FL 05/05/2026_2 - Gregory Costa - Tema: Docentes da Uerj se reúnem com governador pelo fim da greve
Participações:
• Gilberto Maringoni - Jornalista e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)
• Gregory Costa – Presidente da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio Janeiro (Asduerj)
• Bernardo Campinho - Advogado constitucionalista e professor de Direito Público da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
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Bernardo Campinho
Gilberto Maringoni
Gregory Costa
- Greve dos professores da Rede Municipal de NatalReivindicações salariais · Lei 9.436 · IPC atrasado · Auxílio alimentação · Treinos (isenomia) · Ato no Largo do Machado
- Julgamento Royalties de PetróleoDistribuição de royalties · Perda de receita para o Estado · Modelo econômico do Estado · Guerra e preço do petróleo · Reindustrialização do Estado · Supremo Tribunal Federal
- Greve na USP e reivindicações estudantisGreve estudantil de 2024 · Evasão docente · Permanência estudantil · Assistência estudantil · Técnicos administrativos
- Conectividade e infraestrutura de rede
Vou cumprimentar para conversar com a gente mais uma vez do outro lado da tela o presidente da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a ASDOERJ, Gregory Costa. Gregory Costa, bom dia. Bom dia, muito obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui.
Prazer nosso, viu, Grégory, ter você aqui conosco mais uma vez no Faixa Livre. Obrigado por você fazer esse papo com a gente, para falar um pouco sobre a situação envolvendo a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Vocês, docentes da UERJ, seguem aí nessa mobilização, nessa greve da categoria, que já ultrapassa um mês, já se aproximando aí de dois meses. Inclusive, vocês teriam um encontro com o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, no dia de ontem.
que acabou sendo adiada essa reunião para a próxima quinta-feira, enquanto esse que discutiria justamente as reivindicações de vocês, servidores, nesse movimento paredista, que já avança aqui no nosso estado. Houve, inclusive, um ato no dia de ontem, lá no Largo do Machado, cobrando o atendimento das demandas dos docentes. E eu queria saber de você, Grégory, sem mais delongas, há quantas anda essa mobilização, essa greve, como é que vocês, docentes da UERJ, têm de dado?
com esse movimento paredista que segue ganhando corpo? Então, a gente teve duas rodadas de negociação com o governador. Na última rodada, ele acenou com a possibilidade de pagar as duas parcelas da Lei 9.436, que são aquelas duas parcelas que o Claudio Castro deu calote nos servidores do executivo. E...
marcou essa reunião para dar um retorno a isso, sobre tanto essa recomposição, que embora ele assine como pagamento das duas parcelas da Lei 9.436, a gente ainda tem os IPCs atrasados de 23, 24 e 25.
e a gente é tá pleiteando né sejam pagos todos os Pessas atrasados final de conta é se trata meramente da recomposição da inflação dos anos né
não é nenhum aumento salarial, muito pelo contrário, é só repor a inflação, inclusive está no inciso 10, artigo 37 da Constituição Federal, mas infelizmente poucas vezes é um dispositivo constitucional cumprido. Além disso, ele ficou de dar um retorno também sobre uma majoração do auxílio alimentação. A gente tem no ponto de cheque um auxílio alimentação com valor de 600 reais,
é um valor que está congelado há muito tempo, e a proposta, que é uma proposta da reitoria, é importante citar que essa proposta não é uma proposta dos movimentos paedistas, nem da categoria docente, nem dos técnicos administrativos, tampouco dos estudantes, então ele ficou de dar um retorno sob a majoração do auxílio de alimentação de R$ 600 para R$ 1.500.
esses dois apontamentos são importantes, mas não são suficientes. Nas outras vezes que eu estive aqui, eu falei da questão dos treinos, que para a gente é fundamental, porque primeiro ele quebra a isonomia entre os docentes e ele gera algo terrível para o ERD, que é a perda da sua função social. Então, os docentes, servidores não...
fazem concurso para a UERJ para fazer uma carreira. Estão fazendo concurso para a UERJ como um trampolim para ter uma primeira experiência no serviço público para depois fazer outro concurso. E essa não é a finalidade da UERJ. A finalidade da UERJ é que os servidores façam toda a sua carreira na instituição. Então, só para finalizar, a gente tem essa reunião ontem, fomos avisados em cima da UERJ, faltando coisa de duas, três horas para a reunião que ela tinha sido adiada.
A avaliação majoritária que parece que ele quer esperar o resultado do julgamento dos royalties no dia 6 para fazer reunião com a gente no dia 7. Se de fato for isso, pode até ser um indicativo positivo, porque pode ser que ele traga de fato alguma resposta a partir do que ia acontecer nesse julgamento no STF.
