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Letramento em saúde bucal entre adolescentes: desenvolvimento e validação de um álbum seriado

04 de setembro de 202632min
0:00 / 32:47

No episódio de hoje vamos falar sobre Letramento em saúde bucal entre adolescents, em relação ao desenvolvimento e validação de um álbum seriado. Para falar sobre isso nossa entrevistada é a Dra. Fabíola Belkiss Santos de Oliveira. Ela é Montesclarence, de Minas Gerais, Cirurgiã dentista especialista em Dentística, com experiência de 15 anos naEstratégia Saúde da Família, em Tiradentes e docente nas redes pública e privada desde 2005. O Doutorado dela foi finalizado na Unimontes em dezembro de 2025, em letramento em saúde bucal entre adolescentes.

Seguem os links para acesso ao artigo de validação e ao álbum seriado, citados na entrevista:

https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/5303

https://www.youtube.com/watch?v=91fw06-lW7U

Participantes neste episódio2
H

Helena Sampaio

Host
F

Fabíola Belkiss Santos de Oliveira

EntrevistadoCirurgiã dentista especialista em Dentística
Assuntos6
  • O desenvolvimento e validação de um álbum seriado para adolescentestecnologia educativa·Saúde para Adolescentes: Um Guia para o Autocuidado·Unimontes
  • A importância do letramento em saúde bucal para adolescentesautonomia no autocuidado·prevenção
  • A validação do álbum por especialistas de diversas áreasodontologia·saúde coletiva·educação·comunicação
  • A importância da comunicação eficaz em saúde para profissionaismudança de comportamento·autonomia
  • A participação dos adolescentes na construção do álbum seriadopercepção do público·linguagem·imagens
  • A aplicação prática do álbum seriado em escolas e serviços de saúdeSUS·promoção de saúde bucal·educação em saúde
Transcrição82 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, amigos e amigas ouvintes, eu sou Helena Sampaio e falo em nome da REBRAUS, a Rede Brasileira de Letramento em Saúde. No episódio de hoje vamos falar sobre letramento em saúde bucal entre adolescentes em relação ao desenvolvimento e validação de um álbum seriado. E para falar sobre isso, nossa entrevistada é a Doutora Fabíola Belchiz Santos de Oliveira. Ela é montesclarense, que eu sabia que eu não sabia que era assim que a gente chamava quem é de Montes Claros, mas ela é montesclarense de Minas Gerais.

Ela é cirurgiã-dentista especialista em dentística, com experiência de 15 anos na Estratégia Saúde da Família em Tiradentes e docente nas redes pública e privada desde 2005. O doutorado dela foi finalizado na Unimontes, que é a Universidade de Montes Claros, em dezembro de 2025, em letramento e saúde bucal entre adolescentes. Então, com muita propriedade, estamos aqui com a Fabíola. Bem-vinda, Fabíola!

?Voz B

É um prazer estar aqui com você, Helena, para falar sobre esse trabalho que foi desenvolvido com muito cuidado durante meu doutorado e principalmente pensando em uma questão que eu considero muito importante, como podemos levar informação de saúde bucal para os adolescentes de uma forma que realmente faça sentido para eles.

?Voz A

Exatamente, é porque é um público bem especial, né? Porque se você não chegar, se você não chegar neles, eles vão deixar passar a oportunidade, né? Sim. E Fabíola, vamos começar então com as nossas perguntinhas. O que que é letramento em saúde bucal?

?Voz B

Letramento em saúde bucal, ele vai muito além de simplesmente receber informação. A ideia é que a pessoa consiga acessar, compreender, avaliar e aplicar informações relacionadas à sua saúde. Então não basta dizer para um adolescente que ele precisa escovar os dentes ou usar o fio dental. É importante que ele compreenda por que aquilo é necessário, consiga avaliar aquela informação e principalmente consiga transformar esse conhecimento em uma prática no seu cotidiano.

No nosso estudo, nós trabalhamos justamente com essas dimensões: acesso, compreensão, avaliação e aplicação da informação em saúde.

?Voz A

E por que que você escolheu especificamente os adolescentes?

?Voz B

A adolescência é um período muito importante, que é uma fase em que vários comportamentos e hábitos estão sendo construídos ou consolidados. Quando conseguimos trabalhar a educação em saúde nessa fase, nós temos a possibilidade de contribuir para que o adolescente desenvolva maior autonomia em relação ao próprio cuidado. Mas tem um desafio: não adianta simplesmente levar para o adolescente a mesma informação e a mesma linguagem que a gente utiliza com adulto.

