Ferramenta Internacional para Autoavaliação do Letramento Organizacional em Saúde (Responsividade) Hospitalar (SAT-OHL-Hos-BR)
Hoje vamos falar de uma ferramenta colocada recentemente à disposição da comunidade científica e, principalmente, dos gestores hospitalares. Trata-se da SAT-OHL-HOS-BR. Nosso convidado para falar sobre isso é o Dr. Francisco Valdicélio Ferreira, responsável direto por esta ferramenta. Ele é nutricionista, doutor em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (PPSAC-UECE) e coordenador do Curso de Nutrição da Faculdade de Sobral (FASOL).
Link para a página da ferramenta SAT-OHL-HOS-BR:
https://m-pohl.net/sites/m-pohl.net/files/inline-files/SAT-OHL-Hos-BR%20final%20version.pdf
Helena Sampaio
Francisco Valdicélio Ferreira
- Ferramenta ISACFerramenta internacional de autoavaliação · Objetivo de identificar oportunidades de melhoria · Padrões, subpadrões e indicadores · Adaptação transcultural para o Brasil
- Validação e Confiabilidade da Ferramenta no BrasilPropriedades psicométricas · Validade de conteúdo e confiabilidade · Pré-teste com coordenadores hospitalares
- Cuidados no uso da IA na saúdeDiagnóstico detalhado e planos de ação · Melhoria da comunicação e sinalização · Capacitação de profissionais · Monitoramento contínuo da qualidade
- Desafios de desenvolvimento de IA no BrasilAmpliar o conhecimento sobre o conceito · Integrar a políticas de qualidade e segurança · Investir na formação de profissionais · Ampliar pesquisas nacionais e na atenção primária · Incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS)
- Letramento em SaúdeConceito e importância · Diferença entre individual e organizacional · Organização Mundial da Saúde
- Benefícios relatados pelas empresasBenefícios para pacientes · Benefícios para profissionais de saúde · Benefícios para gestores hospitalares · Redução de desigualdades e promoção da equidade
Olá, amigos e amigas ouvintes! Eu sou Helena Sampaio e falo em nome da REBRAUS, a Rede Brasileira de Letramento em Saúde. Hoje vamos falar de uma ferramenta colocada recentemente à disposição da comunidade científica e principalmente dos gestores hospitalares. Trata-se da SATOHLOSBR. No título do episódio eu tô colocando o nome completo dessa ferramenta. Essa é a sigla que representa essa ferramenta. E aí vocês vão poder ver com calma e também com a conversa que nós vamos ter com o nosso convidado.
Nosso convidado de hoje é o Dr. Francisco Valdecélio Ferreira, mais conhecido como Célio. Ele é nutricionista Ele é doutor em saúde coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará e é coordenador do curso de nutrição da Faculdade de Sobral, a FASOL. E aí, Célio, tudo bem?
Olá, professora Helena, bom dia, bom dia, ouvintes, tudo bem? Muito obrigado pelo convite.
O convite é importantíssimo porque, de qualquer maneira, você que tá dando nome a essa ferramenta, né, você é o é o responsável direto, né, pela criação dela, por ela estar conosco, né. Então me conte aí, para a gente começar e para situar os nossos ouvintes, Célio, o que que é uma organização letrada em saúde e por que que esse tema é tão importante?
É isso, professora Helena. Então quando a gente fala, né, em letramento em saúde, muitas pessoas pensam apenas naquela capacidade do paciente de compreender informações sobre a sua própria saúde, né. E aí No entanto, atualmente sabemos que essa é apenas parte da questão. O sistema de saúde também tem responsabilidade nesse processo. E aí é dentro desse contexto que surge esse conceito de organização letrada em saúde, que a organização letrada em saúde é uma organização que facilita para todas as pessoas a questão do acesso, a compreensão, avaliação e o uso das informações do serviço de saúde.
Em outras palavras, a gente vê que não se espera que o paciente ele se adapte ao sistema, né? E muito pelo contrário, que os processos, né, se adaptem para atender a necessidade da população. Então esse conceito ele ganhou força após estudos demonstrarem que muitos eventos adversos erros de comunicação, a questão da baixa adesão ao tratamento e dificuldade de navegação dentro dos serviços, eles decorrem não apenas das limitações individuais, né, mas sim isso, as limitações individuais dos usuários, né, mas também da complexidade própria do sistema de saúde.
