Episódios de Quem Ama Não Esquece

ELA CRUZOU A FRONTEIRA POR AMOR | HISTÓRIA DA MAYARA | QUEM AMA NÃO ESQUECE 16/03/2026

17 de março de 202616min
0:00 / 16:06
A Mayra conheceu o Sebastian em um aplicativo de namoro e como ele morava em outro pais, eles namoravam à distância. Depois de 6 meses, ela se mudou para o Chile e eles se casaram. Juntos, eles enfrentaram falsas acusações e uma tensão com a guarda da pequena Samantha, a filha do Sebastian. Hoje o casal ainda não tem contato com a menina, por conta da mãe dela, mas eles estão com planos para se mudarem para o Brasil para um novo recomeço.
Assuntos6
  • Crise Familiar ContemporaneaAlienação parental · Efeitos psicológicos da disputa · Manipulação da criança · Impacto emocional na relação do casal · Impossibilidade de resolução local
  • Mudanca de ResidenciaMigração para o Chile · Abandono de vida no Brasil · Medo e incerteza da mudança · Primeiro encontro presencial · Casamento após mudança
  • Relacionamentos FamiliaresConstrução de vínculo com Samantha · Acusações falsas contra Mayara · Interferência da mãe biológica · Processo judicial · Perda de contato com a criança
  • Relacionamento OnlineAplicativo de namoro · Primeiras mensagens · Videochamadas · Construção de relacionamento virtual · Decisão de se encontrar pessoalmente
  • Saúde Mental JuvenilIsolamento em país estrangeiro · Cansaço de ser forte · Necessidade de respirar e se recuperar · Retorno ao Brasil para descanso · Luta contra a depressão e ansiedade
  • Planejamento de ViagemDecisão de retornar ao Brasil · Esperança de nova vida · Busca por solução de problemas · Afastamento do conflito no Chile
Transcrição30 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Você realmente compra um carro online na Autotrader? Sim. A playground? Sim, realmente. Olha esses listões de dealers. Wow, você pode realmente ser tão específico? E você só coloca em sua info e boom. Car é em sua budget. Mom needs a seconda, honey. Você pode realmente ter a entrega? Ou eu posso pegar isso na dealership. Uma sec, sweetie. Mami está comprando um carro. Uh, eu acho que a criança está indo para o slide. Kyle, again? Really? Autotrader, você compra um carro online.

Obrigado.

Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, o amor é uma história construída com dois corações. Na Band FM, quem ama não esquece. Desde pequena eu acreditava que um dia chegaria a minha vez. Eu sempre sonhei em construir uma família. A minha família. E esse não era um desejo passageiro, era algo que morava em mim. No dia 20 de agosto de 2023, eu recebi uma notificação de um aplicativo de namoro.

Uma mensagem que eu abri sem imaginar que aquele gesto simples mudaria muita coisa. O nome dele era Sebastian. E eu lembro que quando eu vi a foto eu pensei, uau, que lindo! Mas não foi só isso. Eu também, também senti uma coisa diferente. Uma coisa até difícil de explicar. A mensagem dele era só um olá, em espanhol. E eu mesmo confusa respondi. E a gente começou a conversar. Sem saber.

Eu tinha acabado de dar o primeiro passo para alguma coisa grande. Nós conversamos por um tempo, mas uma hora eu pedi para ele me provar que ele realmente existia. E ele me ligou por videochamada. A ligação durou um total de apenas um minuto, porque eu simplesmente desliguei. Não sei lá, eu congelei. Eu fiquei olhando para ele na tela e eu não conseguia falar uma palavra. Depois de desligar desse jeito, eu ainda bloqueei o Sebastian,

de outro país, não. Mas o tempo passou. E de alguma forma, e por algum motivo que eu nem sei direito qual, eu acabei desbloqueando ele. Eu até hoje só consigo achar que foi mesmo o destino. A partir disso, nós passamos a conversar todos os dias. Todos os dias mesmo. Ligações, mensagens, tudo. Eu fiquei sabendo que ele era colombiano e que morava no Chile. O Sebastião me contou também que tinha uma filha de 6 anos e que o nome dela era Samanta.

