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ELA ME LARGOU DEPOIS DE TUDO QUE EU FIZ! | HISTÓRIA DO ROBERTO | QUEM AMA NÃO ESQUECE 26/03/26

26 de março de 202618min
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O Roberto conheceu a Ana e logo eles se casaram e tiveram uma filha. Tudo era perfeito, mas Ana começou a passar mal e descobriu um câncer agressivo no pâncreas. Começou uma fase longa e dolorosa de quimioterapia e incertezas. Mesmo na pior, eles permaneceram juntos e Roberto, acompanhava a esposa com muita fé e esperança. Um dia, ela teve alta médica, mas Roberto recebeu outra surpresa. Ana disse que se apaixonou por outro homem durante o tratamento, em um grupo de apoio. O casamento acabou e Roberto se sentiu destruído, porque depois de tudo que ele fez, ela o largou.
Participantes neste episódio2
F

Fabrício

HostEstudante, Poeta, MC de Batalha
E

Elan

Convidado
Assuntos1
  • História de Roberto e AnaCâncer de pâncreas · Quimioterapia · Separação · Grupo de apoio
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Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM. Quem faz uma promessa, precisa cumpri-la. Na Band FM, quem ama não esquece. Roberto, a gente precisa conversar. Conversar? Mas por quê? O que aconteceu? Vem cá, por favor, senta.

Quantas coisas cabem nessa simples frase? A gente precisa conversar. É, algumas notícias não chegam de uma vez. Elas vão vindo, vindo devagar, como se o mundo quisesse te preparar para o impacto. Mas a verdade é que para certas notícias não existe nenhum preparo possível. Meu nome é Roberto.

E o dia em que a minha esposa disse que precisava conversar comigo, ainda tá gravado. Aqui, ó. Em cada detalhe. Mas antes de tudo mudar, a gente tinha uma vida. E era uma vida boa, viu? Eu conheci a Ana de um jeito muito simples. A gente trabalhava no mesmo prédio, mas em empresas diferentes.

Foram meses de bom dia, bom dia, oi, tudo bem, boa tarde. No elevador, pelos corredores. Aquele tipo de convivência que nunca passa disso. Até passar.

A primeira conversa de verdade aconteceu de um jeito que poderia até ser coisa de novela. Nós ficamos presos no elevador por quase 20 minutos. E quando finalmente chegaram para tirar a gente, eu já tinha certeza que eu nunca mais queria me separar dela. Eu e a Ana então trocamos telefone e depois disso ficou muito fácil. A gente passou a almoçar junto, fazer pausas no mesmo horário.

Aí embora ao mesmo tempo, ela tomou conta do meu dia completamente. E eu admito aqui que eu me apaixonei de cara. Perdidamente. A gente combinava em tudo. No jeito de pensar, no jeito de viver, nos gostos, até nas manias. Era tudo tão perfeito que em cinco meses o namoro já virou casamento.

Eu sempre ouvi que o relacionamento muda depois do casamento. Mas com a gente, só melhorou. A nossa casa virou o nosso lugar preferido no mundo. Simples, do nosso jeito, com a nossa rotina, com a nossa cara. Tudo no lugar que tinha que estar. Até que veio a nossa filha. E nada do que eu vivi antes se compara ao que foi segurar aquela menininha pela primeira vez.

A Isa se tornou nossa grande paixão. Quatro anos. Ela tinha quatro anos quando tudo aconteceu. Quatro anos de uma energia que não acabava nunca. Perguntas sem fim, abraços, beijos, brincadeiras. Um amor que eu nem sabia que existia daquele jeito.

A Ana sempre foi uma mãe incrível. Era bonito de ver. Bonito de viver aquilo. E eu vivia como se não existisse o amanhã. E talvez esse tenha sido o meu maior erro. Acreditar que aquilo era garantido. E esquecer que sempre, sempre existe o amanhã. A verdade é que a gente nunca acha que vai ser com a gente. Até acontecer.

Quando a nossa filha tinha ainda quatro anos, como eu disse, as coisas começaram a sair do lugar. Ainda não era nada que parecesse grave, mas já era alguma coisa. Detalhes. Um dia a Ana passou mal enquanto arrumava a casa. Ela disse que era só enjoo. Talvez alguma coisa que tinha comido. Ela sentou, descansou e aí passou. A gente nem deu importância. Em poucos dias, aconteceu de novo.

E dessa vez, ela ficou pálida, respirando fundo. Eu perguntei se ela queria ir ao médico. Até achei que pudesse ser outra gravidez. Mas ela falou que não. E que só precisava descansar mais. A rotina continua normal. Trabalho, casa, cuidados com a Isa. Como se nada estivesse acontecendo. Mas estava.