E aí a Organização Mundial de Saúde, ela destaca que o letramento em saúde ele representa um importante determinante social da saúde. Assim, as organizações que adotam práticas voltadas à questão do letramento contribuem para reduzir desigualdades, promover maior segurança do paciente, fortalecer a tomada de decisão, a questão da decisão compartilhada, e melhorar a qualidade da assistência. E aí, uma organização letrada em saúde, ela representa algumas características.
Ela tem a questão da comunicação clara e acessível, ela tem a questão de materiais educativos adaptados ao público, uma sinalização dentro da organização mais eficiente, o treinamento permanente de profissionais, o envolvimento de usuários nas decisões e a questão também do compromisso institucional com a equidade, né? E a gente vê que esse conceito ele representa assim uma mudança de paradigmas, né? Em vez de responsabilizar a questão exclusiva do indivíduo pelas dificuldades de compreensão, ela reconhece que as instituições também devem criar ambiente mais acolhedor, compreensivo e também inclusivo.
Então, a diferença básica do letramento em saúde individual e o organizacional é essa? Explicita um pouquinho mais para ficar bem claro para o nosso ouvinte.
Pronto, pensando nessa perspectiva do letramento em saúde individual e organizacional, a gente vê que o individual ele refere-se às habilidades de cada pessoa, né? Cada pessoa ela tem que ter essa habilidade para quê? Para acessar, para compreender, para avaliar, né? E usar essas informações relacionadas à saúde, permitindo que essas informações permitam que a pessoa ela passe a tomar decisões adequadas sobre a prevenção, promoção e tratamento.
Já a questão do letramento organizacional, da organização letrada de saúde, ela desloca o foco do indivíduo para as instituições. Enquanto o letramento individual, ele pergunta, por exemplo, o paciente consegue compreender as informações? O letramento organizacional, ele já pergunta o quê? Que a instituição oferece informações que sejam realmente compreensíveis? E essa diferença, ela é bem importante, né? A gente vê que durante muitos anos, né, acreditava-se que o quê?
Que as dificuldades de comunicação eram consequência exclusiva da baixa escolaridade dos pacientes. Por isso esse conceito moderno propõe uma responsabilidade mais compartilhada.
Certo, certo, muito bom. E entrando aí na ferramenta, o que é esse Sátió HL Ross? Qual é essa ferramenta e qual é a principal finalidade dessa ferramenta?
Essa ferramenta é uma ferramenta muito importante, né, ferramenta internacional que a gente de forma pioneira trouxemos para cá para o Brasil, para utilizar no Brasil. E é uma ferramenta internacional de autoavaliação, é desenvolvida para auxiliar os hospitais a identificar o quanto as suas práticas estão alinhadas aos princípios das organizações letradas em saúde. Ela é bem diferente de instrumentos voltados aos pacientes, né, porque ela avalia a questão da própria instituição.
Seu objetivo, assim, de forma bem simples, não é classificar os hospitais como bons ou ruins, né, mas o quê? Identificar a questão da oportunidade de melhoria. Então a ferramenta ela faz o quê? Ela analisa diferentes aspectos na organização, incluindo o quê? Liderança, comunicação institucional, a participação do usuário, capacitação de profissionais, navegação pelo serviço, interação do letramento em saúde nas políticas organizacionais.
Então ela analisa diferentes aspectos. E na versão brasileira, né, a gente vem conduzindo, né, essa pesquisa, né, com essa ferramenta. E ela é uma ferramenta composta por 8 padrões 21 subpadrões e 155 indicadores, né, preservando aquela equivalência conceitual, né, e cultural, né. A aplicação dessa ferramenta, ela pode ser em equipe multiprofissionais, gestores, coordenadores, né, promovendo uma reflexão bem coletiva sobre o processo institucional, né.
E assim, um dos maiores diferenciais dela é transformar esse conceito abstrato, né, de ser uma organização letrada em saúde né? Isso transforma esse conceito em indicadores concretos que possam ser avaliados, monitorados e aprimorados de forma contínua, favorecendo a questão do quê? Do planejamento estratégico, a melhoria da qualidade, a segurança do paciente, o fortalecimento da gestão mais baseada em evidências.
