Episódios de Quem Ama Não Esquece

DESCOBRI TUDO E TOMEI UMA DECISÃO POLÊMICA | HISTÓRIA DA VALÉRIA | QUEM AMA NÃO ESQUECE 01/06/2026

01 de junho de 202619min
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A Valéria e o Renato construíram uma família feliz depois de anos de casamento. Com o tempo, a rotina fez Valéria perder o desejo pelo marido, apesar de ainda amar ele. Ao desconfiar de uma traição, ela mexeu no celular dele e descobriu conversas com outras mulheres. Só que, em vez de sentir raiva, aquilo despertou novamente a paixão dela. Valéria voltou a enxergar Renato como o homem por quem se apaixonou no passado, e os dois reacenderam o casamento. Hoje eles continuam juntos, e ela aceita que saber que o marido ainda é desejado por outras mulheres , faz ela continuar apaixonada por ele.
Participantes neste episódio4
E

Elan

Host
F

Fabrício

HostEstudante, Poeta, MC de Batalha
L

Lauro

Host
V

Valéria

Convidado
Assuntos4
  • InfidelidadePaixão reacendida pela percepção do desejo alheio · Aceitação da infidelidade como motor do amor · Valéria
  • Destravar decisõesConfronto com a infidelidade do marido · Aceitação e desejo pela infidelidade · Valéria
  • Paixão e amor no casamentoRotina e distanciamento no relacionamento · Desconfiança de traição · Descoberta de conversas com outras mulheres · Renato
  • História de Roberto e AnaInício do relacionamento e casamento · Construção da família e rotina · Perda de desejo e afastamento
Transcrição47 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, uma traição pode salvar o seu casamento. Na Band FM, quem ama não esquece. Tem segredos que a gente esconde porque tem medo de julgamento. Existem segredos piores ainda.

Aqueles que a gente esconde porque nem consegue entender. Eu conheci o Renato há uns 20 anos. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento muito ruim e nem me sentia preparada para encarar um outro amor. Mas ele foi tão paciente. Ele foi tão gentil, tão carinhoso, que foi impossível não me apaixonar por ele.

O Renato chegou para me mostrar que não, nem todo homem é igual. E que sim, sempre é tempo para uma nova história. O nosso namoro foi leve, de um jeito que eu nem conhecia. Com ele, tudo parecia mais simples. Ele me buscava no trabalho só porque queria me ver. Me levava para tomar um café quando eu dizia que estava cansada. Lembrava de detalhes bobos que nem eu mesmo lembrava.

Depois de tudo o que eu tinha vivido antes, segurança era quase mais importante do que paixão para mim. Mas a verdade é que eu tive os dois. Eu casei completamente apaixonada.

E os primeiros anos foram exatamente aquilo que todo mundo sonha. A gente ria, fazia planos, dormia agarrado vendo filme e se brigava já resolvia logo. A vida foi acontecendo. Vieram os filhos. Primeiro o nosso menino. Alguns anos depois a nossa menina. E junto com eles vieram também todas aquelas coisas que a gente sonha quando constrói uma família.

Vieram as noites sem dormir, os desenhos espalhados pela casa, as apresentações da escola, as viagens em família, as fotos que enchiam a galeria do celular e aquela sensação boa de olhar ao redor e pensar, eu consegui. A gente conquistou muita coisa junto. Compramos a nossa casa, trocamos de carro, fizemos planos. Eu tinha orgulho da vida que construí ao lado do Renato.

A gente era parceria, sabe? E sempre foi. Era uma vida comum, mas era nossa e eu amava tudo aquilo. Mas existe uma coisa sobre a rotina que ninguém conta quando você casa. Ela não chega de uma vez. Ela vai entrando devagar. Primeiro vocês param de jantar juntos alguns dias porque alguém está cansado. Depois começam a dormir em horários diferentes.

Depois o assunto vira conta, trabalho, escola, mercado, compromisso. E quando você percebe, passaram meses, talvez anos. Eu ainda amava o Renato. Disse eu tinha certeza. Eu olhava para ele e via o pai dos meus filhos. O homem que segurou a minha mão nos piores momentos. A pessoa que construiu uma vida inteira comigo. Mas alguma coisa tinha mudado.

E eu demorei para ter coragem de admitir isso até para mim mesma. Amor ainda existia. Muito. Só que aquela paixão...

