#666: Qual o maior erro no fracasso do Brasil? Futuro da seleção brasileira com Ancelotti
Eduardo Tironi, Arnaldo Ribeiro, Mauro Cezar, Juca Kfouri, Danilo Lavieri, Casagrande e PVC debatem os reflexos da derrota do Brasil para a Noruega, qual o maior erro da seleção brasileira, o trabalho de Ancelotti e a projeção do futuro após o fracasso na Copa do Mundo
Arnaldo Ribeiro
Casagrande
Danilo Lavieri
Juca Kfouri
Mauro Cezar
PVC
- Campeonato Brasileiro de FutebolAnálise da eliminação brasileira · Pior campanha desde 1966 · Comparação com outras seleções · Críticas ao trabalho de Ancelotti · O papel de Neymar na derrota · Desempenho de Haaland · Abdicação da posse de bola
- Análise do Trabalho de AncelottiAvaliação do ciclo de Ancelotti · Proposta de jogo inadequada · Convocação de Neymar · Decisões táticas durante o jogo · Renovação de contrato
- Bruno GuimarãesDecisão sobre o batedor de pênalti · Comparação com Zico e outros jogadores · Habilidade de Vinícius Júnior em pênaltis · Falta de iniciativa e intuição dos jogadores
- Pressão sobre a Seleção BrasileiraFormação de novos jogadores · Falta de laterais e meio-campistas · Necessidade de reconstrução profunda · Identidade de jogo do Brasil · Jogadores para o próximo ciclo
- Desempenho das seleçõesOrganização da Inglaterra · Desempenho da Argentina · Trabalho de técnicos estrangeiros · Identidade de jogo de outras seleções
- CBF e escândalosCríticas à administração da CBF · Influência política na CBF · Contratação de técnicos · Falta de desenvolvimento do futebol de base
- Jornalismo EsportivoValorização do futebol ruim · Influência de influenciadores · Jornalismo vs. imagem dos jogadores
- Outros jogos brasileirosEstatísticas de posse de bola · Desempenho dos jogadores · Estratégia de jogo da Noruega
Muito bom dia, está no ar o Posse de Bola desta segunda-feira. Posse de Bola da ressaca da eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Teve a classificação heroica da Inglaterra também na noite de ontem. E hoje tem jogões pela frente. Peço desculpas que a gente entrou um pouquinho atrasado, mas aqui estamos. E lá vamos lá, lá vamos nós para os destaques. Estou aqui acompanhado de Arnaldo Ribeiro, Juca Kifuri, e time reforçado nos Estados Unidos: Casa Grande, Mauro César, Danilo Laviere e PVC. Vamos aos destaques. Começar com você hoje, Juca. Bom dia.
Bom dia. Tem uma boa notícia para você, âncora, para o seu pachequismo e para toda a torcida brasileira. Podemos ter Brasil na final da Copa do Mundo. Podemos. Claro que não será o Klaus, devidamente desautorizado por Donald Trump e Gianni Infantino. O Wilton poderia ser, mas acho que ele não tem, vamos dizer, o chamado physique de rôle para apitar uma final. Se bem que o Romualdo Arpifilho não era exatamente um exemplo de beleza masculina, mas temos— não tô provocando, tá bom?
Se você falar no Ramon Abate Abel, vai embora, que é um cara lindo, que é um cara lindo. Vai deixar a torcida do São Paulo indignada, mas Ramon Abate Abel pode estar na final da Copa do Mundo. Aquilo que o Hendrik não fez, Ramon Abate Abel poderá fazer para alegar a grande massa ao Viverde e irritar a massa tricolor de São Paulo.
Danilo Laviere, seu destaque.
Olá, amigos, bom dia a todos. Eu notei ontem, depois de todas as entrevistas, depois que a gente acabou, acabou o posse, aí vendo a coletiva, vendo a zona mista, ouvindo os jogadores, uma tentativa de justificar mais uma eliminação vergonhosa da seleção brasileira na Copa do Mundo com um ciclo ruim. E é verdade, o ciclo foi horrível. A CBF não teve, teve 2 presidentes, o time teve 4 técnicos nessa, nesse período. Mas esse ciclo ele ameniza, mas ele não justifica tudo, que a gente tem vários exemplos para dar de lugares que não tem ciclo bom e que fazem uma Copa do Mundo muito melhor, inclusive com menos talento do que o Brasil.
Então o ciclo, ele ameniza os problemas, mas ele não justifica. Não dá para tentar normalizar como Rodrigo Caetano, Ancelotti e Marquinhos tentaram fazer com a eliminação do Brasil ontem.
Casagrande, seu destaque.
Bom dia, bom dia a todos. Bom, meu destaque é o seguinte: o nosso pomar futebolístico apodreceu. E a única saída é plantar novas árvores, colher novos frutos. E aquelas frutas estragadas que insistirem em permanecer no nosso pomar tem que ser arrancada e jogada fora. Senão, na próxima Copa, nós vamos sair talvez até mais cedo, que nós estamos voltando, né? Hoje é dessa vez foi oitavas, só falta não classificar na primeira fase.
Boa, Mauro César com a gente. Bom dia, Mauro.
Bom dia, bom dia a todos. Bem, eu acho que a gente deveria estender essa reflexão sobre a forma como jogou a seleção brasileira, a rejeição à bola, menor posse de bola em Copa do Mundo desde que a posse passou a ser medida há 60 anos, a realidade dos nossos clubes também, né? Porque se tolera demais no futebol brasileiro técnicos com jogadores muito bons colocando em campo times que jogam por uma bola, pelo saber sofrer, por essas baboseiras que eles repetem há tanto tempo, né?
Só que essa é italiana. Quer dizer, o Brasil, como se não faltassem técnicos com esse tipo de filosofia, digamos assim, aí importou um italiano que colocou a maneira de jogar dele totalmente inadequada, como ficou provado no jogo de ontem mais uma vez.
PVC, bom dia.
Bom dia, deixa eu ver se eu tô aqui. Onde é que eu estou? Onde estou eu? O Brasil já é, já é a pior campanha desde 66, com a vitória da Inglaterra sobre o México, né? Porque o México tem 12 pontos e o Brasil fez 10 pontos. A pior campanha na era moderna do Brasil era 9º lugar. O Brasil confirma com a classificação da Inglaterra. O Brasil tá confirmado com a pior classificação desde 1966, o que nos leva a pensar sobre muito, muita coisa aqui precisa acontecer.
Por exemplo, no Mundial Sub-20, na edição do ano passado, o Brasil ficou em último lugar no grupo que tinha México, Marrocos e Espanha.
Arnaldo Ribeiro, salve, salve, companheiros! Bom, pós-eliminação, felizmente tem outro jogo para a gente observar, e aí o contraste, a irritação fica, ficam mais evidentes, né? Quem assistiu Inglaterra, já que o PVC falou em México, percebe o seguinte: que a equipe inglesa, sempre estigmatizada, tem um 10 espetacular, um 9 espetacular e um técnico estrangeiro que mudou o caráter do time. O Brasil não tem um 10, um 9 e nenhum técnico estrangeiro espetacular que mudou o caráter do time.
Esse é o resumo brasileiro na Copa. Cada seleção que joga e nos convence. A seleção brasileira na Copa do Mundo foi uma enorme decepção, e o Ancelotti também.
Muito bem, ó, temos uma enquete para quem tá nos acompanhando ao vivo. Infelizmente o Tarcísio não tá aqui para elogiar porque ela é muito boa. E a pergunta ainda é sobre a eliminação brasileira, perguntando qual foi o maior erro do Brasil contra Noruega. Foi Neymar entrar e o que significou a entrada dele com substituições, com mudanças de posicionamento de jogadores? Foi o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães? Foi o Haaland ter duas chances livres e pá, vai lá e fizer fazer dois gols?
Ou foi abdicar da posse de bola? O Brasil teve menos posse de bola, muito menos, trocou metade dos passes da Noruega ao longo da partida. Então qual foi o maior erro do Brasil contra a Noruega? Esta é a pergunta da nossa enquete. Tem uma ótima notícia para você, Danilo Lavieira. Seu trabalho está facilitado, facilitado, porque com poucos minutos de programa já estamos quase na audiência bi-brutal. Olha que beleza! Então você pode pedir com tranquilidade o número de likes. Aliás, muito obrigado.
Muito obrigado. Vamos ver se a galera vai topar aí fazer uma homenagem a essa edição do pós-eliminação. Vamos ver se eles chegam a 15 mil likes com a gente então.
Boa, 15 mil likes então é a nossa meta de like para hoje. Estamos aí rumando para audiência bi-brutal muito rápido. Muito obrigado a vocês que estão aqui com a gente. Então faça o seguinte, chamem parentes e amigos para a gente chegar na audiência bi-brutal, mandem mensagens no chat, vote na enquete.
Ontem foi um arraso, né?
Ontem foi um arraso, ontem a gente foi muito bem apesar da eliminação do Brasil. Mandem suas mensagens, a gente vai para um breve intervalo na TV. Você fica aqui falando comigo no chat do YouTube e a gente já volta. Já voltamos. Fala, PVC.
Eu sei que você não gosta que a gente comece a responder a enquete fora da TV, né?
Não, não.
Então não vou responder.
É ótimo.
Ok, não, eu sou um cara obediente. O âncora tá de baixo astral hoje. Tô nada, ele está baixo.
O Roberto diz assim, ó: que diferença entre o jogo do México e Inglaterra para o jogo do Brasil? Inadmissível, time do Brasil lento e sem vontade em campo. Foi uma diferença enorme, né? Dos dois lados e tal, foi outro jogo. O Roger Santos: será que acabou mesmo a era Ney? Torço que tenha acabado. Ele mesmo falou, né?
Também falou que acabou. Galvão Bueno também falou que acabou e todos voltam. Não, eu não tô convencido não. Aquela coisa, sabe aquele ditado? Mata a cobra. Sim, o ditado é dito errado: mata a cobra e mostra o pau. Não, tem que mostrar a cobra morta.
Isso, mostrar.
Porque pode mostrar o cacetete que usou para matar a cobra e não matou a cobra, só mostrou o cacetete. Quero ver a cobra morta. Não, não que eu queira que o Neymar morra, pelo amor de Deus. Eu quero que ele abandone o futebol, desapareça. Do futebol, porque eu amanhã ele faz 3 brilharecos, começa um zum zum dos Neymarzetes e papapá. Olha como ele tá jogando, não tem nenhum brasileiro que jogue tanto quanto ele, tá brilhando lá no Miami ao lado do Messi ou sei lá de quem. Enfim, eu tenho medo.
O Bruno Boleto fala: daqui a 4 anos tem mais, Brasil virou o Bragantino das Copas.
É um pouco, é verdade isso. Aí sim. Aí sim, vamos, vamos começar a repensar o que é o primeiro escalão do futebol mundial, o que é o segundo, o que é o terceiro.
Aqui não há dúvida que o Brasil não é o primeiro escalão.