Exatamente, é muito interessante porque daí a pessoa realmente se autoavaliando ela consegue identificar onde é que estão os nós do bom serviço de atendimento, né? E aí ela consegue, se ela tiver o interesse necessário, ela consegue fazer as modificações que o serviço demanda, né? E por que que foi necessário, Célio, fazer a tradução e adaptação desse instrumento para o contexto brasileiro?
Pronto, essa ferramenta, né, ela é uma ferramenta que veio lá originária do alemão, Depois ela foi para o inglês e ela já vem utilizada lá no exterior, né? E embora ela tenha sido desenvolvida internacionalmente, a sua aplicação direto no Brasil ela não seria adequada apenas com uma tradução literal, né? Apenas com a simples tradução ela não seria adequada para ser utilizada no Brasil. E cada país possui o quê? As suas características culturais, organizacionais, linguísticas, estruturais próprios que influenciam a questão da forma como os serviços de saúde funcionam e como os profissionais interpretam determinados conceitos.
E aí no Brasil, a exemplo do nosso Sistema Único de Saúde, modelo de atenção com princípios de universalidade, de equidade, de integralidade, além de uma organização do serviço diferente daquela encontrada em muitos outros países europeus, né? Esse instrumento, ele foi originalmente desenvolvido, né, nesse contexto, mas foi importante a gente adaptar o quê? As expressões, né, processo de trabalho, até algumas terminologias utilizadas precisavam ser adaptadas para a gente refletir a realidade brasileira.
Então nós realizamos o quê? A adaptação transcultural. Né, que busca justamente garantir essa questão que o instrumento ele mantém o mesmo significado conceitual da versão original, né, mas que seja compreensível, relevante e aplicável. Isso no nosso novo contexto, né, no contexto nacional brasileiro, né. E aí não se trata apenas de traduzir palavras, mas de preservar a intenção de cada item, respeitar os aspectos culturais, linguísticos e também organizacionais, né?
Além disso, a gente vê que a inexistência de instrumentos validados em português para avaliar o leitamento organizacional em hospitais representava assim uma importante lacuna científica, né? E aí, sem uma ferramenta confiável, né, gestores e pesquisadores, eles tinham dificuldade para medir o nível de leitamento organizacional identificar fragilidades, né, e também planejar intervenções baseadas em evidências. Então a nossa versão brasileira, que a gente traduziu aqui, adaptou para o Brasil, ela representa um avanço bem significativo para pesquisa e também para gestão hospitalar, pois ela disponibiliza o quê?
Uma ferramenta cientificamente validada para apoiar processo de melhoria contínua e também é da qualidade da assistência. Isso dentro desse contexto organizacional mesmo.
E, Célio, e que evidências então demonstram que esse instrumento realmente está válido e confiável para uso no Brasil?
Pronto, em relação a essas evidências, a gente vê que isso é uma pergunta extremamente importante, professora Helena, porque um instrumento científico ele só pode ser utilizado, né, com segurança quando apresenta evidências robustas de validade e confiabilidade. E aí, nesse contexto, a nossa ferramenta, nessa versão brasileira, foram avaliadas diferentes propriedades psicométricas, né, seguindo recomendações internacionais, né.
A gente fez a questão da validade de conteúdo, que verifica se os itens representam adequadamente o conceito de organização letrada em saúde, né. E para isso, especialistas na área, eles examinaram cada item quanto à clareza, relevância e pertinência, né? Utilizamos os índices de validade de conteúdo, que deu valores bem expressivos, deu excelentes valores, considerados excelentes, né, pela literatura, né? Utilizamos teste de confiabilidade, coeficiente de correlação interclasse, coeficiente de W de Kendall, no qual o resultado também foi excelente.
Então, além das análises estatísticas, o instrumento ele passou também por um pré-teste, né, com coordenadores hospitalares que relataram boa compreensão dos itens e também consideraram a ferramenta aplicável à realidade brasileira, né. Isso reforça a questão da validade da validade prática, da sua aceitabilidade pelos usuários. E aí todas essas evidências que a gente conseguiu realizar e descobrir demonstram que a versão brasileira dessa ferramenta é um instrumento confiável para apoiar pesquisas e processos de melhoria da qualidade em hospitais brasileiros.
Maravilha, maravilha. E Célio, essa ferramenta ela está disponibilizada no site da M-POL, né? Conta para o pessoal rapidinho o que que a M-POL é, só para o pessoal saber como é que a ferramenta tá lá, porque é só clicar lá Brazilian Version que a pessoa tem acesso à ferramenta, né?
