Episódios de Quem Ama Não Esquece

DO SOFRIMENTO AO AMOR QUE MUDOU TUDO | HISTÓRIA Da JOSIANE | QUEM AMA NÃO ESQUECE 25/03/2026

25 de março de 202617min
0:00 / 17:11
Em busca do amor, a Josi teve seu primeiro romance com Geraldo, mas o relacionamento terminou por pressão e preconceito. Depois, se casou com o Marino, mas viveu um casamento difícil e inseguro. Anos mais tarde, após um reencontro com Geraldo, ela enfrentou uma relação longa marcada por humilhações, frieza e desgaste. Desacreditada do amor, ela conheceu o Ricardo, que a tratou como ela merecia. Com amor, carinho e respeito, então ela decidiu recomeçar ao lado dele. Hoje, ela vive um relacionamento saudável e aprendeu a se valorizar, mesmo estando ao lado de alguém.
Participantes neste episódio2
E

Elan

Host
J

Josi

Convidado
Assuntos1
  • História de JosianePrimeiro amor com Geraldo · Casamento com Marino · Reencontro com Geraldo · Relacionamento com Ricardo · Superação e autovalorização
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Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM,

um dia você terá encontro com a verdadeira mulher que você quer ser.

Na Band FM, quem ama não esquece.

O primeiro amor de alguém pode ser intenso, inesquecível e até mudar o rumo da nossa vida.

Mas isso não significa que ele seja o amor da nossa vida.

Porque às vezes o amor de verdade só chega depois que a gente aprende, do jeito mais doloroso,

que amar não é aguentar tudo.

O Geraldo foi meu primeiro em tudo.

Meu primeiro beijo, meu primeiro namorado.

E foi com ele também que eu tive minha primeira vez.

Apesar da nossa diferença de idade, a minha mãe permitia que a gente namorasse desde que fosse dentro de casa e bem vigiado.

Lá, era cada um num canto do sofá.

Eu só podia sair sozinha quando eu dizia que ia pra igreja.

Mas a verdade é que eu aproveitava esses momentos pra me encontrar com o Geraldo, monge dos olhos dela.

Eu era completamente apaixonada por ele.

E como não era sempre que eu podia estar com ele, eu ficava em casa imaginando onde ele estava, com quem ele estava e até fazendo o quê.

Ai, eu vivia nessa ansiedade.

E ele, por ser mais velho, vivia na rua, sempre pra cima e pra baixo.

Ai, eu era muito nova, muito inocente.

Nem passava pela minha cabeça que ele pudesse ficar com outras meninas.

Imagina!

Por muito tempo, eu nem soube de nada.

Só que eu fui crescendo.

Fui entendendo melhor as coisas.

E minhas amigas também começaram a abrir meus olhos.

Mas o que mais pesava nem era isso.

O que incomodava de verdade era a nossa diferença de cor.

Todo mundo no bairro comentava.

E a família dele, principalmente, nunca aceitou o nosso namoro.

Eles não queriam de jeito nenhum que o Geraldo ficasse com uma mulher branca.

Eles fizeram tanta pressão que, no fim, ele terminou comigo.

Foram cinco anos juntos.

E eu implorei pra que ele não fosse embora.

Mas não adiantou nada, não.

Ele deu ouvidos pra aquelas conversas e colocou um ponto final no nosso namoro.

Nossa!

Oh meu Deus!

Eu sofri tanto, mas eu sofri tanto com isso.

O tempo foi passando e eu não conseguia esquecer o Geraldo de jeito nenhum.

Até que um dia eu conheci o Marino.

No começo a gente só conversava e foram quase três meses desse jeito.

Mas um dia ele apareceu com um buquê de flores e me pediu em namoro.

Eu aceitei porque eu até gostava dele.

Mas, acima de tudo, o Marino me ajudava a esquecer o Geraldo, né?

Nós namoramos por oito, quase nove meses.

E aí ele me pediu em casamento.

O casamento no começo até que foi bom.

Mas não demorou muito pras coisas começarem a desandar.

O Marino saía demais com os amigos e muitas vezes levava gente que eu nem conhecia pra dentro da nossa casa.

Tá, tudo bem.

Receber um amigo, apresentar, conversar.

