Episódios de Quem Ama Não Esquece

A SUPERAÇÃO E UM ENCONTRO ESPECIAL | HISTÓRIA DA SUELANE | QUEM AMA NÃO ESQUECE 10/04/2026

13 de abril de 202615min
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A Suelane conheceu o Valdemar em uma entrevista de emprego e se apaixonou por ele, mesmo com uma diferença de idade. Eles viveram um amor leve, verdadeiro e acabaram se casando, realizando o sonho dela de construir uma família ao lado de alguém que a cuidava e respeitava. Tudo ia bem até que o câncer dele voltou, trazendo medo e dor. Suelane esteve ao lado dele em todo o tratamento, mas a doença avançou e ele entrou em cuidados paliativos. Antes de partir, ela conseguiu se despedir e dizer que o amava. Recentemente, ela viralizou na internet, trabalhando em um show do Luan Santana. O cantor viu e a convidou para conhecê-lo no camarim. Hoje, Suelane segue com a certeza de que viveu um grande amor e que não existe idade certa para amar.
Participantes neste episódio2
E

Elan

Host
F

Fabrício

participant
Assuntos3
  • Histórias pessoais de amorSuelane e Valdemar · Diferença de idade · Casamento · Câncer e cuidados paliativos · Despedida e luto
  • Impacto da PandemiaTratamento de câncer · Remissão e recaída · Cuidados paliativos
  • Viralizacao Redes SociaisShow do Luan Santana · Música marcante
Transcrição36 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM Nada nessa vida está garantindo Na Band FM, quem ama não esquece A verdade é que não existe hora certa nem idade certa pro amor

Quem vive esperando o momento perfeito quase sempre perde a pessoa certa. Eu conheci o Valdemar numa entrevista de emprego. Eu estava ali procurando uma oportunidade na área da limpeza, mas... naquele dia eu encontrei muito mais do que isso. Foi instantâneo. Bastou olhar pra ele e me apaixonar. O Valdemar já tinha 63 anos. Era um senhor, sim. Sim, mas tinha alguma coisa diferente nele.

educado, respeitoso, daqueles que conversam olhando nos olhos, sabe? Um homem de presença. E tinha um charme difícil de explicar. Juro, parecia até um galã de novela. A gente começou com uma amizade simples, gostosa, e todos os dias a gente se via, conversava. E quando eu percebia aquilo, já estava fazendo parte da minha rotina. Mas no fundo eu sabia que não era só amizade.

O jeito dele, o cuidado, a forma como ele me tratava, era diferente de tudo que eu já tinha vivido. E foi assim, sem muita pretensão, que esse sentimento foi crescendo dentro de mim. Até que a gente começou a namorar, mas era um namoro escondido. Eu tinha as minhas três filhas, então eu preferi ir com calma, sem contar pra ninguém no começo, até entender onde aquilo tudo ia dar, né?

Mas depois de alguns meses, o Valdemar me chamou pra conversar. Na hora, eu confesso que eu... que eu fiquei assim, apreensiva, achando que vinha coisa séria. Eu respirei fundo e falei pra ele desembuchar de uma vez por todas. Eu fui curado de um câncer recentemente, Suelani. É sério? Meu Deus, mas que alegria! Mas, peraí, que cara é essa?

É que eu ainda tô em remissão. Esse ano vai completar cinco anos e eu... Eu gostaria que você fosse em algumas consultas comigo. Pode ser? Claro que pode. Eu faço questão. Você não vai me xingar, brigar comigo, né? Eu sei que deveria ter te contado isso antes. Ah, para. Imagina. O importante é que você tá bem agora. Olha, eu vou marcar o meu médico, tá? Eu acho que ele vai até ficar feliz em saber que agora eu tenho alguém do meu lado pra me acompanhar. Vai ser bom pra mim.

Eu confesso que ele me pegou de surpresa, mas, ao mesmo tempo, ele me trouxe também uma tranquilidade grande, dizendo que já estava há anos em remissão. Depois de seis meses de namoro, eu senti que era o momento de dar um passo importante. Apresentar ele para as minhas filhas.

Elas já eram mais velhas, mas ainda moravam comigo. E aquilo significava muito pra mim. Então, nós marcamos um almoço e logo no primeiro encontro, graças a Deus, foi tudo incrível. Elas simplesmente amaram o Valdemar. Eu sempre carreguei comigo o sonho de namorar, noivar e até casar.

Pode até parecer uma coisa difícil hoje em dia, mas eu nunca deixei de acreditar. Era algo que eu vivia desde mim. E quando eu compartilhei isso com o Valdemar, ele se surpreendeu um pouquinho. Talvez porque já tivesse vivido um casamento antes, né? Mas pra mim, ainda era um sonho. Um sonho só esperando o momento certo pra acontecer.

