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Serotonina - Qual Fármaco Age em Cada Receptor? - Parte 06 - Episódio 964

02 de agosto de 202614min
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Essa talvez seja a parte mais importante desse assunto para você que desde então tem acompanhado o estudo de serotonina comigo. Sei que estava ansioso por isso, portanto, se prepare e vem ser feliz!!

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Participantes neste episódio1
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Lucas Carvalho Rezende

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Assuntos3
  • Teoria das Monaminas e a Hipótese da SerotoninaFluoxetina (SERT, 5-HT2C) · Sertralina (SERT) · Paroxetina (SERT, anticolinérgico, sedativo) · Escitalopram (SERT, ISRS seletivo) · Vortioxetina (multimodal: SERT, 5-HT1A, 5-HT2A, 5-HT3, 5-HT7) · Mirtazapina (5-HT2A, 5-HT2C, 5-HT3) · Trazodona (SERT leve, 5-HT1A, 5-HT2A, 5-HT2C) · Buspirona (5-HT1A)
  • Receptor de Serotonina 5-HT3Famílias de receptores (5-HT1 a 5-HT7) · Receptor 5-HT3 como canal iônico · Receptores acoplados à proteína G
  • Quetiapina e OndansetronaQuetiapina (5-HT1A, 5-HT2A, 5-HT7) · Ondansetrona (5-HT3)
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LCLucas Carvalho Rezende

Oi, tudo bem? Tudo tranquilo comigo? Tá tudo ótimo. Espero que você esteja bem, toda sua família esteja bem. Se eu não me engano, estamos falando sobre serotonina, não é mesmo? Hoje eu quero continuar esse assunto com você. Meu nome é Lucas e esse é o Consegue Me Explicar? Antes de mais nada, eu gostaria de fazer aquele convite de sempre: se você ainda não segue o Consegue Me Explicar aqui no Spotify, no CastBox, por favor curte e segue.

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A serotonina recebe aquele nome científico de 5-hidroxitriptamina, daí o motivo do acrônimo 5-HT, e ela é sintetizada a partir do aminoácido triptofano lá nos neurônios do núcleo da rafe, que estão presentes no tronco encefálico. Sabemos além disso que a serotonina é, que existem 14 subtipos de receptores serotonina em 7 famílias diferentes, que vão de 5-HT1 até 5-HT7. E temos sempre que lembrar aquele detalhe: o receptor 5-HT3, ele é o único que funciona como canal iônico.

Todos os outros receptores são acoplados a proteínas G. Sabemos disso, proteínas G inibitórias, estimulatórias e excitatórias. Tudo isso a gente já vem falando. Inclusive, no último episódio, a gente abordou até um pouquinho sobre o SERT. Lembra do SERT? Ah, Lucas, eu me recordo. O SERT, ele não é um receptor e nem é acoplada à proteína G. O SERT não é um receptor e nem é acoplado à proteína G. O SERT não é receptor nem acoplado à proteína G.

Afinal, ele é o transportador de serotonina, ele é uma bomba de recaptação. Inibir, bloquear o SERT é aumentar serotonina na fenda sináptica. A gente sabe disso. Tá na hora de evoluir o nosso raciocínio um pouco e falar um pouquinho mais de fármacos em si. Eu quero que você entenda um pouquinho do fármaco e onde que ele vai estar atuando. Beleza, tranquilo, certo. Lucas, vamos começar pelo qual? Pelo clássico que você muitas vezes prescreve no seu postinho, na sua unidade de básica de saúde, a famosa fluoxetina.

A fluoxetina atua bastante no SERT, atua bastante no SERT. Então, se ela bloqueia o SERT, ela aumenta a concentração de serotonina na fenda sináptica. Então ela tem alta afinidade em bloquear o SERT. Além disso, a fluoxetina ela também antagoniza 5-HT2C, ela antagoniza o receptor 5-HT2C. O receptor 5-HT2C, que caso você não se esqueça, não se lembre, ele está localizado no hipotálamo e também no córtex pré-frontal, e está associado a uma proteína G excitatória, e o antagonismo do receptor 5-HT2C gera um aumento de dopamina e noradrenalina cortical, gerando um efeito antidepressivo.