Pronto, inicialmente nós entramos em contato com os autores, né, da ferramenta principal, no qual eles concederam a utilização dessa ferramenta. E aí, após toda a pesquisa realizada aqui no Brasil de validação, né, de testes iniciais, nós entramos em contato com os pesquisadores principais falando dessa utilização dela aqui no Brasil, né, e do quão importante foi essa utilização no Brasil. E eles solicitaram a versão brasileira para a gente disponibilizar e eles publicarem no site da M-Paul.
E aí quem quiser conhecer a ferramenta. A ferramenta traduzida para o português brasileiro está no site da EMIPOL, lá no bloco de organizações letradas em saúde, né? Então é uma organização bem que trabalha muito essa questão de políticas públicas a nível internacional. E aí essa ferramenta tá lá à disposição.
É inclusive um grupo que é apoiado pela própria Organização Mundial da Saúde, né? Isso. Eu vou colocar aqui, Célio, na descrição do episódio o acesso. Então, já que a ferramenta tá socializada, né, eu vou colocar o acesso para as pessoas verem essa ferramenta, conhecerem detalhadamente esses indicadores todos que você citou, né. E aí, logicamente, quem quiser usar vai para os trâmites de utilização. E é aí que eu ia lhe perguntar, então, como que os hospitais podem utilizar esse instrumento para melhorar a qualidade da assistência, Célio?
Pronto. Então assim, essa ferramenta, né, o grande diferencial dessa ferramenta é que ela não é, ela não foi desenvolvida apenas para medir a questão de uma realidade, né, mas principalmente para promover a questão das mudanças organizacionais. Então após a aplicação da ferramenta, né, a própria ferramenta ela tem lá todas as instruções de como utilizar, né. E após a aplicação da ferramenta, o hospital ele obtém a questão de um diagnóstico detalhado.
Dos seus pontos fortes e também das áreas que precisam ser aprimoradas. E aí esse diagnóstico ele permite elaborar planos de ação baseado em evidências, em vez de decisões fundamentadas apenas na percepção dos gestores. Então essas ações, esse plano de ação, ele passa a ser baseado em evidência. Como por exemplo, se o instrumento identificar fragilidade na comunicação escrita, A instituição pode avaliar os formulários, os termos de consentimento e também os materiais educativos para utilizar uma linguagem mais clara e acessível.
Se forem identificadas dificuldades de navegação dos usuários, o hospital pode melhorar a questão da sinalização interna, organizar fluxo de atendimento, aprimorar serviço de acolhimento para orientar os pacientes e também os familiares. E assim, outro aspecto bem importante é também a capacitação dos profissionais, né? Muitas vezes médicos, enfermeiros, né, e demais trabalhadores utilizam uma linguagem muito técnica, né, sem perceber que o paciente não compreendeu as orientações.
Isso é muito importante. O instrumento, ele também ajuda a identificar essa necessidade, né, incentiva treinamentos em comunicação centrada no paciente. Além disso, essa ferramenta, ela também pode ser aplicada né, periodicamente. Ela pode ser aplicada na sua totalidade ou em partes também, e dessa forma ela torna-se uma ferramenta de monitoramento contínuo, permitindo avaliar se as intervenções implementadas realmente produziram melhorias, né.
Assim, em outras palavras, o instrumento, ele é um instrumento que transforma esse conceito de letramento organizacional em um processo permanente de gestão da qualidade. Ele é como se fosse né, é uma auditoria de gestão da qualidade para melhorar todos os processos dentro da organização hospitalar, né.
É, e é interessante isso que você falou. A intenção não é, não é fazer, dizer se o hospital é bom ou ruim. A intenção é exatamente que o hospital tenha a oportunidade de olhar seus pontos fortes, que devem ser continuados, seus pontos fracos, que podem ser melhorados, né. Isso é uma coisa importante, né. Ninguém tá dando uma nota para o hospital, como você disse, né? O que nós estamos querendo é que o hospital identifique a sua própria limitação.
Cada hospital que aplicar uma ferramenta dessa, ele vai poder conseguir verificar onde que ele precisa melhorar alguma coisa, se houver interesse da gestão, não é isso? E logicamente a gente espera que tenha interesse da gestão, né?
