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UM AMOR PROIBIDO... VOCÊ TERIA CORAGEM? | HISTÓRIA DO EMERSON | QUEM AMA NÃO ESQUECE 24/03/26

24 de março de 202616min
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O Emerson foi criado pelo pai e cresceu sem a mãe. Já adulto, ele viu o pai se apaixonar pela Suellen, que passou a morar com eles. Com o tempo, o Emerson também se apaixonou por ela. Antes de resolver essa situação, seu pai faleceu em um acidente. Vivendo o luto juntos, Emerson e Suellen se aproximaram ainda mais. Só que, ele ficou dividido entre o amor e a culpa. Hoje, ele não sabe se deve se afastar para honrar o pai ou se enfrenta o sentimento que nasceu entre eles.
Assuntos5
  • Paixão não correspondida por SuellenDesenvolvimento gradual do sentimento · Atração física e emocional · Tentativas de evitar a situação · Convivência diária aumentando a proximidade
  • Morte do Pai e TraumasAcidente de trabalho · Perda súbita · Dor indescritível · Perda de melhor amigo e exemplo
  • Desafios PessoaisProximidade emocional durante o luto · Apoio mútuo · Intensificação do sentimento amoroso · Aproximação perigosa
  • Relacionamentos FamiliaresPaixão na idade adulta · Apresentação da namorada · Mudança de comportamento do pai · Suellen mudando para casa
  • Morte e LutoPerda prematura · Falta de memória materna · Ausência de culpa pela falta · Compensação paterna
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Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, o amor não pede permissão para chegar. Na Band FM, quem ama não esquece. Tem amores que não chegam para salvar ninguém ou para fazer bem. Eles chegam só para bagunçar tudo dentro da gente e colocar a nossa alma diante de um abismo. Eu cresci sem mãe. Essa frase é impactante para começar uma história, mas é verdade.

era um bebê. Um bebê tão pequeno que eu nem cheguei a guardar o som da voz dela. O cheiro, o colo, nada. Era muito pequeno. Quando eu conto isso, muita gente já me olha com pena. Como se a minha vida tivesse começado da maneira errada. E eu entendo. De fora, parece muito triste mesmo. Parece daquelas histórias que já começam com tudo pra dar errado. Mas a verdade é que eu nunca, nunca senti saudade da minha mãe. Até porque eu não a conheci.

E eu não digo isso com frieza ou indiferença. Eu digo porque não se sente falta daquilo que a gente nunca conheceu. Eu não tenho nenhuma lembrança dela. Zero. Não tenho nenhuma cena, nenhuma palavra, gesto. Pra mim, ela sempre foi só um nome, um título, mas não alguém real. Eu poderia sim ter sentido falta de ter uma mãe, como os meus amigos tinham. Mas a realidade é que essa ausência nunca foi um buraco dentro de mim.

O meu pai. O meu pai não deixou que isso acontecesse. Quando meus pais me tiveram, eles eram muito jovens. E o meu pai, além de se tornar pai com menos de 20 anos, se tornou também viúvo. Imagine você. Na idade em que a maioria dos homens só quer saber de curtir a vida, ele já tinha um filho pra criar sozinho. É. Ele podia ter se perdido. Podia ter largado tudo nas mãos de alguém. Podia ter feito o básico.

muito mais. O meu pai foi daqueles homens que aprendem na marra e ainda fazem bonito. Ele aprendeu a cuidar de mim sozinho. Trabalhou até cansar. Virou noites quando precisou. Abriu mão de um monte de coisa sem nunca jogar isso na minha cara. O meu pai assumiu tudo. Segurou tudo. E foi sempre o meu melhor amigo. O meu maior exemplo. Se eu não tive mãe, em compensação, eu tive um pai que valia por dois. Por isso, quando eu penso na minha infância,

Eu não penso primeiro na morte da minha mãe. Eu penso nele. Penso no homem jovem demais que abriu mão de tudo. Sem fazer drama e sem se fazer de coitado. O meu pai não foi perfeito. Mas ele foi grande. Grande de um jeito raro. Os anos se passaram e meu pai foi vivendo daquele jeito. Focado em trabalhar, focado em cuidar de mim. A vida dele era só isso. Muito de vez em quando. Até aparecia uma mulher ou outra. Uns namoricos aqui, outros ali. Mas nada sério.

