Episódios de Serviço Público - Bloco de Notas

Emissão Especial - O 25 de Abril de Carlo Albino

01 de maio de 202638min
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Tinha 29 anos em 1974. Foi décadas jornalista no Diário de Notícias e estava por dentro do 25 de Abril

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Participantes neste episódio1
C

Carlos Albino

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • 25 de Abril de 1974Francisco Albino · Concerto Renascentista · Grândola Vila Morena · Forcas Armadas EUA
  • Perseguição a jornalistas e abuso de poder estatal
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Serviço Público Bloco de Notas. Edição Especial.

Hoje voltamos aos jornalistas, aos jornalistas que viveram, contaram e escreveram aquele dia. Esta é uma parceria com o Clube de Jornalistas, uma instituição que entrega os prémios Gazeta, os mais importantes prémios do jornalismo português, que nos 50 anos do 25 de abril fixou em áudio e depois em livro, que está à venda aí nas livrarias, uma parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda, fixou as memórias dos jornalistas que estiveram, contaram e noticiaram.

O 25 de Abril, para mim, dilui-se no tempo e peço imensa desculpa, porque, de facto, os anos que vivi antes do 25 de Abril foram uns anos de repressão intensiva do regime que existiu.

Hoje temos o 25 de Abril de Carlos Albino. Sem ele, não teríamos tido a grândula como segunda senha que deu sinal aos capitães. Carlos Albino tinha, à época, 29 anos. Era jornalista no República. Integrava a equipa do programa independente na Rádio Renascença de seu nome Limite.

Cursou Direito e Sociologia, deu aulas no Liceu e Algarvio, nascido em Laleé, tem obra poética publicada, foi décadas jornalista do Diário Notícias e hoje podemos lê-lo no Jornal do Algarve. Eu vim parar ao Jornal da República, que os mais novos devem saber que era um jornal marcado e não fingido. Eu fui radiado do ensino privado.

nos tornados de o liverno, de onde era um diretor. E a partir daí eu disse que tenho de trabalhar para derrubar esta macacada. E foi um escritor do Algarve, muito estimado, a Cis de França, que me levou à fala com o diretor do Rack Club, o Carvalhão Duarte, e o diretor Adjume, e que me introduziram no jornal. E aí fiquei.

No dia 22 de março de 1974, eu fui-me despedir do Mel Antunes ao aeroporto. O Mel Antunes tinha sido deslocado à força pelos Açores, como sabem, Mel Antunes e outras pessoas, e fui-me despedir dele porque ele era...

Nosso amigo era amigo do Carlos Fabião, que foi o responsável por um termo de responsabilidade que me colocou no sítio mais responsável do exército, que era o Centro de Estudos Psicotécnicos, o que me colocou muito mal perante a redação da República, onde estava o Alberto Aronjo de Carvalho, o Irmão Dele, outras pessoas, e que devem ter estranhado muito.

um tipo de oposição no Jornal República, ir cair no sítio de maior responsabilidade e confidencialidade do exército, que era o Centro Estudos Psicotécnicos. Mas fui lá cair por um termo de responsabilidade do Fabião, que vendo as minhas habilitações precisavam de alguém lá para determinadas coisas, e assim fiz, e assim foi. Com o 25 de Abril tive este primeiro contato.

Ainda o dia 25 de Abril não tinha nome, só passou até o nome no dia 26 de Abril. Estávamos a trabalhar para qualquer coisa. No dia 22 de Março, fui a despedir do Mel Antunes. E o Mel Antunes disse, não, vamos precisar certamente de uma coisa para fazer movimentar esta macacada toda.

e vamos precisar de ti. Às ordens, disse eu, o limite tinha sido fundado e criado precisamente para ser o limite, para chegarmos até ao limite. Era a palavra. E era um programa de textos lidos, eu era o autor dos textos, de poemas, era o autor dos poemas, dividíamos disso, com colaboradores, etc.

Mas eu estava proibido de aceder ao microfone. Só podia escrever. Primeiro foi o Carlos Albuquerque que podia as coisas, depois foi o Leto Vasconcelos que podia as coisas. E assim foi. Voltando ao dia 22 de março, que é para mim uma data-chave. Eu disse, estou às ordens, o que vocês quiserem, eu já sei o que é. Vamos para a frente.

