Serotonina - A Regra de Ouro Agonismo vs Antagonismo em Cada Tipo de Proteína G - Parte 02 - Episódio 960
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Bom dia, tudo bem? Te falar, hoje chegamos ao episódio 960, ou seja, estamos próximos ao episódio mil!! Que loucura pensar nisso, sequer sei se conseguirei alcançar essa marca, mas tenho muito orgulho de tudo que já fiz. O podcast não me gerou o retorno financeiro, mas a vida esta muito além disso e eu já sou muito grato!! Obrigado pela confiança!!
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- Teoria das Monaminas e a Hipótese da SerotoninaProteína G inibitória · Proteína G estimulatória · Proteína G excitatória · Receptor 5-HT3 (canal iônico) · Agonismo vs Antagonismo
- Agonismo e Antagonismo em Proteínas GProteína G inibitória (agonista/antagonista) · Proteína G estimulatória (agonista/antagonista) · Proteína G excitatória (agonista/antagonista)
- Receptor 5-HT3 Canal Iônico· CienciaAgonismo em receptor canal iônico · Antagonismo em receptor canal iônico · Ondansetrona (antiemético)
Oi, tudo bem? Tudo tranquilo? Comigo tá tudo ótimo. Espero que você esteja bem, toda sua família esteja bem. Se eu não me engano, estamos falando sobre serotonina, não é mesmo? Hoje eu quero continuar esse assunto com você. Meu nome é Lucas e esse é o Consegue Me Explicar? Antes de mais nada, eu gostaria de fazer aqueles convites, hein? Se você ainda não segue Consegue Me Explicar aqui no Spotify, no CastBox, por favor, cogite seguir.
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A serotonina, que recebe um nome muito chique, um nome farmacológico, ela é a 5-hidroxitriptamina, que é o 5-HT, e ela é sintetizada a partir do aminoácido triptofano, que tá presente nos neurônios do núcleo da raphe, que compõe o tronco encefálico. Existem 14 subtipos de receptores em 7 diferentes famílias. Essas famílias vão de 5-HT1 até 5-HT7. E lembramos uma coisa, um detalhe especial. O receptor 5-HT3 é o único que funciona como canal iônico.
Todos os outros receptores vão estar acoplados a proteínas G. E estamos falando de proteína G. No último episódio a gente abordou um pouquinho mais sobre as proteínas G que a gente tem. Existe proteína G inibitória, estimulatória e excitatória. Hoje eu quero continuar um pouco desse raciocínio com você sobre a proteína G para você entender depois melhor sobre o funcionamento de cada subtipo, de cada família relacionado à serotonina.
Então é importante ter bem esse raciocínio sobre as proteínas G para que você entenda o que você está lidando e o que você vai fornecer para o seu paciente como terapêutica. E evoluir no raciocínio sobre serotonina é lembrar de uma regra de ouro em entender o que que é agonismo e antagonismo em cada tipo de proteína G. Temos que lembrar essa regra de ouro, é muito importante a compreensão do que é agonismo ou antagonismo em cada tipo de proteína G acoplada ao seu determinado receptor.
Sabendo qual proteína G está acoplada ao seu receptor, você, meu querido, vai ser capaz de deduzir o efeito de qualquer fármaco com apenas duas perguntas. E essas duas perguntas devem ser seu mantra daqui em diante quando você pensar em serotonina e os receptores acoplados à proteína G, que são todos menos os 5-HT3, porque o 5-HT3 funciona como um canal iônico. Lembre-se disso. Lucas, quais são as duas perguntas de ouro as quais eu devo decorar, as quais eu devo sempre me questionar diante da serotonina E os receptores acoplados à proteína G.
A primeira pergunta é saber: o receptor que a gente tem de serotonina, ele tá acoplado a uma proteína G inibitória, excitatória ou estimulatória? Qual que é a proteína G ligada a esse meu receptor? É uma proteína G inibitória, estimulatória ou excitatória? Opa, pergunta de ouro! E qual que é a segunda pergunta? A segunda pergunta depende muito de uma questão sua, que é: o fármaco que você vai utilizar é um fármaco que agoniza, ou seja, estimula, ou é um fármaco que antagoniza?
