Episódios de Serviço Público - Bloco de Notas

Emissão Especial - O 25 de Abril de Alfredo Barroso (1ªP)

08 de maio de 202640min
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Tinha 29 anos em 74, Estava na tropa como jurista, foi jornalista e acompanhou praticamente toda a vida politica de Mário Soares,
Desde MNE até Chefe da Casa Civil do Presidente

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Assuntos8
  • 25 de Abril de 1974Acordo com militantes do Partido Comunista · Ouvir o Rádio Clube Português · Perceção do golpe militar · Música e sonorização no Rádio Clube Português
  • 25 de Abril e vidaImpacto do 25 de Abril na vida de Alfredo Barroso · Jornalismo como profissão escolhida · Experiência na tropa como jurista
  • Regresso de Mário SoaresEncontro no cais de Santa Apolónia · Episódio do bolso rasgado
  • O dia 25 de Abril e as obrigações familiaresNão apresentação ao quartel · Obrigações como pai · Manifestação do Primeiro de Maio com as filhas
  • Serviço militar e minagem internaEspecialidade de licenciado em direito (LD) · Acordo com militantes do Partido Comunista · Testemunho de minagem interna
  • Beatriz Rodrigues e censura acadêmicaRedator do primeiro código de deontologia profissional dos jornalistas · Memórias de colegas falecidos
  • Regresso de amigos do exílioAeroporto como local de encontro · Presença de alferes da Academia Militar · Pressão exercida sobre militares
  • Comentário sobre referendo do divórcio em ItáliaPedido de Álvaro Guerra para comentário televisivo · Propaganda do compromisso histórico · Notícia de momento em Portugal · Comparação com o assassinato de Aldo Moro
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O 25 de Abril de... Alfredo Barroso, se não fosse o 25 de Abril, o que é que seria a sua vida? Serviço Público Bloco de Notas. Edição Especial. Ah, seria com certeza a da minha profissão, a profissão que eu escolhi. Não, não, de maneira nenhuma. Tirei o curso de direito, até com uma nota razoável.

Mas o que eu gostava... Seria jornalista. Eu queria ser jornalista e era. Foi. Aliás, quando eclosiu o 25 de Abril, eu estava simultaneamente na tropa durante o dia e no século, no jornal do século, durante a noite. Portanto, o 25 de Abril não alterou completamente a sua vida. Alterou completamente a minha vida e, sobretudo, o regresso de Mário Soares.

Do seu tio por afinidade Aliás até há um episódio curioso Eu estava em Santa Apelónia Quando chegou no comboio Estava ao Feira do Arroz e uma multidão Claro, mas eu também estava E estava logo ali no cais Por sorte minha, logo no sítio onde parou A caroagem em que eu fiquei mesmo de frente para ele E com o entusiasmo de o ver E eu lembro

agarrei-me a ele pelo casaco e rasguei-lhe... O casaco? Não o casaco, mas o bolso. Ele ficou chateado e disse, epá, descozeste-me o bolso. Resumindo, se não fosse o 25 de Abril, a sua vida seria... É o jornalismo, com certeza absoluta.

Mesmo com a censura? Bem, eu fui um dos que lutei contra a censura e fui, ainda antes do 25 de abril, durante o marcelismo, fui um dos redatores do primeiro código, ou projeto de código de autologia profissional dos jornalistas.

juntamente com outros jornalistas, já morreram todos. Tenho este problema, olho para certas fotografias, eu sou o único que ainda estou vivo, os meus amigos já morreram praticamente quase todos. Quase todos.

Estamos numa edição especial do Serviço Público Bloco de Notas. É um programa que ajuda quem está nos últimos anos do secundário, mas também quem se interessa por saber mais. E como pretexto das celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, falamos com quem não esteve implicado, para usar a expressão de Salgueiro Maia, mas já era gente na altura, porque tinha a idade certa. No 25 de Abril tinha 29 anos. 29 anos. Em 74. A idade certa porque é a idade do Salgueiro Maia. Pois, exatamente. E como é que foi o seu dia?

Eu já me palpitava que vinha aí o 25 de Abril, porque tinha tido conversas com... Ah, sabia, sabia. Era daqueles... Era dos que tinham uma ideia de que alguma coisa estava a arrebentar, porque eu estava na tropa.

Em Lisboa, não na guerra. Não na guerra, eu era um LD. LD? LD, era uma especialidade, licenciado em direito. E entrei para o serviço militar obrigatório numa altura em que o Ministério do Exército precisava muito de juristas. Não me passou pela cabeça fugir na altura, não é?

Não, não, isso foi uma coisa que eu discuti muito com outros amigos, nomeadamente, eu estava de acordo com os militantes do Partido Comunista, que diziam que era precisar ir para a tropa. Para minar por dentro. E, de facto, eu posso testemunhar que minei, ajudei a minar, de certeza absoluta. Então, porquê? Bem, digo isto porque um dos momentos mais divertidos e felizes que eu tive...