E eu sabia o que era, porquê? Porque muitos camaradas meus daquela altura foram colocados em especialidades não combatentes, por mim. Por exemplo, o Jaime Gama, bem se recorda o Aronjo Terveiro, foi colocado no depósito material de guerra da Figueira de Foz. E por aí adiante, não iam para a frente de guerra.

porque a partir de certa altura a seleção e a colocação de ausiciais passou a obter os critérios NATO no Centro de Estudos Psicotécnicos. Ou seja, os critérios do regime eram um tipo de oposição e tal para ser castigada, colocada na frente de guerra. Se pudesse fugir ou quisesse fugir, fugisse. E assim foi. A partir de determinado momento...

quem era da oposição ficava numa posição mais confortável, numa especialidade não combatente, de preferência no continente e de preferência bem quadrável em algum movimento que se estava a preparar e assim foi.

Uns dois, três dias antes do 25 de Abril, mais próximo, vem a me dizer que chegou a hora, vamos precisar da tua colaboração, ou de alguém, o periante disse, se for possível, será, o Álvaro Guerra, que era meu camarada de adotação nessa altura, dir-te já o que é que se passa, o que é que vai ser necessário. E assim foi, o Álvaro Guerra veio ao pé de mim.

e diz-me, ah, eu tenho uns amigos italianos, precisava-me ouvir um disco do Zeca, aquela faixa da Grândola Vila Morena e por aí diante, tu podes por isso lá no programa, à meia-noite e picos, eu leio de picos, não sei o que horas estão, não sei o que são os picos, mas deixa de fanchadas, porque eu sei o que se passa.

Vocês querem a transmissão funcionar. Pois é. Pediram-lhe para estar atento e Carlos Albino esteve. Foi Mel Antunes, outro dos cérebros do 25 de Abril, que lhe pediu para estar atento. Que no dia do 25 de Abril, já sabemos, estava nos Açores, está como Vasco Lourenço. E foi Mel Antunes que lhe encomendou a segunda senha da revolução que passou no programa Limite, da Rádio Renascença, que só existia graças ao café puro. Entretanto, aconteceu...

no Museu dos Recreios, no dia 30 de março, um concerto com o Zé Cafonso, organizado pela Casa de Imprensa, e aqui o programa Limite deu apoio total porque o gravámos e o transmitimos. E aquilo já toda a gente ansiava.

Uma mudança, bem me recordo, o Manuel da Fonseca estava no palco, chorava, tinha uma criança e ia ao dizer, tu vais ouvir isto nas ruas, se calhar. Ah, isso não é nos meus dias, não é nos meus... vais a ver e tal. Bom, disse eu, uns dois, três dias antes do 25 de Abril, mais próximo, vem a me dizer, chegou a hora, vamos precisar...

da tua colaboração, ou de alguém, o presidente disse, que sou possível, será, o Alvaro Guerra, que era meu camarada de retação, nessa altura, dir-te já o que é que se passa, o que é que vai ser necessário. E assim foi, o Alvaro Guerra veio ao pé de mim e disse-me, ah, eu tenho uns amigos italianos, precisava-me ouvir um disco do Zeca.

Aquela faixa da Grândula Vila Morena e periante, tu podes por isso lá no programa. Há meia-noite e picos, o Picos nasceu, de que horas são? Diz-se, eu não vou ver agora. Não sei o que são os picos. Mas deixa de fantechadas, porque eu sei o que se passa. Vocês querem a transmissão de um sinal. Pois é.

Uns dias antes eu tinha já falado com alguém do Movimento das Forças Armadas, como tinham dito o que é que iria acontecer, e tinham dito precisamente o projeto de duas emissoras associadas de Lisboa. E eu disse, mas duas emissoras associadas de Lisboa são vividas apenas na área de Lisboa e mesmo assim nos sítios mais altos, a não ser...

A partir das 9 horas, suponho, faziam link com os emissores oficiais do Ribatejo e repercutiam a emissão dos emissores oficiais. Daí está aquilo que o Salveiro Maia ouviu. Faltam 5 minutos para as 11 horas.