E eu não vi. Porque enquanto eu achava que estava tudo bem, estava tudo certo, a Ana já tinha entendido que não estava. E sem me contar, ela marcou consultas, exames, fez um monte de procedimentos sem nem eu desconfiar. Tudo sozinha. A cara da Ana. E eu, eu só fui saber que tinha alguma coisa errada quando ela me contou.

Roberto, a gente precisa conversar. Conversar? O que foi? Aconteceu alguma coisa? Por favor, senta. Ana, pelo amor de Deus, você está me assustando. Eu preferi saber de tudo antes de falar com você. Eu achei que não fosse nada. Eu não queria te preocupar, mas a coisa é séria. Como é séria? O que você tem, Ana? Fala comigo. Não era cansaço, Roberto. É aquela doença que eu não gosto nem de falar o nome.

No pâncreas, Roberto. Meu Deus. E é... É bastante agressivo. A gente vai começar a quimioterapia o quanto antes, mas... Meu amor, eu preciso te dizer... É bem complicado. As chances não são nada boas. Ana, eu não tô acreditando. Eu não tô acreditando. E agora? Agora eu preciso que você esteja comigo. A gente vai lutar.

Ela disse a gente Mas naquele momento Eu senti Eu senti que eu já estava perdendo ela

O meu corpo ficou pesado, como se eu tivesse levado um golpe no peito. Nós começamos a chorar juntos. De repente, a minha vida, do jeito que eu conhecia, acabou. O tratamento começou rápido e foi ainda mais duro do que eu imaginava.

Eu acho que até ali eu não tinha entendido direito a gravidade da situação. A quimioterapia não parecia um caminho de cura. Parecia, sei lá, uma tentativa desesperada de ganhar tempo.

E a Ana foi ficando cada vez mais fraca. Definhando. O corpo ficava fraco, o cabelo caía, o cansaço era enorme. E junto com tudo isso, vinham os olhares dos médicos. Eles nunca diziam com todas as palavras, mas a gente entendia. Eles não garantiam nada. Nem faziam promessa. Muito pelo contrário. A todo momento, eles eram bem claros em dizer que o caso da Ana era...

Era bem complicado. As notícias eram sempre tão desanimadoras que até a nossa esperança começou a falhar. Foram muitas sessões de quimioterapia, uma atrás da outra. O hospital virou praticamente a nossa casa. E a cada sessão, ela voltava um pouco mais fraca.

Um dia, depois de chegar em casa muito abatida, a Ana deitou no sofá sem forças pra nada. E a nossa filha Isa chegou pertinho, com todo o cuidado do mundo. Ficou ali, parada, olhando a mãe por um tempo e perguntou. Mãe, mãe, você vai morrer? Olha, só de lembrar isso.

A gente não conseguiu se mexer. Nem falar nada. A Ana mesmo fraca abraçou nossa filha e disse... Disse que estava lutando bastante. E aí... A Isa falou com aquela inocência de criança. Então tá mãe. Mas não morre não, tá? Não deixa a gente.

Simples. Sem entender nada, mas entendendo tudo, ela... Ela foi criança.

Se existia alguma dúvida dentro da Ana, ali acabou. Porque mesmo com o corpo falhando, ela nunca quis parar. Ela nunca quis aproveitar os últimos momentos. Ela nunca quis desistir do tratamento. Nunca quis aceitar o fim como opção. Ela lutava, mesmo quando parecia que a guerra já era perdida. E eu estava ali o tempo inteiro. Até pedi licença do meu trabalho. Larguei tudo.

Consulta, exame, internação, quimioterapia, eu não perdi nada. Se ela ia, eu ia junto. Se ela caía, eu segurava. Porque naquele ponto, não existia mais eu. Era só ela. E a tentativa quase desesperada de não perder tudo aquilo que a gente tinha construído. E foi quando a gente já estava cansado de se apegar a qualquer expectativa, que as coisas começaram a mudar.

Muito devagar. De maneira quase imperceptível. Mas começaram. Um exame veio um pouco melhor. E o médico não se animou, mas também não descartou. Depois outro. E mais um. O tratamento começou a ser menos pesado. E a Ana. A Ana ainda sofria. Ainda sentia tudo.

Mas tinha alguma coisa ali. Alguma coisa diferente. O corpo dela parecia... Parecia começar a reagir. E ninguém sabia explicar direito. Os médicos pareciam tratar tudo aquilo com muito cuidado. Para não iludir a gente.

Mas eu lembro exatamente do dia em que um deles entrou no quarto dela com alguns resultados na mão e disse, olha, isso aqui definitivamente não é o que a gente costuma ver. Aquilo não era uma comemoração, mas pela primeira vez não era desânimo. A gente se olhou sem entender muito bem, mas a gente estava sentindo, sabe?

A gente percebia. E a nossa esperança começou a renascer. A Ana continuou o tratamento com a mesma força de antes. E ainda mais determinada. Aos poucos, o impossível começou a ganhar força. O tumor começou a agredir.

