Episódios de Posse de Bola

#641: Brasil decepcionou? Quem pode perder lugar no time após a estreia na Copa?

14 de junho de 20261h28min
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Arnaldo Ribeiro, Mauro Cezar, Casagrande, Dudu Monsanto, José Trajano, Danilo Lavieri e Rodrigo Mattos debatem os reflexos do empate do Brasil com Marrocos, quem decepcionou mais e as possíveis mudanças do time para encarar o Haiti

Participantes neste episódio7
D

Dudu Monsanto

Host
A

Arnaldo Ribeiro

Co-host
M

Mauro Cezar

Co-host
C

Casagrande

Convidado
D

Danilo Lavieri

Convidado
J

José Trajano

ConvidadoJornalista
R

Rodrigo Mattos

Convidado
Assuntos7
  • Campeonato Brasileiro de FutebolDesempenho geral da seleção · Críticas ao técnico Carlo Ancelotti · Desempenho de Casemiro · Desempenho de Vinícius Júnior · Possíveis mudanças no time · Comparação com outras seleções · Expectativas para o jogo contra o Haiti
  • Estratégia de AncelottiCríticas ao trabalho · Escolhas táticas · Convocação · Renovação de contrato até 2030
  • Desempenho de JogadoresVinícius Júnior · Casemiro · Paquetá · Igor Thiago · Hendrick · Fabinho · Matheus Cunha
  • Marrocos na Copa do MundoEmpate em 1x1 · Atuação individual de Vinícius Júnior · Críticas a Casemiro · Desempenho de Paquetá · Estratégia de Carlo Ancelotti
  • outros jogos da CopaAustrália 2 x 0 Turquia · Catar 1 x 1 Suíça · Escócia 1 x 0 Haiti · Estados Unidos x Paraguai · Holanda x Japão · Alemanha x Curaçao
  • Futebol Globalizado e Mudança de PotênciasEvolução do futebol japonês · Papel de Zico no desenvolvimento · Comparação com a Itália · Jogo contra a Holanda
  • Impacto dos eventos climáticos extremos na vida cotidianaParalisação de jogos por tempestades · Contratação de meteorologistas · Minimização do tempo sem jogo
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Voz A:Bom dia, gente! Tá começando o Posse de Bola aqui pelo canal UOL, pelo YouTube do UOL Esporte e também nos agregadores de podcasts. Quarto dia de Copa do Mundo começando. E tem posse de bola todo dia durante o Mundial de 2026. Então prepare-se. Eu sou uma cara nova por aqui, mas você vai acabar enjoando da cara dessa gente que está aqui. Astros e estrelas do Canal Walk já acordaram cedo para debater o que rolou ontem, o que vem por aí nos próximos dias de Copa do Mundo. É aquele Domingão assim parrudo. Já teve jogo de madrugada com a Austrália surpreendendo a Turquia. Mais 4 jogos hoje no decorrer da programação. Então prepare-se, tá só começando. Comigo no estúdio aqui em São Paulo estão Mauro César Pereira, Arnaldo Ribeiro, e remotamente também se juntam a nós o grande Rodrigo Matos, o José Trajano dos Reis Quinhões e o Danilo Lavieri, que está conosco e daqui a pouco será o responsável por traçar a nossa meta de likes. Para esse domingo de manhã, 8:30. Não, você não está vendo nem o Globo Rural, nem o Santa Missa em seu lar, é o Posse de Bola mesmo que tá chegando. E de cara para o José Trajano já dá aquela cornetada que você tá habituado aqui no Posse de Bola. Bora ver a enquete de hoje no nosso programa. Quem foi a maior decepção da estreia do Brasil? Seria Carlo Ancelotti? Seria Casemiro, seria Rafinha, que o Casemiro ali tá com I, então o pessoal vai achar que é o casé da Casé TV, embora o nome certo do Casemiro seja com I. O Rafinha é um outro candidato e o Igor Thiago completa o nosso quarteto. José Trajano, bom dia! Tô vendo que você tá feliz, que hoje acho que tem canole do Calimano. O homem já tá ali salivando, que domingo é dia de comer fora. Bom dia, Trajano!

José Trajano:Bom dia a todos e todas. Bom dia, querido Dudu, matando a saudade. Grande abraço para você, sucesso. Nós estamos relembrando aqui o velho pontapé inicial dos velhos tempos da ESPN. Eu vou me manifestar em relação à enquete em respeito a você. Não é pif nem mequetrefe, mas vamos querer depois, mais para frente, eu vou me manifestar.

Voz A:O homem começou É o Trajaninho paz e amor, não é o Trajaninho do Velho Testamento. Esse eu conheço bem. Vamos passar a bola para o Danilo Lavieri traçar aqui a meta de likes para esse domingo. Domingo que tem jogos muito legais, né, Danilo? Bom dia!

Danilo Lavieri:Bom dia, Dudu! Bom dia, amigos, todo mundo que nos acompanha aqui. É um prazer estar com você aqui, Dudu. Vamos fazer uma meta bem tranquila, domingo de manhã, pós jogo ruim do Brasil, galera que ficou até tarde vendo a Austrália ganhar da Turquia. Então vamos começar com uma meta bem tranquila, Dudu: 4 mil likes, tá?

Voz A:4 mil likes, tá bom, tá bom, né? Eu tô igual aqueles estreantes da seleção brasileira de ontem, tentando entender aqui como é que é Copa do Mundo. Vamos dar uma meta de likes. Fala, pô, primeiro dia que o cara aparece lá, não bate meta, né? Que coisa horrorosa. Antes de passar a bola para ouvir Mauro César Pereira sobre as impressões dele desse Brasil 1, Marrocos 1. Bora a gente ver o que aconteceu no sábado, né, o dia de Santo Antônio. Não, Santo Antônio é 12, né, ou 13. Não, 13 de junho. A gente tem uma arte aqui com os resultados. Só batendo aqui rapidamente para você o que rolou no sábado. Tivemos um Catar 1, Suíça 1. O Brasil e o Marrocos empataram em 1x1. E o Haiti, quem achava que fosse ser aquela baba do quiabo, nada. Foi um jogo duro, a Escócia ganhou por 1 a 0. E na madrugada, embora a Turquia tivesse mais volume de jogo, parou no goleiro australiano e deu Austrália. O Iran Kunda vai botar na sua rede. Iran Kunda foi um dos astros da vitória da Austrália, 2 a 0. O Matt Coff fez o outro gol nesse jogo que rompeu a madrugada. Mauro César Pereira, bom dia! O Brasil saiu no lucro com esse 1 a 1, podia ter sido pior. Tudo bem?

Mauro Cezar:Tudo bem, bom dia, Dudu, um abraço, bom estar com você aqui. Minha conclusão assim é o seguinte: o trabalho do Carlo Ancelotti é ruim demais. Depois de 1 ano e alguns meses, né, março do ano passado, é um trabalho ruim. O Brasil não tem rigorosamente nada, zero, zero. Não tem nada que você possa falar, não, um setor do time que funcione, alguma qualidade que você possa destacar do ponto de vista coletivo. Você vai viver do quê ali? Vai viver de qualidades individuais, lampejos, e foi por conta de um lampejo, de um momento individual do Vinícius que o Brasil escapou de uma derrota, que aquele gol veio numa hora assim salvadora, quando o Brasil era dominado, perdia e parecia muito mais próximo de tomar um segundo gol do que de ameaçar o adversário.

Voz A:É, quem diz que o Vinícius não joga na seleção, ontem ele teve um jogo em que ele me pareceu estar com sangue nos olhos o tempo todo.

Mauro Cezar:O Vinícius Júnior tem Ele em campo, Brasil em campo com Vinícius, Brasil fez 8 gols, ele participou de 7. Passes para gol, gols marcados ou construção de jogada. É uma das maiores falácias que há dizer que o Vinícius não joga na seleção. Isso não é verdade, pelo menos em Copa do Mundo, que é o que importa, né?

Voz A:Lógico, é a hora que a onça bebe água e ele tá chegando junto. Falta companhia, né? Falta gente para jogar junto. Rodrigo Matos, bom dia! Quero saber de você Se tem gente ameaçada, né, de perder lugar no time, porque o Ancelotti inicialmente tinha ali uma espinha dorsal, mas já dá para ver que tem uma costela ali no meio do caminho chamada Casemiro que tá meio baleada, né. O PVC ontem foi brilhante, disse que parecia um caminhão subindo a Serra das Araras. Quem já andou pela Dutra e ficou preso atrás de algum caminhão que tombou ali na Serra das Araras? Sabe que a comparação foi bem pertinente, né, com o futebol que apresentou o Casemiro. Na minha opinião, até o Fabinho entrou muito bem no jogo, deu uma estabilizada, estancou a sangria por ali. Quero saber de você, Rodrigo, se essa espinha dorsal de alguma maneira fica ameaçada depois desse 1x1. Bom dia.

Rodrigo Mattos:Bom dia, Dudu, é um prazer estar contigo aqui. Bom dia para todo mundo. É a enquete aí que você botou, tem 4 pessoas, 4, mas podia ter muito mais gente, né. Se a gente olhar, o Paquetá, por exemplo, é um que também pode estar ameaçado pela atuação ruim que ele teve. Enfim, e Banes, né, enfim, tem muita gente mal. E eu acho que o Carlo Ancelotti com escolhas muito ruins no geral. Então ele também ficou irritado, o Danilo acompanhou lá coletivo, ficou irritado, mas devia estar irritado com ele mesmo, né, porque ele cometeu muitos erros ontem. Então até acho que no final das contas o empate não foi muito fora do escopo não, porque o Brasil Brasil teve um pouco melhor no segundo tempo, teve mais chance, mas não foi assim uma demonstração de força do Brasil.

Voz A:Verdade, ficou de certa forma muita gente ali devendo. A enquete só tinha 4 lugares, viu, Trajano? Por isso que a gente só botou 4 ali, porque cabia mais gente nessa enquete, não?

José Trajano:Não, a enquete, vamos pronunciar depois, eu vou rever nessa direita aí. O Arnaldo sabe o que eu acho.

Arnaldo Ribeiro:Na verdade, a gente estava discutindo antes da estreia, acho que existia uma expectativa não com base nas nossas observações de jogos anteriores, nem do pouco que os companheiros viram nos treinamentos, mas simplesmente a expectativa das ruas aqui, né, Dudu? Quando tem... E eles que estão fora, às vezes não sabem assim... Se a estreia da seleção brasileira está despertando interesse de fato. Estava, como normalmente acontece. E acho que essa, não digo uma empolgação, mas essa esperança, devido-se ao fato de, desta vez, o Brasil ter um comandante diferente, que embora não tivesse apresentado nada no ano de trabalho, o Mauro tem razão, "Ah, mas até lá, até a estreia, vai ter alguma... um coelho na cartola, alguma nova organização, o trio no meio de campo." Mas eu acho que depois, sem querer me antecipar na resposta da enquete, na minha alternativa, e são várias mesmo, como disse o Rodrigo, eu acho que o que ficou depois do jogo é um vazio muito grande, muito grande. E que se talvez tivéssemos um comandante brasileiro fosse o Tite, o Dorival, o Diniz, a gente estivesse descabelando aqui, porque de fato a seleção brasileira em termos de conjunto é um desastre. E ela, talvez o Ancelotti tenha pensado numa forma de atuar durante o seu período todo, que é aquela fórmula com 4 atacantes, que é mais a fórmula do final do jogo, né? E não no início do jogo, e que diante de circunstâncias ele foi tentando outras alternativas que até agora não encaixaram. E não, pior, o vazio é porque não dão esperança disso ser minimizado nos próximos jogos, nas próximas semanas. Quando você tem na discussão de um pós-jogo 4, 5, 6 para perder a posição no time, Você percebe que você não tem nada, como disse o Mauro, você não tem nada. Você não tem um conjunto, você não tem grandes individualidades, você começa a prestar atenção nos outros times, nas outras seleções. Então, como comparar a seleção brasileira com a seleção norte-americana na estreia? É impossível, parece que é outro esporte. Como comparar Brasil com Marrocos? Em termos de conjunto e tal. Isso é meio chocante. Tenha sido a estreia mais frustrante de seleção brasileira desde que eu acompanho.

