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A FÉ TROUXE UMA VIDA DE VOLTA | HISTÓRIA ESPECIAL DE PÁSCOA | QUEM AMA NÃO ESQUECE 03/04/2026

03 de abril de 202614min
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A Elisete conheceu o Marcílio aos 17 anos e acabou engravidando. Mesmo jovens, eles se casaram e construíram uma família. Primeiro veio a Mariana, depois o Lucas e ainda adotaram o Miguel. Mas aos 24 anos, ela teve uma doença grave nos rins e só um transplante poderia salvar a sua vida. Elisete enfrentou 9 anos de hemodiálise, esperando o órgão. Depois de 10 anos, ela encontrou um primo que era compatível. Nesse tempo, ela pensou em desistir várias vezes, mas a sua fé e seus filhos, deram a força que ela precisava. Hoje, sexta-feira santa, ela vem dar o seu testemunho para o Brasil e dizer que é apaixonada pelo seu marido, pelos filhos e principalmente pela sua Fé em Deus e está livre da hemodiálise. 
Participantes neste episódio1
E

Elan

Host
Assuntos1
  • História de superaçãoTransplante de rim · Fé em Deus · Luta contra a doença · Relação familiar
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Hoje, no podcast do Quem Ama Não Esquece da Band FM, a vida sempre encontra o jeito de recomeçar. Na Band FM, quem ama não esquece. Deus nunca deixou de me amar e nunca fariou comigo.

Mas teve momentos da minha vida em que eu quase desisti dele. Eu só fui entender isso de verdade depois de tudo que eu vivi. Depois da dor, do medo e das vezes em que achei que não ia conseguir continuar. Nem todo amor que começa na adolescência sobrevive ao tempo. O nosso também não era fácil. Nunca foi.

Mas de algum jeito, ele foi ficando, ele foi crescendo e foi me transformando sem que eu percebesse. Eu tinha 14 anos quando vi o Marcílio pela primeira vez na escola. Eu estava na oitava série e ele era um pouco mais velho e já estava no último ano. No começo, era só conversa mesmo, era encontro em grupo, nada demais.

Até que numa matinê, a gente ficou pela primeira vez. Os meus pais sempre foram muito rígidos e eu não podia sair à noite. E mesmo durante o dia era tudo bem controlado. Mas depois daquele dia, alguma coisa mudou em mim.

Eu queria viver. Eu queria ter liberdade. A gente começou a se ver cada vez mais, até que quando eu percebi, nós já estávamos namorando. O Marcílio já tinha uma filha de um ano quando a gente se conheceu. E eu ouvi de muita gente que aquilo não ia dar certo, não. Eu lembro até hoje da minha professora me chamando para conversar e dizendo que eu era doida. Que ele já tinha sido irresponsável uma vez e que poderia ser comigo também.

Mas naquela época eu não quis ouvir ninguém. Eu estava apaixonada. Nós dois éramos muito imaturos, muito novos. A gente brigava por qualquer coisa, por coisa pequena e terminava. Pouco tempo depois, já estava lá a gente outra vez junto. E foi justamente nesse vai e volta que eu acabei engravidando. Quando meu pai descobriu, ele foi bem firme. E disse que se o Marcílio quisesse ficar comigo, teria que me assumir de verdade.

E assumir, para ele, significava uma coisa só. Casamento. Foi assim que nós casamos no civil. A Mariana nasceu quando tinha 17 anos e nós três fomos morar com os meus pais, no meu quarto de infância. Dois anos depois, veio nosso segundo filho, o Lucas. O Marcírio sempre foi um pai muito presente e extremamente carinhoso. Disso eu nunca tive do que reclamar.

A vida foi seguindo até que, quando eu tinha 24 anos, alguma coisa começou a sair do lugar. Eu comecei a me sentir mal. Muito mal mesmo. E não era uma coisa passageira, não. Cada dia que passava eu piorava. Meu nariz sangrava sem parar e o corpo já não respondia do mesmo jeito.

Eu fui várias e várias vezes ao pronto-socorro, mas todas as vezes eu voltava para casa do mesmo jeito. Sem respostas. Eliette, você está melhor hoje? Conseguiu pelo menos descansar um pouco?

Não. Continua tudo igual. Tu é exausta, exausta. Nossa. Tu é exausta também de ninguém descobrir o que eu tenho, né? Olha aqui. Olha pra mim. Vai dar certo, tá? E ó, eu não vou sair do seu lado. Eu tô com medo.

