Episódios de Programa Faixa Livre

FL 04/05/2026_3 – Leila Salim - Tema: Israel ordena saída de moradores de cidades do Líbano e sequestra Global Sumud Flotilla

04 de maio de 202635min
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Participações:
• Rudá Ricci - Sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva
• Daniel Conceição - Economista, ex-presidente do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento e professor do Instituto de Planejamento e Pesquisa Urbana e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
• Leila Salim - Jornalista e pesquisadora em comunicação política

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Participantes neste episódio2
A

Anderson

HostEstudante e doutorando em ciências humanas aplicadas
L

Leila Salim

ConvidadoJornalista e pesquisadora em comunicação política
Assuntos5
  • Flotilha Global SumoodInterceptação em águas internacionais · Ajuda humanitária para Gaza · Tortura e ameaça de pena de morte · Tiago Ávila e Saif Abu Keshek · Críticas à postura do governo brasileiro
  • Operacoes Militares Israel LibanoBombardeios em cidades e vilarejos do sul do Líbano · Ordem de evacuação para 11 cidades libanesas · Vítimas civis e massacres de famílias · Violação do cessar-fogo · Crise humanitária e deslocamento forçado
  • Limpeza étnicaDeslocamento forçado de população chiita · Ocupação ilegal de território libanês · Violação do direito internacional humanitário
  • Escalada militar no LíbanoNegociações diretas com Israel · Crise econômica e militar do Líbano · Papel do Hezbollah na resistência · Apoio popular ao Hezbollah
  • Relações Israel-EUAAtaque ilegal de EUA e Israel ao Irã · Negociações para acordo nuclear · Capacidade militar do Irã · Implicações para o Líbano
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Bom, queria conversar e cumprimentar aqui, diretamente lá do Líbano, para dialogar aqui com a gente, a jornalista e pesquisadora em comunicação política, Leila Salim. Leila Salim, bom dia. Bom dia. Quero agradecer muito a tua presença aqui com a gente, Leila, mais uma vez. Obrigado por aceitar o nosso convite. Como eu dizia aqui aos nossos espectadores, você está diretamente do Líbano, conversando com a gente, para falar sobre essa situação grave que vocês têm aí.

no Oriente Médio, porque apesar dos acordos que foram construídos ao longo das últimas semanas, ou leila, por uma pausa nesse tensionamento, os bombardeios seguem aí no Líbano por ação da entidade sionista de Israel. No último sábado, a mídia libanesa noticiou uma série de ataques ocorridos no sul do país. As forças de defesa israelense anunciaram ter atacado cerca de 70 edifícios de uso militar e 50 estruturas do Hezbollah.

informou o canal televisão libanês MTV. O canal também noticiou 14 bombardeios com mortos e feridos realizados pelo exército israelense desde o começo do fim de semana. A maioria das ofensivas foram no sul do país. Entre as localidades atingidas estão os distritos de Bint Jebil e Tiro, que já haviam sido ataques, já haviam sido alvos de ataques israelenses nas últimas semanas. Além disso, o exército...

Israelense emitiu ontem um novo alerta urgente para moradores de 11 cidades e vilarejos do sul do Líbano, pedindo que eles deixem as suas casas e se afastem, ao menos mil metros, em direção a áreas abertas. Segundo os militares, essas ocupações ou essas operações teriam como alvo o resbolar, após o que Israel descreveu como uma violação do acordo de cessar fogo.

Israelense alega que o Hezbollah teria desrespeitado esse cessar-fogo e por isso fez os ataques. Leila, uma situação muito difícil, as notícias chegam, muito desencontradas, Israel segue nessa tentativa de ocupar o território libanês nessa sua guerra imperialista, e eu queria um panorama seu de como é que estão as coisas no Líbano nesse momento. Qual é o tamanho da destruição, como é que a população tem conseguido sobreviver a esses ataques da entidade sionista? Fica à vontade, Leila.

