A DECISÃO: FICAR OU IR EMBORA? | HISTÓRIA DO JOÃO | QUEM AMA NÃO ESQUECE 09/04/26
Fabrício
Elan
- situação da família de JoãoMaria Inês · Pâmela
- Desafio do Mês - Gesto de Amor
- Impacto psicológico na gravidez
Você realmente compra um carro online no AutoTrader? Sim, eu posso ficar super específico com o listamento de caras e ver com o meu budget. Você pode realmente ter uma entrega. Ou pegar uma coisa. Eu acho que a criança está passando a slide. Muito? AutoTrader, compra um carro online. Muito?
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É tudo bem. Nós estamos tão longe aqui. Olha eu, eu vou dar um descanso. Ah, eu estou bem. Então, eu estou bem.
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Eu demorei tanto para entender o que era o amor, que quando eu entendi, já era tarde demais. Tarde demais para fazer isso do jeito certo. E o pior não foi descobrir isso. O pior foi perceber que até então eu tinha feito tudo como deveria ter feito.
Eu nunca fui o tipo de homem que aprontava, sabe? Nunca fui de trair, de esconder, de viver uma vida dupla. Pelo contrário, eu sempre fui o cara que fazia o que esperavam dele. Um filho tranquilo, namorado fiel, um marido presente. E eu conheci a Maria Inês quando eu ainda era adolescente.
O nosso namoro durou anos. E depois, quando nós já éramos adultos e estávamos estabilizados, veio o casamento. Olhando de fora, fazia todo sentido. Era o caminho natural depois de tanto tempo juntos.
Eu amava a minha esposa e me casei muito convicto e feliz. Ela era muito boa, boa de um jeito raro hoje em dia. Companheira, paciente, parceira pra tudo. A gente nunca teve aquelas brigas grandes, nunca teve maldade, sacanagem, falta de respeito. A nossa vida era estável, previsível até e funcionava muito bem.
Mas talvez tenha sido exatamente esse o problema, sabe? Porque por muito tempo eu confundi paz com amor. E confundi falta de briga com felicidade. Eu levei anos para perceber que viver sem problema nenhum não é a mesma coisa que viver sentindo alguma coisa de verdade.
A gente construiu uma vida juntos. E não foi pouca coisa, não. A Marinê sempre esteve comigo, em todas as minhas fases. Quando eu ainda estava tentando me encontrar profissionalmente, quando o dinheiro era contado, quando tudo era mais difícil. Ela estava lá. Ela foi meio que o meu apoio, sabe? O meu ombro, o meu colo. E nós crescemos juntos. Literalmente.
A gente dividiu tudo. O começo, as conquistas, frustrações e também a rotina. E foi ao lado dela que eu aprendi a ser um homem de verdade. Um homem adulto, com responsabilidades. E isso cria um tipo de vínculo que é difícil de explicar. Não é só amor. É o hábito. É parceria. História. É alguém. É alguém que faz parte da sua vida de um jeito tão natural que você nem questiona mais.
O nosso casamento seguiu esse caminho e era muito bom. A gente se divertia junto, a gente saía, passeava. Ela era minha parceira em tudo. A nossa rotina era assim. A gente trabalhava, voltava pra casa, jantava junto, assistia alguma coisa, fazia planos. Final de semana com a família, às vezes a gente fazia uma viagem. Nada muito fora do padrão. Tava tudo bem, sabe? Durante muito tempo, aquilo foi o suficiente pra mim.
Teve só uma coisa que nunca veio com a mesma facilidade. Só uma. Filho.
Você não acha que tá demorando demais, não, João? Claro que não, meu amor. Faz só cinco meses que você parou de tomar o remédio. É, né? É, eu acho que você tem razão. Ai, eu tô muito ansiosa, né? Eu também tô. Pra falar a verdade, eu tô muito. Mas essas coisas demoram.