Foi poucos dias depois, do 25 de Abril, quando eu fui ao aeroporto a esperar por amigos que tinham vindo do exílio. Quem é que estava a tomar conta do aeroporto? O meu alferse da Academia Militar, que deu a instrução, e o outro que tinha dado a instrução, o Plutão, mesmo ao lado do meu, onde também estavam amigos meus. Isso significa que, bem...

Não estou a dizer que eles não tivessem já vocação para... Mas a verdade é que nós fazíamos muita pressão. E, aliás, com dois amigos, que eram ambos do Partido Comunista, eu nunca fui, não sou nem serei, mas o meu pai foi comunista. Sim. E até o Mário Soares foi comunista, como se sabe.

E toda a minha família foi comunista. Toda a minha família, Barroso. E a italiana nem por isso. Pois, a italiana é a mãe, não é? É a mãe. É por isso que nasce em Roma. Nasce em Roma. O meu pai era matemático e estava em Roma, na Universidade de Roma, a preparar o doutoramento em matemática. E conheceu a sua mãe e o Alfredo... Conheceu a minha mãe e eu nasci, tinha ela 19 anos. E eles casaram-se, mas depois separaram-se já em Portugal.

Mas voltemos ao seu dia 25 de Abril, que era aí que nós estávamos. O que é que aconteceu no seu dia 25 de Abril? Bem, eu fui acordado em seis e meia, lembro-me muito bem, de um amigo meu que estava a fazer a tropa comigo e que era comunista e que me disse apenas isto, fazes favor, ligas o rádio imediatamente. O rádio era o Rádio Clube Português. Exatamente. E eu liguei e ouvi o movimento das Forças Armadas a pronunciar-se e a explicar o que é que se tratava.

Ainda havia gente que hesitava sobre se aquilo seria um golpe do Caúlza, como se dizia. Mas eu percebi logo que não. Até por causa da conversa. E da conversa mesmo. E da conversa deles. Porque os primeiros comunicados pela manhã já diziam mais do que os da madrugada. Exato. E depois a música, quando chegou o Zé Ribeiro, o sonorizador Zé Ribeiro ao Rádio Clube Português.

Ele retirou do armário de discos do Matos Maia todos os discos de... Sabe que o Matos Maia ainda acabou por me fazer uma entrevista, já muito depois do 25 de Abril. Sim. Matos Maia da Guerra dos Mundos e do Quando o Telefone Toca. O que eu fazia, mas o que ele queria que eu fizesse, é um programa de rádio.

Ele dizia, não, eu só estou aqui para o encaminhar, mais nada. A partir daqui o programa é seu, você põe a música que quiser, diz o que quiser e isso foi. Mas isso foi já muito depois do 25 de abril. Muito depois do 25 de abril. Pronto, então e o seu dia 25 de abril? Vai para a rua? Devia ter-me apresentado. Ah, pois, no cartel. Devia ter-me apresentado. O seu cartel era o quê? O meu cartel era um dos torriões do Terrenho do Passo. Porque eu estava nos serviços de... Bem, tinha uma vista.

Tinha, tinha. Eu estava nos serviços de justiça e disciplina do Ministério do Exército. Para quem está voltado para o Rio, é o torreão da direita. O da esquerda é o Ministério das Finanças. O da direita era o Ministério do Exército, em cujo bar, onde a gente via bicas, o ministro fez um buraco.

para fugir para o Ministério da Marinha. E depois fugiram todos. Exato, fez um buraco na parede. Um buraco na parede, que estava lá. Onde foi do dia... Fui tomar uma bica e fui ver o buraco. E vi o buraco. Mas então, não se apresentou? Não, não me apresentei. Não foi para onde?

Eu tinha obrigações como pai. Pois, eu já era pai. Eu já tinha duas filhas. Sim. E uma delas tinha seis meses. Tive que combinar com a minha mulher como é que fazíamos. Tínhamos muita dificuldade em ir para a rua com as duas miúdas. Claro. Acabámos por ir no dia primeiro de maio.

porque a portuguesa era uma mulher simpática, ficou com o mais novinha, e a outra foi às minhas cavalitas para a manifestação. Mas e esse no 1º de maio? No 25 de abril? No 25 de abril não fiz mais nada de especial, a não ser contatar com os meus amigos. E estive em casa de uma amiga, cujo marido era meu amigo, e que também estava a fazer a tropa, para saber dele, porque ele estava colocado mesmo junto do ministro do Exército. E eu cheguei a falar com ele e disse-me o ministro pirou-se.

o ministro já voou daqui já se foi embora eu estou aqui a aguentar a burguesia e aqueles dias a seguir? portanto foi a inquietação de avisar o seu tio

Quando eu o levei, eu fui Esperar. Isso foi no dia 28 De abril? Isso foi no dia 28 E no dia seguinte, acho que no dia seguinte Ou dois dias depois. É engraçado, estamos a gravar Esta conversa há 29, portanto estamos De abril, 29, de abril, sim. Tem piada Sim, senhor. E um desses dias Seguintes O telefonou-me, o Álvaro Guerra Escritor e que era jornalista Que tinha ocupado, foi jornalista do rap Mas ele era o diretor De informação da RTP E

conquistada pelos militares, porque ele estava na tropa também. E ele telefonou-me a pedir para eu fazer, ir gravar, não era gravar, era mesmo ir em direto, para eu ir fazer um comentário sobre um referendo acerca do divórcio a Itália.