Tá certo, Anderson. Pois é, o que a gente tem, assim, ontem saiu um levantamento do Ministério da Saúde Pública libanês, queria começar por isso, que dá um pouco da dimensão do tamanho dos ataques. O último final de semana foi especialmente violento e a gente tem um número de 100 pessoas mortas no sul do Líbano, só de quinta-feira para cá.

e com ataques que têm seguido um padrão repetido, que se agrava muitíssimo, que são ataques a residências, a casas, a prédios, que têm massacrado famílias inteiras. No último domingo, a gente acompanhou e repercutiu bastante na mídia brasileira o assassinato daquela família de brasileiros, libaneses, que foi morta dentro de casa. E desde então, a gente tem visto outros massacres muito semelhantes. Dois dias depois...

do assassinato dessa família brasileira libanesa, houve um assassinato de uma família libanesa de cinco pessoas, que matou dois idosos, duas crianças e uma mulher. Logo depois, um outro ataque matou uma mulher grávida e sua filha de quatro anos, e desde então esses ataques seguem nesse mesmo padrão, chegando a esse número, portanto, de 100 pessoas mortas por Israel no Líbano, apenas desde quinta-feira até agora.

O número total de mortos desde 2 de março, que é quando se intensificou os ataques israelenses, se intensificaram os ataques israelenses ao Líbano, já chega agora a 2.659. Dentre esses, no mínimo, 180 são crianças, mais de 100 são profissionais de saúde. Além disso, há 29 jornalistas mortos, essa contagem dos jornalistas...

Desde 2023, desde a escalada de 2023 até agora, só no Líbano, isso sem contar os de Gaza. Então, é uma situação de muita destruição, de muita violência, que, como você disse, Anderson, não recrudesceu após a assinatura do cessar-fogo temporário entre Líbano e Israel, mediado pelos Estados Unidos.

Esse sarfogo, ele entrou em vigor no dia 16 de abril, 17 de abril aqui no Líbano, inicialmente por um período de 10 dias, depois ele foi prorrogado por mais três semanas, ele tem vigência até o meio de maio, mas na verdade ele já foi violado logo nas primeiras horas por Israel, com ataques por terra e por ar, e nas últimas semanas, especialmente nessa última semana, ele deixou de existir absolutamente.

as pessoas têm me relatado com conversas, tanto aqui na capital Beirute, onde eu estou agora, mas também no sul do Líbano, onde eu fui na semana passada, é que o cissar-fogo só existe no papel. Os ataques, como eu disse, continuam, se aprofundam, com vítimas civis que se intensificam muitíssimos. Ainda um outro dado, Anderson, antes de devolver para você que eu acho que é importante.

É o seguinte, a gente tem a dimensão da crise humanitária no Líbano, já tem mais de 1 milhão e 200 mil deslocados, o que é um número muito significativo para qualquer lugar. Mas para o Líbano, que é um país muito pequeno, isso representa 20% da população.

E como você disse, por conta dessas ocupações e também dessas ordens de deslocamento forçado que Israel tem emitido, a gente tem ondas sucessivas de deslocamento. Então muitas pessoas se refugiaram, primeiro em um local, agora esse local foi evacuado novamente e essas famílias seguem buscando refúgio, mas na verdade o que a gente sabe é que não tem mais lugar seguro no Líbano nesse momento.

situação muito grave viu Leila o Líbano tem aproximadamente 6 milhões de habitantes mais de um milhão e 200 mil deslocados até aqui diante desse horror produzido pela entidade sionista Israel enfim você que tá aí acompanhando

muito de perto. Eu queria que você falasse um pouco a respeito dessa ordem para a retirada das pessoas dessas 11 cidades, Leila. Isso está relacionado de fato a esse enfrentamento ao resbolar, que Jael coloca como fundamental nesse conflito, ou isso está na conta daquela guerra de narrativas que a entidade sionista se utiliza para avançar com seus objetivos de ocupação ilegal de territórios aí?

no Oriente Médio. Fala um pouquinho sobre essa ordem que foi dada pelos militares israelenses para a desocupação de 11 cidades no sul do Líbano. Certo, pois acho que a primeira coisa que a gente precisa dizer sem qualquer sombra de dúvida que o que existe no Líbano hoje é um processo de limpeza étnica promovido por Israel. Não se trata de maneira nenhuma de ataques ao Hezbollah, de ataques direcionados a instalações militares.

são ataques generalizados a civis que se concentram nesse momento no sul do Líbano e que tem como objetivo principal a limpeza étnica, sobretudo da população de maioria chiita que habita essa parte do Líbano e também várias outras partes do país. Mas o primeiro ponto é esse, existe um processo de deslocamento forçado que segundo especialistas da ONU

aponta justamente para a limpeza étnica e essas evacuações, segundo a própria ONU, não podem ser sequer consideradas na ótica do direito internacional humanitário como ordens de evacuação, porque elas não prevêem o retorno e a saída seguras desses civis de suas casas, o que é, na prática, um crime de deslocamento forçado e de confinamento de civis, que é o que a gente tem visto.

