Episódios de Coletiva Olhares

#78 - red pill: como ampliar o debate?

24 de abril de 202645min
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No episódio #78, as psicólogas e amigas Camilla de Melo, Diana Montenegro e Domitila Kawakami Gonzaga conversam sobre o tema “red pill”. Apesar da expressão ser recente, o patriarcado, o machismo e a misoginia fazem fazem parte da nossa cultura há milênios. Afinal, não tem nada de novo? É tudo novo? Como estamos diante desse tema hoje? O que ele nos provoca?

Participantes neste episódio3
C

Camilla de Melo

Co-hostPsicóloga
D

Diana Montenegro

Co-hostPsicóloga
D

Domitila Kawakami Gonzaga

Co-hostPsicóloga
Assuntos2
  • Movimento Red PillPatriarcado e misoginia · Feminicídio · Ultraconservadorismo · Violência contra mulheres · Adolescência e masculinidade
  • Impacto do Red Pill na sociedadeEfeitos na juventude · Cuidado e proteção de adolescentes · Letramento sobre misoginia
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Oi, minha gente! Eu sou Diana Montenegro, estou aqui de volta com as minhas queridas amigas e parceiras de podcast. Oi, Domi! Oi, gente! Bom dia, boa tarde, boa noite para quem nos ouve e para vocês duas também. Oi, Camis! Oi, gente! Que bom estar aqui! Oi, Domi! Oi, Diana! Vamos nessa para mais uma conversa que pode ser muito bonita e desafiadora, né?

Vamos nessa, vamos nessa. Bom, vocês viram, né? Voltamos, voltamos do nosso recesso, voltamos das nossas obras internas aqui.

Vocês estão aí acompanhando essa nova vinheta, essa nova versão. Que bom estarmos de volta. Eu fiquei pensando que no episódio passado, eu deixei de falar uma coisa que eu estava com vontade, eu esqueci. Recentemente, eu estive em Salvador para o dia 2 de fevereiro, dia de Imanjá. E lá teve um dia que eu fui ver um show de Mariane de Castro. E quando eu estava saindo desse show...

uma pessoa muito querida, uma mulher falou comigo, me reconheceu através da coletiva Olhares. Nossa, foi bem rápido esse encontro, mas ela foi muito querida, mas eu fiquei muito feliz. Então, eu queria mandar um beijo pra essa pessoa, que é nossa ouvinte.

E que me parou e disse, ó, você é da coletiva, né, do podcast, eu escuto vocês, eu adoro. Então, queria mandar um beijo pra essa pessoa e também repassar pra vocês duas esse encontro bonito que eu tive com essa ouvinte, que infelizmente eu não sei o nome aqui.

Mas, por favor, peço que você se manifeste para a gente poder dar esse abraço virtual coletivo agora. Eu amei, que delícia ganhar um beijo direto de Salvador. Fiquei muito feliz também, que bom. Um beijo para ela.

E um beijo para as outras pessoas que nos ouvem também. Sempre estão aqui junto com a gente. A gente recebeu vários comentários no Spotify. E também no Instagram. Dizendo que bom. Estava com saudade. Vocês fizeram falta. Então estou muito feliz também com esse retorno. Esse retorno nosso. E esse retorno das pessoas que nos ouvem.

Bom, estávamos conversando aqui sobre papos que a gente queria ter para esse início, para esse retorno. Algumas pautas que aconteceram no nosso entorno, no nosso país. Também outras pautas que a gente sente vontade, que a gente acha importante.

E a gente chegou aqui num lugar que me pareceu bem importante, bem interessante de trazer para esse espaço, porque eu acho que combina muito com tudo que a gente faz e fala e conversa aqui. E a gente sentiu que não dava para...

passar sem pontuar, sem marcar, sem pautar, sem conversar sobre isso. É uma conversa que a gente ficou com muita vontade de ter, que é sobre essa temática Red Pill. A gente tem escutado muito desde o início do ano.

esse tema de forma muito brutal e violenta, sendo trazido à tona novamente em casos de feminicídios que estão sendo divulgados e estão sendo muito...

coletivamente sentidos por nós e por todas as pessoas que são sensíveis a essas pautas dos direitos das mulheres. E também não só o feminicídio, mas também casos brutais de violências voltado contra as mulheres, partindo bem desse ponto que a gente tem visto crescer, que é dessa temática Red Pill. E eu sei que essa é uma pauta que a gente tem muitos lugares aqui pra ir, pra falar.

conversar, e eu fico com muita dúvida por onde começar, assim, porque esse tema, ele é muito sensível pra mim, eu acho que pra vocês também, pra todas as pessoas que nos escutam, mas ao mesmo tempo, ele não é um tema novo, né, ele é um tema antigo, esse lugar do patriarcado, do machismo, da misoginia, né, do próprio feminicídio, ele é um tema...

que está aqui há muitos e muitos e muitos anos entre nós, mas, ao mesmo tempo, eu fico pensando o que é que muda, né? O que é que muda atualmente para a nossa escuta, para a nossa vivência, para as nossas relações, o que é que tem mudado com a emergência desse tema hoje, que ele traz de novo, se é que traz, para a nossa vivência. Então, fiquei pensando um pouco nisso, assim, porque...