Voz A:Você pensou em broxante, mas falou frustrante. Exato.

Arnaldo Ribeiro:Frustrante. Eu vi você frustrante. E tem um adendo. Na minha opinião, as 4 principais seleções nem estrearam ainda. E não vão estrear hoje. Domingão a gente vai ficar vendo Holanda e Japão, que é provável confronto e tal, não sei o quê. Mas Argentina não estreou, atual campeã. França não estreou. Espanha não estreou. Portugal não estreou. E o Brasil é isso aí. Cara, é horripilante. A sensação de vazio no domingo é incrível. E olha o nono. De fato, até agora, é uma grande decepção. Então ele pode reconstruir, a Copa do Mundo permite isso. Ainda mais uma Copa mais longa, com mais seleções, ou uma fase extra, né, 16 avos de final e tal. Mas olha, pelo cheiro da estreia, o cheiro não é bom não.

Voz A:Danilo, olha, o Ancelotti falou que dependendo do rival ele pode mudar tudo, né? Mas corre o risco da gente ver contra o Haiti se bobear o mesmo time, né, para dar uma engrossada. Não vamos deixar essa galera jogar junto, entrosar mais. O Ancelotti, ele já começa errado na convocação. Ele podia levar 26 jogadores, tá levando só 25. Não vou nem me alongar aqui, só você fazer a matemática aí. Perdeu o lateral direito principal e não convocou um lateral ali para posição. Enfim, ele mesmo tá deixando umas casquinhas de banana no caminho dele, não, Danilo?

Danilo Lavieri:Sem dúvida, Dudu. E eu acho até no período de teste dele, no período de jogos que ele tinha, eu acho que ele testou pouco ali, ele mudou pouco, ele fez poucas alternativas a ponto de a gente ver esse time com 3 no meio só agora nos amistosos pré-Copa. E ele estreou com 3 jogadores de meia, a gente viu que o time tava longe de estar entrosado. Eu ontem na coletiva de imprensa, eu fiquei para mim com a nítida sensação de que ele vai mudar, tá? Até essa foi uma discussão, a gente voltando do estádio ontem, eu, PVC, Casagrande, o Pedro, a Luiza, a gente tava voltando no mesmo carro, a gente voltou discutindo isso. O PVC, o Casagrande, na verdade, levantou e falou: "Pô, já pensou?" Desculpa, foi o Pedro, na verdade, falou: "Pô, pode ser que eles mantenham o time, ganha do Haiti, que é nada mais do que obrigação, e vai ficar com a sensação: 'Nossa, o Brasil engrenou, não, o Brasil engrenou'?" Eu não, eu acho que ele vai mudar, porque ele falou assim, teve uma hora da coletiva que ele fala assim: "Ficou bem claro que a gente errou e ficou bem claro que a gente precisa mudar." E aí depois ele fala essa frase que você disse, né? "Eu posso mudar de acordo com o adversário." Eu acho que ele vai fazer mudanças nessa equipe porque ele ficou bem bravo o jogo inteiro, ficou bravo depois. Até relatei ontem com a questão da FIFA, do som, com a questão da zona mista ali que ele tem que passar antes com os detentores. Teve essa confusão, mas ele também ficou insatisfeito com o desempenho especialmente do time no primeiro tempo. Ele preferiu não individualizar, né? Ele não respondeu a pergunta do porquê o Hendrick não entra. Ele não quis falar de nomes, mas ele ficou falando deu todas as respostas, todas as horas que ele podia, ele falou: "Nossa, primeiro tempo foi muito ruim. Nossa, primeiro tempo foi muito ruim." Então eu fiquei com essa sensação de que ele vai mudar, Dudu. E aí é um pouco da sua enquete aí. Não vou palpitar sobre a enquete porque esse é o papel do Trajano, mas a enquete já dá uma dica de que tem muita coisa para mudar. E eu concordo com o que disse o Rodrigo, que a lista poderia ter sido ainda maior, né. Então eu vejo um Brasil bem diferente contra o Haiti. Hoje o Brasil vai só descansar, que fazer regeneração, trabalho regenerativo no hotel aqui em Morristown, e depois volta a treinar só amanhã. Acho que a partir de amanhã a gente já vai começar a ver ele ensaiando mudanças.

Voz A:Amigos, eu preciso passar, pagar um break rapidamente. A gente volta já ao vivo no canal UOL e seguimos aqui no YouTube. Muito bem, break pago. Vamos ler aqui algumas mensagens da turma que tá participando aqui. Marcos Brienza: se o Brasil mantiver essa nhaca, corre risco contra o Haiti. Daniel Sampaio: eliminados na fase de grupos. Nossa, a galera tá pessimista. Não sei porque o desespero, diz o Beto Martins. Quem leva o Neymar? Não pode se esperar muito mesmo. São algumas das impressões Você que tá com a gente, deixe já o seu like para a gente bater essa meta de 4 mil, né? Disse aqui o querido Danilo Laviere. Bom, temos aqui um superchat do Laurentino Silva: a decepção foi Mr. Carleto, porque os outros três a gente já sabia que não dá. Piores em campo foram Paquetá, Rafinha e Casemiro. Ainda bem que o Vini fez o gol. "Quando eu fiz esse 'não dá', sabe de quem eu lembrei? Paulo Soares. Que saudade, né?" Grande amigão. "Esse mês foi aniversário também do Antero Greco e toda vez que eu lembro desses caras, meu rosto se ilumina." Gustavo Torres: "Ontem vimos a molecada dar espetáculo, um da Turquia com 18 e um da Austrália com 20, e o Ancelotti prefere guardar o Hendrik para 2030." Emerson Veronese: "Brasil deveria perder de 7 a 1, só não perdeu porque foi contra o Marrocos." Iglesias: vai ser difícil chegar nas oitavas. O Turn Blake: Brasil time de várzea. Que coisa, a galera tá realmente decepcionada. Martim Dornelis fala: bom dia, não vamos nos iludir. Marcelo Souza: infelizmente o Hexa não vem esse ano. Yoshi: zaga da Austrália é show. O goleiro, a zaga da Austrália é show. E o goleiro é um paredão, pegou muito. Ele falou que ele começou a se inspirar no softball, ele jogava softball, depois pediu para virar goleiro e acabou sendo destaque da seleção australiana nesse 2x0 contra os turcos. Você ficou de madruga para ver esse jogo, Maurão? Ouviu os melhores momentos?

Mauro Cezar:Eu vi até 1x0, mais um pouco depois não foi possível continuar.

Voz A:E o Maurão é um guerreiro da madrugada, hein?

Arnaldo Ribeiro:Ele é forte.

Voz A:O homem... eu não, eu vi até o Haiti e Escócia, depois eu pedi arrego.

Arnaldo Ribeiro:Esse resultado, né, ele deixa a situação da seleção paraguaia bem complicada, né? Porque além do saldo negativo na estreia contra os Estados Unidos, vai fazer um jogo de vida ou morte contra a Turquia, que não jogou exatamente tão mal contra a Austrália. É o grupo dos Estados Unidos. Que se destacou bastante. E a gente vai ter Estados Unidos e Austrália na próxima rodada. E também tô com você, acho que até agora tava falando, Mauro falou aqui no início, a seleção dos Estados Unidos, são 4 grupos, né, 8 seleções.

Voz A:Estamos voltando.

Arnaldo Ribeiro:Estados Unidos foi o destaque até agora.

Voz A:Estamos de volta aqui no canal UOL. Você que nos acompanha no YouTube também do UOL Esporte nesse Posse de Bola, domingão de manhã, já deixou seu like? Se não fez isso, faça, por favor, não dói, é gratuito e nos ajuda a fazer esse programa chegar a cada vez mais gente, Brasil e mundo afora. Muita gente participando aqui no nosso chat, quando a gente começa a ler já subiu, turma tá animada e ao mesmo tempo meio pessimista, Trajano. Mas o que pouca gente está falando é que a seleção do Marrocos, a gente é do tempo que quando o Brasil pegava um rival africano, dava aquela sacolada. O Marrocos, embora tenha mudado de técnico, embora não seja o mesmo time de 2022 que foi semifinalista, mudou demais, né? Tem acho que 9 jogadores da última Copa que estão nessa. Embora a gente reconheça a qualidade do rival, a gente esperava muito mais do Brasil, né, Trajano?

José Trajano:Primeiro, queria que o Danilo repetisse que que exatamente a frase do míster, do Ancelotti, Jogamos muito mal. Como é que foi no primeiro tempo? Como é que foi, Danilo?

Danilo Lavieri:Ele falou mais de uma vez, ele repetiu em diferentes momentos, tá, Jânio? Ele falou: o nosso primeiro tempo foi muito ruim e a gente viu que errou e já sabemos o que precisamos mudar.

José Trajano:Ah, eu queria adaptar essa frase, ele devia dizer: o nosso primeiro ano foi muito ruim, em vez do primeiro tempo, que o primeiro ano foi muito ruim. Não se aproveitou nada, esse ano foi perdido. Outra coisa que eu queria colocar aqui, antes no programa de sexta pela manhã foi falado, PVC inclusive falou muito, que a grande estrela, segundo a imprensa internacional, segundo se falava, que pela primeira vez a grande estrela da seleção brasileira não era um jogador, era o técnico. E eu até falei, bom, Até agora essa estrela não brilhou. Vamos ver agora na estreia da Copa do Mundo se essa estrela vai brilhar. Não brilhou. Aí eu faço a pergunta: durante toda essa preparação nos Estados Unidos, eu fui contra, o Danilo sabe disso, todo mundo que tá cobrindo, que só tem acesso restrito a 15 minutos antes do treino para valer, tem acesso àquela bobinho para cá, bobinho para lá, colantola, bola e tal. Aí depois fecha o treino, jornalistas são expulsos, Aí tem um treino para valer. O dito e redito é que o ambiente estava leve, leve, sensacional, descontraído, tudo perfeito. Agora eu pergunto: esse ambiente leve, descontraído, vai continuar ou já era? Sabe por quê? Pela irritação do Ancelotti. Claro, tem um problema do som, não sei o quê, a FIFA deixou ele de pé, mas a irritação dele se dá porque ele não conseguiu fazer dessas eleições um time em condições de disputar uma Copa do Mundo de igual para igual com essas seleções que o Arnaldo falou aí, que as grandes seleções não estrearam ainda: Portugal, Espanha, França e Argentina. Que nós vimos até agora não foi a seleção brasileira que se esperava que fosse fazer pelo menos um brilhareco, nem brilhareco fez. Até agora a gente veio, viu a Coreia mostrando um bom futebol, surpreendentemente, e e principalmente da seleção americana. Foi um fiasco, foi um fiasco. E essa coisa que o Arnaldo falou, que me impressionou, fiz um comentário ontem, que é bom lembrar ainda, Dudu, que toda vez que tiver jogo da seleção brasileira tem um pós-bola especial pós-jogo. O próximo jogo contra o Haiti vai terminar 11 da noite, se não me engano. Vamos varar a madrugada falando de Brasil e Haiti. Nas ruas que se viu uma enorme empolgação. Que eu não esperava. E esse sentimento de vazio que o Arnaldo falou tá se dando nesse domingo. Era para ter continuado madrugada adentro, essa euforia, a expectativa foi alcançada. Nada. Então por isso foi um fiasco. E eu tenho dúvidas o que que vai acontecer daqui para frente. Caiu do céu para o Brasil ter como segundo jogo o Haiti, porque vence, sabe, pode ganhar 1x0, 2x0, 3x0, até golear. E talvez as coisas melhorem para o jogo contra a Escócia, que é um adversário que, olha lá, essa escolha é dura, é carrapato. Aliás, o Brasil adora jogar contra a Escócia, a Escócia adora jogar contra o Brasil em Copas do Mundo. Portanto, a estrela não brilhou, um ano perdido até agora do míster.