Já estamos, né, agora sem o Brasil, sem a Alemanha e há muito tempo sem a Itália, sem esses três. São as três maiores decadências do futebol de seleções, né?
É isso.
E o Brasil ainda participa das 4.
E o Uruguai um pouco antes.
É, exatamente.
O MMB fala: nenhuma hegemonia é eterna. A Inglaterra é exemplo de organização e não ganha Copa há 60 anos. Para além dos nossos sabidos problemas, o que há de comum no insucesso de Inglaterra e Brasil? Isso, Inglaterra tá classificada, pelo menos dessa vez, mas acho que o Brasil produz mais jogadores historicamente. Acho que isso não há comparação, né?
Aí depois ele tá se referindo em termos de organização a Premier League, que não é exatamente a mesma coisa que a Federação Beleza de futebol.
Bom, vamos combinar que a atual campeã do mundo é Argentina, que tem o futebol local que é uma zona, um negócio.
E um presidente de jirafa tão ruim quanto os nossos.
E o Jean Carlos Rodrigues falou: o Brasil forma centroavantes, volantes e zagueiros, meias faz tempo que não.
Nem tanto centroavante assim, né? Zagueiros, central e quarto zagueiro. Lateral tá fazendo falta.
Estamos voltando. Atenção, estamos de volta na TV nesse posse de bola day after da eliminação do Brasil e da classificação da Inglaterra. Vamos colocar na tela aí os jogos que aconteceram ontem, os dois jogos que aconteceram ontem e os jogos que acontecerão hoje. Tivemos, portanto, o desastre Brasil 1, Noruega 2. E tivemos México 2, Inglaterra 3. Grande jogo, né, da Inglaterra. Se segurou no final com jogador expulso, com tudo.
Jogão de bola, 3 a 2. E hoje tem outro jogo com potencial jogão. Mauro César Pereira estará lá. Portugal e Espanha. E também teremos Estados Unidos e Bélgica. Os dois jogos com Balogun em campo, porque afinal teve uma carteirada ali para recolocar o jogador em campo. Muito bem, Mauro, vou começar com você porque você não estava no Posse ontem, e então eu quero ouvir as suas primeiras palavras. Passadas aí as 12 horas da eliminação brasileira, com a cabeça um pouco mais fria, o que que você diz dessa eliminação?
A minha cabeça tá sempre fria, ainda mais com relação à seleção brasileira. Bem, Acho que é mais ou menos algo esperado. Acho que tem muita coisa que merece reflexões além da CBF, sabe? A própria imprensa esportiva valoriza e defende muitas vezes futebol ruim de times com bons elencos, com técnicos que partem para um caminho que é parecido com o caminho que o Carlo Ancelotti tentou traçar, que é ter pouca posse de bola, jogar o tal do salabia sofrer, essa baboseira que se repete há muitos anos, né?
Saber sofrer, é jogar por uma bola, jogar em transição, mesmo tendo material humano para mais. Isso acontece muito no futebol brasileiro com técnicos brasileiros e estrangeiros que vão trabalhar no país. E agora a seleção seguiu esse mesmo caminho. O trabalho do Carlo Ancelotti foi muito aquém do que se pode esperar, por mais que a gente saiba que esse é o estilo dele. Até isso foi dito, eu mesmo falei aqui no programa, Brasil vai ser um time de transição, é como ele gosta.
Mas foi muito aquém, gente, muito aquém. E ontem mais uma vez, ele teve 6 dias de intervalo entre o jogo e o outro, não mudou nada, nada. Proposta foi a mesma, a mesma forma de jogar, dá a bola para o adversário, eu vou tomar a bola, eu vou acelerar o jogo, vou roubar a bola perto da sua área, vou fazer o gol. Até teve chance, teve a bola do primeiro tempo que o Vinícius conseguiu recuperar, chutou, o goleiro defendeu com joelho.
E a famosa bola dele para o Hendrik, que o Hendrik não foi muito feliz na finalização, acabou perdendo a chance. Tinha acabado de entrar também, né, tava meio frio no jogo, acabou não conseguindo converter o gol. Agora, o mais impressionante é que ele convoca o Neymar daquela maneira, no meio de todo aquele mise-en-scène, aquela palhaçada que foi aquela festa da convocação, um circo montado no Rio de Janeiro. Então ele convoca o Neymar para alegria de baba-ovo, de puxa-saco, de influenciador bobalhão, um monte de otário lá fazendo festa, né, naquele dia.
O Neymar tá convocado, tudo, e ele coloca o Neymar em campo com o Hendrik e E com o Vinícius naquele momento, diante, até gráfico rolando aí, vocês podem ver na internet, que mostra o momento de domínio de um time, de outro, esse gráfico que tá rolando direto na Copa do Mundo. E você vê que dá entrada no Neymar na hora da parada para hidratação, na metade, exatamente na metade do segundo tempo em diante, é quando a Noruega domina mais o jogo, passa a trabalhar inclusive mais à frente no campo de ataque, tem uma bola que cruza pequena área, o Haaland não consegue alcançar, e depois saem os gols, né?
Aí outras bobagens que se repetem, a gente falou isso antes do jogo também. Ah não, mas o Gabriel Magalhães conhece o Haaland. Pois é, o Dante conhecia os jogadores alemães também do 7 a 1, né? E o primeiro gol em cima dele, porque ele muitas vezes é imarcável, é impossível de marcar. Há momentos que é muito difícil de marcar aquele jogador. Então o que aconteceu foi um roteiro mais ou menos esperado. O Brasil ainda assim poderia ter tido um pouco de sorte, ter vencido o jogo, mas tudo isso que é apresentado é muito pouco e o trabalho dele não é bom.
Não é bom um ano e meio de trabalho. É o detalhe, gente, como a CBF contrata técnico de futebol. Esse treinador, quem fez o contato foi Edinaldo, que saiu, voltou, saiu de novo. Aí entra o Shaqiri e aproveita, já que já tem um contato com Ancelotti, vamos contratar. Será que alguém, o Rodrigo Caetano, alguém ali teve a condição, a capacidade, iniciativa de conversar com ele sobre como é que você vai fazer o Brasil jogar, o Carlo Ancelotti?
Qual é a sua proposta? Porque quem negociou comigo, com ele antes, foi o outro cara, foi outro dirigente. Ah, já tá por aqui mesmo, é um nome, um medalhão, vamos com ele. E já renovaram para o outro ciclo de Copa, né? Alguém acredita aí que houve uma discussão sobre como o Brasil vai jogar, como o Brasil deveria jogar? Não que a posse de bola seja a solução para tudo, não é isso. Mas, gente, seleção brasileira dando a bola para Noruega e olhando a Noruega trocar passe, trocou mais que o dobro de passes do Brasil.
E o Brasil dependendo de roubar uma bola para acelerar, é só isso? É, era só isso. E isso é muito pouco, muito pouco. Isso independe de geração, isso depende de proposta de jogo, de treinamento, de como o técnico trabalha. E o Real Madrid pode ter ficado muito satisfeito com ele, mas dado momento mandou ele embora. Não foi só uma vez. A seleção brasileira vai fazer o quê agora? Vai com ele para mais um ciclo, né? Vai seguir em frente e ele vai se submeter a pressões como fez ao convocar o Neymar sem a menor condição?
Todo mundo sabia que não tinha a menor condição. Eu fecho de ouro, entre aspas, esse ouro, é claro, é a discussão patética do camisa 10 com o goleiro quando o jogo tava acabando. E o Brasil ainda deu mais um ataque, teve uma bola cruzada na área. Ao invés de pegar a bola e correr pensando no grupo, pensou numa discussãozinha pessoal com o goleiro, que riu na cara dele. Aquilo ali acho que simboliza muito bem o que foi o Brasil nessa Copa do Mundo.
É o encerramento que resume com perfeição o que foi a participação do Brasil nessa Copa do Mundo.
Muito bem, Juca.
Sim, Juca, sou eu.
Mauro, também passadas essas 12 horas aí, eu gostei desse apanhado geral do Mauro, sobretudo sobre o trabalho do Ancelotti nesse ciclo.
Eu vou resumir na sua pesquisa brilhante.
Sim, aliás, como você vota na pesquisa?
25% para cada uma das alternativas que você colocou.
Aí fica fácil, é claro.
Obviamente, a substituição, a entrada do Neymar foi uma catástrofe, porque o Hendrik, que tinha acabado de perder um gol jogando pelo meio, que é onde a gente esperava vê-lo, foi jogar lá na direita. O meio de campo se desmontou, não marcava mais ninguém. Tava 0 a 0 quando o Neymar entrou. Quando ele saiu, tava 2 a 1. Basta dizer isso. Ah, mas ele fez o gol de pênalti também. Eu faria, minha mãe faria, só o Bruno é que não fez.
Então ele errou nas substituições. Essa é a primeira alternativa que você deu. A segunda alternativa da sua pesquisa, da sua enquete, claro que se o Bruno faz o gol de pênalti aos 13 minutos, muda o jogo. Evidentemente não era garantia que o Brasil fosse ganhar, mas perder um pênalti em Copa do Mundo, em jogo de mata-mata, É dose. Tá bom, o Zico também perdeu. Não compare as situações. Aliás, o Zico perdeu um pênalti que ele mesmo havia criado, recém havia entrado em campo naquele jogo contra a França.
O Brasil teve menos posse de bola. Aí eu vou com o Cazão. Não é que o Brasil teve menos posse de bola deliberadamente. O Brasil não pegou na bola porque a Noruega não deixou. O Brasil pegar a bola. Isso dá muito à medida de que time nós temos hoje, que jogadores nós temos hoje e que treinador nós temos hoje. O treinador que infelizmente veio para não honrar as tradições de como se joga ou como a gente, o brasileiro, gosta que seus times joguem e montou esse time à italiana e deixou de ser à italiana a partir de um determinado momento.
Foi para demagogia, para o populismo. Bota o Neymar, bota o Hendrik, abdicou daquilo que em tese era a ideia inicial dele. Qual é a última alternativa?
Ah, ele já falou da posse de bola.
Aí, olha, eu não culpo ninguém por tomar gol do Haaland, porque o Haaland faz gol O Haaland nasceu para fazer gol. O Haaland não é desse planeta também. O Haaland é um ET, claramente é um ET, né? É um ET que faz gol e que todo mundo sabe como é que ele faz os gols, né? É ali na pequena área que ele faz os gols, é um toque só que ele faz os gols, é na arrancada que ele faz os gols. Aquele gol, o segundo, não é exatamente um gol típico de Haaland, mas o Haaland faz gol e não tem como evitar que o Haaland faça gol.
Ah, o Mané Garrincha, todo mundo sabia como saía pela direita, ninguém parava o Mané Garrincha. Há certas coisas que você não explica. Então tira, tira essa alternativa. Ninguém é responsável a não ser o próprio Haaland. As outras três então explicam a debacle da seleção brasileira.