Ao mesmo tempo que parece que não tem nada de novo, né? A gente tá falando sobre homens em lugar de poder, homens odiando mulheres, homens provocando violências contra mulheres. Então, isso não é uma novidade pra gente, né? E pra maioria das pessoas. Essa não é uma visão nova, não é um sentir novo sobre isso que acontece.

Mas será, né? Fiquei com esse pensamento inicial que eu queria, essa pergunta inicial que eu queria trazer para vocês, que é, isso traz algo novo para a gente? O que é que isso traz de novo? O que é que, pensando sobre tudo isso e sentindo sobre tudo isso, o que é que vai vindo de novidade, se é que vem aí para vocês?

Acho que é muito importante começar dizendo o quanto é uma pauta importante. Parece que a gente entra também no movimento de esgotar um pouco as conversas, de seguir falando sobre, e talvez algumas pessoas que nos ouvem vão até dizer ou sentir algo do tipo, de novo essa pauta. A gente está conversando mais uma vez em um outro lugar, né? E pra mim eu acho que é.

de novo, e não é o suficiente ainda, né? Eu acho que quanto mais a gente conversa, mais a gente consegue trazer à tona os múltiplos elementos que compõem essas pautas todas, todos esses fenômenos atrozes contra as pessoas de uma maneira geral, especialmente em relação às mulheres, e quando a gente chama esse grupo que pode ser que seja subentendido rapidamente como ...

um grupo específico de mulheres cis. Eu acho que a gente precisa já, de início, fazer esse adendo, né? Que ainda faz sentido fazer, mas espero que com o tempo a gente nem precise mais, né? Fazer esses adendos, que a gente está falando de um grupo muito diverso.

incluindo na pauta dos feminicídios as violências cometidas e as mortes contra mulheres trans. E isso significa ampliar o debate, o que significa o feminicídio, o que significa o patriarcado, o que significa esse fenômeno também do Red Pill, né? Então eu acho que sim, de novo, e quantas vezes forem necessárias, e parece que elas vão ser, pelo menos enquanto estivermos vivas aqui, a gente ainda vai...

precisar falar muito sobre isso e eu acho que isso é também performático de alguma maneira, pelo que a gente está falando já é uma metacomunicação em algum sentido, quer dizer a gente falar aqui sobre

feminismo, Red Pill, feminicídio, é exatamente o fenômeno do Red Pill, né? Exatamente o fenômeno que alimenta esse ódio cada vez maior às mulheres. Então, é muito difícil, né? Parece que a gente entra um pouco num grande dilema, assim, de alguma maneira, que é...

A gente vai sentindo o efeito de estarmos mais e mais compartilhando o tema, conscientes do que acontece, mais e mais apropriadas dos nossos direitos, reconhecendo as nuances e também as extravagâncias do patriarcado e da violência contra a mulher.

E isso é o que faz essa onda ultraconservadora ganhar força, ganhar corpo, ganhar manifestação, e de um jeito muito escancarado, de um jeito muito sem vergonha, sem ética, sem moral. Então, quando a gente fala sobre o Red Pill e esses grupos ultraconservadores de homens que estão se sentindo...

feridos com a nossa apropriação dos temas e dos nossos corpos e dos nossos direitos e do fortalecimento do grupo e da ampliação do grupo e das nuances e delicadezas do grupo. Eu acho que esses homens estão se sentindo que os privilégios deles estão na corda bamba e isso faz com que eles se fortaleçam entre eles.

e vão ganhando essa expressividade de uma violência, da misoginia. Logo de cara, eu tenho muita vontade de ficar nesse tom um pouco inflamado do que a gente precisa fazer ou de, inclusive, colocar nós contra eles, como a gente precisa se fortalecer e seguir por aí. Eu fico sempre entusiasmada com esse tipo de conversa. Vou mentir que a inflamação da conversa também me inflama, também me pega. Eu também tenho vontade de seguir aqui dizendo...

homens, pelo amor de Deus, que horror olha tudo que está acontecendo mas eu também acho que a gente vai a gente pode seguir para uma conversa que vai ganhando um pouco essas camadas do que que significa a gente estar numa sociedade que prega a violência dessa maneira que quando um grupo

se fortalece para ganhar direito à sua vida, direito aos seus corpos, direito a uma vida digna, direito a um bem viver. Outros grupos vão se sentindo realmente ameaçados. Eu acho que a gente está falando de algumas estruturas de poder muito perversas.

e que me levam também a essa outra conversa. Então, quando tem, por exemplo, esse caso, que é mais um caso, e isso é muito entristecedor, quando a gente vai conversando sobre isso, e essa inflamação, ela também conta de uma dor no corpo. Então, quando a gente entra em contato com uma menina que foi estuprada coletivamente...

A gente sente, a gente realmente sente no corpo a dor, a tristeza, o lamento e a revolta e tantos outros sentimentos de se deparar com uma notícia dessa. Eu acho que tem várias outras notícias que a gente nem se depara. Então, a gente está com um dado hoje de ir no Brasil, a gente ter um feminicídio a cada 25 horas.

Isso do que é notificado. Então, assim, o que significa a gente olhar para um dado como esse e o que a gente vai sentindo? Então, quando eu vi essa notícia, por exemplo, do estupro coletivo com essa menina no Rio de Janeiro, eu fiquei, sim, muito revoltada com esses meninos, homens, de 18 a 19 anos.

