EU CHEGUEI AO LIMITE E O AMOR ME SALVOU | HISTÓRIA DA LETICIA | QUEM AMA NÃO ESQUECE 09/03/2026
- Tentativa de suicídio na ponteDesespero extremo · Saúde Emocional · Dor psicológica intensa · Intervenção de desconhecida · Salvação pelos filhos
- Identidade e AutoestimaAutoimagem positiva · Perdão de si mesma · Direito à felicidade · Cuidado consigo mesma · Bem-estar das crianças como prioridade
- Violência contra a mulherBriga descontrolada · Agressão corporal · Puxão de cabelo · Torção de dedos · Cadeira usada como arma
- Autonomia PessoalRejeição de salvador · Força própria · Companheirismo ao invés de salvação · Caminho junto vs. subordinação · Relacionamento como escolha
- Conhecimento e relacionamento com DanielEncontro no trabalho de bico · Primeiro flerte · Troca de número · Cinema como primeiro encontro · Diferença do relacionamento anterior
- Relacionamentos AbusivosCiúmes obsessivo · Controle e desconfiança · Mudanças comportamentais do parceiro · Violência doméstica
- Comportamento e Apoio SocialPresença constante · Abraço protetor · Paciência com comportamentos de isolamento · Consistência emocional · Ser porto seguro
- BolsonaroInternação de uma semana · Necessidade de tratamento mental · Apoio da mãe · Processo de cura
- Pedido de namoro e relacionamento saudávelSimplicidade do pedido · Sinceridade emocional · Parceria verdadeira · Conversa e resolução de conflitos · Planos de casamento
- Desemprego BrasilOrdem de despejo · Demissão do trabalho · Fundo do poço · Retorno à casa da avó · Recomeço
- Saúde MentalSolidão cercada de pessoas · Padrão de auto-suficiência · Dificuldade em pedir ajuda · Convulsão no trabalho · Episódios depressivos
- Relacionamentos FamiliaresAbandono dos estudos · Responsabilidade prematura · Primeiro filho Isabela · Impacto na adolescência
- Mudanca de ResidenciaAcolhimento familiar · Apoio com crianças · Fim da rede de apoio original · Retorno para perto da avó
- Eventos CulturaisNervosismo da mãe · Aceitação das crianças · Integração familiar · Respeito aos tempos individuais
- Trabalho como realização pessoalEmprego fixo após seis meses · Primeiro salário · Aluguel de cantinho · Múltiplos trabalhos
Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM. Acredite, a pior fase da sua vida vai te levar pra melhor fase. Na Band FM, quem ama não esquece. A gente cresce acreditando que a vida vai seguir uma ordem certa. Primeiro os sonhos, os planos e depois as responsabilidades. Mas pra mim, não foi assim. Eu precisei amadurecer quando ainda estava tentando entender o que era ser adolescente.
Enquanto outras meninas pensavam em festas e nos primeiros namoradinhos, eu já estava lidando com escolhas que iam mudar completamente o rumo da minha vida. Com 15 anos, eu engravidei do meu primeiro namorado. De uma hora pra outra, a escola deixou de ser prioridade e eu precisei assumir um papel que eu ainda nem entendia direito. Eu tive que largar os estudos pra cuidar da minha bebê, a Isabela. Mas desde o dia em que ela nasceu, eu nunca mais estive sozinha.
a minha companheira em tudo. E pra tudo também. A minha vida foi seguindo e éramos só eu e a Isa. Dois anos depois, já um pouco mais estabilizada, eu resolvi fazer um curso de informática. Eu queria melhorar. Queria crescer. Dar uma vida melhor pra minha filha. Foi lá que eu conheci o Wesley. A gente começou com uma amizade e aos poucos a relação foi crescendo e amadurecendo. Eu amava o Wesley de um jeito que hoje eu entendo. Não era um jeito saudável, não.
Eu colocava ele no centro de tudo. No começo até era leve, mas aí aos poucos ele começou a mudar. Ficou mais distante, menos carinhoso, mais impaciente. Não foi de uma vez, não. Foi acontecendo devagar e aquilo foi mexendo comigo a ponto de me tornar obsessiva. Eu comecei a desconfiar de tudo. Queria saber onde ele estava, com quem ele estava, por que ele demorava. Meu ciúme foi crescendo de um jeito que eu mesma não suportava.
estivesse sempre em alerta, sempre com medo de perder. E mesmo no meio dessa confusão de sentimentos, depois de dois anos de namoro eu descobri que estava grávida. Foi um momento bonito pra nós dois. E o Itai chegou trazendo alegria pra gente. Por um tempo parecia que tudo ia se ajeitar, mas dentro de mim nada estava realmente calmo. O meu ciúme não diminuía, pelo contrário, eu já não me reconhecia mais. Um dia Wesley veio do trabalho pra almoçar em casa.