Ou seja, bloqueia esse receptor? Essas duas perguntas são as perguntas-chave e o nosso mantra do raciocínio do episódio de hoje. Primeira pergunta: temos um receptor serotoninérgico, esse receptor serotoninérgico tá acoplado a uma proteína G. Proteína G, essa, ela é inibitória, estimulatória ou excitatória? Pergunta número 1. Pergunta número 2: vou fornecer um fármaco para esse meu paciente, esse fármaco fornecido é um fármaco que antagoniza, ou seja, ele bloqueia esse receptor, é um fármaco estimulante?
Esse receptor? Então temos essas duas perguntas. Lucas, adorei, gostei. Vamos me dar exemplo? Vamos sim. Primeiro de tudo, você está diante de um receptor de proteína G inibitório, e agora você vai fornecer, você vai ofertar um agonista desse receptor, um fármaco que estimula. Se o fármaco estimula a inibição, ele ativa a inibição, logo a célula desacelera, tem menos disparo, logo menos liberação de neurotransmissores. Um exemplo é, por exemplo, 5-HT, que ativa 5-HT1A pré-sináptico.
O neurônio para de disparar e logo tem menos serotonina liberada. Então, quando você agonizar um receptor acoplado à proteína G inibitória, você ativa a inibição. Logo, a célula desacelera, tem menos disparos, logo menos liberação de neurotransmissores. Um exemplo é o 5-HT1, que ativa o receptor 5-HT1A pré-sináptico, libera o neurônio, acaba liberando, neurônio para de disparar e liberando menos serotonina. Só que agora você deu um outro fármaco, um fármaco diferente, um fármaco que é capaz de antagonizar esse receptor acoplado à proteína G inibitória.
Se você antagoniza a inibição, você remove a inibição, você bloqueia a inibição. Consequentemente, a célula é capaz de acelerar. A desinibição é o equivalente a pensar em maior atividade celular. Um exemplo é bloquear 5-HT1A pré-sináptico. O neurônio perde o freio, consequentemente ele dispara mais, logo tem mais serotonina nessa fenda sináptica pro meu paciente. Perfeito, entendemos tudo sobre o receptor acoplado à proteína G inibitória e um fármaco agonista ou antagonista fazendo efeito sobre esse.
Agora a gente vai pensar no diametralmente oposto a isso, que é o receptor acoplado à proteína G estimulatória. Se você dá um agonista a esse receptor, você acaba aumentando, você ativa o estímulo, logo a célula acelera, tem mais disparo e mais atividade. Um exemplo é o 5-HT, que ativa 5-HT7, o neurônio se excita, consequentemente você modula o ritmo circadiano. Então quando você agoniza um receptor acoplado à proteína G estimulatória, você ativa a estimulação, a célula acelera, tem mais disparo, mais atividade.
Logo, a gente tem que pensar maior ativação. A gente tem que lembrar um exemplo, que é o 5-HT, que ativa 5-HT7, que é um neurônio que se excita modulando o ritmo circadiano. Se você, por exemplo, antagoniza um receptor acoplado à proteína G estimulatória, você remove a estimulação, a célula desacelera, tem menos atividade naquela via. Como, por exemplo, ao bloquear 5-HT7, você reduz a excitação circadiana, consequentemente você acaba melhorando o sono do seu paciente.
Por isso que você bloquear um receptor acoplado à proteína G ligado a 5-HT7, você acaba reduzindo a excitação circadiana, consequentemente melhorando o sono do seu paciente. Interessante, não é? Por isso que você tem que saber o fármaco que está utilizando, porque se você dá um fármaco agonista querendo procurar o sono, por exemplo, nesse quadro, desse exemplo do 5-HT7, você não vai encontrar isso, você vai modular o seu ritmo circadiano.