Voz A:Bom, o ano foi perdido, mas o dia não, porque Walter Casagrande Júnior já está conosco, olha ele aí. Bom dia, Cazão! Quero saber de cara quem tá ameaçado, hein, de perder lugar na seleção brasileira depois dessa estreia que um amigo meu definiria como pífia ou patética. Bom dia, Cazão!

Casagrande:Bom dia a todos, cara. Assim, tem alguns, né? Acho que não é um. Eu tô defendendo desde ontem, eu acho que todo mundo aqui estamos praticamente na mesma sintonia, que o Henrique deveria entrar no time, né? O Henrique deveria ter entrado no jogo de ontem e depois da participação do Igor Thiago nessa partida, que praticamente não aconteceu nada daquilo que o Ancelotti tinha pensado para colocar. Bola jogada aérea, fazer o pivô, presença de área, força física, não aconteceu nada. E ele jogou o primeiro tempo inteiro e mais um pouco do segundo tempo, e o Carlo Ancelotti teve a capacidade de não colocar o Hendrick no jogo. Então eu acho que o Hendrick deveria entrar na partida, eu acho que o Rayan deveria entrar no jogo, o Hendrick deveria entrar no time, o Rayan deveria entrar no time. Eu defendo um ataque mais jovem, mais leve, mais ousado, sabe, de garotada que quer fazer alguma coisa. O Vinícius Júnior fez um golaço ontem, não fez uma grande partida, mas fez um golaço ontem. Então aquele gol que ele fez mostra que a presença dele é importante no time, porque numa jogada ele pode decidir ou pode chegar um empate como foi ontem, porque se ele não faz aquele gol, a vaca ia pro brejo, porque o Marrocos tava dominando completamente a partida. Agora, em relação à seleção brasileira, que eu tava ouvindo o Trajano falar, é assim, cara, eu cheguei à conclusão que assim, essa seleção brasileira, ela tem muito marketing e até agora pouca bola. Só que o marketing funciona até a hora que o juiz apita e a bola rola. Então teve uma festança para convocar jogador, uma assim, parecia que era uma entrega do fresca, sabe? Uma badalação nos treinamentos e a presença do Neymar e a torcida e os influenciadores e aquelas campanhas, sabe? Até o dia da estreia, que foi ontem, foi um trabalho de marketing, uma seleção de marketing. Só que no futebol o marketing só funciona quando a bola rola e o time se empenha, o time joga bem, o time se apresenta. A seleção não mostrou nada ontem, nada. Ela tá bem para tirar fotografia com torcedor, para fazer, receber campanha de amigos para ser convocado. Essa seleção é assim. Vamos ver com a bola rolando contra o Haiti. Contra o Haiti, gente, cara, é assim: tem que ganhar jogando bem. Qualquer outra coisa que aconteça é repetição de um fracasso. Tem que jogar, ganhar jogando bem, se impondo contra o Haiti. Porque se não conseguir se impor contra o Haiti, não vai se impor contra ninguém nessa Copa do Mundo.

Voz A:Aí, afora Ancelotti, né, já teve técnico demitido durante a Copa do Mundo. Se não jogar bem e golear o Haiti, já pode pedir para o Carleto passar lá no departamento pessoal. Quem tá balançando depois desse primeiro jogo, claro, no time titular, é o Casemiro. E a gente vai mostrar agora um VT falando sobre esse volante, que é uma referência, é um multicampeão na Europa, mas que na seleção brasileira especialmente nessa estreia, não foi bem não.

Danilo Lavieri:Mas como eu falei, acho que a gente sabia do alto nível do jogo, né? O Marrocos chegou na semifinal, ganhou, ganhou no seu continente. Então acho que era um jogo de alto nível, mas já tem que pensar no próximo jogo. Não senti nada, não senti nada. Acho que o míster até mesmo falou pelo cartão amarelo, acho que Mas não importa, né? Acho que quem entrou correspondeu à altura. Fabinho foi bem.

Voz A:Maurão, não é que o Fabinho foi bem, o Fabinho foi, na minha opinião, muito bem. Talvez um dos melhores do Brasil no jogo, estabilizou o meio-campo, mas teve a ver também com a queda de produção do Marrocos na segunda etapa. O Marrocos fisicamente no primeiro tempo veio com tudo e no segundo tempo sentiu.

Mauro Cezar:Sem dúvida, o desafio era muito maior no primeiro tempo, né? Essa é uma questão que sempre é muito importante ressaltar, né? Eu vejo muitas comparações de atuação de jogador que começa o jogo com um cara que entra durante o jogo. Em geral, quem entra durante o jogo encontra uma situação mais favorável. Mas eu queria traçar um paralelo entre o trabalho do Carlo Ancelotti e o do Maurício Pochettino. Quem viu Estados Unidos e Paraguai viu a seleção dos Estados Unidos assim surpreendente. Ah, o Paraguai é fraco. O Paraguai ganhou do Brasil nas eliminatórias, da Argentina, do Uruguai, empatou 2x2 na Colômbia, né, fora de casa, foi buscar o empate. Se eu não estou enganado nas minhas contas, tomou 6 gols em 12 jogos com o técnico argentino Gustavo Alfaro. Ou seja, um time que se defende bem, que fez uma campanha muito boa de recuperação nas eliminatórias, chegou bem à Copa do Mundo, chegou com moral. O Paraguai não conseguia trocar 3 passes, a pressão alta do time americano era um negócio avassalador. Construiu a vitória no primeiro tempo, no segundo tirou o pé, até o Pulisic ele tirou, que estava destruindo ali pela ponta esquerda. Tirou o jogador do Milan, tirou o cara, quer dizer, olha, descansa aí, o jogo está ganho. Muito bem. Pochettino começou o trabalho dele 8 meses antes do Ancelotti. Tudo bem, são 8 meses a mais, algumas datas FIFA aí para você trabalhar, mas ele não teve, por exemplo, aquilo que na minha visão vale ouro para um técnico no período de preparação para Copa, que é o torneio continental, no caso a Copa América. Você tem um mês, os jogadores, até um mês, um mês e pouco se você for até a final, para trabalhar com os caras, desenvolver um pouco mais de conjunto, né, porque data FIFA realmente é muito rápido. O Argentina não teve, era o Bernd Halder, o técnico, Greg Bernd Halder, que foi demitido porque eles foram eliminados na fase de grupos no torneio que aconteceu lá nos Estados Unidos. E o Pochettino, ele assume o time, estou falando de dois técnicos da prateleira dos grandes clubes europeus. É um campeão europeu e um vice-campeão europeu, embora mais jovem e tal, fez um bom trabalho no Tottenham. Então são dois técnicos dessa prateleira próxima ali. Tudo bem, o Ancelotti mais, mas o Pochettino também estava no circuito dos grandes clubes da Europa. A diferença é muito grande de trabalho, muito maior do que esses 8 meses a mais que ele teve. O time coletivamente americano foi surpreendente, deu um sinal que se for realmente mantiver esse nível de atuações, vai incomodar. Vai jogar em casa, vai incomodar, vai atrapalhar gente grande aí. A não ser que tenha sido uma exceção esse jogo, é um jogo só, uma amostra pequena. E o Brasil é o contrário, o Brasil não tem nada, rigorosamente nada. Você pode falar assim: qual o setor do time funciona? Nenhum. A defesa? Não tá. Tanto que os laterais, aliás, todo mundo esperava outros dois jogadores, então entraram outros dois laterais. O próximo jogo não sabemos, não temos ideia de quem vai jogar. Nem ele deve ter. O meio-campo, um desastre. O Casemiro, uma coisa é o Casemiro nessa altura da carreira jogar mais protegido com outro volante, o meio-campo mais encorpado. Outra maneira que ele jogou, o Bruno Guimarães várias vezes fez o corredor direito porque ele não tem mais o Estevão, que faria essa função, nem o Wesley, que seria o lateral que daria profundidade, se projetaria por ali. O Bruno Guimarães caía pela direita várias vezes, então Casemiro ficou mais sobrecarregado. É pesado para ele nessa altura jogar dessa maneira, com esse sistema de jogo, dessa forma. Paquetá mal também. Então, acho que individualmente alguns jogadores acabam caindo em função da má estratégia do técnico, do trabalho ruim do técnico. O trabalho é ruim, gente. Se fosse do Dorival Júnior, eu falaria isso. Eu falei várias vezes. Então vou falar do Carleto também. É ruim. O trabalho é ruim. Já deu tempo de ter pelo menos alguma coisa. Era para chegar na Copa do Mundo com o mínimo de conteúdo. O Brasil não tem nenhum conteúdo como jogo coletivo, como time. É fraco. O ataque, a gente não sabe o que é também, então vai depender de lampejos. E no segundo tempo houve o que você falou, um certo esgotamento pareceu do time de Marrocos. O Marrocos, ele só finalizou no final do jogo, inclusive, no segundo tempo praticamente não chutou a gol, né? E aí o Brasil, mas é um jogo muito no vamos que vamos, na intuição do que qualquer outra coisa. O Hendrik poderia jogar? Poderia, talvez aquela bola do Bruno Guimarães pela direita, né, cruzando, e que o O Rafinha não chega? Talvez o Éder que tocasse na bola e fizesse o gol, ele é um cara com presença. Mas eu acho que a discussão vai bem além da troca de um outro jogador. Coletivamente, não que não possa trocar, pode e deve. Coletivamente o time não existe, o trabalho dele não existe. E a expectativa minha, acho que de todos nós, quando você tem um técnico do patamar do Carlo Ancelotti treinando a seleção, depois de uma sequência com Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e antes o Tite em duas Copas, é o quê? Não, esse cara vai fazer um trabalho melhor. "Ah, o Brasil vai jogar com menos posse de bola e tal, vai ter uma transição, um time que vai contra-atacar bem." Poderia ser. Não foi também. Quem fez um gol assim foi o time marroquino. A bola foi enfiada no meio da defesa do Brasil. Não foi a primeira vez que tomou gol assim. E o garoto melhor em campo foi o Bouhadi, lá, o moleque do Lille. 18 anos, a criança vai fazer 19 em outubro, que já está na mira de vários times europeus maiores do que o Lille e que deitou e rolou. O grande nome da partida foi o jogador mais jovem em campo de um time com média de 25 anos. O Brasil com uma média de quase 30.

Arnaldo Ribeiro:Por que o Boadii joga o que joga numa partida dessa e o Casemiro joga o que joga numa partida dessa? Por conta da bagunça de um e da organização do outro. O Casemiro está sendo discutido... Se o Casemiro está sendo discutido como está sendo discutido hoje, nós estamos discutindo, na verdade, o Ancelotti. Porque foi o Ancelotti que resgatou o Casemiro como símbolo da seleção dele. E mais, de todos os meio-campistas do Brasil, que aliás foram convocados só 5, os 5 jogaram ontem. 5 jogaram ontem. É, ainda agora, ainda bem ter o Ederson com 6º. Foi ele que teve a melhor temporada, o Casemiro, melhor que a do Bruno, melhor que a do Danilo, melhor, muito melhor que a do Fabinho. Ele mereceu ser convocado, ele jogou muito no Manchester United. Só que com meio-campo, porque na verdade, gente, quando sai a escalação do Brasil, trio no meio, o Brasil não teve trio no meio no primeiro tempo. O Brasil teve um volante e os outros dois tentando fazer, revezando corredor direito, como Mauro tá falando.