Mas eu também fiquei com uma grande pergunta que é, o que aconteceu? O que aconteceu com meninos? O que foi permitido ao longo dessa vida de 18 anos, que é muito pouca idade, para que em algum momento eles se sentissem autorizados, entendendo que eles estavam fazendo uma coisa ok, uma coisa que em algum grupo isso foi legitimado, isso foi...

trazido como uma vantagem, como algo que é para se fazer mesmo, que é assim que se mostra o poder e etc. Então, o que aconteceu em termos coletivos? O que a gente fez ou deixou de fazer? Qual que é a nossa responsabilidade coletiva de entender? Meninos, e aí eu coloco eles mais nessa categoria do que homens, pensando na idade mesmo, cometendo uma violência e fazendo isso conjuntamente.

E aí eu acho que a série Adolescência, por exemplo, é uma série que convida muito a pensar isso. Então, o que foi que aconteceu com meninos que realmente puderam cometer um crime? E eu fico muito ligada a isso, a quais são esses discursos, o que a gente está falhando como sociedade, como que nós, pessoas adultas, também podemos cuidar.

de crianças e adolescentes para que essa prática violenta não seja uma prática que é ovacionada, que é legitimada, que é entendida como algo bom. Então, eu acho que essa pauta me leva para isso, especialmente nesses casos de crianças e adolescentes envolvidas nesses casos de violência.

Acho que quando a gente fala de homens adultos sendo compartilhando, repetuando esse tipo de discurso de ódio, não sei, eu fico menos esperançosa, assim, né? Entendendo que, putz, tem tanta coisa aí tão antiga nessa estrutura e tal, né? Mas quando eu vejo meninos e adolescentes envolvidos, eu me sinto muito mais envolvida no caso, pensando o que é que a gente pode fazer, o que é que a gente poderia estar fazendo, como que a gente pode cuidar disso.

porque foram meninos que realmente ficaram desprotegidos, de alguma forma, por nós. Nossa, Domi, é muito bom te ouvir com outra perspectiva, porque para mim eu me sinto derretida, eu me sinto extremamente destruída quando vem isso que para mim é uma novidade.

que é a infância e a adolescência tão escancaradamente inclusas nessas práticas. Para mim, essa é uma novidade que o movimento Red Pill está. Isso me arrebata quando vejo as infâncias e as adolescências sendo inclusas. Então, te ouvir com esse fôlego sobre o que podemos fazer, o que isso nos convoca a cuidar dessas crianças e desses adolescentes.

Vai ser algo adicionado aqui para mim, de uma tentativa de olhar por essa perspectiva. Porque escutando, inclusive, muitas amigas que são mães de meninos pequenos, de crianças.

Isso chegou para essas mães e, curiosamente, eu escuto isso especificamente das mães, eu não escuto isso dos pais, o que aumenta essa minha preocupação. Deixa essas mães de meninos muito estarecidas e pensando, quase correndo contra o tempo, o que é que eu tenho que fazer, então te ouvir de um jeito diferente do jeito que eu penso, porque essa, para mim, é uma das novidades que chega com esse tema do movimento Red Bill.

Não que antes isso não existisse na minha visão, no que meu campo de visão dava conta, mas é que temos uma novidade muito grande. Essas figuras aí que representam os movimentos Red Pill, esses homens.

eles falam pra um público infantil e um público adolescente. Eles têm grandes fãs, né? Esses meninos, esses adolescentes se tornam fãs. E isso é um movimento que, pra mim, é novidade e é uma das coisas que me provoca muito ao medo e à...

essa sensação de arrebatamento, assim, por tudo isso. Ai, gente, que tema difícil, né? Eu vou ouvindo vocês e vai me dando uma mistura muito intensa mesmo, assim, de sentires e pensando muito também a partir da tua pergunta inicial, né, Diana, assim, de o que é que tem de novo? O que é que emerge de novo nesse tema que parece antigo, nessa pauta que tá aí com tanta força há tanto tempo, em tantos espaços e o que é que há de novidade agora?

E aí eu fiquei pensando nisso, provocada por qual é o caráter de novidade que vai assumindo agora, a partir das notícias, a partir do que vem subindo enquanto pauta de maneira mais contundente nessas últimas semanas, nesse último mês aqui no Brasil, pensando a novidade de estar sendo pautada de maneira tão nomeada agora no ano eleitoral.

pensando que no ano eleitoral em que a gente está falando de uma onda de ultraconservadorismo no mundo e aí sim também no país, e fazendo uma conexão dos discursos misóginos, dos próprios movimentos Red Pills e todos os outros também que a gente tem já nomeados, dessa marcha atmosfera e a proposta que tem também de fortalecimento desse ultraconservadorismo, não tem como numa pauta política a gente distanciar tudo isso.

Qual é o papel da misoginia no ano eleitoral, inclusive? Qual é o papel desse movimento Red Pill nesse momento de uma onda de ultraconservadorismo? Então, eu acho que tem esse caráter de um certo grau de novidade, não que não estivesse sendo pautado, mas, em alguma medida, a gente fazer uma conexão direta com em que momento estamos historicamente falando e macro-politicamente falando. E essa minha fala também está muito conectada, não sei se vocês assistirem, já fica aqui, né, seguindo um pouco esse fluxo de indicação.