A gente precisa pensar na forma como essa informação é apresentada, na linguagem, nas imagens, e também nas situações que fazem parte da realidade deles. Foi justamente essa preocupação que esteve presente na construção do algo. Para poder motivar, para promover o engajamento do adolescente no autocuidado.

?Voz A

E de onde é que surgiu a ideia específica para o álbum seriado?

?Voz B

A ideia surgiu justamente da percepção de que existia uma necessidade de desenvolver uma tecnologia educativa voltada especificamente para adolescentes e baseada nos princípios do letramento em saúde. Durante o levantamento realizado para o estudo, nós encontramos uma carência de materiais desse tipo voltados à saúde bucal de adolescentes, especialmente materiais que tivessem sido validados para utilização no contexto brasileiro.

Então surgiu uma proposta de desenvolver o álbum Saúde para Adolescentes: Um Guia para o Autocuidado.

?Voz A

E por que um álbum então? Não poderia ser só um texto?

?Voz B

Porque nós queríamos trabalhar também com aspecto visual. As imagens podem facilitar muito a compreensão de determinadas informações, principalmente quando estamos trabalhando com público jovem. Então, no álbum, texto e imagem não estão separados, eles foram pensados para se complementar. A ideia é que o adolescente consiga acompanhar uma sequência lógica e, por meio das imagens, compreender melhor aquilo que tá sendo apresentado. Isso também ajuda a aproximar o conteúdo da realidade cotidiana do adolescente.

?Voz A

Muito legal! Você sabe, fazendo um parênteses aqui na nossa, nas nossas essas perguntas, eu sou uma pessoa traumatizada com dentista. Eu já falei isso em outras oportunidades aqui que eu conversei com dentistas. Eu acho que tudo começou exatamente pela falta de alguma coisa educativa na época da infância. Então, eu sou uma pessoa já de muitos anos, né? Quando eu era criança, a mamãe esperava doer para me levar no dentista. Era uma cultura, né?

Da época. Ninguém fazia prevenção. Então, se tava doendo, o tratamento era doloroso também, né? E aí eu lembro que uma das vezes eu mordi o dedo do dentista, né? Então, de tão desesperada que eu fiquei com a dor. E aí ele falou para minha mãe que ela me levasse embora e que ele não queria nunca mais olhar para minha cara.

?Voz B

Não é uma questão de rir, não, Helena, mas isso realmente era uma prática cultural bastante. Hoje a gente já teve grandes avanços na odontologia, principalmente pela promoção de saúde, com ênfase na educação em saúde, na prevenção.

?Voz A

Exatamente. Eu acho que essa iniciativa tua de pegar o adolescente, eu acho que provavelmente ele será um adulto não apavorado, que eu trouxe o meu trauma para os dias de hoje. Então toda vida que eu vou, às vezes o dentista ri para mim porque eu, as minhas pernas ficam batendo de tremor mesmo. Tem que ele fala assim: você quer um cobertor? Você tá com frio? Não, não tô com frio, eu tô é tremendo de pavor mesmo, né? Quer dizer, uma pessoa na minha idade com pavor do dentista depois de tantos anos fazendo.

Que agora eu aprendi ao longo dos anos a importância da prevenção. Eu vou de 6 em 6 meses, faço a limpeza. Não sei nem se é de 6 em 6 meses, mas eu vou de 6 em 6, faço a limpeza, faço— ele faz a inspeção, vê se tem alguma coisa faltando ou devendo ser feita. E aí, mas toda vida eu vou tremendo. E aí eu fico, às vezes a perna não para quieta, até atrapalha.

?Voz B

Agora você está aletrada, né, Helena?

?Voz A

Agora eu estou melhor, mas eu vou trabalhar. Às vezes eles dizem para mim, você devia tomar um relaxante, um calmante, alguma coisa para você melhorar para vir para cá. Mas não, eu vou conseguir. Um dia eu chego lá. Mas eu acho ótima essa sua iniciativa de mexer com adolescente, porque ele já é como você disse, fica lúdico. Tem o texto, tem a imagem. Então eles começam a ver essa importância do cuidado, né? Eu acho super legal isso aí, do autocuidado.

?Voz B

É uma questão que eu acho super interessante trabalhar na adolescência, porque a criança ainda não tem condições de praticar as ações de saúde bucal sozinha, e o adolescente já tem.