Parece que ninguém sabe o que fazer comigo, a Mariana, o Munka, são tão pequenos e eu... Calma. Vai dar tudo certo, você vai ver. Eu vou cuidar de você. Cada consulta, cada noite difícil, eu vou estar do teu lado. Porque eu te amo muito, viu? Enquanto você estiver lutando, eu também vou estar do teu lado. Eu já estava pior do que Munka.

Até que em uma dessas idas ao pronto-socorro, uma médica olhou para mim com mais atenção e pediu todos os exames possíveis e imagináveis. E foi aí que finalmente veio a resposta. Os meus rins estavam parando. Eu? Eu praticamente já não tinha mais função renal e o meu corpo estava falhando. A situação era grave, bem grave mesmo.

Foi ali naquele dia que a minha vida mudou completamente. Foi ali naquele dia que a minha luta começou de verdade. E no meio de todo aquele caos eu fiz a única coisa que eu ainda podia fazer. Entreguei a minha vida nas mãos de Deus. Eu pedi que Ele fizesse o que fosse melhor por mim.

Depois dessa descoberta, a minha vida virou de cabeça para baixo. Eu só conseguia pensar nos meus filhos. A Mariana tinha nove anos e o Lucas sete. Eles eram muito novos para perder a mãe. A gente ainda tinha tanta coisa para fazer. A gente tinha tanta coisa para viver juntos.

Eu queria ver os meus filhos crescerem, se apaixonarem, construírem as próprias vidas, estudarem. Eu queria estar lá para eles. Queria poder acompanhar cada fase. Pensar nessas coisas acabava comigo. Eu admito que eu quase entrei em depressão. Teve dia que eu não queria sair da cama, que eu não tinha forças para nada. Mas eu não me permiti cair dessa forma.

Eu não podia, sabe? Não, eu não podia. Então eu decidi lutar. Eu lutei contra esse sentimento. E eu costumo até dizer que eu só não morri porque eu decidi lutar de verdade. Nos dias mais difíceis, era neles que eu pensava. E era isso que me fazia continuar.

Amor, tá na hora da hemodiálise. Eu sei, mas hoje eu não queria ir. Eu tô tão cansada, Marcílio. Olha, eu sei que tá difícil. Mas você precisa ir. Depois da sessão, você vai melhorar. Eu tenho me apegado tanto a Deus que às vezes... Eu só queria descansar e deixar tudo nas mãos dele. E você pode confiar nisso, viu? Mas também precisa fazer a sua parte. As crianças precisam de você.

As sessões de hemodiálise aconteciam três vezes por semana, por horas e horas. Sem pausa, sem descanso. Não tinha férias, não tinha feriado. Natal, Ano Novo, não importava. Se tinha sessão, eu tinha que estar lá. Eu não tinha outra opção. Eu não tinha escolha. Se eu não fosse, eu morria.

Quando eu comecei a imodiálise, eu também comecei a fazer os exames para tentar um transplante. Minha mãe foi a primeira a tentar e ela até era culpatível. Mas aí, pela idade, o rim dela já não estava em boas condições e não seria seguro nem para ela e nem para mim.

As minhas irmãs também fizeram os exames, mas em todas apareceu algum tipo de problema. Inclusive, foi assim que a gente descobriu que o problema renal era coisa de família. Com o passar dos anos, eu fui me apegando cada vez mais a Deus. Era isso que me sustentava. A certeza de que, independente da batalha, Ele estaria comigo, cuidando de mim, da minha família também. A minha fé foi muito testada nesse tempo todo.

Mas foi também na igreja que eu encontrei força, discernimento e aprendi a permanecer. Porque no fim, é a fé que sustenta a gente quando todo o resto faz.

Foram nove anos. Nove anos assim. Nove anos dependendo de uma máquina para continuar viva. Nove anos de hemodiálise. Você tem ideia disso? Nove anos em que três vezes por semana eu tinha que parar tudo por horas para fazer sessões. Nove anos sem saber até quando meu corpo ia aumentar.

Nove anos só. Só esperando. Foi assim que eu segui. Uma vida muito dura, muito difícil, muito sofrida. Mas eu segui. Segui com o meu foco nos meus filhos e em Deus. Com o tempo, eu deixei de esperar por um transplante e simplesmente aceitei que aquela seria a minha vida. E a minha luta pra sempre. Só que Deus... Tchau.