Mas se você pensa em dar um fármaco que antagoniza esse receptor ligado à proteína G estimulatória, você acaba melhorando o sono do seu paciente. Lucas, adorei entender sobre proteína G acoplada ao receptor, acoplada à proteína G inibitória, acoplada à proteína G estimulatória. Eu quero saber agora sobre a excitatória, como é que funciona? Você vai estar diante então de um receptor acoplado à proteína G excitatória e você vai dar um fármaco que agoniza o receptor Logo você ativa a excitação.
Repare, excitação e estimulação são palavras diferentes, tudo bem? Logo a célula se excita mais. O que significa? Isso significa mais íon, mais íon cálcio, mais glutamato, mais contração. Glutamato esse, caso você não se recorde, é o principal neurônio, desculpa, é o principal neurotransmissor excitatório. Então se você dá um fármaco que agoniza um receptor acoplado à proteína G excitatória, você ativa a excitação, você excita mais a sua célula.
A célula se excita mais, libera mais cálcio, libera mais glutamato, tem mais contração celular. Um exemplo é o 5-HT, que ativa 5-HT2A, que vai aumentar o aumento de glutamato cortical e a inibição de dopamina. Logo, você vai ter alucinações visuais, o paciente vai ter aquelas questões psicodélicas dele. Interessante, não é? Muito interessante. Lucas, então eu tenho que pensar o seguinte: se eu dou um fármaco agonista de uma proteína, de um receptor acoplado à proteína G excitatória, eu tenho que pensar aumento de excitação.
Aumento de excitação é aumento aumento da liberação de cálcio, é aumento da concentração de glutamato, é aumento da contração, é contração muscular e neuronal. A gente tem que pensar o quê? Por exemplo, o 5-HT, que ativa 5-HT2A, que aumenta glutamato cortical, inibe dopamina, logo alucinações visuais psicodélicas nesse paciente. Beleza, tranquilo. E se eu der um fármaco que antagoniza um receptor acoplado à proteína G excitatória, que vai acontecer?
Você remove a excitação, a célula consequentemente ela se acalma, tem menos cálcio, tem menos glutamato. Tem menos glutamato, é bom? Claro que é. O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório. Tem menos glutamato, você fica mais tranquilão. Um exemplo é que ao bloquear 5-HT2A, você solta dopamina no estriado e no córtex pré-frontal. Consequentemente, você tem menos efeitos extrapiramidais, tem menos SEPs. Por isso que é um efeito de ação muito utilizado com quais?
Com os antipsicóticos atípicos, meu amigo, os antipsicóticos atípicos. Então você diminui aqueles efeitos das síndromes extrapiramidais. Beleza, tranquilo, né? Lucas, adorei como que funciona o raciocínio sobre acoplar da proteína G excitatória, inibitória e estimulatória. Mas vai ficar um órfão, não vai? Vai ficar um órfão porque tem a ver com 5-HT3, porque ele é o único associado a receptor canal iônico. Vamos pensar agora também sobre esse?
Claro que vamos. Se eu forneço um fármaco que agoniza um receptor de canal iônico, o que acontece? Um fármaco que agoniza um receptor de canal iônico, qual que é o receptor de canal iônico que a gente tem que lembrar aqui na serotonina? 5-HT3, 5-HT3, 5-HT3, 5-HT3, 5-HT3 é um receptor canal iônico. 5-HT3, eu tenho que lembrar desse de maneira muito adequada porque é o único que funciona como canal iônico. Beleza, tranquilo, né?
Então dei um fármaco, um fármaco agonista em um receptor canal iônico. O que vai acontecer se você vai agonizar um receptor canal iônico? Você vai abrir o canal. Se abre o canal, tem entrada de íons. Isso faz uma despolarização mais rápida. Então, por exemplo, 5-HT, ele ativa 5-HT3. Isso faz um sinal mais rápido no nervo vago. Consequentemente, o meu paciente vai ter náuseas e vômitos. Ruim, não é? Terrível. Então, se eu fizer um antagonismo, Lucas, num receptor canal iônico, o que que vai acontecer?