Isso logo a seguir ao 25 de abril? Logo a seguir ao 25 de abril. Era a notícia de que momento. Não, mas foi uma coisa boa, porque eu aproveitei para fazer propaganda do chamado compromisso histórico que abrangia em Itália os comunistas também. E que acabou mal, como se sabe, com o assassinato do Aldo Moro.

Que era o líder da democracia cristã. Mas achei que era muito útil fazer a propaganda do compromisso histórico para Portugal num momento da transição. Já agora falemos sobre isso. Porque naquele momento a Itália havia esse compromisso histórico, que era uma aliança, digamos assim, entre os comunistas italianos. Sim, mas que não estava ainda consagrada.

Mas era o que se pretendia, não é? Era o que se pretendia. Entre os comunistas italianos que não eram bem da linha do PCP... Não, era o Henrique Berlinguer. Não eram a linha para o sujeito. Mas a Itália, os comunistas italianos tiveram sempre uma grande transição da autonomia. Mas era um compromisso entre eles e a democracia cristã. E a democracia cristã. Isto em Portugal seria uma aliança entre Alborcunhal e Freitas do Marol.

Não digo isso, mas digo... Aqui o entendimento era aceitar que os comunistas faziam parte da transição e que, portanto, deviam participar no governo provisório, como de facto vieram participar. Mas sabe que eu tenho pena, eu não sou comunista, nunca fui,

Porque aprendi com o que sucedeu com a família e com a desilusão que a família acabou por ter. E, aliás, com a forma, não importa falar nisso, como o meu pai, que foi sempre comunista até ao fim da vida, vida curta, aliás, porque morreu com uma doença muito desagradável prematuramente, ele foi expulso.

Do PCP. Do PCP, o meu pai. Em que altura? Em 1955, 1956. Em questão da Hungria?

Não, por acaso coincidiu. O PCP ainda funciona em matéria de costumes. Ou funcionava. Funcionava em matéria de costumes, como se fosse uma igreja. E, por exemplo, alguém atrever-se a casar com a viúva de uma grande personalidade que tinha morrido era uma espécie de pecado político.

E o meu pai cometeu esse pecado porque casou-se com a viúva, aliás de um amigo dele que já tinha morrido há muito tempo, estava ele em Itália. Apaixonou-se por ela, ela por ele e acabaram-se de casar, mas o casamento acabou mal. Tal como o primeiro casamento do meu pai. E ela era até uma pessoa... E ela era mulher de quem? Ela era mulher do Soeiro Pereira Gomes, do escritor. Era viúva do Soeiro Pereira Gomes. E o meu pai era muito amigo do Soeiro Pereira Gomes.

E nunca tinha sequer imaginado vir a ter uma relação e casar-se com a Manuela Cânceres Correios. Que era, aliás, uma autora de canções para o Luís Pissarra. Era a compositora preferida de Luís Pissarra. O Homem do Hino do Benfica, entre outras coisas. Não, mas ela... Sim, o Homem do Hino do Benfica. Voltemos, isto tudo a propósito do comentário que Álvaro Guerra lhe pediu para ir fazer a televisão. Eu fiz. Por causa... Foi muito engraçado. Foi a minha primeira experiência de televisão. Certo.

Mas era sobre o que significava o referendo sobre o divórcio em Itália, tendo em conta que o divórcio... Por exemplo, a minha mãe ainda era casada com o meu pai, nessa altura, apesar de já estar há muitos anos na Itália, e de se ter divorciado com o meu pai, cá. Mas era casada lá. Lá. Isso acontecia muito, sim.

Mas então foi à televisão falar sobre o divórcio E aproveitei para fazer Propaganda ao compromisso histórico Explicando o que isso significava E é curioso que foi por causa disso Que um amigo meu Que lhe posso dizer já o nome Era o Vítor Quinho Arrego Que não me conhecia Pois foi diretor do Semanário Sim, mas foi também do PS Sim

E depois voltou, digamos, ao PS no final da vida Voltou a aproximar-se do PS E ele gostou imenso de me ouvir E disse ao Mário Soares Quem é este Barroso? O Mário Soares disse Não, este está preparado para vir trabalhar comigo No Ministério de Negócio Espanhola

Tivemos um no Teatro Vasco de Santana, que era aquele ali na Feira Popular, e fiz outro em Elenquer, em que a primeira fila que estava a assistir ao nosso comício era o agente da PIDE, o verdadeiro civil, o presidente da Câmara, e eu achei-me essa graça. Eu até tenho uma fotografia.