Ele disse que ia ser rápido, que precisava voltar logo. Mas o jeito dele... Sei lá, o jeito dele parecia distante, como se ele nem quisesse estar ali. Aquilo me deixou tensa. Eu perguntei por que ele estava daquele jeito. Eu insisti, eu insisti muito. Insisti mais do que eu deveria. Insisti tanto que ele acabou se alterando e virou uma briga. Wesley disse que estava cansado do meu ciúme, que aquilo estava sufocando ele e que era melhor a gente terminar.
desesperada. Eu acho que eu posso dizer que eu não pensei. Eu só reagi. Eu comecei a implorar pra gente conversar, pra gente resolver porque eu não aceitava que aquilo tivesse acabado. Wesley tava irredutível. Ele queria ir embora. Mas eu não deixei. E num impulso desesperado, eu escondi a chave. Eu pedi. Eu implorei pra que ele não terminasse comigo. Mas quanto mais eu falava, mais ele se alterava. E de repente, tudo saiu do controle. Ele começou a puxar o meu cabelo,
perguntando onde eu tinha escondido a chave. Passou a mão pelo meu corpo procurando. Ele estava tão agressivo, ele estava irreconhecível. E eu estava em choque, sem acreditar no que estava acontecendo. Até que ele pegou uma cadeira e ele veio para cima de mim. Eu consegui desviar, mas a porta do guarda-roupa quebrou todinha com a pancada. Antes mesmo que eu pudesse entender tudo aquilo, ele pegou a chave e me acertou com ela.
sem reação. Ele ainda segurou na minha mão e começou a entortar os meus dedos, gritando para eu devolver a chave. A dor era insuportável. E foi pela dor que eu falei onde eu tinha escondido a chave. Ele pegou a chave e saiu correndo. Foi a primeira e a última vez que ele encostou em mim daquele jeito. Quando ele saiu, eu estava completamente desolada. Eu não conseguia organizar meus pensamentos, eu não conseguia entender como é que tudo tinha chegado naquele ponto.
Eu me senti um lixo, como se eu não servisse para mais nada. Eu estava tão fora de mim, que eu saía andando pela rua, meio sem rumo, até chegar numa ponte que tinha lá perto. Quando eu cheguei, eu fiquei olhando para baixo, parada, bem perto do parapeito. Eu sentia uma dor que parecia que nunca ia passar. Não, não uma dor física. Era uma dor na alma, sabe? Era, sei lá, eu só queria que aquilo acabasse. Olhando para baixo...
Eu achei que aquela poderia ser a solução. Aquilo ia tirar todo o meu sofrimento. Eu estava tão perto. Foi quando uma moça apareceu do nada e perguntou se estava tudo bem. Eu não conseguia falar direito, mas ela insistiu. Ela conversou comigo, me ouviu. Falou coisas que naquele momento começaram a aliviar aquela tristeza que eu senti. Ela me fez enxergar o que eu estava esquecendo. Eu não tinha perdido tudo. Eu tinha dois filhos que precisavam de mim e que eram.
Ele sim a minha vida. Quando eu voltei para casa, minha mãe ficou sabendo o que eu tinha feito e, com medo, decidiu me internar numa clínica. Eu fiquei lá por uma semana e, apesar de ter sido um tempo muito difícil, eu sei que foi muito necessário. Quando eu voltei, as coisas do Wesley já não estavam mais em casa. Mas, em cima da mesa, tinha uma coisa que me fez sentir o chão se abrir de novo. Uma ordem de despejo.
Acabado de ser demitida. Aquele sim foi o meu fundo do poço. Desempregada, sem um teto e com duas crianças pra criar. Mas mesmo naquele fundo do poço, alguma coisa dentro de mim não deixou que eu ficasse ali. Eu já tinha entendido que gostando ou não, eu precisava me levantar. Não por mim, mas pelos meus filhos. Então eu voltei pra casa da minha avó com as crianças e eu comecei tudo de novo. Do zero. Do zero mesmo.
procura, eu consegui um emprego como auxiliar de limpeza e com meu primeiro salário eu fiz questão de já alugar um cantinho pra gente ficar. Foi lá que eu comecei, de verdade, a me reconstruir. Além desse emprego fixo, eu também fazia alguns bicos e foi justamente em um deles que eu conheci o Daniel. Oi, bom dia. Você é nova aqui, não é? Nunca te vi antes? Sou, sou sim. É meu primeiro dia, na verdade. Eu tô só fazendo um bico. Ah, entendi.