Relacionamento foi pra frente. Nenhum mexeu de verdade com a vida dele. Era como se uma parte dele até tentasse seguir em frente. Mas a outra, que era muito maior, continuava presa na missão de me criar direito. Eu sempre sentia assim. Durante muitos anos foi desse jeito. O meu pai não se fechou pro mundo. Mas também nunca mais se entregou de verdade pra ninguém. Foi só quando eu tava com 20 anos que isso acabou mudando. E eu lembro bem. Porque dava pra ver de longe.

O meu pai tava apaixonado. Mas apaixonado de um jeito que eu nunca tinha visto. Era alguma coisa diferente. Ele tinha só 41 anos. Mas tava parecendo mais novo, de tão feliz que ele tava. Eu sabia que ele tava com medo de me falar. Mas eu puxei assunto antes. E disse que já tinha percebido tudo. Na hora ainda falei que fazia questão de conhecer a mulher. Que ele tava apaixonado. Que tava deixando ele daquele jeito. Ele ficou muito animado. E já marcou uma pizza lá em casa.

Achei engraçado. Quando ela chegou, eu tomei um susto. O que eu esperava? Uma outra coisa, sabe? A Suelen. Ela devia ter uns 30 anos. E era uma mulher bem bonita. Que alegria te conhecer, Emerson. Seu pai fala muito de você, sabia? Puxa, e eu espero que ele só fale bem, né? Ah, imagina. Você é tudo pra ele e ele só te elogia. Eu também tô muito contente em te conhecer.

Faz tempo que eu percebi que o meu pai está diferente, ele está mais feliz, está mais animado, está até mais jovem, olha aí. Seu pai é um homem maravilhoso, ele só precisa entender que merece viver a vida dele também. Depois desse dia, a Suelen foi entrando na nossa vida de um jeito natural, sem forçar nada, sem invadir espaço e sem tentar ocupar lugar nenhum que não fosse dela.

Era impressionante. Ele andava mais leve, sorria mais, se cuidava mais. Parecia até que ele estava falando diferente. Eu nunca tinha visto ele daquele jeito. E isso me fazia bem também. Porque depois de tudo que ele tinha enfrentado, depois de tudo que ele tinha aberto mão por minha causa, o meu pai estava amando alguém de verdade. Pela primeira vez. E isso me parecia quase uma recompensa da vida.

Muito bem. Ela me tratava com respeito. E eu tratava ela do mesmo jeito. Mas a gente tinha os mesmos gostos. Mesmas piadas. E talvez por isso eu tenha baixado tanto a guarda. Talvez por isso eu nem tenha percebido o tamanho do erro que eu estava ajudando a construir. Poucos meses depois, a vida deu uma virada. A Suelen perdeu o emprego. E de uma hora pra outra ficou numa situação complicada. Eu lembro do dia em que meu pai veio falar.

isso comigo super cuidadoso. Explicando a situação dela e perguntando se eu via algum problema dela passar uns dias em casa. Até ela se reorganizar. Eu concordei, claro. E ele ficou muito feliz. E naquele momento eu achei que tava fazendo a coisa certa. Achei que tava ajudando meu pai a viver o que ele merecia. Achei que tava sendo maduro, generoso, parceiro. E talvez tivesse mesmo. O problema é que sem perceber eu também tava abrindo

porta pra maior confusão. A pior da minha vida. O maior erro que eu já cometi. Foi ali que começou. E eu, eu demorei pra entender o que tava acontecendo. Eu achei até que era só a adaptação de ter uma mulher na nossa rotina depois de tantos anos. Mas não era. Em algum momento, sem que eu percebesse, a presença da Suelen começou a mexer comigo. Ia mexer de um jeito diferente. Eu reparava quando ela chegava. Reparava na voz dela. No cheiro

E foi aí que o desespero começou. O meu desespero. Porque eu entendi que aquilo tinha passado muito da conta. Exatamente. Quando eu percebi, eu tava apaixonado pela minha madrasta. Pela namorada do meu pai. Então, eu comecei a fugir como dava. Saía mais cedo de casa, inventava compromisso, tentava ficar o máximo possível fora. Longe dos dois.

Eu vivia inventando desculpa para me afastar. Eu tentava me convencer de que aquilo era só uma fase. Uma confusão da minha cabeça. E que logo aquilo ia passar. Mas quanto mais eu me afastava, mais eu percebia que o problema não estava nela. Nem na casa. Estava aqui, ó. Estava dentro de mim. E essa foi a pior parte. Porque eu podia fugir da Suelen por algumas horas. Mas não tinha como fugir de mim mesmo.