Sabiam-nos dessa anticipação, também, através do emissor regional do Rio de Janeiro. Portanto, estava queimado a ecótese. O Rádio Clube Português estava destinado a porta-voz do Comando do Acantamento Nacional em Armas. Era assim que no âmbito militar se designava o movimento. Depois seria 25 de Abril, já com o nome. O Rádio Clube Português.

estava destinada a essa função, não podia, obviamente, entreter-se com sanhos. A emissora nacional, a partir das nove horas, transmitia por alinhamento, pré-gravados, etc., não dava hipótese. E era impossível perfurar aquela muralha de cimento. E restava, portanto, a rada de vanchença com cobertura nacional para transmitir, fosse o que fosse. E assim foi.

Eu cometi a maior conhecência da minha vida nessa altura, podia ter saído de cara. É que não podendo eu ter acesso ao microfone, eu não podia ter dito, se o senhor garante a transmissão de uma senha. E a partir daí é que eu tive que fazer uma ginástica mental, como é que vamos resolver a situação?

Eu não podia abrir o microfone e dizer, Grâmbula Vila Morena, terra da fraternidade. Cortavam logo porquê? O limite recebeu uma carta da Rádio Renascença a dizer aos senhores, a partir do dia 20 de dezembro, das duas, uma, ou transmitem em pré-gravado ou então pagam a instalação de um oficial de censura para vos censurar diretamente o programa.

Nós reunimos o Marcelo de Almeida, que era um elemento importantíssimo do nosso programa, que na altura era da administração da Comissão Internacional do Café, sediado em Madrid, e digamos que foi o grande garanto da subsistência económica do programa.

porque fazíamos uma publicidade muito bem paga, que suportava aquilo tudo, pagamento das antenas, pagávamos por mês, já era a de Renascença, 198 contos, que eram cobertos precisamente por essa publicidade da Comissão Internacional de Café, e era uma publicidade inofensiva.

Era Beba Café Puro. Quem é que não gosta de ouvir esta publicidade? Era Beba Café Puro, que ficou associado ao programa, se alguns ainda têm memória disso. O Marcelo de Almeida, nosso coaida do programa Limite, foi um dos fundadores do PAIGC, juntamente com o Amílcio de Febréu. E era o Leito aos Conselhos, e era ele, com alguns colaboradores.

E assim fizemos este programa, a partir de 20 de dezembro, com censura direta. Foi o único programa de rádio da história da rádio portuguesa que eu sabe, posso estar mal informado, que teve censura direta. Nós fazíamos a transmissão num estúdio de vidros, como você estava, e ao nosso lado estava...

Um coronel reformado, dos contadores nos ouvidos e com discos prontos a arrancar, e arrancou várias vezes, cortando a emissão. É bom que se diga que houve censura direta no rádio. E o limite sentiu isso na pele. De modo que foi uma criança isso nestas circunstâncias. Eu dizer, garanto a transmissão de uma senha.

à frente de um coronel da censura, com os austrodutores nos ouvidos, mãos nos botões, podendo interromper a ação de um momento para o outro. E mais, com a polícia de intervenção concentrada na íntegra no governo civil, ali ao lado. Mais.

com os agentes armados da PIDE, mandados vir de todo o país e concentrados na sede da PIDE, nas traseiras da Rádio Rechense. De modo que foi mesmo uma criancice, toda a ordem, dizer, garanto, que era ele. Não podia garantir nada. Não tive que arranjar um espiote. Telefonei ao meu colega do limite, Noral Tomás.

que era sonoplasta do programa e sócio também do programa. Disse um analgo mais o seguinte, olha, nós temos que transmitir à noite uma senha para a revolução. A revolução vai acontecer, tem-se o tese? Sim, não vai ser como o golpe de beja e como essas coisas todas que falharam antigamente.

E o Manuel, mas como é que a gente vai fazer isso? Olha, tem que haver alguém que dê voz. E não pode ser o rapaz que a gente tinha contratado naquela altura como prestagiário do que são, que era o nome dele. Pálcule. Pálcule. Pálcule. Tinha entrado para o programa um mês antes. Ainda estava verde. Estava verde, mas não sabia. Quero o homem. Não se pode fazer uma coisa destas.