O Domi trouxe a série Adolescência e aí eu trago também já como uma primeira indicação a entrevista que a Erika e o Hilton deu em um Roda Viva de segunda-feira.

E ela, enquanto essa mulher trans, agora presidente da Comissão dos Direitos das Mulheres no nosso país, e tudo que ela tem passado por estar nesse lugar, ela foi trazendo exatamente isso. Toda essa relação que tem de pensar Red Pills, de pensar misoginia, de pensar todos esses discursos e de que maneira eles vão...

sendo colocados em prata e pensando as mulheridades no ano eleitoral. Então é muito importante talvez a gente pensar nesse caráter de novidade e refletirmos também localizadas a partir desse lugar. E aí pessoalmente falando, eu fiquei muito reflexiva enquanto vocês falavam e fiquei pensando de que lugar eu quero falar hoje? De que lugar eu quero partilhar as minhas afetações? E eu acho que hoje, e aí vai ser também de um caráter de novidade pessoal talvez para além de mulher que sofre, para além de mulher ...

que escapa as normas, que escapa exatamente o que a misoginia diz que temos que ser, o discurso misógino, ele fala exatamente quais são as mulheres e como nós devemos ser, que mulheres serão as aceitas, do contrário, toda e qualquer mulher será colocada nesse lugar do ódio, precisamos então nos enquadrar, até as que se enquadram também, se a gente parar para refletir.

também são atacadas, não é que vão ser menos atacadas, mas a gente sabe quais são os principais alvos, então normalmente e comumente eu falo desse lugar só que hoje, pensando um pouco também o caráter de novidade, como é que a gente pode também pautar, que caminhos a gente pode pautar, acho que eu quero trazer um caminho pra somar com os caminhos de vocês e a gente fazer

essa conversa, nessa pluralidade, eu quero falar enquanto terapeuta. Como é que eu tenho pensado esse espaço de cuidado, tendo em vista que a misoginia enquanto discurso e enquanto prática está presentificada em cada escuta que eu faço, das diversas mulheres e mulheridades que eu escuto cotidianamente, que nós escutamos cotidianamente. E eu tenho pensado muito o espaço psicoterapêutico, o espaço...

clínico, meu espaço enquanto mulher, esse lugar, do meu lugar de escuta, como é que eu também assumo um caráter de novidade para o cuidado e para a nomeação do efeito da misoginia nesses corpos, nessas corpos, desse modo nomeadamente, já que a gente também está, por exemplo, quando pensa-se um projeto de lei e que o discurso misnógino, ele também vai ser classificado no campo do crime, quando a gente vai pensar.

para além do próprio feminicídio. Então, como é que eu tenho pensado isso tudo dentro das práticas clínicas, dentro desses espaços de escuta e de cuidado? Então, para mim, tem um caráter de novidade desse espaço. Não que eu não estivesse já incorporando na minha prática, nas nossas práticas o tempo todo a gente está falando sobre isso. Mas eu acho que agora as pessoas também estão chegando para essa nomeação. Também está se tornando sintoma.

também está havendo um letramento desde esse lugar. Então, quando uma mulher chega, Camila, eu sei agora o que é misoginia, como chegou para mim na semana passada, por exemplo, e a gente começa a falar, e aí como é que tu faz, então, o mapeamento? De que momentos a misoginia chegou na tua narrativa e produziu sofrimento? Está aí, inscrito enquanto sofrimento, enquanto violência. Esse é um caráter de novidade que emerge para mim.

Muito fortemente. Tem um caráter de novidade. No dia desse eu estava numa consulta com a ginecologista e aí eu vou nomeadamente trazer qual era a especialidade dessa profissional. E a gente, antes de tocar na pauta biológica, de pensar fisiologicamente a minha existência e os cuidados que a gente ia pautar juntas, a gente trouxe as violências de gênero, a gente trouxe tudo o que esse corpo já experienciou para aí sim a gente conseguir chegar.

num outro lugar, que aí sim, talvez, dentro de uma dimensão mais biológica das consultas ginecológicas, como elas costumam ser. Então, tem algum caráter de novidade que é da ordem do letramento também. Eu acho que essa é uma pauta que está subindo agora e que está vindo com muita força. O movimento Red Pill tem muita força no ambiente da rede, no ambiente online. A gente não tem dimensão, gente, da quantidade de camadas desse movimento.

onde é que ele chega e como é que ele chega. A gente tem dimensão talvez a partir das notícias, mas eu fico pensando que é de uma complexidade, de uma profundidade que a gente precisa realmente se demorar. Então a gente também tem que ter muito cuidado para não fazer, é um tema que a gente já está falando demais e a gente não corre o risco de ficar no raso dessa pauta. Então eu vou pensando a partir disso também. Tá, não é um tema novo, mas está emergindo agora nesse momento.