Eu vou fechar, eu vou bloquear o canal. Consequentemente, entra menos íons, logo impede a despolarização. Se impede despolarização, você vai melhorar, vai melhorar sim o paciente. Por exemplo, a onda cetrona, ela bloqueia 5-HT3. Por quê ela bloqueia 5-HT3? Porque há uma questão relacionada a um canal iônico, isso impede, por exemplo, o sinal do vômito. Logo, a onda cetrona, ela é um antiemético. Por isso 5-HT3 está relacionado, por exemplo, a questão da êmise.
Muitas vezes você toma alguns fármacos pensando em tirar a êmise porque tá relacionado a esse receptor serotoninérgico. Receptor serotoninérgico que é o único que age, que atua como canal iônico. Beleza, tranquilo. Então aqui a nossa regra de ouro: que agonizar um receptor acoplado à proteína G inibitória é inibir a célula. Já antagonizar um receptor acoplado à proteína G inibitória é desinibir a célula, ou seja, facilitar. Vamos lá: agonizar um receptor acoplado à proteína G é inibir a célula.
Antagonizar um receptor acoplado à proteína G é o quê? É desinibir a célula, é facilitar. O que que a gente tem que pensar no contrário? Agonizar um receptor acoplado à proteína G estimulatória ou proteína G excitatória é aumentar a energia da célula, é excitar a célula. Antagonizar um receptor acoplado à proteína G estimulatória ou excitatória é reduzir a excitação. Essa lógica se aplica a qualquer receptor metabotrópico do corpo, não apenas receptores serotoninérgicos.
Lembre-se das duas perguntas: esse meu receptor é acoplado a qual tipo de proteína G? Segundo, esse meu fármaco vai antagonizar ou agonizar esse meu receptor acoplado à proteína G? Isso, pergunta, é de ouro, é perfeito. Beleza, tranquilo. Então lembre-se disso, meu amigo: bloquear uma inibição é o mesmo que estimular, e bloquear uma excitação é o mesmo que inibir. 2 negativos viram 1 positivo. É a álgebra farmacológica em detalhes para você.
Beleza. Tranquilo em relação a essa parte do estudo da serotonina. Era isso que eu ia falar com você. Reforço, se você ainda não segue o Consegue Explicar aqui no Spotify, no Cashbox, por favor, cogite seguir. Basta clicar no botãozinho seguir para você estar recebendo todo domingo 3 novos episódios desse que é o seu, meu, o nosso podcast. Além disso, gostaria de convidar você também a estar seguindo o nosso Instagram. O Instagram do nosso canal é o @consegueexplicar.
Claro, tiver interesse, não deixa de compartilhar com todos os amigos e também de avaliar a gente no Spotify. Tem como você avaliar com até 5 estrelinhas. E deixando essas 5 estrelinhas, você vai estar ajudando e muito na manutenção do meu trabalho. E por favor, na descrição de todo episódio tem um Linktree. Clique nesse e depois clique no LivePix. Vai aparecer um QR code na sua tela que você pode estar escaneando com a câmera do seu celular e assim ajudando financeiramente na manutenção desse meu trabalho.
E por favor, caso queira, há também a nossa chave Pix. A chave Pix do canal é o consegue-me-explicar@hotmail.com. Muito obrigado por tudo, espero ter te ajudado. Eu não consigo não falar de serotonina sem explicar esse básico. É um problema para mim. Por quê? Porque eu acho que é muito fácil falar que entende serotonina, que entende fármacos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, sem entender essa parte. Você não entendeu sobre os fármacos em si, você decorou.
Aqui a gente tá buscando entender sobre os fármacos, e para entender sobre fármacos é necessário voltar ao alicerce de toda farmacologia, que é o básico da farmacologia, e a compreensão desses componentes difíceis e muitas vezes negligenciados. Por nós alunos, por nós residentes de psiquiatria ou por nós mesmos psiquiatras. Um grande beijo no seu coração, fique bem, valeu, falou e fui!