Voz A:O Brasil carregou o Casemiro, exato.

Arnaldo Ribeiro:E ele tem que fazer a falta do Hakimi, senão não era nem o Hakimi, o cara ia dentro do gol. Quando ele tomou cartão amarelo, ele foi retirado pelo cartão amarelo. Porque, e aí no segundo tempo, aí o segundo tempo, sobretudo além de Marrocos, o Brasil mudou taticamente. O Brasil passou a ter um triângulo no meio Literally. Aí o Fabinho centralizado, protegido, o Bruno na direita, o Paquetá na esquerda e o Rafinha foi ser o ponta-direita. Aí você tinha lá o tal do 4-3-3, tinha mais gente no meio. O Casemiro jogou sozinho no meio.

Voz A:Ele ficou super vulnerável ali.

Arnaldo Ribeiro:O Gabriel Magalhães não é um zagueiro que... Quantos gols o Arsenal toma por temporada? O Trajano tá aqui. Quantas vezes o Arsenal toma uma bola enfiada daquela, o Gabriel Magalhães correndo atrás do cara? Sem conseguir chegar, não toma. Era uma bagunça. A Tátia... Então, todo mundo foi tragado por essa bagunça. Então, não é tão simples mudar. E acho que ele não vai mudar pelo Casemiro. Seria um atestado de óbito do Ancelotti se ele tirar o Casemiro.

Voz A:E assim, o bizarro para mim, Arnoldo, é o cara já ter o contrato renovado até 2030. Antes da gente saber que tipo de Copa do Mundo que ele vai fazer.

Arnaldo Ribeiro:É verdade.

Voz A:Mas para não dizer que a gente está só descendo a marreta, quero ouvir do Rodrigo Matos agora o seguinte: alguém se salvou nesse jogo de ontem? Quem nesse time do Brasil você acha que dá alguma esperança de que a coisa possa melhorar nos jogos que vêm por aí, Rodrigo? Rodrigo está mutado, galera.

Rodrigo Mattos:Desculpa, que Cada vez o ar-condicionado aqui começa a fazer barulho, eu ponho, eu tiro o som. O Casemiro tava que nem caminhão na serra e o ar-condicionado aqui tá que nem avião, então parece que vai decolar. Eu acho que o Vinícius foi bem, não só o gol, mas ele deu muita presença ali. Se for ver mais uma vez, ele tava sendo marcado, marcação dupla, o que abre caminho para os outros jogadores. Acho que o Fabinho entrou muito bem. É, acho que é por aí, não passa muito disso não. Agora, concordo com o Arnaldo que tem muito a ver com conjunto, né? E o técnico do Marrocos, né, ele também assumiu em março, então não dá para dizer que ele tem um trabalho longevo, que ele conseguiu. Eu achei que inclusive foi só uma questão de não apresentar muita coisa de conjunto. O Ancelotti teve um erro de estratégia porque o time do Marrocos Quando saiu a escalação, falaram assim: ah, Ibrahim Dias vai jogar de atacante. Na verdade, o Marrocos jogava com 6 no meio de campo, era um bololô de gente ali, um bloco. Imagina se ele, ou Arnaldo, imagina se ele tivesse jogado 4-2-4 contra esse time com 6 jogadores no meio de campo. Tanto que o gol, o Ibrahim Dias volta, né, o Paquetá perde a bola, o Ibrahim Dias volta no meio para fazer o lançamento, para o Salibari. Eu nunca, eu sempre erro o nome dele, a pronúncia. Mas e aí o Casemiro tá atrasado, né, para chegar nele, para ir, a bola é descoberta, como a gente chama, né. E aí entra no meio do Gabriel Magalhães. Mas eu acho que ele errou a estratégia. Então, para pensar nas trocas, precisa pensar também nos erros que ele cometeu, porque não adianta nada você pensar. A gente tá 2 amistosos antes da Copa, ele já trocou um monte de coisa, né. O time era o Luiz Henrique na direita com 4 atacantes. Aí ele botou Paquetá por conta do amistoso do, contra o Panamá, que foi muito bem o Paquetá e o Danilo. Santos, que pode ser uma possibilidade agora. E aí agora ele vai trocar de novo. Digamos que a gente botasse aqui os 4 que eu achei que foram muito mal: Ibanez, Casemiro, Paquetá, Igor Thiago. Trocasse os 4, mas parece, sabe, não adianta ficar trocando. Se a estratégia, como falou Mauro, se a estratégia incorreta, se a forma de jogar não tá correta, não vai adiantar. Tanto que se você vê uma ajeitada que ele deu no time, que foi jogar o Paquetá para esquerda, E o Bruno começar a fazer jogar de meio de campo de fato, e você ter os três, já deu uma melhorada. Então tem que pensar também nessas trocas por atacado, se elas vão melhorar de fato o time ou se vão simplesmente fazer assim: ah, esse aqui tá mal, então tira por esse, esse aqui tá mal, tira por outro. E ó, do que eu vi do Haiti ontem, eu não achei essa baba do boi toda não. Claro que o Brasil tem que ganhar e tal, mas o jogo foi equilibrado com a Escócia. Se tivesse sido empate, teria sido bem mais justo. O Haiti tem algumas coisas ali, tem jogadores rápidos de lado de campo, inclusive para os nossos laterais aí que estão com problemas. Não é, eu acho, um time morto não.

Voz A:José Trajano, eu quero primeiro informar, damas e cavalheiros, é de meu agrado informar-lhes que tenemos la meta alcançada. Já batemos os 4 mil likes pedidos pelo Danilo Lavieri, um grande traçador de metas de likes. Quando o Danilo traz esse número, você que nos acompanha sempre chega junto. E o Trajano agora, se quiser se pronunciar sobre a enquete, pode se pronunciar. E se ele quiser se pronunciar também sobre Hendrik, o Casa já falou, era jogo para o Hendrik ter entrado. Você imagina que mesmo sem ter sido acionado nesse primeiro jogo, o Hendrik possa até começar como titular contra o Haiti, Trajano?

José Trajano:Não vou pensar com a cabeça do nosso, do míster. É um clamor nacional, né, pela entrada do Hendrick. Todo mundo gostaria. A expectativa, na verdade, não era entrada do Hendrick logo de cara, ele entrou o Matheus Cunha, que foi titular, foi o mais titular de todos jogando ali na frente. Aliás, entrou bem o Matheus Cunha, jogou pouco Mas foi mais insinuante, mais batalhador, deu um bom espaço, jogou muito pouquinho.

Casagrande:Agora eu vou falar da enquete.

José Trajano:A enquete tá clara, tá óbvia. A gente pode botar até na tela aí de novo a enquete. A enquete, o responsável por tudo isso, já foi dito pelo Mauro, pelo Arnaldo, pelo Marinho, todos nós, é o nosso Carlo Ancelotti. Por isso que eu até brinquei, pedi para o Danilo repetir, porque o Danilo tava presente. O Danilo entrou ontem O Danilo entrou na coletiva ontem, foi municiando a gente, pincelando as falas do míster. Quando ele fala que jogamos muito mal o primeiro tempo, aí eu falei: não, jogamos muito mal o ano inteiro, o ano inteiro. Então a resposta óbvia para enquete é o nome do técnico, que os jogadores são consequência dessa balbúrdia criada por ele, da indecisão tática, essa confusão que o Brasil Principalmente no primeiro tempo. Cá entre nós, se a gente ficar com medo do Haiti, aí é melhor vá aqui para o brejo logo. Ah, vamos lá, o Haiti tem que golear. Mas diante que eu não vi o jogo, o Marinha falou: não, o time tem uns pontos, não sei o quê, veloz, o time até atacou muito, o jogo placar justo, era 1x1. Eu já comecei a ficar com medo do Haiti. Olha só que ponto nós chegamos, só faltava essa.

Voz A:O Haiti tem um goleiro gordinho, rapaz, o Placide, ele é meio Barrigudinho, parece goleiro do Society, né? Mas fez um time do Haiti, tem alguns jogadores interessantes. Um que eu gosto muito é que ele já está bem veterano, senão era um cara para trazer para o Brasil, é o Ricardo Adê, que é zagueiro da LDU, é um zagueiro destro que tem muita impulsão, chega bem no ataque, é um cara de bom toque de bola, inteligente, mas já está bem coroa, não sei se era o caso de trazer. Pro Brasil como negócio, né? Mas como jogador, ele é um cara que realmente tem potencial. Danilo, são 20 anos agora, depois desse 1x1, já dá pra cravar que o Brasil completa 20 anos em Copas do Mundo sem conseguir aquela campanha perfeita: 3 jogos, 3 vitórias. Isso é indício de uma nova era, da gente ter que entender que o tamanho do Brasil hoje "Já não é de primeira prateleira, que a gente tá ali junto com o Marrocos mesmo?" No ranking da FIFA já tá assim, né? Brasil 6º, Marrocos 7º. A gente já tá ali mais naquele nível do que pro nível da França, da Argentina. É mais um indício de que o nosso tamanho mudou, Danilo?

Danilo Lavieri:É, a gente tava até lembrando, fazendo o histórico do Brasil nas últimas Copas ontem, e teve esse empate com o Marrocos, teve a derrota pra Camarões na Copa passada, que é verdade que o Brasil já tava se poupando ali, Mas ainda assim a gente imaginava que o Brasil poderia ter feito um papel melhor contra Camarões. Tem a eliminação para a Croácia, que naquela época tinha sido a vice-campeã de 2018. Tem eliminação para a Bélgica, que o grande trunfo era ter sido o rótulo geração belga, que nunca levou nada realmente de bom de verdade no futebol e tal. Então acho que o Brasil realmente não faz mais parte do pelotão nessa semana aqui. Eu ouvi várias vezes o Arnaldo falando que a geração cresceu vendo o Brasil, Itália, Alemanha e não é mais o que está acontecendo. A Itália nem na Copa tá, como disse o Arnaldo. Então acho que o Brasil está realmente nesse segundo pelotão. Agora, o que faz a gente imaginar ou ficar na expectativa de que possa melhorar é que o Brasil tem alguns bons talentos nos clubes que coletivamente ainda não estão funcionando, mas que podem funcionar. E o que me chama a atenção é que o Matheus Cunha foi um dos melhores brasileiros na Europa e começou ontem no banco. O Casemiro no United foi bem, como disse o Arnaldo, e está jogando muito mal. O Magalhães, um dos melhores zagueiros do Arsenal, e sim, ele não é tão exposto a bolas como a de ontem quando o Marrocos fez o primeiro gol, mas eu achei o Magalhães demorou para entender o que estava acontecendo, correu devagar. O Alisson demorou para reagir também, depois o Alisson mesmo até admitiu. Então a gente tem alguns jogadores que vão bem durante a temporada, que a gente imaginava que mesmo que em um time mais bagunçado coletivamente poderiam responder e não aconteceu ontem. Na verdade, ontem a gente tem dificuldade para salvar qualquer atleta e salvar, obviamente, trabalho do treinador, que é um reflexo que realmente foi muito mal. Agora, eu já vi time que começa muito mal ser campeão, eu já vi time de péssimo ambiente ser campeão, um time de bom ambiente tomar lapada e ser eliminado na primeira fase. Então é muito difícil. Agora, eu acho que o Brasil vai passar dessa primeira fase, aí no mata-mata Pode mudar um pouco, mas precisa evoluir bastante, sem dúvida nenhuma.