Então, se é um novo momento e um novo dia, tem algo novo também para a gente tocar dessa pauta. Então, tem tudo isso de novidade, e eu fico com muita vontade de tocar quais são as práticas de cuidado que têm sido possíveis de serem pautadas quando a misoginia chega na clínica, por exemplo, nas nossas escutas enquanto profissionais de psicologia. Por exemplo, quando ontem mesmo eu estava lendo algumas coisas e vi a foto de uma jovem de 20 anos, de São Gonçalo, na região.

metropolitana do Rio de Janeiro, uma jovem de 20 anos que teve sua casa invadida e ela passou por uma situação de violência de gênero. Não vou estar aqui descrevendo pra não correr isso, de sensibilizar a escuta de alguém que está nos ouvindo. Mas foi uma jovem que foi violentada por um rapaz de 22 anos de idade por ela não ter aceitado namorar com ela. E ontem a mãe dela posta em celebração, ontem, ontem, ontem, não sei exatamente.

qual foi o dia, mas posta em celebração o primeiro passeio dela, depois de ela ter passado um mês hospitalizada ela sobreviveu, e aí eu fiquei pensando nisso, nossa, eu fiquei querendo me conectar com a celebração dessa mãe, eu fiquei dizendo, como é que a gente também faz um caminho de cuidado

Quais são os espaços em que a gente pode se fortalecer? Tem sido para mim uma urgência pensar isso também. Então, quando vocês vão trazendo a pauta e o Domi também traz como é que a gente olha, o que a gente tem feito, como é que a gente tem feito, eu fico querendo também abrir esse espaço. Eu gosto muito do fato de sermos três e podermos ampliar muito as possibilidades de caminho. O que é que a gente tem feito, mulheres?

para se fortalecer, porque só o tema por si já é produtor de sofrimento e de angústia. Quais são os espaços contundentes em que a gente pode partilhar tudo isso? Tem uma prática, aí eu vou silenciar um pouquinho, porque eu quero muito ouvir vocês seguir tecendo juntas, mas tem uma prática que eu comecei a assumir na clínica, e eu queria abrir aqui, porque eu acho que é uma prática de resistência. Todas as vezes que uma pessoa chega, principalmente mulheres, chegam para mim e me contam de uma situação.

de violência, de uma situação de abuso, de uma situação em que há misoginia, em que o machismo, em que esse masculinismo vem e atravessa seus corpos e suas existências, isso é partilhado comigo, eu empresto também a minha dor, eu empresto também, por exemplo, o meu corpo, que também já foi invadido, em diferentes contextos, em diferentes momentos, por diferentes pessoas, em diferentes níveis.

E aí essa é uma prática que para algumas pessoas da psicologia pode ser até entendida como um grande risco. E eu estou assumindo aqui esse risco, inclusive, porque eu sei que várias pessoas da psicologia nos escutam. Mas eu percebi que repetidas vezes, quando eu dizia você está falando com uma mulher que também esteve nesse lugar,

E agora eu estou sentando não na tua frente, eu estou sentando do teu lado, ainda que online, para te dizer, esse corpo que escuta também é um corpo que foi atravessado. E como é que a gente constrói, então, uma atmosfera de cuidado radical para esse fortalecimento?

Não como quem cura ou como quem passa atropelando por um trauma, mas como a gente construiu minimamente um terreno seguro de partilha e aí eu me retiro e construir esse terreno minimamente seguro onde essa dor pode habitar, pode se demorar, a gente produzir espaço de cuidado, a gente produzir espaço de elaboração, a gente coletivizar a dor e depois singularizá-la, fazer esse movimento que é necessário na clínica também. Então, tem algo e esse caráter de novidade para mim.

que é quando eu, nomeadamente, estou entendendo a misoginia, estou entendendo essa pauta toda que a gente está levantando hoje como uma questão que está emergindo quantos sintomas na química com mulheres. O que a gente tem feito? E como é que a gente pode fazer isso? Acho que quando eu vou falando e o meu corpo treme agora nesse momento e eu empresto mais uma vez, as minhas mãos estão frias, o meu coração...

está um pouco mais acelerado, ainda que eu esteja me sentindo segura conversando com vocês, e eu espero que as pessoas que nos escutam nesse momento também se sintam, porque eu levo muito a sério esse assunto. Eu acesso esse caráter de novidade.

A gente tem esse letrado cada vez mais pelas lentes do feminismo, pelas diversas vertentes. Vejo crianças, meninas, pequenas, conseguindo falar sobre o que não pode ser feito, sobre o que é errado, sobre o que elas não querem, sobre o que elas não permitem.

Vejo meninas falando disso com seus irmãos mais velhos, com seus pais ou com seus pares, com seus colegas. E isso é grandioso. Assim como eu vejo pessoas mais velhas também, mulheres mais velhas também conseguindo nomear violências que foram sofridas dentro dessas relações que antes não eram nomeadas dessa forma, não eram vistas dessa forma. Ou a gente vê no noticiário, nas redes sociais, essa pauta tá aí.

frequente, constante, cotidiana, enfim. Então, eu acho que essa também é uma grande novidade, esse letramento. E acho que esse nosso letramento mostra, na verdade, talvez a grande novidade de tudo isso. O machismo, o patriarcado, o movimento rede pior, ele não é uma novidade. Já esse nosso letramento e esse nosso cuidado e a nossa ação e a nossa revolta e essa nossa coletivização diante disso.

É uma grande novidade. Agora, tem uma coisa que vocês duas falaram que me inquieta.

E me provoca dúvidas e reflexões. Quando vocês usam o termo ultraconservadorismo, quando vocês vão falar desse movimento retipivo, e eu fico me questionando muito se a gente está tendo um grande arrevelação de quem são pessoas ultraconservadoras ou se, na verdade, a gente está entendendo que esse movimento...