?Voz A

Isso, exatamente. E como é que o álbum foi construído, Fabíola?

?Voz B

Ele foi um processo bastante cuidadoso. O estudo foi desenvolvido em etapas. Tem um livro, inclusive, interessantíssimo, Materiais Educativos para Prevenção e Controle de Doenças Crônicas. Uma— você conhece, Helena, esse livro? É de sua autoria.

?Voz A

Você falou o nome, eu tava aqui tentando lembrar quem seria.

?Voz B

Você. Vasconcelos Sampaio Vergara, de 2018. Ele foi essencial. Então, primeiro teve um levantamento de informações e da literatura, depois veio a elaboração de um roteiro temático e das ilustrações, que foram feitas por um adolescente. Em seguida, nós fizemos a validação do conteúdo por especialistas e a avaliação da aparência e da linguagem pelo próprio público adolescente. Ou seja, né, o álbum não foi construído apenas a partir da opinião de pesquisadores.

Nós buscamos reunir evidência científica, conhecimento profissional e a percepção do próprio público para o qual o material estava sendo desenvolvido.

?Voz A

Muito legal, muito legal. Então quer dizer que os adolescentes participaram da construção?

?Voz B

Sim, e essa participação foi muito importante, porque uma coisa é nós adultos e profissionais de saúde imaginarmos o que um adolescente vai achar interessante ou fácil de compreender, outra coisa é perguntar diretamente a ele. Os adolescentes avaliaram aspectos relacionados à aparência, a linguagem, as imagens e a compreensão do material, e algumas sugestões deles foram incorporadas às versões posteriores do álbum.

?Voz A

Muito legal! E teve alguma sugestão deles que chamou assim de modo particular a tua atenção?

?Voz B

Sim, algumas sugestões mostraram justamente como a percepção do público pode ser diferente da percepção do pesquisador. Teve, por exemplo, sugestões relacionadas à utilização de números e setas para facilitar a compreensão da sequência de determinadas ações, além da inclusão de situações e elementos mais próximos do cotidiano dos adolescentes, por exemplo, vape. Também houve discussão relacionada à representação dos personagens.

Essas contribuições, elas foram importantes porque elas nos fizeram olhar novamente para o material e perguntar: será que aquilo que está claro para nós também está claro para o adolescente? E eu acho que essa pergunta ela é fundamental quando a gente tá falando de comunicação e saúde.

?Voz A

Exatamente. E como é que vocês sabem então que esse álbum tá adequado?

?Voz B

Nós realizamos o processo, nós realizamos o processo de validação. Especialistas de diferentes áreas avaliaram o material considerando aspectos relacionados ao conteúdo, a clareza, a coerência, a relevância e a adequação. Também foi avaliada a aparência do álbum, incluindo imagens, organização e a relação entre texto e ilustração. O objetivo foi verificar se aquele material realmente representava adequadamente as informações que pretendíamos transmitir e se sua apresentação era apropriada para o público adolescente.

?Voz A

E quem foram esses especialistas?

?Voz B

Foram profissionais de diferentes áreas. Haviam doutores em odontologia, saúde coletiva, educação e comunicação, letramentistas e designers também. Essa diversidade, ela foi muito importante porque cada profissional consegue observar o material a partir de perspectivas diferentes. Um profissional da odontologia pode avaliar a precisão da informação, já alguém da comunicação pode observar a clareza da mensagem, e profissionais de outras áreas podem contribuir para aspectos relacionados à educação, linguagem e apresentação.

Então foi justamente essa combinação de conhecimentos que ajudou a aprimorar o material.

?Voz A

E qual que foi o resultado específico da validação, Fabíola?

?Voz B

Os resultados, eles mostraram índices elevados de validade de conteúdo. No estudo, os valores do IVC ficaram acima de 0,80 nos critérios que foram avaliados. Além disso, as avaliações realizadas pelos adolescentes indicaram que o material apresentava características consideradas adequadas em relação à aparência, a linguagem e as mensagens educativas. Então nós podemos dizer que o UOL apresentou evidências de validade de conteúdo e aparência.

?Voz A

Muito bom essa diversidade profissional de avaliação. Fica boa, né? Porque é aquela história, às vezes quando você bota, por exemplo, só no caso, tô falando em geral, no seu caso é odontologia, poderia ser qualquer área. Quando você coloca só especialistas daquela formação, às vezes algumas, algumas dificuldades que as pessoas podem ter na compreensão não são evidenciadas porque tá todo mundo falando a mesma linguagem. Então é muito óbvio para todos.

