Episódios de Quem Ama Não Esquece

O AMOR RESISTIU A TUDO MENOS O DESTINO | HISTÓRIA DA CAROLINE | QUEM AMA NÃO ESQUECE 08/04/2026

08 de abril de 202619min
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A Caroline conheceu o Jai e começou um amor de forma intensa, mas em poucas semanas, ele foi preso. Eles mantiveram contato por cartas e ela até tentou seguir em frente, mas o esperou. Eles construíram uma vida juntos, conquistaram sonhos e tiveram uma filha. Quando tudo parecia estar no lugar, ele se perdeu de novo, se afastou e foi embora. Caroline ficou devastada e depois veio a notícia que ele partiu de forma brutal. Entre dor, luto e silêncio, ela achou forças na sua filha e hoje, mesmo ainda com marcas em seu coração, sabe que ele não escapou do seu destino.
Participantes neste episódio2
E

Elan

Host
F

Fabrício

ConvidadoEstudante, Poeta, MC de Batalha
Assuntos1
  • O amor e o fimCaroline e Jai · Luto e superação · Impacto da prisão · Relação com a filha
Transcrição45 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, uma história de alguém que realmente amou. Na Band FM, quem ama não esquece. Se eu fosse contar quantas vezes ele me mandou embora, eu não ia conseguir.

Foram muitas. Mas quando a gente ama de verdade, a gente precisa ignorar tudo. O tempo, a distância, o medo, nada parece maior do que o que você sente. Porque quem ama não desiste fácil. Quem ama insiste. Espera. Se agarra na ideia de que no fim ainda vai dar tempo de viver tudo ao lado daquela pessoa.

A minha infância foi bem difícil. Os meus irmãos eram menores e eu precisei assumir muita responsabilidade desde cedo, já que a minha mãe saía para trabalhar. E aí era eu quem ficava cuidando deles e da casa também. Eu também tinha escola e meus estudos, mas para mim, cuidar de tudo nem era ajudar. Era só fazer o que tinha que ser feito. Um dia, quando eu tinha uns 15 anos, eu estava limpando a porta da casa quando um cara apareceu assim do nada.

Ele chegou perto, pediu meu número e ainda disse que estava de olho em mim há alguns dias. Na hora eu fiquei meio assustada e eu achei tudo muito estranho. Eu respondi só um não e corri para dentro. Só que depois disso, eu comecei a ver ele direto pelo bairro. Toda vez ele tentava puxar assunto, me oferecia carona e eu sempre fugindo. Até que um dia, voltando da casa de uma amiga, ele apareceu de novo.

Eu já estava sem paciência com aquela situação e falei que se ele quisesse alguma coisa comigo mesmo, ele ia ter que ir lá em casa, pedir para os meus pais para namorar comigo. E não é que ele foi? Foi, foi sim. E na mesma hora, ele me acompanhou até em casa, falou com meu pai e disse que queria namorar comigo. Minha rotina continua a mesma, cheia de responsabilidades, mas a partir daquele dia, eu tinha alguém que fazia parte dela.

O nosso namoro era bem tranquilo. A gente saía, eu conhecia a família dele, ele conheceu a minha família. No meio da minha correria, entre escola e curso, ele me levava, me buscava e estava sempre comigo. Era simples, mas era tudo tão bom, sabe? Só que... só que isso não durou. Com duas semanas de namoro, eu recebi uma ligação da família dele dizendo que ele...

Ele tinha sido preso. Na hora eu não entendi nada e eu fiquei morrendo de medo. É claro. Mas mesmo com tão pouco tempo juntos, tinha uma coisa dentro de mim que dizia que ele nunca faria nada de ruim para ninguém.

Eu já tinha feito 16 anos nessa época. E sem entender nada daquilo, eu fiquei tão desesperada. Eu queria saber o que tinha acontecido, o porquê de tudo aquilo. Mas a única informação que chegou até mim foi que ele estava dentro de um carro com alguns amigos e que esse carro era de receptação e tinha sido furtado há muito tempo. Como eu ainda era menor de idade, eu não podia nem ver o Jair. Não tinha como conversar. E o único jeito que a gente encontrou é um pouco daquilo.

