MESMO NA DOR, ELA SEGUIU EM FRENTE | HISTÓRIA DA LAIS | QUEM AMA NÃO ESQUECE 30/03/2026
Elan
- Historia do FrevoRelacionamento com Efraim · Perda e luto · Novo amor com Cristiano · Viver o presente
Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, o que é que a vida vem pedindo pra você viver? Na Band FM, quem ama não esquece. A gente se acostuma tanto a viver no automático, que quando encontra alguém que vive de verdade...
A gente até estranha. Só que é justamente essa intensidade que dá sentido à vida. Tudo começou quando a minha sobrinha ainda era pequena. A bebê não dormia direito, vivia agitada, chorava sem parar, não queria comer. A única coisa que resolvia era a oração. Sempre que nós orávamos, ela se acalmava.
Por isso a minha irmã pediu para levá-la à igreja que eu frequentava. E lá acontecia o mesmo. Depois da oração, ela melhorava como se nada tivesse acontecido. Foi nesse período que eu comecei a frequentar ainda mais a igreja. E foi lá também que eu conheci o presbítero Efraim. Em um dos cultos, um pastor me chamou e disse que uma grande mudança estava chegando na minha vida.
Ele disse que eu precisava me preparar para isso. Três dias depois, alguma coisa mudou dentro de mim. Eu comecei a reparar mais no Efraim. Ele era solteiro, mas eu não tinha coragem de me aproximar dele. Então eu procurei uma missionária, amiga dele, e comecei a perguntar sobre a vida dele. Eu queria me aproximar de alguma forma. O que eu não sabia.
É que naquele mesmo dia, ela também falou de mim pra ele. Na manhã seguinte, eu pedi um sinal a Deus sobre aquela história e depois eu fui trabalhar. Na época, eu vendi algumas coisas na frente de casa. E quando eu olhei pra esquina da igreja, eu vi o Efraim chegando. Na hora, meu coração disparou de um jeito. Mas mesmo assim, eu pedi mais uma confirmação de Deus. É.
E foi aí que ele parou a moto e veio caminhando na minha direção. Bom dia, irmã Laís. Bom dia.
O que você já faz aqui? Eu só vim ver se você está bem. Se está tudo bem. Como é que você está? Eu estou bem. E o senhor, como é que está? Quer alguma coisa? Faço para você, para um precinho bem legal. Não, não, não. Está tudo bem. Eu só passei, só passei mesmo para saber se estava tudo bem com você. Fica com Deus. Foi simples. Foi rápido. Mas para mim foi tudo.
No fundo, eu sentia que aquilo tinha sido um sinal claro de Deus. O sinal que eu tinha tanto pedido. Depois que ele foi embora, eu peguei o celular, procurei ele nas redes sociais e mandei uma solicitação. Ele só foi me responder cinco dias depois. E aí já foi bem direto também. Ele falou que tinha gostado de mim e que não queria perder tempo.
Eu estranhei aquela conversa, mas eu continuei falando com ele. Aí, conforme as mensagens chegavam, meu coração acelerava cada vez mais. Até que veio a última mensagem. Você aceita namorar comigo? Eu nem acreditei. Pelo telefone mesmo, ele se declarou e me pediu em namoro. Sem a gente nem ter vivido nada ainda. Mas na hora eu logo pensei nos sinais que eu tinha pedido a Deus.
E aí eu aceitei o namoro. A gente começou a se conhecer de verdade, mas de perto. E ele era exatamente o tipo de homem que eu sempre pedia em oração. Romântico, carinhoso, respeitoso, homem de palavra. Mesmo sem falar muito, ele me transmitia uma segurança que era difícil de explicar. E cada momento ao lado dele era especial, era diferente.
Com um mês juntos, eu resolvi fazer uma surpresa. Eu combinei com o filho dele de ligar dizendo que tinha sofrido um acidente de moto. Era uma brincadeira, mas no fundo, eu só queria ver a reação dele. O Efraim veio correndo e chegou na minha casa completamente nervoso, só querendo saber se eu estava bem.
Laís, cadê meu filho? O que aconteceu? Surpresa! Mas que surpresa é essa? Meu Deus do céu, que susto que vocês me deram! Ai, desculpa. Era só uma brincadeira. Mas eu também tenho uma surpresa pra você. Efraim! Que lindas, que flores lindas! E... Alianças? É isso, Laís. São pra você. Você quer se casar comigo?
