Episódios de Quem Ama Não Esquece

O AMOR, A SAUDADE E UMA ESTRELA NO CÉU - HISTÓRIA DA THALITA | QUEM AMA NÃO ESQUECE 02/03/26

03 de março de 202619min
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A Thalita nunca planejou se apaixonar aos 18 anos, mas tudo mudou no dia em que conheceu o Patrick. O que começou como um amor inesperado, virou uma parceria: eles cresceram juntos, realizaram sonhos e ele a incentivou a seguir na confeitaria. Mesmo com a pandemia mudando os planos, eles disseram “sim” em um casamento simples e cheio de significado. Mas na melhor fase, uma infecção generalizada o levou à UTI e em uma semana, ele partiu... Thalita permaneceu ao lado dele até o fim, sustentada pela fé e pela certeza de que eles viveram um amor sem arrependimentos. Entre a dor e a saudade, ela entendeu que, mesmo quando a vida não sai como planejado, nós seguimos sobrevivendo à nossa própria história e confiando que o amor verdadeiro permanece para sempre.
Assuntos8
  • Morte de Personalidades NotáveisDesespero e choque · Acompanhamento até o final · Impotência diante da situação · Despedida
  • Desafios PessoaisPromessas para o futuro · Continuação da vida · Mensagem de despedida · Amor que permanece
  • Doenças InfecciosasDeterioração rápida da saúde · Recompra de hospitais · Estado crítico · Prognóstico sombrio
  • Relacionamentos FamiliaresPrimeiro encontro na festa · Conexão instantânea · Reconhecimento mútuo · Transformação pessoal após o encontro
  • RelacionamentosParceria nos sonhos · Apoio mútuo profissional · Superação de desafios · Vida cotidiana e rotina
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeCrescimento espiritual conjunto · Experiências com Deus · Confiança no plano divino · Certeza de reencontro no céu
  • Seguranca Carceraria e Carreira ConfeitariaTransição da área de marketing · Apoio de Patrick · Desenvolvimento do negócio · Realização de sonho profissional
  • Comportamento e Apoio SocialAmiga especial Manu · Suporte da família · Importância dos amigos · Terapia e cuidados
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Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, o equilíbrio do amor faz as lembranças serem eternas. Na Band FM, quem ama não esquece. A vida não sai como a gente planeja. Tem sonho que fica pelo caminho, plano que não acontece e peso que a gente jura que não vai conseguir carregar. Eu também já pensei que não ia dar conta. Mas a verdade é que a gente vai. Mesmo quebrada, mesmo com medo.

das contas, todos nós somos sobreviventes da nossa própria história. Tudo começou quando uma amiga resolveu fazer uma festa e chamou vários amigos. Entre eles, um tal de Patrick. Ela já tinha comentado dele comigo, mas eu não queria saber de relacionamento não. Eu tinha 18 anos. Estava cheia de planos. Eu queria começar a faculdade, comprar meu carro e conquistar as minhas coisas. E na minha cabeça, namoro naquela fase só ia me atrapalhar. Mas no dia da festa,

Eu e minha amiga nos arrumamos. E quem que foi buscar a gente? O Patrick. Eu nunca tinha visto ele na minha vida. Mas foi eu entrar no carro, olhar pra ele e sentir. Eu não sei explicar de outro jeito. Eu só sei... Só sei que eu senti que a gente ia ficar junto. Na mesma hora eu senti isso. Foi coisa de segundos mesmo. Eu nunca fui de acreditar em amor à primeira vista. Mas naquele dia, isso aconteceu. Na festa, ele me chamou pra dançar.

saber, eu aceitei. Toda travada, morrendo de vergonha, tanto que quando a música acabou, eu saí quase correndo e nem olhei pra trás. Mas isso não atrapalhou nada. A gente passou a festa inteira se olhando. Até que teve uma hora que a gente ficou bem perto e a minha amiga me deu um empurrãozinho de leve. Eu me segurei nele pra não cair e ele... ele aproveitou pra me puxar e me beijar. Na mesma hora, todo mundo em volta começou a gritar, bater palma, fazer aquela

Bem cena de filme mesmo. A gente ficou conversando por horas. E foi ali que eu descobri uma coisa que me deixou sem reação. O Patrick me contou que já tinha me visto um ano antes. Em outra festa. E que lembrava até da roupa que eu estava usando naquele dia. Ele também falou que só tinha ido na festa. Porque nossa amiga em comum tinha avisado que eu ia também. Eu ouvi aquilo com o coração explodindo por dentro. E naquele momento eu não tive dúvida nenhuma. Era ele.