Foi de conversar por cartas. Oi, meu amor. Eu queria te dizer que eu tô bem. E queria também te contar a minha versão de tudo isso. Eu peguei um carro emprestado de um amigo. E foi aí que a polícia me pegou. Eu juro pra você. Eu não sabia que era um carro furtado.

Me perdoa por isso. Me perdoa por tudo que está acontecendo, de verdade. Eu vou cumprir o que eu tenho que cumprir aqui. E eu sei que você não pode vir me ver. Sei que está tudo muito difícil. Por isso, eu preciso te falar uma coisa. Mesmo doendo. Segue a sua vida. Eu te amo, sabe? Mas eu não quero que você fique presa a mim. Esperando e deixando de viver por minha causa. Eu não sei como vai ser quando eu sair daqui.

Mas eu sei o que eu sinto. E a verdade é que eu queria um futuro com você. Queria casar, construir uma família, viver tudo aquilo que a gente sonhou. Mesmo em tão pouco tempo. Eu me arrependo muito de tudo isso. Nada disso deveria estar acontecendo. Então se você decidir seguir seu caminho, eu vou entender. Só não esquece de mim. Não esquece do que a gente viveu.

Mas olha, se você escolher ficar, eu prometo, de coração, que eu vou fazer de tudo pra te fazer a mulher mais feliz do mundo. Ele sempre dizia as mesmas coisas. Falava de sonhos, de planos, que a gente ia casar, construir a nossa vida. E isso durou oito meses.

Oito meses da minha vida esperando, escrevendo, tentando entender tudo aquilo e acreditando que a nossa história não tinha acabado. Ao mesmo tempo, a pressão dentro de casa começou a pesar. Minha família me criticava, me julgava, dizia para eu parar de responder e me afastar de vez.

Eles falavam que ele não era a pessoa certa para mim e que eu tinha a vida toda pela frente. E eu ficava ali no meio de tudo isso, sem saber o que fazia entre o que todo mundo dizia e o que eu sentia pelo Jai. Até que chegou a última carta. E nela ele dizia exatamente isso. Que eu era nova, que me amava, mas que...

Que queria que eu seguisse a minha vida, porque era o certo a se fazer. Nossa, aquilo acabou comigo. Eu entendi que não tinha mais o que eu pudesse fazer além do que ele mesmo tinha me pedido. Então eu decidi seguir. Eu segui sem ele, mas não foi nada fácil.

Eu chorei por dias, porque mesmo tendo sido rápido o nosso namoro, nossa, foi muito intenso. No meio de toda aquela dor eu fui para a igreja, porque eu sentia que precisava me apegar a Deus, encontrar um lugar para me sentir em paz. Foi lá que depois eu conheci o Vitor.

Ele parecia um cara bom. A gente começou a conversar, se aproximou. E quando eu vi, a gente já estava até namorando. Era diferente, mas, sei lá, era mais tranquilo. Eu gostava de estar com ele. Mas sendo bem assim, sincera, a saudade do Jai ainda existia dentro de mim. Eu levei esse sentimento por um ano. Eu e o Vitor ficamos noivos e parecia que a vida estava mesmo seguindo um novo rumo. Até que um dia.

Ele apareceu. Simplesmente com uma marca no pescoço. Tipo um chupão mesmo. Na hora, eu quis saber o que era aquilo. Eu perguntei se ele estava me traindo e ele... Ele confirmou. Ele estava mesmo. Eu não ia aceitar aquilo de forma alguma, não. E no mesmo dia, eu terminei o nosso noivado. Depois dessa decepção, eu segui a minha vida sozinha.

Eu já era maior de idade, eu trabalhava e fui tentando me reencontrar. Foi nessa fase que aconteceu. Uma amiga me chamou para um pagode e quando eu cheguei lá, de monge, a primeira pessoa que eu vi foi... foi o Jai. Ele mesmo.

Na hora, ele também me viu e veio até mim. A gente se abraçou e eu fiquei mesmo assim sem reação. Parecia um sonho estar ali com ele. Ele estava bem na minha frente outra vez, depois de dois anos. Meu Deus, Carol, que saudade! Eu também, quanto tempo, né?