Eu não vejo a hora de ter um bebê, meu Deus. Eu não vejo a hora de ter um bebê aqui, ó. Aqui nessa casa, movimentando tudo. E depois, então, imaginou? Correndo pra lá, pra cá. Ai, fazendo a maior bagunça com a gente, deixando a gente maluco. Só falta isso. Pra minha vida ser perfeita.
Ter um filho foi uma coisa muito bem planejada para nós. Foram 10 anos de namoro e já eram 8 de casamento, 18 anos juntos. Uma vida, né? E nós fizemos tudo como a gente tinha decidido. Primeiro comprar o nosso carro, depois conseguir dar entrada num apartamento, ter uma boa estabilidade nos nossos empregos.
Era isso que a gente queria. A Maria Inês já estava com 34 anos. E essa era exatamente a idade que ela tinha pensado ser a melhor para engravidar.
No começo foi tudo tranquilo até. Aquela expectativa boa, os planos, conversas, sobrenome, quarto, futuro. Mas aí o tempo foi passando. Passando, passando e nada acontecia. E foi nesse momento da nossa vida que a Pamela apareceu. Juro, juro pra você mesmo. Sem importância nenhuma no começo.
Não foi nada de filme, nada de amor à primeira vista. Nada. As coisas aconteceram de maneira simples. Ela começou a trabalhar na mesma empresa que eu. E eu lembro que, na época, eu nem sei se eu dei muita atenção, porque minha cabeça estava em outro lugar. Eu e a Marinês estávamos naquela fase de exames, consultas, tentativas, expectativa. Tudo girava em torno disso.
A gente estava fazendo todos os exames. Estava sempre tudo certo. Nós dois saudáveis, sem nenhum problema. Era só uma questão de tempo, paciência mesmo. E talvez tenha sido exatamente isso que mexeu mais do que eu imaginava.
Porque quando não existe um problema, também não existe uma solução. Entendeu? Só existe espera. E a espera muitas vezes cansa. E foi exatamente aí, no meio disso tudo, que a Pamela foi se tornando presente. Nada demais no começo. Uma conversa ou outra no trabalho. Um comentário aqui, uma piada ali.
Ela era diferente. Isso era bem visível também. Não só pelo jeito de falar, de se vestir, mas pela forma como ela via as coisas. A Pamela já tinha morado fora do país. Tinha feito intercâmbio, já tinha largado emprego pra viajar. Essas coisas que pra mim sempre parecem distantes demais da minha realidade. E eu comecei a achar isso interessante. Por ser diferente, sabe?
Mas era só isso. Só curiosidade. Eu chegava em casa, jantava com a minha esposa, conversava sobre a nossa vida, sobre as nossas tentativas de ter um filho e... E a minha vida seguia normal. A Pamela, até ali, era só alguém do meu trabalho. Só mais uma pessoa. Pelo menos foi isso que eu quis acreditar por um bom tempo. Mas foi aí que aconteceu uma coisa que, na hora, pareceu pequena.
Mas hoje eu sei que não foi. Numa noite, a gente estava jantando e a Maria Inês começou a falar sobre um casal. Um casal de conhecidos. Você viu que a Renata está grávida? Ah, eu vi. Eu vi sim. Eu acho tão bonito isso, sabia? Esse negócio de família certinha.
Tudo no tempo de Deus, né? Uhum. Bom. Eu fico pensando que a nossa vez vai chegar também. Eu fico pensando nisso. Tudo no tempo certo, do jeitinho que tem de ser. A vida é assim, né? Tudo no tempo certo. Não vê a Jordana? Ela foi engravidar correndo e agora até separou do marido, né?
E aí, ela foi começando a engatar um assunto no outro. Falando até de uns assuntos nada a ver, de coisas que eram tão bobas. E pela primeira vez, aquilo me incomodou.
Não era só o que ela estava dizendo, mas o jeito. Aquela calma, aquela vidinha toda organizada, certinha. Falando mal da outra vizinha que tinha se separado. Sabe, olha, tudo naquele dia me incomodou. Eu não sabia explicar na hora, mas me deu uma sensação estranha. Eu não estava conectado com aquilo. E aí, eu comecei a comparar com a conversa que eu tinha tido antes com a Pâmela.