Ele faz parte de muitas camadas sociais e não apenas de uma. Não apenas homens, outros conservadores são homens que estão inclusos nessas narrativas desse movimento redpil ou de um movimento bem machista, misógino, enfim. Fico mesmo com muita dúvida e isso entra em outra novidade para mim. Desse momento eu escuto.

Mulheres que estão com medo de se relacionar com homens. Porque para mim, uma grande novidade na minha vida pessoal, é o fato de eu me sentir cada vez mais falando, atuando, vivendo, agindo entre nós.

E cada vez mais me sentindo com menos aliados, com menos homens aliados. E aí por isso que entra essa dúvida sobre esse ultraconservadorismo, porque eu realmente não sinto que o meu medo e que a minha atenção e intenção está direcionada exclusivamente àqueles homens que a gente vê e entende como ultraconservadores.

É, eu fico com vontade de costurar um pouco o que eu vou responder agora com o que eu trouxe mais cedo. Eu acho muito boa a sua pergunta, porque eu acho que a gente vai percebendo, inclusive, as caras do ultraconservadorismo. E eu vou entendendo essa expressão como esse contragolpe. Tem um termo em inglês que é backlash.

E todas as vezes em que a gente avança em alguma coisa que seja mais progressista, emancipatória, libertadora, a gente tem esse movimento de backlash, desse contragolpe, desse retorno, dessa reação negativa. Há algo que faz a gente voltar...

aquele formato mais conhecido e pode ser que essa onda, ela precisa de tanta força que ela vem como esse grande contra-golpe, com essa grande reação negativa, opositória. Foi assim, por exemplo, com todas as questões de gênero, né? No momento em que houve uma abertura para a gente poder pensar sobre gênero, a igreja, especialmente movimentos religiosos,

Falaram, opa, não, volta aqui. Então, a gente teve um contra-golpe gigantesco na história. Isso acometeu todos os países ocidentais. E a gente sentiu o contra-golpe fortemente aqui no Brasil. E é o que está acontecendo agora também. O Red Pill é um movimento de contra-golpe, de retorno.

E eu acho que ele não está só na expressividade dessas pessoas caricatas, como a gente pensa nelas. Então, esses homens influenciadores dizendo coisas horrorosas sobre mulheres e tudo mais. Mas ela vai ganhando uma expressividade no dia a dia também. Dessas pessoas que vão trazendo de um outro jeito, talvez um pouco mais atenuado, mas contando também, respondendo.

a esse discurso do Red Pill, por exemplo. E aí, o que eu fiquei com vontade de costurar, porque eu sinto também isso, quanto mais a gente se fortalece como grupo e vai ganhando essa complexidade no que a gente está chamando aqui desse feminismo emancipatório e tudo mais.

e ético e político e tudo mais, mas a gente vai se sentindo realmente solitária e com um grupo cada vez menor. Mas eu acho que isso também se revela de outras formas. Então, ouvindo vocês, eu acho que sim, hoje a gente tem essa grande novidade que é poder se letrar, que é poder entender o...

que é o feminismo e que são os feminismos e como eles podem aparecer para a gente, como eles podem nos proteger. Mas eu acho também que o que está acontecendo pode ser visto como uma certa angústia generalizada. Então, a partir do momento que a gente...

se informa, se letra, reconhece nas nuances a violência. Do mesmo tanto, eu entendo, isso vivendo o meu corpo mesmo. Acho que da mesma forma que eu me sinto muito letrada, libertada, emancipada, eu me sinto angustiada. Porque a gente vai reconhecendo, a gente vai ficando muito atenta, muito alerta, e a gente vai reconhecendo a violência.

em coisas que antes a gente não nomeava desse jeito. E é isso. Eu entendo que, da mesma forma que isso é libertador, isso é angustiante. E o que eu disse que eu queria costurar é que essa semana saiu o resultado de uma pesquisa do IBGE, uma pesquisa que se chama Pense, da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, trazendo muitos dos sentimentos que adolescentes, meninas e meninos, têm sentido em escolas públicas e privadas ao longo de todo o Brasil.

E os dados que essa pesquisa conta, então foram entrevistados mais de 120 mil adolescentes por todo o Brasil, contam de um cenário que eu entendo que é um pouco sobre isso. Então, à medida que a gente vai tendo informações e compartilhamento...

e entendimentos sobre as violências, isso também vai trazendo um sentimento de alerta muito complicado. Então, estou dizendo que a gente não tem que falar sobre, se letrar e tudo mais, né? Mas eu estou pensando de novo na pergunta que eu trago, que é o que a gente faz.

essas adolescentes, essas crianças e esses adolescentes. Porque o que aparece é um sentimento muito vivido, vivenciado por meninos e meninas de irritação, de tristeza, de desamparo, de não compreensão por outras pessoas. E que meninas estão muito mais acometidas por esses sentimentos do que meninos.