E alguns dias depois, quando eu falei com ela pela primeira vez, eu me encantei logo de cara. O jeitinho, a voz, uma fofa. Os dias passaram, viraram semanas e as semanas viraram meses. Foram seis. Seis meses conversando todos os dias com ele. Ligações, mensagens ao acordar, mensagens antes de dormir. A gente já fazia parte da rotina um do outro, mesmo morando em países diferentes. Mas a distância começou a pesar e ele...

Dizia que não queria que a nossa relação continuasse só por telefone. E no fundo, eu também não queria não. A gente já tinha construído uma coisa grande demais pra poder continuar só através de uma tela. Então ele me fez o convite que mudou tudo. Ir morar com eles no Chile. Eu fiquei com medo. Óbvio que eu fiquei com medo. Mesmo depois de seis meses conversando todos os dias, ainda era tudo pelo telefone. E por telefone é uma coisa, né? Pessoalmente é outra.

Eu sabia que se fosse, eu estaria longe da minha família e dos meus amigos, de tudo que era seguro para mim. A minha ideia de relacionamento nunca envolveu sair do Brasil, muito menos namorar um estrangeiro. Nada daquilo estava dentro do que eu tinha imaginado para a minha vida. Mesmo assim, mesmo com medo, eu fui. Eu sentia que precisava ir, que era algo que eu tinha que viver. A ideia parecia arriscada, sim, muito arriscada. Eu sabia disso.

Mas também sentia que, sei lá, podia valer a pena. E no fundo, eu já sabia que o que a gente tinha era sério. Que não era só uma paixão de internet. E isso mesmo com todo mundo dizendo que não ia dar certo. Maíra, como é que você já tá aqui? Seu voo mal apareceu no painel. Eu saí do avião mais rápido que eu consegui. Eu tava ansiosa demais. Puxa, que bom. Olha, essas flores são pra você. Eu imaginei, sabe, esse momento mil vezes.

E eu não consigo acreditar que você está aqui de verdade. Você é diferente do que eu imaginava. Eu também não acredito que eu estou aqui. Mas diferente como? Você é real. Você é de verdade. Está aqui do meu lado, na minha frente. Olha, sei lá, não sei nem explicar. Eu estava morrendo de medo de você desistir de ver. Ainda bem que você veio. Foi o mês mais mágico da minha vida.

estivesse se conhecendo. Mas depois que isso tudo passou, ficou tão leve, ficou tão bom. A gente conversava como antes, como nas ligações intermináveis. Só que agora era melhor, né? Muito melhor. Juntos, lado a lado, frente a frente. Eu não conseguia imaginar estar mais feliz do que eu tava. Não dava, não dava. Bom, era o que eu achava. A família do Sebastian organizou um churrasco de boas-vindas pra mim, com todo mundo reunido. E ali no meio de toda a família, mãe, irmão, filha,

Ele simplesmente me pediu em casamento. Eu não estava esperando de jeito nenhum isso. Mas eu também não hesitei, não. É claro que eu disse sim. Pode parecer uma maluquice sem tamanho. Pode, eu sei. Mas dois meses depois de chegar ao Chile, eu já estava casada com o Sebastião. Foi tudo rápido demais e simples também. Nós fizemos só o casamento no cartório, porque minha família não conseguia estar presente. E grande parte da família dele também não. Não teve festa grande. Não teve cerimônia elaborada.

Mas teve significado. E pra nós isso já bastava. A gente tava feliz demais, vivendo a nossa fase de lua de mel e construindo a nossa vida. Eu sentia que finalmente tava vivendo aquilo que eu sempre sonhei. Mas, às vezes, uma semana é suficiente pra mudar completamente o rumo da nossa história. Uma semana depois, a mãe da Samanta entrou com um processo pedindo a guarda total dela. Mas isso não foi o pior e mais chocante.