No trabalho, naquele dia mesmo. Ela tinha contado que tinha jogado pro alto um baita trabalho com um super salário, porque não tava feliz. Sentiu que precisava mudar de áreas. Assim como se fosse uma coisa simples. E lembro até de ter pensado na hora, como pode uma pessoa fazer isso? E aí, jantando com a minha mulher...
com aquela toalha de mesa de florzinha, com aquilo tudo que pra mim sempre tinha sido normal, eu comecei a ver que o meu mundo também era muito pequeno. A minha esposa, a mulher que aceita tudo. E a Pâmela, uma mulher independente, cheia de personalidade. Essa foi a primeira vez que eu percebi que eu tava comparando as duas.
Mesmo sem querer, sabia? Mesmo sem achar aquilo justo. Mas já estava. Na minha cabeça eu já estava fazendo isso. Depois daquele dia, alguma coisa mudou. E não foi de uma vez. Não de forma escancarada, mas alguma coisa mudou. Eu comecei a prestar mais atenção na Pâmela, a puxar assuntos sem perceber, a esticar a conversa que antes eu teria encerrado.
Ela era diferente de tudo que eu tava acostumado. Com a Pamela, eu passei a me sentir curioso, interessado, até... Diferente de tudo, tudo mesmo, sabe? Tudo que eu já tinha sentido. E foi assim, devagar, que aquilo foi deixando de ser só curiosidade. E passou a ser outra coisa.
Eu comecei a ter vontade de estar perto. De ouvir mais, de dividir coisas que eu nem sabia que estavam guardadas em mim. Eu não encostava nela. Não passava de nenhum limite. Mas por dentro eu já comecei a imaginar.
Muita coisa. Demorou um pouco. Mas teve um dia que eu não consegui mais fingir que não estava acontecendo nada. Eu entendi de uma vez, e sem desculpa ou justificativa, que eu tinha me apaixonado por outra mulher. E na hora que isso ficou claro na minha cabeça, não veio felicidade. Veio um peso. Um peso absurdo.
Até uma dor. Uma dor enorme que eu não sabia onde colocar. Porque eu olhava pra minha vida, pra minha esposa, pra tudo que a gente tinha construído. E me sentia um traidor. Mesmo sem ter feito nada, nada de concreto. Eu comecei a me culpar por cada conversa. Por cada pensamento. Por cada comparação. Eu me sentia pequeno, sabe? Injusto, até meio sujo.
E eu passei a me odiar por estar sentindo aquilo. Odiava o fato de que depois de tantos anos sendo o cara certo, eu estava ali emocionalmente envolvido com outra pessoa.
E eu sabia que eu estava errado. A Marinê sempre foi uma grande mulher. Sempre me apoiou. Sempre esteve do meu lado e não merecia nunca passar por uma coisa assim. Nunca. Foi justamente por isso que eu acabei tomando uma decisão. Uma decisão que na minha cabeça era a única coisa certa a ser feita.
Até então, eu não sabia se a Pamela sentia alguma coisa por mim. E, na verdade, eu não tinha nem coragem de pensar a fundo sobre isso. Porque, de verdade, não era sobre ela. Era sobre mim. Sobre o fato de que eu estava casado com a mulher que eu sempre quis. Que sempre foi correta comigo. E já não sentia por ela o que o marido deveria sentir.
E isso pra mim começou a pesar demais, mais do que qualquer outra coisa. Eu não me sentia culpado por ter me apaixonado. Isso eu não escolhi. Mas continuar ali, fingindo que tava tudo igual, olhando pra Marinês todos os dias, como se nada tivesse mudado. Isso pra mim tava me matando. Isso pra mim era errado. Ela não merecia isso.