Ô, Cazão, vote na nossa enquete.
Então, eu voto na entrada do Neymar. Porque tá certo, Bruno Guimarães perdeu um pênalti no começo do jogo, ia mudar a partida, mas o jogo ficou 0 a 0, né? O jogo ficou 0 a 0 até a entrada do Neymar, que aí, como todo mundo sabia, que não tem a mínima condição de entrar numa partida contra o Recoleta, contra o Deportivo Recoleta, Recoleta reserva na Vila Belmiro, ele não desequilibrou. É só aquele grupinho de influenciadores, de marzete, puxa-saco, baba-ovo, que achava que o Neymar com uma perna só é melhor que todo mundo, que o Neymar em campo assusta o adversário, que a presença do Neymar iria fazer com que os outros jogadores crescessem em produção.
Só essa turminha que não enxerga nada, só enxerga uma coisa que eles imaginam, né? E não é que eles enxergam, eles projetam uma imagem na cabeça de um determinado jogador e eles ficam olhando aquilo e acham que acredita e acha que aquilo é verdade. Então eu voto nessa enquete. Em relação ao Haaland, Gil, eu vou falar uma coisa para você. Eu concordo com tudo que você falou. O Haaland faz gol em todo mundo, então não dá para responsabilizar os jogadores porque ele faz gol em todo mundo.
Mas aí eu vou no treinador. O Ancelotti deu entrevistas antes da partida acho que durante a semana, o Danilo acho que tava lá, que ele falou assim: eu não preciso ensinar meus zagueiros a marcar o Haaland, eles são experientes, eles sabem como fazer. Não, gente, você vai jogar contra um time que tem um cara que desequilibra em todos os jogos que ele faz, no time dele, na seleção dele, no churrasco de sábado, brincando com as crianças, ele desequilibra porque ele desequilibra, porque ele é daquele jeito, ele é um ET, enfim.
E você não se, não planeja, não faz um planejamento para você pelo menos dificultar que o cara decida o jogo contra o seu time? Ele fez o gol, o primeiro gol foi um gol que ele fez várias vezes. Ele fez gol aqui, aqui na Copa do Mundo desse jeito aí, antecipando o zagueiro e cabeceando, antecipando o zagueiro e batendo. Ele fez vários gols assim. Você não vai treinar e planejar para que você evite que ele faça o gol da maneira que ele é mais confortável fazer.
Você tem que dificultar, você tem que fazer com que o cara faça um gol diferente do estilo dele, porque aí ele surpreende, como foi o segundo. Mas o primeiro era evitável, o primeiro é evitável, porque ele faz aquele gol no campeonato, no campeonato inglês, o campeonato inteiro ele faz esse tipo de gol. E aqui na Copa também. E você não cola nele, você não faz uma dupla marcação que nem o Paraguai. Paraguai foi um lixo, gente, tava lá no estádio.
Paraguai e França foi, o Paraguai foi horrível, só bicão para frente, só bicão para lateral, mas uma coisa, uma coisa no primeiro tempo eles fizeram perfeitamente: Dembélé, Olise, Barcola e Mbappé. Toda bola, toda vez que a bola ia na direção de um desses, tinha dupla marcação. Já chegavam dois caras para marcar. Já pensou se o treinador do Paraguai fala assim: eu não preciso ensinar os meus jogadores a marcar o Mbappé, a marcar o Dembélé, a marcar o Olise, a marcar o Barcola.
Não precisa, eles são jogadores profissionais, eles sabem o que fazer. Tomava 5 no primeiro tempo. Não, ele teve que planejar, ele teve que planejar alguma coisa para evitar que esses cara desequilibrasse o jogo. E ele evitou no primeiro tempo na marcação. O resto foi uma porcaria, bicão para frente foi uma porcaria, mas a marcação dobrada nesses caras, ele, ele, ele, ele treinou muito bem, ele ensaiou muito bem, ele planejou muito bem.
O Ancelotti não planejou evitar que o Haaland fizesse gol e ele também não planejou evitar que o Odegaard deitasse e rolasse, tomasse conta do jogo. O que custa você colar o Casemiro, jogar com 3 no meio-campo e colar o Casemiro mais no Odegaard? Ó, Casemiro, você não vai jogar nem o Odegaard, cara, que eu já vi muitos treinadores fazerem isso. O que custa você pegar um zagueiro e falar assim, ó, se o Haaland cair do lado direito, cola Marquinhos.
Se o Haaland cair do lado esquerdo, cola Gabriel Magalhães, e o outro sobra. Para quê? Não pode fazer isso? Não pode ensaiar isso? Não, vamos jogar. A gente não precisa se preocupar com adversário, eles têm que se preocupar com a gente, cara. Eles se preocuparam com a gente porque obviamente o treinador deles planejou um modo. Essa posse de bola foi um modo de planejar, evitar com que o Brasil tomasse conta do jogo. Vamos ficar com a bola com a gente, porque se eles pegarem na bola eles podem causar problema.
Então vamos ficar com a gente. Foi um planejamento. E o Ancelotti achou que não precisava planejar nada para marcar o Haaland. Já pensou se ele joga contra o Messi na Copa do Mundo, contra Argentina, e fala isso também? Não preciso ensinar meus jogadores a marcar o Messi, não preciso ensinar meus jogadores a marcar o Mbappé. O estrago que ia ser!
Pois é. Arnaldo Ribeiro, vote também na enquete.
Ah, eu acho que no final das contas, como todos os elementos estão contemplados na enquete, eu vou atribuir um peso maior, é o principal responsável pelo planejamento do jogo. E o Casagrande tava resvalando nesse tópico aí quando falou sobre a marcação do Haaland, né? Então, para mim, o Ancelotti não— no jogo da eliminação, e a gente discutiu tanto jogos das eliminações e outras copas, né? O nó tático que o Tite tomou contra a Bélgica, a escalação do Tite com 2 meio-campistas apenas contra o trio da Croácia, né?
Isso tudo ficou tão colado no Tite que eu não posso tirar da responsabilidade do Ancelotti tudo que aconteceu praticamente nos 100 minutos do jogo de ontem, da escalação. E a dificuldade de explicar para minha filha que 4 atacantes, a estratégia dele era uma estratégia defensiva e não ofensiva, né? Porque Martinelli e Ryan eram Jogadores talhados para, e até fizeram bem as suas obrigações táticas, né? O Ryan sobretudo. E é assim que nasce a jogada do pênalti.
Quem desarma e inicia a jogada do pênalti é o Ryan, como fez várias vezes na Copa do Mundo. Aliás, ele era um ponta-direita defensivo. É difícil explicar isso para, né, para as pessoas que não acompanham o futebol Todo dia, mas era ali uma estratégia para um jogo em que você assumia superioridade técnica do adversário, que para mim não era o caso. Aí o Ancelotti, o plano de jogo dele para mim foi equivocado. No durante o jogo teve requintes que a sua enquete contempla também.
O pênalti do Bruno Guimarães, quem escolhe o batedor é o Ancelotti. Por que não o Vinícius? O Vinícius tava tranquilo depois do jogo. O Ancelotti também, o aproveitamento do Bruno é maior, sendo que nessa Copa o que a gente tem visto é quem tem mais estofo pega a bola e bate, né? Tem sido assim. E o Brasil morreu em duas Copas, uma sem o Neymar bater e a outra sem o Vinícius bater, né, no frigir dos ovos. Então tem responsabilidade do Ancelotti também na questão do Bruno Guimarães bater o pênalti.
E o durante dele foi um desastre. Né, o segundo tempo em que os jogos estão sendo definidos, sobretudo depois da última bendita parada, ele, como os companheiros disseram, cedeu às tentações de juntar um trio que é um trio imaginário, né, Hendrik, Neymar e Vinícius, né. Um muito velho que não consegue mais jogar, o outro muito novo, e só um no auge, né. E para colocar o Neymar, ele muda o posicionamento do Hendrik do Vinícius e de todo o resto do time.
Ele ainda tem que colocar o Danilo Santos para equilibrar um pouco e o Ederson no lugar do Bruno Guimarães. E a partir dali, nas últimas trocas, a Noruega deita e rola. E poderia ter metido 3. O placar do último quarto, como a gente gosta de falar, não é 2 a 1 para Noruega, é 3 a 0, né, que teve chance para 3 a 0. E o Neymar poderia ser expulso em vez de fazer o gol de pênalti, porque Deu motivos para tal. Então, a minha decepção com um técnico estrangeiro que tanto defendi desde a Copa de 2010 no comando da seleção é tal que eu não me conformo.
E eu acho que a contratação de um técnico estrangeiro não é para ele aprender a cantar o hino nacional, sabe? Isso é muito bonito, legal, sinal de respeito, mas não é para ele cantar Ouvindo do Piranga às Margens Plácidas. É para provocar um choque cultural no futebol brasileiro, na seleção brasileira, no método de comando da seleção brasileira, na convocação da seleção brasileira, e não fazer propaganda de cerveja e convocar o Neymar com uma festa, todo mundo patrocinado.
Aí eu posso convocar o Juca, você, qualquer técnico brasileiro que a gente desceu a ripa aqui o tempo todo, e o Ancelotti foi mais um nesse furdúncio que é uma convocação de Copa do Mundo e na submissão a todas as coisas que envolvem a seleção brasileira. Então ele é uma completa decepção. E aí eu fui ver de novo à noite o Tuchel na Inglaterra, assim como eu tô vendo o Pochettino nos Estados Unidos, a quem eu vou torcer contra absurdamente depois dessa tungada na Copa do Mundo, dessa reversão de cartão vermelho.
Mas o Tuchel e o Pochettino, técnicos de clube bem-sucedidos que estão tendo experiências nas suas seleções, eles estão provocando sim um choque cultural e esportivo nas equipes que eles comandam. O que a gente viu da Inglaterra ontem, a gente nunca tinha visto na história, desde que a gente acompanha futebol, eu e você, a nossa geração, a gente nunca tinha visto uma seleção inglesa não se entregar e jogar daquela forma, daquele jeito, com um técnico participando efetivamente o tempo todo no incentivo e nas mudanças táticas, assim como o Pochettino tá fazendo a seleção norte-americana de outro jeito.
Para ter o Ancelotti por mais 4 anos para isso aí, pelo que ele fez, por que que ele renovou o contrato com antecipação antes da Copa? Isso, isso se justifica depois que a gente viu aqui? Quanto que ele ganha? O que que ele vai fazer a partir de agora? Ele vai comandar a reformulação do futebol nacional ou ele vai passar férias, vai uma vez por mês chegar aqui, convocar o Neymar de novo? Então a convocação e a atuação do Ancelotti nessa Copa do Mundo é a grande decepção da história recente do futebol nacional.
Ele não parece ter exatamente esse perfil, né, do cara que organiza organiza tudo.