Mas de madrugada, com os nossos filhos dentro de casa, dormindo, ah não, pra mim já era demais isso aí.

A gente brigava muito por causa disso.

Até que um dia eu acordei com um homem que eu nunca tinha visto.

Parado dentro do meu quarto.

Me olhando dormir.

Você tem noção disso?

Nossa, aquilo acabou comigo.

Fora o excesso de bebida que só piorava a situação.

É.

É, não dava mais, não.

Não tinha mais como continuar desse jeito.

E olha como as coisas são.

Olha só.

Logo depois, por pura coincidência, quem é o encontro na rua?

Josi!

Meu Deus, quanto tempo!

Pois é, Geraldo.

Eu nem acreditei que era você.

Como é que você tá?

Como é que vai a vida?

Eu tô bem, sim.

E você?

Como é que vai?

Nossa, aconteceu tanta coisa comigo.

Tanta coisa mesmo.

Você tá com tempo?

A gente podia ir tomar alguma coisa, conversar melhor,

colocar nossa vida em dia.

Vamos?

Pois é.

Depois de decidir que ia terminar o meu casamento,

eu fui logo reencontrar com o meu primeiro namorado,

o Geraldo.

Eu me lembro como se fosse hoje.

Eu saía do trabalho às quatro da tarde.

E nesse dia eu só fui chegar em casa às onze da noite.

O tempo simplesmente voou.

Primeiro a gente ficou só conversando,

sem pressa,

e lembrando muita coisa.

Depois,

a gente resolveu ir pro cinema assistir Titanic,

que tinha acabado de estrear.

Quando eu cheguei em casa,

eu já sabia o que eu precisava fazer.

Eu não tava feliz com o Mariano.

Não tava.

Há muito tempo eu não tava.

Os meus filhos eram pequenos,

e eu já não sentia que eles estavam seguros dentro da própria casa.

Então eu juntei as minhas coisas,

peguei as crianças,

e voltei pra casa dos meus pais.

E eu não fiquei muito tempo por lá não,

porque logo o Geraldo comprou um hoti pra nós,

e a gente foi pra uma cidade vizinha.

O problema é que,

naquela época,

bom,

naquela época,

ele ainda era casado.

E além disso,

ele tinha uma filha de sete anos.

Mesmo assim,

eu aceitei viver aquela história.

E olha que foi uma espera longa, viu?

O Geraldo me enrolou por cinco anos,

falando que ia terminar,

que ia terminar,

que tava resolvendo a vida,

que faltava pouco.

Foram cinco anos de promessas e de expectativas.

Mas um dia,

finalmente,

ele veio de vez.

E foi justamente nessa época,

que eu descobri que eu tava grávida.

Grávida?

Como

assim, Josi?

Eu nunca te pedi filho nenhum.

Aconteceu, Geraldo.

Aconteceu.

Mas a gente já tem nossos filhos.

Você sabe o quanto é difícil

começar tudo de novo.

Ô, Geraldo,

eu não fiz isso sozinha não, hein?

Você pode parar com isso.

Eu sei disso.

Eu só não queria viver tudo isso outra vez.

A gente brigou feia naquele dia.

Mas no fim, acabou se entendendo.

E assim,

nasceu Gabriel,

nosso primeiro filho juntos.

Apesar daquele estresse no começo,

ele trouxe muita alegria pra dentro da nossa casa

e por muito tempo,

parecia que tudo tinha se acalmado.

uns 10 anos depois,

eu engravidei de novo e nasceu o Leonardo.

Mas,

apesar dos filhos e da rotina que a gente tinha construído,

a verdade é que a nossa relação já tava desgastada há muito tempo.

Eu e o Geraldo começamos a vender café na porta de uma empresa

que era perto da nossa casa.

E durante o trabalho,

até que era bom.

Eu conhecia gente de todo canto do Brasil,

eu conversava,

distraía a cabeça.

Mas bastava a gente voltar pra casa

pra tudo virar um sofrimento de novo.

O almoço ainda não tá pronto, não é?

Geraldo, eu acabei de chegar.

Claro que não tá.

Na boa.

Você não serve pra mais nada, Josi.

Vive na rua,

não para em casa,

não cuida dos meninos.

E por que você fala como se eu não fizesse nada?

Peraí,

todo dia é a mesma coisa, é?