Isso mesmo.
Mas assim, o que eu acho muito interessante é exatamente isso que você acabou de dizer, é a possibilidade do indivíduo identificar aonde que tá a falha. A ferramenta, ela confere esse poder, né? Eu tô aqui, eu deveria estar fazendo assim, eu tô fazendo de outro jeito, como que eu posso fazer assim? E aí eles começam então o processo de discussão interna para poder melhorar o seu perfil enquanto organização letrada em saúde, né?
Então é super interessante, eu recomendo bastante, Célio, que as pessoas accessem a ferramenta e leiam com calma, principalmente os gestores envolvidos aqui na nossa audiência, que eles vejam como isso pode ajudá-los. Eu acredito que no futuro, quando a gente avançar mais de letramento em saúde no país, a gente possa ter essa ferramenta incluída no processo de acreditação hospitalar, não é? Porque é super importante. O Brasil tá caminhando agora começando a colocar letramento em saúde em algumas políticas públicas, né?
Entrou lá no exercício profissional da enfermagem, entrou agora na qualidade e segurança do paciente. A palavra letramento em saúde começa a aparecer. E à medida que isso acontece, você começa também a— os órgãos gestores públicos oficiais do Ministério pode de repente instituir isso como um processo interessante, não acha não?
Isso mesmo, isso mesmo. Isso é muito bom, isso é muito bom, porque melhora tudo, melhora a comunicação com o paciente, melhora a saúde do paciente, melhora os fluxos dentro do hospital. Então isso é assim uma visão bem ampliada de como melhorar o serviço de saúde, né?
E assim, para o nosso ouvinte entender bem, quais benefícios assim uma organização letrada em saúde vai oferecer aos pacientes, aos profissionais, aos gestores?
Ah, benefícios tem muitos. A gente já tem assim na literatura internacional muitas pesquisas que mostram, né, esses benefícios. E a gente vê que os benefícios de uma organização letrada em saúde, eles são bem amplos, né, envolve todos os atores do sistema de saúde, ele envolve toda essa complexidade do sistema de saúde. E aí a gente falando assim em tópicos tipo para o paciente, para os profissionais e para os gestores, eu vou detalhar aqui um pouquinho mais como é que melhora, quais são os benefícios?
Por exemplo, né, para os pacientes, né, o benefício para o paciente, né, aparece de forma de informar, é assim, na forma de informações mais claras, né, maior compreensão do tratamento, participação ativa nas decisões, a questão da melhoria da adesão às terapias e maior segurança durante o cuidado, né. Os pacientes que entendem melhor a sua condição de saúde, eles tendem a seguir corretamente as recomendações e apresentam melhores desfechos clínicos.
E isso é o que a gente, durante os nossos estudos sobre essa temática, que a literatura tem defendido muito e que tem provado e mostrado muito, né? Para os profissionais da saúde, o letramento organizacional, ele melhora o quê? A comunicação interpessoal, fortalece a questão do vínculo com os pacientes e reduz a questão do retrabalho decorrente de falhas de atendimento. Também contribui para uma prática mais humanizada e centrada na pessoa, né, que é um princípio amplamente definido pelas políticas nacionais e internacionais na qualidade em saúde.
Em relação aos gestores, né, os benefícios incluem o quê? Maior eficiência organizacional, melhoria dos indicadores de qualidade, fortalecimento da segurança do paciente, redução dos eventos adversos e apoio ao planejamento estratégico. E também um ambiente organizacional que valoriza o letramento em saúde, ele também favorece o processo de acreditação hospitalar, né, e demonstra compromisso institucional com a qualidade também da assistência, né.
Além disso, as organizações letradas em saúde, elas contribuem para reduzir desigualdades, né, Pessoas com baixa escolaridade, idosos, né, indivíduos com deficiência ou permanentes, né, em grupos socialmente vulneráveis encontram menos barreiras para acessar e utilizar o serviço de saúde quando a instituição adota práticas, né, de comunicação clara e inclusiva, né. E aí, no contexto brasileiro, a gente pode ver que persistem, né, como a senhora acabou de falar, né, A gente tá avançando para isso, mas a gente vê que ainda persistem algumas importantes desigualdades sociais e educacionais, né?
Investir em letramento organizacional representa, né, assim, uma estratégia bem concreta para a questão da promoção da equidade, né, fortalecer os princípios do nosso Sistema Único de Saúde.