Até não parece, não parece. Até agora ele só fez comercial de cerveja, curtiu o Carnaval, mandou o filho dar explicação no final do campo, convocou o Neymar. E os outros técnicos que têm o mesmo perfil dele estão fazendo história nessa Copa do Mundo. A Inglaterra pode ser eliminada amanhã para Noruega, e os Estados Unidos espero que seja eliminado pela Bélgica. Mas a gente vai lembrar de partidas representativas fundamentais das seleções da Inglaterra e norte-americana nessa Copa do Mundo com esses técnicos estrangeiros.
A Copa do Mundo do Brasil foi um lixo, cara, e um lixo de indefinição, um lixo de falta de convicção. E no final, com essa assinatura completa, né, do Carletto com o Neymar, né, foi essa, foi essa, foi esse final que a gente viu. E até agora eu não entendi o que ele foi fazer com Neymar no final do jogo, daquele jogo, daquele jeito, num 0 a 0. Ele que na partida anterior tinha dito contra o Japão que— e eu falei, putz, tem aí uma, por mais que seja uma desculpa, tem uma, opa, eu não coloquei o Neymar, deixei para prorrogação porque tal, tal, tal, eu ia colocar.
Aquela frase para mim Ele que tá tentando falar português, e de novo, não precisa falar português e nem cantar o hino nacional, não precisa. Isso não é uma demonstração de envolvimento completo com a raiz do futebol brasileiro e tudo mais. Eu achei que contra o Japão ele tinha dado uma, olha, eu só vou colocar o Neymar em último caso, né? Ou quando tá tudo resolvido, como foi na primeira experiência do Neymar na Copa. Ou quando faltar 1 minuto e for bater pênalti, que o Neymar hoje só sabe bater pênalti.
Ele não consegue jogar em alta competição há muito tempo, né? E ele cedeu às tentações e morreu abraçado com o Neymar. Parabéns, Ancelotti.
Você já ouviu falar do Missão Saber? É o não tão novo podcast do UOL que parte de livros. Vamos recomendar muitos livros para falar de vários assuntos. Já pensou ouvir a Daniela Lima falando de ansiedade?
Conviver com o processo da ansiedade há tanto tempo, eu entrei numa espécie de vigília constante, assim.
O PVC sobre memória, o Facundo Guerra sobre China, Maria Prata sobre educação dos filhos, Sakamoto e os evangélicos.
Muita gente esperava que o número de evangélicos seria ainda maior.
Eu sou Murilo Garavello e apresento Missão Saber, o podcast para quem é curioso e gosta de aprender.
Tudo na vida a gente acha um equilíbrio ali, consegue viver E ao mesmo tempo entender as problemáticas, e ao mesmo tempo se amar.
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Danilo, e você? Vote como? Vota como?
Eu ontem, depois de passar um programa na manhã discordando muito do Arnaldo, eu concordo com 99% do que ele falou. Em relação a toda análise do Ancelotti, em relação ao ciclo que foi feito. E repito o que eu disse na abertura, eu entendo que são problemas, mas que tem, a gente tem contra-exemplos aí de times como Marrocos, que tá com técnico há 3, 4 meses e tá numa semifinal, numa quarta de final, desculpa, que não tem jogadores do mesmo nível de qualidade do Brasil, mas é um time mais organizado que sabe o que fazer.
E que vai enfrentar a França, possivelmente pode ser que seja eliminado, mas que vai ter feito uma Copa do Mundo melhor do que o Brasil. A gente tem a Argentina com uma federação que é horrível, um campeonato local que é horrível e mesmo assim é um time competitivo, atual campeão do mundo e que a gente muito possivelmente vai ver de novo, pelo menos numa semifinal de Copa do Mundo. Então a gente encontra exemplos aí de que não é só uma questão de você ter um ciclo completo para garantir, não é só questão de você ter uma uma confederação organizada também para garantir que você vai ter um time competitivo, um time que vai conseguir ser campeão do mundo.
E aí eu concordo também com toda análise dos colegas sobre o que o Ancelotti fez. Eu acho que foi muito ruim o trabalho dele. Como vocês já falaram bastante, eu vou falar aqui também sobre uma outra coisa que não foi citada tanto, só dele ter saído do gramado sem ter falado com jogadores, e a gente desceu a lenha no Tite quando ele fez o que fez. Eu acho que o Ancelotti merece muitas críticas por ter feito o que fez do jeito que fez depois da eliminação da seleção brasileira.
Acho que o tom adotado por ele, pelo Rodrigo Caetano e por alguns outros jogadores, especialmente a entrevista do Marquinhos dentro de campo dizendo que, ah não, o ciclo foi muito tumultuado, não teria muito como fazer coisa melhor, é uma entrevista que tenta normalizar algo que é um absurdo. Que é assim, a confirmação de que o Brasil desceu, desceu de status, a confirmação pela terceira vez que o Brasil perde para uma seleção europeia de segundo ou terceiro escalão que não é campeã do mundo.
Então eles tentaram normalizar e não adianta ficar só falando em ciclo, a gente precisa de uma reflexão mais profunda. Não sei se vai ser o Ancelotti que vai comandar isso, acho que não, mas a gente não tem. E aí tentando pensar no material humano também. Mas a gente não tem camisa 10, a gente não tem camisa 9, a gente não tem nenhum lateral. Será que a gente vai conseguir formar isso em 4 anos? Será que a gente vai dar esse material?
Porque é uma coisa que a gente pode fazer todas as críticas ao Ancelotti, acho que todas as críticas são justas, mas uma coisa que ele falou aí é verdade: o Brasil não tem meio-campista para armar jogo. A gente vai conseguir formar em 4 anos? O que que ele vai fazer para o próximo ciclo? Ele vai pôr o Estevão de camisa 10? Ele vai pôr quem para armar jogo? Vai apostar no Matheus Pereira? Então não sei. Também não acho que a troca de comando a todo momento, a qualquer derrota, qualquer vice-campeonato é o suficiente.
Mas não dá para só ficar nessa teoria do ciclo é ruim, do ciclo é— vamos ver como vai ser. O Brasil precisa de uma reconstrução muito mais profunda.
Vote PVC!
Passa as alternativas de novo, vamos lá.
A entrada do Neymar e as consequências disso, saída do Ryan, Endrick pelo lado, tudo isso como mexeu no time. O pênalti do Bruno Guimarães desperdiçado, o Haaland com liberdade para jogar, ou o fato de ter abdicado da posse de bola, que foi até alguma coisa que você falou ontem aqui?
Eu acho que abdicar da posse de bola, eu vou votar nisso, não é a única coisa. Até porque a Inglaterra ontem tá falando do Ganhou com 34% de posse de bola. O Brasil perdeu com 34% de posse de bola.
Com um a menos, né?
Mas assim, tudo bem, mas a questão não é só a posse de bola, é só um símbolo. Foi o que a gente falou ontem. Assim, eu acho que é um símbolo importante para o futebol brasileiro. Se posse de bola é a melhor estatística, não. A estatística melhor é Brasil 1, Noruega 2. Agora, se o time do Guardiola tem 40% de posse de bola, tem alguma coisa errada. Quando o futebol brasileiro tem 34% de posse de bola, tem alguma coisa errada. Que a gente aprendeu a jogar bola com a bola no pé, né?
Se a Itália tiver 34% de posse de bola, não tem problema nenhum. Se o Brasil tiver 34% de posse de bola, tem um problema. Agora eu tô falando só porque assim, a gente de novo vai botar toda, toda culpa no técnico. Assim, não vamos procurar culpado, mas o culpado é o técnico. E é sempre assim, era o Tite, era o Felipão, era o Parreira, sempre tirando meia-onda do Roberto Carlos, era isso. E eu acho que tem uma radiografia que é muito que tem que ser profunda, né?
A gente pensar sobre o que o Brasil não tem mais jogadores, tem, não é o maior problema, mas de fato não tem mais meio-campistas. Não conseguia, na hora que ele precisa substituir um meio-campista e coloca o Martinelli, e não foi aqui que deu errado, a escalação dele original deu muito mais certo do que as substituições. Ele destruiu o time nas alterações e o treinador parcela de culpa enorme, cometeu uma porção de erros. Apostou numa geração envelhecida e perdedora, convocou o Neymar à entrevista exclusiva durante a Copa, o que significa suceder, estar suscetível às pressões, o que pode, o que indica que ele pode ter sido convocado, Neymar, mesmo por causa das pressões e não pela convicção.
Escalou o Neymar de centroavante e mudou a posição do Endrick, que não marcou ninguém. Aliás, A única coisa certa que se provou do Ancelotti ontem foi que ele não tinha motivo para escalar o Henry como ponta, como muita gente queria no começo da Copa, né? Então tem um monte de erro do Ancelotti, claro que tem. O Tuchel assumiu a Inglaterra 3 meses antes do Ancelotti e tá nas quartas de final. O Wabi assumiu o Marrocos. Eu acho que tem diferenças na história porque tem um grupo formatado que vinha jogando de um jeito e que mudou com o Wabi.
Mas é uma coesão do trabalho que mudou a peça do técnico. Não é você levar o técnico com joystick, um controle remoto, para montar tudo. A reflexão que o Brasil precisa ter, na minha opinião, o Brasil precisa voltar a ser um polo de cultura do jogo. O Brasil não é. Os polos de cultura do jogo são a Inglaterra e a Espanha, porque tem os melhores campeonatos do mundo, os melhores jogadores, os maiores conhecimentos, os maiores técnicos, os maiores preparadores físicos, os maiores jornalistas, os maiores tudo.
E a França, porque a França é um polo de formação de seleção desde a formação do Centro Nacional de Futebol em Clairefontaine em 1988. A França trabalhou para estar onde está com seleções. Futebol de clubes da França é outra coisa. O bicampeão da Europa é um clube do Catar com sede em Paris, é diferente. Mas Inglaterra e Espanha fizeram a final da Eurocopa e podem fazer a final da Copa do Mundo. Por quê? Porque são grandes centros de conhecimento do jogo que permite até ganhar um jogo com 34% de posse de bola, como a Inglaterra ganhou ontem.
Para o Brasil, o Brasil não vai jogar com 34% de posse de bola. É simbólico apenas, é um símbolo, é um emblema. E o ciclo é uma parte da história, assim, não é a única. Senão a Inglaterra não tava aqui. O Túnel assumiu em março de 2025. É lógico que não, mas não pode fazer um ciclo como fez com o Edinaldo Rodrigues, discutindo a quantidade de garrafas d'água. Essa história aconteceu, é verdade. Uma reunião pós-data FIFA, o Edinaldo virou para um dos funcionários da CBF e disse: escuta, por que que nós compramos 1.200 garrafas d'água?
Ah, porque os jogadores bebem água. Não, mas sobraram 400. É, mano, que a gente compra porque pode precisar de água, depende do clima, depende da sede, depende do Gol de gelo. Não, então economiza na próxima data FIFA. Que isso? Essa CBF que tinha, e essa daqui não é tão melhor, né? Mas precisa ter uma— o Brasil precisa voltar a ser um polo de conhecimento do jogo, de cultura do jogo. E aí você vai falar, puxa, ganhamos com 34% de posse de bola por um acidente que jogamos mal.