Eu dou a minha vida.

Eu gasto o meu tempo inteiro pra fazer as suas vontades.

No dia que eu não voltar,

eu quero só ver como é que vai ser pra você sem mim, viu?

Até parece.

Até parece que você teria coragem pra isso.

Agora vai,

vai, vai.

Faz logo esse almoço, vai.

Porque eu tô morrendo de fome.

Ele me tratava

como se eu fosse uma funcionária dentro de casa

e não uma mulher.

Não tinha mais carinho,

não tinha reconhecimento,

não tinha um gesto sequer de intimidade.

Nada.

Aliás, da intimidade,

era do mesmo jeito.

Eu me sentia ousada

como se tivesse ali só pra servir ele.

Tudo acontecia rápido demais,

sem cuidado nenhum,

sem a menor preocupação com o que eu sentia.

Ele nem me dava tempo de sentir alguma coisa.

Já fazia uns 22 anos que eu tava com o Geraldo.

Mas eu não aguentava mais viver daquele jeito.

Eu cheguei ao ponto de arrumar um emprego num restaurante pra trabalhar à noite,

só pra não precisar me deitar ao lado dele.

O serviço era temporário e muito pesado.

Eu saía de lá umas duas da manhã,

chegava em casa e já começava a preparar tudo pra vender café no dia seguinte,

pra falar bem a verdade.

Até gostei quando o Geraldo parou de ir comigo,

porque ele vivia mal-humorado,

tratava todo mundo com grosseria,

ainda espantava os tregueses, né?

Sozinha, o ambiente rendia muito.

Eu atendia caminhoneiros de todo canto.

Eu ouvia histórias,

conhecia muita gente diferente.

Eu também recebia elogios,

até algumas cantadas.

Mas eu sabia ser parada em as coisas.

Pra mim, aquilo era só conversa de homem.

Até que um dia,

apareceu um deles,

o Ricardo.

Ele pediu um café com leite,

dois pães com manteiga,

mas justamente naquele momento,

eu já não tinha mais pão.

Ele começou a brincar com a situação

e sem eu perceber,

ele acabou chamando a minha atenção.

Dias depois, ele apareceu de novo

e depois de novo

e mais uma vez,

foi assim, aos poucos,

que a nossa amizade começou.

Quando ele passava alguns dias sem aparecer,

eu já até sentia falta.

Estranho, né?

Perceber isso,

mas era verdade.

Um dia ele me pediu

pra preparar uma marmita

e aí a gente precisou

trocar o telefone.

Foi isso que abriu espaço

pra gente conversar um pouquinho mais.

Ele começou a me mandar fotos e vídeos

dos lugares onde ele passava,

nem de músicas que eu gostava demais.

E o mais curioso

é que parecia que ele me conhecia de verdade,

como se soubesse exatamente dos meus gostos.

Um dia, ele me disse que

se eu quisesse viajar,

era só avisar

porque ele ia me levar.

Aquilo foi mexendo comigo de um jeito,

mas de um jeito.

Ai, carinho,

a atenção e o cuidado

que eu já não tinha dentro de casa

começaram a ficar cada vez mais fortes.

E foi assim que ele foi

ganhando espaço em mim.

Em uma das nossas conversas,

o Ricardo me chamou pra sair.

Eu hesitei, claro.

Mas aí no fim, eu resolvi aceitar.

Nós começamos a sair

e ficamos quase oito meses assim,

nos encontrando

só pra conversar.

Acontece que,

por dentro,

eu tava cada vez mais envolvida.

A vontade de me entregar

pra aquele homem

ia crescendo em mim

de um jeito

tão assustador.

E eu sentia que ele também queria.

Ele queria.

A diferença é que o Ricardo

respeitava o meu tempo.

Ele não me impressionava,

não me cobrava,

não me forçava nada.

Só dizer que,

quando tivesse que acontecer,

ele sabia que ia acontecer.

E aí,

aconteceu.

E quando aconteceu,

foi tão maravilhoso.

Eu sentia como se estivesse

me entregando de verdade

a alguém pela primeira vez.

Foi tudo muito,

muito diferente.

Diferente de tudo

que eu já tinha vivido.

Eu já tinha sido casada

duas vezes,

mas nenhum dos dois homens

com quem eu vivi

me fez sentir

o que eu senti

naquela noite.