Voz A:Deixa eu botar o Casa Grande no papo novamente. O caso, o Brasil agora tem pela frente um rival que é muito fraco, né? O Haiti não tem expressão nenhuma, são 52 anos sem jogar uma Copa do Mundo. Entrou porque Estados Unidos, Canadá e México já estavam classificados. É eliminatória da CONCACAF, deu aquela afrouxada, abriu muitas vagas, enfim. O perigo de você pegar um rival que é assim esperadamente muito abaixo, queria que você dividisse até a tua experiência de Copa do Mundo, porque 86 eu lembro que o Brasil estreia contra a Espanha, aquele 1x0 sofrido, teve aquela bola do Michel que bateu no travessão, entrou, o juiz não viu, e depois você junto com o Careca no ataque, vocês pegam a Argélia. A Argélia não era exatamente um Haiti, porque tinha jogado 82. Tinha feito uma campanha interessante, tinha o Rabah Madjer, que era um grande atacante, mas era aquela coisa de você entrar muito favorito para o jogo, como também aconteceu depois com a Irlanda do Norte. Quais são os perigos de você pegar um rival tão pior numa Copa do Mundo? Qual é o risco que o time e o jogador correm nesse momento, Casa?

Casagrande:Então, eu acho que a comparação mais mais próxima é com o Zaire em 74, né? Apesar que aquela época foi o terceiro jogo, o Brasil precisava vencer por 3 a 0 para classificar e venceu por 3 a 0 com aquele gol fantasma do Valdomiro, que foi uma falha do goleiro inacreditável. O Brasil vai encontrar o Haiti numa situação muito parecida, apesar de ser o segundo jogo, a situação muito parecida. O mais fraco do O time mais fraco da chave, um time que veio para a Copa porque aumentaram o número de participantes e 3 times não jogaram, 3 seleções não jogaram as eliminatórias da CONCACAF. Então é uma equipe que veio no balde, não é que ela jogou as eliminatórias contra México, contra Estados Unidos e ganhou e foi para cima e mostrou. Cara, jogou contra a Escócia ontem, que também é uma seleção fraca. Então foram duas seleções fracas ontem. Uma derrota para a Escócia por 1 a 0 não mostra o qual é o valor real da seleção do Haiti, né? Porque a Escócia é também uma seleção de participação em Copa, nunca veio para uma, nunca foi para uma Copa do Mundo com aquele papel, aquela força de vai surpreender, pode chegar numa semifinal. Não, a Escócia é uma equipe dura de se jogar contra porque o futebol escocês é um Joga um futebol mais duro na marcação, mais no corpo a corpo, chega mais junto, né? São jogadores mais altos, mais fortes, mas com pouca técnica. Melhorou com o passar dos anos, mas ainda continua uma seleção tecnicamente bem abaixo do que é o Brasil, por exemplo. Então o Brasil, para mim, tem obrigação de fazer uma grande partida contra o Haiti, tem obrigação de jogar bem contra o Haiti. E vencer, que eu tô dizendo assim, pode até vencer por 1x0, mas massacrando o Haiti, dominando, se impondo. É esse o papel do jogo, do segundo jogo contra o Haiti. Não dá para pensar em outra coisa a não ser uma imposição da seleção brasileira contra o Haiti. Se ela não se impor contra o Haiti, ela vai se impor contra quem na Copa do Mundo? Outra coisa, a estratégia de jogo, o esquema tático e troca de jogador são três coisas completamente diferentes uma da outra. Então eu concordo que o trabalho completo do Ancelotti, o grupo de itens que ele tem para fazer uma equipe, tá ruim, tá ruim. Todas as três partes estão ruins. Mas ele tem que trocar jogador, porque a característica do jogador é que monta a estratégia e o esquema tático dele. Então não adianta você fazer um esquema tático, criar uma estratégia de jogo e você pôr jogadores com características que não conseguem colocar aquilo em prática. Então a mudança de jogadores numa equipe do Brasil como essa, depois que se apresentou daquela forma ontem, é necessária sim para que um esquema tático seja montado em cima da característica de cada jogador. Nós não estamos falando aqui que o Casemiro ficou sozinho no meio-campo correndo para lá e para cá. Casemiro não tem mais força, não tem mais arranque, não tem, não tem explosão muscular, né? O Casemiro, pelo que eu vi, ele ainda precisa da força física para chegar nas jogadas. Ele não, ele não aprendeu com o passar do tempo ou não adquiriu um conhecimento com o passar do tempo do posicionamento. Aquele cara mais experiente, mais veterano, que já jogou diversos tipos de campeonatos, já disputou Copa do Mundo, que sabe o atalho do campo, aquele que se posiciona mais do que corre. Não, Casemiro, pelo que eu vi ontem, ele precisa correr para fazer, para se colocar numa jogada, para fazer uma antecipação, para fazer uma marcação. Ele precisa sair correndo. Então, quando o cara sai correndo, mas não tem mais essa força, fica os buracos. A responsabilidade do Casemiro ter jogado muito mal não é só da estratégia e do esquema tático, é do jogador também. É do jogador que não tem mais a força para fazer aquilo do jeito que ele gosta de fazer. O que nós reclamamos do Neymar por muito tempo ultimamente, né, desde quando ele voltou? Pô, o Neymar não tem mais explosão, não tem mais arranque, e ele continua, quando recebe a bola, tentando fazer as mesmas coisas que ele fazia quando ele era genial. Né, ele não mudou o modo dele jogar, de receber uma bola, tocar mais rápido, se posicionar mais lá na frente. Ou seja, ele não usou a experiência dele para modificar o modo dele jogar para continuar sendo genial. O Casemiro não modificou o modo dele jogar para continuar sendo um volante eficiente. Então ele chega atrasado nas jogadas, ele deixa buraco, ele corre desnecessariamente, erra passe, passes fáceis. Então Casemiro jogou muito mal não só por causa da estratégia de jogo e do esquema tático, Então vamos pensar, para que que ele pôs o Igor Thiago? Ele mesmo falou isso, tá? É, eu vou ganhar na força física, vou ganhar um pivô perto da área, presença de área, a bola, jogada aérea. Qual jogada aérea que teve? Porque o Igor Thiago, sem ser aquela cabeçada que ele furou no primeiro tempo, se você coloca um cara e você na explicação você fala, ó, eu tô com esse cara aqui porque nós vamos jogar, nós vamos ganhar na jogada aérea, mas o time não faz jogada aérea. Como que você vai, como que você vai avaliar o cara? Ok, ele não é tecnicamente um grande jogador, tem presença de área, sim, faz gols que ele já mostrou na Premier League, ele é alto, ele é forte fisicamente, é difícil de ser antecipado. Todas essas características do Thiago são reais, mas para o tipo de jogo que o Brasil tem, ou para a estratégia de jogo que ele montou, o Hendrik é um jogador de mais mobilidade, tem presença de área igual, chuta de longa distância, tem força física igual, Só não é alto para jogada aérea. Então, por isso que eu trocaria jogador. Eu digo que eu tiro o Igor Thiago e coloco o Hendrik com uma explicação a dizer. Não é tirar por tirar. Eu não tô aqui para falar tira aquele, tira aquele outro sem dar uma explicação. Eu vejo uma estratégia de jogo que não combina com o esquema tático e com alguns jogadores que estavam no campo.

Voz A:Ficou claro.

Casagrande:Quando não combina essas três coisas, o futebol apresentado é aquele de ontem, é aquela coisa de ontem. Para você fazer a seleção evoluir, vamos supor que ele queira fazer o mesmo esquema tático, o mesmo desenho tático de ontem. Vamos pensar isso. Pô, ele não vai mudar o esquema tático, ele não vai mudar a estratégia, então ele tem que mudar jogador para aquilo que ele pensa, que ele pensou para o jogo de ontem entrar em prática. São três coisas diferentes.

Arnaldo Ribeiro:Sim, só para a gente fazer, unir as coisas e também falar sobre o segundo jogo, o adversário fraco que você lembrou, né, o adversário mais fraco, o Cazão fez a comparação com o Zaire, a gente pode fazer a comparação talvez a mais próxima, até porque foi a da última conquista, seja a China na segunda rodada da Copa de 2002.

Voz A:Você falou, eu vi o Roberto Carlos dando aquela porrada de falta, lembra? 4 a 0.

Arnaldo Ribeiro:É, e também presente na Copa, Porque anfitriões eram Japão e Coreia, então a China não precisou disputar a eliminatória com o Japão e Coreia, só para ver a semelhança. Sim. Que era um time muito frágil. Só que o primeiro jogo não foi empate, foi vitória contra a Turquia, mesmo com muita dificuldade.

Voz A:Com a ajudinha da arbitragem, né?

Arnaldo Ribeiro:Com a ajudinha da arbitragem. E ali existia contra a Turquia, teve vitória e uma ideia de "Ah, é esse o time, é esse sistema, são esses jogadores, vamos repetir." Foi assim, né? Então, em 2002, para o jogo mais fácil, não teve esse vazio no dia seguinte. Não só porque venceu, mas porque tinha ali: "Não, vamos insistir com o trio Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo. Vamos insistir com 3 zagueiros, mesmo contra a China." Porque se você for pensar, por que vai jogar com 3 zagueiros contra a China? "Porque eu quero entrosar." Agora não tem uma coisa nem outra, aliás, não tem nada. Não tem vitória, não tem sistema. O Cazão falou: "Qual a estratégia?" A gente não sabe qual a estratégia do Ancelotti. Se é 4-2-4, se é 4-3-3, a gente não sabe e ele não sabe. E a gente tem que discutir a troca de jogadores porque não tem nada, de fato, né? Então esse paralelo, a única semelhança, o adversário é fraco. Eu acho, na segunda rodada. Mas para colocar na segunda rodada, eu acho que a partir de segunda-feira o Ancelotti recomeça do zero de novo. E aí tem uma discussão, aí tem uma diferença só para troca de jogadores. Uma coisa é tirar o Igor Thiago, outra coisa é tirar o Casemiro. Ah não, não é pela patente, é porque o Casemiro vinha jogando bem na temporada e com o Ancelotti. O Igor Thiago foi uma tentativa que não deu certo do Ancelotti em algumas circunstâncias. É, o Igor Thiago, de fato, a seleção nunca jogou com o titular com centroavante fixo. De repente, vamos jogar com centroavante fixo. E em todas as vezes que ele participou, não é só por ele, é também por ele, mas porque a seleção não está acostumada a jogar com um cara fixo na frente. Então eu imagino que ele vai mudar, sim. Imagino que ele não vai começar mudando pelo Casemiro, só porque por tudo que a gente tá falando, eu imagino que ele vai mudar em outro setor. E ele tem que definir uma forma de jogar, se é com 3 no meio, se volta o ponta-direita. Ele tem que definir o que ele quer, porque ontem ele ficou no meio do caminho, né?

Voz A:Várias formas de jogar, você tem que ter um trabalho longo para que os jogadores saibam se comportar de maneiras diferentes. Maurão, a Escócia não ganhava um jogo de Copa do Copa do Mundo há exatamente 36 anos, quando bateu a Suécia na Copa de 90 na Itália. Até por isso tinha gente esperando que o 1x0 não fosse muito comemorado pelos escoceses, porque deveria haver uma diferença grande de nível entre eles, mas foi muito comemorada porque os caras nem lembravam, né, o que que era ganhar um jogo de Copa do Mundo. Meu amigo Ewan Marshall, que é escocês, mora em São Paulo, fala português maior do que eu, nunca tinha visto uma vitória da Escócia. Parabéns para o Iwan, parabéns para os escoceses. Mas eu quero saber o seguinte, Mauro: o Danilo ontem foi perguntado pelo pessoal da Kazé TV se pensar em fazer saldo contra o Haiti seria soberba, e falou que sim, é, não dá para pensar nisso e tal. Você acha que foi discurso para fora ou internamente o cara sabe que se não fizer saldo contra o Haiti vai fazer contra quem, né?

