações que lá estavam contidas, das imagens. E aí eles começaram a interagir com os alunos, fazendo perguntas, tirando dúvidas e falando sobre a realidade delas.
O uso das réplicas dos alimentos Foi bem legal também, por quê? Porque lá a gente estava fazendo uma representativa quase que real dos alimentos, do que era um alimento in natura, um alimento natural e um alimento ultraprocessado. Então isso nos ajudou a passar informações nutricionais, né, dele de fato saber a diferença de que é um alimento ultraprocessado ou in natura, porque incrível que pareça ainda tem gente que não sabe às vezes distinguir um do outro, né?
Então eles acham, por exemplo, que um suco de caixinha, né, é algo natural porque é da fruta, mas quando a gente vai ver lá no rótulo, na verdade o principal ingrediente que tem lá é o açúcar, e o suco da fruta na verdade quase nem existe. Existe às vezes o quê? Um aroma, um corante, e para alguns dessas pessoas eles acham que isso é um alimento porque é da fruta, embora não seja um alimento natural. Então isso favorece a transmissão do conhecimento e o reconhecimento por parte deles dos alimentos saudáveis.
E isso, de certa forma, ele vai ajudar na autonomia dessas pessoas para escolha de alimentos mais saudáveis e conscientes. Então esse momento foi um momento muito rico, né, de troca de saberes também, porque eles trazem muitas coisas que a gente também aprende com eles, né. Então foi isso, foi bem interessante mesmo. Legal.
Você falou que muitos não sabem a diferença ainda. É realmente muito difícil, né, Sara. Tem coisas que você tem certeza que são industrializadas demais, né, e é óbvio, né, Por exemplo, esses docinhos, esses salgadinhos de pacote, todo mundo sabe que é industrializado. Mas tem coisas que a diferença não é tão nítida, como você exemplificou com o suco da caixinha, que vem escrito lá muitas vezes que é da fruta natural, só que quando você vai ver é uma lista imensa de ingredientes industrializados.
Eu acho que nada melhor No caso de alimentos ultraprocessados e alimentos naturais, a comida de verdade que a turma tanto fala, nada melhor do que ver na prática, porque aí você consegue diferenciar: isso aqui é natural, isso aqui não é. Você vê, nosso guia, o Guia Alimentar para a População Brasileira, ele saiu em 2014. Quer dizer, já lá vão 12 anos dessa tentativa de fazer as pessoas entenderem que o alimento ultraprocessado, o que que ele é e por que que ele não é bom, né?
E aí você vê, 12 anos na prática, ainda temos pessoas com dificuldade de separar isso. Então sempre é um tema muito importante para entrar, porque a propaganda é muito forte, né? E aí a gente tá vendo agora essa movimentação que tá acontecendo com a nova legislação que tá saindo aí no Ceará, não é? É em relação a a tentativa de eliminar os ultraprocessados das escolas, né? Então é um negócio que assim tá crescendo, né? Então quanto mais cresce isso, mais cresce também a necessidade da população entender o que que é o ultraprocessado e por que que ele não é bom, não é não?
E principalmente, né, nesse público, porque um dos grandes desafios nos pacientes autistas é a seletividade alimentar. E é tão engraçado que eles são tão seletivos, e a seletividade deles é mais pelos ultraprocessados. É incrível, né? Eles querem mais os ultraprocessados do que os alimentos in natura. Então esse assunto é um assunto assim de grande importância nesse público.
Exatamente. E o público recebeu bem essa, essa essa atividade.
Inclusive, como tinha um público, inclusive a gente tinha crianças e adolescentes autistas e que também passaram pelos banners, pela atividade, né? E foi bem interessante, eles perguntaram, às vezes eles diziam: "Ai, tia, isso é uma fruta, é uma maçã. Ah, isso aqui é um refrigerante." Então eles sabiam identificar, alguns deles sim. E foi bem interativo nesse sentido, porque eles puderam tocar, eles viram as cores. Então, para esse público, isso é muito importante.
Isso. Uma coisa que eu gostaria de destacar também, Sara, é a possibilidade de reutilização das coisas, né? Quando você tem um arsenal de alimentos naturais industrializados, por exemplo, que normalmente são de silicone, né? Se você usa num evento, você pode usar em outro. Então acaba que você tem um investimento só para múltiplas ações, né? Isso é importante para as instituições investirem, né? Porque você fica, não é limitado a um evento, é limitado a N eventos, porque você vai poder reutilizar aquilo quando a proposta for aquela proposta de utilização daqueles alimentos, né?
Não é, com certeza. Na verdade, eu não vejo isso como como um custo, eu vejo isso como investimento, né? Então isso é muito interessante, haja vista porque esse nosso programa, esse nosso grupo de pesquisa é um grupo da universidade, né? Então a universidade teve todo um cuidado de amparar essa atividade, investir nisso, né? Investir na aquisição desses instrumentos educativos. Que estão saindo de dentro da faculdade, de dentro das universidades, dos muros, para fora.