E então, esse dia, a véspera, ainda me recordo também que encontrei o Adelino Gomes junto ao Clorim da Misericórdia e disse ao Adelino Gomes, temos uma reportagem especial para depois da manhã, para amanhã não me recordo bem. Ah, mas eu não posso entrar na Rádio da Inscenso, garante, vais entrar.

Garanto que vais entrar. Bom, e disse ao Manoel de Margem, e o leite vai descansá-los, onde é que está? O leite vai descansá-los, onde é que está? O leite vai descansá-los, de folga, de facto. Então, ele está descansado, tens de o convocar, porque hoje não é dia de folga.

Disse ao Manau de Tomás. E assim foi. E reunimos-nos na sede da empresa, que era na Praça de Alvalado, para combinar as coisas. E vou com o Manau de Tomás para a igreja de São João de Brito, onde a senha foi combinada. Eu disse, sabe? O que os militares desejam e querem, com a espera, é que alguém leia a primeira quadra.

da Grande Vila Morena, passa a faixa do disco e volta a repetir, Grande Vila Morena, terra da fraternidade, acabou. Mas nós temos que envolver isto com alguma coisa, porque senão o homem desconfia. O homem, o coronel da censura.

E então vamos fazer uma coisa, eu vou ali para o café, escrevo aqui dois textos, e tu aperteces de fazeres a soma aplastia dos textos, metes a grândula Vila Morena, com a voz do leite Vasconcelos, a ler os textos, que eu vou escrever, e assim foi.

E esta combinação, digamos, foi toda feita entre persignações, ajoelhados, ao fundo da Igreja de São João Morito, e foi lá. E depois transmiti ao maior comércio a garantia que os militares me tinham dado. É que terminada a senha...

que devia ser transmitida à meia-noite e 20 minutos, e vou dizer porquê, porque as portas de armas fechavam à meia-noite e meia-hora, e estes 10 minutos eram o suficiente para saírem os que deviam sair e entrar os que deviam entrar pela porta de armas. À meia-noite e meia-hora, as portas de armas fechavam. A senha foi transmitida com...

19 segundos de atraso. Foi à meia-noite, 20 minutos e 19 segundos. E ele começa a radiar com o Paulo Coelho. Se ele estivesse aqui, julgo que ainda hoje não entendeu porque a carreira é com ele.

disse-lhe tudo, sua besta, você não jamais será um doutor sério, valente, não sei o quê, você troca tudo, você não sabe que isto é o dinheiro e não sei o quê, para suporte do programa ainda sem anual. Você, não sei o quê, e o rapaz vermelho, e o censor.

O coronel da censura a falar com o Manel Comagio, a dizer até que ele é aquela besta. A tratar o rapaz desta maneira, pá. A tratar o rapaz desta maneira. Que roma, que coisa horrível. Que coisa horrível.

Com a palavra passe, não chegámos ao limite e com poemas, textos sobre geografia, aqueles rios todos que vinham dar ao Tejo e poemas e textos sobre revolução, a revolução que se fazia nos planetas. Tudo isto aconteceu naquela noite que antecedeu o dia que mudou tudo na nossa vida. E às cinco minutos para as onze horas, eu estava à espera do sinal transmitido pelo...лалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалалала

João Paulo Inês, porque se não ouvisse o sinal, eu tinha que me dirigir para a porta da Igreja de Sacramento, à espera de instruções. Alguém passaria ao pé de mim, uma palavra de reconhecimento e... Qual era a palavra? Desculpa. Qual era a palavra? Não chegámos ao limite. Imagino bem. É pá, não chegámos ao limite.

Mas eu ouvi, faltam uns 5 minutos para as 11 horas, foi aprovar a canção do Adeus e, pá, estamos livres, vamos para a frente. Disse o Moral de Tomás, já nessa altura já tínhamos a bobina, tinha eu, a bobina na minha mão e dirigimos à Rada Ranchessa.