Quando você mistura a formação, aí você começa a ver que tem detalhes que às vezes um dentista não viu, mas um indivíduo formado em saúde coletiva especificamente vê. E aí você começa a aprimorar, né, refinar, né, o conteúdo. Isso é muito interessante, é uma dica boa para os nossos, para os nossos ouvintes que estejam começando a fazer pesquisa desse tipo, é o cuidado na escolha do juiz, né, do avaliador, do especialista, né? Porque se não souber escolher ou se tendenciar a escolha para um determinado, uma determinada formação, eu acredito que aí você tem um prejuízo, né, na qualidade do material final, né? Sim. E o Albus já provou que melhora a situação bucal?

?Voz B

É uma distinção muito importante. Não podemos afirmar isso ainda. O nosso estudo mostrou que o material foi considerado adequado e válido quanto a conteúdo e aparência. É diferente de mostrar que a utilização do álbum por si só modifica comportamento ou produz mudança clínica na saúde bucal. É uma etapa que ainda está sendo investigada. O próprio estudo, ele aponta a necessidade da realização de pesquisas futuras para avaliar, por exemplo, ganho de conhecimento, adoção de práticas de autocuidado e indicadores relacionados à saúde bucal.

?Voz A

Certo, vai fazer no seu pós-doc isso?

?Voz B

Estamos utilizando o álbum em uma escola pública aqui de Montes Claros, na educação e saúde bucal.

?Voz A

Pronto, já tá começando o seu pezinho dentro do pós-doc, né? Porque daí você compara como eles estão e como eles estão ficando, né?

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

Muito legal, muito legal. Qual é então a principal contribuição? É esse aspecto dele tá validado?

?Voz B

A principal contribuição é justamente disponibilizar uma tecnologia educativa que passou por um processo sistemático de construção e validação. Nós conseguimos reunir conhecimento científico, linguagem acessível e recursos visuais em um material direcionado para adolescentes. Então ele pode servir como uma ferramenta de apoio para profissionais de saúde e educação em ações de promoção de saúde bucal. Isso é particularmente importante porque queremos que a informação em saúde seja não apenas correta, mas também compreensível e utilizável.

?Voz A

Tá, então como é que ele pode ser usado na prática, falando assim de uma maneira bem pragmática?

?Voz B

Eu vejo várias possibilidades. Ele pode ser utilizado em atividades de educação em saúde nas escolas, por profissionais de saúde em unidades de atenção primária e em ações desenvolvidas em parceria com a educação. A ideia não é que o álbum substitua o profissional, é uma ferramenta de apoio à comunicação. Qualquer profissional pode utilizar o material para iniciar uma conversa, apresentar determinadas informações, estimular perguntas e ajudar o adolescente a refletir sobre o próprio autocuidado.

?Voz A

Ah, então isso é legal, porque ultimamente, né, tem sido, quer dizer, sempre foi, mas ultimamente está de uma maneira mais ostensiva a importância da escola na formação em saúde, né, da formação que o indivíduo seja letrado em saúde quando adulto, né. Então a escola tem sido considerada um espaço importante, tem até uma vertente de letramento em saúde nas escolas dentro da da Associação Internacional de Letramento e Saúde, da AILA, né?

Então é uma coisa boa para a gente ver isso, né? Quer dizer, você pode levar para escola além de ser usado no consultório, né, como você disse. Mas, Fabíola, ele é um álbum seriado digital ou ele é físico?

?Voz B

Ele tá, ele foi construído primeiramente físico, mas eu já estou digitalizando, já estou na finalização desse processo. Inclusive, eu já tenho versões dele em braile e agora estou construindo em Libras também.

?Voz A

Olha que legal, muito bacana, muito bom! Você tá avançando muito, né? Muitas coisas de pós-doc aí eu tô vendo. Sim, que legal, que legal! Bom, você mandou para mim aqui um link de acesso para a gente ver, né? A gente vê o álbum, né? Eu vou até, eu vou até colocar na descrição do episódio esse link para turma conhecer, e também o link da publicação. Você fez a publicação, né?

?Voz B

Fiz. Pronto, tudo disponível no YouTube.

?Voz A

Ah, maravilha, maravilha! Pois eu vou colocar o link aqui para turma poder acessar, porque já vai dando gostinho de quero mais em quem tá ouvindo, né?