Depois daquilo,

ficou ainda mais difícil

continuar a mesma vida

de antes.

Eu já não queria mais

nem que o Geraldo

encostasse em mim.

Dentro de casa,

a relação entre nós

foi só piorando.

Piorando,

piorando.

E quando meu marido

me procurava na cama,

uma vez por mês,

era sempre do mesmo jeito.

Rápido,

frio,

sem cuidado nenhum.

e pra mim,

foi ficando cada vez

mais fácil fugir dele.

Porque o que eu queria

de verdade

era estar perto

do Ricardo.

Até que um dia,

o Geraldo me xingou

dentro de uma padaria,

me humilhou na frente

de outras pessoas

e eu chorei demais.

Na tela,

a hora,

tudo o que eu mais queria

era falar com o Ricardo,

eu queria ouvir

a voz dele,

eu queria,

pelo menos,

ganhar um abraço.

eu queria encontrar

um pouco de carinho,

mas ele estava

tão longe.

Ele estava

no Rio Grande do Norte.

Quando eu contei

o que tinha acontecido,

ele me disse

que se eu quisesse

ir até ele,

ele pagaria

a minha passagem

de avião.

Eu nem pensei

duas vezes

e naquela mesma noite,

eu já estava

do lado dele.

Eu falei pro Geraldo

e pros meus dois filhos

que tinha aparecido

um trabalho,

tinha aparecido

uma festa

num sítio

e eu viajei.

Foi tudo muito

marcante pra mim.

Com o Ricardo,

eu vivi coisas

que eu nunca

tinha vivido antes.

Eu andei de avião

pela primeira vez,

viajei de caminhão,

eu conheci outros lugares,

eu namorei na praia.

E mais do que tudo isso,

teve uma coisa

que eu já nem sabia

mais como era.

Eu me senti

amada de verdade.

Estava tudo

tão bom

que parecia

até um sonho.

Mas com o passar

dos dias,

o Geraldo começou

a desconfiar

que aquela história

da festa no sítio

não era verdadeira.

Ele me ligava

o tempo todo

e eu fui ficando

cada vez mais aflita

pra poder voltar.

O problema

é que a passagem

de avião

estava

três vezes

mais cara.

E o Ricardo

ainda levaria

de quatro

a cinco dias

pra chegar de novo

a Belo Horizonte

onde eu morava.

Foi nesse intervalo,

dentro do caminhão,

que tocou no rádio

a música

Arranhão

do Henrique Juliano.

E naquele momento

alguma coisa

virou dentro de mim.

Eu olhei pra ele

e disse

não importa.

Eu vou ficar

e só voltar

com você.

E desde então

eu nunca mais

larguei o meu amor.

Hoje eu vivo

na estrada com ele.

Eu já dei

entrada na separação,

mas o Geraldo

ainda dificulta

muitas coisas.

Durante todos

aqueles anos

eu sempre avisei

que se ele não mudasse

um dia eu ia embora.

Só que ele nunca

acreditou em mim.

Ele achava

que eu jamais

teria coragem

porque tinha certeza

de que eu amava demais.

Mas hoje

eu entendo

que aquilo

não era amor,

era medo.

Eu tinha medo.

Hoje não.

Hoje eu sou feliz.

Em pouco tempo

o Ricardo

me deu tudo aquilo

que eu esperei

por 35 anos

em todos os relacionamentos

que eu tive.

Em dois casamentos

que me deixaram

marcas profundos.

As pessoas dizem

que eu estou mais bonita

e que eu estou mais leve,

mais saudável.

E talvez estejam

certas mesmo.

Mas a maior mudança

não foi por fora.

A maior mudança

aconteceu dentro de mim.

Eu deixei de ser

a mulher que aguentava

tudo calada,

que aceitava migalhas,

que confundia

sofrimento com amor.

Hoje,

hoje eu sei

que amor de verdade

não humilha,

não apaga,

não faz a gente

ter medo de existir.

E depois de tanto tempo

vivendo para os outros,

pela primeira vez

na vida,

eu senti que também

podia viver para mim.

Porque no fim,

eu não fui embora

só de um homem.

Eu fui embora

da mulher

que eu precisisse

para continuar

suportando ele.

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