Essa ordem de ontem que você mencionou foi justamente de mais 11 cidades para o deslocamento dos civis. O que é importante explicar para quem está nos assistindo, como você falou, as informações ficam muito truncadas. Hoje, Israel ocupa ilegalmente...

uma parte do Líbano, a fatia sul do Líbano, naquilo que Israel chamou arbitrariamente de uma zona amarela ou linha amarela nos moldes feitos em Gaza, no sul do Líbano. Israel declarou isso depois da assinatura do cessar-fogo, disse que não iria retirar suas tropas dessa área.

segundo Israel, seria uma zona tampão para a segurança do norte de Israel, nos palavras de Netanyahu, e na prática, uma ocupação do território libanês. Então, Israel ocupa essa faixa do Líbano, declarou ter total controle militar dessa região e já declarou que qualquer pessoa que cruze essa linha imaginária, que eu repito, não foi negociada no cessar-fogo,

vai ser considerada um alvo legítimo e ser executada. Essa faixa tem 55 cidades e vilarejos. Fora isso, o que Israel tem feito nessas últimas semanas é progressivamente aumentar essa zona ocupada justamente com essas ordens que eles chamam de ordens de evacuação, mas, segundo a ONU, são ordens de deslocamento forçado. Isso já chega agora a outros 56 vilarejos. Além desses 11 de ontem, já tinham outros. Então, agora...

Se a gente somar a área ocupada e os vilarejos com ordem de evacuação, são mais de 100 cidades e vilarejos para as quais a população civil não pode retornar, foi expulsa e se tentar retornar, está ameaçada de ataques direto pelos tropas israelenses. O microfone estava desligado. O processo de limpeza étnica, o que a gente já viu acontecer em Gaza mais recentemente, permanece em território palestino e agora a gente vê também no Líbano promovido.

pela entidade sionista. Agora, Leila, como é que o governo libanês tem lidado com esse conflito, com esses bombardeios? Porque, mais uma vez, o argumento israelense é de eliminar o resbolar. Como é que o governo local tem lidado com esse processo diante de um massacre que a gente vê no país e destruição total?

Pois é, exatamente. O governo libanês tomou uma decisão que foi bastante criticada aqui internamente e apoiada por outros setores da sociedade, de iniciar negociações diretas com Israel, o que não acontecia nos últimos 30 anos.

justamente porque o Ríbano, como nação, nunca reconheceu a criação de Israel em 1948, que um acordo de armistício assinado em 1949, mas não se engajava em negociações diretas desde os anos 80, negociações que falharam. E essas negociações foram feitas durante os ataques de Israel, sem a garantia, como a gente viu.

da retirada integral das tropas do território libanês. O que o presidente libanês José Faú e o primeiro-ministro Naoá Salam vêm afirmando agora é que qualquer negociação para a continuidade do Cesar Fogo depende necessariamente da retirada integral de Israel do sul do Líbano. A grande questão é a seguinte, o Líbano enfrenta uma crise econômica gravíssima, uma crise política que se aprofunda e se reproduz.

já há muitos anos, mas que se intensificou de 2019 para cá. E o exército libanês, especificamente, é um exército muito debilitado, que depende de financiamento internacional, principalmente dos Estados Unidos. E o que muitos analistas militares colocam é que o desfinanciamento do exército libanês foi uma política deliberada dos Estados Unidos justamente para manter o controle e a dependência do Líbano, impedir a sua soberania.

e a sua garantia de segurança soberana. Então o exército libanês hoje não tem qualquer condição de fazer um enfrentamento ao exército israelense, à invasão, à tentativa declarada de anexação da porção sul do Líbano. Nas últimas semanas, antes do cessar fogo, o exército libanês inclusive se retirou de vários pontos do sul do Líbano, ao passo que o exército israelense avançava em conquista de território.