No entanto, ela também acaba aumentando o apetite. Consequentemente, o meu paciente vai acabar ganhando peso. Então, o perfil resultante do acometimento de fluoxetina inserte e antagonismo de 5-HT2C é um efeito de um inibidor seletivo da recaptação de serotonina ativador, além de um aumento de dopamina e noradrenalina por meio da via 5-HT2C, gerando um efeito antidepressivo. Beleza, tranquilo. Lucas, me conta mais. E a sertralina?

A sertralina, ela é muito legal. A sertralina, ela atua apenas principalmente na questão do SERT. A sertralina atua no transportador de serotonina, ela bloqueia esse transportador de serotonina, aumentando a concentração de serotonina na fenda sináptica. Logo, a sertralina É um inibidor seletivo da recaptação de serotonina limpo, limpo. Ela só inibe a recaptação. A gente sabe que ela só inibe essa recaptação de serotonina aumentando o bem-estar.

É sabido também que ela inibe um pouco da recaptação de dopamina, mas de forma bem leve, fique tranquilo. Temos também a paroxetina. A paroxetina, ela também atua como um bloqueador do transportador de serotonina, ou seja, ela aumenta a concentração de serotonina na fenda sináptica. A paroxetina ela tem uma boa afinidade, assim como a fluoxetina e a sertralina, em bloquear esse SERT. Ela é um ISRS, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, mas também gera um efeito anticolinérgico leve e um efeito também sedativo.

Por isso, muitas das vezes a paroxetina ela é prescrita pela noite, já que seu paciente pode apresentar episódios de sono. Mas ela não mexe muito nos outros receptores. Temos que pensar em paroxetina em relação ao SERT. Paroxetina tem que pensar no SERT. Lucas, e o escitalopram? O escitalopram, meu amigo, ele atua também no SERT, assim como a fluoxetina, sertralina, paroxetina, ele tem uma boa afinidade com SERT e acaba bloqueando esse.

Só que o escitalopram, ele é um ISRS, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, mais seletivo. Ele é mais seletivo, consequentemente ele vai ser melhor tolerado pelo paciente. Então às vezes aquele paciente que pode apresentar efeitos gastrointestinais, o escitalopram é uma medicação que vem super bem em razão disso. Agora, Temos uma medicação que ela é multimodal, multimodal. Estou falando da vortioxetina. A vortioxetina ela tem uma afinidade com o SERT, mas menor que todas essas moléculas que eu te falei.

A vortioxetina tem uma afinidade com o SERT, mas menor que todas essas outras medicações que eu te falei. E ela vai atuar de forma diferente em vários receptores de serotonina. Primeiro de tudo, ela vai fazer um agonismo parcial em 5-HT2A. 5-HT1A. Ela faz um agonismo parcial de 5-HT1A. Ela faz um agonismo parcial de 5-HT1A. Lucas, muito legal, muito legal. Ele é parcial? É parcial, sim. Ela faz um agonismo parcial. E o que que eu tenho que pensar nisso?

Se ela faz um agonismo parcial, eu tenho que ficar de olho porque ela pode dar um efeito ansiolítico, antidepressivo, pró-cognitivo. Sim, pode fazer isso, pode fazer isso, porque ela estaria pegando qual parte do 5-HT1A? O pós-sináptico, o pós-sináptico que tá acoplado a uma proteína G inibitória, quando você faz um agonismo desse, você aumenta o efeito ansiolítico, antidepressivo e procognitivo. Sim, perfeito. Só que 5-HT2A, ela faz um efeito antagonista. 5-HT2A faz um efeito antagonista.