era diferente. Não era só química de festa. Tinha alguma coisa de verdade ali. Depois daquela festa, eu já não era mais a mesma pessoa. Eu percebi que estava mesmo apaixonada. E não era aquela empolgação boba de começo, não. Não era. Quando a gente começou a se conhecer de verdade, ficou claro que tinha alguma coisa especial. A gente era diferente em muita coisa. Mas de algum jeito se encaixava como se um fosse o equilíbrio do outro. Três meses depois,

No dia dos namorados, ele me convidou pra jantar e preparou tudo com as próprias mãos. O Patrick fez uma caixinha com uma flor artificial e colocou dentro a nossa aliança de namoro. Foi simples, foi simples, mas tinha tanto significado. Desde o primeiro dia que eu te vi, eu não consegui mais tirar você da minha cabeça, Thalita. Ah, meu Deus, que coisa mais linda. Ai, eu vou chorar. Tá vendo essa flor? Eu escolhi ela porque ela não murcha. Eu fiquei pensando.

Eu quero que seja assim com a gente, sabe? Que dure. Que a gente escolha fazer dar certo todos os dias. Eu... eu... Eu... Calma, eu ainda não terminei. Você aceita namorar comigo? Era óbvio que eu ia aceitar. Desde o primeiro segundo eu soube que era ele. E foi assim que eu entendi que nunca foi sobre não querer namorar pra focar nos meus sonhos. Era sobre encontrar a pessoa certa. Porque quando é a pessoa certa, ela não te atrapalha. Ela te impulsiona.

O Patrick foi meu maior incentivador. Ele já tinha uma formação e me encorajou muito a correr atrás da minha também. Ele me incentivava a estudar e a correr atrás das minhas metas. Tudo aquilo que eu tinha medo que um relacionamento atrapalhasse, com ele só cresceu. Eu me desenvolvi como mulher, como profissional, como pessoa com ele do meu lado, vibrando por cada pequena conquista que eu tinha. Nessa época, minha rotina era insana.

e ainda levava doces pra vender na faculdade. Todos os dias eu saía cedo e voltava só de noite. Morta de cansada. Mas mesmo assim, a gente dava um jeito de se ver. Nem que fosse só pra se encontrar uma horinha no meio do dia. Pra gente, aquilo já bastava. Foi uma fase muito especial pra nós dois. Fase de se conhecer de verdade, de entender quem a gente era, o que a gente queria pra vida e de perceber que a gente tinha muitos sonhos, muitos planos parecidos.

O tempo ia passando e cada dia eu tinha mais certeza de que era ele que eu queria pro resto da minha vida. Depois de um ano e alguns meses juntos, o pai dele faleceu. E ninguém tá preparado pra perder alguém que ama. Foi um momento muito difícil. Mas a gente ficou ainda mais unido, mais presente um pro outro. De alguma forma aquilo nos aproximou ainda mais. E a gente começou a entender o que era escolher ficar, mesmo nos dias difíceis.

atravessava junto, só confirmava dentro de mim que era ali que eu queria estar. Já tinha mais de três anos que a gente estava junto. Então eu vivia em alerta. Qualquer convite diferente já me deixava com frio na barriga. Até que num dia da semana ele me chamou pra jantar e na hora eu pensei, será? Eu não tinha certeza, mas eu desconfiei. No almoço mesmo, já corri pra fazer a unha. Eu sempre brincava com uma amiga que se um dia ele fosse me pedir em casamento, eu precisava estar com a unha feita. Então eu já fui pra garantir.

fomos para um restaurante bem romântico. E aí meu coração começou a acelerar de verdade. Depois do jantar, um garçom veio na nossa direção com um buquê enorme. Na hora eu já sabia. E foi ali que o Patrick se ajoelhou bem na minha frente. Talita, você... Você aceita se casar comigo? Você aceita cumprir o que Jesus nos ensinou? Ser um pelo resto das nossas vidas? Até que a morte nos separe? Eu... Pera...