Se você precisar, você pode me chamar, viu? Prazer, meu nome é Daniel. Prazer, Letícia. Obrigada mesmo, viu? Ah, aliás, eu já vou aproveitar. Será que você pode me ajudar? Claro. Eu não faço ideia de onde ficam esses produtos. Você pode me mostrar? Posso, posso sim. Ó, termina de se trocar que eu mostro tudo. Eu te espero lá fora. O dia passou tranquilo, mas por mais que eu tentasse me concentrar no trabalho, eu não parava de pensar nele. O Daniel era bonito, mas não era só isso, não.
No fim do expediente a gente se encontrou de novo e ficamos conversando por um bom tempo. Eu não sei o que passou na minha cabeça e nem como eu tive coragem. Mas de repente eu falei pra ele que ele era muito bonito. Ele riu meio assim sem graça e agradeceu e me elogiou também. Quando nós já estávamos saindo ele perguntou se podia me acompanhar até o ponto. Mas a gente acabou nem trocando o telefone. Eu confesso que isso me deixou um pouco frustrada, né? Mas no fundo eu senti.
Que aquela não tinha sido a última vez que eu ia ver o Daniel, não. Não deu outra. Quando eu voltei lá pra fazer outro dia de bico, ele tava lá de novo. E olha, quando ele me viu, a primeira coisa que ele fez foi pedir meu telefone. Depois disso, a gente começou a conversar todos os dias por mensagem. E quando eu percebi, já fazia parte da minha rotina falar com ele. Um dia ele me convidou pra ir no cinema e foi lá que aconteceu o nosso primeiro beijo.
Tão mágico, tão gostoso. De verdade, não foi só um beijo. Pode até parecer bobagem, mas naquele momento eu senti que era diferente. Que não era só mais alguém passando pela minha vida, não. Eu senti que era pra valer, sabe? Desde o começo eu fui sincera com o Daniel sobre as crianças e ele sempre demonstrou interesse. Mesmo sem ainda conhecer a Isa e o Itai, ele perguntava deles.
com eles, mas dentro de mim ainda existia um certo medo, sabe? Será que ele vai mesmo continuar tendo interesse em mim quando descobrir como que é a rotina com dois filhos? Eu era mãe de dois e de pais diferentes. E isso sempre foi uma insegurança pra mim. Só que o Daniel me mostrou exatamente o contrário do que eu temia. Ele era muito parceiro, ele era muito compreensivo até. Depois do nosso primeiro encontro, parecia que a gente já se conhecia há anos.
Era totalmente diferente de tudo que eu já tinha vivido. Duas semanas depois, ele me pediu em namoro. Sim, foi simples. Bem simples mesmo. Foi lá em casa mesmo. Sem nada planejado. Mas foi tão especial, tão sincero. Eu me apaixonei. Mais do que eu já tava, né? Eu sei que você vai me apresentar pras crianças quando você se sentir pronta. Mas eu quero que você saiba que eu tô pronto. E vai ser quando você quiser. Dani, você sabe que não é tão simples assim pra mim.
E é justamente por isso que eu tô te falando isso. Eu sei onde eu tô me metendo. E no que exatamente você acha que tá se metendo? Na família de vocês. Eu não quero que as crianças pensem que eu tô ali pra substituir alguém. Não é isso. Eu quero somar, eu quero fazer parte. Tá presente, sabe? Não só por você, mas por eles também. O dia em que eu finalmente apresentei o Dani para as crianças foi um dos mais importantes pra mim. Eu fiquei nervosa porque não era só um encontro, né?
Dois mundos estivessem se juntando ali. A gente foi no shopping. Deixei eles brincarem, depois fomos lanchar na praça de alimentação e foi bem mais tranquilo do que eu podia imaginar. As crianças adoraram ele, principalmente a Isa. O pai dela nunca foi assim muito presente, né? Então ela se apegou rapidinho. O Itai já ficou um pouco mais quietinho, com um pezinho atrás, porque apesar do jeito horrível como eu tinha terminado o meu casamento,
presente na vida dele. Então, pra ele, era diferente, né? E eu respeitei isso. Cada um no seu tempo. Quando a gente completou cinco meses de namoro, o Dani falou sobre a gente morar junto. Eu lembro que meu coração se dividiu, sabe? Uma parte queria muito dar esse passo. A outra morria de medo. Ele morava longe de onde eu tava. E lá eu tinha minha rede de apoio. E as pessoas que me ajudavam com as crianças também. Mudar significava começar tudo outra vez. Mas mesmo assim nós fomos.