E aí eu volto um pouco para isso. O que será que a gente está podendo fazer em termos de trazer segurança, que é um pouco do que Câmis traz nesse momento, assim, dessa atmosfera construída no aqui e agora, com a pessoa que ela atende, e isso vai trazendo esse sentimento mais...

possível, né, de se conversar sobre as coisas e eu fico pensando como é que a gente amplia um pouco esse sentimento de segurança de possibilidade, de compreensão com adolescentes em especial. Eu acho que hoje eu venho com essa grande defesa, assim, pela adolescência. Como é que a gente cuida desse grupo e vai ofertando qualquer outro sentimento que não seja e vai ofertando

de desamparo, de desilusão, de desesperança, de insegurança, de incompreensão. Como que a gente pode cuidar desse grupo? Porque eu acho que está todo mundo um tanto perdido. E eu acho que a gente vai construindo também um cotidiano.

tão cheio de coisas, nós pessoas adultas, a gente está tão ocupada de tantas coisas que precisam ser feitas, que eu acho que a gente deixa esse grupo adolescente um pouco aderiva, quase como se a gente soubesse que a gente tem que cuidar muito da infância, e hoje isso é um pouco mais compartilhado, a gente já trouxe isso em outras conversas.

de infâncias muito diferentes, muito diversas, umas mais, outras menos protegidas, mas esse é um discurso um pouco mais compartilhado hoje, de que é um momento da vida que deve ser protegido. E eu acho que a adolescência causa tanto medo na gente.

pessoas adultas, que uma parte a gente não sabe o que fazer, outra parte a gente larga a mão. Essas pessoas ficam ali, sem saber muito o que fazer, com esse sentimento de incompreensão. E eu acho isso tão perigoso. Ao passo que a gente está falando mais e mais sobre violências e como essas meninas têm que se proteger, a gente também está construindo um cenário muito alarmante.

que elas têm que se proteger e que esses meninos são perigosos. Então, a gente está nesse discurso do terror, que eu acho que é comum na adolescência, a gente já trazia isso de outras formas, especialmente em relação à sexualidade. Não engravide, não tenha doenças. Assim, a sexualidade é um grande terror na adolescência.

Mas hoje a gente traz também, dentro desse grande guarda-chuva que é a sexualidade, né? As violências que as meninas podem sofrer e que esses meninos são os perpetuadores, os grandes perigos. Eu fico sem... não tô entendendo que é uma pauta, uma conversa, tem uma resposta, mas eu fico pensando como é que a gente caminha por um outro cenário que seja...

realmente conseguir construir algum lugar mais comum, algum lugar mais da proteção, do amparo, da possibilidade da conversa, do diálogo, que seja menos sobre essa ideia de que a gente tem que estar muito protegida o tempo inteiro. Não sei se faz sentido se eu entrei numa Seara, assim, polemiquíssima, e que a gente sai com menos respostas do que...

Ou até entendendo o meu discurso, minha fala, que é quase linear e não é essa a ideia, entender que a gente tem que parar de falar sobre feminismos ou como a gente se protege, não é isso. Mas é como a gente inclui, como a gente fica menos nessa ideia polarizada de isolamentos e de...

terror e mais sobre poxa, talvez todo mundo esteja, pelo menos na adolescência, precisando um contexto seguro, algum ambiente, alguma atmosfera segura, assim como o Camis traz. Ah, eu acho, Domi, que sim, você está trazendo o tema e a abordagem do tema, que é muito polêmico para algumas figuras, mas eu não consigo ver como algo que não seja o jeito necessário de estar sendo pautado do modo como você está fazendo.

Então, eu acho que o fato de ser polêmico, complexo, de reconhecer as nuances, de reconhecer que não tem como ser polarizado, é algo que a gente precisa abordar, inclusive, e com algum grau de serenidade, por mais que estejamos inflamadas historicamente, mas como é que também, já que temos alguns lugares de segurança garantidos nos nossos privilégios, e essa é uma conversa entre três mulheres que tem lugares de segurança muito contundentes.

Como é que a gente pode garantir esse debate de uma maneira serenizada para pensar e ampliar as reflexões? Já que estamos, sim, inflamadas, mas não estamos agora no momento que a inflamação está gritando, porque acabamos de ser machucadas. Então, acho que isso é nós, nós três aqui conversando agora.

Eu acho que é importantíssimo isso que você está trazendo, e aí eu queria fazer um link, sei que a gente já se estendeu bastante, mas fazer um link com o que Diana traz e o que você está trazendo agora também, quando Diana fala do ultraconservadorismo.

E eu acho muito bom quando tu pergunta e quando tu traz essa questão do ultraconservadorismo como se a gente estivesse sempre falando dessas figuras homens muito específicas para pautar o ultraconservadorismo. É muito importante isso que você traz, porque eu acho que a gente precisa muito compreender o ultraconservadorismo como discurso diluído no mais banal do cotidiano.

expressado, praticado, pautado e colocado por diversas camadas sociais, em diversos contextos e por pessoas de distintos gêneros, inclusive. Porque o ultraconservadorismo é um modo extremamente rebuscado, um discurso muito rebuscado. Então, eu acho importante não só você trazer essa pergunta, como a gente poder pautar isso desse modo, porque a gente precisa lembrar que sim existem mulheres ultraconservadoras, por exemplo.

A gente precisa lembrar que sim. E por que a gente está falando disso? E aí eu não quero, de modo algum, comparar essas mulheres ultraconservadoras com os homens. Ultraconservadores, mas eu também não quero seguir na polarização. É importante que a gente atente para isso, para inclusive a gente entender que o ultraconservadorismo, para além dessas figuras homens, dentro de um contexto socioeconômico específico e político específico, a gente tem que fazer uma junção de instituições que sustentam o ultraconservadorismo, a instituição, a igreja.

a religião, a instituição família, a lógica de todo um patriarcado que sustenta. Então, para que seja sustentado, várias figuras são as que promovem e que sustentam esse discurso. E aí, quando eu digo que eu fico com vontade de linkar com o que o Dom me está trazendo, não sei se eu estou fazendo um malabarismo ou tentativa de linkar ou se realmente faz algum sentido.