Que esse é o grande objetivo nosso, né? É produzir ciência, produzir estudo, mas que não fique só dentro da universidade, que ela seja extrapolada, que ela vá onde de fato precisa ir, de fato onde essas informações precisam chegar, que elas possam gerar um resultado.
Isso, muito bom. E os organizadores do evento, Sarah, eles deram algum feedback para vocês em relação a esta ação que vocês desenvolveram?
Sim, tive a curiosidade de saber deles, né? Isso é muito importante. Então assim, eles ficaram muito felizes, gostaram muito, né? É, por incrível que pareça, esse assunto de grande importância né, para a gente da saúde, ainda muitos profissionais ainda não conhecem, né. Então foi bastante empolgante, né, e acho que por isso isso teve uma grande repercussão nesse público, né. Então eles trouxeram para gente o seguinte, que para as famílias e os cuidadores, é, nossas ações promoveu o empoderamento, a segurança na tomada de decisões.
Compreenderam melhor os diagnósticos, os direitos, o tratamento, e fazendo com que o núcleo familiar participe ativamente do planejamento terapêutico. Para os profissionais, isso foi muito bom. Eu acho que é isso o nosso papel, é o papel do letramento, né, é estimular a revisão de suas práticas de atendimento, incentivando a comunicação mais clara, acessível, livres de barreiras, focando na construção conjunta do cuidado. Ou seja, aquele cuidado, ele tem dois lados, ele vai e vem, né?
É preciso que haja isso para que realmente o cuidado ele seja completo, né? Então vamos lá, ele também diz o seguinte, que para as pessoas com TEA e outras deficiências, né, Isso também fortaleceu as bases para o autocuidado e o desenvolvimento da autonomia social. Isso também foi bom. Para a rede de apoio, ele serviu para unir diferentes setores, como foi falado antes, setores da educação, setores de profissionais, setores de gestores, e o grande, assim, a importância também disso, eu podia dizer, que é a participação também de outros municípios, né?
E isso vai promover, promoveu entre esses profissionais, né, uma corresponsabilização onde os profissionais, pacientes e familiares dividem o protagonismo do cuidado.
Bom, um tremendo feedback, né? Muito bom, tudo muito positivo, né? Vamos ver se em próximos eventos também seja oportunizada essa possibilidade de participação dessa forma, né? Muito legal isso. Aí você estava falando que você está representando o Nutrindo aqui hoje e aí você está falando da participação dos pesquisadores e também dos estudantes da U.S., né? Em relação aos alunos, que isso eu acho que é importante para os nossos ouvintes que são docentes, que têm grupos de iniciação científica, Como é que foi essa experiência para os alunos, Sarah?
Ah, eu acho que foi assim uma experiência muito enriquecedora, né, porque isso fez com que esses alunos eles saíssem, como eu falei anteriormente, saíssem do meio acadêmico, né, dos muros da universidade para a sociedade e ter o contato direto com as pessoas, né? Então isso, e eles puderam ver que o que a gente, o que eles estão fazendo na universidade, vai atender às necessidades daquela pessoa, que o nosso estudo, a nossa pesquisa, ela gera um fruto, né?
Um fruto social, um fruto de saúde, Então isso é muito importante. Além do que, isso também mostra a importância da troca de experiências entre a universidade e a comunidade. Então isso é importante quando, por exemplo, um aluno vê, ele consegue, ele tem a oportunidade de ver e ajudar, olhar olho a olho de uma pessoa, de um pai, de uma mãe que tem um filho autista e de uma avó que cuida de um neto autista, é bem diferente da gente só ler isso no livro e dizer que o letramento vai ajudar, né?
Então isso é assim, eu acho que é uma experiência assim muito grande. Eu acho que os alunos, eles ganham até mais do que os próprios usuários, né? Mas é muito interessante, isso mostra que a gente precisa realmente ter mais ações dessa natureza, né, desenvolver mais essas ações educativas. É muito, é muito importante mesmo. E isso faz com que, né, esses alunos, porque no futuro eles serão profissionais, né, isso é importante para quê?
Para que esses profissionais que vão estar lá no mercado de trabalho lá no futuro, eles sejam mais humanos e mais comunicativos. Eu acho que isso é muito importante.
Super, super. Eu acho também engraçado que as universidades, elas, por questões burocráticas, né, e operacionais mesmo, elas acabam fazendo com que a gente também divida as ações que elas têm. Por exemplo, a universidade tem ensino, pesquisa e extensão, e a gente separa isso também. Na prática. A gente não junta o ensino, pesquisa e extensão. Quem faz pesquisa não tá na extensão, quem tá na extensão necessariamente não tá na pesquisa.