E os militares tinham dado garantia absoluta que poderíamos estar suscidinhos, sair com calma, porque um pelotão armado iria acompanhar até casa em sucesso. A senha foi aprovada, 19 segundos, porquê? Porque o Paulo Coelho trocou os botõezinhos que acionavam um.

o gravador da publicidade e o outro gravador onde estava a bobino para a transmissão da senha. Ele não sabia de nada. O letro das Gonçalves não estava no estúdio, não estava ninguém. Estava ele, estava ele, estava o Nautomar. E o coronel da censura levanta-se naquele momento da troca dos botões e dirige-se para a regi técnica.

E eu fiquei à rasca. Este tipo nunca se levanta, levanta-se agora e ele começa a ralhar com o Paulo Coelho. Se ele estivesse aqui, julgo que ainda hoje não entendeu o que é que eu ralhei com ele. Disse-lhe tudo, sua besta, você não jamais será um loutor a sério, valente e não sei o quê. Você troca tudo, você não sabe que isto é o dinheiro e não sei o quê para suporte do programa ainda sem o meu lado.

Você, não sei quem, o rapaz vermelho e o censor, o coronel da censura, a falar com o Manoel Comal, já dizia até ali aquela besta. A tratar o rapaz desta maneira, a tratar o rapaz desta maneira. Que coisa horrível, que coisa horrível. Bem, foi uma coisa do outro mundo.

Portanto, a senha terminou, foram os textos lidos, muito bem lidos, por Leifas de Conselhos, ele lia muitíssimo bem poemas, até poemas mal escritos ele conseguia ler também. Eu fiz dois textos, um intitulado Geografia e outro intitulado Revolução, Revolução Solar, Revolução.

Este foi o primeiro texto lido. E o censor também havia esta nuance. Antes de um texto ser lido e visto censurado diretamente por ele, ele também tinha que ter conhecimento prévio dos textos que eram escritos para serem lidos. E eu assisti, portanto, ao ato de censura. E o homem perguntou, você?

utiliza aqui palavras revolução. O que é que você quer dizer com isto? Oh, Sr. Coronel, disse-lhe, o senhor não sabe o que é um movimento de translação, de revolução, de não sei o quê, veja aí os planetas todos aí no papel. E estavam todos os planetas, onde, inclusivamente, a dizer que, assim seja, no fundo, a liberdade.

Um grão de trigo ampliando-se até os confins do universo. Isto é uma satisfação escrever isto, nem imaginam. Mas antes dos confins do universo, eu pus tudo o que entrava na Revolução Solar. Neto, Túnio, Júpiter.

Entrou tudo. Plutão, até o Plutão, que foi de geradoado 4 ou 5 anos depois, deixou de ser planeta, até o Plutão está lá no texto. E o homem, bem, bem, bem, está bem, mas isto não é lido o título, não. Não, Sr. Cornel.

Só que o interesse é a intenção, não interessa agora que seja ali de revolução. O interesse é o ato de revolução, mas nada de movimento, de translação, revolução. E não sei o que, o homem já estava paralelado e disse, está bem, pronto, aprovado. Depois, no segundo texto, chamava-se Geografia. E então nessa Geografia, lá estava escrito.

que o Rio Tejo, Douro e Guadiana corram para o mesmo estuário. Portanto, no fundo, as unidades militares virem todas para a capital, sei lá o quê, para acabarem com uma cacada toda. E eu digo, lá está você, com segundas intenções. Até é possível o Douro, o Tejo e o Guadiana correrem para o mesmo estuário.

Eu até disse para brincar com ele as minhas manias, e disse, olha, o senhor coronel, só há um rio que não puja ir, porque corre de norte para sul, e ao contrário, e esse não pode vir para Oslo, que é o rio Sato. Não me diga. Ah, eu sabia disso. E foi assim que o homem aprovou os testes. Eu disse, manel, já temos os testes aprovados aqui com isto, portanto, mãos à obra.

E não falámos na grande ouro e na Morena, naturalmente, mas houve um episódio antes. É porque o coronel militar que veio por interferência do Almada Contreiras, que veio-se encontrar com o Álvaro Guerra para me transmitirem aquilo que queriam, isto era um bocado complicado, porque mesmo assim, enviaram todos industriados do comando das operações para me pedirem.