Mauro Cezar:É, o discurso é para fora, porque não é uma questão de soberba, é necessidade agora. Porque o último jogo Brasil-Escoça, a Escócia estará brigando por classificação independentemente do placar contra Marrocos. A Escócia ganhou o jogo. Aí é aquela questão, além de as pessoas não conhecerem os escoceses, que não ganham de ninguém, ganharam o jogo da Holanda em 78, foi considerado uma zebra, né? Ganharam esse jogo da Suécia e depois ganharam do Zaire. Aliás, esse jogo, Cazão, lembrou Brasil e Zaire? É 3x0 porque a Escócia ganhou de 2x0 só. Então o Brasil com 3 gols se classificou, senão o Brasil seria eliminado.

Voz A:Esse time da Escócia era bom, terminou a Copa de 74 sem perder de ninguém.

Mauro Cezar:Esse foi um período da história que a Escócia frequentava as Copas, a Inglaterra não, né? Todas as Copas do Mundo tinha a Escócia, não tinha os ingleses. Isso mudou bastante. É sim, é um time duro, mas é um time com muitos jogadores experientes, jogadores que atuam na Itália, caso do Seadas, caso do McTominay, jogadores que atuam na Premier League. Então assim, os caras não são tolos, né? Eles devem fazer um jogo defensivo muito forte. O Brasil vai ter dificuldades certamente. E o que acontece? Nessa próxima rodada, a tabela não foi nada boa para o Brasil, porque o Brasil jogou com o pior adversário possível na estreia, então não teve tempo nem de engrenar, já teve problemas. Aí agora joga contra a Escócia, que venceu, enquanto Marrocos joga contra, joga contra o Haiti e Marrocos joga contra a Escócia. Na última rodada quem vai pegar o time mais fraco e provavelmente eliminado, que é o Haiti, Uma coisa é Haiti na estreia, si si puede, todo mundo animado, vamos lá.

Voz A:O Marrocos chega sabendo quantos gols ele vai precisar para passar.

Mauro Cezar:Exatamente. Agora, perdeu para a Escócia, deve perder para o Brasil, não importa o placar. Na última rodada o Haiti já está dando adeus. É esse time que o Marrocos vai enfrentar. E o Brasil vai enfrentar uma Escócia que de qualquer maneira estará brigando por vaga. Pelo menos um ponto para ser terceiro, perder de pouco, alguma coisa vai interessar os escoceses. E o Haiti provavelmente estará fora. Na última rodada, a não ser que ele arranque e põe tudo no Brasil, o que também não interessa à Seleção Brasileira em hipótese alguma, óbvio. Então vai ser necessário fazer saldo de gols, sim. Tem que vencer, tem que vencer bem para poder ter. Até porque tem um outro detalhe, não é classificação só que eu tô falando, tô falando de algo ainda que pode complicar o Brasil, que é a logística. O Brasil quer ficar viajando de Nova Jersey, né, para as sedes enquanto for possível. Inclusive, o plano inicial Acho que ainda é esse, né? Se passar, joga em Houston. Vai para Houston, joga e volta para Nova Jersey. Se porventura o Brasil for segundo, vai para Monterrey, vai para o México. Então provavelmente terá que fazer alguma mudança de logística, né? Então o resultado é importante em vários aspectos, inclusive nesse. Temos que lembrar que é uma Copa num país muito grande e essas mudanças evidentemente podem impactar, atrapalham de alguma forma. E o Brasil não ser primeiro, né? Vamos combinar, né?

Voz A:Pega mal, né?

Mauro Cezar:Mas você tem que tentar ser primeiro. Se o Brasil não tentar ser primeiro do grupo do Marrocos, apesar da Revolução Marroquina, Escócia e Haiti, tem alguma coisa errada, né? Alguma coisa.

Voz A:Deixa eu fazer uma homenagem aqui, Maurão. Trajano! Vamos homenagear Fernando Calazans. Trajano! Brasil e Zaire, José Trajano, 74. Eu não lembro em qual veículo você estava, se você estava cobrindo essa Copa do Mundo. O Brasil tinha empatado os dois primeiros jogos, 0x0 com Iugoslávia e Escócia. Chega nessa última rodada precisando ganhar do Zaire, precisando fazer aí no mínimo 3 gols, e foi exatamente o que o Brasil fez. Você lembra desse jogo? Você tava trabalhando nessa cobertura? Que que você recorda desse Brasil e Zaire, que tem muito a ver com esse Brasil e Haiti que a gente vai ter na próxima sexta-feira?

José Trajano:Eu recordo o terceiro gol, que era o gol que foi o gol necessário que a gente precisava, né? Deu um frangaço no goleiro, gol do Valdomiro, ponta-direita do Internacional. Mas foi o princípio do fim ali, né? 74, 78, foi, vai, foi embora. Aí ficamos um tempão a ver navios, né? Tínhamos saído numa Copa de 70, onde foi talvez a melhor seleção brasileira de todos os tempos, mas foi um jogo sofrido. Manhã eu não acredito quanto o Haiti seja o jogo sofrido, não é possível. Como vocês explicaram aí, o Haiti só se classificou para Copa porque os três países que se classificariam são os três anfitriões: Canadá, Estados Unidos e México. Então sobrou para o Haiti. Não é possível, um país que vive em conflito toda hora, a maior parte dos jogadores joga fora. Eu acho que eles não treinaram nem no próprio país.

Voz A:Treinaram fora do país, não jogaram nenhuma partida das eliminatórias em casa porque a violência, né, os cartéis, as gangues lá em Porto Príncipe tomaram conta de tudo. Então nem fazer essa galera viajar até Porto Príncipe foi possível.

José Trajano:Então entrou numa série de lambanças e problemas internos, de políticos. Então é obrigação, é obrigação. Agora, o Mauro explicou bem essa coisa da tabela. O fato de no último jogo a Escócia precisando ganhar e o Marrocos sabendo quanto pode enfiar no Haiti, a minha primeira impressão era o contrário, mas essa explicação do Mauro me convenceu melhor. Eu achava que o Brasil enfrentar o Haiti depois da Escócia era mamão com açúcar, mas depois que nós vimos a estreia do Brasil E essa explicação do Mauro, cheguei à conclusão que é complicado daqui para frente, não é mamão com açúcar como a gente imagina.

Voz A:Rodrigo Matos, quero saber de você. Diga lá, pode falar.

Rodrigo Mattos:É, não, eu ia acrescentar sobre o Haiti. Eu conversei com o técnico do Haiti, Sebastián Mignet, quando foi no sorteio, né, eu e PVC tivemos aqui em Washington. E ele tava contando que esses problemas assim, ele tava inclusive com dúvida se todos os jogadores dele iam conseguir visto para entrar nos Estados Unidos. Acabou que conseguiram. Mas você vê o estágio que tava, preocupação não era assim, ah, vamos ter uma preparação de primeira linha e tal. Ele queria saber se todos os jogadores poderiam entrar nos Estados Unidos, né? Ele realmente não treinou em nenhum momento em Porto Príncipe, ficou pela, pela disputa das eliminatórias na América Central. Então é um time, por isso inclusive até que eu valorizo o empate contra a Escócia, porque é um time que tem muitas dificuldades de, eu acho inclusive que tem um material humano, poderia ser um time um pouco melhor. Se tivesse um mínimo de base ali para preparação, porque tem alguns jogadores rápidos e tal. Eu vejo mais talento na organização do que o time da Escócia, por exemplo.

Voz A:O que que você acha que a Escócia e o Haiti podem trazer de risco para o Brasil nesses dois jogos que vem, Rodrigo?

Rodrigo Mattos:É, então, o Haiti, eu acho que essa coisa dos jogadores mais rápidos, né, ele tem muitos atacantes e faz muita jogada pela ponta esquerda. Eu vi aquele Providence que é meio ponta, meio lateral, é muitas das jogadas por ali. Tem um centroavante que o Pierre Roque entrou no final, quase fez um gol de cabeça no finalzinho contra a Escócia. Vai ser esse jogo meio de velocidade pelos lados do campo. Já Escócia é basicamente, eles fizeram um gol, começaram o jogo até bem, fizeram um gol e depois foram, ficaram lá atrás o tempo inteiro, né, marcando. Tem o meio de campo, o McKinnon, tem um pontinha é aquele típico pontinha com alguma habilidade, mas não é um time que tenha grandes capacidades técnicas não, a Escócia. Acho que vai, é o que conta mais, esse jogo físico e jogo de vai jogar se defendendo o tempo inteiro contra o Brasil. Muito bola longa, né? O próprio gol é uma bola longa, um bicão lá de trás, o jogador consegue dominar, aí sai o cruzamento e o McGinn bate, bate no zagueiro do Haiti, entra no gol. Eu Acho que a vitória da Escócia foi assim totalmente casual, podia ter ido para um lado ou para o outro jogo. Não foi assim um massacre escocês não, mas eu acho que é isso, um time mais físico e o outro que é um time que tem jogadores mais rápidos, mas que tem mais desorganizado defensivamente.

Voz A:Pierrot, Arlequin e Colombina, o ataque do Haiti para pegar o Brasil. Arnaldo Ribeiro, a Turquia deu 30 chutes a gol contra a Austrália. Seria recorde absoluto nessa Copa de 2026 até agora. O problema é que não entrou absolutamente nenhuma. Quem ganhou esse jogo da madrugada foram os Socceroos, os australianos, 2 a 0, com gols do Irenkunda e do Metcalf.

Arnaldo Ribeiro:Pois é, esse grupo que talvez não chamasse muito atenção na hora do sorteio, agora ele ficou bem interessante. Primeiro porque tem A seleção que melhor praticou o futebol até agora, os Estados Unidos. Segundo, que tem uma seleção sul-americana, o Mauro destacou, o Paraguai, que não estava mal, chegou na Copa com esperanças e tomou uma lapada de 4. Terceiro, porque teve um resultado surpreendente na outra partida, a Austrália vence a Turquia. Então tornou-se um grupo interessante automaticamente. E aí a tabela.

Voz A:É Estados Unidos e Austrália, né?

Arnaldo Ribeiro:Exato, né? Então ali os líderes se enfrentam, né? Mas aí é o que o Mauro falou, é o mesmo raciocínio para a Escócia. A Austrália já tem 3, né, Mauro? Então a Austrália vai para a última rodada com o Paraguai de qualquer forma com chance de classificação, seja em terceiro e tal. E aí o jogo, sobretudo para o Paraguai e o brasileiro, Paraguai e brasileiro, né, com tantos jogadores. É uma decisão contra a Turquia, ali um pode morrer. Se o Paraguai perde para a Turquia— e não deu a impressão de que a Turquia esteja, pela quantidade de chances criadas, pelo volume de jogo e tal, esteja morta. Então, precocemente, temos uma decisão entre Paraguai e Turquia para sobrevivência na próxima rodada. E a expectativa sobre os Estados Unidos cresce, vão repetir. Porque, de fato, não estrearam, para mim, repito, as 4 principais favoritas, mas os Estados Unidos fez até agora, foi impressionante.

Voz A:Eu estava com medo de apito amigo nesse jogo, nesses Estados Unidos e Paraguai, nem precisou.

Rodrigo Mattos:E a defesa do Brasileirão, hein, Arnaldo e Dudu? Pois é. Alonso, Bombadilha e Gustavo Gomes, que papelão os 3, hein? Atuação lamentável, já erraram 4 Quase todas bombardeadas, fez gol contra. Gustavo Gomes tomou um drible, enfim, o Junior Alonso tomou um bailado do lateral direito dos Estados Unidos.

Voz A:Deu pena, só salvou o Maurício, coitado.

Arnaldo Ribeiro:Exato, mas daí, né, Rodrigo, é aquilo, não é só o que eles fazem no Campeonato Brasileiro, o que eles fizeram nas eliminatórias sul-americanas. O Paraguai, se o Mauro citou, é isso mesmo.