A gente só estava junto há um mês. Mas eu disse sim. E disse com o meu coração cheio de certeza.
Pode até parecer loucura, mas pra mim não existia nenhuma dúvida. Eu sabia que era ele. Eu sabia que era com ele que eu queria viver o resto da minha vida. O Efain trabalhava como churrasqueira num restaurante da cidade. E um dia surgiu uma vada de atendente lá. Ele falou com o patrão, me indicou. E logo nós começamos a trabalhar juntos. A gente estava feliz. A gente estava vivendo de um jeito tão leve, tão gostoso, tão tranquilo.
A gente se casou em março de 2023. E foi tão especial. Um dia daqueles que ficam na memória, na alma. Um dos dias mais felizes da minha vida. Nosso dia a dia era cheio de complicidade, de carinho, de amizade. Eu sentia de verdade que seria pra sempre. Era uma paz, meu Deus. Era uma paz no coração que era difícil de explicar.
Como se eu estivesse exatamente onde eu deveria estar. Mas depois de alguns meses de casados, eu comecei a perceber algumas mudanças no Efraim. Ele estava sempre cansado, ofegante e com falta de ar, com qualquer coisa. No começo parecia alguma coisa boba, mas aos poucos, aquilo começou a me preocupar.
Para de se preocupar comigo, vai, para. Tá vendo? Você tá vendo? Você nem consegue falar direito. Sério? Você acha isso normal, Evraim? Imagina, eu tô bem. Eu tô bem, nada vai acontecer comigo. Eu já marquei um exame pra você. Vai ser na terça e você vai. Você tá me ouvindo? Você vai. Ah, não vai dar. Nesse dia eu tenho uma entrega pra fazer. Não vai dar. No fundo eu sabia que era uma desculpa.
Ele não queria saber de se cuidar e aquela falta de ar só piorava. Por isso, mesmo sem ele querer, eu marquei outra consulta. Quando ele foi, a médica já achou que as coisas estavam mesmo estranhas. Ela pediu alguns exames para investigar melhor e aí... nós descobrimos que ele estava com água na preura.
O Efraim precisava ser internado. Mas ele fugiu do hospital. Simplesmente fugiu. Eu fui correndo atrás dele. Mas ele teimava que não queria ficar lá e que Deus ia curar ele. Eu fiquei tão nervosa porque eu sabia que podia ser coisa séria. Mas aquela teimosia não durou muito também. Porque cada dia que passava ele piorava.
Cada dia ele ficava mais cansado, com mais falta de ar. Até que precisou se afastar do trabalho. E percebeu, ele mesmo, que não dava mais e que tinha que voltar para o hospital. Lá ele refez os exames e foi aí que apareceu uma massa no pulmão. Meu marido logo fez uma biópsia e foi confirmado. O Efraim estava com câncer. E tudo foi tão rápido.
Mas a gente nunca deixou de ter fé, nunca, nunca. Nunca deixamos de acreditar que ele seria curado. Ele ficou internado, fez os exames, tentando começar o tratamento, mas não deu tempo. Era tarde demais. A doença tinha avançado muito e nem tinha mais como operar. Os médicos falaram que...
Não tinha mais o que fazer. E que só nos restava esperar e fazer, dos últimos dias dele, os mais confortáveis. Foi ali que eu entendi que eu estava perdendo o amor da minha vida. E eu não podia fazer nada. Eu ia visitar o Efraim todos os dias no hospital.
Ele ficou entubado e já não conseguia mais falar. Então eu ficava ali do lado dele, tentando passar força. Tentando passar fé e amor. Eu falava no ouvido dele que todo mundo estava com saudade. Que ele ia sair dali mesmo sabendo que não ia. Até que um dia eu acordei com o telefone tocando.
Era do hospital dizendo que ele devia ser transferido. Eu fui correndo para lá e fiquei alguns minutos ao lado dele, orando, dizendo que tudo ia ficar bem. Mas aí as enfermeiras vieram me tirar de perto dele. E assim que eu virei as costas. Ele se foi. Ele descansou para sempre.