Que eu batia na Samanta. Que eu maltratava a filha do Sebastião. Quando eu soube, parecia que o chão tinha sumido. Eu demorei pra entender o que é que eu tava ouvindo. Como que alguém pode inventar um negócio desse? Aquilo me doeu de um jeito que eu nem sei descrever. Porque não era só uma acusação. Era sobre o meu caráter, sobre quem eu era. Eu amava a Samanta como se fosse a minha filha e jamais, por nada nesse mundo, eu encostaria a mão nela. Teve um dia que ficou marcado em mim, muito marcado.

Para cortar o cabelo, o Sebastião e a Samanta foram comigo. Quando nós saímos do salão, nós três estávamos andando de mãos dadas. Ela no meio da gente. Foi então que, do nada, ela olhou para o pai e perguntou se eu podia ser a mãe dela. Eu senti o meu coração parar por alguns segundos. Eu nunca tinha sentido uma coisa assim antes. Foi um misto, sabe, de surpresa, de emoção. Um amor tão grande que quase não cabia dentro de mim.

Não sabe? Na mesma hora. A gente congelou. E aí dissemos que sim. A partir daí, sempre que alguém perguntava se éramos uma família ou se a Samanta era minha filha, a resposta era a mesma. Sim. Depois disso, eu acredito que a Samanta começou a falar sobre tudo isso com a mãe dela. Sobre me chamar de mãe, sobre nós três sermos uma família. E a reação não foi boa, não. Nós ficamos 40 dias sem conseguir ver a Samanta. 40 dias! Até o dia da audiência.

mil reais com advogados. Além de passar por um desgaste emocional enorme. Ansiedade, medo, insegurança. Me sentia sendo julgada por algo que eu nunca fiz. Mas no final, ganhamos a causa. E a guarda continuou sendo compartilhada. Mas a paz não voltou, não. A paz não voltou. Durante esse tempo, ela espalhou mentiras sobre mim, pra outras pessoas também. E aos poucos, começou também a colocar coisas na cabeça da Samanta. Isso, pra mim,

Foi o que mais doeu. Quando a Samanta voltou a ficar com a gente, as coisas já não eram mais iguais. Ela passou a fazer comentários o tempo todo. Falava sobre querer os pais dela juntos. Perguntava quando iria sair só com os dois. Imaginava situações em que eu simplesmente não existia. Esse tipo de coisa estava acontecendo. Eu nunca fui uma mulher insegura no meu relacionamento com o Sebastião. Nunca tive ciúmes do passado dele. Só que eu vi aquilo dia após dia. Começou a me afetar.

Ela era só uma criança. Ela estava confusa, no meio de uma confusão horrorosa. Mesmo assim, machucava demais. Não era bom. E a relação que eu tinha construído com tanto cuidado mudou. É que eu tenho te sentido tão diferente. Parece que tem uma tensão aqui dentro de casa que não vai embora. Você está tão calada. Eu estou cansada de ser forte, é isso. A Samanta não faz por mal e eu sei. Mas ainda assim eu fico machucada. A minha relação com ela...

A relação que a gente construiu com tanto carinho não é mais a mesma. Eu percebi que as coisas mudaram. Eu só não imaginei que tava te machucando tanto. Eu não queria que tivesse chegado a esse ponto e eu não quero que você carregue isso sozinha. Eu tentei não deixar isso me afetar, sabe? Mas é... Ai, é desgastante demais. Eu não tô com raiva. Não é isso. Eu tô só cansada. Mas eu não quero que isso crie distância entre a gente. Pelo amor de Deus. Não vai criar. Se tiver doendo, a gente fala.

justa. Eu continuo escolhendo você e prefiro enfrentar qualquer dificuldade do seu lado. Prefiro muito isso do que deixar o silêncio afastar a gente. Mesmo depois daquela conversa, a gente não conseguiu voltar a ser como era antes. A tensão dentro de casa continuava pesada. As brigas começaram a aumentar e também começaram a ficar duras. Eu já não aguentava mais viver no meio daquela confusão. Tinha uma coisa que pesava muito pra mim. Eu estava sozinha.