Estamos com Alfredo Barroso, foi jornalista, já ouvimos, foi chefe da Casa Civil de Mário Soares durante 10 anos, nasce em Roma no ano em que acaba a Segunda Guerra, a mãe é italiana, o pai é português, já aqui o disse, irmão de Maria Barroso. Irmão de Maria Barroso.

É licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa em 1968, portanto há o Mai de 68 em França, e aqui Alfredo Barroso acabava a sua licenciatura em Direito. Foi jornalista no jornal A Capital, de 69 a 73. Jornalista de que área?

internacional fazia comentário tinha uma coluna enorme e além disso trabalhava muito no corte e cola não sei se sabe o que era isso o corte e cola eram telex as agências internacionais e nós dávamos-lhe corpo e às vezes o corpo era mais fácil de estar fazendo alfaietaria política corte e cola que os jornais naquela altura não eram feitos como não são agora a seguir vai para o século e no 25 de abril está no século ó

Sim, sim. Aborreci-me com um subchefe de redação, não vale a pena dizer, ele já morreu, com um tipo que era chefe de redação adjunto do Iriarte. Do Rodolfo Iriarte. Do Rodolfo Iriarte, quem eu sou hoje, continua a ser um grande amigo, ele é um grande amigo meu também. Vai para o século em 74, jornalisticamente falando, o que é que faz no século? Ah, isso faz-se uma coisa muito interessante, porque me puseram...

O século, o século, não é? O século inicial. Ainda agora, coitado, morreu o meu chefe de redação. O Mário Zambujal. O Mário Zambujal. Mas ainda está vivo, felizmente, o José de Silva Pinto, que era do jornal. E suponho que já morreu o Hernani Santos. E também já morreu o José Mensurado, que aparecia normalmente à meia-noite para fechar a primeira página.

Ele vinha na televisão, se calhar. E eu passei a trabalhar com um grande jornalista chamado Francisco Mata. Que também fez programas de rádio na Rádio Conceição. Exato, exato. E tem uma tradução que nunca ninguém quis. Tenho uma pena, uma tradução da Animal Farm de Jorge Orgão. Do Triunfo dos Porcos. Do Triunfo dos Porcos. Tem uma tradução que nunca ninguém quis. Eu apresentei já a duas editoras.

Mas esse livro já está traduzido para português Só que o dele é Francisco Mata Mas pronto, eu compreendo que já havia Aliás, um dos que editou Até foi um primo meu Que é Barroso Mas é sobretudo Soares Que é o filho do Mário Soares João O João Barroso Soares Que teve uma editora chamada Perspetivas e Realidades Sim

E foi ele até o primeiro a editar O Animal Farma em português A seguir logo ao 25 de Abril Um livrinho pequenino, não é? É um livrinho pequenino Foi agora reeditado Eu era amigo dele O que é que o Alfredo Barroso fez a seguir No século a seguir ao 25 de Abril Em termos de jornalisticamente falando Foi decidido por Manoel Figueira Que era o diretor O diretor

Que era um homem do regime. Era, mas era um tipo muito liberal. E digo-lhe mais, quando ele... O Mário de Bejel já contou isso aqui nestas conversas. Já. O Mário de Bejel era um tipo excelente. Era um tipo excelente. Era um tipo excelente. Sobre todos os aspectos profissionais, de primeira. Era um tipo cheio de graça, um contador de histórias. E aproveitou muito bem esse talento que tinha para publicar uma série de livros.

Mas eles decidiram, acho que até foi o Mário Zambujal que propôs, que eu me juntasse ao Francisco Mata e passássemos a fazer a última página do século. Naquele formato enorme que tinha. E, portanto, tínhamos muito a traduzir textos de imprensa estrangeira.

Até eu escrever... Mas, portanto, o Alfredo Barroso não era repórter. Não, mas fui repórter na Capital. Eu na Capital entrei como estagiário, apesar de ser licenciado de Direito e de já ser... Sim, mas estagiário de jornalista. Não, mas é que nessa altura...

A carreira era estagiário, repórter B, repórter A e redator. E eu fiz isso tudo em seis meses. Eu já vinha, era com a aura de escrever um Tempo e o Modo. Pois, exatamente. E de até ter dirigido em treinamento. Já lá íamos, mas a revista O Tempo e o Modo é ao mesmo tempo da capital ou é depois?

Não é antes. A revista do Tempo e o Modo é assaltada às tantas. Nós saímos, o Jaime Gama, o Zé Luís Nunes e eu, saímos em conflito com o João Bernardo da Costa, porque ele teve uma desconfiança em relação a nós, que nós considerámos absolutamente inadmissível, e, portanto, decidimos sair. Entretanto, o Tempo e o Modo...

que era uma revista da democracia cristã portuguesa, mais dos católicos progressistas. Do que da democracia cristã. Do que da democracia cristã. Escreveu lá o Jorge Sampaio, escreveu o Zanha, escreveu o Mário Soares, escreveu, enfim. Mas esses não eram católicos. Não, não eram, mas era uma revista ecuménica nesse sentido. É certo. Até do ponto de vista político. E foi por isso que eu fui convidado. Foi convidado o Jaime Gama. Sim.