E eu estive com ele até o último segundo. Fui muito doloroso. E por dias eu não conseguia entender, eu não conseguia aceitar. Parecia que não era real. Mas por outro lado eu sabia que eu não podia me afundar. Eu tinha um filho e ele precisava de mim. Então...
Eu coloquei isso na minha cabeça. Eu não podia me entregar porque qualquer queda minha ia atingir o meu filho também. Foi nisso que eu me agarrei. Me agarrei nele. Foi isso que me fez levantar. Ele. Eu voltei a trabalhar e a tentar seguir a minha vida como dava. O tempo foi passando e um dia eu conheci uma pessoa.
Um homem moreno, alto, forte, com um sorriso lindo. Ele passou a ser cliente do restaurante e toda vez que ia, dava jeito de puxar a conversa comigo. Depois de tanto tempo, aquele homem sabia como me fazer sorrir. Um dia eu ouvi a minha patroa dizendo pra ele que eu não era casada. E eu fiquei morrendo de vergonha disso.
Cinco dias depois, ele apareceu de novo, pediu um suco, uma caneta emprestada e antes de ir embora, escreveu o número dele num guardanapo. Sendo bem sincera, eu ainda não me sentia pronta para um relacionamento. Até pensei em jogar aquele papel fora, mas a minha patroa ficou insistindo para eu dar uma chance para ele e eu acabei cedendo.
O nome dele era Cristiano. E desde aquele dia em que eu mandei uma mensagem para ele, a gente nunca mais parou de se falar. No fim de semana, ele me chamou para o nosso primeiro encontro e foi uma noite maravilhosa. O Cristiano tinha um jeito brintalhão e ao lado dele eu não parava de sorrir.
Sem eu perceber, ele foi ocupando um espaço que até então só existia a dor. Mas junto com tudo isso, tinha uma coisa nele que eu não entendi. O Cristiano tinha pressa. Pressa de viver, pressa de amar, de querer construir um futuro, como se o tempo não pudesse esperar.
Nós só estávamos juntos há poucas semanas quando ele começou a levar as coisas dele para a minha casa. Eu dizia que a gente precisava ir com calma, mas ele era assim, era intenso, e intenso até demais. O que ele mais repetia era que a gente precisava viver o presente, porque o amanhã só pertencia a Deus.
Quando o Cristiano foi morar comigo, meu filho já estava maior, cheio de opinião. E o começo não foi fácil. Ele implicava, dava pra ver que não aceitava bem aquela mudança. E eu até entendia ele. Mas o Cristo tinha um jeito diferente. Foi chegando devagar, sem forçar nada. Mas também sem desistir. E aos poucos foi conquistando meu fim.
Quando eu vim, os dois já estavam próximos. Isso foi muito importante para mim, porque não era só sobre mim, né? Era sobre o meu filho também estar bem.
Nosso dia a dia era bom. Aos domingos era a folga dele, a gente passava o dia grudado. Ele brincava comigo, implicava às vezes e sempre dizia que um dia eu ainda ia sentir falta dele e até das implicâncias. Bobagem. Eu nem dava atenção pra essas coisas, sabe?
Eu amava dividir a vida com ele porque ele sabia cuidar de mim. Era uma coisa simples, mas era tão bom, sabe? Tinha dias que eu chegava cansada e ele já estava ali cuidando de tudo. Fazia janta, depois fazia uma massagem. Aparecia com chocolate, me dava flores. E todos os dias, sem exceções, davam jeito de me fazer sorrir. Mas a verdade...
Sempre aparece, né? Um dia eu cheguei do trabalho e ele pediu para eu sentar. Disse que precisava conversar e aí ele abriu o jogo. O Chris tinha uma doença rara chamada mieloma múltiplo. Ele também falou que ia ter uma consulta e que queria que eu fosse junto para ouvir a explicação do médico. Eu fiquei tão impactada.
Mas eu comecei a entender o motivo dele ser tão intenso em tudo. Na consulta, o médico falou que o Cris teria muitos anos de vida. Que a gente poderia viver normalmente. E a gente se agarrou nisso. E viveu realmente. Nós aproveitávamos cada minuto juntos, pensando que ainda teria a vida inteira pela frente. Mas no dia 31 de dezembro daquele ano.