Maravilha! Maravilha. E, Célio, e aí, quais são os próximos, na sua opinião, né, quais são os próximos desafios para a gente fortalecer o letramento organizacional em saúde no Brasil?
A professora Helena, como a gente tanto tem sonhado, né, a gente quer, a gente pensa muito, a gente sonha muito em tornar uma política pública, né. Eu acho que isso seria um avanço sim, bem significativo em relação às políticas públicas aqui no Brasil, né? Então tornar uma política pública seria, né, essencial para a gente ampliar esse acesso, né, criar mais manuais, né, de forma clara para a população em geral, também para os gestores, né?
E isso aí, essa pergunta que a senhora fez é uma pergunta muito relevante, porque a gente vê que apesar dos avanços científicos nos últimos anos O leitoramento organizacional em saúde ainda é um tema muito novo no Brasil. A gente percebeu também nas pesquisas realizadas aqui no Brasil que é um tema relativamente novo, né? E o primeiro desafio é justamente ampliar o conhecimento sobre esse conceito, isso entre gestores, entre profissionais da saúde, entre pesquisadores e formuladores também de políticas públicas.
Ampliar esse conhecimento entre esse coletivo para fortalecer tudo isso, né? E muitas instituições ainda associam a questão do letramento e saúde apenas à produção de materiais educativos ou também à simplificação da linguagem, né? Embora essas ações sejam importantes, a questão do letramento organizacional vai muito além disso. Né, ele envolve o quê? Uma transformação da cultura institucional, né, incorporando o quê? A questão da comunicação clara, a participação do paciente, a equidade como princípio permanente da gestão.
Então ela visa isso, né. E outros desafios é o quê? Integrar o letramento organizacional a políticas de qualidade e segurança do paciente. A gente vê que hoje hospitais brasileiros já desenvolvem iniciativa voltada para acreditação, gestão de risco e melhoria contínua, né? E o letramento organizacional, ele pode fortalecer todas essas estratégias, né, fortalecendo mais ainda, né, e tornando mais centrado nas necessidades do usuário.
Também é fundamental a gente ver a questão do investimento, né, na formação de profissionais da saúde. Durante a graduação, muitos estudantes, eles aprendem conteúdos muito técnicos, né, de assim muito técnico, de excelência, mas recebe poucas formações, né, pouca formação sobre comunicação afetiva, né, comunicação efetiva, né, a questão da linguagem acessível, tomada de decisão compartilhada e educação em saúde mesmo. Então desenvolver essas competências desde a formação inicial torna-se essencial para consolidar uma cultura de cuidado centrado na pessoa.
Né? E aí outro ponto importante é ampliar as pesquisas nacionais também, né? A validação dessa nossa versão brasileira, ela representa assim um marco bem importante dentro do letramento em saúde, dentro das organizações letradas em saúde, né? Mas ainda precisamos o quê? De estudos que avaliem a sua aplicação em diferentes regiões do país, né? Em hospitais públicos, né? Ou hospitais privados, se puder ser aplicado, né? Se se tiver oportunidade de aplicar, hospitais filantrópicos especializados, né?
Também será importante investigar, né, como o letramento da organização ele influencia indicadores como satisfação do usuário, adesão ao tratamento, né, a segurança do paciente, né, e também tempo de internação em cursos essenciais, né? A gente vê que isso é um desafio estratégico, né? E a gente pode colocar também como desafio estratégico a questão de incorporar o letramento organizacional às políticas públicas dentro do SUS, nosso Sistema Único de Saúde, né?
E o SUS é fortalecer essa questão dos princípios da universalidade, integralidade, equidade, né? E os valores que dialogam diretamente com a proposta das organizações letradas em saúde, né? Então a gente vê que isso é muito importante É, e é um desafio, né, aqui na nossa realidade brasileira.
Sim, quando você conseguir a publicação dos seus trabalhos, quer dizer, acabou de terminar esse estudo, né, Célio, você vai mostrar então para quem acessar seu artigo que você já fez, né, uma aplicação em 3 hospitais brasileiros. Então você já tem resultados para mostrar quais são os pontos principais que afunilam, né, a qualidade do serviço em relação ao letramento em saúde, né. Isso vai ser muito bom quando você tiver. Avisa a gente para a gente disponibilizar, ou então, melhor ainda, a gente chama você para falar do estudo publicado, porque agora você não pode adiantar nada porque você tá com ele submetido, né.