Se a gente casar, o que as pessoas vão falar, hein? Meu amor, não se importa com isso, não. Você sabe, a gente tem uma diferença de 22 anos de idade. São 22 anos. Aposto que vão dizer que você é um homem rico, casando com uma novinha dessas. Assim até parece. Muito rico mesmo. Quem me dera, né? Quem me dera.

Nosso dia a dia era cheio de brincadeiras, leveza, um sempre tentando arrancar um sorriso do outro. E aquele sonho que eu carreguei por tantos anos, guardado dentro de mim, eu consegui realizar. Eu e o Valdemar nos casamos. Eu tive meu vestido, minhas filhas estavam ali, os filhos dele também, todo mundo celebrando nosso amor.

E até a Regina, ex-mulher do Valdemar, acabou se tornando uma grande amiga.

Pela primeira vez, eu senti que esse negócio de amor realmente existia e que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Eu estava vivendo tudo aquilo que, por muito tempo, parecia tão distante para mim. Eu amava tanto Valdemar. Tanto que, na festa, eu fiz questão de fazer uma declaração com um carro de som para ele. Ele ficou morrendo de vergonha, mas eu nunca tinha sentido um amor tão grande por alguém.

Ele foi o único homem que cuidou de mim e das minhas filhas. E eu sabia que não podia deixar essa oportunidade passar, não. Todos os dias eu fazia questão de dizer o quanto eu o amava. Depois do casamento, nós fomos para a lua de mel. Nós fomos para o Rio Grande do Norte e foi tudo muito especial. Quando a gente chegou no hotel, antes de entrar, eu fiquei encantada olhando a piscina. Estava tudo tão lindo.

Valdemar me chamou e quando eu entrei no quarto, eu não acreditei no que eu estava vendo. O quarto estava todo decorado com aqueles gansos feitos de toalha, cheio de detalhes. Tinha até o meu vestido de noiva ali com bombons, pétalas de rosas. Foi uma cena tão marcante que eu chorei. Eu só conseguia chorar.

Ele também se emocionou. A viagem foi maravilhosa e nós aproveitamos muito. Conhecemos várias praias e até o maior cajueiro do mundo. Ai, eu poderia ficar aqui contando mil momentos da nossa viagem. Foram muitos. Cada um mais especial que o outro.

Mas sendo bem sincera, o que eu mais amava na gente não eram só esses momentos grandes. Era o nosso dia a dia. A rotina nas coisas simples. Sabe, o Waldemar me mostrava que eu tinha escolhido certo de verdade. Tô cuidada no carinho, na forma como ele se fazia presente. Era isso que fazia tudo valer a pena. Até que, de uma hora pra outra...

Aquilo que parecia um conto de fadas. A realização de um sonho que eu esperei por tanto tempo. Começou a mudar. Su, eu preciso te falar uma coisa que tá me preocupando. Tá, fala meu amor. O que aconteceu?

Eu tô sentindo um caroço. Aqui, ó. Um caroço. Aqui no meu pescoço. Olha, passa a mão. Sente, sente aqui. Não é coisa da minha cabeça. Peraí, deixa eu ver. É. É. Pé, tem um caroço, sim.

Vamos no médico agora, Valdemar. Agora. Calma, eu tava curado. Eu sei que eu tô curado. Eu fui ao médico não faz muito tempo e ele disse que não tinha mais nada no meu corpo. Amor, a gente crê nisso. Mas agora, agora, independente do que o médico disse, a gente precisa investigar o que pode ser isso, tá bom? Eu tô com medo. Eu tô com medo, sabe? Se for alguma coisa séria... Eu tô do seu lado. Respira. Eu vou ficar com você.

Meu Deus, eu não quero passar por tudo de novo. Tudo de novo, eu não posso passar por tudo. Nós fomos correndo para o hospital. E chegando lá, eles começaram a olhar todos os exames. Os mais recentes, os mais antigos, e disseram para a gente não se preocupar, porque não era nada. Mas alguma coisa dentro de mim dizia que aquilo não estava certo.

Então eu resolvi ir com ele procurar uma segunda opinião. E foi aí que tudo mudou. Depois de uma avaliação mais detalhada e uma bateria de exames, veio a confirmação. A doença tinha voltado. Quando eu ouvi o médico dizer que ele realmente estava com câncer, Meu mundo desabou.

Mas eu me agarrei à esperança de que ele faria o tratamento e que tudo ia dar certo. Ele já tinha vencido uma vez, não tinha? Então ele ia vencer de novo. Mesmo assim, mesmo acreditando, doeu tanto, mas doeu tanto. Porque ele já tinha passado por isso há oito anos. Já tinha feito cirurgia, tinha sofrido muito no processo.