E nesse processo, quem tem condições hoje, do ponto de vista militar, de enfrentar o exército de Israel, é o grupo paramilitar e partido político, é importante a gente lembrar, Rezbollah, que é quem tem um poderio militar hoje, muito superior ao do exército libanês.

Naturalmente, existem muitas diferenças de análise sobre qual é o papel do Resbola dentro da sociedade libanesa, mas concretamente o que a gente vê nesse cenário aqui, especialmente para essa população do sul do Líbano, que está completamente desprotegida,

O Hezbollah hoje aparece justamente como essa alternativa, é quem está no campo fazendo a resistência, fazendo o enfrentamento, e o governo libanês hoje diz se comprometer com a exigência de Israel de desarmar o Hezbollah, o que é apoiado por um setor da sociedade, mas duramente criticado por outro, porque, justamente como eu disse, vê que o Hezbollah seria justamente a única alternativa de um enfrentamento militar a Israel. Então é realmente uma situação...

bastante complicada. Eu queria te perguntar justamente a respeito disso, viu, Leila, desse apoio popular que existe nesse momento ao resbolar, o grupo de resistência a esse horror estabelecido, essa ocupação que é tentada pelo Estado sionista, hoje majoritariamente a população libanesa ela...

mais apoia o Resbolar ou ela questiona as decisões que estão sendo tomadas, as iniciativas do grupo, que, como você muito bem lembrou, é um partido político aí no Líbano. Como é que você vê hoje esse apoio popular ao Resbolar e as ações que estão sendo tomadas?

O Hezbollah tem uma base social muito forte no Líbano, ele se constitui com esse braço armado, como um partido político, mas também uma espécie de movimento social e assistencial, sobretudo no sul do Líbano, com serviços de educação, de saúde, que são prestados justamente a essa população mais vulnerável e que cumprem um espaço ali diante da falência, da incapacidade de elaborar políticas públicas do exército libanês.

Então, o Hezbollah tem uma base social muito forte. Eu participei, acompanhei, cobri um protesto aqui no Líbano, antes ainda do cessar fogo, que denunciava essas negociações diretas anunciadas entre Líbano e Israel como uma rendição.

E ali foi um protesto convocado pela sociedade civil, não foi convocado diretamente pelo Hezbollah ou por outros partidos xiítas, mas a base social desses partidos estava ali. E uma coisa que eu vi, que eu acho que é muito importante a gente falar para a audiência brasileira justamente...

conta do desconhecimento que existe e da falta de informação mesmo nos meios de comunicação tradicional, é que essa base social, São Paulo é uma base social civil, como de qualquer movimento social que a gente conhece. Eu vi muitas famílias, muitas crianças, muitas senhoras com as bandeiras, com as referências, com os rostos dos líderes do Hezbollah, sobretudo do ex-secretário geral do Hezbollah, Rassan Nasrallah, que foi assassinado por Israel na agressão de 2024.

E eu diria também que esse setor popular que apoia o Hezbollah e essa base social do Hezbollah, ela se renovou nesse período da agressão, porque existia um desgaste depois da agressão de 2024 e nesse momento, com o enfrentamento, ela se renova. Mas existe, por outro lado, um desgaste, inclusive em setores da base social xiita.

que se sentem exasperados, que dizem, olha, em 2024 a gente perdeu tudo, agora a gente começou uma tentativa de reconstrução, de novo existe um enfrentamento. Eu ouvi de algumas pessoas dizendo, olha, se o Hezbollah talvez tivesse esperado um pouco mais para entrar. Lembrando que durante o cessar-fogo de 2024, até o Hezbollah responder em fevereiro de 2026, o cessar-fogo aqui no Líbano foi violado unilateralmente por Israel mais de 10 mil vezes, isso segundo a ONU.

com ataques diários que mataram 370 pessoas. Mas, de qualquer forma, há pessoas que dizem, mesmo com esses ataques, talvez fosse o caso de esperar um pouco mais, porque essa entrada nos colocou de novo numa sensação de vulnerabilidade. E, claro, a sociedade libanesa é uma sociedade muito complexa, dividida sectariamente de maneira muito profunda, então tem outros setores da sociedade que são bastante contrários ao resbolar.

tanto setores seculares como setores sunitas e também os setores cristãos, que são especialmente a extrema-direita cristã aqui do Líbano, de inspiração fascista, é uma opositora histórica do Hezbollah e uma aliada de Israel aqui. Beila, como é que está a situação propriamente em Beirut? Como você, você muito bem colocou ainda há pouco, você está na capital libanesa nesse momento, vocês são alertados muito sobre bombardeios feitos?