Aquela ansiedade de esperar ele chegar. A vontade de ficar perto sem motivo. Aquele frio na barriga. Aquilo não estava mais ali de alguma forma. E eu me senti a pior pessoa do mundo por pensar nisso. Porque o Renato não tinha mudado. Ele continuava sendo carinhoso. Ele continuava sendo bom. Continuava sendo o homem por quem eu me apaixonei.

Mas eu comecei a perceber, sem querer admitir, que eu estava começando a perder o interesse no meu próprio marido. Valéria, posso te perguntar uma coisa? Pode, claro. Você está feliz? Nossa, que pergunta é essa? Claro que eu estou. Não sei se está diferente, está distante. Não, não tem nada a ver, não.

Tem a ver sim, Val. Você sabe há quanto tempo a gente não tem um momento só nosso? Há quanto tempo que a gente não namora? Eu fiquei em silêncio.

Aquela pergunta me pegou totalmente desprevenida. Eu nem pensava nessas coisas e, para falar bem a verdade, não tinha a menor vontade de nenhum tipo de intimidade com ele. E aí, pela primeira vez, eu tive que admitir para mim mesma que alguma coisa estava acontecendo.

Eu vou falar mais uma vez. Eu amava o Renato. Nem passava pela minha cabeça me separar. Nada, nada disso, nada. Mas eu só... Eu só não tinha mais vontade de estar com ele como mulher. Depois daquele dia eu comecei a reparar em coisas que antes eu fingia não ver. O Renato continuava tentando.

Ele me chamava para sair, perguntava se a gente podia jantar sozinho, inventava programas, puxava assunto mesmo. Fazia esforço. E eu? Eu odiava perceber isso. Porque quanto mais ele tentava se aproximar, mais eu sentia que eu estava me afastando dele. E não era por raiva, não. Não porque existia outra pessoa, mas simplesmente porque alguma coisa dentro de mim parecia ter adormecido.

eu comecei a deixar nossa relação de homem e mulher cada vez mais de lado. Sempre tinha uma desculpa. Sempre. Cansaço, dor de cabeça, preocupação com as crianças, trabalho. E o pior é que muitas vezes nem era desculpa. Eu realmente acreditava naquilo. Até que um dia uma coisa aconteceu.

O Renato chegou em casa mais tarde do que o normal. Nada absurdo, nada que justificasse uma briga. Mas eu lembro que ele entrou diferente. Nós estávamos juntos há mais de 18 anos. Eu conhecia bem o meu marido. Primeiro que ele estava meio que desconfortável, sabe? Nem conseguia olhar nos meus olhos. Segundo que assim que ele chegou, ele já foi correndo tomar banho. Coisa que ele não era de fazer.

Talvez fosse só impressão. Mas pela primeira vez em 20 anos eu olhei para o meu marido e pensei. Será? E na hora? Na hora eu senti um aperto. Ou pelo menos achei que fosse. Nos dias seguintes aconteceu de novo. O Renato voltou para casa diferente. E aquela ideia não foi mais embora.

O estranho é que eu não pensava nela com raiva, eu pensava com curiosidade. É, curiosidade. Não era ciúme, não era medo, era outra coisa. Uma coisa que eu ainda não conseguia entender.

Val, quinta-feira eu tenho uma reunião às sete da noite. Eu vou chegar mais tarde, viu? Sete horas? Que horário, né? Pra marcar uma reunião. Você nunca foi de ter uma reunião assim tarde? É, pois é. É que... É fim de mês. Uma correria danada. E que horas você chega? Eu vou te esperar pra jantar? O que você quer que eu faça? Melhor não. Eu não quero que vocês fiquem com fome e me esperando. Eu... eu me viro na rua.

Naquele momento eu tive certeza. Certeza! Quando a gente conhece uma pessoa há quase 20 anos, aprende a perceber detalhes pequenininhos. Um olhar diferente, um jeito estranho de responder, uma mudança de comportamento. E eu comecei a juntar tudo na minha cabeça. As chegadas mais tarde, as desculpas, as reuniões fora de hora, o banho correndo assim que entrava em casa. Eu tentava fingir que não estava pensando nisso, mas eu estava. Eu estava o tempo inteiro pensando nisso.

Até que numa tarde eu fiz uma coisa que eu nunca tinha feito em todo o nosso casamento. Nunca. O Renato tinha saído para resolver umas coisas e esqueci do celular em casa. E eu? Eu fiquei olhando para ele em cima da mesa e eu lembro até hoje. Parecia que eu estava olhando para uma bomba.