Os exames começaram a vir limpos. E o que antes era estatística ruim, virou um caso raro. Um milagre. Um milagre, não tem outra palavra. Depois de tudo, tudo, depois de cada sessão, de cada lágrima, cada noite, sem saber o que ia acontecer. As coisas mudaram. E a Ana... E a Ana...

A Ana estava no caminho da cura. E não mais da morte. A minha esposa era um milagre para a medicina. Depois de meses intermináveis, de sessões que pareciam não ter fim, de lágrimas e noites sem dormir, a Ana teve alta. Ela estava oficialmente em remissão.

Nada garantido. Nada definitivo. Mas a médica disse que o pior já tinha passado. Ainda teria que fazer acompanhamento por muito tempo. Mas pela primeira vez em muito tempo, a Ana saiu do hospital como se tivesse vencido. E aquela etapa, pelo menos, ela venceu. Ela venceu. E eu, eu tava lá do lado dela, como eu sempre tive.

Mas dessa vez, era um dia de vitória, de vida. Eu nunca vou conseguir explicar aquela sensação. A vida estava começando outra vez. Era uma nova chance pra gente. Pelo menos, era o que a gente achava. Mas aí, coisa de dois meses depois, tudo mudou de novo.

Roberto, a gente precisa conversar. Que cara é essa, Ana? O que aconteceu? Por favor, senta. De novo. De novo a mesma frase. A gente precisa conversar. O meu coração parou de bater por um segundo. E eu comecei a entrar em pânico. Eu preciso... Preciso te falar uma coisa.

Meu amor, não. Não pode ser. Não pode ter voltado. Por favor. Você estava tão bem. Por favor, calma. Não é isso. Eu estou bem. Os exames estão ótimos. Ah, minha Nossa Senhora. Que susto, Ana. Que susto. Graças a Deus. Roberto, eu quero... Eu quero me separar. Ai, Ana, para. Vai. Para de brincadeira. Você quase me mata do coração. Não é brincadeira, Roberto. Eu quero me separar mesmo.

Eu sei que vai doer, mas você merece que eu seja 100% honesta com você e eu... Eu conheci alguém. Como assim? Foi durante todo o tratamento que eu fiz. Foi num grupo de apoio a pacientes com câncer. A gente se apaixonou. A gente estava enfrentando a mesma coisa juntos e eu... Eu sei que eu não deveria. É que eu achei que eu ia morrer.

Me perdoa, vai, me perdoa, mas o que aconteceu? E eu prometi para ele, antes mesmo de saber se eu ia sobreviver, eu prometi que se eu conseguisse passar por tudo isso, eu ficaria com ele.

O mundo que eu achava que a gente tava reconstruindo. O mundo cheio de esperança. O mundo... O mundo cheio de vida pela frente desabou. Assim, ó. Em questão de segundos. Meu Deus do céu. Eu não tava acreditando. Você tá entendendo? Por tudo que eu passei. Pelo que eu tava vivendo.

Você está entendendo o que eu passei ali naquele momento, naquela conversa? Sem entender. Olhando para ela. Sem aceitar. Eu falei que talvez ela estivesse confusa. Que era muita emoção na vida dela. Muita coisa que tinha acontecido. Que ela precisava de um tempo. Afinal, não fazia nem dois meses que ela tinha recebido alta. Mas ela insistiu.

E no meio disso tudo eu entendi. A Ana estava convicta. Ela estava certa. Estava na cara dela. Ela não tinha a menor dúvida do que estava dizendo para mim. Contou que eram meses de conversa com o tal cara. E que ela sentiu com ele uma conexão que... Que não se explica.

Eu perguntei por quê, como é que ela fez aquilo e ela me jurou que eles não tinham se encontrado durante o tratamento. Só foram se conhecer mesmo pessoalmente há duas semanas. Mas ela já estava decidida. Ela queria o divórcio.

E quando ela disse isso, eu travei. Era como se a minha garganta tivesse trancada. A minha cabeça girava com tudo que a gente tinha passado junto. Cada riso, cada lágrima, cada madrugada no hospital e aquelas palavras. Para ela nada disso importava. Ela só queria ir embora. Ia seguir a promessa que tinha feito para o outro homem. Enquanto eu...

Eu ia ficar aqui, sozinho. Depois de tudo. Eu ia ficar sozinho, sem ela.

Olha, durante muito tempo eu senti uma dor tão profunda, mas tão profunda, que quase me derrubou. Eu tentava pensar em outra coisa, eu tentava mudar o meu pensamento, mas eu não conseguia. Era uma dor dentro, aqui ó, do meu peito, que eu não sei explicar. E aí?

Aí eu percebi que às vezes, mesmo salvando a vida, a gente pode perder o coração. Mesmo fazendo de tudo, tudo que está ao seu alcance, isso pode não ser suficiente. E aí, a gente tem que se virar. Foi exatamente isso que acabou sobrando pra mim.

Quem ama não esquece.

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