Pelo Estado sionista, você precisa ir para abrigos, para se proteger das bombas de Israel? Como é que está a situação propriamente em Beirute? Porque parece que o cenário hoje é mais grave no sul do Líbano. Em Beirute, como é que anda a situação nesse momento? Você já teve de se proteger das bombas do Estado sionista?

Já, desde o cessar-fogo não teve mais ataque em Beirute, na capital e nem nos subúrbios. Desde o cessar-fogo as violações têm se concentrado numa área grande, mas no sul do Líbano. Mas antes do cessar-fogo os ataques a Beirute e vários outros pontos do Líbano foram muito violentos, muito intensos.

com esses avisos e sem aviso também. Eu lembro daquele dia 8 de abril, que foi o dia que Israel fez sem ataques, em cerca de 10 minutos, de maneira coordenada, a vários pontos do Líbano, inclusive a capital Beirute.

Nesse dia eu estava no centro de Beirute, fazendo uma entrevista, trabalhando, e um dos ataques aconteceu a menos de duas quadras de onde eu estava. Então eu ouvi, a gente teve que interromper a entrevista, se abrigar, sair do lugar onde a gente estava, começou a correria, o pânico, e a partir daí a gente foi entender.

a dimensão do que estava acontecendo. E, além disso, existe, Anderson, e agora também, depois do cessar-fogo, um estado de guerra psicológica permanente. Isso é uma coisa importante também da gente falar. O som dos drones é permanente, ensurdecedor. A gente ouve os jatos passando o tempo inteiro. Existem também as chamadas quebras da barreira de som, que são as invasões do espaço aéreo quando os jatos voam a uma velocidade muito alta e causam uma explosão sonora.

que num primeiro momento a gente não sabe se são explosões sonoras ou explosões reais. E mesmo quando elas são só sonoras, treme parede, treme vidro, muitas vezes estilhaçam os vidros, treme porta. Então é um estado de tensão permanente.

E os ataques a Beirute, isso é importante falar também, aconteceram em vários pontos, mas se concentraram no subúrbio sul da capital, que é aquela região do Dahri, que é uma região de maioria xiita, com presença do resbolar, mas uma área residencial, densamente povoada.

E muitas pessoas, milhares de pessoas foram também deslocadas à força, muitas famílias também dessa região. Hoje, muitas dessas famílias não retornaram ainda, eu estou em contato com algumas famílias que foram desalojadas dessa região do Dari e de várias outras que não conseguiram retornar, não apenas porque existe muita desconfiança em relação ao cessar-fogo, mas também...

porque mesmo nas áreas que não voltaram a ser bombardeadas, como o subúrbio de Beirute, existe uma destruição estrutural absoluta, falta luz, falta água, todos os fios de energia foram derrubados com os ataques sistemáticos, então não há condição de essas pessoas voltarem a habitar nesse momento sem qualquer apoio do Estado libanês e ainda com risco, claro, de os ataques retornarem a qualquer momento. Então é uma situação, de fato, muito grave.

É gravíssimo, não tenha dúvida, é gravíssimo do Instituto que está colocado. Eu tenho mais dois assuntos rapidinho para tratar aqui com você, já estamos chegando aqui, já está ultrapassando o tempo que a gente combinou, mas são questões muito importantes. Primeiro, falar um pouco sobre a situação no Irã. A gente tem também esse período de cessar fogo muito tenso nesse conflito lá entre os Estados Unidos, Irã e Israel. O Estreito de Urmuz segue bloqueado tanto pelos iranianos como pelos Estados Unidos.

As negociações seguem, o Donald Trump estaria, inclusive, analisando uma nova proposta do Irã pelo fim desse conflito. Como é que você aí do Líbano enxerga essa guerra produzida por Israel e pelos Estados Unidos ao Irã? Há um entendimento de que o presidente dos Estados Unidos seria o principal derrotado nesse conflito. É a mesma impressão que vocês têm aí no Oriente Médio e até que ponto pode ser construído um acordo pelo encerramento definitivo desses bombardeios na tua análise?