Tempo demais. E você, como é que você tá? Como estão as coisas? Você tá namorando? Ah, pra falar a verdade, eu acabei de terminar o noivado. Poxa, é verdade? Sinto muito, viu? Mas a verdade, Jai, a verdade é que eu nunca te esqueci. Eu também não te esqueci. Mas a gente, a gente não pode ficar junto. Eu ainda vou voltar pra terminar de cumprir a minha pena.

Por mim não tem problema, eu estou disposta a esperar. Agora eu já posso até te visitar. Não, não, eu não posso fazer isso com você. Eu não quero que você se prenda a mim, entendeu? Ele ainda estava respondendo e mesmo contra a vontade dele eu fui ir até lá. Quando eu cheguei, parecia que o tempo não tinha passado.

Ele me olhou, começou a falar as mesmas coisas de antes. Que quando tudo acabasse a gente ia casar, ia ter filho, que a nossa vida ia dar certo. A gente ficou horas conversando e eu já estava completamente envolvida de novo. Como se tudo tivesse voltado. Mas aí do nada. Ele disse que não queria que eu fosse mais lá.

Na hora eu não entendi, falei tudo, tudo que eu estava fazendo, que eu estava indo contra a minha família, que eu estava disposta a largar tudo, a esperar por ele. Mas ele não mudou de ideia. Ele foi firme e disse com todas as letras que não queria que eu voltasse. Eu aceitei de novo. Mas eu saí de lá chorando. Como se...

mais uma vez eu estivesse deixando ele para trás. Eu seguia minha vida, eu continuei trabalhando, focando na minha rotina, tentando de verdade colocar um ponto final naquilo tudo. Eu coloquei na minha cabeça que não queria mais saber dele, e que eu precisava seguir em frente. Só que a vida tem dessas, né? Um dia o meu telefone tocou, e era o Jai.

Na hora meu coração disparou e parecia que ia sair pela boca. Eu não esperava por aquilo. Não mesmo. Já falou que queria me encontrar e sem pensar duas vezes, eu aceitei. Puxa, Carol, muito obrigado por você ter vindo, viu?

O que aconteceu? Você disse que não queria mais me ver. Acabou. Acabou. Eu terminei de cumprir a minha pena. Acabou? Acabou. Ponto final. Eu te chamei aqui pra gente começar a viver a nossa vida. Você ainda quer?

Eu sempre quis. Desde o primeiro dia que eu te visitei na cadeia. Foi você. Você falou pra eu seguir minha vida. Quem fala isso? Quem fala isso ama alguém? Entenda. É que eu não queria que você sofresse. Eu não sabia quando eu ia sair de vez daqui. Você sabe como são as coisas. Agora sim, eu posso te oferecer alguma coisa séria. Você ainda quer?

Eu aceitei. Mesmo com tudo o que tinha acontecido, mesmo ele tendo acabado de sair, eu aceitei. Eu fui contra todo mundo e quando eu vi, já estava segurando a mão dele de novo e decidido que a gente ia recomeçar. Eu saí da casa dos meus pais e deixei tudo para trás. Eu fui morar com ele.

A gente alugou uma casa e começamos do zero mesmo. Os dois trabalhando, se ajudando, construindo tudo lado a lado. Aos poucos a vida foi entrando nos trilhos e, sabe, estava dando certo. A gente saía, se divertia, vivia coisas boas e tudo aquilo que ele tinha prometido lá atrás estava sendo cumprido.

A gente começou a guardar dinheiro e conquistar as nossas coisas. Compramos carro, viajamos, fomos para lugares que antes eu nem imaginava. Era como se finalmente a gente estivesse realizando aquele sonho.

Depois de dois anos juntos, eu engravidei e foi a melhor fase do nosso casamento. Eu tinha tudo. A minha família, o homem que foi o meu primeiro em tudo, minha filha, minha casa. A minha vida estava completa e eu tinha tudo para me sentir a mulher mais realizada desse mundo. Só que mais uma vez, a vida virou de cabeça para baixo.

Ele entrou numa sociedade com um amigo, foi se enronando com coisas de dinheiro e eu fui sentindo ele se afastar de mim. Ele começou a sair mais, ir para as baladas com esse cara, até dormir fora. E aí, claro, as brigas começaram dentro de casa. E o que antes era parceria começou a virar desgaste, até chegar o dia em que ele disse que estava indo embora.