Se eu pegasse, talvez descobrisse uma coisa horrível, mas se eu não pegasse, eu ia continuar vivendo na dúvida. Então eu peguei. As minhas mãos estavam tremendo, meu coração também estava muito acelerado. E aí quando a tela acendeu, eu tive a sensação de que ainda dava tempo de voltar atrás. Mas eu não voltei.

Eu comecei a olhar e nos primeiros minutos eu pensei que eu tinha enlouquecido. Não era. Não era uma conversa. Não era uma mulher. Eram várias. Conversas apagadas, nomes que eu não conhecia, frases soltas, algumas mensagens carinhosas demais para serem só amizade naquele instante. Naquele exato instante, eu...

Eu esperei, senti o meu mundo desabar, eu esperei raiva, eu esperei vontade de chorar, eu esperei sentir aquela dor que toda mulher imagina que vai sentir. Mas não foi nada disso que aconteceu. Uma sensação completamente diferente tomou conta de mim.

Meu coração acelerou, a minha respiração mudou e junto do choque veio uma coisa estranha, uma sensação que eu não sabia explicar. Eu devia estar destruída, mas eu não estava. Por que eu não estava sofrendo, meu Deus? Por quê? Eu sentei no sofá e fiquei olhando para a parede enquanto o Renato não voltava para casa. E aí eu comecei a pensar e pensar e pensar.

Quem eram aquelas mulheres? Como elas conheciam o meu marido? Será que ele fazia elas rirem? Será que prestava atenção nelas daquele jeito cuidadoso que fazia comigo lá no começo? Quanto mais eu imaginava, mais a sensação estranha crescia. Eu tenho vergonha, vergonha de admitir isso, porque...

Era assim, quanto mais eu pensava, mais alguma coisa dentro de mim despertava. Eu comecei a lembrar do homem que eu conheci 20 anos antes, do homem que me buscava no trabalho, que inventava desculpas só para passar 5 minutinhos comigo, que me olhava como se eu fosse a única pessoa dentro de um lugar cheio, aquele com quem eu fiz tantas loucuras.

Eu comecei a enxergar o Renato pelos olhos de outra pessoa. Pelos olhos delas. Talvez aquelas mulheres estivessem vendo justamente aquilo que a rotina tinha escondido de mim. Talvez elas tivessem encontrado no meu marido o homem que eu tinha parado de procurar. E aquilo? Aquilo mexeu comigo de um jeito que eu não sei explicar. Eu tinha que estar chorando.

Eu tinha que estar preparando uma discussão feia com ele. Eu deveria estar com raiva, mas eu só andava de um lado para o outro esperando ele chegar. E quando eu ouvi o portão abrir, meu coração disparou e até hoje eu não sei explicar o que aconteceu comigo naquele momento. Eu tinha acabado de descobrir uma coisa capaz de destruir a nossa família. Capaz de acabar com um casamento de 20 anos.

Capaz de fazer qualquer mulher chorar. Mas quando o Renato entrou em casa, eu não tive a menor vontade de perguntar nada. Nenhuma. Não queria saber nome. Não queria explicação, não. Não queria nem ouvir. Pelo contrário. Naquele dia as crianças estavam na casa da minha mãe pela primeira vez em muitos anos.

Eu olhei para o Renato e não enxerguei o pai dos meus filhos. Não enxerguei o homem da rotina, não enxerguei o marido que saía cedo, chegava cansado, perguntava o que tinha para jantar. Eu enxerguei aquele rapaz de 20 anos. Um homem que me buscava no trabalho, que inventava motivos bobos para me ver, que me fazia perder a hora conversando dentro do carro, que me olhava como se eu fosse a única mulher do mundo.

Eu enxerguei aquele homem que andava despertando desejos em outras mulheres. E sem pensar, sem entender, sem raciocinar, eu fui andando até ele e abracei o Renato de um jeito que eu não abraçava fazia anos. Abracei com força, com saudade, com uma intensidade que eu nem sabia que ainda existia dentro de mim.

Eu abracei o Renato com paixão, cheia de empolgação. E ali mesmo na sala, tudo aconteceu como nos velhos tempos. Nossa, Val, o que que te deu? Me deu saudade de você, meu amor. Nossa, por essa eu não esperava. Há quanto tempo que... Para, vamos só aproveitar esse momento.