O que que antagonizar 5-HT2A vai fazer? Antagonizar 5-HT2A, que é um receptor serotoninérgico acoplado a proteína G excitatória, ligado ao córtex pré-frontal, ao córtex visual e estriado, faz a liberação de dopamina. Se libera mais dopamina nessa região, diminui efeitos extrapiramidais, melhora a cognição e melhora o sono profundo do paciente. Olha que coisa legal! A vortioxetina só pega coisas legais na nossa cabeça. Pega também 5-HT2A com antagonismo desse.

Só que também a vortioxetina é capaz de mexer lá em 5-HT3. 5-HT3 é um receptor serotoninérgico. O quê? Acoplado à proteína G? Não, é um receptor serotoninérgico canal canal iônico. 5-HT3 é um receptor serotoninérgico canal iônico, é um receptor serotoninérgico canal iônico, e atua como antagonismo, antagonista desse receptor canal iônico. E 5-HT3 está presente em área póstrema e no nervo vago. Antagonizar 5-HT3 é o mesmo que o quê?

É o mesmo que o quê? Efeito antiemético e também um efeito possível pró-cognitivo. Perfeito, adorei essa molécula. Mas 5-HT3 mais vortioxetina tão bom, tão bom também, meu amigo, que ela pega até 5-HT7. E antagonizar 5-HT7, que está acoplada a uma proteína G estimulatória, e esse 5-HT7 está presente no hipotálamo, no núcleo supraquiasmático, hipocampo. Antagonizar 5-HT7 acoplada a uma proteína G estimulatória é o mesmo que melhorar o sono, normalizar o ciclo circadiano e gerar um possível efeito antidepressivo.

Por isso a vortioxetina é uma medicação multimodal pró-cognitiva, muito legal. Lucas, amei, adorei essa molécula. Sim, ela é muito legal e é por isso que ela é cara, mas ela não é assim para todo mundo não. Cada um tem suas indicações por aqui, a gente tem que lembrar disso. Então a vortioxetina tem esse efeito muito legal em vários receptores? Tem. Temos que ter cuidado com ela? Temos, porque tem que pensar no paciente correto para ela.

Mas de forma analítica, farmacológica, é uma medicação linda, muito interessante. Temos também a mirtazapina. A mirtazapina ela não mexe no CERT, tá? Fica tranquila, não encosta no CERT nem encosta em 5-HT1A, ela encosta em quem? A mirtazapina, ela faz um antagonismo de 5-HT2A, 5-HT2C e 5-HT3. Opa, pera aí, Lucas, antagonizar 5-HT2A, antagonizar 5-HT2A é o mesmo que liberar dopamina, melhorar efeito, efeitos extrapiramidais e melhorar o sono profundo.

Perfeito, adorei. Mirtazapina mexe no sono. Opa, mexer em 5-HT2C 2C é aumentar dopamina e aumentar, e aumentar o nível de noradrenalina cortical. É efeito antidepressivo, mas consequentemente aumenta a fome, porque 5-HT2C, eu vou lembrar do C de comida. Quando eu antagonizo o C de comida, eu tenho mais fome, eu fico com meu apetite elevado. E antagonizar 5-HT3 é o quê? Melhorar o efeito antiemético e também um possível efeito pró-cognitivo.

A mirtazapina é um NASA que aumenta o apetite. Que aumenta o apetite, que é sedativo e que é antiemético. Temos também a trazodona. A trazodona, de forma leve, ela acaba bloqueando um pouquinho da SERT, do transportador serotonina e melatonina, e melhorando a concentração de serotonina na fenda sináptica. É um efeito, é um efeito leve, mas existe. Além disso, a trazodona faz um efeito também de agonista parcial de 5-HT1A, assim como quem?