outro país. Sem minha família, sem os meus amigos, sem ninguém que fosse realmente meu por perto. Chegou um momento em que eu percebi que precisava parar, eu precisava respirar, eu precisava de um tempo longe de tudo aquilo que estava acontecendo. Então eu decidi voltar para o Brasil por um tempo. Ainda no aeroporto, já na hora do embarque, eu recebi uma mensagem do Sebastian me pedindo para não ir embora. Pedindo para a gente conversar, tentar resolver as coisas. Mas naquele momento eu sabia

que precisava daquele tempo. Eu precisava. Durante o tempo que eu passei no Brasil, pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar de verdade. Sem medo de falar algo errado. Sem medo de criar mais briga. Rever a minha família e os meus amigos me fez tão bem. Eu precisava disso pra esfriar a cabeça. Só que, quando eu voltei pro Chile, eu percebi que nada tinha mudado. Na verdade, parecia até pior. A mãe da Samanta já estava ameaçando entrar com outro processo contra a gente.

Eu sei que você tá cansada. Eu também tô. E já faz mais de um mês que eu não vejo a Samanta. Eu já falei pra você, a gente não vai conseguir resolver essas coisas aqui. A gente nem consegue mais falar com ela. Pelo menos no Brasil, a gente pode recomeçar. Mas ir pro Brasil, Maíra? Sem nada? Assim? Desse jeito? É. Assim. Do mesmo jeito que eu vim pra cá. Essa é a nossa chance de resolver as coisas. De uma vida nova. Eu vou pensar. Mas eu não prometo nada.

A mãe da Samanta tinha voltado para a Colômbia e levado a menina junto. E com isso ela praticamente parou de falar com o Sebastião. Ficou muito difícil para a gente conseguir contato com ela. Aliás, quase impossível. Mas a gente ainda tentava chegar a algum acordo. Ninguém queria voltar para uma disputa judicial. Todo mundo já estava muito desgastado com tudo que estava acontecendo. E a última coisa que nós queríamos era envolver advogado outra vez.

a gente no Chile, o Sebastián topou recomeçar comigo no Brasil. Eu voltei primeiro e eu tô aqui desde janeiro esperando por ele que deve vir no meio do ano. Eu vim primeiro pra poder organizar a nossa vida aqui. Procurar uma casa pra alugar, tentar arrumar trabalho. Entender, né, como recomeçar de verdade. No Chile, o Sebastián tinha um restaurante colombiano e nós dois já estávamos acostumados a empreender há muito tempo. Então, apesar de ser um país novo pra ele, o espírito é o mesmo. Trabalhar,

Construir, começar de novo. A diferença é que agora será um recomeço juntos. A saudade é enorme. Às vezes aperta, sabe? Mas nós dois já passamos por um relacionamento distância antes e sabemos que isso também vai passar. Logo vamos estar juntos de novo, eu sei disso. O combinado com a mãe da Samanta é que ela venha passar as férias com a gente. Não é o cenário ideal, claro que não, mas foi o acordo possível, pelo menos no momento. E nós esperamos que conforme ela for crescendo,

Também sinta vontade de passar mais tempo com a gente. E que aos poucos ela encontre o próprio caminho dentro de tudo isso. Sebastião, minha vida, eu espero de verdade que a nossa relação volte a ser como era antes. Mas não igual, mais forte. Porque depois de tudo que a gente viveu, eu tenho certeza de uma coisa. Eu te amo. E ainda acredito muito no futuro que estamos construindo juntos. Talvez a gente não consiga ter nove filhos que a gente brincava em planejar.

quem sabe quatro ou cinco. O suficiente pra encher a casa, a vida e o nosso coração. A nossa história já passou por muita coisa. E eu sei que ainda vai passar por outras também. Mas eu acredito que tudo isso é só mais um capítulo do que ainda estamos escrevendo. Juntos.