Mas quando você quer jogar, você vai jogar ao seu estilo. Como Guardiola jamais vai aceitar um time dele com 34% de posse de bola, simbolicamente.
Ô Mauro, deixa eu juntar tudo isso, a história aí, porque acho que tem coisa, alguns pontos interessantes. Isso que o PVC acaba de falar, junto com que o Arnaldo falou, alguns outros técnicos transformaram o espírito das suas seleções. Caso da Inglaterra, acho que ficou bem claro ontem. E aí chegamos na posse de bola, que ontem no vídeo que você mandou para a gente você falou Como que a seleção pode jogar com tanta posse, com tão pouca posse de bola?
E aí chego no ponto que eu quero. Algumas seleções a gente tá vendo que ela tem a sua marca. A seleção da Argentina tem a sua marca, tem o seu jeito. Você olha lá, você fala, isso aqui é Argentina jogando. A Espanha, ó, essa aqui é Espanha jogando. A França, a França é a França jogando. O Brasil, a minha sensação é que você não consegue reconhecer o Brasil jogando ali. Não sei se isso faz sentido.
Todo mundo, era muito fácil reconhecer o Brasil, é o time que não tem a bola e tenta roubar, acelerar o jogo ou recuperar a bola perto da área adversária. O problema da posse de bola é o repertório muito fraco do técnico. E no momento da eliminação temos sim que falar do técnico. Podemos discutir a CBF, todas as suas contradições, a má administração, mas podemos e temos que falar do técnico. Ele teve condição Paulo, posso terminar, por gentileza?
Eu não tô discordando de você, eu não tô comentando, amigo, eu não estou comentando seu comentário, tô fazendo o meu comentário, por gentileza. Posso terminar?
Estamos falando sobre isso.
Sim, tudo bem, mas eu não tô comentando porque você falou, tô falando o que eu penso, não tô preocupado com a sua opinião. Fique à vontade para dar sua opinião quando você quiser, eu só quero terminar. Se você não interromper meu raciocínio, eu agradeço. Mas então, a gente tem que falar do técnico porque ele teve tempo para trabalhar, semanas livres de trabalho, 6 dias entre o jogo e o outro, gente. O que que o time mudou?
Nada.
Porque ele não quer mudar, ele não tenta mudar, ele não procura mudar. É isso e acabou. Mas convenhamos, né, eu não acredito sinceramente que com Rodrigo Caetano, com essas pessoas, o Brasil vai poder fazer um trabalho mais profundo. Eu não acredito nesses dirigentes que vivem só de contratar jogador no mercado e tudo mais, e falar palavras repetidas em momentos de derrota, como a gente fica ouvindo desde ontem. Não acredito sinceramente.
E a contratação desse técnico, repito, foi feita a partir de um contato do presidente afastado, que o novo presidente aproveitou a carona, já que já tava no caminho, e contratou no momento que ele deixou o Real Madrid e renovou o contrato. Fico imaginando, alguém consegue imaginar essas pessoas discutindo com Ancelotti questões como essa que a gente tá debatendo aqui? Qual a proposta de jogo? Como é que esse time vai jogar? Como é que você pretende trabalhar?
Eu sinceramente não consigo ver, eu não consigo ver. Se vocês conseguirem, ok, mas eu não consigo enxergar. Então a questão é mais profunda e não muda mesmo com a troca de de personagens no poder. Pode ser Edinaldo, pode ser o Shaúl, pode ser quem for, não muda, porque essas pessoas estão preocupadas com a política, com a manutenção do poder, com as garrafas d'água que o Paulo Vinícius citou, com outras coisas. É isso. Então não muda, não muda.
Alguém ali tem condição de cobrar o Ancelotti? E ele compôs, gente, quando ele convoca o Neymar, que ele foi composição, a pressão danada, ele vai, convoca o jogador e coloca para jogar. O que que passava na cabeça dele? Neymar, Vinícius e Endrick juntos naquele momento do jogo? Era evidente que não era uma boa escolha. Como um técnico experiente como o Carlo Ancelotti faz uma coisa daquelas? Como, como é possível? É inacreditável.
Claro que ia dar errado, era evidente que ia dar errado. Foi uma aposta no aleatório, gente. O Neymar foi uma aposta o tempo todo no aleatório. Ele pode entrar e fazer um gol, ele pode entrar e fazer uma jogada, ele pode entrar, ele pode entrar e fazer o quê? Não faz, não faz mais, passou, acabou.
Chega.
E a cena patética no final, que mostra um pouco também da preocupação da pessoa, tá preocupada mais discutir com o goleiro adversário do que com a situação do time, que ainda teve mais um ataque. Por um milagre, se o Brasil consegue cruzar aquela bola e mandar para dentro do gol, mas empata o jogo. Brasil teve mais um ataque, né? E a diferença também muito grande, já que o Arnaldo falou da Inglaterra, da forma como a Inglaterra irreconhecível, irreconhecível.
Nunca vi isso. A seleção inglesa sempre foi uma seleção banana. Exato. Os caras ontem foram guerreiros, os caras lutaram contra aquele pênalti que foi dado, aquela pressão toda, todo o histórico do México. Quem mudou isso? Me parece que o técnico tem um papel ali, e o Ancelotti não foi capaz de fazer isso. Pelo contrário, foi um Brasil que renegou tudo, tudo que sempre se falou da seleção brasileira. E outra coisa, essa questão da posse, eu já vi gente falando aqui no programa, não, mas Os jogadores não são tão bons.
Gente, para você trabalhar com a posse de bola com jogadores profissionais que atuam em grandes clubes, ainda mais como jogadores do time brasileiro, é treinamento, gente. Não é questão individual, é treinar, é se propor a jogar assim, é falar para Noruega: eu vou ficar com a bola, eu vou te atacar, eu vou te ganhar. Mas não, fica mais que o dobro dos passes trocados. E esse símbolo, como Paulo falou, é símbolo do quê? É símbolo de uma estratégia que é uma estratégia que beira a covardia.
Esse é o ponto. Então hoje ele tem que ser falado, desculpa, ele tem que ser falado. Ele teve condição de fazer o trabalho, como em 2014 o Scolari teve condições de trabalhar, não teve? Foi para a Igreja de Jocomari aquele tempo todo e ficou com jogadores. E o que foi? Foi um time mal treinado que deu no que deu. Mais uma vez foi um time muito mal treinado.
O Juca, falar uma frase aqui: o Ancelotti chegou para mudar a seleção e o futebol brasileiro e tal. Parece que a CBF que transformou o Ancelotti Belíssima frase, né?
Foi para o Carnaval, fez campanha de cerveja, bonachão, aprendeu a cantar o hino, né? Tudo. Até ontem ele era muito pouco contestado. A gente falava aqui que a gente tava estranhando, que a gente esperava mais dele, mas também um ano apenas. Mas um ano apenas, outros treinadores estão há menos tempo e deram mais resultado em seleções, em clubes. Eu sempre gosto de citar o Jorge Jesus, né, que foi uma alternativa que acabou, e que era, e que era mais racional por conhecer o futebol brasileiro, por já ter, e por ter barrado o Neymar, gente, na Arábia, no mundo árabe. O Jorge Jesus falou, meu filho, Muito bem lembrado. Não conto com você.
Muito bem lembrado.
Entendeu? Pô, o Ancelotti não teve coragem de fazer nada disso, nada disso. Renovou o contrato sem ter apresentado um trabalho. É o primeiro caso que eu conheço. Renova-se o contrato na expectativa de quê? Não em função do que está fazendo. Bom, aí se submete, se submeteu, se submeteu. Foi mais um a se submeter à família Neymar, mais um com anuência e a sociedade, associação do presidente da CBF. Daí a minha questão que eu queria colocar para o PVC, que está mais perto dessa questão há mais tempo: você acredita, PVC, que o Chico Mendes possa ser uma melhor solução que o Schalke?
Porque nós já tivemos o primeiro sinal de como botar o Schalke na frigideira, que foi com o caso das namoradas. Agora temos uma eliminação precoce da Copa do Mundo. Então temos o comportamento pessoal e agora temos a questão técnica. Me parece que ele vai viver um inferno astral a partir de ontem. Você acha que o que está em movimento para substituí-lo pode significar a modernização? Porque me parece gente não apenas mais poderosa politicamente, como mais preparada intelectualmente para uma eventual transformação da CBF com todos os seus problemas?
É, eu acho que a questão central é que a CBF tá sendo mandada por um grupo de Brasília. A gente já entendeu isso há bastante tempo, né? E é Chico Mendes, que é o filho do Gilmar Mendes, que a partir do IDP— o IDP ficou sócio da— o IDP, o Instituto do Gilmar Mendes, ficou sócio da CBF Academy primeiro, que hoje é dono da CBF. O Samichaldi é um preposto, evidente, tá colocado assim. Eu acho que a CBF teve evoluções nesse ano, nesse ano de gestão é melhor do que era com Edinaldo.
Também não vou jamais defender a corrupção do período do Ricardo Teixeira. Agora, você também não tem uma bagunça de 12, 6 presidentes em 10 anos, né? Não é para ser nenhuma coisa nem a outra. Eu acho que hoje tem uma guerra que não é velada, que é aberta, sobre a questão do controle no futebol brasileiro. Antigamente os clubes iam na CBF e a CBF propunha dar empréstimos e deixar os clubes na mão. Hoje tem dois lados disso, né, porque os clubes recebem dinheiro do investidor da FFU e a CBF não tá conformada com isso.
E às vezes tem um episódio recente de que os clubes foram pedir para pagar logística da Série B A CBF disse: eu pago a logística. E os clubes disseram: mas não conta para ninguém que nós vamos lá cobrar o investidor. Antigamente você cobrava o clube dos 13, a Globo e a CBF, era a mesma coisa, era o mesmo bolso. Hoje não é o mesmo bolso. Isso tá incomodando muita gente. Só que a questão central disso é você conseguir transformar isso numa empresa que seja o futebol brasileiro, seja gerenciada de um jeito seja para um ganhar dinheiro, seja para outro ganhar poder, mas que se caminha numa direção única, que é conseguir fazer o futebol brasileiro voltar a ser futebol brasileiro.
É isso, essa guerra, essa guerra apareceu na Copa do Mundo, tem capítulos da guerra na Copa do Mundo, e eu não vou ficar entrando em questões específicas daqui porque não faz, não faz muito sentido, mas o que precisa acontecer É você, já que é o IDP, é a CBF Academy, a CBF Academy precisa ser o que a Clairefontaine, precisa ser o que foi o Coverciano, precisa ser um centro de formação de técnicos, preparadores físicos, jogadores.