Não merecia um marido pela metade. Não merecia alguém que estava ali por obrigação. Sabe? Por costume. Por comodidade. Eu comecei a olhar pra ela com um tipo de tristeza que eu nunca tinha sentido antes. Porque pela primeira vez eu sabia, eu sabia que eu não era mais suficiente. E foi aí que eu decidi. Eu tinha que terminar.
Eu não podia mais levar aquilo adiante. Não podia. Antes de qualquer coisa, antes de qualquer passo em direção a Pamela, eu precisava resolver a minha vida. Antes de transformar um sentimento em traição de verdade, eu ia sair daquele casamento do jeito mais limpo possível. Era isso que passava pela minha cabeça. Era isso que eu achava que... Apenas pegou as pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas pegadinhas peg
Que era certo. Mas aí... Tudo saiu completamente do lugar. Porque enquanto eu ainda estava juntando coragem para ter aquela conversa. A vida. A vida foi lá. E resolveu por mim. Eu cheguei um dia em casa depois do trabalho e a marina estava lá. Sabe? Diferente. Eu encontrei a minha mulher diferente.
João, a gente precisa conversar. Tá. O que aconteceu? Tá tudo bem? Eu fiz um exame hoje. Exame? Tá tudo bem? O que aconteceu? Não, eu... Eu tô ótima. Aconteceu. Finalmente aconteceu. Nós estamos grávidos, meu amor. Nós estamos grávidos.
Ela deu a notícia e começou a chorar na mesma hora. De felicidade, claro. Me abraço forte, rindo, falando um monte de coisa ao mesmo tempo que... Olha, aquilo me pegou. E ela repetia, finalmente, meu amor. Finalmente aconteceu. O nosso momento chegou. No momento certo. No momento que Deus permitiu.
Eu ali parado, ouvindo tudo sem reação, porque no mesmo instante em que ela estava vivendo um dos momentos mais felizes da vida dela,
Eu tava ali, na frente da minha mulher, diante da pior situação da minha vida. Você tá me entendendo o que é isso? Tudo que eu tinha decidido, tudo que eu achava que ia fazer da forma certa, simplesmente deixou de existir. Ali. Naquele minuto.
E eu, eu me senti completamente perdido. Porque não era mais sobre mim. De repente eu entendi que eu não tinha mais escolha. Não existia mais. Eu não podia fugir. E eu não tive coragem. Não tive coragem de ir embora.
Não depois de ouvir tudo aquilo. Não depois daquele sorriso. Daquele abraço. Daquela emoção toda. A gente esperou por tanto tempo. A gente sonhou com aquilo. E aí eu... Eu resolvi engolir tudo. A minha decisão, o meu sentimento. Tudo, tudo, tudo.
Eu resolvi ficar. Eu fiquei. E eu fiquei como marido. Como pai. Como o homem que todo mundo sempre esperou que eu fosse. Eu fiquei. Mas alguma coisa dentro de mim não ficou. Porque por mais que eu tente, sabe? E eu tô tentando, viu? Por mais que eu me esforce.
Cada dia fica mais claro, cada dia fica mais difícil pra mim ignorar uma situação que já estava resolvida na minha cabeça. Eu não amo mais a minha mulher. Eu admiro, eu admiro muito, eu respeito, eu tenho carinho, mas eu entendi. Que amor. Amor talvez eu...
Talvez eu nunca tenha sentido de verdade. Acredita que eu cheguei a essa conclusão? Porque eu sempre quis me fazer perfeito pra ela. Pra ela e pra todo mundo. Um marido perfeito, um marido certinho. Fazendo a coisa certa, do jeito certo. Fazendo tudo como eu esperava.
Que o mundo me dissesse, você é o cara certo, você é bom, você tá fazendo a coisa certa, você é do bem. Mas comigo aqui, o sentimento era outro. Acordar e dormir, ao lado de alguém que merece tudo, menos um amor pela metade, é sem dúvida a escolha mais pesada que eu já fiz.
E eu continuo nessa. Continuo tentando ser o homem perfeito que todos acham que eu sou. Mas perfeição não existe. Muito menos dentro de mim. Quem ama não esquece.
Geico
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