Voz A:O Paraguai ganhou da Argentina, ganhou do Brasil, ganhou do Uruguai.

Arnaldo Ribeiro:Pô, né?

Rodrigo Mattos:É a segunda melhor defesa Eliminado.

Arnaldo Ribeiro:É, vai ter o Equador, né, agora, só atrás do Equador, né? O Equador que joga hoje é também uma expectativa interessante. Acho que eu tenho uma boa expectativa sobre o Equador, mais ou menos como eu tinha com o Paraguai. Só que, meu cara, então para mim diz muito mais sobre o volume dos Estados Unidos do que sobre a debilidade paraguaia, né? Agora, esse grupo ficou interessante, né? O grupo do Canadá, é o mais fraco, tá todo mundo com 1 ponto, 1x1, mas o grupo dos Estados Unidos ficou interessante e a partir dessa próxima rodada que pode indicar muitas coisas, inclusive a confirmação da força norte-americana no torneio.

Voz A:Cazão, o segundo time dos corintianos estreia hoje na Copa do Mundo, a Holanda, do Memphis Depay. Só que, meus amigos, não vai ser aquela ida ao rodízio japonês não. É, dá para entalar o hashi na Holanda, porque esse time do Japão é um time super entrosado, veloz, tem Ritsu Doan, tem muita gente talentosa também no Japão. Joguinho enrolado para Holanda em casa.

Casagrande:Jogo bom, jogo bom de Copa do Mundo, né? A Holanda é minha, é uma das minhas seleções preferidas, mas não por causa do Memphis, pode ter certeza, é por causa da Copa de 74. Tenho camisa da Holanda, sou apaixonado por futebol holandês por causa da Copa de 74. Mas eu vejo assim, é um jogo importante de Copa do Mundo, é um jogo que mostra o futuro do Brasil nessa competição. O Japão, além de tudo isso que você falou, um time entrosado, um time rápido, um time que evoluiu tecnicamente muito e foi construindo essa evolução. Eu fui jogar no Japão, uma excursão eu joguei com Corinthians em 84, jogamos contra a seleção japonesa daquela época, era amador, não tinha profissionalismo no Japão lá em 1984. Aí você vai olhando a evolução, contratando jogadores estrangeiros, treinadores estrangeiros para ir trabalhar no Japão, a presença do Zico no Japão e a presença do Zico como treinador da seleção japonesa. Tudo isso foi fazendo uma evolução no futebol japonês, é um trabalho pensado. É diferente, por exemplo, só uma comparação rápida com a Itália, que tá fora de 3 Copas seguidas. Os japoneses contratavam jogadores estrangeiros, sul-americanos, europeus, contratavam treinadores brasileiros, sul-americanos, europeus, para ajudar na evolução do futebol deles, né? Não era por um atrativo, era para os mais jovens aprenderem a técnica dos jogadores europeus e brasileiros e sul-americanos, os treinadores aprenderem as táticas equipe que dominava o mundo quando começou esse processo. E aí o Japão evoluiu, e hoje o Japão é uma equipe importante no futebol mundial como seleção. É uma equipe de peso, uma equipe que ganhou do Brasil outro dia aí de virada, não foi? Não foi 3x2?

Voz A:Sim, exatamente, já com o Ancelotti.

Casagrande:Então o cara, o Ancelotti, foi 3x2 para o Japão de virada. Então a seleção japonesa, ela pode ser a próxima, o adversário do Brasil na próxima fase, se eu não me engano, né?

Arnaldo Ribeiro:Holanda.

Casagrande:Isso. Então o Brasil, vê o tamanho da responsabilidade e da importância desse jogo com Haiti. Não é só por causa da classificação nem pelo saldo de gol, é para ver quem que ele vai pegar à frente. Porque se ele não se impor contra o Haiti, caso o Brasil pegue segundo do grupo, né, pode chegar e pegar a Holanda na próxima fase ou o próprio Japão. São duas equipes mais prontas que o Brasil, né? Então eu vejo com muito, com muito interesse Holanda e Japão hoje, não só pelo nível técnico das duas equipes, principalmente admiração, a minha admiração pela Holanda desde 74, mas a minha admiração pelo planejamento e o processo de evolução do Japão. E é um sai daí, provavelmente pode sair daí o próximo futuro adversário da seleção brasileira. Com essa bolinha que nós jogamos ontem, Se a gente não se impor contra o Haiti e contra a Escócia, gente, a gente vai, a gente corre o risco de pegar malinha, viu, de rodar antes das oitavas de final.

Voz A:Agora, o Casa falou um negócio importante, Mauro. A origem desse Japão brilhando no futebol passa pelo Zico. Então, se você ainda não viu, quero dar uma dica aqui: O Samurai de Quintino, filme do João Weiner, que conta a trajetória do Zico e mostra como Como foi esse trabalho dele no início do Japão. Se você vê o campo que ele jogava quando ele chega para jogar no Sumitomo Metals, era um campo absolutamente amador. O vestiário parecia, sei lá, sala de revista de presídio, assim, era um negócio horroroso. Mas voltando para nossa pauta de hoje, temos Alemanha e Curaçao, Mauro César Pereira. Curaçao antigamente era uma bebida Azul que se tomava, né? Mas agora vai até na Copa do Mundo, o Curaçao. Impressionante. E a Alemanha do nosso bravo Julian Nagelsmann, o técnico mais jovem da Copa, 38 anos, vai pegar o técnico que hoje quebra o recorde de técnico mais experiente numa Copa do Mundo, o Dick Advocaat, que aos 78 anos será o comandante. A Alemanha que trouxe de volta Manuel Neuer, tem moleque teques muito bons de bola, como Musiala, como o Wirtz, mas vive assim uma transição geracional. Você vê a Alemanha hoje, tendência é uma sacolada da Alemanha para cima de Curaçao, mas você vê a Alemanha no pacote de quem pode levar essa taça? A Alemanha virar penta como o Brasil?

Mauro Cezar:É, a priori não, né, Dudu? Mas assim, ao contrário do Brasil, a Alemanha foi feliz nessa formação da tabela, né? Pega em tese o adversário surpresa não, né, o adversário mais fraco. Então isso é bom, você pode começar com uma boa vitória, é menos desafiador e quem sabe uma goleada.

Voz A:Um grupo mais fácil que o do Brasil.

Mauro Cezar:É, isso te dá mais tranquilidade para depois tentar avançar. Aí vai depender dos cruzamentos, mas é muito comum na Alemanha eles assumirem o seguinte: essa Copa a gente começa a preparar para na outra ser mais competitivo. E aí o que acontece no Brasil? Eu não vou ficar nem um pouco surpreso se o Brasil eventualmente sendo eliminado, O que aliás está acontecendo toda Copa, sempre para um europeu. A CBF diga alguma coisa: "Não, renovamos com o Carlo Ancelotti já pensando em 2030". Se renovaram com essa intenção, tinham que ter falado na renovação, não depois de uma eliminação eventual. "Ó, estamos renovando porque nossa meta é outra Copa, nessa aqui vamos fazer o que for possível". Me pareceria absolutamente pertinente esse raciocínio, mas comercialmente não é bom, não seria bom. Imagina os patrocinadores: "Olha, essa copa aqui é café com leite, a gente está preparando para outra copa." Porque de fato faz sentido, faz todo sentido, porque assim, até no antes que tem o Antelotti, ele pegou num período muito curto, não teve todo esse tempo para fazer um trabalho, não foi o ideal. Se compara com o Pochettino, a gente vê que poderia ser melhor, mas longe do que poderia ser o ideal. E os alemães, acho que eles têm mais facilidade para assumir esse tipo de situação. "Ah, temos um time jovem, o técnico é jovem também, um trabalho pensando na outra Copa e o adversário acho que deve ajudar bastante para começar bem e tentar ir o mais longe possível. A Copa de 2006 na Alemanha foi assim, eles foram anfitriões e ao mesmo tempo claramente assumiram que iam tentar ir o mais longe possível e até que foram bem, caíram no jogo espetacular contra a Itália, né, poderiam ter ido até um pouco mais longe.

Voz A:Com prorrogação, 2x0.

Mauro Cezar:Exato, que acabou sendo a campeã, né, caíram pra campeã num jogo muito disputado com prorrogação, poderia ter avançado evidentemente. Acho que tem essa diferença aí. Isso acho que é bom para a seleção alemã, que vai tentar ser uma seleção surpreendente, que de fato a priori não aparece entre as favoritas.

Voz A:Hoje, meu amigo Gerd Wenzel nem dormiu, rapaz, já tá aí, grande, vem com a sua peruca alemã tricolor. Fala, seu Zé Trajano.

José Trajano:Como é, eu tô curioso em saber o número de likes, que porque o Danilo pediu muito pouquinho, né? Eu desconfio que já superamos e muito aquele número pedido pelo Danilo. E também como é que tá a enquete, se sobrou tudo, brotou a lógica.

Voz A:Nós dobramos a meta de likes.

Danilo Lavieri:Essa daqui é a audiência de domingo de manhã, viu, amigos? A nossa audiência é arrepentada desse jeito aqui, viu?

Voz A:Bateu 8.400 likes já, José Paulo.

José Trajano:Olha aí!

Voz A:Meta dobrada!

Arnaldo Ribeiro:E Dudu, tem audiência que é nominada bi-brutal, que é acima de 20 mil. Então, audiência bi-brutal, agradecendo a todos que estão conosco nesse domingão.

Voz A:Coisa linda! Dá para a gente ver a enquete?

José Trajano:E a enquete?

Voz A:José Trajano pediu, se der para botar para nós a gente repercute. Vamos lá! Quem foi a maior decepção da estreia do Brasil? Carlo Ancelotti, Casemiro, Rafinha ou o Igor Thiago? A gente tem parcial ou não?

Danilo Lavieri:Vamos ver aqui.

Voz A:Ah, legal! Deixa eu ver aqui, já recebi da Stephanie. Atenção! Carlo Ancelotti, 56%, com 19%, Casemiro, com 15%, Rafinha e o Igor Thiago. Pessoal tá dando um alívio para ele, só 9% até agora para o Igor Thiago. Essa é a situação de momento. Eu quero aproveitar também para convidar você de todo o Brasil e de fora do país também que está nos acompanhando. Você tem Instagram? Então você já tá seguindo @wallsport. Lá você fica por dentro da programação, você vai ter também cortes dos programas. É um perfil muito maneiro de você seguir porque vai estar sempre vendo aqueles bifinhos bem temperados, né? Tem as opiniões do Casagrande, do Trajano, do Danilo, do Rodrigo, do Arnaldo, do Maurão, do Paulo Vinícius, todo mundo que passa aqui pela tela do @uolEsporte, tá também no @uolEsporte. E eu fiquei sabendo que tá rolando também o Bolão do UOL, o bolão das estrelas da televisão esportiva brasileira. Será que a gente tem aí novidades desse bolão?

Danilo Lavieri:Eu dei uma olhada ontem, eu imaginei que o Arnaldo fosse pedir para colocar.

Arnaldo Ribeiro:Eu não pedi nada, eu Eu não pedi nada, eu só... Olha, eu estou me enxergando ali em primeiro lugar isolado. Já que companheiros fizeram tanto alarde com isso, o Tabet, o Tironi, estamos apenas na primeira rodada, mas o primeiro a atingir 1.000 pontos fui eu, certo?

Voz A:Ó, vamos lá. Vamos lá. Arnaldo Ribeiro em primeiro, 1.000 pontos. Walter Mayerowicz é o segundo, hein? Que que é isso? Gustavo Chagas, o terceiro. 3º Eduardo Tironi, o 4º, e Elton Simões é o 5º. É o top 5 dos talentos, o All no Bolão.