Pois é, Anderson, eu acho que o presidente dos Estados Unidos está com uma grande dificuldade, uma batata quente nas mãos e uma dificuldade de encontrar uma saída para esse conflito. Eu acho que a primeira coisa que a gente precisa lembrar é que essa guerra foi iniciada de forma ilegal por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A gente vê na cobertura, muitas vezes, dos meios tradicionais, isso ser flagrantemente ignorado.

Mas é importante a gente lembrar que o ataque aconteceu sem que houvesse, à luz do direito internacional, nenhuma justificativa, com negociações em andamento, com manifestação do Irã de entendimento em relação às propostas apresentadas para o próprio acordo nuclear que vinha sendo...

negociado e sem que se representasse nenhuma ameaça direta aos Estados Unidos ou a Israel quando foram feitos os ataques. Então esse é um primeiro ponto, um ataque feito de maneira ilegal, que atingiu logo no primeiro momento muitas áreas civis, a gente teve aquele caso mais grave da escola de meninas que foi atingido, mas com um conjunto de violações que tem massacrado a população civil.

iraniana. Então, assim, eu acho que é importante não minimizar os desgastes e os ataques e as perdas civis e toda a violência que os ataques têm significado e, ao mesmo tempo, entender do ponto de vista da correlação de forças o que está colocado, assim, porque o que eu acho que uma série de analistas internacionais tem reafirmado é justamente que a resposta do Irã foi muito acima do que e, assim,

se esperava do ponto de vista da capacidade militar, especialmente depois do período chamado como a Guerra de 12 Dias do ano passado. Parece que havia um cálculo dos Estados Unidos e de Israel que o Irã já teria esgotado grande parte das suas capacidades militares na Guerra dos 12 Dias, e não foi isso que se viu.

E agora, de fato, se constitui esse impasse, um elemento que atinge diretamente, que tem implicações diretas aqui para a gente no Líbano, é justamente a negociação do cessar-fogo incluindo ou não o Líbano, porque isso é um motivo de tensão, inclusive aqui internamente, o Irã.

tem reafirmado em todos os pontos apresentados para a negociação que a cessação de hostilidades no Líbano seria também um ponto inegociável. E na primeira declaração do cessar-fogo, a gente tem que lembrar que foi dito, inclusive pelo mediador paquistanês, que o Líbano seria parte do cessar-fogo, seria negociado, isso foi reafirmado pelo Irã. E logo depois do próprio mediador fazer essa afirmação,

Netanyahu foi a público dizer que não, que o Líbano era outra história, estava fora e logo depois vieram os ataques do dia 8, esses ataques gigantescos a que eu me referia anteriormente. Então, aqui no Líbano, inclusive, o governo libanês repudia essa negociação, diz que é o Líbano que tem que negociar por si só, porque faz oposição, é um setor que não defende um alinhamento.

ao regime iraniano. Portanto, do ponto de vista aqui no Líbano, o próprio governo tem pedido e reivindicando uma negociação soberana, que no entanto é mediada pelos Estados Unidos, que está longe de ser um ator neutro nesse cenário. Então, existe uma contradição muito grande.

Me parece daqui que a melhor chance de uma negociação para o Líbano seria no acordo internacional junto com o Irã, mediado internacionalmente pelo Paquistão, mas o próprio governo libanês tem feito oposição a isso, e do meu ponto de vista, isso é bastante discutido, mas aqui como analista, não como jornalista, a minha opinião é que isso tem representado um erro que tem exposto a população libanesa aos ataques ainda mais.

Não tenha dúvidas, não tenha dúvidas. É um erro grave diante do que a gente tem observado por aí. Leila, para a gente fechar aqui o nosso papo, eu não posso deixar de tratar com você dessa situação envolvendo a flotilha. Porque mais uma missão da Global Subflotilha, levando ajuda humanitária ao território palestino, lá em Gaza, que foi interceptada de maneira ilegal pela entidade sionista nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia, em águas internacionais na última semana.

Dos 175 ativistas sequestrados, os 173 foram libertados no último sábado, incluindo os brasileiros Leandro Lanfredi, Amanda Coelho e Tainara Rogério. Os dois primeiros, inclusive, já desembarcaram no Brasil na madrugada de hoje, o Leandro e a Amanda.

e dois seguiram como reféns de Israel. Eu me refiro a Tiago Ávila, brasileiro, que já participou de diversas missões da flotilha para romper o bloqueio imposto pela entidade sionista, inclusive conversou aqui conosco no programa algumas vezes, e também o palestino espanhol Saif Abu Keshek. Katsaif Abu Keshek. Ambos foram levados para território israelense, foram vítimas de tortura, o Tiago, inclusive, teria ficado temporariamente cego de um dos olhos.