Que era jornalista do República. Era jornalista do República. Éramos muito amigos. Aliás, decidimos entrar para a Ação Socialista Portuguesa. Os três juntos. Os três? Quatro. Aliás, éramos quatro, mas só três é que fizeram, digamos, reuniões conspirativas. Era o Jaime Gamba, o Zé Luís Nunes.

Foi líder parlamentar do Partido Socialista. Foi líder e morreu prematuramente. Era advogado no Porto. Era um tipo muito inteligente. Éramos muito amigos. E também entrou o Mário Mesquita nessa altura. O jornalista. O jornalista. E entrámos todos para a ação socialista.

Em 69, não é? Em 69, já apostados em que dali devia sair um partido. Aliás, o Lóvedor Rosa é fundador do Partido Socialista. Eu sou fundador. É um dos... Eu sou um dos fundadores, mas não sou um dos... Dezenove. Não, não sou, porque estava na Europa, não fazia sentido. É um dos 115, não é?

São de 115, era na altura, era o número 40, e quando abandonei o Partido Socialista era o número 15. Demos aqui um salto. Voltemos ao jornalista em 74. O que é que se lembra do que era aquela última página? Lembro-me, por exemplo, desde regatas, velas internacionais.

até crónicas satíricas que eu escrevia, que escrevia o Francisco Bata, havia tudo. Infelizmente eu não tenho uma coleção, porque aquilo era muito grande. Tenho pena, tenho pena. Bom, tem uma dezena de livros publicados, mais ou menos, crónicas em vários jornais, no Expresso, no Público, no Diário Notícias. É um dos fundadores do Partido Socialista, antes a Ação Socialista, depois a SEUD, que foi a votos em 1969. A SEUD ainda é...

antes do partido. O partido é só em 73. É só em 19 de abril de 73. É seu, exatamente. Foi preso o Jaime Gama e o Francisco Salgado Zanha. Foram presos nessa altura. Nas eleições de 69. A meta seguir às eleições.

Tinha Mário Soares como cabeça de lista. Sim, sim. Eu ainda fiz comícios juntamente com Mário Soares. Lembro um no Teatro Vasco Santana, que era aquele ali na Feira Popular, e fiz outro em Elenquer, em que a primeira fila que estava a assistir ao nosso comício era o agente da PIDE, o verdadeiro civil, o presidente da Câmara.

E eu achei imensa graça. Eu até tenho uma fotografia. Os oradores éramos quatro. Era o Mário Soares, claro. Era o Teófilo Carvalho dos Santos. Foi o segundo presidente da Assembleia da República. Primeiro foi o Várzea da Câmara Furtado. E os outros dois eram a Itálvina Lopes da Almeida. E eu. Éramos os quatro. E foi um comício interessantíssimo. Com a casa a abarrotar.

Sabíamos que não íamos ganhar Tiveram que esperar mais uns anos Até ao 25 de Abril Depois E o 16 de Março Só chamo aqui à colação O 16 de Março Porque passou-se uma coisa muito engraçada Como se sabe foram os Pindulistas que quiseram adiantar-se aos capitães Mas de qualquer maneira Entre os Pindulistas estavam tipos formidáveis Nomeadamente um de quem eu fui muito amigo O Manuel Monge O Manuel Monge

Que aliás se tornou um militante do Partido Socialista Mas o que aconteceu foi o seguinte No dia 16 de março, ou na noite Eu estava em casa, na minha casa em Lisboa Ali na aveia do Brasil A jogar bridge com a minha mulher e os primos dela arquitetos

Não sei se sabe como é que é no bridge, se é jogador. Não sei, não. Bem, quando são dois pares, um par contra o outro, e quando um dos pares ganha o leilão, um deles vai cartear, isto é, é ele que vai tentar cumprir o leilão que ganhou. Se ofereceu tantas vasas, tem que as fazer. Isso é pouco importante neste caso. E quem ficou a morta foi a minha primeira mulher. Ou melhor, a primeira mulher com quem eu me casei.

Assim é mais certo E às tantas Toco o telefone Já meia-noite Eu estou a cartelhar E ela aparece Toco o telefone fixo E ela aparece à porta da sala E diz Olha, está aqui um tipo que diz que é brigadeiro E que é teu chefe E eu disse, mas é que parece ser mesmo meu chefe Espera lá que eu vou ir atender

E fui atender, e percebi logo, era mesmo o Brigadeiro Diretor dos Serviços. E então, ele disse, o nosso aspirante, faz favor de se apresentar rapidamente. Eu disse, mas ainda vou vestir a farda. Não é preciso, venha a civil. E lembro-me bem a chegada ao Ministério do Exército, e onde eram os serviços. Lembro-me muito bem. E depois vai para lá e o que acontece? Eu vou para lá e para subir até ao meu andar, tenho que passar por cima dos soldados que estão a dormir.

e outros que estão acordados de plantão, armados até aos dentes. Vinham defender o Ministério, caso eles chegassem a Lisboa e resolvessem tomar conta do que não aconteceu. E, portanto, chegou lá, acessível... E, portanto, chegou lá e foi uma frustração absoluta. O que é que eu estou aqui a fazer? Nada. Nada, absolutamente nada.