É justamente a respeito disso que eu queria tratar, viu, Gregorio, a respeito desse julgamento que a gente vai ter amanhã lá no Supremo Tribunal Federal, que vai definir os rumos das finanças aqui no nosso estado do Rio de Janeiro relacionado à distribuição dos raios do petróleo. Inclusive, o governador do exercício havia condicionado o cumprimento dos acordos financeiros com os servidores da UERJ justamente a essa decisão do STF.
Eu imagino que vocês estejam com enorme expectativa para a análise dessa matéria lá, Supremo, e eu queria te deixar à vontade para falar sobre isso. O que é que os servidores esperam dessa decisão do STF sobre a divisão dos royalties do petróleo? Como é que isso afeta efetivamente as demandas de vocês e, acima de tudo, o orçamento do Rio de Janeiro? Então, de fato, essa é uma matéria fundamental para o Estado do Rio de Janeiro, porque caso...
a partilha seja mudada ou ter nada é o estado do Rio de Janeiro perderia entre 7 e 8 bilhões né de reais na sua receita corrente líquida
e os municípios perderiam mais 13 bilhões, totalizando um total de 21 bilhões de perdas para o Rio de Janeiro. O Estado perderia 8 bilhões. Então, de fato, seria um baque realmente forte numa economia já combalida como a do Rio.
É preciso ressaltar o problema do modelo econômico do Estado, que é um Estado em que majoritariamente as receitas provêm dos royalties do petróleo e do CMS, que é um modelo insustentável a curto, médio e longo prazo, sem falar da questão da poluição, de ter uma economia atrelada ao petróleo.
O petróleo também é uma commodity extremamente instável. Nesse momento, com a guerra, o que é uma coisa muito ruim, esperamos viver num mundo sem guerra, em algum momento em que o capitalismo seja superado. Mas, com isso, deve haver uma majoração da arrecadação do Estado, 4,5 bilhões do petróleo, mais 2,5 bilhões de ICMS. Portanto,
é o estado deve arrecadar aí cerca de 7 bilhões a mais do que tinha previsto né na lua que foi aprovada no ano passado é a categoria ainda assim considera complicado que o governador até ele a nossa recomposição as royalties né por um lado existe sim esse fator complexo é
A mudança na partilha causaria um problema orçamentário, financeiro, fiscal grande para o Estado. Ainda assim, as duas passagens da 9.436 se tratam de uma lei de 2021, muito antes dessa questão da partilha.
e as duas parcelas não pagas eram referentes a 2023 e 2024. Então, inclusive, com a guerra seguindo e o barril do petróleo aumentando continuamente, é possível que a arrecadação do Estado aumente ainda mais esse ano de forma imprevista. Então, esse ano a gente deve ter uma arrecadação bem maior por conta da guerra.
Mas o petróleo é um commodity extremamente instável hoje. Está no céu, amanhã está no inferno. Então, inclusive, uma hora o petróleo vai acabar. Então, se a gente não alterar o modelo econômico do Estado, não reindustrializar o Estado, em algum momento acorda história. A gente sabe que acorda história nos mais pobres e nos servidores. Sempre, né, o Gregorio? Sempre acorda história do lado teoricamente mais fraco.
Eu queria que você falasse um pouco, Gregorio, também sobre essa situação envolvendo o adiamento da reunião que vocês teriam com o governador em exercício. Esse adiamento, deu detalhes a respeito? Pode ter sido motivado justamente pela discussão dos royalties lá?
no Supremo Tribunal Federal, lembrando mais uma vez, já aconteceu amanhã essa reunião lá no Supremo, o plenário vai decidir a respeito desse tema amanhã, e a reunião com o governador está agendada para quinta-feira. O governador deu detalhes a respeito desse adiamento, está relacionado à votação lá no plenário do Supremo? Então, o governador não informou o motivo do adiamento.
simplesmente informou o adiamento, a gente só vai saber realmente na quinta-feira quando nos reunirmos com ele. Tem duas avaliações que estão circulando na categoria docente da UERJ. Uma foi nessa que eu falei, que pode realmente o adiamento ser fruto da espera do julgamento no STF, que vai ser amanhã.
Outra é de que poderia ser um mau sinal, de que poderia estar acontecendo alguma coisa que não seja positiva. Mas, majoritariamente, avaliamos que deve ser mesmo a questão dos royalties, o modo como foi adiada a reunião causou espécie na categoria, houve uma certa revolta.
A gente acabou mantendo o ato ontem, como você informou, então fizemos lá o ato no Largo do Machado. E teve um outro motivo também que a categoria de fato não gostou, que foi esse adiamento.
ter sido feito por meio, informado através da reitoria. A gente oficiou o governo, a GDUERJ oficiou o governo solicitando que todas as informações sejam passadas diretamente para o movimento do revista, mas isso foi feito através da reitoria, que a gente considera inadequado. Então, esses fatores causaram uma certa revolta na categoria.