Na hora, na hora eu não acreditei, não. Falei que nós éramos casados, que ele não podia simplesmente ir embora. Mas ele respondeu que não queria me ver sofrer. Eu fiquei. Fiquei em estado de choro. Só uma coisa passava pela minha cabeça.

Ele tá me traindo. Só podia ser. Quando alguém decide assim, do nada, ir embora, só pode ser outra pessoa. A minha vida, que parecia tão perfeita, desabou. O Jai foi mesmo embora. De repente, eu me vi abandonada. Pelo homem que eu amava. E com uma filha pequena pra cuidar. E o pior? Eu nem entendi o que tava acontecendo.

Eu comecei a ir pra igreja buscar Deus, a tentar encontrar alguma resposta pra tudo que havia acontecido. Só que, ao mesmo tempo, eu ouvia coisas que só me machucavam. Gente dizendo que ele tava embaumada, curtindo, que tava com outras mulheres e sempre com aquele amigo junto. Era como se tudo aquilo que a gente tinha construído não significasse nada. Eu entrei numa depressão tão difícil. Eu sofri tanto.

Eu não tinha forças nem pra cuidar da minha filha. Foi uma fase bem pesada, daquelas que você só vai sobrevivendo um dia depois do outro. Mas duas semanas depois de ele ter saído de casa, veio a notícia. Me ligaram dizendo que... Que o Jai... O Jai tinha sido... Assassinado. O Jai...

Eu olhei para minha filha, que só tinha um ano e dez meses, dormindo do meu lado, e eu não acreditei. Eu não acreditei mesmo. Eu dei risada, eu falei que era impossível. Que estavam mentindo para mim, eu não conseguia nem raciocinar. Mas era real. Era tudo verdade.

Até hoje eu não sei exatamente o que foi que aconteceu e no fundo eu acredito que tenha sido por dinheiro, porque eu já estava bem. Ele sempre foi muito generoso, ajudava todo mundo, emprestava dinheiro, querendo ver as pessoas bem. Eu brigava com ele por causa disso, porque nem todo mundo é confiável, principalmente aquele amigo que eu nunca senti uma coisa boa vindo dele. Quando tudo aconteceu, foi como se o chão tivesse aberto debaixo dos meus pés.

Foram oito anos de história e de repente eu estava sozinha, com uma filha pequena, tendo que ser forte de um jeito que eu nem sabia que dava. Foi Deus que me sustentou naquele tempo todo. Não tenho outra explicação.

Foi minha filha que me fez levantar. Era por ela que eu acordava, que eu seguia, que eu trabalhava mesmo sem forças. Eu vivi um luto tão profundo. Eu fiquei três anos tentando me encontrar no meio de toda aquela dor. Uma dor que não passa, uma dor que a gente só aprende a carregar.

Com o tempo, Deus foi me acalmando, foi me dando respostas, me mostrando que eu precisava continuar por nós duas. Apesar de tudo, foi uma história de muito amor, porque uma coisa eu sempre falo para minha filha, eu amei o seu pai. Eu amei de verdade, amei com tudo que eu tinha. Tanto que eu sinto que eu não consigo me ver em outro casamento.

Tudo que eu sonhei, tudo que eu queria viver, eu vivi com o pai dela. A gente casou, a gente aproveitou, construiu nossa vida e mesmo com todos os problemas, ele me deixou muitas coisas boas. A maior delas foi a nossa filha. E é por ela que eu sigo, é por ela. É por ela que eu levando todos os dias, que eu trabalho, que eu continuo.

Ela é e sempre será o centro de tudo. Amo a minha filha de um jeito que nem consigo explicar. É por ela que eu estou aqui firme, com fé, seguindo mesmo depois de tudo o que aconteceu. E no fundo, tem coisas que a gente carrega em silêncio. Às vezes eu penso em tudo o que aconteceu, em algumas coisas que eu disse, em momentos difíceis e dá um aperto.

Mas eu não me prendo nisso, porque a vida não volta. O que eu faço hoje é transformar tudo isso em força. Pra cuidar dela, proteger e dar o melhor que eu puder. Esse é o meu propósito. É por ela. Sempre foi. E sempre vai ser. Quem ama não esquece.

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