E agora, ambos devem ser julgados em Israel. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores israelense, o Tiago Ávila é suspeito de atividade ilegal, sem mais detalhes, e que o Saif é suspeito de filiação a uma organização terrorista. Eles foram interrogados e podem ser condenados, inclusive, à pena de morte por enforcamento.

O Itamaraty emitiu uma nota conjunta com a diplomacia espanhola condenando esse sequestro dos ativistas, exigindo a libertação imediata de ambos. Veio lá uma apreensão enorme aqui no Brasil sobre o que pode acontecer. O Tiago e o Saif, inclusive, fazem greve de fome nesse momento. O que você tem de informação de Lugibano sobre o que se dá lá em Israel? Fala um pouquinho sobre esse novo sequestro dos membros da Global Submultiflotilha pelo exército de Israel e a ameaça de condenação à morte do Tiago e do Saif.

Pois é, Anderson, como você disse muito bem, a interceptação da flotilha em águas internacionais é flagrantemente ilegal, mais um crime cometido por Israel. Israel não tem jurisdição sobre as águas internacionais, portanto, configurando um sequestro.

dos ativistas da flotilha, que levavam mais uma vez ajuda humanitária, tentavam levar ajuda humanitária à faixa de Gaza, e que foram levados agora Tiago Ávila e Saif Abushé Keshik, justamente para uma prisão na Palestina ocupada em Israel, que é a prisão de Shikma, que é conhecida por ser um centro de tortura de presos políticos palestinos. Então, de fato, preocupa muito a situação.

dos dois ativistas, eu acho que é fundamental a gente dizer que todos os ativistas da Flotilha e Tiago e Saif merecem nossa total solidariedade. É motivo de uma preocupação imensa à tortura que tem sofrido, que relataram e à ameaça de julgamento sob a nova lei aprovada recentemente.

por Israel, que prevê pena de morte por enforcamento para aqueles considerados terroristas, uma lei que, cabe dizer, faz parte da estrutura de apartheid colonial que Israel impõe à Palestina, porque ela é uma lei flagrantemente racista, que não pode ser aplicada às israelenses.

aplicada para palestinos e pode ser agora, existe esse debate, aplicada para estrangeiros considerados como cometendo atos de terrorismo, lembrando que eles sequer estavam sob jurisdição israelense ou na Palestina ocupada. Então, é uma violação mais uma.

que mostra uma parte do que são as violações, é que o povo palestino está submetido constantemente, é que os presos políticos palestinos e todo o povo palestino estão submetidos constantemente. E é fundamental a gente lembrar...

que existem instrumentos internacionais que podem e devem ser utilizados em momentos como esse. E aí eu acho, e acho que é fundamental lembrar isso, do meu ponto de vista, já passou da hora de o governo brasileiro, o governo Lula, tomar uma atitude muito mais contundente. Eu acho que a nota que foi divulgada pelo Itamaraty...

É importante, faz uma reivindicação de uma libertação imediata. Naturalmente, é isso que o governo deve fazer, mas deve, pode e precisa fazer mais. É inaceitável que o governo brasileiro...

mantenha, do meu ponto de vista, relações comerciais, econômicas, militares e diplomáticas com Israel. Israel não é um Estado democrático, é um sistema de apartheid colonial que comete reiterados crimes de guerra na Palestina, aqui no Líbano, vitimando inclusive cidadãos brasileiros aqui na Palestina e no Líbano e que agora sequestra um cidadão brasileiro em pleno exercício de seus direitos civis e políticos.

Eu acho que é fundamental que a sociedade civil brasileira se engaje também nessa pressão, que é o mais importante que se pode fazer nesse momento. A pressão aos governos para garantir, não apenas da libertação imediata dos ativistas, mas também...