O Brasil não pode ser eliminado do Mundial Sub-20 no último lugar no grupo que tem Marrocos, México e Espanha. E é isso que vai fazer você chegar na próxima geração e não ter um meia esquerda, não ter um meia direita, não ter um jogador que controle o jogo no meio-campo, não ter um centroavante, não ter dois laterais. É isso que tá fazendo, é que você tá com a base sucateada desde lá de trás. Aí o Brasil então não tem jogadores?
Tem. Não tem jogadores como tinha antes. É preciso definir como você vai jogar, dar um rosto para esse time. E aí voltamos para a questão da posse de bola. Eu acho que tem que ter uma definição do que é esta CBF, seja quem mande. Incrível que pareça, com o Ricardo Teixeira a gente sabia como era. Tem uma nuvenzinha de fumaça em cima dela sempre, assim parecia a casa da família Addams. Mas tinha, sabia como é que funcionava. E eu não vou defender o rouba mais faz, até porque não fez tanto assim, ao contrário.
É isso, essa, você lembrou do Ricardo Teixeira, o Mauro sempre cita o Tic Tac na Argentina, que aliás agora tem a seleção campeã do mundo, né? Nesses, nesses comandos mais longos, mais ditatoriais e discutíveis, Havelange e Ricardo Teixeira, o Brasil ganhava Copas, né? É isso, a gente não vai defender isso jamais, cara. Então não é exatamente o comando da CBF que eu acho que determina X ou Y. Acho que a coisa é muito mais prática.
E mesmo com defasagem de formação de jogadores, e aí sim, acho que vale sim uma reflexão, o Brasil deixou de produzir jogadores em alguns setores, muito talvez pela questão mercantilista da coisa, né? Os nossos mais talentosos vão para o lado. Essa discussão da eliminação do Brasil nas últimas Copas é muito mais por incompetência dos momentos, das decisões, dos treinadores, da ausência de protagonismo, dos protagonistas não assumir as responsabilidades, do que propriamente problemas estruturais, na minha visão, né?
O Brasil, futebol brasileiro não vive uma crise, a seleção brasileira vive. O futebol brasileiro nunca teve tanto dinheiro, tantas equipes fortes, o campeonato é o mais interessante da América do Sul, a gente nunca contratou numa semifinal de Copa do Mundo de Clubes. Exato, exato. Então tem um, e daqui a pouco recomeça o Campeonato Brasileiro, a gente vai estar falando, e os times vão estar—
desculpa, só assim, antes do Campeonato Brasileiro ser o mais interessante da América, era o mexicano. A gente virou o México. A gente tem um campeonato super legal e uma seleção que não ganha nada.
Tudo bem, mas o México nunca ganhou nada como seleção. Então talvez para eles o consumo interno seja—
você nunca soube qual era a camisa, a cor da camisa do Cruz Azul. Ninguém sabe, entendeu?
Eu sei, eu entendo essa questão. Eu acho que o Brasil perdeu o seu DNA, isso nós estamos discutindo aqui, né? Agora, não é por isso que perdeu o DNA que foi eliminado das Copas, ou como essa. Não é pela falta de DNA que o Brasil foi tão mal nas últimas Copas. Eu acho que talvez isso vai explicando a nossa dificuldade cada vez maior de ter equipes encantadoras, jogadores desequilibrantes e tudo mais. Sim, e acho que não vai partir da CBF, não vai partir de um comando, não vai partir.
Nós sabemos como ela, como a seleção brasileira é sedutora nesse aspecto para confederação, quem comanda a confederação. Sabemos que tem muito interesse nisso. Não vai ser qualquer um, o Chico Mendes, filho do Gilmar Mendes, que vai comandar uma revolução no futebol futebol brasileiro. Isso não vai ser, não vai partir daí, né? É só para a gente entender quem hoje nos comanda, né? E quem toma a decisão, por exemplo, de escolher o Carlo Ancelotti como técnico e não Jorge Jesus, que era outra, que era outra opção, talvez mais afim, como disse o Juca, não só adaptado, não só adaptado ao futebol, não só com como que pensa o futebol brasileiro, como joga o futebol brasileiro, como mostrou personalidade para barrar um problema para o futebol brasileiro nos últimos tempos.
Então também nesse detalhe da escolha de um treinador, às vezes você ganha uma Copa, você perde uma Copa.
E o Brasil, quem escolheu Ancelotti?
O Edinaldo?
Não, foi o Galvão Bueno.
Bom, então nós temos um grande problema. Então o Galvão Bueno que tá se retirando junto com o Neymar, porque o Galvão Bueno mandava no Ricardo Teixeira também. Então nós temos um grande problema, né? Talvez um problema.
Quem falou primeiro, quem falou primeiro foi o Edinaldo, foi quem conversou com o Edinaldo, falou do nome do Ancelotti, foi o Galvão. Porque o Galvão se encantou com o fato dele ganhar 5 ligas principais da Europa e ser 5 vezes campeão da Champions, na época 4.
Deixa eu voltar num ponto que tem a ver com o jogo, vou, recorro ao Casagrande. Que jogou e tudo mais. A história do pênalti, tá, porque o Bruno Guimarães tinha batido pouco pênalti e tudo mais. Até o Guardiola falou, olha, eu acho que nessa hora o cara do time tem que, tem que, o cara que sofreu o pênalti deve bater o pênalti, ainda mais se ele for o principal jogador do time, que é o caso do Vinícius Júnior. Teve a explicação que tinha lá um ranking, quem devia bater e tal. Nessa hora, como funciona, Cazão?
O Vinícius Júnior, na minha opinião, tinha que bater o pênalti, tinha que bater o pênalti. Aí eu vejo as comparações que o Juca tocou no assunto, e foi como ele falou, foi completamente diferente lá em 86. Com o Zico em campo, não tem como outro cara bater o pênalti. E o Zico tinha personalidade, sabia da responsabilidade, e sabia muito bem que com ele em campo, se outro jogador batesse e perdesse, o cara estaria execrado. Porque a presença do Zico em campo, no primeiro toque ele deixou o Branco na cara do gol.
Aí saiu o pênalti no Branco. Quem vai bater o pênalti? Eu preciso dizer assim, não, eu acabei de entrar, não vou bater o pênalti. Ia sobrar tanto para ele como para o cara que batesse, se o cara não fizesse. Então nessa hora, tudo bem, existe os treinos lá em Guadalajara. Eu não sei se o Juca tava lá, acho que o Juca tava lá. Você tava, né, Juca? Tava na Guadalajara?
Tava.
Quem mais tava lá? Então, como era livre o treino daquela época, a imprensa ficava do lado do campo assim, ficava quase dentro do campo tranquilamente, que o relacionamento era assim. Vocês viram o time treinar pênalti 3, 4 dias seguidos. Todo mundo treinou pênalti, todo mundo treinou pênalti. Não era 4, 5, eram todos batiam pênalti. E o lance é Acertar um pênalti ou errar pênalti no treinamento é só para você pegar o jeito de bater.
É só para pegar o jeito de bater. Você vê a personalidade do cara, independentemente se ele faz o pênalti ou não, o jeito dele bater, a seriedade que ele bate, o modo que ele bate. Ontem, na hora que eu vi que era o Bruno Guimarães, eu já fiquei com o pé atrás, já fiquei com o pé atrás, que eu não tinha visto ele bater pênalti nenhum lugar. E aí, na hora que ele corre só olhando para o chão, na direção da onde ele chutou, meu, tava tão na cara que ele ia chutar ali, porque ele não tem o hábito de virar o pé.
Ele não é um jogador que vira o pé para bater, é aquele cara que chapa, o passe dele é chapado. Aí você pega o Vinícius Júnior, por exemplo, o Vinícius Júnior faz gol de três dedos que ele bate para o lado de lá, ele vira o pé e bate do lado de cá. Então o Vinícius Júnior tinha a condição de bater o pênalti, ok, ele obedeceu a ordem do treinador, não é o outro que bater. Foi isso que aconteceu. E é esse um dos problemas do futebol brasileiro: tirar a iniciativa e a intuição dos caras que estão dentro do campo.
Os caras já entram com a lição de casa pronta. Ó, escanteio é esse, bola, falta lateral é você, quem vai bater lateral com a mão é esse, o pênalti é esse. Cara, o jogo é jogado. Se eu tô bem no jogo e sai um pênalti, eu vou falar assim para o cara: deixa eu bater. Eu quero bater, eu tô bem. Tá, beleza, vai lá e bate. Ninguém vai falar assim no campo: não, o treinador falou que sou eu. Não, cara, o jogo é jogado com quem tá em campo.
Quem tá do lado de fora treina durante a semana. A partir do ponto que se entra em campo e o juiz apita o começo do jogo, quem manda tem que ser os jogadores. Eles têm que decidir o que tá acontecendo dentro do campo. Claro, não tô falando para não fazer o que foi treinado, não obedecer a O planejamento, não, não é isso, mas ter mais iniciativa, ter mais intuição, ter mais espontaneidade no jogo. Nós temos um time de robô. A seleção brasileira se transformou num time de robô.
É você jogar no Rio, como chama em São Paulo, é pebolim. Como que é no Rio? Totó. É você jogar totó. O Brasil, a seleção brasileira joga totó, joga pebolim. Fica um lá, outro lá, outro aqui, e só chuta se a bola for nele. Porque o Totó, você não rouba a bola de ninguém, né? A seleção brasileira ontem era um time de pirulim, um time de Totó. Se a Noruega jogasse a bola para o lado de cá, aí Brasil pegava. Mas Totó joga parado, Totó faz assim, ó, fica correndo, fica olhando o outro time tocar a bola para chutar.
Então a minha maior, a minha maior decepção com Ancelotti, que eu fiquei decepcionado com Ancelotti na Copa do Mundo, tá? Bastante decepcionado, não é pouco não, muito decepcionado desde a festa da convocação até agora ontem na eliminação. O que mais me incomoda dentro do futebol brasileiro hoje em dia é você transformar o jogador, que a coisa mais forte que nós sempre tivemos, né? Eu não tô falando de geração Pelé, Zico, Sócrates, Ronaldo, Rivaldo, não é isso, não é, não são, não é a categoria do jogador.
É a liberdade que os jogadores tinham para jogar. O jogador antigamente, o futebol brasileiro era difícil de se jogar contra. Os europeus tinham medo de jogar contra o Brasil. O Brasil era soberano no futebol mundial, mesmo quando não ganhava a Copa do Mundo, ele continuava soberano porque eles não sabiam como jogar contra a gente, porque o jogador brasileiro tinha a ginga, tinha a iniciativa, tinha a intuição e tinha espontaneidade de jogar.
Tudo, tudo era trabalhado, mas chegava uma hora que a bola caía no pé de alguém que o cara fazia uma coisa diferente. Nós não fazemos nada diferente, nós não fazemos nada diferente. É só você, quem vai jogar contra o Brasil, assiste, pega o vídeo e assiste 3 jogos do Brasil e fala, ó, tá vendo como eles jogam? Eles não fazem nada diferente, é sempre a mesma coisa. E hoje quem faz coisa diferente é o futebol europeu, são as grandes seleções europeias.