Venham mais cinco, que depois desistiram e foram para a troca do depois do Deus. Por isso é que eles desistiram, não pode ser nos emissores associados, porque isso já tinha sido discutido, vamos transferir o Venham mais cinco para...

a Rádio da Escença. Quando eu fui confrontado com isso, mas então vocês não sabem que o Venho 1 mais 5 está censurado dentro da Rádio da Escença? Porque nós enfrentávamos duas censuras. Para além da censura oficial direta e da censura prévia, nós tínhamos a censura entusiástica da Igreja. Quem eram os censores? Era o padre Rego?

O padre Ré, que depois acabaria na TVI para fazer as reportagens de Fátima, as coisas todas, para as quais não eram, não são, não eram necessárias senhas. Era o padre Ré e era, supletivamente, o homem que seria administrador delegado da empresa Valbérico Fernandes. Nessa altura era diretor de produção da Rádio Nascença.

Nós tínhamos umas listas de discos onde constavam os títulos das faixas censuradas dentro da Rádio Renascença. E o Venho Mais Cinco era um desses coisas. E eu comuniquei ao intermediário, não pode ser Venho Mais Cinco. A ti, o que é que pode ser? Perguntou-me o homem, já ia falarmos diretamente e sem interferência do...

intermediação no Alpergerra. Só que pode ser uma, eu vejo. O que eu veja é a Joranda da Vila Morena, que foi transmitida já por limite várias vezes, cantada no Coliseu, e, portanto, tempos passados, a censura não se mete com isso, e isso está livre. Então, seja. E foi assim que a Joranda da Vila Morena foi escolhida. Não foi de outra maneira.

Almocei no outro dia, nesse dia, foi dois dias antes com a Alverguerra, cada um comprometeu-se a levar ao outro um cigarrinho, se alguém estivesse cá fora e o outro lá dentro, e eu disse, olha, para ti não tomar já esse compromisso, que eu fui um cachimbo e, portanto, se me levar um cigarrinho, não serve nada. E foi assim.

naquela interferência do engano do pau-coelho onde eu insultei o rapaz injustamente às vezes insulto injustamente mas não é deliberadamente e ali foi um acto de vontade eu insultava ainda mais se fosse possível desde que a senha fosse transmitida como foi aqueles 19 segundos foi o tempo da discussão que se conseguiu e entretanto meia-noite e meia-horaлала

Uma da manhã, uma e meia da manhã, duas horas, eu ia à casa de banho de Rádio Ranchença, punha-me encavalitado na Sanita para atingir uma janelinha, que era a única hipótese, para ver se a PIDE não sei o quê, e para ver não sei o quê, e à rua, os gás aqui do governo civil, nada. De que é isto? Eu não posso ficar aqui a noite.

Eram já três da manhã, quatro da manhã, quando eu ouço o comunicado do Rádio Clube. E eu disse ao Manoel, Manoel, agora vamos embora porque já há movimento, já sentiu o Rádio Clube e tal. Pode haver anulada e então vamos ter esta escapadela. Eu nessa altura tinha um apartamento ali em frente da Faculdade de Ciências.

Saímos os dois, cruzando o caminho, aquelas coisas.

uma cara, os que a gente inventava, imaginando-me seguras, às 10 da manhã, telefona-me o Almada Contreiras, fizemos imensa desculpa, pedimos imensa desculpa, não mandámos ninguém, esquecemos que a rara de uma essência ficava ao pé do governo, seguiu com a Polícia de Intervenção toda lá, e não sei o que mais, vocês chegaram bem, então chegámos, por isso é que estou aqui a falar com não sei o quê. Bom...

E assim foi. Se me perguntam, como jornalista que era, qual o meu sentimento, o meu sentimento é que não cumpriria os deveres ideológicos como não cumpri, colaborando com uma revolução. Portanto, não fiquei com a minha consciência pesada, antes pelo contrário, liberta. Fiquei com a sensação de...

ter cumprido um dever e um dever inscrito num mau procedimento de um lógico mais público. Portanto, colaborei, sem dúvida, desce onde desce e não estou arrependido e tenho a consciência completamente da. Agora, as lições que a gente tira, primeiro, que a natureza humana é muito fraca. Leito, Vášo Conceiador.