Às vezes prepara caminhos que a gente nem imagina. Eu confesso que no começo não gostei do que minha mãe fez, não. Mas mãe é mãe, né? Não importa o tamanho dos filhos, mãe sempre faz de tudo por um. E minha mãe, sem me contar, foi atrás de uma solução. Cansada de me ver passar por aquilo tudo há quase uma década, um dia ela pediu pro meu sobrinho fazer os exames de compatibilidade. Ele aceitou. Aceitou de coração mesmo.

Amor, vem cá. Que cara é essa? Eu consegui, Marcílio.

Eu consegui um doador. O quê? Como assim? Quem? Meu primo, ele fez os exames e deu certo, deu certo. Tá falando sério? Eu não sei nem o que dizer. Eu já tinha desistido, sabe? De verdade, eu achei que isso nunca ia acontecer. Eu achei que ia morrer. Tentando e tendo que fazer mundialis até o último dia. Mas aconteceu, tá vendo? Tá vendo? A gente chegou até aqui. Você venceu, Elisete. Você venceu.

Hoje eu entendo que tudo aconteceu no tempo de Deus. Eu precisava estar preparada para aquela cirurgia e talvez lá no começo eu não tivesse coragem. Ou nem tivesse a fé que eu precisava ter para passar por tudo aquilo. Eu acredito de verdade que as coisas acontecem no tempo certo. No tempo dele. E hoje eu tenho certeza que por algum motivo eu precisava passar por aqueles nove anos de hemodiálise.

Eu precisava fortalecer ainda mais a minha fé. Eu creio de verdade que foi um milagre porque hoje eu estou bem. Eu estou livre daquela máquina e a vida está em paz. Eu passei por tudo aquilo pelos meus filhos. Eu lutei para ficar com eles e Deus sempre soube o que estava fazendo.

O Miguel entrou na nossa vida quando só tinha dois meses. E com o tempo eu fui entendendo que ele também fazia parte desse propósito.

Ele é filho de uma trima minha e quando chegou até mim, nem registro ele tinha. Eu comecei ajudando como dava, fui acompanhando, apoiando, até que a gente conseguiu regularizar a situação dele, pelo menos no nome dela. Mas ela estava numa situação tão difícil, morando na casa do meu tio, num quarto pequeno, com banheiro, dividindo espaço com o avô.

Com quatro meses, o Miguel já era muito apegado a mim. Ele passava a ir cada vez mais pra minha casa, ficava comigo e depois ela vinha buscar.

Só que com o tempo, isso foi mudando. Às vezes, ela demorava dias para aparecer. Outras vezes, meses. E o Miguel foi ficando e foi crescendo ali com a gente. Até que chegou um momento em que, quando ela vinha buscá-lo, ele já não queria mais ir embora. Ele ficava agarrado em mim como se já soubesse onde era o lugar dele. Hoje ele está com oito anos e não abre mão de ficar com a gente.

Minha prima até já tentou levá-lo de volta, mas ele nunca quis. E no fundo, ela também nunca assumiu totalmente essa responsabilidade. O Miguel é uma criança intensa, arteira, mas que precisa, acima de tudo, de atenção e carinho por tudo que já viviam. Mas eu sei que Deus sabia exatamente o que estava fazendo, porque o Miguel não é só parte da minha história. Ele é meu filho, nosso filho.

Deus esteve comigo em todo o caminho. E mesmo quando eu achei que não ia conseguir continuar, foi Ele quem me sustentou. Ele esteve ao meu lado, assim como esteve com Jesus no Monte das Oliveiras, até o último instante. E hoje, quando eu olho para trás, eu entendo que nenhuma dor foi, Ivan. Cada lágrima, cada medo, cada noite difícil, tudo tinha um propósito. Porque assim como na cruz, parece o fim.

Mas nunca é. Sempre existe um recomeço. E foi isso que eu vivi. Hoje, mais do que nunca, eu entendo o verdadeiro sentido desse tempo. A dor existe, mas a ressurreição também. E é isso que fica. Que nos últimos dias honremos o que Jesus fez por nós. E continuemos reunidos com um propósito maior.

o amor por nossas famílias e de Deus por nós. E que nesta Páscoa a gente nunca se esqueça que mesmo depois dos dias mais escuros, a vida sempre encontra um jeito de recomeçar.

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