Você já falou com os meus pais? Não, fica tranquila. Eu já conversei sim com eles. Então eu aceito. É claro que eu aceito. Ai, meu Deus. Eu tô noiva. Gente, eu tô noiva. Eu tô noiva. Eu vou ser o seu marido. O seu marido. A gente começou a planejar o casamento super empolgados. Mas de repente veio a pandemia. A festa estava marcada pra setembro de 2020. Mas a gente precisou adiar para abril de 2021. Quando chegou abril.

a bandeira vermelha. O pior cenário da pandemia. E mais uma vez precisamos mudar tudo. E o que seria uma grande festa virou um casamento para 16 pessoas. Plano A, plano B. Tudo teve que ser adaptado. Mas hoje eu entendo que os planos C e D eram os que tinham que acontecer mesmo. Foi corrido, foi tenso, mas no fim acabou sendo ainda mais especial. Nós fizemos algo íntimo, só com as pessoas muito próximas. Teve dia da pizza, louvor, oração com os

Nós casamos num domingo e passamos a tarde inteira juntos, unidos, celebrando com calma. Foi diferente do que imaginávamos. Mas foi exatamente como tinha que ser. Simples, verdadeiro, cheio de significado. Eu sempre ouvi dizer que o primeiro ano de casamento era o mais difícil. Mas pra gente, foi exatamente o contrário. Desde o começo, parecia que a gente estava vivendo a melhor fase das nossas vidas. A gente amava dividir a rotina, o dia a dia.

pequenas coisas. Nada era pesado quando era nós dois e com o tempo. Isso só foi ficando mais forte. Todos os dias, de alguma forma. A gente demonstrava o amor que sentia em gestos, atitudes e até em palavras. E sinceramente, só o fato de estarmos juntos já fazia tudo ser muito bom. Enquanto isso, a nossa vida profissional também começou a mudar e pra melhor. As coisas foram se encaixando e foi nesse mesmo tempo.

que eu comecei, de verdade, a viver o meu sonho. Desde a faculdade, eu já fazia doces para vender. E tantos meus amigos quanto o Patrick sempre me incentivavam a seguir por esse caminho. Mesmo assim, eu trabalhei cinco anos na área de marketing. Só que depois que eu casei, eu comecei a ficar insegura sobre qual rumo eu queria realmente tomar. O Patrick, como sempre, não me deixou duvidar de mim por muito tempo, não.

eu nunca deixaria faltar. E foi justamente ela que virou o começo de tudo. Assim que eu entrei de férias, defini o valor, anunciei a torta, meus amigos ajudaram na divulgação e começou a dar muito certo. Durante um período, conciliei dois trabalhos. Até que depois de um ano, eu decidi focar totalmente na confeitaria. O Patrick vibrava comigo e eu amava chegar em casa e encontrar ele ansioso para saber como é que tinha sido o meu dia.

A gente tava crescendo, evoluindo, sonhando alto, fazendo mil planos. E foi então que, de repente, tudo mudou. Amor, eu tô... não sei, eu tô com uma sensação, tô me sentindo muito mal. Ué, amor, deve ser alguma coisa que você comeu, já já passa. Não, não é normal. Não é normal, quer saber? Eu vou no médico, eu nunca senti isso. Você não quer que eu vá com você? Não, não precisa, eu vou rapidinho. Me avisa quando chegar então, tá bom?

Tá bom, eu te aviso. Fica com Deus e pode deixar aqui. Eu vou te avisando de tudo.

Ele foi ao hospital achando que seria algo simples. Mas em questão de horas. A nossa realidade virou do avesso. O Patrick estava com uma infecção. Generalizada. Tudo aconteceu rápido demais. E de repente, ele já estava na UTI. Aquilo simplesmente tirou o meu chão. Tantos sonhos. Tantos planos. O Patrick sempre foi saudável. A gente treinava, se cuidava e mesmo assim.

ficando muito grave, muito grave mesmo. Ainda assim eu acreditava, eu acreditava com tudo que eu tinha dentro de mim, que ele ia sair dali. E a cada dia que passava, vendo ele naquele estado, eu entendia o que era amor de verdade. Eu ficava ao lado dele o máximo que eu podia. Ajudava no que era permitido. Falava com ele mesmo quando ele não podia responder. Contava sobre o nosso dia, sobre as mensagens que as pessoas mandavam,

Eu segurava a mão dele como quem segura tudo. E eu pensava, é isso. Isso é amor. O resto é conto de fadas. Amor de verdade é o amor que se entrega. Que permanece independente do que aconteça. Que escolhe ficar mesmo quando dói. Principalmente quando dói. E eu tinha certeza absoluta de que se fosse ao contrário, ele estaria ali por mim do mesmo jeito.