A vortioxetina. A trazodona então ela faz um efeito leve na SERT, um efeito de agonista parcial em 5-HT1A, faz um efeito de antagonista forte em 5-HT2A. Antagonista forte de 5-HT2A. Opa, antagonizar de forte, de forma forte, 5-HT2A é pensar em receptores acoplados à proteína G excitatória que estão presentes no córtex pré-frontal, córtex visual e estriado. Ou seja, liberar dopamina, melhorar sono profundo, melhorar efeitos extrapiramidais, vai diminuir isso, melhorar cognição.

A trazodona mexe muito nesse 5-HT2A. 2A, mexe muito. Logo também ela é capaz de antagonizar 5-HT2C, ela também antagoniza 5-HT2C. Logo a gente tem que pensar o quê? Que o perfil resultante da trazodona é um remédio hipnótico em dose baixa, e em alta dose ele tem um efeito antidepressivo. Beleza, tranquilo, sossegado. Lucas, adorei, adorei, muito legal, muito interessante. Temos que pensar também na buspirona. A buspirona ela vai mexer em 5-HT1A, Ela vai ser um agonista parcial de 5-HT1A, logo ela vai ser vista como um ansolítico puro sem gerar uma sedação no paciente.

A questão ruim da buspirona é que ela tem uma posologia não tão legal, você tem que dar ela, por exemplo, de 8 em 8 horas para ficar melhor para o seu paciente. A posologia dela é essa. Então a buspirona atua em 5-HT1A de forma como um agonista parcial, ela é ansolítico puro sem sedação. Temos também a quetiapina, que a gente vai ter uma aula dela mais para frente, a sós. A quetiapina ela atua como agonista inibição parcial de 5-HT1A, principalmente por conta do seu metabólito ativo, que é a norequetiapina.

Ela atua como antagonista forte de 5-HT2A, atua como antagonista de 5-HT2E, e atua também como antagonista de 5-HT7. Lucas, muito legal, me lembrou muito a vortioxetina. Ela lembra um pouco a vortioxetina, mas a quetiapina ela tem uma capacidade que quanto maior a dose ela vai ter uma mudança no seu perfil. Ela tem um efeito, por exemplo, na dopamina chamado hit and run. Ela encosta o receptor dopamina e sai. Então você tem que aumentar as concentrações dela para ela mexer bastante em dopamina, por exemplo, tempo, mas a gente vai vir abordar isso.

A quetiapina, você vai perceber então, por meio dessas alterações nos receptores serotoninérgicos, que ela tem um efeito antipsicótico, efeito antidepressivo e efeito ansiolítico. Isso é muito legal. E a quetiapina é um daqueles remédios que, assim, quanto maior a dose, mais diferente vai ser o seu efeito. Em dose baixa tem uma dose mais sedativa, em dose intermediária tem um efeito mais estabilizador de humor para antidepressivo, em dose muito alta ela tem um efeito mais antipsicótico.

Antiemético. Beleza, tranquilo. Temos também, podemos falar também da questão da ondansetrona, o famoso Vonau. Lucas, o Vonau que mexe no vômito? Se eu quero mexer em vômito, eu vou mexer no canal iônico. Canal iônico esse que é o 5-HT3. Ele tem um antagonismo forte 5-HT3, ele é um antiemético puro. Muito legal, gosto muito desse. Podemos mencionar também, só a partir de curiosidade, um que fala daqueles receptores que estão em ascensão, aqueles receptores que estão em crescimento.

Podemos falar do Lamistidam, que tá relacionada ao 5-HT1F, que é acoplado a uma proteína G inibitória. E ele vai estar mexendo, claro, naqueles pacientes com enxaqueca sem vasoconstrição, que a gente tem que pensar nesses. Beleza, tranquilo. Em relação a esse estudo básico de algumas moléculas sobre elas e seus receptores de serotonina, era isso que eu ia falar com você. Reforço, se você ainda não consegue explicar aqui no Spotify, na caixa de box, por favor, curte e Basta clicar no botãozinho de seguir para você tá recebendo todo domingo 3 novos episódios desse que é o seu, o meu, o nosso podcast.

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