Você vê a França jogando né, com aqueles 4 caras na frente, você olha e fala assim: caraca, isso aí o Brasil fazia há 20 anos atrás, 30 anos atrás, há 60 anos atrás. O Brasil foi campeão em 70 fazendo isso que esses caras estão fazendo. O Brasil foi eliminado em 82, mas fazendo um futebol maravilhoso, jogando assim como a França tá jogando hoje. Então eles pegaram a nossa espontaneidade, intuição, e nós pegamos a robotização europeia de se jogar futebol antiga.
Só mais uma coisa, só mais uma coisa. Questão de escola, né? Falou muito o nosso DNA, a nossa escola futebolística. Isso é questão de base, gente, não é quando chega na seleção principal. Quando chega na seleção principal, se não tiver a escola futebolística brasileira, se não tiver o DNA de jogar futebol como o Brasil sempre jogou, é questão da preparação da base lá do Sub-16 não tá sendo bem feito. Como PVC falou, ficar em último lugar numa chave com México, com Espanha, com Marrocos no Sub-20.
Então a base, a base da seleção brasileira, seleção de base, todas elas não tá sendo bem feita, porque o resultado final é isso que nós vimos ontem. Todos eles passaram pela base, então eles saíram da escola preparada, que foi preparada há anos, esses caras todos que jogaram ontem. Todo mundo é da base.
Perfeito. Ô Mauro, é com relação ao que eu, da pergunta inicial lá, era sobre o pênalti. O Guardiola falou, não, o cara tinha que bater, ou principal jogador tem que bater. Vamos lembrar que na Copa passada o Neymar foi muito criticado porque não bateu o pênalti naquela decisão lá. Ontem era para ser o Vinícius, ou você acha que não?
Eu acho que não, porque o Vinícius não é um bom batedor. Ele já perdeu 4 em 14 no Real Madrid e bate mal. Pode reparar, mesmo quando ele converte, não é um grande cobrador. Eu imagino que aí o técnico fez a escolha a partir das observações em treinamento, que o Vinícius não é um bom batedor de pênalti, pode ver. E ele começou a bater porque tava todo mundo perdendo, até Mbappé andou perdendo pênalti. Ele foi bater e não bate bem, não é um bom batedor.
Poderia ter perdido também. E agora não dá também para exigir que o jogador pegue a bola na marra: eu vou bater porque eu sou tal. Então aí defenderia bagunça, né? Porque, como eu disse, o Casagrande, cabe ao técnico definir. Aliás, uma coisa que eu nunca entendi, essa história do treinador que lava as mãos e deixa os jogadores no campo decidirem quem vai bater um pênalti. Não, quem está se sentindo melhor. Não, isso aí tem que ser definido antes, porque tem qualificação para isso, tem mais frieza, é preparo para bater o pênalti, que é algo diferente.
Não depende de você ser um bom ou mau jogador para bater bem pênalti. Tem goleiro que bate bem, tem zagueiro que bate bem pênalti, laterais esquerdos, né? A gente via pouco tempo ali, o Reinaldo bate até hoje, o Fábio Santos batia bem, laterais esquerdos. Fogari batia pênalti, outros goleiros batiam pênalti. Então não tem que ser o craque do time, tem que ser o bom batedor de pênalti. O Vinícius não é um bom batedor. Agora, se o Bruno Guimarães treinou bem ou mal, aí eles é que viram lá no treino.
Ele escolheu o rapaz, aí acabou perdendo a cobrança. Mas eu não consigo entender, é muita vontade de perseguir o garoto também, né? Ah, o Vinícius tinha que bater. Então pega a bola, bate, ele faz o que ele quer, né? Acho que o Ancelotti falou muita coisa, mas ele fez uma escolha, acabou errando a cobrança do pênalti, bateu mal. O goleiro defendeu, mas eu não acho que o Vinícius tinha que bater, porque o Vinícius não é um bom batedor.
Simplesmente isso, ele não é um bom batedor de pênalti, nunca foi. Não sei se um dia ele será. O Neymar virou um excepcional cobrador de pênalti, que ele foi desenvolvendo uma técnica e ele virou— ele é quase impossível defender pênalti do Neymar, né? Isso ele ainda faz muito bem, mas no início não era tão bom assim. Ele foi desenvolvendo isso. Vinícius talvez um dia aprenda. Hoje eu acho que ele não é um grande batedor, mas querer que ele pega a bola e bata na marra, ele defendeu a bagunça total, né?
Porque tem que ser defendido pelo técnico que vai bater. O próprio técnico falou também, né, que ele fez a escolha e tudo mais.
É, então tem uma coisa tão interessante, eu acho que passando por essa discussão do batedor, o Vinícius de fato não é um bom batedor, embora seja a segunda opção do Real hoje, às vezes terceira. Esse tipo de jogador hoje, o melhor jogador ou dos melhores jogadores, ele precisa treinar esse fundamento e precisa ser um expert nesse fundamento, porque tem que ser com ele sempre. Essa Copa tá sendo uma prova cabal disso, né? Porque hoje tem muito mais pênalti que antes, muito mais, muito mais decisão e muito mais VAR.
Tem pênalti toda hora, toda hora, muito mais que na época do Zico, hein? Muito mais que na época do Zico de 86, muito mais. Então é aquilo, Pênalti para Inglaterra, o Harry Kane, ele assume, ele bate pênalti toda hora. Ele não é exatamente um espetacular cobrador de pênalti, perdeu nessa Copa, voltou, ele bateu de novo. Ele foi lá, pênalti para Inglaterra, vai ter que bater esse cara primeiro porque ele vai estar sempre em campo, certo?
Vinícius, o Kane, o Mbappé, o Messi, o Ronaldo. O Cristiano Ronaldo já perdeu vários pênaltis. O Messi, o Neymar ensinou o Messi a bater pênalti. Com a técnica que o Mauro tá falando, no PSG, junto com o Mbappé. Então o principal jogador do time hoje, isso é para o Vinícius daqui para frente, ele precisa saber bater pênaltis, porque os campeonatos e os jogos são decididos nos pênaltis nessa era do VAR, né? Isso tá acontecendo na Copa o tempo todo, o tempo todo nessa Copa tem pênalti ou decisão por pênaltis.
Ou então assim, de fato, talvez não fosse ele para bater o pênalti. E concordo com o Mauro nesse aspecto, não é pegar a bola, ó, eu bato e não sei o que lá. Mas o principal jogador de um time de futebol, ou os principais jogadores de futebol, eles precisam nesse fundamento ser infalível. Os caras precisam ser infalíveis, né? É como num lance livre decisivo no basquete, etc.
e tal.
O pênalti no futebol, ele virou uma coisa trivial, só que frequente, habitual, de todas as formas, de todos os jeitos. Tem pênalti, e o Mauro lembrou também que teve no jogo do México a mesma situação pro México, foram caçar um pênalti pro México. Vai ter isso. No próximo jogo da seleção brasileira. E o Vinícius, como hoje, já que acabou o reinado Neymar, ele precisa saber que ele vai ser o cara a ser observado para bater pênalti.
Vai ter que ser com ele. Ele precisa treinar isso. O Cristiano Ronaldo não era especialista, teve que treinar. O quem não era especialista teve que treinar. O Messi não era especialista, teve que treinar, teve que mudar o jeito de bater. E assim vai ser, porque o pênalti virou uma coisa trivial e decisiva no futebol.
Daqui a pouco eu vou mostrar uma matéria importante.
Só para reforçar o que falou o Arnaldo, o Kehne perdeu na Copa passada no jogo da eliminação para França, veio essa Copa, bateu, perdeu, manda voltar e fez. E ontem bateu de novo. Isso é isso aí que o Arnaldo tá falando. Eu concordo muito, vale para o Vinícius, ele tem que aprender a bater. Que eu falei, pode ser que um dia ele aprenda a bater, tem que aprender a bater sim. É que os nossos hermanos falariam, o jogador tem que ter huevos nessa hora.
Vai lá e bater, mas tem que ter técnica também, claro, claro, né, para não errar. Então a lição que o Vinícius tem que levar é essa: ele tem que aprender a ser como Neymar aprendeu, como Messi aprendeu, como tantos outros aprenderam.
Fala, Cazão, você chamou?
Não, algumas coisas têm que ser esclarecidas, né. Quando um jogador decide dentro do campo tomar o pênalti, bater o pênalti no lugar de um outro É conversado ali, não é bagunça não, não é querer mandar, é estado de espírito. O melhor batedor, aquele que tem que bater o pênalti, aquele que bate em jogo. Bruno Guimarães bate em jogo? Ele bate em treino. Você vai lá ver, eu hoje, se eu for bater treino, eu bato 10, talvez acerte 9.
Um jogo não tenho responsabilidade, não é pressão, não é nada. Quem bate pênalti, quem tem que bater pênalti, aquele que bate em jogo, não aquele que bate em treino. Aquele que bate em treino, ele treina por uma decisão de pênalti. Aí vão 5 caras bater pênalti, você treina todo mundo para ter 5 para bater. Mas aquele que bate no jogo com a bola rolando tem que ser o cara que bate, que é acostumado a bater em jogo. Qual é o hábito do Bruno Guimarães bater em jogo?
Ele bateu em treino, bateu pouco inclusive.
Nem do Newcastle ele é o principal batedor, e ele é o dono do time. É, ele é o dono do time do Newcastle, nem lá ele principal batedor.
Treinar pênalti, todo jogador treina, independentemente se é uma competição que vai ter disputa de pênaltis. É até uma brincadeira, você aposta com outro cara para tirar uma onda, vamos bater, aposta com o goleiro e bate pênalti. Todo mundo gosta de bater pênalti em treino, todo mundo gosta de bater pênalti em treino. Chama o roupeiro, ele vai lá bater pênalti em treino. Chama o massagista, ele também vai bater em treino. O batedor, o batedor de pênalti de uma equipe é aquele que bate em jogo.
E a seleção brasileira não tem aquele que bate em jogo, por isso Porque eu acho que independentemente de bater bem ou mal, o Vinícius está bem na Copa do Mundo. O Vinícius já tinha feito 4 jogos. Eu não tô falando que ele tem culpa, que ele pipocou, nada disso. Eu só tô falando que dentro do campo, numa decisão contra a Noruega, o melhor cara que tá, o melhor jogador da Copa do Mundo daquela seleção, ele tá com estado de espírito melhor.
Qual era a moral do Bruno Guimarães de bater o pênalti ontem? Moral assim, é Qual era o estado de espírito dele? Zero, gente, zero.
Danilo, diga lá. Desculpa aí, eu tava aqui para passar a bola para você.