que não sabia de nada, pediu aos elementos do limite para se fazer um planário, uma reunião geral, na nossa sede de empresa, na Praça de Alvalado, e então a proposta dele foi assim, meus amigos, o limite transmitiu a senha, agora já com o dia que passou até a nome, 25 de abril.

transmitiu, mas é verdade que houve uns com mais protagonismo, outros com menos, mas aqui é a equipa toda que transmitiu. Sim, senhor, concordei. Todos deram o seu contributo. E assim foi. O mesmo leito às conselhas foi o primeiro a dar uma entrevista à vida mundial, então, e ao século do Estado, se houver, a dizer e a deixar-se fotografar num estúdio improvisado.

ia repetir não sei o quê, ia deixar-se filmar também para a Cinequanon. Filmou a senha de 25 de Abril, com o leito aos financiados, e foram vender à RTP e que a RTP tem transmitido.

Este documento apócrifo não foi firmado, é impossível. Foi isto. Leito aos conselhos, um dia veio a Lisboa e disse-me, eu peço imensa desculpa, está bem? Mas tens de dizer isso publicamente, porque se não sou eu, fico mal. Eu fiz uma coisa e as pessoas dizem-me, não faz nada. E ele então, numa entrevista à TSF, à Eduarda Maio, que trabalha hoje, não tem nenhuma. A Eduarda Maio.

Ele pede desculpa às pessoas que honram por ter mentido. Depois, o Manuel Tomás e o Leite Vasconcelos foram para Moçambique, por várias razões, por lá andaram, denunciaram com o Machel, no 25 de Abril e tal, por aí dentro, mas 50 anos depois, quem está vivo, está vivo, quem morreu, o que é isto? Não vale, o que se passou foi isto.

mas estivemos todos unidos com o mesmo objetivo. Quisemos derrubar o regime, que foi bem derrubado. Quisemos que a liberdade fosse institucionalizada, não instaurada, institucionalizada. Quisemos que amigos nossos que estavam presos naquele momento em que as fias viessem cá para fora. E vieram. Fizemos um país mais livre, sem guerra colonial.

eu estive para desertar, vestido de frado, juntamente com o padre Fanhais, a partir de Fátima. O Fabião, se não tivesse assinado o término da responsabilidade, eu já tinha o fato de frado. Ficava-me bem, por causa disso. Ficava-me bem. E tinha tudo já programado, como outros foram, o Fanhais foi, com um raro de gente, não é?

e quisemos acabar com a guerra, etc. Esses objectivos todos que vocês também cantaram no Rádio Clube Português. Foi bom, foi um momento grato da minha vida, mas tal como as pessoas que eu conheço estiveram tidos no 25 de Abril, as autênticas de Fabião e outros, divergentes, como o Montanho Ramos, por exemplo.

que foi fundamental em determinados momentos, sintetizo.

agradecendo a vossa consciência e agradecendo também a oportunidade que me deram para fazer este relato familiar. Não me apurei literariamente na síntese, apenas quis dar um contributo analítico e não sintético. Este 25 de abril de Carlos Albino, jornalista com 29 anos em abril de 74, é uma edição especial do Serviço Público Bloco de Notas. Deixa-me só dizer uma coisa.

A bobina da senha do 25 de Abril, onde foi gravada o senho 25 de Abril, existe, foi restaurada, está na Fundação Mário Soares, oferecemos à Fundação Mário Soares e estou a tentar que seja classificada como Tesouro Nacional. Portanto, é só este elemento, mas esse elemento físico está lá preservado.

Guardado, se alguém tiver curiosidade, pode ir lá e ver. E se quiserem...

Pugnar mais para a liberdade. Podem agarrar nessa mesma bobina e colocá-la num gravador e pôr no ar outra vez. É uma parceria também com o Clube dos Jornalistas e a Antena 1. Estas conversas aconteceram em junho de 2022. A ideia é do jornalista Cesário Borga, com edição áudio inicial da jornalista Carla Pinto e reeditado por Maria Flor Poderoso para este programa, Serviço Público Bloco de Notas, edição especial. O 25 de Abril é um programa para quem está.

nos últimos anos do secundário, mas também para quem quer saber mais, a produção é de Ana Fernandes, a ideia e edição é de Maria Flor Pedroso.

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