E aí por volta das 4, 5 da manhã... Voltou a Abrites. Não voltei a Abrites, mas voltei para casa. E eles disseram, mãe, podem-se ir embora. Mas amanhã apresentam-se aquilo. E eu percebi, foi a partir daí que alguém me disse, atenção, que isto não é o que está previsto.

E eu fiquei sempre alerta. Isto não é o que está para vir? Isto quer dizer o quê? Como estavam a dizer, eu não sabia do movimento dos capitães, a não ser muito vagamente. Isto conhecido como o golpe das calas. E a partir desse 6 de março... Que eu fico a saber que há qualquer coisa que vai acontecer. E acontece um mês depois. E acontece. Mais ou menos um mês depois. E eu o percebi quando esse meu amigo me telefonou, ainda por cima era do PC, a dizer-me, pá, faz-me o favor, ligas o rádio. E eu vou descoçoes.

No Rádio Clube. Eu percebi logo, eu disse o que está a acontecer. Tá, tá, vai lá, vai lá ouvir. E assim foi. Passou-se outra coisa importante. Mas quando? Nesse período a seguir ao 25 de Abril. Foi o Selber.

documento conhecido como o Manifesto Social Democrata, que me ia valendo a expulsão do PS, logo ali. Mas quem me defendeu, curiosamente, foi um dos tipos mais à esquerda na direção do PS.

quem eu fiquei sempre a admirar, porque foi de uma lealdade extraordinária, que foi López Cardoso, que disse no Secretariado Nacional, quando houve pessoas que falaram na minha expulsão, depois quem me contou isso foi o Mário Soares. Olha, quem defendeu foi López Cardoso. Nem fui eu. Mas deixa-me perguntar, esse documento acontece quando e surge porquê?

em dezembro de 74. E porquê? Porque há o célebre congresso na reitoria. Na reitoria da Universidade de Lisboa. Que é o segundo congresso do Partido Socialista.

É o primeiro na legalidade e é mais ou menos turbulento. Fundador, é o Congresso que funda o Partido Socialista na Liberdade. É, mas é também muito turbulento por causa... Porque havia duas facções, não é? Havia a facção do Manoel Serra... E a facção do Mário Soares. E a facção do Mário Soares.

A falção de Manuel Serra e de um primo meu, que você deve conhecer, porque é jornalista, também foi jornalista, o José Manuel Barroso. Sim. Que sai com o Manuel Serra também, antes de optar pelo CDS, pelo PPD. Também já passou por estas conversas. Pois, eu sei, eu ouvi a conversa e fico por aqui. Esse documento foi escrito...

e assinado pelos seguintes personagens Eu sou o que está vivo Os que já morreram são o Francisco Sousa Tavares o Vasco Polito Valente o José Cotileiro, o embaixador e um economista que também já morreu chamado Fernando Abcacis Deixa-me cá ver se há mais alguém Está aí a consultar os seus papéis?

Fernando Apecacis, Sousa Tavares, José Cotileio e Vítor Cunha Rego. E portanto, este documento dizia o quê? Tenho aqui. Está publicado. Está publicado em livro de capa dura e tudo. Não a capa dura, é porque o livro desfazia-se completamente. Então mandou encadernar. Basicamente, este documento dizia o quê? Que o PS tinha que ser o quê? Tinha que ser. Tinha que lutar.

por uma democracia pluralista, pluripartidária, sem partidos de vanguarda, sem excessos revolucionários.

podiam perturbar ainda mais do que já estava perturbada a revolução. Estávamos em dezembro de 74. E, portanto, isso causou, estou dizendo, sim, claro, sim, claro, sim, possível. Isso deu origem a protestos da ala esquerda do partido. E a ala esquerda do partido criou o quê?

A esquerda do Partido queria alianças com a extrema-esquerda. Com a extrema-esquerda? Com a extrema-esquerda. Ou com o PCP? Não, com a extrema-esquerda. Portanto, quando falamos aí de extrema-esquerda, estamos a falar de quem? Da UDP. O MRPP nunca foi à extrema-esquerda. Nunca. Acho eu. Eu dava muito... Mas, portanto, o Manuel Serra defendia uma aliança com a UDP? Bem, eu não sei se eu dizia isso explicitamente.

Mas não é de imaginar que o Cunhal fosse na conversa de Manuel Serra. Mas, no fundo, o que ele pretendia é que o PS seguisse um curso idêntico ou semelhante ao do PCI e ao da extrema-esquerda. Queria que fosse também um partido revolucionário. Esse documento não foi subscrito por Manuel Alegre?

Não, ele fez uma ótima intervenção, tal como Zanha e como Mário Soares, mas não há dúvida que o Manoel Alegre era um tribuno de grande categoria, sem dúvida nenhuma.