Porque a gente sabe que na história da humanidade, o que foi capaz de enfrentar internacionalmente regimes de apartheid, como foi no caso da África do Sul, é uma combinação de vários fatores que passa também pelo isolamento internacional e a imposição de sanções. E para isso...

a ruptura de relações de toda natureza, econômicas, militares, comerciais e diplomáticas, é fundamental, na minha opinião. Uma posição absolutamente recuada do governo brasileiro diante desse fato, desse absurdo. Mais um, mais um sequestro dos brasileiros que fazem parte dessa global suma de flotilha. Vou colocar imagens aqui, eu já passei ainda há pouco do Tiago chegando lá para ser ouvido pela justiça lá em Israel, enfim, imagens...

chegam nesse final de semana, ele esteve lá diante da justiça israelense, enfim, mas é uma situação gravíssima essa que está colocada, a gente precisa se mobilizar acima de tudo pela libertação do Tiago, do Saif, a gente vai conversar ao longo dessa semana com o Leandro Lanfredi, que chegou aqui no Brasil nessa madrugada, a gente vai conversar com ele sobre todo esse episódio, essa experiência que ele teve junto à Global Sumo do Flotido, o sequestro dos barcos lá na região de Creta, próximo ali Muitos ali

a região a Grécia enfim águas internacionais um negócio inacreditável a gente vai continuar acompanhando e se mobilizando no sentido da libertação cobrando o governo brasileiro que pressione o Estado sionista a libertar tanto Tiago como o Saif a comunidade internacional tem de se posicionar de maneira firme diante de mais um horror promovido pelos jaelenses um ataque às liberdades que o Israel promove infelizmente ao longo desses últimos anos

Leila, eu quero agradecer demais a tua presença, quero saudar, parabenizar a tua coragem, a tua luta aí no Líbano, você que está trabalhando, trazendo informações de qualidade aqui para a gente a respeito desse conflito, desse massacre produzido pela entidade socialista e pelos Estados Unidos, tanto no Líbano como no Irã, bem como em Gaza, em todo o Oriente Médio. A gente saúda e exalta aqui a tua participação com a gente, que possamos dialogar em um próximo momento aqui no programa, tá bom, Leila?

Está ótimo, Anderson, que agradeço o convite, sigo à disposição e parabéns pelo trabalho do Faixa Livre, é sempre um prazer estar aqui. Prazer sempre nosso, Leila. Obrigado a você, um grande abraço e até a próxima.

Tchau, tchau. Conversamos com Leila Salim. Leila Salim, que é jornalista e também... Leila, aliás, já conversa conosco aqui há algum tempo. Para quem não sabe, Leila é irmã de uma pessoa que trabalhou aqui conosco no nosso programa. Leila é jornalista e pesquisadora em comunicação política, dialogando com a gente a respeito desse quadro grave que a gente tem lá no Oriente Médio, no Líbano, nesse momento. Ela está lá.

nesse momento, atualmente participando ali da cobertura desse conflito no Oriente Médio, e a Leila, enfim, trazendo aqui informações muito importantes a respeito desse cenário grave que a gente observa lá no Líbano, falando sobre essa situação envolvendo também...

O sequestro do Tiago e do Saif pelo Israel em águas internacionais, em mais uma missão da Global Sumo de Flotilha, enfim. O Tiago pode ser condenado, está sendo torturado, pode ser condenado inclusive à morte nesse momento lá em Israel. A gente precisa avançar no sentido de pressionar os estacionistas para libertar o Tiago e também o Saif.

pelo fim do genocídio que a gente observa no Oriente Médio, agora ao povo libanês, também ao povo palestino. Quadro muito grave, a gente vai continuar acompanhando aqui no nosso programa essa situação. Pessoal, eu quero agradecer demais a presença de todos vocês. Vamos encerrando a edição de hoje do Faixa Livre. Lembrar mais uma vez, se inscreva no canal, curta aqui a nossa publicação, a nossa live, enfim, as nossas...

os nossos conteúdos, mande mensagem, compartilhe essa nossa live com seus amigos nos aplicativos de troca de mensagem, enfim, se engaje com o nosso Faixa Livre. É fundamental esse apoio que vocês nos dão. Amanhã, Gilberto Marimoni vai estar aqui com a gente falando um pouco sobre política, sobre o cenário internacional, entrevista bem bacana aqui com o Marimoni no dia de amanhã. Obrigado a todos pela audiência e pelo carinho, meu grande abraço, uma ótima segunda-feira e até amanhã às oito.

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