Então é importante que a gente entenda que isso é dividido no papel, é dividido porque você tem que ter gestores por setor, mas na prática é como você disse, é para ser integrado. Eu tô aprendendo, mas eu tô pesquisando, mas eu tô indo lá também, tô fazendo. É um negócio importante, mas a gente precisa estar atento para fazer a junção, porque no papel é tudo separado, né?
É tão engraçado isso que a senhora falou, que quando a gente produz na pesquisa, a gente produz um artigo, né? Colocou numa revista de alto impacto, mas muitas vezes quem vai ler aquele trabalho, aquela produção científica, o que aquilo trouxe de bom, ou de ruim do que você tava estudando, aquilo ali vai ficar entre os pesquisadores, né? Aquilo não vai chegar lá na população, não vai chegar. Porque, por exemplo, um pai autista não vai pegar um artigo científico e ler, que letramento é importante e tal.
Mas quando eu chego, é uma atividade dessa que a gente leva o letramento, como a senhora falou, da extensão, E aí ele: "Ai, eu sei o que é letramento, sei que quanto melhor eu tiver letramento, mais eu vou ter capacidade de interpretar isso, avaliar e usar isso em meu favor." Então isso está escrito no trabalho, mas muitas vezes ele não vai estar no trabalho, ele não vai ler um trabalho científico, mas através de uma atividade de extensão a gente está levando a pesquisa para onde ela precisa estar.
Sendo usada pela população, pela sociedade. Então essa é a nossa contribuição como pesquisador, como aluno, como profissional de saúde. É isso.
O que eu ia lhe perguntar agora, que era qual é o papel da universidade nesse contexto, né? É esse aí, né? É ir às ruas, né? Uhum.
Levar a pesquisa para onde ela precisa estar. Atendendo as necessidades de todos.
E especificamente para o grupo Nutrindo, como é que você avalia a experiência? O que ela trouxe para o grupo Nutrindo? Porque a gente quer que o grupo Nutrindo cresça, né?
Ah, então para o grupo Nutrindo, eu acho que é mais um sinal de que a gente tá no caminho certo e que a gente precisa caminhar nessa linha, e que isso faz com que a gente realmente adquira mais conhecimentos e que o que a gente tá fazendo ele tá tendo um impacto social muito grande, né? Então é nessas atividades em que a gente cresce, a gente cresce como pesquisador, a gente cresce a gente como pessoa e a gente cresce como profissional. Eu acho que é isso.
Que mensagem você deixaria então para o nosso pessoal, para os nossos ouvintes todos, em cima de tudo isso que você refletiu conosco?
Eu gostaria de destacar que o acesso à informação de qualidade, que é isso que a gente está precisando hoje diante de tantas fake news que existem aí, que a informação de qualidade é um passo fundamental para a promoção da saúde, né? E que investir no letramento em saúde significa fortalecer a autonomia, a inclusão e a capacidade das pessoas de participarem ativamente das decisões que afetam suas vidas. Por isso, né, a gente como pesquisador, como profissional, né, podemos construir uma sociedade mais informada, inclusiva e acolhedora. Eu acho que é esse o caminho.
Com certeza, com certeza. E assim, sabe, Sara, assim, para a gente finalizar, eu acho que essa, a importância dessa ação que você participou, que você desenvolveu, na verdade você criou, né, essa participação deste tipo, né, eu acho que ela nos chama para outras participações, né, que a gente aqui tem sempre falado da importância de eventos que comemorem o letramento em saúde, principalmente no mês de outubro, né. Que é o mês do letramento, né?
E esse relato mostra que a gente pode tentar fazer algo diferente sempre, independente da época do ano, tentando ser herói do letramento, não é? Então, quer dizer, é lógico que outubro não vai deixar de ser importante nunca, porque ele é uma comemoração internacional. Então são esforços conjugados que aparecem tentando despertar na população toda e nos gestores todos A importância do letramento. Então é lógico que sempre vai ter que ter um mês comemorativo, como nós temos dias comemorativos e tudo mais, né?
Mas acontece que o ano tem 12 meses, né? Então a gente pode fazer um outubro em cada mês, né? E a gente pode realmente tentar fazer uma diferença em cada oportunidade. É como você disse, tem uma palestra, eu vou fazer uma coisa fora da caixinha, vou fazer alguma coisa além da palestra que você tá me convidando. "Então vou fazer mais alguma outra coisa." Então, no caso aí, vocês fizeram a exposição dialogada. Então, ou fazer um, abrir um diálogo dentro da palestra.
A gente fica muito assim: "Fui convidada para uma conferência, então vou fazer a conferência." Não! Não precisa fazer só a conferência. Você pode fazer uma conferência diferente, você pode fazer uma conferência com envolvimento mais direto do público, você pode fazer uma ação paralela. Então são coisas que você pode propor. Acho que as pessoas que estão gerenciando o desenvolvimento de eventos, elas nem raciocinam dessa maneira.