Eu queria aproveitar que você citou a categoria, o Gregor, para te perguntar como é que os servidores, como é que vocês têm lidado, a comunidade acadêmica em si tem lidado com esse movimento, com essa greve, especialmente os estudantes. Há um entendimento majoritário de que esse movimento paradista é legítimo e necessário para atender as demandas? São fundamentais de vocês, servidores, docentes?
da universidade, também os técnicos administrativos, há esse entendimento da comunidade acadêmica que essa greve, ainda que traga, obviamente, prejuízos por conta da não realização das aulas, isso é importante para a categoria? Então, essa é uma pergunta complexa. Mas, semana passada, os estudantes também deflagraram greve, então, agora é uma greve da comunidade da UERJ.
Existem ainda traumas na comunidade, sobretudo na categoria de SENTE, da ocupação da greve estudantil de 2024 e do modo como ela terminou.
parte do movimento estudantil julga que a categoria docente não conferiu apoio suficiente ao movimento docente naquele momento. É importante ressaltar que grande parte da categoria apoiou as reivindicações do movimento docente naquele momento, apoiou o movimento. Contudo, houve...
uma série de problemas de condução, tanto do movimento quanto por parte da reitoria, culminou com um dos episódios mais tristes da história da UERJ. Então, essa greve agora carrega esse trauma de 2024, há uma complexidade grande a de vinda daí.
Porém, há um entendimento majoritário na comunidade da necessidade dessa greve. Porque o que acontece? Com a evasão docente, várias disciplinas que os estudantes precisam cursar para se formar, acabam não sendo oferecidas, porque você não tem docente para oferecer.
Então, muito ao contrário da greve prejudicar os estudantes, como parte da mídia hegemônica gosta de dizer falsamente, a greve é justamente para garantir condições para os estudantes se formarem, porque não adianta o estudante ingressar na UERJ, não conseguir permanecer e não conseguir se formar.
Então, grande parte do movimento de 24 é pela permanência estudantil e tudo na universidade está interlaçado. Então, tudo que prejudica uma categoria prejudica outras.
Um saldo que a gente gostaria de ter nessa greve é de uma consolidação da permanência e da assistência estudantil para que o nosso estudante possa se formar na UERJ. E, além disso, a gente precisa ter avanços em relação aos PNs para que os docentes e técnicos administrativos também possam permanecer e fazer toda a sua carreira na UERJ.
Então, esses dois elementos para nos tirar da crise, eu falei exatamente para o governador. Uma são ganhos salariais, seja por meio da recomposição ou recomposição junto com auxílios, e avançar na questão dos clientes. Isso nos tira da crise e pode nos levar ao caminho de saída da greve.
É isso, são questões importantíssimas que vocês colocam aí como solução para esse movimento paredista. Eu estou sem imagem aqui do Gregory, não sei se isso também está acontecendo com vocês. Eu até peço para o Isaac se ele está sem imagem também, o Isaac colocou aqui a minha tela.
colocou a minha imagem que ela cheia porque a gente teve um probleminha aí na conexão do Gregorio, muitos problemas hoje de internet, viu pessoal, peço desculpas a vocês que estão acompanhando a nossa transmissão tivemos problemas anteriormente com o Marimone agora também a conexão do Gregorio está apresentando ali alguns problemas o próprio Isaac também me disse aqui nos bastidores que está com problema na internet e a nossa rede de telecomunicações infelizmente absolutamente frágil e insuficiente para atender as demandas e aí
do país. Vou me despedir, porque a gente está encerrando aqui o nosso papo. Gregori, voltamos aqui, tivemos esse probleminha na conexão, mas eu quero agradecer a tua presença e avisar que a gente vai ficar de olho aqui no diálogo de vocês, servidores da UERJ, com o governador interino que vai acontecer essa reunião na próxima quinta-feira. Certamente na semana que vem a gente vai voltar a dialogar aqui para entender o que é que se deu nessa reunião, nesse encontro de vocês com o Ricardo Couto. Tá bom, Gregori? Obrigado e uma boa reunião para vocês na quinta-feira.
Agradeço muito, espero voltar aqui com boas notícias na próxima vez. É o que a gente espera, acima de tudo. Estamos na torcida e sempre na mobilização aqui, nos unindo a vocês, servidores da UERJ. Um grande abraço, viu, Gregory? Até a próxima. Abraço, até. Conversamos aqui com Gregory Costa. Gregory, que é presidente da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, AIS do UERJ, falando conosco a respeito da situação grave que os servidores estão envolvidos nesse momento.
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