Eu concordo com isso, com o que disse o Cazão, né? Eu acho que o Vini, ele tem tamanho na seleção para não necessariamente só no jogo ter falado eu quero bater. Durante a semana, durante a preparação toda, ele era o artilheiro do time. Ele chegou aqui no auge físico, ele tava como um dos líderes do time, ele era o cara que tava chamando a responsabilidade para todos os jogos. E eu acho que ele poderia ter ou conversado ali na hora do jogo mesmo, chegado ali no banco de reservas, falado: Ancelotti, quero bater.
Nenhum jogador ia falar para ele que não era para ele bater, nem duvido que o Ancelotti ia falar: não, não quero que você bata. E durante a semana também, eu acho que ele poderia ter ajeitado e conversado e treinado e batido de novo. Mesma coisa que eu assino embaixo. E eu tava chamando a palavra para falar, o Cazão falou exatamente o que eu penso. Não tô dizendo que ele é pipoqueiro, que a eliminação tá na conta dele, não, mas ele tinha que ter chamado a responsabilidade ou durante a semana ou no jogo, ter chegado ali para o Ancelotti, falado, quero bater.
Ele não é o melhor batedor de pênalti do time, mas é o cara que tava no melhor momento, com a maior confiança, e tem mais costume de bater do que o Bruno Guimarães, mais costume de bater, sei lá, do que o Casemiro, mais costume de bater do que o Rayan. E ele era o cara que poderia ter feito isso. Então eu acho que ele tinha que ter batido sim, e acho que ele poderia ter conversado sim Se o Ancelotti determinou a hierarquia, culpa do Ancelotti também.
Mas eu acho que faltou o Vinícius ter chamado essa responsabilidade e bater. Como disse o Cazão, não acho que é uma bagunça, eu acho que é uma conversa, uma determinação de quem tá dentro do campo e que o técnico poderia ter acatado.
Ó, vou fazer um breve intervalo aqui na TV. O debate está quente, nós estamos atingindo audiência quase tetra brutal, espetacular. Mas deixa eu dar uma dica para você que acompanha o Posse de Bola, hein. Se você ainda não assina o UOL, a hora é agora. Além de conteúdos exclusivos, o assinante UOL tem acesso à comunidade do Posse de Bola no WhatsApp, essa que o Juca mandou um vídeo tão legal ontem à noite depois da nossa— a gente fez ali na saída daqui.
Eles não viram que você se recusou, né?
Isso e muito mais, muito mais coisas temos lá, além das colunas do Juca, do Mauro César, do Danilo, do Trajano, do PVC. Assinando o UOL.
Certo?
E agora quem faz assinatura do UOL ganha uma camiseta da loja do Posse de Bola. Olha lá, do Ratão de Bronze, aquela amarelinha, aquela preta com o nome da galera ali. A outra tá escrito Audiência Brutal e por aí vai. Tem vários modelos para você ficar vestido de Posse de Bola, que é um sucesso total nessa Copa do Mundo. Então é agora, meu amigo, aponte a câmera do seu celular para esse QR code que tá na tela e você ganha a sua camisa.
Assine o UOL por um ano, você ganha a camiseta, uma camiseta, seu, sua escolha do Posto de Bola. Tem vários modelos. Vamos para um breve intervalo na TV e vocês mandem suas mensagens aqui no chat do YouTube e já voltamos. Ó, questões de ordem aqui importantes.
Primeiro, diga, Stephanie mandou fazer o quê?
Falar como é que a gente tá de audiência. Audiência quase tetra brutal. Likes, batida a meta, Danilo, 16 mil já, passamos inclusive, certo? Chame enquete. Quem sabe tá ganhando, Juca?
Esse é um bom.
Neymar e as substituições, 45%.
Pênalti desperdiçado, 20%. Haaland livre, 6%. Abdicação da posse de bola, 29%. Tá assim a nossa enquete.
Eu quero deixar isso claro, eu não concordo que o Brasil tenha abdicado da posse de bola. Eu acho que a Noruega deixou o Brasil pegar na bola. O nosso, quero só lembrar o seguinte: Roberto Rivellino não batia pênalti.
Sim, mas isso em algum momento, enquanto tinha o Pelé, etc., que depois não destrói nenhum argumento de ninguém, apenas eu tô lembrando. E era um cara como ele, um batedor de falta brilhante, menos habitual ter pênalti.
Não gostava de bater pênalti.
O Vitor Sérgio Rodrigues, nosso companheiro, ele coloca um número, posse de bola, é Noruega e Costa do Marfim, 53 Noruega, 47 Costa do Marfim. Noruega e França, 43 Noruega, 57 França. Noruega e Senegal, 42 Noruega, 58 Senegal. Então assim, é a posse de bola norueguesa em relação ao Brasil, que foi 66 a 34, ela não é verdade, ela não condiz com o que é a Noruega normalmente diante de outros adversários.
É só essa questão. E até tiro esse jogo contra a França, que jogou com time reserva.
Mas é isso mesmo.
Olha só, posso falar uma coisa?
Pode.
É que dá um número dado outro dia, tá, saindo do jogo contra o Japão, o Rodrigo Caetano falou uma coisa, ele falou uma super boa, não é, não é uma correção dele não. Ele falou assim, o jogo hoje como tá, você tem mais, mais, às vezes você tem mais chance de ganhar se você tiver menos a bola. Às vezes sim. Aí eu falei para ele, cara, mas 52% dos jogos dessa Copa quem ganha é quem mais, quem tem mais posse de bola. Eu fiz essa conta.
Hoje são, hoje são 92 jogos da Copa, 50 foram vencidos por quem tem mais tempo de bola no pé. 19 por quem tem menos tempo de bola no pé, 23 empates. Então 52% dos jogos são vencidos por quem tem mais a bola. Isso não é uma certeza absoluta, você pode ganhar. O Paraguai ganhou da Turquia com 22% de posse de bola. Você pode, existem maneiras de jogar futebol diferentes. Volto a dizer, é só, é um símbolo. O Brasil joga com a bola.
Muito bem, ó, estamos voltando já rapidamente em 9 segundos e atingindo a espetacular audiência quase tribrutal.
Não, acima de tribrutal.
Estamos de volta, ó, eu vou colocar uma tela aí para vocês, coloca a tela no ar para nós, com jogadores que estão em condições para o próximo ciclo de Copa do Mundo do Brasil. Ah, que beleza! Jogadores e suas idades: Hendrik, 19, Rayan, 19, Martinelli, 24, Igor Thiago, 24, Danilo Santos, 25, Luiz Henrique, 25, Vini Júnior, 25, Ederson Silva, 26, Matheus Cunha, 27, Banes, 27, Gabriel Magalhães, 28, Paquetá, 28, Bruno Guimarães, 28, Bremer, 29, Rafinha, 29.
PVC, pera aí, para, tá faltando Neymar.
Neymar não. Estevão, Rodrigo, Wesley, Militão também. É, ainda com chance. Minha pergunta, PVC, é a seguinte: independentemente do que precisamos fazer do ponto de vista estrutural, mas com essa turma aí dá para fazer um time sem goleiro?
Não tinha nenhum goleiro.
Não, não. A primeira vez na história que o Brasil joga duas Copas seguidas com os três goleiros que perderam a Copa anterior, né? É a primeira vez na história que o Brasil tem um goleiro titular em 3 Copas sem ganhar nenhuma. Os outros 2 goleiros que jogaram 3 Copas foram Gilmar dos Santos Neves e Tafarel. Os 2 chegaram na terceira Copa porque ganharam uma delas. Eu acho que tem um problema do Brasil, precisa produzir jogadores melhores do que está produzindo, mas o maior problema não é falta de jogador.
Tem um problema de geração, tem falta lateral, falta meio-campista, falta centroavante, tô de acordo, mas o problema não é falta de jogador. O problema é que a gente tem que discutir de novo tudo que tá acontecendo, tem um liquidificador para colocar um monte de coisa dentro. O técnico é uma parte, a geração é uma parte, os jogadores mimados é uma parte, essa geração de influenciadores que trabalha pela imagem dos jogadores e não pelo jornalismo, não pela informação, é uma parte.
Tudo isso é uma parte, tudo isso é parte, é um jogo de cultura que a gente precisa botar no liquidificador e mexer. Mas acho que tem jogador. Se o Brasil tivesse Estevão e Rodrigo, talvez fosse muito mais difícil fazer a pressão para o Neymar estar aqui. Talvez não tivesse vindo. Tem jogador para montar a seleção mais forte, que jogue melhor. E a gente precisa ter a capacidade de recolocar o Brasil com identidade que a gente passou por aqui.
Uma identidade de jogo que a Colômbia tem. A Colômbia, quando joga bem, joga como a Colômbia, e o Brasil tá jogando como qualquer seleção.
Ou, para fechar, Mauro, apesar da sua grande decepção com o trabalho do Ancelotti agora e com essa turma que tá aí, é possível fazer um bom ciclo e uma Copa melhor que essa? É óbvio, mas fazer um time decente para o próximo ciclo com Ancelotti?
É possível, é, mas o momento não aponta nessa direção. Só que é muito tempo até lá, né? Muita coisa vai acontecer. Eu acho que a questão, por exemplo, o diretor de futebol é o Rodrigo Caetano, que é capaz de falar uma coisa como essa aí, por exemplo, para justificar a maneira como jogava o time do técnico que ele contratou. É, passa por aí, entendeu? É isso. Eu acho que essa questão é muito maior do que o Ancelotti. De fato. E o que que a CBF faz no sentido de estimular os clubes a desenvolver jogadores com qualidade em posições carentes, por exemplo?
Tem algum movimento, alguma coisa? Ou ela só usa os jogadores, ganha o dinheiro dela com os amistosos em determinadas datas FIFA, que vão recomeçar daqui a pouco, né? Não existe muito conteúdo nesse sentido, até porque as pessoas estão preocupadas com o poder e não com o desenvolvimento do futebol ou coisa parecida.
Perfeito.
Só para terminar, só em um minuto, o PVC.
Não, é só para é justo com que o Rodrigo falou, porque o Brasil teve mais posse de bola que o adversário nos 4 jogos. Ele falou depois do 4º jogo, quando o Brasil teve mais posse de bola que o Japão. Ele tava falando de um modo geral sobre a Copa do Mundo, né, em que o Paraguai ganha com 22% de posse de bola. E não quer, não queremos ninguém, nenhum de nós, que o Brasil jogue com 34% de posse de bola.
Muito bem, ó, ficamos por aqui por hoje. Audiência praticamente tetra brutal. Muito obrigado a vocês que estiveram com a gente aqui nesse mais um Esporte de Bola. E Posse de Bola continua, amanhã tem mais, e depois de jogos importantes tem mais. E hoje tem jogão, é Portugal-Espanha.
Como depois de jogos importantes? Tem todo dia até a final da Copa. Depois, além do domingo, isso aí não tá combinado. Não, senhor, vai estar só Corinthians.
Valeu, Juca, valeu, Arnaldo, valeu, Casagrande, Danilo, PVC e Mauro César. Voltamos Até amanhã. Fique agora com a programação do Canal UOL. Tchau!