Ele começou a reclamar de muitas dores de cabeça. Depois ele teve um sangramento no nariz e nós fomos ao hospital. Ele ficou cinco dias internado com o diagnóstico de sinusite. Depois ele foi liberado. Só que no dia 23 de janeiro, ele começou a ficar ruim de novo. A gente voltou ao hospital. E lá disseram que ele precisaria passar por cinco sessões de radioterapia. E ele não melhorou mesmo assim.
O corpo dele não respondia. A doença começou a mostrar força. Começou a mostrar que era agressiva. No dia 8 de fevereiro, no meu aniversário, ele ainda estava internado. E eu via o quanto ele estava frágil. O quanto cada dia era uma luta para ele.
Eu trabalhava o dia inteiro e eu ia direto para o hospital para ficar com ele. Eu dormia lá, cuidava dele, fazia o que podia. Era cansativo, mas o pior não era o cansaço. Era ver, aos poucos, o homem forte que eu conheci sendo consumido por uma doença que a gente não conseguia parar. Durante a madrugada, ele levantava várias vezes por causa do sangramento no nariz.
E ali já dava pra sentir que o corpo dele estava cada vez mais fraco, que já não reagia como antes. De manhã chamei ele pra tomar banho, mas ele não conseguia ficar em pé. Aquilo me deixava arrasada. Depois, no café, ele não quis comer. O médico passou, disse que as porquetas estavam muito baixas e pediu por uma bolsa de sangue.
O enfermeiro veio na sequência aplicar a medicação, mas ali... Ali parecia que tudo já tinha desmoronado. A respiração dele ficou pesada. Eu falava com ele e ele só mexia os olhos. Eu sabia que tinha alguma coisa. Aliás, alguma coisa muito errada.
Algum tempo depois o médico veio, colheu alguns exames e depois me chamou para conversar. O doutor disse que a situação era muito grave. E que podia ser só em questão de horas. Nossa! Naquele momento meu chão sumiu. Eu só podia orar e eu orei, eu orei, eu orei muito, eu orei demais. Meu Deus, como eu orei!
Eu orei com toda a fé que eu tinha no meu coração. Os olhos dele não paravam de lacrimejar, mas fora isso, ele não tinha nenhuma outra reação. Aquilo foi me dando um desespero, uma angústia, uma dor que eu não sei explicar. Poucas horas depois, quando eu tinha ido até a farmácia, por um minuto,
Meu telefone tocou e era do hospital pedindo para eu voltar. E eu já sabia. Eu já sabia mais uma vez aquilo estava acontecendo comigo, eu já sabia. Eu voltei correndo e eu cheguei naquele hospital para ouvir pela segunda vez a pior notícia da minha vida. No dia 16 de fevereiro de 2026, o Cris partiu. O Cris partiu e eu estou aqui.
Eu tô aqui ainda tentando aprender a seguir em frente. De novo. Depois de tudo que eu vivi, a única certeza que ficou pra mim é que a gente precisa viver o hoje. Sem adiar, sem deixar pra depois, sem achar que sempre vai dar tempo. Se tiver que abraçar, abraça. E se tiver que dizer que é uma... Diga! Não guarde!
Não espere o momento perfeito, porque isso não existe. Todo momento é o momento certo. Tudo que a gente tem é o agora. Eu aprendi isso da pior forma possível, da mais dolorosa.
Quem olhava para o Cris não imaginava nada do que ele estava enfrentando. Ele era um homem forte, bonito, cheio de vida. Ninguém dizia que ele estava doente. Isso ficou marcado em mim porque mostra como nem tudo é o que parece. Às vezes a pessoa está ali sorrindo, vivendo, mas por dentro está travando uma batalha que ninguém vê.
Ele mesmo me disse que não contou sobre a doença no começo porque queria que eu enxergasse além dela. Queria que eu visse quem ele era de verdade. Foi exatamente isso que aconteceu. Ele era intenso porque queria viver. Ele fazia questão de viver e eu sou tão grata por ter participado disso ao lado dele.
O que eu leves de tudo isso é simples, mas muito forte. Ame hoje, viva hoje, faça hoje o que o seu coração pode, o que o seu coração pede para você fazer. Não deixa para depois, porque a gente sai de casa sem saber se a gente volta. A gente está bem hoje e de repente tudo muda, porque a vida é imprevisível e o amanhã realmente só pertence a Deus.
Quem ama não esquece.