O começo foi bem mais fácil do que eu esperava, porque a família dele acolheu a gente. Eles ajudavam com as crianças, tratavam a gente com muito carinho e tudo ia super bem. Eu estava tão feliz. Meu Deus, eu estava feliz demais. Mas, seis meses depois, as coisas começaram a apertar. A irmã dele, que ficava com as crianças para eu poder trabalhar, disse que não poderia mais ajudar. E eu fiquei sem saber o que fazer, porque eu não tinha outra opção além dela. Não tinha.
Eu decidi algo assim. Eu conversei com o Dani e ele entendeu. Então decidimos voltar para perto da minha avó. Era o lugar onde eu tinha apoio, onde as crianças estariam mais seguras. Mas mesmo com o Dani, com as crianças, com a família por perto, eu me sentia sozinha. Foi uma fase bem complicada para mim. Era uma solidão estranha. Eu estava cercada de pessoas, mas por dentro parecia que eu não tinha ninguém.
Percebi, ela já estava ali outra vez. Durante toda a minha vida, eu vi minha mãe lidando com tantos problemas que acabei me acostumando a ser a que resolve tudo sozinha. A que não pede ajuda, a que tenta ser forte por todo mundo. Só que enquanto eu mostrava essa força por fora, por dentro eu estava afundando. Meu quadro piorou muito. Chegou num ponto em que eu tive uma convulsão no trabalho. Foi tudo rápido demais.
para o hospital. Logo depois, o Dani chegou e me abraçou forte. Ele nem precisava falar nada. Mas ele me abraçou e disse que tudo ia ficar bem, que eu podia me sentir protegida. A verdade é que durante todo o nosso relacionamento, ele esteve comigo nesses momentos. Não era a primeira vez que eu chegava ao limite. Tinha dias em que os cortes eram mais profundos. Dias em que o silêncio dentro de mim ficava mais escuro. Mas ele sempre estava ali, sempre, mesmo quando
eu não facilitava, ele tava ali. Mesmo quando eu me fechava, ele nunca desistia. Pouco tempo depois desse episódio, foi o Dani que enfrentou uma barra. Le, minha mãe! Minha mãe! O que aconteceu, Dani? O que foi? A minha mãe, Le, ela morreu. Ah, não. Ela morreu. Ai, meu amor, eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo. Olha, eu vou pegar a estrada hoje à noite. Eu preciso ir até lá. Eu vou com você, Dani. Você não tá sozinho nessa. Obrigado. Muito obrigado. Você...
Olha, eu vou precisar muito de você. Nós ficamos uma semana na cidade da mãe dele e arrumamos tudo por lá. Depois de tudo isso, o Dani se fechou muito. Ele quase não falava sobre o que sentia. E eu sei que é o jeito dele. Eu acho que no fundo, ele tenta ser forte pra não me preocupar. Talvez pra não me ver triste também, né? Mas eu quero ser pra ele o que ele sempre foi pra mim. Apoio, presença, porto seguro. Hoje eu posso dizer que eu tô melhor. Eu tenho me cuidado mais.
Eu voltei a trabalhar, voltei a estudar e voltei a olhar para mim com mais carinho. As crianças estão bem. Isso para mim é tudo. Eu e o Dani estamos felizes e felizes de verdade. Estamos até planejando casar esse ano, se Deus quiser. Ainda não teve o pedido oficial, mas eu já estou esperando, viu Dani? Eu já estou esperando. Depois de tanta tempestade, finalmente veio a calmaria. O Dani não é a minha salvação porque eu aprendi que eu também preciso ser forte por mim.
Ele é o meu companheiro. É o meu sol nos dias nublados. Caminha comigo. Não na minha frente, nem atrás. Mas ao meu lado. Hoje a gente vive um dia de cada vez. A gente briga às vezes, como qualquer casal. Mas a gente conversa. A gente resolve. A gente escolhe ficar. E olhando pra tudo o que eu já vivi, eu posso dizer com certeza. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu nessa fase da minha vida. Eu sobrevivi ao pior dia da minha vida.
eu vivo melhor, porque nunca mais deixei de acreditar que eu mereço ser feliz. Eu amo você, meu amor.