Alguém me deu para chamar alguém. Alguns dias depois, ele piorou. E ele piorou ainda mais. Ele teve que ser entubado. Mesmo diante de tudo, eu mantive a fé. Um dia, era um domingo, eu acordei chorando com uma saudade enorme do Patrick. Na hora da visita, eu falei para minha sogra que, naquele dia, eu estava sentindo ainda mais falta dele. Quando nós entramos na UTI, eu percebi que alguns sinais estavam diferentes.

O médico disse que faria um exame e deixou a gente ficar ali um pouco. Depois ele pediu para a gente sair porque o quadro do Patrick estava se agravando muito. E ele poderia morrer a qualquer momento. Nós ficamos na sala esperando e orando, agarrados à fé. Até que de repente o doutor voltou e disse só. Sinto muito. A gente fez tudo o que podia. Impressionante. Impressionante como o mundo de alguém.

Pode acabar totalmente depois dessas palavras. O meu acabou ali. Era o fim. Eu entrei em estado de choque. A minha família e os meus amigos foram essenciais para que eu conseguisse passar pelo luto. Eu tenho uma amiga muito especial, a Manu, que foi uma das pessoas que mais esteve comigo em todo o processo. Era aquela amiga para quem eu podia ligar. Sabe, quando você está desesperada e você não sabe o que fazer. Eu podia ser sincera com ela.

lavar, cuidava de tudo quando eu não tinha forças pra nada. Outros amigos também ajudaram muito quando eu simplesmente não conseguia nem pensar. Amigos que apoiaram, ampararam, cuidaram e até pagaram terapia. Com eles eu entendi a importância de cultivar boas amizades porque quando a gente tá no chão, quando a gente não consegue se levantar sozinho e precisa de pessoas que nos ajudem a sair do lugar, você entende a importância de ter bons amigos.

Uma das coisas que mais me conforta quando eu penso no nosso relacionamento é saber que a gente viveu sem arrependimentos. Foi um amor cheio de entrega, nos pequenos gestos, nas grandes decisões, nas palavras ditas e demonstradas. Olhando para trás, eu me sinto profundamente amada. Eu fui amada e eu amei da melhor forma que eu soube fazer isso. Isso me traz paz.

Tinha orgulho um do outro. Quantas vezes ele não disse o quanto tinha orgulho de quem eu sou. Da minha coragem. A gente nunca mediu esforços para demonstrar o que sentir. Só a morte mesmo, para conseguir separar a gente. O Patrick era o meu contraponto perfeito na vida. Eu gostava de falar, ele gostava de ouvir. Eu era intensa e ele era manso, paciente. Eu era da galera e ele era da solitude.

Se chegasse no horário, já se sentia atrasado. Eu era da noite, ele era do dia. Eu era asas batendo e ele era os pés no chão. E juntos, a gente era o equilíbrio. Ele me ensinou que amar é se entregar de verdade, é ser intencional nos relacionamentos, é estar presente para que quando você olhar para trás, não exista arrependimento por não ter demonstrado o que sentia. Após a morte do Patrick, eu recebi algumas cartinhas dos colegas de trabalho dele,

O quanto eu tinha orgulho de quem eu era e para mim. Isso diz muito sobre o homem que ele foi. Quando eu conheci o Patrick, ele tinha acabado de aceitar Jesus. Eu cresci em um lar cristão, mas estava me afastando aos poucos. E quando a gente se encontrou, foi como se Deus estivesse nos chamando de volta ao mesmo tempo. Nós dois fomos nos aproximando cada vez mais. Nos aproximamos de Deus juntos.

Eu sei que é Deus quem tem me sustentado durante todo esse tempo. Sem Ele eu jamais conseguiria continuar, jamais. Uma mensagem para o eterno amor da minha vida eu quero deixar.

foi. E levou alguns dos nossos sonhos com você. Mas os que ficaram, eu prometo que eu vou me esforçar pra realizar cada um deles. Por mim e por você também. A gente amava tanto estar juntinhos, né? Só a morte. Só a morte, meu amor. Poderia nos separar mesmo. Mas saiba, eu te amo pra sempre.