É, a gente tem muita novidade boa para vir aí da aplicação da ferramenta. A gente já tem um artigo aí sendo avaliado, né? E a gente tem 3 artigos já sendo avaliados em revistas boas internacionais. E quando sair, com certeza a gente vai estar aqui disseminando esse conhecimento de como foi essa aplicabilidade para todos.
Isso, isso. E assim, além que você falou mais pesquisas, a gente precisa também de pesquisas que validem ou desenvolvam ferramentas para fazer uma avaliação desse tipo na atenção primária, né, Célio? Sim, sim, sim. A atenção primária, ela tá de fora por enquanto. A gente tá, você tá enveredando aí pela atenção hospitalar, que é muito importante, mas eu acho que também é importante que se avance para a atenção primária. Então eu acho que a hora que alguém encampar a ideia de fazer também uma validação desse tipo, eu acho que fica uma coisa bem completa, né? Fica muito bom, fica muito bom.
Inclusive, que a atenção primária no Brasil é muito forte, né? Muito forte a atenção primária no Brasil. Então é importante instrumentos que avaliem isso também.
Exatamente, exatamente. E a gente teve uma entrevista que tá no ar inclusive agora sobre a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente, que é nova, né, saiu esse ano. E a nossa entrevistada, a Doutora Carla Bernardes, ela tava dizendo que após a formulação da polícia, após a publicação, né, da da portaria que cria a política precisa um plano operacional. Que coisa boa se cada, se cada, se o ministério realmente se envolver nesse plano operacional, na criação dessa, dessa, dessa, na criação dessa política maior com organização letrada em saúde usando essa ferramenta.
Nós precisamos divulgar a existência dessa ferramenta para que o plano operacional do ministério possa de repente utilizar o feedback que essa ferramenta está dando para poder fazer o plano operacional da política, né?
Tem sim, sim, sim.
Muito bom, Célio. E para a gente assim finalizar, que mensagem que você deixaria hoje para pesquisadores e gestores que estejam interessados e implementar essa abordagem em suas instituições?
Pronto, né? Eu sou suspeito em falar da temática, né, porque essa temática me apaixonou. Eu não concordo, professora, até um parêntese, eu não concordo em a pessoa dizer que um doutorado ele é traumático, né? Meu doutorado foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida profissional, né? Meu doutorado não teve Não sei se a palavra seria correta, seria a palavra correta traumático, né? Mas muita gente fala que o doutorado ele é muito puxado, ele é não sei o quê, ele deixa a pessoa desorientada e tal.
E assim, eu digo que o meu doutorado ele foi maravilhoso, foi maravilhoso, uma temática muito gostosa de trabalhar, né? Aprendi muito, muitas convivências boas. Então eu sou muito suspeito para falar dessa temática, né? E aí, dentro dessa pergunta que a senhora fez, que é muito importante, É a principal mensagem que eu vou deixar, que investir em letramento organizacional em saúde não deve ser visto como um custo adicional. Acho que os gestores não podem ver isso, né, como um custo adicional, mas como o quê?
Um investimento na qualidade, na segurança do paciente e também na sustentabilidade dos serviços de saúde, né? Sabemos que o quê? Que assistência em saúde ela é cada vez mais complexa. E os pacientes convivem com múltiplas cargas de doença, utilizam diferentes medicamentos e precisam tomar decisões importantes sobre o seu tratamento. Então, neste cenário, oferecer informações claras e construir organizações mais acessíveis deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade nas organizações de saúde.
Então, para os gestores, eu recomendo, né, a gente pode recomendar que iniciar esse processo de diagnóstico institucional é muito importante, né? E ferramentas como essa que a gente está tratando aqui, como essa que a gente traduziu e validou aqui para o português brasileiro, permitem identificar pontos fortes, reconhecer oportunidades de melhoria e estabelecer prioridades para implementação de mudanças. Então, pequenas ações como revisar formulários, simplificar materiais educativos, melhorar sinalização e capacitar equipes em comunicação centrada na pessoa, elas podem gerar grandes impactos significativos na experiência do paciente.