Arnaldo Ribeiro:Trazendo almoço dominical aqui é por conta deles, pela liderança provisória do Bolão, viu, meu caro?

José Trajano:Domingão por conta do Ribeiro, é a Coreia no Bolão.

Danilo Lavieri:Imaginava que ia estar nessa posição aí, porque eu sei que a fama do Arnaldo de Bolão é péssima, é péssima.

Arnaldo Ribeiro:Eu lhe deram alguns bolões porque o grupo do Brasil eu cravei os dois placares. Então, tanto Escócia 1x0 contra 1x1 do Brasil e Marrocos. Mas tá só começando, né? Tem tanto jogo, só hoje tem 4, né?

Voz A:O Trajano, rapidinho, antes da gente fazer aquele segundo intervalo, queria saber se você deu uma volta aí pela Vila Madalena antes do jogo para saber, você destacava, né, que O clima de Copa tava pegando aqui em São Paulo, ali onde eu moro, em Perdizes, também muita gente na rua, Bandeirão, todo mundo animado. A vila tava aquela loucura de todas as Copas ou não? Você passou por lá?

José Trajano:Tava uma loucura de todas as Copas, loucura de Carnaval. Até para sair da vila de carro foi complicado. E hoje tá um silêncio sepulcral, nem parece que eu tô na vila. Eu tô no meio de uma fazenda assim, não ouço nem boi, vaca. Sei lá o quê e tal. O silêncio total na vila depois da euforia de ontem.

Voz A:Falando desse clima rural, antes da gente fazer o intervalo, José Trajano, já tá no 7º livro, 6º livro, Trajano? Acabou de sair um novinho pela Seja Breve Edições.

José Trajano:A Barraca, mento, A Barraca é um livro pequenininho que fala muito do Zico, viu? O Marinha precisa ler. Vou mandar um para o Marinha. Vou mandar um para o Mauro, porque como eles são—

Danilo Lavieri:Opa!

José Trajano:O filho do Mauro se chama Arturo, em homenagem ao Zico. O Zico é um dos personagens do livro, apesar de não ser um livro sobre futebol.

Voz A:É a história do Tojami. Então você que ainda não leu Abarracamento, vá atrás, que é um livraço. Novo livro do José Trajano, já nas boas casas do ramo. Lembra quando se falava assim? Vocês trazem apresentador velho para cobrir o âncora, dá nisso. Vamos fazer um intervalo rapidinho, senhoras e senhores, para vocês que nos acompanham no canal UOL e no YouTube. A gente continua por aqui com o Posse de Bola. Turma, tá chegando aqui, são muitas as mensagens. Ó, Yuri Azevedo: era bom falar desses laterais fracos, Alexandre e Danilo, que esses flamenguistas não falam e não criticam. Ficam só e alguns jogadores, mas desses laterais que não acrescentam nada, não fala. Coitado, os cara nem jogaram, né?

Arnaldo Ribeiro:O Danilo entrou, né?

Rodrigo Mattos:É, o Danilo entrou no lugar no intervalo, porque estava muito perdido naquela posição, né?

Arnaldo Ribeiro:E o Douglas Santos, ele cumpriu, ele não ultrapassou a linha de meio de campo. Tempo, né? A preocupação com Hakimi e companhia pelo lado lateral de Totó, saca? Foi, não foi? Agora também não achei que ele fala, fala, trajando. Não, mas só impressão que ficou depois, termina o jogo, ele jogou o Douglas Santos, mas acho que ele na marcação ele não comprometeu, mas Mas também não brilhou, né? Não é difícil também imaginar o que ele fará com as laterais daqui para frente pela escassez de opções.

Voz A:A Shirley Alves está aqui com a gente: "Como é bom ver Dudu Monsanto apresentando o Poste de Bola." Obrigado, Shirley. A Claire Ceci fala aqui: "O Igor Thiago vacilou muito." Érica Silva: "Essa geração chata." Acha que em 2002 foi tudo maravilha. O time era tão ruim que o Luxemburgo foi demitido. Perdemos para Honduras e na Copa os confrontos foram favoráveis. Tem que ter um pouco de sorte também, né, Érica? Mas o time era bom, o time tinha Roberto Carlos, tinha Rivaldo, tinha Ronaldinho, né?

Arnaldo Ribeiro:Foi ficando bom.

Voz A:Foi engrenando.

Arnaldo Ribeiro:Tem razão assim, né, na questão dos favoritos indo caindo pelo caminho. Argentina e França caíram na fase de grupos, né? Mas o time foi encorpando durante a Copa mesmo.

Voz A:O Luiz fala aqui: Hendrik coloca no bolso, Matheus Cunha e o Igor Thiago. Donato Neto já fala o seguinte: Igor Thiago não jogou mal, Paquetá foi mal. Júlia Bizi: já que tá tudo avacalhado, a solução não seria logo entregar a função de técnico para o Neymar? Tá avacalhado, mas nem tanto, né, Júlia? Aí já vira bunda lelê demais. O Tavares Gomes fala aqui: o Ancelotti viu Romário, Bebeto ali perto, quase botou para jogar. Deve dar um certo desespero, né? Falam para ele: pô, você vai ser o técnico da seleção brasileira, vai voltar a pauta essa semana, hein?

Arnaldo Ribeiro:Trajano falou isso. Se ele tivesse em mínima, se ele tivesse em chuteira no banco, imagine ontem, né?

José Trajano:Eu queria fazer uma pergunta para o Danilo.

Arnaldo Ribeiro:Faça.

José Trajano:Não, porque o Danilo tá acompanhando faz tempo lá nos Estados Unidos e falava muito do interesse do americano pela NBA. E terminou ontem a NBA com a vitória dos Knicks. Como é que foi ontem à noite aí?

Voz A:Tamo voltando também no canal UOL, pegando uma pergunta que José Trajano fez fora do ar. Terminou ontem a NBA com a vitória do New York Knicks, 94 a 90, sobre o San Antonio Spurs lá no Texas. Então a NBA está fora do caminho da Copa do Mundo. Danilo Lavieri, nos Estados Unidos, depois do fim da NBA, agora vai pegar no breu essa Copa do Mundo?

Danilo Lavieri:Pois é, o jogo dos Estados Unidos, até no bar que a gente sempre acompanhar os jogos da NBA, o jogo dos Estados Unidos aqui, lotado, tinha muita gente. Eles mudaram até a configuração ali do ambiente para poder receber todo mundo, todos os telões, a galera gritando USA o tempo inteiro. Comemorando o cartão amarelo como se fosse gol, até umas coisas meio estranhas assim que falei ué, achei meio estranho, mas é o jeito de cada país de assistir ao futebol. Ontem a gente estava voltando do estádio do jogo, pegamos um belo de um trânsito para sair ali na hora do jogo, então a gente chegou aqui exatamente a hora que eu estava estacionando o carro para conseguir pegar ali uma pizza de última hora, aquela pizza da madrugada no centrinho aqui, Foi exatamente a hora que acabou o jogo e a gente começou a ouvir uma gritaria. A nossa cabeça estava tão vidrada no jogo do Brasil que a gente tinha esquecido que ia acabar a NBA. A hora que a gente olhou, falou: nossa, era a final da NBA agora! E aí os caras saíram gritando: we are the champions e tal. Mas eu achei a festa um pouco mexeruca, amigos, porque foi campeão, os caras gritaram: we are the champions e os bares esvaziaram. Falei: pô, mas agora é a hora do bar lotar, né? Eu falei: ué, mas isso aqui em Morristown, né? E nem Nova York, que a gente vê as imagens, a gente sabe que as ruas ficam lotadas, completamente congestionadas, briga para lá, briga para lá. Então isso assim é sempre uma diferença de Morristown, que é meio que o interiorzão aqui em relação a Nova York. E só para uma última coisa que eu quero falar, que eu sei que o programa já tá acabando, vai ser colocada agora à prova a capacidade do Ancelotti de entender a diferença de clube e de seleção. Eu mesmo tinha feito uma pergunta para ele na semana passada na coletiva dele, porque É importantíssimo ele entender que não é que nem o Real Madrid, que se ele testa uma formação ele pode jogar mais 2, 3 jogos para essa formação, entre aspas, pegar. Copa do Mundo é Copa do Mundo, não pega contra o Haiti, vai chegar no jogo contra a Escócia daquele jeito. E com todas essas contas que a gente tem feito de pontuação, tem uma característica que a gente ainda vai precisar ver qual vai ser a pontuação. Tem time que vai passar com 3 pontos como terceiro colocado. Então é bom que o Ancelotti entenda que ele está no meio de uma Copa do Mundo, viu.

Voz A:É tiro, porrada e bomba. Antes da gente encerrar, rapidinho, Rodrigo Matos, bem curtinho, queria que você desse uma pincelada na matéria que a gente viu no UOL, assinada por você. O cara, quando é bom, não escreve só de futebol, negócios, não, ele entende também de clima. Matéria sobre os raios, Rodrigo, fala para a gente rapidinho como é que os americanos estão se preparando para a gente não ter tantas interrupções como a gente teve na Copa do Mundo de Clubes.

Rodrigo Mattos:É, a lei não tem como contornar aqui, né, Dudu? A 8 milhas, 12 km mais ou menos, tiver tempestade com raio, tem que parar o jogo. O que eles fizeram foi contratar meteorologistas para botar em cada um dos estádios, para o cara já ficar prevendo quando que pode parar e quando que pode voltar, para não ficar aquele tempo ainda para o cara ter que reaquecer o time, para tirar todo mundo. Você dá uma agilizada no processo, porque o que a gente viu no Mundial de Clubes no ano passado foram períodos às vezes de 1 hora, 2 horas, né? Então não vai deixar de ter paralisação se tiver a tempestade, mas de repente você consegue minimizar o tempo que fica sem jogo, né? É basicamente isso. E sobre os americanos, bem rapidinho, o que eu percebi, que vendo as propagandas aqui das transmissões da Fox, né, que é a transmissão da Copa, todas as propagandas são sobre ensinar os caras a jogar, sobre futebol. Danilo tava falando, aí é uma coisa tipo assim: você vai gostar de futebol, olha isso aqui que é incrível, e tal, não sei o quê. Eles pressupõem que o público não entende patavinas, é o que fica claro. Tanto que eles colocam muito astro de cinema nas propagandas para puxar ali uma outra coisa. Tem um ou outro jogador, quando é o Messi e tal, mas o próprio, a própria TV fica meio que educando nas propagandas que você tem que gostar de futebol, o que que você tem que prestar atenção, brincando com esse fato do público não entender direito.

Danilo Lavieri:Eles explicam o que é o cartão vermelho, né? Tem um cartão vermelho e aí embaixo tá escrito assim: down to 9 players, down to 10 players. Eles explicam o que significa o vermelho.

Rodrigo Mattos:É isso aí, tem esse didatismo aqui que a gente tá percebendo bastante.

Voz A:E a gente agora tá down to one minute, vai acabar o Posse de Bola nesse domingo de manhã. Foi uma alegria acordar cedo para compartilhar opiniões e muito mais com esses craques. Walter Casagrande Jr., direto dos Estados Unidos. José Trajano, direto da Vila Madalena. Danilo Lavieri, também dos Estados Unidos. Rodrigo Matos, você tá no Rio ou tá nos Estados Unidos? Tá nos Estados Unidos?

Rodrigo Mattos:Miami?

Voz A:Tá em Miami, coisa boa! E com Mauro César Pereira e Arnaldo Ribeiro, juntos comigo aqui em São Paulo. Amanhã o Posto de Bola volta às 8:30 da manhã, de novo com ele, o homem que é carisma em pessoa, Eduardo Tironi, o âncora, estará aqui às 8:30 para comandar essa seleção de craques. Obrigado por com a gente mais uma vez. Vem aí o Central Splash com o Chico Barney. Grande abraço, a gente se vê!