?Voz B

Bom, futuramente estará no Instagram também.

?Voz A

É que hoje em dia tem que botar no Instagram, né? Eu não sou muito versado em Instagram, mas a gente vê que é uma, é uma evolução sem volta, né? A gente tem que aprender mesmo a usar essa mídia com essa proposta educativa, né?

?Voz B

E é o meio mais acessado pelos adolescentes, que é o público-alvo deste álbum.

?Voz A

É, exatamente, é isso aí, é isso aí. E tem profissionais de saúde, Fabíola, que não gostam de usar e não tem perfil no Instagram. O Instagram tem uma faca de dois gumes, né? Você tem aquele indivíduo que se vicia ali e passa 8, 9, 10 horas por dia ali. E tem muitos profissionais que pararam de ter o perfil exatamente porque perceberam que estavam num número de horas excessivo e que estava prejudicando a vida pessoal. Então saíram.

Só que nós não podemos muito nos dar ao luxo de não ter Instagram. Porque a gente deixa de ver algumas propagandas enganosas que a gente pode enfocar na ação educativa. A gente deixa de ver como é que a coisa tá evoluindo por diferentes grupos etários. Isso é importante para a gente que é educador, né? O que a gente pode fazer é botar um corte, né, um corte de horas. Meu filho, por exemplo, que era um utilizador, meu filho já tem 39 anos, o mais novo, Mas ele era um utilizador contumaz de Instagram.

Ele agora botou o stop de 2 horas e aí pronto, passou 2 horas, ele pode estar no meio de alguma coisa, ele para, ele para porque ele já sabe que ele vai ter que maximizar o que ele tá procurando ali em 2 horas. Se for só diversão, é só diversão. Se for uma coisa técnica, é só técnica. Mas ele para, o dia seguinte é que ele volta de novo. Então é uma estratégia que a gente pode lançar mão para não abrir mão de ter o perfil, né?

Porque eu acho que enquanto educadores, por exemplo, eu dei aula de letramento em saúde esse final de semana que passou. Se eu não acompanhasse algumas coisas do Instagram, eu não teria conseguido discutir algumas questões educativas com a turma que tava fazendo mestrado. Então eu acho que é importante. Agora tem que realmente saber filtrar, né?

?Voz B

Sim, exatamente. Inclusive no Instagram também eu vi uma, uma Um rios falando a respeito da importância das pessoas voltarem a escrever para aprenderem. Ou seja, a gente deu vários passos à frente, agora estamos recuando em alguns passos porque já está bem evidente que o acesso à internet tem que ser realmente limitado.

?Voz A

Isso é, na Europa eles estão pensando até em cortar dependendo da faixa etária, né? Para nós não chegar tanto ainda, não tem essa visão. Mas eu acho que o controle de horas é importante e principalmente é o ensino para que seja buscada no Instagram não só diversão, mas também educação. Isso daí, se eu— é uma coisa importante que você vai colocar no Instagram porque é um estímulo para o indivíduo procurar no Instagram. Ele procura totalmente a questão da educação, do assunto. O assunto vai permitir que ele aprenda alguma coisa. Né?

?Voz B

E uma educação de qualidade e não uma fake news.

?Voz A

Exatamente, exatamente, exatamente. E aí, bom, você falou na escola, ele pode ser usado no SUS também?

?Voz B

Sim, ele tem esse potencial. Inclusive, uma das perspectivas apresentadas no estudo é justamente que o álbum possa ser utilizado em escolas e serviços de saúde, especialmente dentro de ações de promoção e de prevenção. Mas para que isso aconteça de uma maneira mais ampla, a gente precisa pensar também em questões como reprodução, distribuição, capacitação dos profissionais e atualização do material. O estudo, ele também aponta a importância do apoio de gestores e de órgãos públicos para que uma tecnologia como essa possa chegar efetivamente às escolas e aos serviços.

?Voz A

É, o fato de você tá digitalizando também facilita a atualização, né, do material. Então é bom porque se aparece uma novidade você já implementa ali, né?

?Voz B

Sim, e é interessante como aparecem novidades todos os dias. Eu tô tentando incorporar ao máximo ao álbum para que ele fique bem contemporâneo, bem interessante.