Vamos sim. Vem cá. Vamos aproveitar. Eu também não sabia o que tinha acontecido. Mas alguma coisa tinha. Alguma coisa muito estranha. Quando tudo acabou e eu fiquei olhando pro teto, tentando entender o que era. E uma verdade começou a me assustar, sabe? Porque não foi o Renato que tinha trazido aquela Valéria de volta dentro de mim.

Foram elas, as outras. Eu gostei de saber que meu marido era desejado. Eu gostei de saber que ele tinha casos, que despertava interesse nas mulheres, que vivia coisas que eu nem conseguia imaginar. Eu gostei. Eu gostei de imaginar.

Pode parecer loucura, mas é verdade. Eu gostei de saber. Aquilo fez bem pra mim. E sabe o que é o mais louco? Não foi ruim admitir que eu tava sendo traída. O mais louco foi perceber que eu não queria que aquilo acabasse mais.

Depois daquele dia eu achei que fosse passar. Sério. Eu achei que ia acordar na manhã seguinte, me sentir péssima, criar coragem e finalmente colocar o Renato contra a parede. Mas não. Não, não passou. Pelo contrário. Alguma coisa tinha mudado dentro de mim. Eu tinha voltado a reparar o meu marido. Voltado a esperar ele chegar em casa. Voltado a prestar atenção na roupa que ele estava usando, no jeito.

Quando ele se trocava na minha frente, eu voltei a olhar para o Renato de verdade. E ele também percebeu. A vida que tinha virado agenda, conta, supermercado e obrigação começou a ganhar cor de novo. A gente voltou a conversar, voltou a rir, voltou até aqueles momentos que tínhamos simplesmente deixado embora. Voltou a ser marido e mulher.

A verdade é que as traições do meu marido salvaram o meu casamento. Elas só fizeram bem para mim, para ele, para nós. Depois de um tempo, o Renato voltou a ser o Renato. Eu percebi que ele tinha deixado as outras de lado. Mas aí, eu perdi o interesse nele de novo e eu tive uma conversa muito franca com ele.

E foi a conversa mais absurda da minha vida. Porque eu sentei, eu olhei nos olhos dele e pedi uma coisa que mulher nenhuma, nenhuma deveria pedir. Eu pedi pra ele não parar. Ele achou que eu tava louca, mas eu não tava não. Aliás, eu não estou. Cada um tem seus gostos e eu, eu gosto de saber que meu marido é desejado por aí. Isso faz com que eu também o deseje mais. Qual é o problema?

Eu sei que as pessoas podem achar que eu enlouqueci, que eu tenho algum problema, que eu não tenho o tal do amor próprio, que isso não é normal. Talvez não seja mesmo. Só que eu passei anos tentando entender uma pergunta. Por que eu tinha deixado de enxergar o homem por quem eu me apaixonei? E a resposta veio da forma mais estranha possível. Eu precisei olhar para o Renato pelos olhos de outras mulheres, para voltar a enxergar ele pelos meus.

Eu tenho 42 anos. Sou mãe, trabalho, faço almoço de domingo, lembro o aniversário de todo mundo e passo a imagem da mulher que construiu uma família perfeita. E talvez tenha sido justamente isso que me destruiu. A perfeição. Perfeição não existe e eu quase perdi o meu casamento por causa disso.

Agora eu achei o jeito que as coisas funcionam pra mim. Eu gosto quando ele me trai. Eu vou repetir. Não, você não ouviu errado. Eu gosto quando ele me trai. Às vezes o Renato fala que vai chegar tarde e eu faço o que qualquer esposa faz. Pergunto onde ele vai, pergunto que horas ele volta, pergunto se ele vai jantar em casa.

Ele responde, eu dou um sorrisinho, dou um beijo de despedida, aí eu desejo boa noite e fecho o portão. Só que diferente de todo mundo, que todo mundo fica imaginando, né? De ficar olhando no relógio, ficar com raiva. Não, eu não fico andando pela casa desconfiada, não. Eu não fico chorando por aí. Eu fico imaginando.

Imaginando alguém olhando para o meu marido do jeito que um dia eu olhei. E toda vez que ele sai pela porta, eu sinto mesmo frio na barriga de 20 anos atrás.

Porque a verdade é que eu não tenho medo que o Renato encontre outra mulher. Meu medo é outro. Meu medo é que um dia nenhuma outra mulher olhe pra ele e eu descubra que precisava delas pra continuar apaixonada pelo meu próprio marido. Quem ama não esquece Band FM