Então, isso é o que eu deixaria para os gestores. Em relação aos pesquisadores, como mensagem é dizer que o campo do letramento organizacional, ele oferece inúmeras oportunidades de investigação, né? Como a senhora já falou aqui agora há pouco, a questão da implementação, né, investigar na atenção primária à saúde, né? E ainda muito a ser explorado sobre os efeitos dessa abordagem em diferentes contextos, né? Esses contextos assistenciais, né?
Ver a sua relação com indicadores da qualidade, né, segurança, eficiência e equidade, bem como também a sua integração com as políticas públicas de saúde. Também é importante destacar que a implementação do letramento organizacional, ele não depende apenas da alta gestão, não é só a direção do hospital, né, trata-se de um compromisso de forma coletiva que envolve profissionais de diferentes áreas, usuários, familiares, gestores e formuladores também de políticas públicas.
Todos têm esse papel fundamental na construção de uma organização mais inclusiva e responsiva à necessidade da população. E aí eu gostaria de finalizar aqui reforçando assim uma ideia central, que o letramento das organizações de saúde não busca tornar os pacientes mais preparados para enfrentar sistemas complexos. Ele busca tornar os sistemas mais preparados para atender a necessidade das pessoas. E aí essa mudança de perspectiva, ela representa o quê?
Um avanço importante na forma como entendemos a qualidade da assistência e o cuidado centrado na pessoa. A validação dessa versão, ela representa um passo bem importante nessa direção. Ela oferece aos hospitais brasileiros o quê? Uma ferramenta confiável para avaliar suas práticas, orientar melhorias e fortalecer uma cultura organizacional baseada na comunicação efetiva, na participação do usuário e na promoção da saúde, né? Isso na promoção da saúde de forma equitativa, né?
E aí, se nós conseguirmos transformar esse conhecimento em ações concretas, Nós estaremos o quê? Contribuindo muito, não apenas para as organizações mais eficientes, mas para um sistema de saúde mais humano, né, mais seguro, né, mais justo, né, para toda a sociedade. Eu costumo dizer muito, a gente tem que trabalhar no SUS que dá certo, né. Então a gente tem que colocar políticas, criar políticas, né, para o nosso SUS, né, dar mais certo ainda.
Maravilha, maravilha. E assim, parabenizar você também. Você faz parte do grupo pioneiro que começou a trabalhar com isso no Brasil. Isso é uma coisa muito importante. Eu acho que vai dar frutos sim para o nosso Ministério da Saúde, para as nossas políticas públicas. Então eu realmente, mais uma vez, eu reforço a importância dos nossos ouvintes acessarem a ferramenta e conhecerem a ferramenta e lembrarem Aquilo que você disse no começo, não é obrigatório usar tudo aquilo.
Se você acha que não tá dentro do seu momento fazer uma melhoria em determinado setor, você pode escolher um setor para promover essa melhoria, um setor mais álgido dentro da instituição. Então ela tem essa flexibilidade importantíssima, porque ela é separada realmente por partes. Então você pode focar num padrão, são 8 padrões, você pode focar num padrão ou no outro, ou 2 ou 3, ou todos se quiser, né? Mas é essa flexibilidade que é importante.
Então, Célia, eu queria agradecer mais uma vez você ter dado seu tempo para nós hoje, tá? Tô muito feliz que você possa divulgar essa ferramenta. Ela já foi divulgada no grupo do WhatsApp do DAREBRAUS, mas eu acho que era importante vir aqui também para fazer essa divulgação, que é uma maneira mais fácil das pessoas socializarem também isso através da comunicação nas plataformas de distribuição de podcast, que é o papel do podcast da Rebraus, não é não?
É isso mesmo. Parabenizar a iniciativa da Rebraus, a iniciativa da professora Helena Sampaio, que leva esse podcast aí com todo o seu capricho, né? E agradecer demais pelo convite e colocar à disposição precisar, estamos aqui à disposição.
E você será convocado, né? Nem convidado, é convocado quando você tiver com seus artigos publicados. Célio, mais uma vez, muitíssimo obrigada. Aguardo também todos os nossos ouvintes para os próximos episódios. Estamos aqui sempre querendo apresentar coisas que vocês possam utilizar nas suas práticas profissionais e mesmo que possam propiciar aprendizados. Então estamos aguardando todo mundo. Obrigadão, viu? Mais uma vez, Célio. Tchau, tchau.
Um forte abraço, forte abraço a todos.