?Voz A

É, não tem especificamente relação com o álbum, mas assim, uma coisa que eu vi que tá aparecendo muito no Instagram agora de umas 2 semanas para cá, é a tal da pasta de dente com hidroxiapatita, né, que tá, que era uma origem alemã, se não me engano. Não vou nem falar nome aqui para não parecer que eu tô fazendo propaganda. Era alemã e aí tá disponibilizado. E aí você vê um monte de post. Aliás, eles, eles, o algoritmo descobre o nosso perfil.

Você procura uma vez E aí começa a aparecer toda hora para você, né? Mas tá aparecendo muita coisa sobre isso. Então são coisas que de vez em quando vão aparecendo, coisas para saúde bucal, e tem que ter um especialista para dizer para a gente se aquela coisa presta ou se a gente não deve nem chegar perto, né?

?Voz B

Sim, assim como aconteceu também com as pastas, é, os cremes dentais com carvão, que houve uma explosão de propagandas na internet e depois vieram os cientistas, os profissionais informando que essa pasta não é saudável.

?Voz A

Tá vendo? É uma coisa importante, tem que ter o contrapeso sempre, né?

?Voz B

Sim.

?Voz A

Bom, até agora nós falamos tudo bonitinho, né? Você trabalhou, você se dedicou, você validou, você tem um álbum bacana na mão, já passou para Braille, já passou para— tá passando para Libras. Aí me diz, e as dificuldades da pesquisa, quais foram as principais?

?Voz B

Sim, Helena, uma das dificuldades foi conseguir o retorno dos especialistas convidados para participar da validação. Alguns aceitaram participar, mas não devolveram os instrumentos preenchidos, mesmo depois da ampliação do prazo. E também tem uma limitação muito importante, que é justamente o fato de ainda estarmos realizando intervenção nas escolas para avaliar o efeito do álbum sobre o conhecimento e as práticas dos adolescentes.

Então nós reconhecemos que existe uma etapa importante que ainda precisa ser realizada. Não existe uma prática de participação em pesquisas no Brasil da comunidade de um modo geral.

?Voz A

Isso não tem mesmo não, é uma coisa que a gente tá perseguindo, né? A gente coloca para aprovar o material que a gente faz, né? Vai ter que ter um engajamento desde o início, né? Que às vezes até outras, eles podem gostar de uma coisa pronta, mas se eles tivessem oportunidade de participar da construção, eles poderiam criar outros conteúdos, né? É interessante essa sua reflexão aí. Então, o que que vai vir depois dessa validação? É isso aí? Vai por aí?

?Voz B

A validação, ela é um passo importante, mas ela não é o ponto final. A gente precisa avançar para estudos que avaliem a utilização do álbum na prática. E nós queremos saber, depois que o adolescente utiliza esse material, ele realmente aprende? Ele muda alguma prática? Isso pode repercutir nos indicadores de saúde bucal? Então, são perguntas que que ainda precisam ser respondidas em pesquisas futuras.

?Voz A

Bom, eu ia lhe perguntar agora da transformação em digital, mas você já comentou, né, que tá digitalizando e que já fez uma versão em braile e tá fazendo em Libras, né? Eu não sei mais como é que você pode melhorar esse álbum, né, porque já tá fazendo tudo que pode, né?

?Voz B

Eu espero contar com o engajamento dos adolescentes e principalmente que eles realmente accessem, avaliem, compreendam e realizem ações de autocuidado em saúde bucal. Meu objetivo é contribuir, né, com a utilização desse álbum para melhora da qualidade de vida dos adolescentes. Hoje eles estão muito inseridos no ambiente digital, então pensar em diversas formas de disponibilização para facilitar o acesso. Sempre mantendo o mesmo cuidado: a tecnologia precisa continuar baseada em evidências e adequada ao público.

?Voz A

Agora que eu vou fazer minha pergunta mais provocativa, vamos dizer assim: o adolescente não sabe ou a gente que não sabe ensinar?

?Voz B

Essa pergunta é muito importante, Helena. Às vezes nós pensamos que transmitir informação é suficiente, mas não é. Podemos falar durante uma hora sobre escovação, fio dental, alimentação, e mesmo assim essa informação não necessariamente vai ser incorporada à rotina do adolescente, não terá engajamento. Por isso que o letramento em saúde é tão importante. A gente precisa pensar não apenas em o que eu quero ensinar, mas também em como essa pessoa vai compreender essa informação e como ela poderá utilizá-la. Essa mudança de perspectiva, ela é fundamental.