O Valdemar fez 33 sessões de radioterapia e 4 de quimioterapia. Eu estava com ele em tudo, sempre pedindo para ele não perder a fé de que ia ficar bem. Só que a cada sessão de radioterapia, a cada quimioterapia, o tratamento ia maltratando ele. Chegou um ponto em que a própria médica percebeu.

que não estava mais ajudando. E que cada sessão só o debilitava ainda mais. Foi então que eu ouvi o que eu não queria ouvir. Não tinha mais o que fazer. Só restaram uns cuidados paliativos. Oh, meu Deus!

Era muito difícil aceitar, muito, muito difícil aceitar o meu amor. Meu amor não tinha mais cura. Foram dias de tanto sofrimento que ele chegou a pedir para Deus levá-lo de uma vez por todas. Nessa fase eu já passava mais tempo no hospital com ele do que em casa. E quando eu tinha que sair por algum momento, sempre ficava alguém perto.

Cada vez que eu olhava para o Valdemar naquele estado tão crítico, eu pedia para Deus não me deixar ver o meu amor. E até nisso, eu vi o cuidado de Deus comigo. Um dia, o Valdemar estava respirando com bastante dificuldade. Eu peguei na mão dele e disse que eu amava mais do que tudo. E eu fiquei ali com ele a tarde toda.

A noite, antes de sair para jantar, eu peguei na mão dele de novo e eu falei, eu vou ali e eu já volto. Mas eu preciso te dizer uma coisa. Se você for partir, vá em paz, porque eu vou ficar bem. Só saiba que eu te amo muito, muito. Eu fui jantar e quando eu voltei, eu me lembro.

Sentei na poltrona e acabei coxinando por alguns minutos. Quando acordei, eu chamei a enfermeira e na hora em que ela veio, o meu marido, o Valdemar, já não estava mais inspirando. O Valdemar tinha partido enquanto eu descansava ao lado dele. Eu só conseguia pensar, como assim? Eu acabei de dizer que eu o amava.

Na hora eu comecei a gritar e o desespero tomou conta de mim, eu coloquei a mão nele e ele ainda estava tão quentinho. E só vinha uma coisa na minha cabeça. E agora? O que vai ser de mim agora? Ali naquele quarto eu me despedi do meu grande amor e simplesmente não parecia que era real. E mesmo com toda a dor, eu acredito que Deus foi bom comigo porque Ele esperou.

Esperou que eu dissesse para o Valdemar que ele podia ir em paz. A gente esteve ali lado a lado, vivendo cada fase. Ele tinha 74 anos e foi um desafio tão grande. Eu parei tudo. Eu parei de trabalhar, eu parei nos eventos, eu parei a minha vida para cuidar dele. Foram dias difíceis, dias de dor, de cansaço, de medo.

Mas mesmo assim, eu não me arrependi de jeito nenhum, nem por um segundo. E eu faria tudo de novo, se fosse preciso. Cinco meses depois da partida dele, eu fui trabalhar num show do Luan Santana. E tinha uma música que era nossa, uma música que eu sempre cantava pra ele. Quando ela começou a tocar, eu não consegui me segurar. Mesmo trabalhando, caí no choro.

Algumas pessoas me filmaram e aquele vídeo acabou viralizando e eu nem sabia. Depois o próprio Juan Santana viu o vídeo, conheceu a minha história e me convidou para ir num outro show dele. Foi mais emocionante ainda. E dessa vez eu nem tentei me segurar, eu chorei. Eu chorei ainda mais, porque aquele foi um dos dias mais marcantes da minha vida.

A música é só fazer assim que eu volto. Sempre fez parte da minha história. Todo mundo que trabalhava comigo sabia da minha trajetória, do que eu tinha vivido e das vezes em que eu precisei sair correndo do trabalho para socorrer ao Valdemar. Essa música, essa música marcou a nossa história. O Valdemar foi o amor da minha vida e eu sempre vou amá-lo.

Não teve um dia sequer em que eu não tenha lembrado dele, de tudo que a gente viveu. Muita gente acha que depois dos 60 não dá mais para viver um amor assim. Mas eu vivi, eu vivi, eu fui amada de verdade. E isso ninguém tira de mim. Não existe idade para o amor. E o Valdemar me ensinou isso até o último momento. Por isso eu estou aqui hoje, para eternizar o meu amor por ele.

Eu te amo, meu amor. Pra sempre. E eu acredito que um dia a gente ainda vai se encontrar. Quem ama não esquece. Band FM