Aliás, fez também um discurso notável no célebre comício que nós fizemos no Pavilhão dos Desportos contra a unicidade sindical. Aliás, mas é quando se percebe que é preciso que exista uma central sindical diferente, diferente da intersindical. Nessa altura era a intersindical. É a intersindical CGTP, mas é para distinguir as duas fases da central.

Foi deputado do Partido Socialista há três anos, não é? De 80 a 83. Sim. Porque em 83 é secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros... Do Bloco Central. Do celebérrimo governo do Bloco Central. Que me vacinou, eu nunca mais... Há quem diga que foi o melhor governo de Portugal. Não foi. Há quem tenha muitas saudades desse governo.

Não, isso está bem. Eu acho que foi uma iniciativa do Partido Socialista que correu muito bem, enquanto do outro lado... Estava a Mota Pinto. Estava a Mota Pinto, de alma e coração, mas morreu. O Machete, enfim, foi apenas um líder de transição. E o João Salgueiro estava convencido que era trigo limpo e não foi. Deve acabar com o Silvásquer. A coisa não correu muito bem.

E depois, portanto, este governo de Bloco Central... Foram dois anos de governo de Bloco Central e eu disse que fiquei vacinado para as alianças com o PSD, porque eu assisti à forma como o PSD, sobretudo a partir do momento em que elegem o cavaco, está a preparar...

todos os argumentos para... Nós dizíamos na altura que o PSD era um mau parceiro porque estava com um pé no governo e outro na oposição. Era o que se dizia na altura. E é verdade porque a partir de ser a altura percebeu-se

Cavaco, a primeira coisa que faz quando chega ao PSD é acabar com o governo do Logo Central. Porquê? O Cavaco tinha seguido toda a política económica e financeira do governo no Banco de Portugal e até tinha apoiado e aprovado aquilo que o governo tinha decidido. E quando percebeu que o essencial estava alcançado, é por isso que se diz que foi um dos melhores governos que nós tivemos e foi, não foi o melhor, mas foi um dos melhores. Qual é que foi o melhor?

Eu acho que vou dizer aqui uma coisa escandalosa. Foi o do Sócrates.

Qual deles? O primeiro governo de Sócrates? Exatamente. Eu fui contra esse governo e critiquei-o. Mas reconheço que há muitas críticas que foram feitas ao Sócrates. Eu não fiz essas. Criticá-lo por causa dos computadores pós-miúdos. Os magalhães. Renováveis. As eólicas já existiam. As renováveis, sim. E o primeiro carro elétrico devido a eletricidade. Acho que é um Nissan.

Portanto, acha que foi esse o melhor governo? Eu acho que foi o primeiro. Um outro aspecto também que foi a renovação do centro das cidades. Portanto, estamos a falar em 2005 a 2000... E do ponto de vista ecológico, as praias. As praias de uma maneira azul. E sobretudo, passarem a ter construção só de estacas enfiadas na areia e não de cimento. E eu lembro-me no Algarve, o caso que se passou na praia que eu...

que eu frequentava, que era uma praia admirável, e que havia um restaurante que estava construído sob cimento, rebentou e, ao rebentar a parede de cimento, ao rebentá-la, deixou-a nu toda a porcaria. Os esgotos de um restaurante. Foi nessa altura que nós fugimos dali da praia dos Três Irmãos, nós, família toda. O Clã Barroso Soares. Soares. Fugimos para a zona de Alvoro.

Voltemos ao governo de Bloco Central de 1983-85. Estava o Alfredo Barroso a dizer, Cavaco Silva, depois de perceber que a política económica já estava feita... Ele achou que era à altura própria com o PS a arrostar com as culpas pela austeridade imposta, que era à altura do PS... É o governo das bandeiras negras e da austeridade e dos salários em atraso em Setúbal, etc. É esse o governo.

Salários em atraso e até a miséria de Setúbal. Exatamente. E o Bispo de Setúbal, o Manuel Martins, não se cansou de denunciar. Sim. Eu fiz parte daquele grupo de membros do governo. Era eu e a Leonor Beleza, que era a secretária de Estado. Era a secretária de Estado da Segurança Social, creio. Exatamente. Do ministro... Amandio das Vezes. Exatamente. Foi um... Era ministro do Trabalho e da Segurança Social e, portanto... Exatamente. Os principais motores da ruptura. Foi o Amandio das Vezes.

Estava a dizer que com o Leonor Beleza? E com o governador civil de Setúbal, que era do PS, e com a senhora dos Serviços Sociais do Distrito, que era do PSD. Esse grupo organizou um apoio de emergência às famílias de Setúbal, sobretudo às famílias desempregadas, identificando que tipo.

de instrumentos é que seriam acessíveis ou necessários para as pessoas terem um trabalho. E uma das coisas mais curiosas que nos pediram foi máquinas de costura. E arranjámos para as mulheres. Para poderem fazer arranjos. Exato. Era um trabalho. Eles não tinham dinheiro para comprar vestidos e fatos novos, de maneira que podiam arranjar.