Confesso a vocês que eu vejo como sim fazendo algum sentido. A gente precisa talvez entender que o ultraconservadorismo não está concentrado somente em uma grupalidade específica para que a gente inclusive consiga entender essa diluição e poder pautar questões, por exemplo, como a adolescência.

saúde mental, escola. Se a gente entende que o ultraconservadorismo está no miúdo do cotidiano, dentro de casa, enquanto prática discursiva, se a gente entende que o ultraconservadorismo está dentro das salas de aula, está dentro dos banheiros, está no modo como as pessoas socializam para além de um grupo específico que está ali.

nessa marcha-osfera, se a gente puder pensar esse ambiente, a gente consegue, inclusive, pensar em política pública de proteção, a gente consegue ampliar o debate e dizer, nossa, existem pessoas que precisam ser protegidas e cuidadas, como é que a gente faz isso dentro de casa, como é que a gente faz isso dentro dessas escolas, como é que a gente protege essas crianças e adolescentes, como é que a gente cuida dessas mulheridades.

Aí a gente amplia. Então, eu acho que quando a Diana traz essa questão do ultraconservadorismo como algo que talvez a gente precise pensar e que deixa inquieta, eu acho incrível esse convite que você faz, para que, inclusive, a gente consiga abarcar pautas que não sejam polarizadas, como essa que o Dom está trazendo, por exemplo. Então, entender o ultraconservadorismo como um discurso que produz modos de existência. Logo, sofrimento, logo, processos de subjetivação. Eu fiquei com vontade de fazer...

esse alinhavado e só contar notícias do lado de cá de que mais uma vez isso diz do quão essa pauta ela é ampla e do quão ela é muito complexa. A gente não pode correr o risco de ficar no raso dessa conversa, né? Bom, ampla e complexa. Acho que a gente fica com essa...

impressão aqui nossa disso, a gente poderia continuar um tempão aqui obviamente, ouvindo inclusive outras vozes, pensando juntas, quero agradecer vocês por terem abraçado aqui essa pauta e a gente ter ampliado e complexificado sem chegar

exatamente a uma resposta, mas talvez ofertando aí algumas janelas por onde a gente pode olhar esse tema, por onde esse tema pode continuar sendo debatido por nós, pelas pessoas que nos escutam, enfim. É isto, muito obrigada a vocês por esse dia de hoje, por esse episódio.

Fica aqui o convite para quem nos ouviu e para quem curtiu poder curtir aqui na plataforma.

cinco estrelas, se possível e se fizer sentido pra você e também divulgar nas suas redes, enfim, pras pessoas que você acha que esse episódio pode chegar bem. Mas, antes de dar o tchau final, eu queria ir pra aquele nosso momento de indicações. Me contem aí o que é que vocês têm de dicas para nós.

Eu vou ficar com a série Adolescência, que eu já trouxe aqui, porque eu acho que ela é sensível, complexa e importante, e também com um livro que se chama Úterodrama, Reflorestando o Corpo e o Território, da autora Laura Vomero, que ela traz várias ideias e também recortes históricos importantes para pensar na política de controle dos corpos.

de pessoas com útero como construtora disso tudo que a gente está falando aqui. Perfeito. Acho que eu também vou reforçar as indicações que já foram sendo trazidas e acho que trazer uma indicação que já emergiu em outro momento. Um livro que eu revisito de tempos e tempos e que, por causa da pauta atual, eu acabei revisitando também, que é o livro Feminismo é para Todo Mundo, da Bell Hooks. Eu acho que é um livro que pode ajudar a gente a pensar, inclusive, essa pauta do letramento.

E uma outra dica, indicação e orientação também que talvez eu daria e que recebi há pouco tempo de uma mulher muito especial é que a gente siga procurando espaços de cuidado de pessoas que se impliquem e que entendam a misoginia e que entendam que toda essa conversa da gente também compõe os nossos processos, que isso também precisa ser levado em consideração por onde a gente andar e for cuidada, seja nas ginecologistas, seja nos espaços de saúde mental, pensar psicoterapeutas,

sejam quais foram, estou falando aqui duas em específico, porque foi o que emergiu, mas nos espaços de cuidado relacional, que a gente possa encontrar com pessoas profissionais que se impliquem nessa pauta. A gente não precisa mais de neutralidade, é uma das nossas bandeiras aqui da coletiva. E tu, Diana, o que é que conta para a gente antes de encerrar? Bom, eu quero contar sobre uma coleção, na verdade, um coletâneo de livros que me ajudou muito, que me letrou muito. Tua essa foi.

Esse foi um termo aqui que a gente usou, que é a coleção Feminismos Plurais, da Djamila Ribeiro. Então, tem vários livros de diversas autoras e autores, e é isto. Muito bom! Até breve, um beijo para vocês e para as pessoas que nos escutam. Tchau, tchau! Tchau, gente! Um beijo! Obrigada pela prosa, sempre! Tchauzinho, até a próxima!