Deu a pior rasteira de todas. Enquanto eu tava tentando arrancar aquele sentimento de dentro de mim, tentando voltar a ser só filho, só alguém que ainda merecia olhar pro próprio pai sem culpa, o meu pai saiu pra trabalhar e não voltou mais. Ele tava trabalhando como um motoboy. Vivia na correria do trânsito, como sempre viveu. E num dia comum, num dia de trabalho comum, aconteceu o acidente. Quando a notícia chegou, foi como se o chão abrisse de uma vez debaixo dos meus pés.

O melhor amigo. A melhor pessoa pra mim nesse mundo. Morreu sem aviso. Foi. Do nada. Foi. Foi sem despedida. Uma dor que eu não consigo explicar aqui. Quando meu pai morreu. Não foi só ele que eu perdi. Eu perdi o chão. Eu perdi o rumo. E a única pessoa que até então. Eu achava que nunca ia me faltar. Mas faltou. No meio de toda aquela dor. Velório. Papelada. Gente entrando e saindo de casa.

Ficou desnorteada. Emerson, eu... Eu já tô procurando um canto pra mim. Eu vou embora. Assim que eu conseguir, eu vou embora. Ô, Suelen, não. Não precisa ir. Essa era a casa de vocês. Sua e dele. Eu... Eu tava aqui por causa dele. Agora não faz mais nenhum sentido continuar, né? Não, Suelen. Fica, vai. Você fazia parte da vida dele. E você acha que ele ia querer te ver saindo desse jeito, sabe? Sem ter pra onde ir? Eu não quero que você me deixe ficar por pena, tá?

Tempo, por um tempo eu vou aceitar. O problema é que naquele momento, nós dois estávamos sofrendo pela mesma coisa. E a gente acabou se apoiando um no outro. Nós viramos a companhia um do outro na pior fase das nossas vidas. E foi aí, exatamente aí, que estava o perigo. Porque quanto mais a gente se entendia, mais a gente se aproximava. E quanto mais a gente se aproximava, mais eu sentia, eu estava me afundando num lugar

Talvez não conseguisse mais sair. Eu dizia para mim mesmo que era só mesmo o luto, a mesma saudade, carência. Mas no fundo eu sabia que não era só isso. Eu sentia, eu sentia e eu percebia que aquele sentimento por ela estava lá e estava ficando ainda mais forte. E ela talvez também estivesse se envolvendo de alguma forma. Às vezes eu achava que sim, às vezes que não, que era coisa da minha cabeça. Você está evitando ficar sozinho comigo, né?

Não, imagina, imagina, impressão sua. Parece que toda vez que eu chego, você arruma um jeito de sair. É que eu ainda não tô legal, sabe? Eu não tô me sentindo muito bem mesmo. Eu também não tô. Mas, por algum motivo, com você, fica um pouco menos difícil. E é por isso que eu cheguei até aqui. Desse jeito. Dividido. Muito dividido. Uma parte de mim olha pra tudo isso e sabe exatamente o que as pessoas diriam. Errado, absurdo, imperdoável.

Talvez seja mesmo. Talvez seja coisa da minha cabeça e talvez eu esteja completamente maluco. Talvez eu até tenha cruzado o limite. No momento em que eu deixei de olhar pra Suelen como a mulher do meu pai. E passei a olhar pra ela como mulher. Às vezes eu penso que o certo seria ir embora, sabe? Sumir, fugir, arrancar isso de vez. Antes que a culpa acabe comigo de um jeito sem volta. Mas existe a outra parte. A parte que convive com ela todos os dias.

como a gente se procura, mesmo quando tenta fingir que não. A parte que sabe que o que está nascendo entre nós não veio de maldade, nem de jogo, nem de traição planejada. Veio mesmo da convivência, da perda também, da solidão e de um sentimento que eu lutei para matar antes mesmo de virar pecado dentro da minha vida. E essa é a parte que me destrói, porque ela me faz olhar para tudo isso, não só como erro, mas também como verdade.

o que fazer. Não sei se honro a memória do homem que eu mais amei na vida, me afastando da mulher que mais bagunçou a minha alma, ou se eu aceito que alguns sentimentos simplesmente aparecem, mesmo quando não deveriam. E que negar isso também não apaga nada. Eu não sei se ficar é uma traição. E eu não sei se ir embora é covardia. Eu só sei que eu perdi o meu pai. E agora eu tô morrendo de medo de perder ela também. E eu acho que talvez o pior de tudo isso, seja no meio de tanta

culpa de tanta dor e de tanta confusão, existia uma parte de mim que quer ser escolhida por ela, mesmo sem saber se eu devo.