Deve ter sido isso, com certeza Mas nós achámos muito curioso E arranjámos isso E arranjámos mais coisas E eu consegui convencer o Hernani Lopes Que era um excelente ministro Ministro das Finanças 50 mil é muito pouco Veja lá se que arranja 100 mil

Lá arranjou E se eu tivesse pedido 200 mil Também era incapaz de tirar Eram grandes as dificuldades Muito grandes Mas é curioso, sabe, porque a negociação, por exemplo, coletiva Continuou E continuou muito bem Nesse governo do Bloco Central Nesse governo do Bloco Central Houve desemprego, mas não diminuição de salários Isso nunca houve Isso, aliás, o PS nunca permitiria Que isso acontecesse Como aconteceu, aliás De novo

Na Troika, não é? Houve mesmo diminuição de salários. Bom, depois desses dois anos, foram dez anos em Belém, com Mário Soares presidente. Eu já tinha sido chefe de gabinete dele como primeiro-ministro. E já tinha estado no Ministério dos Negócios Sérgio com ele, como diretor. Logo no início, logo a seguir, ao 25 de Abril, quando Mário Soares foi ministro. Ele pediu duas coisas. Disse-me, fazes favor, escreves-me um texto para a contracapa do Portugal Amordaçado.

E eu escrevi E lá está, na primeira edição Integral Além disso, vais comigo para um de séries de negócios estrangeiros Tratar com a imprensa estrangeira toda E assim foi Eu fui para o diretor dos serviços De informação e imprensa E aí o que é que a sua memória hoje lhe traz Desse tempo? Então voltamos outra vez atrás, ainda não vamos à presidência O que a memória me traz foi Ter contactos com Embaixadores, por exemplo Do Bloco de Leste, engraçadinho

Era a Roménia, era a União Soviética Mas temos que traduzir Estamos a falar para quem Era a Polónia Para quem está no século XXI E o Bloco de Leste é de século XX O mais divertido de todos era o embaixador rumeno E então eu trabalhava, que me desenhava No Ministério dos Gostos Estrangeiros Num gabinete, aliás, do tamanho de uma piscina Que ficava no último piso

Do Palácio das Necessidades, que tem espaço por todo lado. Tem espaço por todo lado. E que tinha vista sobre o jardim, que era a única coisa boa, mas eu raramente vi ao parque, porque passava o tempo agarrado à secretária, a documentos, a papelada, enfim. E foi um trabalho muito interessante, porque às tantas éramos convidados, através do ministro de Gostos de Sérgio, para ir ao estrangeiro, à terra deles.

E eu disse ao Maestro Bem, se eu passo o tempo a ir Visitar o Têmico à Vida Não faço aqui nada Ah, mas há aqui um convite Que tu tens que aceitar e tens que arranjar Uma série de tipos para ir contigo É o Olof Palme Olof Palme, que o fenômeno Era o primeiro-ministro sueco Que não devia ser assassinado E tens que escolher Tens que escolher um grupo de jornalistas E então eu escolhi Olof Palme

O Vítor Guilherme, que era o diretor de Antícias, o Francisco Balsemão, que era o diretor dos Presses, um amigo meu, que ainda não era embaixador, havia de ser, que é o Alfredo Eduardo Costa, que era o presidente da ANOP na altura.

A ANOP era a agência de notícias. Uma das antecessoras da Lusa. A ANOP, NP... Exatamente. E o diretor do tempo. Nuno Rocha. Que era um tipo muito engraçado. Nós estivemos lá 12 dias na Suécia. E fomos recebidos por todos os partidos políticos. Todos. Pela central sindical. Pelas centrais patronais. Todos. Pelo partido agrário. Pelo partido industrial. Todos.

Uma visita extraordinária. E pelo próprio Holopalmo, como é óbvio. E no fim nós tínhamos ido com o número dois da embaixada sufeca em Portugal. Em Portugal. Era do Partido Social Democrata, mas era um aristocrata. E, portanto, era de boas famílias como se costuma dizer em Portugal. Não acostumava. Hoje já ninguém disse isso.

Alfredo Barroso, muito obrigada por esta partida. Nós vamos ficar por aqui nesta conversa que vai continuar na próxima semana. Esta é uma edição especial do Serviço Público Bloco Notas. É um programa que ajuda quem está nos últimos anos do secundário, mas também quem se interessa por saber mais. E com o pretexto dos 50 anos do 25 de Abril, fixamos aqui memórias na Antena 1, na Rádio Pública.

Agora aos sábados, depois das duas da tarde, pode contar com o 25 de abril de, neste caso é de Alfredo Barroso. Todos os episódios estão em todas as plataformas de podcast. Os cuidados de emissão foram de Filipe Pinto, a imagem de Maria Saemelo, a produção de Ana Fernandes, ideia e edição de Maria Flor Pedroso. Nós voltamos para a semana. Muito obrigado.