?Voz A

Exatamente. A informação, na sua opinião, ela significa necessariamente uma mudança de comportamento, Fabíola?

?Voz B

Uma pessoa pode saber que determinada prática é importante e ainda assim não conseguir incorporá-la à sua rotina. Por isso, o nosso objetivo não é simplesmente aumentar a quantidade de informação, É favorecer compreensão, avaliação e aplicação da informação. E essa é justamente uma tecnologia que pode ajudar, ela pode facilitar a comunicação e estimular a autonomia dos adolescentes no cuidado com a própria saúde, o autocuidado.

?Voz A

Certo, certo. E assim, pensando nos adolescentes, vamos começar mensagens finais para os adolescentes. Qual seria uma mensagem sua?

?Voz B

Eu diria que cuidar da saúde bucal não deve ser visto apenas como uma obrigação. A boca faz parte da saúde como um todo. A saúde começa pela boca. E o mais importante é que o adolescente perceba que ele pode participar ativamente desse cuidado. Informação é importante, mas compreender essa informação e transformá-la em uma atitude de autocuidado é ainda mais importante. Então a minha mensagem seria: Conheça a sua saúde, questione, procure informação confiável e perceba que você tem autonomia para cuidar de si.

?Voz A

Perfeito. E para nós, profissionais de saúde, que mensagem você deixaria?

?Voz B

Eu diria que cada vez mais pensar em como comunicamos e não apenas no conteúdo que queremos transmitir. Uma informação cientificamente correta, mas que não é compreendida pelo público, perde parte de seu potencial. Então precisamos desenvolver estratégias educativas que sejam cientificamente fundamentadas, mas também acessíveis, atrativas e adequadas à realidade das pessoas. E acredito que esse é um dos principais aprendizados desse estudo.

?Voz A

Maravilha, maravilha! E é uma mensagem importante. A gente tem que pensar que entre os nossos ouvintes Nós temos pesquisadores que já estão habituados a tentar pensar em como é que comunicam, mas nós temos estudantes e nós temos profissionais que trabalham diretamente no campo. E muitos, muitos, principalmente aqueles que estão começando a ouvir o podcast da Hebraus mais recentemente, muitas vezes fazem a orientação na prática no automático, não pararam para pensar como é que aquilo tá sendo feito.

É como se a pessoa quisesse se livrar da lista de orientações que tem que fazer. Né? Então muitos hoje já estão conscientes disso que você disse, mas muitos não. Por isso que é interessante isso que você falou para uma reflexão maior da nossa parte, né?

?Voz B

Temos que ser gente que cuida de gente.

?Voz A

Ou frase boa para fechar.

?Voz B

Essa frase eu carrego, Helena, desde que eu iniciei a docência em 2005. Em todas as minhas aulas eu faço a primeira aula falando e tentando passar essa, essa mensagem: gente que cuida de gente.

?Voz A

É isso aí, muito bom, Fabíola. Eu queria agradecer demais a tua participação com a gente. Nós tivemos uns entraves aí operacionais, né, tecnologia nos boicotando, eu e você, mas graças a Deus hoje você conseguiu, deu certo. Eu sei que foi um dia a mais que você acabou perdendo em termos de deixar de fazer outras coisas para estar conosco. Então eu agradeço demais assim a sua participação, as coisas interessantes que você trouxe.

O material com certeza eu vou colocar, como eu já disse, na descrição do episódio. E queria só saber se você ainda quer finalizar com alguma questão ou se a gente pode encerrar nossa entrevista.

?Voz B

Helena, eu ganhei muitíssimo. Todos os momentos com você são de ganhos tremendos e fantásticos. Eu gostaria de te agradecer o convite, foi uma oportunidade super importante para falar sobre um tema que eu considero fundamental: como transformar conhecimento científico em uma ferramenta que realmente possa chegar às pessoas e contribuir para sua autonomia e seu cuidado em saúde. Então, através desse seriado, eu tentei ser gente que cuida de gente.

Então, meus agradecimentos especiais a você que é uma pessoa transformadora na vida das pessoas por quem você passa. Muito obrigada.

?Voz A

Eu que agradeço. Obrigada, obrigada por ter estado aqui. Agradeço nossos ouvintes também, que são fiéis e permitem que a gente esteja quase concluindo uma 6ª temporada. Então espero todos para o próximo episódio. Muitíssimo obrigada mais uma vez, Fabíola, e até lá.

?Voz B

Eu que agradeço. Um abraço!

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