Não é que elas não queiram, é porque ninguém oferece. Se oferecer, né? Olha, eu vou dar palestra, mas eu quero que tenha um evento aqui, disposição dialogada. Vamos fazer, né?
É, e assim, esse ponto que a Sara tocou foi muito importante. Da onde foi que surgiu essa ideia, né? Eu sou também funcionária da Rede do Eusébio, né? E aí, quando elas, as organizadoras, elas tomaram conhecimento que eu tô trabalhando com isso, que faço parte do grupo, e convidou para palestrar. E aí eu disse assim: "Ai, além disso, a gente tem uma atividade assim." Eu me inspirei na ação que nós fizemos e que foi também aqui mostrada no podcast da nossa Semana Universitária, que foi um sucesso.
Então eu disse assim: gente, então vamos levar isso daqui para fora daqui, para fora da universidade. E não podia ser diferente, né, do sucesso que foi, do envolvimento das pessoas, porque é como eu falei, né, a exposição dialogada é diferente de uma palestra que você chega e fala. Lá não, todos eram ativos nessa ação. Então isso foi muito interessante. Então eu até encorajo aos colegas, né, que também têm grupos de estudo, que também façam essas atividades também. Isso é muito importante.
Exatamente, Sarah. Eu acho que a gente tem que caminhar, é por aí mesmo. Inclusive assim, tô até chamando aqui ouvintes que tiverem atividades que já façam isso, mesmo fora dos ambientes acadêmicos, que já façam isso nas suas rotinas de prática profissional, venha aqui compartilhar com a gente, porque é assim, cada compartilhamento é rico, porque dá ideias para as pessoas fazerem e no final até aprimoram mais e a coisa vai num crescendo total, né?
O podcast está aqui, nós estamos abrindo um canal de compartilhamento através do podcast da Rebraus. E eu já tenho visto ao longo dessas 6 temporadas, eu tenho visto que muita gente teve ideias a partir das exposições dos nossos convidados e começaram a fazer coisas diferentes que acabaram até gerando teses de doutorado. Mas eu tô querendo ficar na turma da prática mesmo hoje. Eu quero que quem tá fazendo alguma coisa na prática que julgue que é letramento em saúde de maneira diferente e proativa, Procura a gente e ofereça aqui para estar conosco, para poder contar um pouco, contribuir com os ouvintes e contar um pouco da própria experiência, que também é gratificante para a pessoa, né?
Que a pessoa às vezes está fazendo um negócio super interessante e ninguém sabe e ninguém valoriza porque não sabe. E a pessoa fica ali assim, sabe? A qualquer momento desiste porque não viu feedback. Não, compartilhando tem feedback sim, tem feedback, tem elogio. E tem possibilidade de outras pessoas fazerem a mesma coisa e começar a fazer uma grande rede mesmo, fora da própria rede da Rebraus, que a Rebraus funcione como a rede dela.
O que é a Rebraus? É uma Rede Brasileira de Letramento em Saúde. Então vamos todos aumentar esse letramento em saúde, essas ações de letramento em saúde no país, não é não? Eu acredito que até essas leis que estão saindo agora, que estão começando a explicitar letramento em saúde dentro delas, é um pouco também por uma— não parece tão assim visível, mas com certeza a Rede Brasileira de Letramento em Saúde tem ali o seu dedo, não é não?
Por isso que aparece uma lei de segurança do paciente que tá falando do letramento, aparece uma resolução da enfermagem que tá falando do letramento, quer dizer, o letramento em saúde começa a aparecer, o Ministério da Saúde começou a publicar textos que falam em letramento e saúde. Então é uma coisa que está crescendo e está crescendo com o papel da rede. Isso é muito importante. Então eu quero agradecer demais você ter vindo aí com essa possibilidade inovadora de você sair fora da palestra simples e avançar para uma exposição dialogada com o envolvimento de todos os participantes.
Eu acredito que o evento se beneficiou E todo grupo que participou se beneficiou também desse tipo de ação. Parabéns, viu, Sara? Muitíssimo obrigada pela tua participação com a gente hoje.
Eu que agradeço, né? Eu, em nome de todo o nosso grupo de pesquisa Nutrindo, é que agradecemos esse convite. E é um prazer muito grande estar compartilhando com vocês essa nossa experiência, que seja também uma experiência inspiradora a outros para que a gente possa propagar o letramento em saúde. Eu queria agradecer demais, muito obrigada e um abraço a todos.
Pronto, e eu quero convidar nossos ouvintes todos para estarem aqui no nosso próximo episódio. Obrigadão, Sara.
Um abraço e até a próxima.
Tchau, tchau.
Tchau.